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04 março, 2011

Congotronics vs. Rockers no Festival Músicas do Mundo de Sines


Grande notícia, esta, que é fresquinha e boa mesmo!!! Segue o comunicado de imprensa do FMM de Sines e uma crítica ao álbum que deu origem a este projecto ao vivo, publicada originalmente na "Time Out" há algumas semanas.

"10 músicos congoleses vs. 10 músicos da cena alternativa: Konono n.º 1 (na foto), Kasaï Allstars, Deerhoof, Juana Molina, Wildbirds & Peacedrums e Skeletons juntos em palco numa estreia absoluta em Portugal.

O projecto Congotronics vs. Rockers, que reúne no mesmo palco músicos ocidentais da cena alternativa e músicos congoleses da série “Congotronics”, é a primeira confirmação oficial do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

O espectáculo realiza-se no Castelo de Sines, na noite de 23 de Julho, e é uma estreia em território português.

A música baseada em instrumentos tradicionais electrificados artesanalmente de bandas como Konono n.º 1 e Kasaï Allstars (conhecidas colectivamente pela série de discos “Congotronics”) tem sido recebida de forma entusiástica pelo público, imprensa e artistas do rock alternativo.

Lançado no final de 2010, o disco duplo “Tradi-Mods vs Rockers: Alternative Takes on Congotronics”, é um tributo prestado por 26 artistas de rock e música electrónica às bandas da República Democrática do Congo.

Ao longo da Primavera e Verão de 2011, num conjunto seleccionado de palcos, entre os quais Sines, o público poderá ver uma versão ao vivo do projecto, através de um grupo composto por 10 músicos congoleses e 10 músicos de rock indie, que se juntam na criação de repertório novo onde os seus universos estéticos se cruzam.

Os 10 músicos da “equipa” Congotronics são provenientes dos grupos Konono n.º 1, conhecido pelas distorções progressivas dos seus “likembes” electrificados, e Kasaï Allstars, que se notabilizou pela reinvenção dos ritmos hipnóticos da música cerimonial congolesa.

Os 10 músicos ocidentais, os “Rockers” do conjunto, são Deerhoof, uma das bandas de referência da cena indie dos EUA, Juana Molina, cantautora argentina, Wildbirds & Peacedrums, duo pop experimental sueco, e Skeletons, outro grupo alternativo norte-americano, representado pelo seu líder, Matt Mehlan.


A edição de 2011 do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines"


Vários
"Tradi-Mods vs Rockers"
Crammed Discs/Megamúsica

Que as muitas músicas da world music estavam cada vez mais abertas ao rock e vice-versa (Vampire Weekend, Beirut, etc, etc, etc...) já se sabia. Mas nunca como neste "Tradi-Mods vs Rockers – Alternative Takes on Congotronics" se sentiu uma ligação tão profunda entre todos estes “mundos”. Sim, nos últimos anos – e apenas para referir alguns exemplos – apareceu a série “Rhythms del Mundo”, em que grandes nomes do rock se cruzam (mal, muitas vezes) com o “Buena Vista Social Club”, ou um razoável tributo de músicos africanos aos U2. Mas qui – e para poupar palavras – há 26 nomes da música ocidental – dos Deerhof e Andrew Bird aos Animal Collective e Juana Molina -- a fazer maravilhas com o legado dos Kasai Allstars ou Konono Nº1. Uma maravilha! (*****)

02 julho, 2009

15º Aniversário da ZDB com Konono Nº1 e Guiné All Stars


Um dia antes de subirem ao Porto para o Festival Mestiço, os congoleses Konono Nº1 são os cabeças-de-cartaz da festa de 15º aniversário da ZDB, que se realiza este sábado no exterior do Museu de História Natural (ao Príncipe Real), em Lisboa. No programa estão também os Guiné All Stars - que incluem Kimi Djabaté (na foto), Maio Coopé e Braima Galissá, entre outros - e dois nomes do novo rock norte-americano: os Pocahaunted e Sun Araw. O comunicado completo:


«Sábado, 04 de Julho a partir das 19h00
15 Anos de Zé Dos Bois
MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL AO AR LIVRE(R. Escola Politécnica 54 - Príncipe Real)

As portas abrem às 18h, Sun Araw arranca às 19h. A festa terá que terminar antes da meia-noite

KONONO Nº1 (CG)
GUINÉ ALL STARS (GN)
POCAHAUNTED (US)
SUN ARAW (US)



KONONO Nº1
Ponto mais alto da primeira noite de festejos do 15º aniversário da ZDB, a actuação dos Konono nº 1 marca a estreia deste projecto da República Democrática do Congo em Lisboa.

Fundado há vinte e cinco anos por Mawangu Mingiedi, Konono nº 1 destaca-se no universo da música tradicional electrificada africana pelo uso de três likembes electrónicos (deste lado do mediterrâneo chamamos-lhes pianos de polegar) e percussão diversa maioritariamente construídos e amplificados a partir de velhas peças de automóveis e outros apetrechos similares resgatados do ferro-velho e posteriormente modificados. Com este sistema de som – que não é menos que um milagre – e as vozes de Waku Menga e Pauline Mbuka os Konono nº1 reinventam a música tradicional da etnia Bazombo (território congolense situado na fronteira com Angola, de onde Mingiedi é original), ligando engenhosamente à corrente o irresistível hipnotismo polirítmico que a caracteriza.

Apesar de editarem deste 1978, apenas em 2005, com o precioso “Congotronics”, lançado pela Crammed Discs, chegaram ao grande público ocidental. Já demasiado tempo se perdeu. É essencial partilhar da força criativa que guia esta gente.

Formação
Mawangu Mingiedi likembé
Mbuta Makonda likembé
Mawangu Makuntima likembé
Waku Menga voz
Antoine Ndombele likembé baixo
Ndofusu Mbiyavanga percussão
Vincent Visi percussão
Pauline Nsiala Mbuka voz

+ Info: Site|Myspace|Vídeo|Vídeo|Artigo




GUINÉ ALL STARS
Guiné All Stars reúne pela primeira vez um conjunto de músicos guineenses que a ZDB tem apresentado com alguma regularidade ao longo dos últimos anos nos mais diversos contextos de inovação perante uma tradição cultural pré-moderna.

