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12 dezembro, 2007

U2 - Um Tributo Africano!


Agora que passam vinte anos sobre a edição de «The Joshua Tree» - o álbum em que os U2 (na foto, de Anton Corbijn) vão em busca das raízes negras e africanas do rock (os blues e o gospel) e em que na poesia de Bono passa a ter lugar uma reflexão continuada sobre as questões do chamado Terceiro Mundo -, data assinalada com a remasterização e várias reedições luxuosas desse álbum, chega também a notícia - via, mais uma vez, Crónicas da Terra - de que vários artistas africanos vão lançar um álbum só com versões de temas da banda irlandesa. O álbum, «In The Name Of Love: Africa Celebrates U2», é uma edição da Shout! Factory e parte da receita angariada com a sua venda reverterá para a Global Fund. Com edição prevista para Abril de 2008, no disco participam alguns dos maiores nomes - consagrados ou emergentes - da música africana: Angélique Kidjo («Mysterious Ways»), Vieux Farka Touré («Bullet The Blue Sky»), Ba Cissoko («Sunday Bloody Sunday»), Vusi Mahlasela («Sometimes You Can't Make It On Your Own»), Tony Allen («Where The Streets Have No Name»), Cheikh Lô («I Still Haven't Found What I'm Looking For»), Keziah Jones («One»), Les Nubians («With Or Without You»), Soweto Gospel Choir («Pride [In The Name Of Love]»), Sierra Leone's Refugee All Stars («Seconds»), African Underground All-Stars («Desire») e Waldemar Bastos («Love Is Blindness»). Promete!

27 agosto, 2006

Cacharolete de Discos (Parte 425)


E mais uma colecção de críticas de discos, dispersas, a álbuns de Keziah Jones, dos Urban Trad, de Youssou N'Dour (na foto) e de Tito Puente. Para conhecer...


KEZIAH JONES
«BLACK ORPHEUS»
Delabel/EMI-VC

Pensa-se num cantor e guitarrista e compositor oriundo de Lagos, na Nigéria, e é em Fela Kuti que se pensa logo. Mas depois sabe-se que é de Keziah Jones que se fala e o caso muda de figura: Keziah (Olufemi Sanyaolu de verdadeiro nome) deixou a Nigéria quando tinha oito anos e foi viver para Londres, onde fez a sua formação com toda a música negra... feita fora de África. E mais tarde é acolhido em Paris, na editora Delabel, o espaço perfeito para mostrar a sua música - uma mistura viva e pulsante de música africana de variadas proveniências, afro-beat, funk, soul, jazz, blues, bossa-nova, tudo apimentado por letras que misturam o inglês com o yoruba. Keziah chamou-lhe blufunk, mas podia ter-lhe chamado afrosoul ou yorusurrealism, que seria a mesma coisa. Em «Black Orpheus», o seu quarto álbum, Keziah Jones transporta as suas influências a um estado de depuração máxima. Quando se ouve o álbum ouvem-se ecos de Fela Kuti (até na apropriação de um termo por este inventado, «kpafuca»), sim, mas também de Manu Dibango e Salif Keita, de Jimi Hendrix e de Frank Zappa, de Sly & The Family Stone e de Stevie Wonder (da primeira metade dos anos 70), de João Gilberto e de Prince e de Miles Davis. Mas tudo embrulhado numa música nova, excitante, personalizada - e a letra do tema «72 Kilos», em que Keziah (explícita ou implicitamente) assume todas as influências, explica bem o que por aqui se passa. O último tema, «Orin O'Lomi», só com voz, guitarra e som de chuva, é um lindíssimo espaço de paz (antes de revelar, minutos depois, uma faixa escondida que parece um «rewind» até aos cantos dos escravos levados de África...). (7/10)

URBAN TRAD
«ELEM»
Mercury/Universal

Oriundos da Bélgica, os Urban Trad fazem uma curiosa mistura de folk europeia – da escola «céltica» irlandesa, escocesa e especialmente da nossa irmã Galiza – com rock e electrónicas, notando-se a influência do «efeito» Hedningarna em linguagens folk aqui mais a sul. Resulta muitas vezes bem e de uma forma extremamente interessante - com as programações e os sintetizadores a não encharcarem em demasia os instrumentos tradicionais (gaitas-de-foles, flautas irlandesas, concertina, violino…). Mas também há aqui alguns temas escusadamente ligeiros (um segundo lugar dos Urban Trad num Festival da Eurovisão deixou marcas!) que desequilibram a coisa, outras vezes, para um lado mais pop e «festivaleiro». Um melhor equilíbrio entre os vários elementos constituintes do som Urban Trad não lhes fazia mal nenhum. (6/10)


YOUSSOU N’DOUR
«HEY YOU! – THE ESSENTIAL COLLECTION»
Nascente/Megamúsica

Recordação do astro senegalês nos anos da discórdia.

Youssou N’Dour não é uma personagem consensual. Como se refere – com uma honestidade de assinalar – no livreto deste álbum, muita gente considera-o demasiado africano para atingir o mainstream da pop ocidental, outros acham-no demasiado pop para ser um verdadeiro músico africano. E esta condição dúbia está especialmente patente em «Hey You!», que reúne temas dos álbuns «The Lion» e «Set» (ambos da viragem dos anos 80 para os 90), que lançaram definitivamente o inventor do mbalax no circuito internacional e lhe valeram temas de sucesso como «The Lion», «Shakin' The Tree» ou «Medina». Eu gosto; os outros que decidam também por si. (7/10)

TITO PUENTE
«THE ROUGH GUIDE TO...»
World Music Network/Megamúsica

Tito Puente foi um dos maiores músicos do Séc. XX. Percussionista, compositor, arranjador, chefe de orquestra, «compagnon de route» de alguns dos nomes maiores do jazz nova-iorquino (ele que era nova-iorquino de ascendência porto-riquenha), Tito Puente passou dezenas de anos da sua vida com uma missão: dar dignidade aos géneros musicais latino-americanos, mostrando – através das suas orquestrações que misturavam, em boa dose, poderosas secções de metais e muitas percussões (com um violino aqui e ali; com vozes algumas vezes – e neste disco estão as de La Lupe, Célia Cruz, Vicentico Valdes...) – que se pode dançar com muitas e desvairadas músicas. Neste álbum ouvem-se mambos, salsas, bossa-nova («Meditação», de Tom Jobim), boogaloos... e latin-jazz e funk de vez em quando. E os pés saltam, saltam sempre. (8/10)