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16 maio, 2013
Festim 2013 - O Programa Completo!
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25 março, 2013
Klezmatics e Rabih Abou-Khalil no Festim
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06 agosto, 2007
Cromos Raízes e Antenas XXIV
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo XXIV.1 - Crioulo
É comum ler-se ou saber-se que um determinado artista «canta em crioulo». Mas qual crioulo? E que raio é isso da língua crioula?... A verdade é que há muitos crioulos - estão identificados e estudados cerca de 80 - e que o «crioulo» está espalhado por vários continentes. Historicamente, o primeiro crioulo identificado como tal foi a chamada «língua franca», baseada no italiano e falada pelos Cruzados na Idade Média. Mas, depois disso, muitos crioulos nasceram, principalmente nas zonas em que escravos africanos (ou outros) de várias origens pegaram na língua dos «senhores» e as transformaram numa língua híbrida, entendível por falantes oriundos de várias etnias. Para resumir - e apesar da complexidade do tema - digamos que, na origem, os actuais crioulos têm geralmente uma língua-base «dominante» (o inglês, o francês, o português...) e elementos de outras línguas da zona natal ou de origem dos seus falantes.
Cromo XXIV.2 - George Harrison
É agora um dado adquirido que os blues - e por arrasto, o rock - nasceram na zona mandinga de África. Assim como se percebe cada vez melhor como «outras músicas» influenciaram os primeiros tempos do rock'n'roll: da música mexicana em Ritchie Valens à música do Médio Oriente no surf-rock de Dick Dale. Mas, nos anos 60, o primeiro contacto de milhões de fãs de rock com músicas «estranhas» deu-se através dos Beatles e, mais concretamente, de George Harrison, que incluiu a sitar e a tambura indianas no som do grupo. Fascinado pela música de Ravi Shankar, George Harrison introduz a sitar na música anglo-saxónica na canção «Norwegian Wood (This Bird Has Flown)», do álbum «Rubber Soul» (1965), converte-se ao hinduísmo e arrasta os outros Beatles para a Índia. Foi ele o responsável pela presença de Shankar no festival de Monterey e o produtor do single «Hare Krishna Mantra», do London Radha Krishna Temple.
Cromo XXIV.3 - Osibisa
Muitas vezes considerados como os «padrinhos da world music», os Osibisa nasceram em 1969 em Londres, liderados pelo cantor e saxofonista ganês Teddy Osei, ladeado por mais dois músicos do Gana - Sol Amarfio (bateria) e Mac Tontoh (trompete) -, um nigeriano - o percussionista e saxofonista Lasisi Amao - e três caribenhos: Spartacus R (baixo; de Granada), Robert Bailey (teclas, de Trinidad) e Wendell Richardson (guitarras; de Antígua). Ao longo dos anos, outros músicos - como os ganeses Darko Adams Potato e Kiki Djan - passaram pela banda mas foi essa primeira formação que os lançou para a fama mundial, mercê de uma mistura explosiva e hiper-dançável de highlife, música das Caraíbas, funk, R&B e jazz. Álbuns como «Osibisa» e «Woyaya» (ambos de 1971), «Superfly TNT» e «Osibirock» (ambos de 1974) e canções como «Sunshine Day» ou «Ojah Awake» são ainda hoje clássicos abslutos. Ainda andam por aí.
Cromo XXIV.4 - The Klezmatics
A música klezmer - que tem as suas raízes remotas no séc. XV, no seio das comunidades judaicas do centro europeu, e é fixada como género na primeira metade do séc. XX - tem hoje num grupo nova-iorquino, os Klezmatics, o seu maior expoente mundial. É justo: os Klezmatics, judeus pouco ortodoxos que defendem a paz entre Israel e a Palestina, que cantam loas ao haxixe e dedicam discos a rabinos homossexuais, fazem da melhor música da actualidade, juntando a música klezmer ao jazz, ao punk, ao ska, à música árabe e, mais recentemente, à folk norte-americana, via canções de Woodie Guthrie (cf. em «Wonder Wheel», de 2006). Nascidos em 1986, em Nova Iorque, Estados Unidos, encabeçados pelo trompetista Frank London e pelo vocalista e acordeonista Lorin Sklamberg, assinaram desde aí alguns álbuns geniais, dos quais se podem destacar «Rhythm and Jews», «Possessed», «The Well» (com Chava Alberstein) e «Rise Up!».