Guineenses lisboetas, representantes por direito próprio de uma das diásporas africanas musicalmente mais ricas, Kimi Djabaté, Maio Coopé, N’ Dará Sumano, Braima Galissá, Sadjo, Gelajo Sane e Renato trazem a magia gumbé e griot ao Museu Nacional de História Natural.

Formação
Kimi Djabaté voz, balafon e guitarra acústica
Maio Coopé voz, cabaça, m'bira e percussões)
N'Dara Sumano voz
Braima Galissá kora
Sadjo guitarra eléctrica
Gelajo Sane percussão
Renato baixo eléctrico

+ Info: Myspace Kimi Djabaté|Myspace Djumbai Jazz |Vídeo|Vídeo|Vídeo




POCAHAUNTED
Sediada em LA, a NOT NOT FUN Records representa, em conjunto com as editoras Siltbreeze, Ecstatic Peace e VHF, um dos mais estimulantes catálogos deste final de década. Em torno de Britt Brown - gestor do selo - gravita um núcleo de projectos domésticos, com destaque para Robedoor, Pocahaunted, Magic Lantern e Sun Araw. Só nos últimos três anos, a NNF - iniciais pelas quais é carinhosamente conhecida - reuniu discos imprescindíveis de artistas impolutos como Thurston moore, Christina Carter, Ducktails, Teeth Mountain, Wet Hair ou os "nossos" Loosers. Agora, pela primeira vez na Europa, Pocahaunted e Sun Araw, duas das mais importantes bandas da NNF, mostram-se ao vivo.

Renovando desde 2006 o referencial místico e holístico do imaginário nativo-americano, os Pocahaunted efabularam-se em disco (obrigatório ouvir “Island Diamonds”, “Peyote Road” e o mais recente “Passage” ) como projecto de drone maciço, com a intuição rítmica do dub e de um funk movido 16 rpm. Amanda Brown e Diva Dompe (também no baixo) entoam cânticos estáticos, acompanhadas pela guitarra de Britt Brown, o órgão de Cameron Stallones e a bateria de Mark Gengras. O quinteto eleva o registo melódico para um universo que desde há décadas estilhaça ovos cósmicos, dilatando consciências, enquanto a secção rítmica engancha o corpo, direcionando-o para um experiência ritual, atulhada de groove, fumo e abandono de meia-pálpebra.

Formação
Amanda Brown voz
Diva Dompe baixo e voz
Britt Brown guitarra
Cameron Stallones orgão
Mark Gengras bateria

+ Info: Site|Myspace|Editora|Vídeo|Vídeo|Vídeo|Entrevista|Artigo sobre NNF


SUN ARAW
Sun Araw, alias de Cameron Stallones (guitarrista dos Magic Lantern e colaborador pontual de Pocahaunted) faz-se acompanhar ao vivo por William Giacchi no órgão. Crème de la crème da Not Not Fun Records, Sun Araw depressa constituiu um corpo de trabalho fascinante e coeso.

Ouvindo a magistral "Horse Steppin" (de “Beach Head") conseguimos descobrir o manifesto: uma elegia ao kraut, ao rock amoniacal dos Spacemen 3 e uma essência tropical que de imediato põe em prática um universo melódico e rítmico de uma fresca música de Verão. É música de um onirismo febril - não menos pedrado - esta que encontramos nos arpejos de guitarra que gargarejam delay e no drone adocicado com que o orgão nos deixa encandeados. Às nossas praias chega agora o precioso búzio “Heavy Deeds” (LP, NNF)

Formação
Cameron Stallones voz e guitarra
William Giacchi orgão

+ Info: Site|Editora|Vídeo|Vídeo

Entrada : €10 em venda antecipada; €12 no dia do evento | Bilhetes disponíveis antecipadamente na loja de discos Flur, Louie Louie e ZDB (4ª a Sáb, entre as 15h e as 23h e noites de concerto até à 1h00)».

01 julho, 2009

Mestiço - O Porto Volta a Ser Multicultural


Começa já amanhã mais uma edição do festival Mestiço, que tem ocupado - e sempre muito bem! - a Casa da Música, Porto, nos últimos anos. Entre muitos artistas brasileiros, o tuga abrasileirado JP Simões, os fabulosos congoleses Konono Nº1 (na foto) e nomes emergentes do kuduro angolano, o Mestiço mostra este ano aquilo que se segue (com textos explicativos a seguir):

«Quinta | 2 Julho 2009
21:30, Sala Suggia

PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO 2009
De 2 a 5 de Julho, a 4ª edição do Festival Mestiço percorre geografias e géneros bem diferentes, dando a ouvir alguns dos grandes fenómenos da world music da actualidade, incluindo as sempre inovadoras mestiçagens entre tradições ancestrais e tendências contemporâneas de géneros como o hip hop, a electrónica ou o rock. São quatro noites consecutivas que cruzam propostas bem variadas de artistas.

PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO (4 CONCERTOS) | € 30

Nota: Na compra do Passaporte Festival Mestiço deverá escolher o lugar da Sala Suggia para o concerto Naná Vasconcelos e Virgina Rodrigues | JP Simões. Para os restantes concertos,os lugares ficarão automaticamente seleccionados, pois tratam-se lugares sem marcação


Programa:

Naná Vasconcelos e Virginia Rodrigues | JP Simões | Festival Mestiço | 02 Jul 09

Babylon Circus | Orquestra Imperial | Festival Mestiço | 03 Jul 09

Natiruts | Comunidade Nin Jitsu | Lei Di Dai | Festival Mestiço | 04 Jul 09

Konono Nº 1 | Bruno M | Batida | Festival Mestiço | 05 Jul 09»

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NANÁ VASCONCELOS | VIRGINA RODRIGUES

Naná Vasconcelos voz e percussões
Virgínia Rodrigues voz
Lui Coimbra violoncelo, voz e guitarras
Alex Mesquita guitarra acústica

"Um encontro espiritual" - é assim que Virgínia Rodrigues descreve o que acontece em palco ao lado de Naná Vasconcelos. Com um potencial Quem cedo reparou no potencial da cantora foi Caetano Veloso.

