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14 março, 2012

Mari Boine e JuJu Também em Sines


Soma e segue! O FMM de Sines 2012 tem mais dois pesos-pesados confirmados: a cantora e activista sami Mari Boine (na foto) e o o projecto JuJu, de Justin Adams e Juldeh Camara. O comunicado:

«Mari Boine e JuJu confirmados
no FMM Sines 2012

Uma das maiores figuras da folk europeia e um dos projetos de fusão mais interessantes da música atual enriquecem o programa do festival de referência da “world music” em Portugal.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2012, a realizar em julho próximo em Sines, Alentejo Litoral, tem a presença confirmada de Mari Boine (Noruega – Povo Sami) e JuJu (Gâmbia / Reino Unido).

MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)

Mari Boine é uma das cantautoras mais importantes da folk europeia das últimas três décadas.

Nascida em 1956, numa pequena aldeia da regiões árticas da Noruega, esta antiga professora estreia-se na música no início dos anos 80 com a motivação principal de divulgar a cultura dos Sami, povo nativo, de cultura animista pré-cristã, do norte da Escandinávia.

O seu álbum de estreia, “Jaskatvuođa Manná”, é editado em 1985, mas é com “Gula Gula”, lançado em 1989, que se destaca nos panoramas musicais norueguês e internacional. A sua discografia conta atualmente com cerca de uma dezena de álbuns, o último dos quais “Sterna Paradisea”, lançado em 2009.

Cantora e percussionista, a música de Mari Boine é um cruzamento entre tradição Sami (em especial o estilo de canto “joik”), jazz, eletrónica e rock contemporâneo.

No FMM Sines, Mari Boine será acompanhada em palco por uma formação que acentua o lado mais “extrovertido” da sua música, com Kjetil Dalland (baixo), Ole Joern Myklebust (trompete), Roger Ludvigsen (guitarra e percussão) e Aage Gunnar Augland (bateria e percussão).

JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)

JuJu é um dos projetos mais importantes da música de fusão na atualidade.

O seu coração é a dupla formada por Juldeh Camara (Gâmbia), mestre do violino de uma corda “ritti” e vocalista poderoso, e Justin Adams (Reino Unido), guitarrista de Robert Plant e produtor dos Tinariwen, veterano dos cruzamentos do rock com a música africana.

O seu primeiro disco em conjunto, “Soul Science” (2007), que trouxeram ao FMM Sines em 2008, venceu o prémio de “world music” da BBC Radio 3 na categoria "Cruzamento de culturas", e o segundo, “Tell No Lies” (2009), ganhou o prémio da mesma categoria dos Songlines Music Awards.

Em 2011, a banda reforçou-se na secção rítmica com Billy Fuller (baixo) e Dave Smith (bateria e percussões) e passou a dedicar-se a longas peças de música de transe onde confluem origens africanas, do jazz, do dub reggae e do rock psicadélico.

O disco que regista esta nova dimensão, mais hipnótica, da dupla Adams / Camara é
“In Trance” (2011), aclamado pela crítica (publicações como o The Guardian ou a Songlines deram-lhe 5 estrelas em 5, por exemplo) e prenúncio de um dos concertos mais explosivos da edição de 2012 do festival.

O FESTIVAL

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

Mais informações

www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»

20 abril, 2011

Sly & Robbie com Junior Reid, Dissidenten e Secret Chiefs 3 no FMM Sines, Justin Adams & Juldeh Camara e Speed Caravan no Islâmico de Mértola


Duas excelentes notícias. A referente a Sines é da responsabilidade da organização. A de Mértola foi directamente roubada no Crónicas da Terra.


"Sly & Robbie feat. Junior Reid, Dissidenten
e Secret Chiefs 3 no FMM Sines

Reggae, worldbeat e rock experimental nas três novas confirmações do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

SLY & ROBBIE feat. JUNIOR REID (Jamaica)

O último concerto do FMM no Castelo, no dia 30 de Julho, com honras de fogo-de-artifício, estará este ano a cargo de Sly & Robbie feat. Junior Reid.