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13 janeiro, 2007
Os Filhos de Abraão - Outras Tribos na Culturgest
Há coincidências estranhas: horas depois de ter chegado a informação relativa aos Blasted Mechanism - e de se ter escrito aqui «Unite in Sound, Unite in Light, Unite the Tribes, são palavras de ordem para uma nova Era de ascensão, de união, de paz, e de respeito pela Terra» - chegaram à caixa de correio os pormenores relativos ao Ciclo Os Filhos de Abraão que decorre na Culturgest, em Lisboa, ao longo deste ano e que é inaugurado no dia 24 com o concerto dos nova-iorquinos Klezmatics (concerto já noticiado neste blog), pontas-de-lança da música klezmer (judaica). Os mesmos Klezmatics que costumam apelar à paz entre os povos nos seus concertos e que na sua música também incluem música árabe ou o gospel cristão (para além do ska, do punk, do jazz, de arrancadas balcânicas...), abrindo um Ciclo que é dedicado ao Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, religiões que reconhecem em Abraão o seu fundador comum.
Outros concertos deste ciclo aberto, ecuménico, congregador, são protagonizados por um coro polifónico da Córsega, o Choeur de Sartène (na foto), dirigido pelo musicólogo Jean-Paul Poletti, que apresenta música religiosa católica (em Fevereiro); pelo duo de pianistas Marta Zabaleta e Miguel Borges Coelho, que interpretam as «Visions de l'Amen», de Messiaen, e uma transcrição para piano a quatro mãos de «Die Sieben Wörte» (as sete palavras que Jesus Cristo proferiu na cruz), do compositor barroco alemão Heirich Schütz (em Março); pelo Coro Sirin, da Rússia, que apresenta música religiosa ortodoxa (em Maio); e pelo grupo marroquino Ensemble Ibn Arabi, com música sufi de Tânger (em Novembro). No mesmo ciclo estão ainda incluídos três concertos de música erudita pela OrchestrUtopica (em Setembro) e um concerto do grupo portuense Drumming dia 18 de Abril, para além de «Salomé», ópera de Pedro Amaral sobre uma peça de Fernando Pessoa (em Outubro) e «Le Désert», de Félicen David, poema sinfónico para orquestra, coro, tenor e recitante (em Novembro).
Para além da música, o Ciclo inclui igualmente conferências sobre a temática «As Religiões dos Filhos de Abraão», em que intervêm representantes de vários credos religiosos (um judeu, um muçulmano, um cristão reformista, um cristão ortodoxo e um cristão católico): «Judeus e Judaísmo», por Samuel Levy (29 de Janeiro); «Reforma Protestante: uma história do passado ou uma opção actual?», por Silas Oliveira (5 de Fevereiro); «Testemunhar Deus com os Seis Sentidos: Islão e muçulmanos para além dos textos e dos exotismos», por AbdoolKarim Vakil (12 de Fevereiro); «Caminhos da Ortodoxia», por Ivan Moody (26 de Fevereiro); e «O catolicismo como radical elogio da Beleza», por José Tolentino de Mendonça (5 de Março).
04 janeiro, 2007
Concertos World e Colaterais - 1ª Fornada de 2007
O ano de 2007 promete ser ainda melhor que os anteriores no que se refere a concertos de nomes da chamada world music (e áreas próximas ou periféricas) em Portugal. E, apesar de não se saber ainda se o Intercéltico do Porto se vai realizar este ano (as melhoras e um grande abraço, Avelino: há um grupo de mouros à espera de ser recebido mais uma vez no Porto de braços abertos) e se o Cantigas do Maio irá mesmo ressuscitar de alguma forma, pelos zunzuns que circulam por aí referentes a outros festivais (com o FMM de Sines à cabeça), este ano vai ser mesmo de arromba. Para já, aqui ficam alguns concertos que vão ter lugar já neste e nos próximos meses, quase todos eles tendo como fonte original o Crónicas da Terra, do camarada e amigo Luís Rei.
Já este mês, a cantora revelação da música cabo-verdiana, Mayra Andrade, actua, dia 20, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. E o grupo maior da música klezmer e das suas fusões com outras músicas, The Klezmatics, apresenta-se ao vivo, dia 24, na Culturgest, em Lisboa. A fechar o mês de Janeiro, o pianista dominicano Michel Camilo e o guitarrista espanhol de flamenco Tomatito tocam na Casa da Música, Porto, dia 31.