Com uma carreira que é tudo menos previsível, a baiana lançou já quatro álbuns que tanto se voltam para os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes, como para clássicos de Tom Jobim ou Chico Buarque ou ainda para a música dos blocos afro do Carnaval da Bahia. O resultado é uma voz expressiva e cristalina que surpreendeu o veterano Naná Vasconcelos: "Eu sempre admirei a Virgínia desde o surgimento dela. Ela me mostrou de uma certa forma todo o lirismo africano existente no afrobrasileiro e sempre tive uma grande vontade de fazer um trabalho com ela."

Depois de se apresentar na abertura do Carnaval do Recife em 2006, o duo inicia uma colaboração que agora chega à Casa da Música. Um regresso ao nosso país que o percussionista antecipa com grande expectativa: "Eu adoro mostrar um pouco do meu trabalho em Portugal. Sei que há um movimento muito grande da percussão portuguesa, como o projecto do Rui Júnior chamado Tocá Rufar. Em 2008 participei no Festival Portugal a Rufar organizado pelo projecto."

JP SIMÕES

Dos Pop Dell'Arte aos Belle Chase Hotel, sem esquecer o Quinteto Tati, JP Simões já deu provas do seu talento como músico e compositor de canções/fábulas em português. Em 2007 estreia-se em nome próprio com 1970, considerado por muitos a sua obra-prima. Com influências de Chico Buarque, Tom Waits, Tom Jobim, João Gilberto, David Bowie e Sérgio Godinho, 1970 ocupou durante três semanas o Top 30 dos álbuns mais vendidos em Portugal. O convite para a Casa da Música surge no seguimento da edição do seu segundo trabalho a solo, Boato. Gravado ao vivo em Novembro passado nos Jardins de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, este disco conta com 12 temas originais e ainda algumas canções dos Belle Chase Hotel, do espectáculo Ópera do Falhado e do Quinteto Tati. Para a Casa da Música fica prometido um concerto festivo.

BABYLON CIRCUS

Os Babylon Circus estão de volta. No regresso a Portugal, o grupo francês traz o quarto álbum de originais, em mais de 10 anos de carreira e depois de cerca de mil concertos, em 30 países diferentes. Ao longo deste percurso têm sido sempre notícia, por onde quer que passem, mas nem sempre pelos melhores motivos.
Ska, punk, reggae, rock, swing e música cigana, com um toque circense e com uma mensagem bastante positiva po base é o que vamos ter oportunidade de ouvir. Divertidos, críticos, bem-humorados e festivos, os Babylon Circus estreiam-se nos palcos do Porto e apresentam pela primeira vez no nosso país La Belle Étoile.

ORQUESTRA IMPERIAL

Antes da big band francesa, a big band brasileira. Quatro anos depois de se terem estreado internacionalmente no Festival do Sudoeste, a Orquestra Imperial regressa ao nosso país com o primeiro álbum Carnaval Só No Ano Que Vem (2007).
Formado em 2002 com o intuito de criar uma orquestra de gafieira [local onde, tradicionalmente, as classes mais humildes praticavam danças de salão], baseada num repertório variado, com boleros, temas dos anos 60 e clássicos da cultura de salão, o grupo nasceu da reunião de músicos da vanguarda da cena musical carioca. Lá encontramos Rodrigo Amarante (Los Hermanos); Moreno Veloso, Domenico e Kassin (do projecto +2); Nina Becker (estilista); Thalma de Freitas (actriz da Globo) e Rubinho Jacobina (irmão de Nelson Jacobina, parceiro de Jorge Mautner), a quem se juntaram Wilson das Neves (compositor dos Império Serrano, cantor de samba e baterista). No Brasil, a Orquestra Imperial goza de grande popularidade e os "Bailes Pré-Carnavalescos", nos verões cariocas, são já dos momentos mais aguardados das multidões que querem ouvir marchinhas e afins, com muito funk-carioca à mistura.

NATIRUTS
Bastam cinco minutos ligados à Internet para percebermos o alcance dos Natiruts no Brasil. Em qualquer vídeo ao vivo vêem-se milhares de pessoas a cantar, em uníssono, as músicas da banda brasileira, em ambiente de festa e confraternização. Um fenómeno com cada vez mais seguidores em todo o mundo, com ideais bem definidos e um "reggae roots brasileiro" cada vez mais enraizado.
As reacções à primeira demo do grupo superaram todas as expectativas e dão-lhes reconhecimento na cidade então conhecida como "capital do rock". Com as atenções viradas para o grupo, um dos melhores estúdios de gravação abriu as portas ao reggae e gravou o álbum de estreia dos Natiruts, Nativus (1997), um disco que, indiscutivelmente, marcou a sua geração, com vendas superiores a 450 mil exemplares. No regresso a Portugal, cada vez mais receptivo ao reggae, os Natiruts apresentam na Casa da Música um espectáculo novo dedicado aos fãs


COMUNIDADE NIN-JITSU
Conhecidos como os "ninjas mais chalaças do Brasil", a Comunidade Nin-Jitsu (CNJ) estreia-se em Portugal e, curiosamente, fora do país de origem, a convite da Casa da Música. Autores de uma das misturas musicais mais explosivas - baile funk com rock - são um fenómeno de sucesso no Brasil com mais de 100 mil cópias vendidas dos cinco álbuns já editados. Juntos desde 1995 e habituados a brincar com as suas próprias gírias, misturaram rock com funk, hip hop, hard rock e electro. Com inúmeros singles a passarem na rádio, a CNJ tem acompanhado a evolução dos tempos e conquistado cada vez mais um lugar na cena brasileira. Mas o papel deste grupo não se limita à música. O vocalista, Mano Changes, é deputado estadual no Rio Grade do Sul e tem mudado a atenção que se dá à Educação no Brasil. No Brasil, o trabalho da CNJ é reconhecido. Todos sabem o refrão de Detetive e cantam "tive, tive, detetive/ meu pai é detetive" efusivamente. Por cá, o concerto na Casa da Música vai ser bastante revelador. Uma banda repleta de sentido de humor, ironia, sacanagem e sem papas na língua.