Lowell “Sly” Dunbar (bateria) e Robert “Robbie” Shakespeare (baixo) formam a dupla mais bem-sucedida da música jamaicana.

Enquanto secção rítmica e produtores, deram coração ao melhor reggae produzido desde os anos 70 até aos dias de hoje e nas cerca de 200 mil canções que já tocaram ou produziram acumulam um dos patrimónios mais impressionantes da música popular.

O seu uso inovador das capacidades do digital ajudou a mudar o “modus faciendi” da criação musical nos anos 80 e a sua erudição rítmica tem sido procurada por uma lista interminável de artistas de outros géneros musicais, em que se incluem nomes como Bob Dylan, The Rolling Stones e Sting.

Apresentam-se em Sines 10 anos depois da sua primeira passagem, em 2001, com os Black Uhuru.

Junior Reid, o cantor que trazem como convidado, também conheceu a experiência de actuar com aquele grupo lendário, mas hoje afirma-se a solo como umas vozes que melhor promove o encontro entre o reggae, o R&B e o hip hop.

DISSIDENTEN (Alemanha)

Os berlinenses Dissidenten sobem ao palco do Castelo de Sines no dia 29 de Julho.



Apelidados de “padrinhos do worldbeat” pela Rolling Stone, foram fundamentais para abrir a música popular ocidental como a conhecemos às músicas do mundo.

Formados em 1981, editaram o primeiro disco, “Germanistan”, no ano seguinte, durante uma estadia na Índia. Em 1984, em Tânger, gravaram “Sahara Elektrik”, de onde saiu um dos maiores sucessos, a canção “Fata Morgana”.

Continuaram em viagem pelo planeta e pelos seus sons nas duas décadas seguintes.

Em 2008, editaram “Tanger Sessions”, disco base do concerto no FMM, inspirado no conflito entre Oriente e Ocidente que se seguiu ao 11 de Setembro.

Marlon Klein (bateria e percussões) e Uve Müllrich (baixo e guitarra), membros fundadores da banda, lideram um septeto explosivo com músicos alemães e marroquinos.

SECRET CHIEFS 3 (Estados Unidos)

O grupo americano Secret Chiefs 3 (na foto) actua no Castelo de Sines no dia 22 de Julho.

Liderada pelo guitarrista / compositor Trey Spruance, trata-se de uma banda de rock progressivo experimental de grande versatilidade, com influências tão diferentes quanto a música sinfónica de cinema, as melodias do Médio Oriente e o heavy metal.

Originária de São Francisco, foi fundada em meados dos anos 90 por Spruance, Trevor Dunn (baixo) e Danny Heifetz (bateria).

Ao longo da sua história e de quase uma dezena de discos gravados, as formações têm sido fluidas, como a própria banda, que muitas vezes apresenta fronteiras pouco definidas com outros grupos liderados por Spruance, como Ur e Traditionalists.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Além dos nomes divulgados nesta nota, estão também já confirmados, entre os 35 concertos previstos, os seguintes artistas: Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia), Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão – Índia), Cheikh Lô (Senegal), Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana), Mário Lúcio (Cabo Verde), Mamer (China), António Zambujo (Portugal), Nathalie Natiembé (Ilha Reunião – França). Blitz the Ambassador (Gana / EUA), Ayarkhaan (República da Iacútia – Rússia), Le Trio Joubran (Palestina), Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão), Luísa Maita (Brasil), Mercedes Peón (Galiza – Espanha), Mama Rosin (Suíça), Manou Gallo & Women Band (Costa do Marfim / Bélgica) e Nomfusi & The Lucky Charms (África do Sul).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines."

"Justin Adams & Juldeh Camara e Speed Caravan no Islâmico de Mértola


O festival bienal Islâmico de Mértola celebra-se este ano entre os dias 19 e 22 de Maio.