Em Fevereiro, dia 16, os magníficos e inclassificáveis Tuxedomoon tocam no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre. E a cantora e compositora brasileira Cibelle (na foto, de Michel Figuet) regressa ao nosso país para quatro concertos: dia 21 no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, dia 22 no Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 23 no Theatro Circo, em Braga, e dia 24 no Teatro Virgínia, em Torres Novas.
Em Março, os delirantes israelitas, radicados nos Estados Unidos, Balkan Beat Box estreiam-se em Portugal com um concerto, dia 3, na Casa das Artes de Famalicão. O músico e compositor francês Yann Tiersen (famoso pelo seu trabalho no filme «Amélie») apresenta o seu novo álbum, «On Tour», dia 6 na Casa das Artes de Famalicão e dia 7 na Aula Magna, em Lisboa. A cantora inglesa de ascendência indiana Susheela Raman dá um concerto no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 10. E os lendários egípcios Musicians of The Nile sobem ao palco da Casa da Música, Porto, no dia 14. A encerrar em grande as «festividades» de Março, e ainda com o Norte de África como cenário, os marroquinos Master Musicians of Jajouka com Bachir Attar, acompanhados pelo pianista Jeff Cohen, participam numa homenagem aos escritor Paul Bowles, «Paul Bowles - Secret Words: A Suit of Six Songs», dia 31, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Finalmente, em Maio, dia 23, o quarteto de cordas completamente «desalinhado» norte-americano Kronos Quartet actua no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.
16 novembro, 2006
Klezmatics em Celebração Retrospectiva na Culturgest
Já há algum tempo que o Crónicas da Terra, do meu camarada e amigo Luís Rei, avançou com esta notícia em primeira mão, notícia que eu pilho aqui descaradamente: os fabulosos e absolutamente imperdíveis Klezmatics regressam a Portugal no dia 24 de Janeiro para um concerto na Culturgest, em Lisboa. Com eles trazem o seu espectáculo «20 Years Live!
A Retrospective Celebration!», de canções e instrumentais klezmer - klezmer neles elevado à condição de música-esponja do swing, do ska, do punk, da música árabe, balcânica e de tudo o que lhes apareça à frente. Isto é, a música saída dos seus álbuns «Rise Up! Shetyl Oyf», «Rhythm+Jews», «Jews With Horns», «Shvaygn=Toyt» e «Possessed». O que é, sempre, uma boa notícia. Embora melhor notícia seria se esta trupe de judeus nova-iorquinos viesse apresentar o seu novo espectáculo baseado no álbum «Wonder Wheel», em que pegam em poemas inéditos de Woody Guhtrie (à semelhança do que Billy Bragg e os Wilco fizeram) e para eles compõem a música, dando assim um novo sentido às palavras de um dos pioneiros da folk de intervenção nos Estados Unidos. Talvez não fosse mesmo nada mal pensado se, no próximo ano, eles voltassem depois com o fantasma de Woody-«this machine kills fascists»-Guthrie atrás.
18 julho, 2006
A Crise no Médio Oriente... e os Asian Dub Foundation
Tenho um amigo judeu. Tenho outro amigo muçulmano. Ambos portugueses, ambos fotógrafos, ambos com um passado profissional que se cruzou durante alguns anos com o meu. E ambos se converteram às respectivas religiões depois dos 30 anos (quer dizer, o meu amigo judeu já nasceu judeu - a família fugiu da Alemanha, para se refugiar em Portugal, durante a II Guerra Mundial -, mas só aderiu de alma e coração à sua religião, digamos, de sangue, três décadas depois de ter nascido). Gosto muito dos dois. E respeito e admiro as suas opções, tomadas adulta, ponderada e conscientemente...
Hoje, no jornal «Público» vem uma fotografia (de Sebastian Scheiner, da Associated Press) que mostra uma rapariguinha (14 anos? 15 anos?) israelita loira, muito bonita, a escrever mensagens de ódio em bombas que vão ser largadas sobre o Líbano ou a Faixa de Gaza e, eventualmente, matar pessoas (e, eventualmente, matar pessoas inocentes). O mesmo ódio que se sente, do outro lado, nos bombistas suicidas palestinianos que posam para as fotografias vestidos e armados pouco antes de se fazerem explodir (e, eventualmente, matar pessoas inocentes) nos autocarros, nos mercados e nas ruas de Israel. Um ódio que não há meio de acabar...