LEI DI DAI
Coroada como Rainha do DanceHall - vertente dançante do reggae mais conhecido como Ragga - Dainne Nascimento, aka Lei Di Dai, vem à Casa da Música apresentar o seu álbum de estreia Alfa e Ómega.
Oriunda da Vila Ré, na zona Leste de São Paulo, Lei Di Dai sabe que nunca vai ceder às pressões do mundo das celebridades, "que exige pesos e medidas certinhas e formas de violão". Aos 31 anos, Lei Di Dai afirmou à Rolling Stone Brasil: "Eu me adoro! Tenho mó presença, onde chego tudo pára".
Cantora e compositora, cresceu rodeada de samba e reggae que os pais ouviam e dançavam em casa. A sua mensagem é simples e a inspiração para as suas músicas vem da realidade da periferia ("o salário mínimo é a máxima pressão") e de artistas jamaicanos como Capleton (referência jamaicana de reggae e dancehall).
Figura de destaque na cena independente de S. Paulo, onde canta desde 1997, Lei Di Dai acredita que o reggae é a libertação, harmonia e amor, e acredita no poder transformador da música. "Eu canto sobre positividade para ensinar o povo preto das periferias sobre eles mesmos, sobre a África e a cultura rasta", explica. Depois de ter participado, em 2006, na compilação Diáspora Riddim, dos Digitaldubs, com a música Original do Gueto, estreou-se a solo, em 2008, com Alfa e Ómega, que teremos oportunidade de ouvir na Casa da Música.

"Lei Di Dai se destaca em uma cena reggaeira que, como a do hip hop no passado, floresce forte nos guetos do país, pronta pra ser colhida e fazer cabeça, corpo e mente de quem se deixar levar" - Rolling Stone, Brasil


KONONO Nº1
O projecto Konono N°1 foi fundado há 25 anos por Mawangu Mingiedi, um virtuoso do likembe (aka sanza ou piano de polegar), que quando chegou a Kinshasa, vindo de Bazombo - que fica na fronteira com Angola -, quis continuar a fazer a música de transe em homenagem aos seus antepassados e em nome dos muitos emigrantes que chegavam à metrópole. O resultado é uma sonoridade inquestionavelmente africana, no ritmo e nas texturas, mas muito próxima da electrónica Ocidental. Algo muito tradicional que nos remonta às experiências de John Cale, entre o punk e a música de dança. Não se chama a esta música transe sem motivo. Quando ouvida com o volume alto, como é suposto, é capaz de nos transportar para outra esfera. Quatro anos depois de se ter estreado em Portugal, o projecto da República Democrática do Congo regressa. Na bagagem trazem uma cultura, uma sonoridade que os tem distinguido no mundo da world music graças ao sistema de amplificação que usam há 30 anos e que lhes valeu o conceituado prémio da BBC em 2006, na categoria de Novos Talentos.
O trabalho que têm vindo a desenvolver e o alcance da sua música fez com que Matthew Herbert e John McEntire (Tortoise) se oferecessem para remisturar temas seus e que fossem convidados a participar no single de apresentação do álbum Volta de Björk.

BRUNO_M
Aos 24 anos, o kudurista angolano é já um exemplo para os mais jovens
BRUNO_M E O KUDURO "ELECTRÓNICO E DANÇANTE QUE CONTAGIA E VIRA MANIA"

À África do Sul e ao Brasil segue-se Portugal no percurso de Wilson Diogo de Amaral (aka Bruno_M, de Mágico). Para a Casa da Música, o kudurista angolano traz na bagagem o álbum de estreia, Batida Unika, que o deu a conhecer em 2004 e o celebrizou quatro anos depois. Estudante na Faculdade de Direito da Universidade Independente de Angola e a fazer um curso de jornalismo profissional, Bruno_M tem a música como um hobbie que o ajuda a pagar os estudos. Mas a relevância do seu testemunho desperta cada vez mais atenções no mundo. Vida, amor, paz, patriotismo, educação moral e cívica são algumas das mensagens que podemos ouvir nas músicas de Batida Unika, "um projecto que tem como objectivo resgatar os jovens com dificuldades sociais, mas que querem trabalhar em prol da sociedade". Pronto para se mostrar ao mundo, Bruno_M traz para a Casa da Música "um estilo musical jovem, electrónico e dançante que contagia e vira mania". Numa noite que mistura, no mesmo palco, uma banda da República Democrática do Congo, uma do Brasil e de Angola, mais mestiço seria difícil!

BATIDA
Portugueses e angolanos partilham o palco
Batida e os tesouros recuperados da música angolana

Batida é nome de um programa que, desde 2007, divulga as novas tendências da música urbana de raiz ou inspiração Afro, na Rádio Antena 3 e na Web. Kwaito, Kuduro, Funk, Afro Beat, Dancehall ou House são alguns dos beats sempre presentes e que agora se encontram reunidos no disco Dance Mwangolé.
Tudo surgiu durante uma conversa com a Difference Music, depois de terminada a versão do Bazooka. Convidados a remexer livremente o arquivo histórico de sons da Valentim Carvalho gravados em Luanda, nas décadas de 60 e 70, os músicos da Batida recuperaram, sem saudades mas com respeito, o que de melhor encontraram. O centro de operações foi Lisboa, onde o DJ Mpula pesquisou os discos e telefonou a Beat Laden, o próprio misturador dos "mwangolés" Kalibrados, Zona5 e do Bob Da Rage Sense. Fechados no Ground Zero, em Chelas, conspiraram e produziram o som para este Batida. Mais tarde juntou-se Ikonoklasta (o poeta da Família e membro do Conjunto Ngonguenha), o Sacerdote (jovem letrista muito consciente de Sambila, Luanda) e o primo Roda (de Lisboa) que transformou os sons em desenhos para a capa e actuações.