O enorme souk que atravessa as ruas estreitas, íngremes e caidas do centro histórico desta localidade debruçada sobre o Rio Guadiana, continua a ser uma das principais atracções desta 6ª edição do Islâmico. Mas o cartaz musical, apesar de incluir propostas que figuraram em cartazes de Sines e de Loulé (e no próprio Islâmico de Mértola) é, provavelmente, o mais forte de sempre. Senão vejamos os pratos principais: o guitarrista britânico Justin Adams (e produtor dos Tinariwen) volta actuar com o griot gambiano Juldeh Camara; os sónicos Speed Caravan (que saudades da sua versão de “Killing an Arab” dos The Cure), os marroquinos Nass Marrakesh, Eduardo Paniagua e Sebastião Antunes com Janita Salomé. Fora de horas há ainda bailaricos e animação de rua com os Uxu Kalhus e a Kumpania Algazarra.



Programa Completo

Dia 19

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos museus
~ Abertura das exposições
16:00h ~ Inauguração oficial do 6º Festival Islâmico de Mértola
16:30h ~ Conferência Diálogo e Coexistência na região
Euro-mediterrânica (F. Anna Lindh)
17:00h ~ Apresentação da linha de mershandising e produtos
tradicionais do Festival Islâmico
18:00h ~ Colóquio “Norte de África ¿Una Revolucion Islàmica?” (CIE)
~ Ao Pôr-do-Sol – Noite de Dikra
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concerto no Castelo
Eduardo Paniagua “Latidos de Al-Andalus”
~ Encerramento do mercado de rua

Dia 20

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
18:00h ~ Colóquio “La Verdad de la Economia actual:
A Quien protegen los Estados” (CIE)
19:00h ~ Apresentação informal de dança – Dansul
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concertos no cais do Guadiana
Nass Marrakech
Justin Adams & Juldeh Camara
~ Encerramento do mercado de rua
01:00h ~ Concerto/baile na Praça Luís de Camões
Uxukalhus

Dia 21

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
11:00h ~ workshop de dança oriental – Dansul
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concertos no cais do Guadiana
Sebastião Antunes “Cá Dentro”
participação especial de Janita Salomé
Speed Caravan
~ Encerramento do mercado de rua
24:00h ~ Concerto/baile na Praça Luís de Camões
Kumpania Algazarra

Dia 22

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
16:00h ~ Encerramento dos Museus
~ Encerramento das Exposições
17:00h ~ Encerramento do mercado de rua

Outras actividades: Passeios no barco “O Vendaval”; Animação
Musical (Alentejanos, Grupo Coral Guadiana de Mértola,
Adufeiras, Mercadores de Abjul, Eduardo Ramos); Circuito dos
Pátios de Mértola; Circuito da Poesia; Feira do Livro; Dança; Teatro;
Exposição e Workshop de Instrumentos Musicais…"

29 junho, 2009

Med de Loulé - Rokia N'Roll!


Ainda mal refeito de mais cinco dias no Med de Loulé, as primeiras memórias fotográficas que me saltam aos olhos (às meninges?) nem são musicais: são, primeiro que tudo, os amigos - os de Lisboa e de outros lugares (Aveiro, Porto, Algarve, Alentejo...), uns que vou vendo durante o ano, outros que só encontro ali... E, depois, relâmpagos fugazes que me mostram um piano coberto a crochet ao lado de uma tarântula de pano e lantejoulas e coração de plástico negro; uma menina feliz de tranças loiras, com margaridas e purpurina a darem ainda mais brilho ao seu cabelo; uma «sevilhana» de óculos de fundo de garrafa que desmaia à minha frente; a tribal e magnificamente bem coreografada dança do fogo dos Satori; um rapazinho que regateia o preço do djembé - «são 70 euros?», «75!», «70», «75!»...; o reencontro com a Alandra, a cadela mais bonita do mundo a seguir à minha, claro; ou as imperiais e as sopas de tomate e as sardinhas albardadas que nos são servidas à hora da ceia, por pura simpatia...