No interminável conflito israelo-palestiniano (ou, em termos mais alargados, israelo-árabe) há muitas coisas que me chocam e entristecem. Choca-me que os dirigentes de um povo várias vezes perseguido ao longo da História (escravizado pelos faraós, subjugado pelo Império Romano, perseguido pela Inquisição portuguesa e espanhola, vítima de um genocídio infame por parte de Hitler...) sejam agora os carrascos de um outro povo, o palestiniano, matando-o, condenando-o à fome e à sede, impedindo a entrada de medicamentos no seu território... Choca-me que, do lado palestiniano, anos e anos de esforços diplomáticos tenham sido deitados para o lixo por parte das facções mais radicais. Choca-me e entristece-me que sejam algumas elites minoritárias dos dois lados a querer, promover e incentivar a continuação da guerra. Choca-me que a questão palestiniana (por muito justas que sejam as reivindicações dos palestinianos ou exactamente por essa mesma justeza) seja usada, com má fé, por muitos radicais islâmicos para justificar o terrorismo internacional (usando como bandeira os corpos dos palestinianos mortos) e os atentados a Nova Iorque, Londres, Madrid ou Bombaim.
Choca-me e entristece-me que, em nome da defesa «ocidental» contra o terrorismo, os dirigentes de um país chamado Estados Unidos da América se sintam no direito de invadir países (como o Iraque), manter prisões que violam os Direitos Humanos (como Guantanamo) e usar países da Europa para fins ilegais (como o transporte de prisioneiros a cargo da CIA). Choca-me que os militares desse país, a mando dos seus chefes, matem milhares de inocentes, torturem, destruam museus e casas e mesquitas. Choca-me ver os pais desses militares a chorarem a morte dos filhos (desde o início da segunda guerra no Iraque já morreram mais de dois mil soldados norte-americanos nesse país). Choca-me que a maioria desses militares seja oriunda das classes baixas e de comunidades imigrantes nos Estados Unidos. Choca-me que os jornais e as televisões não falem dos milhares de jovens americanos que desertaram do exército, fugindo para o Canadá. Choca-me a proibição de filmar a chegada dos caixões dos militares mortos aos aeroportos de Nova Iorque, Chicago ou Los Angeles (e choca-me não pela «exibição da morte», mas pela justificação oficial da proibição: «a divulgação dessas imagens poderia desmoralizar os outros soldados» e a população norte-americana em geral). Choca-me que um alto responsável pelo governo norte-americano tenha interesses directos na exploração de petróleo no Iraque (ou na reconstrução de infraestruturas ou noutra actividade altamente lucrativa qualquer). Choca-me que a razão principal disto tudo seja o Dinheiro (o dinheiro gerado pela exploração do petróleo, pela venda de armas, pela venda, até, de matéria noticiosa nas grandes cadeias de televisão e nas revistas e jornais).
Choca-me que o presidente Bush se refira à actual situação no Médio Oriente como «aquela merda» (em conversa com Tony Blair, ontem). Choca-me que haja uns iluminados europeus e norte-americanos que se riem com as caricaturas de Maomé e de Alá, sem se aperceber que essas caricaturas são apenas o reflexo de uma eventual, putativa e duvidosa superioridade moral («olhem p'ra nós, tão democráticos e tão livres que até podemos achincalhar os outros e a sua religião») e não o exercício inteligente de um direito, o de criticar. Choca-me e entristece-me a falta de respeito - respeito no sentido antigo, respeito no sentido de respeitar diferenças, opiniões, ideologias, religiões, culturas... - entre todas as partes.
Como complemento útil a este texto, deixo aqui a crítica do álbum «Tank» e a entrevista com os Asian Dub Foundation publicadas há pouco mais de um ano no BLITZ (entrevista, realizada antes dos ataques terroristas em Londres de há um ano, em que Pandit G coloca algumas questões pertinentes acerca do terrorismo, da questão islâmica e da guerra no Iraque).
ASIAN DUB FOUNDATION
«TANK»
Labels/EMI
E tudo isto servido por letras que estão cada vez mais intervenientes politicamente, com os ADF a apontarem o dedo (o do meio, talvez), ao cinismo do Ocidente (Estados Unidos, Inglaterra...), que lança as sementes da violência e do terrorismo noutros países, para depois ser vítima das tempestades que desencadeia. O tema-título, «Tank», é baseado numa canção infantil, mas com a letra transformada («we want your oil»), e noutras canções há letras como «We're the children of the CIA, we want somewhere new to play, better get right out of the way»; «looking for the Muslim bomb/looking for the Hindu bomb / still on the lookout for the suicide bomb». A luta continua. (8/10)
ENTREVISTA
A GUERRA (TALVEZ SEGUNDO WALT DISNEY)
«Tank», o novo álbum dos Asian Dub Foundation é mais um violento manifesto anti-guerra vindo do grupo euro-afro-indiano. Mas é também um passo em frente na busca de um qualquer bhangra-hip-hop-reggae. E com o terceiro elemento, o reggae, cada vez mais lá em cima. A entrevista com Pandit G, um dos fundadores do grupo.
