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03 junho, 2013

E Agora... O Lisboa Mistura!

O Festival Lisboa Mistura -- sempre organizado pela Sons da Lusofonia -- integra este ano o programa das Festas de Lisboa. Aqui vai: «Lisboa Mistura – Músicas do Mundo O Lisboa Mistura, desde 2006 um projecto intercultural com um sólido percurso, renova-se em 2013 integrando o programa das Festas de Lisboa. Para este desafio, a Associação Sons da Lusofonia e a EGEAC convidaram um grupo de consultores para a programação do Lisboa Mistura – Músicas do Mundo. Deste colectivo nasce um Lisboa Mistura renovado e assume-se como um novo espaço cultural, destinado ao conhecimento e à inscrição de novas linguagens e tendências culturais. Num diálogo intemporal entre o Castelo, metáfora de todas as origens, e o Martim Moniz, novo fórum de uma cidade contemporânea e diversa, em Junho, o Lisboa Mistura, que volta a trazer, com as Oficinas Portáteis de Arte os bairros da periferia ao centro, reafirma inequivocamente a nossa vocação de cidade-mundo. Programa: 13 Junho 22h, Martim Moniz Kiran Ahluwalia (Índia; na foto) 23h30, Martim Moniz Baloji (Congo) 14 Junho 22h, Castelo de São Jorge Aziz Sahmaoui & The University of Gnawa (Marrocos) 15 Junho 22h, Castelo de São Jorge Tony Allen (Nigéria) 20 Junho 22h, Castelo de São Jorge Kouyate – Neerman (Mali) 21 Junho 22h, Castelo de São Jorge Zap Mama (Bélgica) 22 Junho 22h, Martim Moniz Family Atlantica (Venezuela) 23h30, Martim Moniz Omar Souleyman (Síria) 14 > 22 Junho 18h30, Martim Moniz OPA – Oficinas Portáteis de Arte Preços Castelo de S. Jorge: 8€ Praça Martim Moniz: Gratuito Mais informações http://www.sonsdalusofonia.com/ https://www.facebook.com/associacaosonslusofonia http://www.festasdelisboa.com/festas2013/evento/lisboa-mistura-festival-musicas-do-mundo/

14 setembro, 2007

Há Fado Feito no Estrangeiro? Há Pois, Cada Vez Mais...



A propósito de algum sururu em fóruns de discussão sobre fado acerca do destaque que é dado a artistas não portugueses que cantam no filme «Fados», de Carlos Saura - artistas como Lila Downs, Chico Buarque ou Lura -, enchi-me de coragem para meter a minha colherada em defesa do fado e da sua interpretação ou re-interpretação por parte de cantores e cantoras estrangeiros, com o «argumento», se tal fosse preciso, de que o fado é uma forma musical como outra qualquer e de que não é necessário nascer em Alfama ou beber uns copos no Bairro Alto - ou, no caso de Coimbra, ir carpir mágoas amorosas para a Quinta das Lágrimas -, para que o fado possa ser interpretado, ou reinterpretado, por quem o quiser. Ah, e a questão da alma, da saudade, etc, etc... Coisas menores, acho eu: já ouvi verdadeiro rock feito no Porto, excelente hip-hop feito na Amadora, já ouvi a Petra - dos Nobody's Bizness - a cantar blues como muito pouca gente e uns almadenses de nome Melech Mechaya a fazer klezmer como se fossem judeus de gema.

Vai daí, decidi deixar aqui vários nomes - mais do que aqueles que estava à espera quando iniciei a pesquisa - de cantores e cantoras estrangeiras, e também de intérpretes de guitarra portuguesa, que fazem do fado a sua música ou uma das suas músicas de eleição. Goste-se ou não - e isso já depende de cada um dos seus ouvintes -, é importante dar com eles: quase todos têm sites ou estão no myspace. Procurem-nos, por favor.

No Japão - onde a diva Amália Rodrigues deixou sementes, fruto das suas históricas actuaçõe por lá - há, pelo menos, duas cantoras de fado: Hideko Tsukida e Marie Mine. Ambas são neste momento acompanhadas, na guitarra portuguesa, por Masahiro Iizumi, que começou por tocar tango em guitarra clássica mas, desde há alguns anos, desenvolveu um estilo próprio na guitarra portuguesa.