Para além destes, o Batida contou ainda com as participações do animador Chailoy, o kudurista consciente Rei Panda, dos De Faia, a poderosa Dama Ivone e o activo produtor DJ Waite, todos do Sambila. E das dicas do rapper Bob Da Rage Sense, em Saudade. No final, e já numa faixa bónus, convidaram o mwangolé Maskarado, jovem talento do kuduro e remisturas do DJ Chernobyl, o mesmo que produziu o Bonde do Rolê, e dos Radioclit, dupla cúmplice nos mambos Afro que estão a bater em Londres.
No regresso à Casa da Música, a Rádio Fazuma apresenta Batida com o disco Dance Mwangolé, repleto de tesouros da música angolana, com beats pensados para por todos a dançar. Refira-se que "Dance Mwangolé" foi um termo usado pelo Sbem - um dos pioneiros essenciais do Kuduro - para descrever tudo o que seja Techno feito por um Mwangolé (Angolano)».

Mais informações, aqui.

25 junho, 2008

Vinicio Capossela no FMM de Sines e Concha Buika no Med de Loulé


Este post tem boas e... más notícias. As más são os cancelamentos dos concertos dos Konono Nº1 e dos Master Musicians of Jajouka no Festival Med de Loulé - que começa já hoje - e dos Antibalas Afrobeat Orchestra e dos Kasai All Stars no FMM de Sines, por razões que mais à frente se perceberão. As boas são a inclusão da fabulosa cantora afro-espanhola Concha Buika (na foto) no cartaz do Med de Loulé e a entrada do genial cantautor italiano Vinicio Capossela e do trio - um trio de peso! - de Jean-Paul Bourelly no programa do FMM de Sines. Nos parágrafos em baixo podem ler-se os comunicados oficiais das respectivas organizações acerca deste assunto. Mas antes disso, só uma nota: revolta-me cada vez mais o facto de - como dizia alguém num comentário nas Crónicas da Terra - que a Europa se esteja a transformar numa «fortaleza» onde os naturais ou habitantes de outros continentes têm cada vez mais dificuldade em entrar, sejam eles artistas ou não.

COMUNICADO DO MED DE LOULÉ

«Konono n.º 1 e Master Musicians of Jajouka falham MED por razões consulares

Loulé, 24 de Junho de 2008 - A espanhola Concha Buika é a última presença confirmada no cartaz da 5ª edição do Festival Med 2008, que arranca já amanhã, no centro histórico de Loulé. A cantora, que participou no novo álbum de Mariza, "Terra", sobe ao palco do Med no domingo, 29 de Junho, às 22h45, onde vai apresentar o seu último
trabalho "Niña de Fuego", editado já este ano.

No mesmo dia estava prevista a actuação dos congoleses Konono n.º1, que por razões consulares, foram obrigados a cancelar a passagem por Portugal e, concretamente, pelo Med de Loulé. Também por falta de autorização para entrar na União Europeia, os Master Musicians of Jajouka, outro dos colectivos que estava no alinhamento dos palcos principais do Festival Med, viram cancelada a sua actuação, prevista para sábado, 28 de Junho».


COMUNICADO DO FMM DE SINES:

«Vinicio Capossela e Jean-Paul Bourelly no Festival Músicas do Mundo de Sines


O cantautor italiano e o trio liderado pelo músico americano actuam no lugar de Kasaï Allstars e Antibalas, cujos concertos foram cancelados.

O grupo americano Antibalas e o grupo da República Democrática do Congo Kasaï Allstars já não vão marcar presença na décima edição do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo, que se realiza entre 17 e 26 de Julho, em Porto Covo e Sines.

O cancelamento do concerto dos Kasaï Allstars deve-se à não obtenção de visto de entrada na Europa.

A ausência dos Antibalas é motivada pelo incumprimento do compromisso assumido pelo agente europeu da banda.

Com a ausência dos Kasaï Allstars, a noite de 23 de Julho (quarta-feira), no Castelo, ganha um novo protagonista, o italiano Vinicio Capossela, uma das maiores figuras da música italiana contemporânea.

Nascido na Alemanha, em 1965, mas residente em Milão desde muito cedo, Vinicio é, desde 1990, quando lançou o disco de estreia "All'Una E Trentacinque Circa", um cantautor de referência, comparado a Paolo Conte e Tom Waits pela voz rouca, pelo "pathos" criativo e pela capacidade comovente de nos fazer encontrar com a verdade do lado menos luminoso da experiência humana.

Depois de no início da sua carreira se ter interessado pela estética underground norte-americana (Kerouac, Bukowski e, sobretudo, Waits), a partir do quarto álbum deixa-se fascinar pelo som e mistério do imaginário rural italiano, no modo "pasoliniano".

Incorporando influências de géneros com o tango, os blues, a rebetica, a morna ou o cabaret, Capossela venceu, com o seu último disco, “Ovunque Proteggi”, o prémio Tenco para melhor álbum do ano 2006. Em Sines, realiza um concerto com muitas surpresas.

A entrada de Vinicio no programa do dia obriga a um rearranjo do alinhamento dos concertos no Castelo no dia 23, que passa a ser: Waldemar Bastos (21h30), Vinicio Capossela (23h00) e Justin Adams & Juldeh Camara (00h30).

No lugar da orquestra Antibalas, sábado, dia 26 de Julho, às 2h30, na Avenida Vasco da Gama, actua um trio de luxo da música norte-americana, Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun.

Jean-Paul Bourelly é um dos melhores guitarristas de blues contemporâneos, com um som eléctrico e fortes aproximações ao funk e ao rock. Também cantor, Bourelly já trabalhou com músicos como Miles Davis, no álbum “Amandla”, e Vernon Reid, dos Living Colour.

É precisamente desta banda pioneira do rock negro que chega Will Calhoun, eleito por várias revistas da especialidade o melhor baterista do mundo. A sua bateria poderosa tem dado coração rítmico a grandes nomes, do rapper Mos Def a B. B. King.

Se Calhoun foi considerado o melhor baterista do mundo, Melvin Gibbs, terceiro elemento do grupo, foi eleito o melhor baixista. O seu baixo lendário tem um historial de quase 200 discos de diferentes géneros.

Embora alheia aos factos que as motivaram, a organização do Festival Músicas do Mundo pede desculpa aos espectadores pelas alterações registadas no programa anteriormente anunciado».