Os Asian Dub Foundation têm, desde sempre, uma forte consciência social e política nas suas canções. No novo álbum, «Tank», a luta política continua. O que é mais importante nos ADF: a música ou a mensagem? A festa ou a luta?
As duas, na realidade. Mas não sei se o nosso trabalho é político, apenas reflectimos sobre o que nos rodeia e vai acontecendo no mundo: aquilo de que as pessoas falam, aquilo que nós vemos na televisão... Não estamos sozinhos nisto. Há bandas e artistas que não falam destes assuntos, mas há outros que sempre o fizeram. O Bob Marley, por exemplo, falava de temas semelhantes num ambiente de festa. Muitas bandas punk faziam o mesmo...
Falou em ambiente de festa...
Sim, porque isso também é muito importante. Todas as músicas que usamos na nossa música - seja o reggae, o electro, o hip-hop, o bhangra... - são músicas de festa, para dançar. Mas, pelo meio, nós transmitimos uma mensagem. Em Inglaterra há agoras muitas bandas de revivalismo dos anos 80, e essa época foi má em termos musicais, foi vazia, muito virada para a moda, o consumo, o dinheiro. O movimento neo-romântico (Duran Duran, Spandau Ballet, Classix Nouveaux, etc, etc...) foi péssimo. Nós somos afectados pela vida de todos-os-dias, a vida real, e as nossas canções são a nossa visão sobre isso. Não temos grandes manifestos políticos...
Mas então como explica temas como «Tank», «Who Runs The Place», «Oil» ou «The Round Up»?
«Tank» pode ser o tanque de gasolina do seu carro (risos). Mas, falando a sério, é evidente que há questões específicas do nosso tempo que nos afectam directamente como a Guerra no Iraque. A Inglaterra está envolvida nesse conflito e as pessoas não foram consultadas a propósito dessa matéria. E não há maneira de reagir a isso, se não através de canções ou filmes ou manifestações...
Acha que há algum tipo de falta de liberdade, actualmente, no Reino Unido?
Sim, sem dúvida. Vocês, em Portugal, têm bilhetes de identidade. Nós, em Inglaterra, recusámos os bilhetes de identidade a seguir à II Guerra Mundial porque esse tipo de cartão identificativo atentava contra as liberdades individuais das pessoas. Mas agora querem obrigar-nos a ter bilhetes de identidade, alegando que são necessários para controlar o terrorismo, a imigração, etc... Há um controlo cada vez mais massivo e prepotente do estado sobre as pessoas. Há, por exemplo, detenções sem julgamento. O Governo está a transmitir uma mensagem negativa, de medo. Não fala em termos melhores empregos ou melhores casas ou melhor saúde... É mais: «se não votarem em nós, o futuro será terrível!». É assustador.
Mas não era inevitável, devido às ligações com os Estados Unidos, a entrada do Reino Unido na Guerra do Iraque?
Não, porque essa guerra é completamente ilegal. As Nações Unidas não deram o aval à invasão do Iraque... E tudo isto porque nos transmitiram uma mensagem de medo. O medo do terrorismo, aqui, é um medo irracional, o medo de que algo ou alguém de fora poderá vir atacar-nos. No Reino Unido sempre tivemos terrorismo, mas um terrorismo «interno», do IRA. Sabemos bem o que isso é. Mas nunca tivemos um ataque terrorista vindo de fora [Nota: repete-se, esta entrevista foi dada dois meses antes dos atentados em Londres].
Passando à música - e voltaremos depois à «política» a propósito da vossa ópera sobre Khadafi... Neste álbum, vocês trabalharam com o produtor Ben Watkins (dos Juno Reactor e compositor das bandas-sonoras da série «Matrix»). O que é que ele trouxe de novo ao som da banda?