No Brasil, para além do fado fazer parte da «ementa» de muitos locais de reunião de portugueses, cantores importantes como Caetano Veloso, Fáfá de Belém, Ney Matogrosso ou o já referido Chico Buarque (o maravilhoso «Fado Tropical») interpretaram fados. E Vinicius de Moraes compôs para Amália.

Há guitarras portuguesas espalhadas um pouco por todo o mundo, nas mãos de vários músicos - Jimmy Page, dos recém-ressuscitados Led Zeppelin, que ao consta nunca a conseguiu tocar por ser «muito difícil», mas também alguns mais corajosos como músicos do grupo argentino La Chicana ou do grupo belga Timna, que acompanhou a cantora Ghalia Benali num Intercéltico do Porto, há alguns anos atrás.

Em França há alguns luso-franceses a aventurar-se no fado: a já conhecida e respeitada cantora Bévinda, o jovem intérprete de guitarra portuguesa Philippe de Sousa e até um acordeonista que adapta fados para o seu instrumento: Toucas. Mas mais surpreendente é o caso de uma cantora franco-argelina, Alima, cantora do grupo Monkomarok, que a solo diz cantar um «fado franco-algérien», evocando influências de Steve Reich e... dos Madredeus.

Luso-americana, e agora radicada em Lisboa, a cantora e actriz californiana Michelle Pereira é um caso paradigmático de muita gente que se deixou apaixonar pelo fado. Actriz de algum sucesso nos Estados Unidos (pode ser vista, por exemplo, no filme «Os Dez Mandamentos - O Musical», ao lado de Val Kilmer, e chegou a entrar na série «Friends), há alguns anos veio estudar o fado para Portugal e por cá ficou.

Na Catalunha, o grupo EnFado - o nome diz tudo -, de Lérida/Lleida, existe desde 2002 e é um quarteto composto por Càrol Blàvia (voz), Raquel Garcia (violino e guitarra clássica), Carles Garrofé (guitarra clássica) e Gus Garcia (baixo acústico), cujas influências são Dulce Pontes, Mísia, Kátia Guerreiro, Mariza, Amália Rodrigues e... Maria del Mar Bonet.

Em Itália, desde há muitos anos que o intérprete de guitarra portuguesa Marco Poeta é conhecido. Recentemente, e já com um álbum editado, criou o projecto O'Fado (na foto), no qual conta com os famosos cantores Eugenio Finardi e Francesco Di Giacomo e com a jovem cantora Elisa Ridolfi, Michele Ascolese (guitarra acústica) e Paolo Galassi (baixo acústico). Também de Itália é outro intérprete de guitarra portuguesa, Loris Donatelli.

De Toronto, no Canadá, há notícias de um grupo, 15, liderado por Catarina Cardeal (voz) e Mike Siracusa (guitarra), que dá concertos de fado/blues. Dos 15 fazem também parte John Yelland (contrabaixo), Lou Bartolomucci (guitarra acústica e eléctrica) e Claudio Vena (viola d'arco e acordeão).

Finalmente - e obrigado Luís Rei pela dica -, também do Canadá vem um dos nomes mais surpreendentes: a cantora indo-canadiana Kiran Ahluwalia, que no seu último álbum, «Wanderlust», mistura poesia urdu com fado e blues saharianos. Na gravação do álbum, Kiran contou com a participação de José Manuel Neto (em guitarra portuguesa) e Ricardo Cruz (baixo acústico).

Se calhar, isto é apenas a ponta de um iceberg que está a crescer. E ainda bem! A ouvir sem preconceitos...

Nota: E aqui mais alguns acrescentos, fruto de pesquisas posteriores e, principalmente, da valiosa contribuição de leitores deste blog (muito obrigado!): os grupos argentinos Luz de Lágrima e Fadeiros, a fadista catalã Névoa, a basca Maria Berasarte, a francesa Jenyfer, o luso-francês Lúcio Bamond, a brasileira Joanna (com um dos seus álbuns inteiramente dedicado ao fado), a mexicana Marcela Ortiz Aznar, a polaca Marzena Nieczuja-Urbanska, a holandesa Nynke Laverman, a croata Jelena Radan, a chinesa Cao Bei e a indiana Sónia Shirsat. Para além disso, em comentário recente, chegaram os acrescentos de Charles Aznavour como compositor de alguns fados, um tema de Tom Waits inspirado no fado («The Part You Throw Away») e o álbum «Fadista» da cantora holandesa Lenny Kuhr.