19 maio, 2008

Med de Loulé - O Programa Completo


Bem, completo, completo ainda não é. Faltam os artistas e grupos dos palcos secundários, mas os dos dois palcos principais do Festival Med de Loulé - organizado pela Câmara Municipal de Loulé e programado pelo Sons em Trânsito - já são todos conhecidos: de 25 a 29 de Junho, a zona histórica de Loulé recebe concertos de La Shica (Espanha), Balkan Beat Box (Israel/Estados Unidos) e Caravan Palace (França), dia 25; Roy Paci & Aretuska (Itália), Jimmy Cliff (Jamaica) e Muchachito Bombo Infierno (Espanha), dia 26; Deolinda (Portugal), Zita Swoon (Bélgica), Zuco 103 (Brasil/Holanda) e Solomon Burke (Estados Unidos), dia 27; Master Musicians of Jajouka (Marrocos), Ana Moura (Portugal), Amadou & Mariam (Mali) e Café Tacuba (na foto; México), dia 28; The Idan Raichel Project (Israel), Konono nº1 (Congo) e Les Tambours du Bronx (França), dia 29. Uma programação variadíssima que passa pela world, claro!, mas também pelo rock, o reggae, a soul... Para além dos palcos da Cerca e da Matriz - os dois que recebem os 17 nomes referidos - haverá mais três palcos, onde decorrerão outros 23 concertos e sessões de DJing. Artesanato, gastronomia, teatro e artes plásticas são, como habitualmente, também uma presença assegurada nesta quinta edição do Med de Loulé. Irresistível!

20 março, 2008

Cromos Raízes e Antenas XLI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XLI.1 - José Afonso


José Afonso - mais popularmente conhecido como Zeca Afonso - foi, provavelmente, o mais importante cantor e compositor português do século XX. José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (nascido em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, falecido em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987) foi um compositor musical atentíssimo a muita música que o rodeava - do fado de Coimbra à música moçambicana, das canções beirãs ao cante alentejano... -, criando uma música nova em que as suas palavras - ele também um poeta criativo, vanguardista, interventivo - tinham igualmente um peso extraordinário. Do seu álbum «Cantigas do Maio», editado em 1971, foi retirada a senha para a revolução de 25 de Abril de 1974: «Grândola, Vila Morena». E ele próprio - fortemente activo politicamente desde quase o início da sua carreira musical - tornou-se também um símbolo da revolução.


Cromo XLI.2 - Konono Nº1


Nascidos há cerca de trinta anos em Kinshasa, no Congo, tendo como membro fundador o músico Mawangu Mingiedi, os Konono Nº1 são um grupo de músicos, cantores e dançarinos cuja música se baseia nas tradições da etnia Bazombo - que habita numa zona próxima de Angola - mas com a particularidade de muitos dos seus instrumentos serem electrificados, nomeadamente os seus emblemáticos likembés (kissanges ou m'biras). Outros elementos imediatamente identificativos do seu som são os seus microfones rudimentares e os seus sistemas de amplificação (feitos a partir de pedaços de automóveis ou velhos altifalantes de rua), que contribuem igualmente para uma música de transe, repetitiva, eléctrica, originalíssima. O álbum «Congotronics» (Crammed, 2005) projectou-os para a ribalta internacional e Bjork convidou-os para colaborar com ela no álbum «Volta».


Cromo XLI.3 - June Tabor


Figura maior da música folk britânica, June Tabor (nascida a 31 de Dezembro de 1947, em Warwick, Inglaterra) iniciou a sua carreira em 1972 e, partir daí, nunca mais deixou de encantar o mundo com a sua voz pessoalíssima e a sua arte aberta a várias músicas que ela escolhe, sempre!, a dedo: a folk britânica, sim, mas também a canção francesa, standards de jazz e algum rock de bom-gosto, que ela reinventa e reinterpreta como ninguém. A solo - ou em grupos e parcerias como as Silly Sisters (ao lado de Maddy Prior), com o grupo de folk-rock Oysterband ou no projecto The Big Session (com a Oyster Band e outros músicos e cantores ingleses e norte-americanos) - a sua voz e a sua presença são sempre luminosas e marcantes. E a sua música, da melhor que alguma vez se pôde ouvir vinda da folk feita nas ilhas britânicas. Audição aconselhada: a caixa «Always» (2005).


Cromo XLI.4 - Tarnation


Apesar de antes e depois dos Tarnation, a cantora - e mentora, líder e principal compositora do grupo - Paula Frazer ter uma carreira em nome próprio, a verdade é que foi com este grupo, formado em San Francisco, em 1992, que ela se deu a conhecer em toda a sua plenitude musical. Apenas com três álbuns no curriculum - «I’ll Give You Something To Cry About» (1993), «Gentle Creatures» (1995) e «Mirador» (1997) -, estes discos chegaram para estabelecer os Tarnation como um dos grupos de ponta da renovação da country nos Estados Unidos; uma country infectada pela música mexicana, as bandas-sonoras de Ennio Morricone para westerns e algum rock alternativo. Tudo enfeitado pela voz única e pessoalíssima de Frazer. E, embora tenha continuado com uma carreira a solo de sucesso, Frazer «ressuscitou» de algum modo a ideia da banda no seu álbum «Now It's Time» (2007), assinado Paula Frazer and Tarnation.