Ele ajudou-nos a voltar às origens e a um som mais verdadeiro, mais simples, onde as melodias pudessem tomar a dianteira. O destaque está nos MCs e nos cantores. A base é o drum'n'bass, o hip-hop e o reggae, mas as vozes é que estão lá em cima. Não há tanto ruído por baixo como em álbuns anteriores... Agora, se ele trouxe algo de novo ao nosso som ainda não sei dizer, porque tenho estado muito embrenhado no trabalho e ainda é tudo muito subjectivo. Se calhar só daqui por cinco anos é que vou poder dizer, quando ouvir o «Tank» outra vez, «oh sim, olha o que nós fizemos aqui!» (risos). Agora a sério, quando estivermos proximamente a preparar estas canções para o formato de concerto é que vamos perceber melhor o que temos no álbum.
Neste álbum também tiveram a colaboração constante do cantor reggae Ghetto Priest, que já tinha trabalhado convosco em 1996...
Acho que tudo isso está ligado. E sim, o Ghetto Priest está ligado à On-U Sound (editora/organização liderada por Adrian Sherwood) e esteve em digressão connosco por essa altura, mostrando o seu próprio trabalho e acabou por colaborar directamente connosco, depois, no tema «Fortress Europe», do álbum «Enemy of the Enemy». A sua voz soava muito bem connosco quando tocávamos com ele ao vivo, daí que a sua presença neste novo álbum seja perfeitamente natural. E ele, apesar de ser um cantor de reggae, adapta-se muito bem a todos os géneros que nós incluímos na nossa música.
Mas há agora mais reggee na vossa música...
Nós crescemos nos anos 80 e aprendemos a gostar do reggae dos anos 70, dos sound-systems... Isso, para nós, sempre foi uma grande influência. E com a presença dele na banda essa tendência acentuou-se. A canção «Tomorrow Begins Today» é a canção mais reggae de raiz que alguma vez fizemos.
Os Asian Dub Foundation estão a trabalhar numa ópera baseada na vida do Coronel Muamar Khadafi (o presidente da Líbia). Porquê uma ópera e porquê acerca de Khadafi?
Já viu o «Disney on Ice»? (risos)
Não; mas sei o que é.
Pois, pensámos fazer um espectáculo com tanques em cima do gelo, mas os tanques são demasiado pesados (risos). E a ópera é capaz de ser um formato mais apropriado para contar essa história. A ideia já tem alguns anos: fomos convidados pelo National Theatre para começar a preparar uma ópera acerca de Khadafi. A ópera só estará pronta no próximo ano e será, provavelmente, cantada em italiano.
A Líbia teve a Itália como potência colonizadora no passado...
Exacto. Essa é uma das razões; a outra é que as grandes óperas clássicas eram cantadas em italiano (risos).
Como é que vocês vêem o Coronel Khadafi? Como um herói? Um ditador? Apenas um homem?
Ditador, ele é de certeza. Mas a verdadeira questão não é essa... Vou dar um exemplo: vimos o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros sentar-se várias vezes com Saddam Hussein à mesma mesa e as declarações dele foram «que pessoa encantadora que é Saddam». Isto, enquanto Saddam bombardeava os curdos. E o Donald Rumsfeld a mesma coisa. O que eu quero dizer é que os ditadores desta zona do Globo tiveram, em alguma altura, o apoio das potências ocidentais: Inglaterra, Estados Unidos, França... As raízes do poder nesses países foram lançadas pelo Ocidente. E, por vezes, eles são amigos, outras vezes são inimigos. Khadafi é uma personagem fortíssima porque, apesar de ter estado isolado durante dezenas de anos, sobreviveu. Mas é claro que é um ditador. E estamos a tentar contar esta história no contexto de uma ópera... Mas ninguém me tira da ideia que o melhor era mesmo apresentarmos isto como um grande espectáculo no gelo: «Khadafi On Ice» e, na continuação, «Fidel Castro on Ice» (mais risos)... Se conhecer alguém que compre a ideia, eu vendo-a...
OK, vou tentar (risos)... Para além da ópera e do novo álbum, vocês ainda estão envolviddos noutros projectos...
Sim. Costumamos fazer a banda-sonora ao vivo de filmes como «O Ódio» (de Mathieu Kassovitz) ou «A Batalha de Alger» (de Gillo Pontecorvo) e também estamos envolvidos no projecto de um CD educativo. Está a acontecer tudo ao mesmo tempo.
Este post é dedicado aos meus amigos Daniel e Carlos e aos muçulmanos e judeus que querem a paz, nomeadamente nos sites:
http://www.isra-pal-peace.ch/Framepage_1.htm
http://www.taayush.org/
http://traubman.igc.org/global.htm
http://zope.gush-shalom.org/home/en
http://www.mideastweb.org/
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