28 dezembro, 2007

Rabih Abou-Khalil, Mari Boine, Balanescu Quartet... - Os Primeiros Concertos de 2008


O ano de 2008 promete muitos e bons concertos, muitos e ainda melhores festivais. O 10º aniversário do FMM de Sines - que decorre de 17 a 26 de Julho e para o qual está já confirmada a presença dos congoleses Kasai Allstars -, o crescimento sustentado de outros festivais como o MED de Loulé ou o Intercéltico de Sendim, só para referir alguns dos mais óbvios, são garantias de doze meses de programação variada e rica de surpresas nestas «áreas» da world music, da folk e das músicas tradicionais. Mas, para já - e fazendo uso de informações já disponibilizadas pelas Crónicas da Terra -, para os primeiros meses do ano novo estão previstos concertos com o mestre do alaúde libanês Rabih Abou-Khalil (na foto), dia 18 de Janeiro no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e um dia depois, na Culturgest, em Lisboa; com a fabulosa cantora norueguesa Mari Boine (ver «Cromo» de há alguns dias neste blog), dia 15 de Fevereiro no Teatro Municipal da Guarda e um dia depois na Culturgest, em Lisboa; com o ecléctico quarteto de cordas Balanescu Quartet, também em Fevereiro, dia 7 no Centro Cultural de Belém, dia 8 no Theatro-Circo de Braga e dia 9 no Cine-Teatro de Alcobaça; e com o multi-instrumentista norueguês Karl Seglem, dia 15 de Maio, na Casa da Música, Porto. Lá mais para a frente, a Casa da Música recebe também a visita de outro colectivo congolês, os Konono Nº1, dia 29 de Junho, durante o Festival Mestiço, colectivo que se apresenta também em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, dia 1 de Agosto.

12 março, 2007

Björk - Com Toumani Diabaté e Konono Nº1



O novo álbum de Björk, «Volta», é editado no dia 7 de Maio e nele está presente um leque de participantes que só não é inesperado porque se conhece, desde há muito, a curiosidade da cantora e compositora islandesa sobre a música tradicional, quer seja da sua terra (como na sua colaboração com Hector Zazou no álbum «Chansons des Mers Froides») ou de outros lugares (relembre-se a participação da cantora inuit canadiana Tanya Tagak em vários temas do recente «Medúlla»). Em «Volta», Björk é acompanhada pelo mestre maliano da kora Toumani Diabaté, a fabulosa charanga de kissanges e tralha percutida dos congoloses Konono Nº1 e pela respeitadíssima intérprete de pipa (alaúde) chinesa Min Xiao-Fen. Mas o leque de colaboradores em «Volta» não se resume a estas figuras importantes da chamada world music, alargando-se também ao extraordinário cantor Antony (Antony and the Johnsons), ao produtor de hip-hop Timbaland, Mark Bell (LFO), dois bateristas noisy/experimentais - Chris Corsano e Brian Chippendale (Lightning Bolt) - e uma secção de metais feminina da Islândia. O álbum - totalmente composto e produzido por Björk - tem dez temas e é editado pela One Little Indian/Atlantic Records.

18 novembro, 2006

«Planet Rock» - Levámos Todos Com Uma Pedra na Cabeça


Se há alguns dias falei de «Rhythms del Mundo», em que artistas e grupos de rock anglo-saxónicos se deixam «contaminar» por géneros cubanos, desta vez falo de «The Rough Guide To Planet Rock», álbum em que músicas «locais» são mergulhadas em cadinhos borbulhantes de rock e funk e psicadelismo e punk e... E o resultado destas experiências vagamente científicas - entre muitos outros, andam por aqui os Tinariwen, Albert Kuvezin & Yat-Kha (na foto), Ba Cissoko, Dengue Fever, Konono Nº1, Gogol Bordello, Etran Finatawa e os portugueses Donna Maria - é muitas vezes uma maravilha completa.


VÁRIOS
«THE ROUGH GUIDE TO PLANET ROCK»
World Music Network/Megamúsica

«Planet Rock» é mais uma excelente colectânea da série «The Rough Guide To...», desta vez compilando grupos de várias zonas do globo que partem de músicas próprias, tradicionais, para depois se lançarem de cabeça a vários géneros de rock ou de músicos rock dos mais variados países que, num momento ou noutro, descobriram ou redescobriram as suas próprias músicas tradicionais - não se sabendo muito bem qual a ordem destes factores em cada um deles - e também projectos multinacionais em que a mistura de influências se faz a partir da origem de cada um dos seus músicos. O álbum começa muito bem, com os Dengue Fever, grupo recente de Los Angeles com uma cambojana como vocalista - e a sua música parece directamente saída do «Bom-Dia Vietname», com um rock sixties, misto de garage e psicadelismo, mas cantado em... khmer - e Les Boukakes - bando de franceses, argelinos e tunisinos que misturam, em festa, guitarras em distorção com rai e gnawa. Seguem-se, muito bem, os malianos Tinariwen com a sua música tuaregue infectada por blues ácidos e os Ba Cissoko (da Guiné-Conakry), com koras electrificadas e o fantasma de Jimi Hendrix a assombrar a música mandinga. E depois, uma surpresa, os fantásticos norte-americanos Hip Hop Hoodios, que misturam hip-hop, klezmer, ritmos latino-americanos, jazz, guitarras eléctricas em voo livre etc, etc... (nos HHH juntam-se músicos dos Klezmatics, Orishas, Midnight Minyan e da banda de apoio de Carlos Santana), que colam muito bem com os Balkan Beat Box - aqui num tema que tanto deve à música cigana do centro europeu quanto ao gnawa, ao klezmer e à electrónica - e com os Yat-Kha - numa estranhíssima versão «vozes de Tuva em molho country-punk» de «In A Gadda da Vida», dos Iron Butterfly (retirada do álbum «Re-Covers», com versões de variadíssimos temas rock ocidentais visitados por Albert Kuvezin e os seus Yat-Kha). Depois, mais surpresas: os fabulosos Alms For Shanti (banda indiana que sucedeu aos Indus Creed) misturando canto konokol, gaitas em fogo, rock e breakbeats; Yela, cantora da Ilha da Reunião que junta smooth jazz a ritmos locais como o maloya; e os portugueses Donna Maria, num fado-tango-electrónica discreta (qualquer canção d'A Naifa ficaria aqui bem melhor, mas pronto...). O ritmo volta a acelerar com os Transsilvanyans, grupo berlinense em que se juntam húngaros e alemães e que parecem uma Marta Sebestyen pop acompanhada por uns Muzsikas electrificados e em alta velocidade; os Haydamaky, numa canção lindíssima que liga a tradição ucraniana ao reggae e à soul; e a maravihosa cantora palestiniana Rim Banna, num tema que parece um misto de Talking Heads, Material (de Bill Laswell) e música árabe - a banda que a acompanha, para aumentar ainda mais esta parte boa da globalização, inclui um ucraniano e alguns noruegueses. A recta final da colectânea fica reservada para os Etran Finatawa (do Niger) e a sua mistura sempre bem conseguida de música tuaregue e wodaabe com blues eléctricos; o ritmo infernal dos kissanges e tralha percutida dos congoleses Konono Nº1; e o punk ucraniano, balcânico e interventivo dos incontornáveis Gogol Bordello. «Planet Rock» é especialmente aconselhado, claro, aos amantes de rock que desconfiam de outras músicas e aos amantes de músicas tradicionais que desconfiam do rock. (9/10)

12 julho, 2006

Híbridos (Recuperados a 2004), Parte 3


Tris, tris, tris, tris.............

WORLD EXTRA

Voz inesquecível da música cabo-verdiana - tanto nos incontornáveis Tubarões como na sua carreira a solo -, Ildo Lobo morreu demasiado cedo. Mas deixou em testamento um último álbum que é, talvez, o melhor da música cabo-verdiana em muitos anos (Cesária Évora e os Ferro Gaita incluídos). «Incondicional» (Harmonia/Lusáfrica) é essencialmente um álbum em que Lobo dá voz a mornas e coladeiras quentes e arranjadas com um bom gosto insuperável. Poucos instrumentos eléctricos; e com piano, cavaquinhos, a cantora Lura brilhando no dueto «Raboita Mundo» e o melhor violino da música cabo-verdiana depois de Travadinha, curiosamente de um músico oriental (Kim Dan Le Oc Mach). Fundamental. (9/10)

Assim como fundamental é o duplo-álbum «Golden Afrique Vol. 1» (Network/Megamúsica), que reúne gravações históricas - dos anos 70, principalmente - de alguns dos pioneiros da moderna música africana, muitas vezes fundindo ritmos tradicionais com a música negra norte-americana (jazz, funk, soul...). Na colectânea há lugar para Amadou Balaké (do Burkina Faso), o ziboté de Ernesto Djédjé, os Ambassadeurs du Motel de que Salif Keita era o cantor, o n'gumbé da orquestra Super Mama Djombo (da Guiné-Bissau), a cantora sul-africana Miriam Makeba, a Etoile de Dakar (que deu a conhecer Youssou N'Dour), a Orchestre Baobab e muitos outros. (8/10)

E ainda por África, outro disco surpreendente: «Congotronics» (Crammed Discs/Megamúsica), do colectivo Konono Nº1 (na foto), de Kinshasa, uma troupe que faz música cuja base são três likembés (outro nome para m'bira, kalimba ou kissange) mas que também usa microfones feitos a partir de componentes de automóveis, megafones, apitos, altifalantes artesanais e percussões estranhíssimas. O resultado é uma música hiper-dançável, repetitiva e de uma estranha modernidade. Uma grande surpresa. (7/10)

Subindo para norte, mas ainda em África, o argelino há muitos anos imigrado em França Khaled dá-nos um novo álbum, «Ya-Rayi» (AZ/Universal), que é uma super-produção luxuosa e luxuriante (até Don Was por lá anda). Aqui, o rai mistura-se com funk, r&b e electrónicas variadas; o som das darabukas e da ney (a flauta tradicional) fundem-se com sintetizadores e secções de metais. Mas também andam por lá as cordas da Orchestre Art TV do Cairo e uma orquestra argelina para manter, por vezes, a música mais próxima das raízes. Às vezes isso é mesmo uma boa ideia. (5/10)

Muito, muito bom é o primeiro álbum com distribuição internacional do acordeonista argentino Chango Spasiuk, «Tarefero de Mis Pagos - Souns From The Red Land» (Piranha/Megamúsica). Pegando na música tradicional da sua região de Misiones, o chamamé (bastante próximo da música caipira do Mato Grosso brasileiro), Chango e os músicos que o acompanham adicionam-lhe muitas vezes outros elementos - polkas e valsas vindas do leste europeu (o apelido Spasiuk deve-se aos avós ucranianos imigrados na Argentina), o seu gosto pelo jazz e, obviamente, por Astor Piazzolla. E o resultado final é sempre brilhante, virtuoso mas vivo, pulsante e quase sempre dançável (as excepções são os temas mais experimentais, que por vezes, fazem lembrar os Madredeus do início, Kepa Junkera ou a Penguin Cafe Orchestra). Deve ser fabuloso ao vivo. (9/10)

Outro grande álbum é «Caminos de Pache» (Dunya Records/Megamúsica), do quarteto vocal masculino Tenores di Bitti, da Sardenha, cujo jogo de vozes cria, sempre, uma música rude, grave e antiga. Imagine-se um coro de cante alentejano a fazer um curso intensivo de «throat-singing» em Tuva e o resultado poderia estar muito próximo daquilo que, a meio caminho, os Tenores di Bitti apresentam. Com trinta anos de carreira e com muitas provas dadas na defesa da música vocal sarda (a escola de Canto a Tenore, por exemplo), o grupo atreve-se neste álbum a, pela primeira vez e só de vez em quando, incluir alguns instrumentos (acordeão e as flautas de cana launeddas) que não as vozes. Mas não destoam. (8/10)

Ainda de Itália, a colectânea «Italia 3 - Atlante de Musica Tradizionale» (Dunya Records/Megamúsica) inclui 19 projectos e dá um bom retrato da variedade de géneros tradicionais do país e, muitas vezes, de cruzamentos com géneros musicais, digamos, modernos. Do espantoso jogo de timbres dos bandolins da Napoli Mandolin Orchestra ao curiosíssimo cruzamento de tarantelas e música cigana dos países de leste dos Acquaragia Drom, da voz quente de Franca Masu à folk com sabor medieval dos Baraban, dos acordeões de Mario Salvi, Riccardo Tesi e Filippo Gambetta ao afro-italo-rock-reggae de Lou Dalfin, da electrónica com laivos de tarantelas e música turca da colaboração dos Mascarimiri com o DJ AlphaBass à folia absoluta dos Tre Martelli e aos irresistíveis ritmos das tammuriatas de La Moresca, esta é a compilação perfeita - apesar de um ou outro tema menos interessante - para quem quer mergulhar na música folk italiana. (7/10)