E, a música... Sem ordem cronológica aparente (nem outra, sequer), mas com uma ordem que vem da ordem do coração: Rokia Traoré, em mais um fabuloso concerto afro-rock, mais conciso mas nem por isso menos intenso, que passou por temas do último álbum - exemplos: as maravilhosas «Zen» e «Kounandi» ou a versão de «The Man I Love» - e seguiu até ao habitual encore final de homenagem aos seus heróis, desta vez com a «Mama Africa» Miriam Makeba ao lado de apontamentos de temas do recém-falecido Michael Jackson. Os Moriarty e a sua (aliteração!) arte, a arte de saber transformar uma simples sequência de três canções - as versões de «Enjoy The Silence» (Depeche Mode), «Chocolate Jesus» (Tom Waits) e o seu original «Jimmy» - em algo tão valioso quanto um concerto inteiro. Os meus queridos (todos eles!) Mu e as suas músicas europeias transmutadas numa celebração das músicas de todo o mundo e, raios, com muito rock lá dentro, também. O mesmo rock que assombrou, e ainda bem!, outros momentos do Med deste ano: os Led Zeppelin em versão África mandinga - e tudo isto é elogioso - de Justin Adams e Juldeh Camara (aquele riti, espécie de njarka/espécie de violino de uma corda só é arrepiante de belo) ou os tangófilos e tangófonos Bajofondo de um oscarizado de Hollywood, Gustavo Santaolalla, a guitarrar alegremente na sua banda ao lado de outros génios do violino e bandoneón; ou um dos maiores ícones da bateria rock, o agente Stewart Copeland (ele o autor de um dos álbuns fundadores da world music, o fabuloso «The Rhythmatist»), a partilhar tarantelas e pizzicas italianas e rebemtikas gregas com um grupo onde, felizmente, o Sting não está mas onde o Andy Summers nem destoaria. E, só para destoar, onde também se esperava algum rock infectado pela world (ou vice-versa), ele não apareceu: o Med fechou com o acordeonista Kimmo Pohjonen e, dando uma volta muito bem-vinda ao seu som, neste concerto não houve rock progressivo nem electrónicas nem experimentalismos já gastos mas, sim, momentos de uma beleza imensa que devem mais a Philip Glass ou a Debussy do que a qualquer dos géneros já visitados por este visionário finlandês.

Outros momentos bons de recordar: Camané, as suas sílabas e o seu trio/caixinha de música maravilha. Os cada vez melhores Diabo a Sete e a sua reinvenção júliopereiriana (mas não só!) de uma música nossa, portuguesa. A, igualmente, reinvenção de outros temas nacionais pela cantora Filipa Pais com o bandolinista Edu Miranda. Os Ojos de Brujo e uma festa cada vez mais global, dançante, profissional. O vozeirão de Ricardo Ribeiro - apesar de não tão vozeirão quanto nos seus fados mas em bonita pose Nusrat Fateh Ali Khan - ao lado de Rabih Abou-Khalil. O à-vontade. domínio de palco e beleza astral de Lura, num dos mais quentes concertos do Med. Um calor que se estendeu ao fabuloso DJ set travestido, mas com muita pinta!, de concerto protagonizado por DJ Click (na foto; cortesia Câmara Municipal de Loulé) mais os seus músicos ciganos e judeus e as suas bailarinas e/ou cantoras. Ou os surpreendentes Ramudah, uma banda lisboeta de jazz ambiental (e com caixa-de-ritmos!) que soa muito melhor que parece esta descrição.

Momentos fracos? Também os houve, claro: a Orquesta Buena Vista Social Club, e apesar da marca registada que acompanha o seu nome, é apenas um eco pálido e esbatido da banda original reunida por Ry Cooder e Juan de Marcos González. E Pitingo, actualmente uma das maiores vedetas da música espanhola, é afinal um rapazinho birrento e, pior!, tem uma versão de uma das mais peganhentas e irritantes músicas de sempre: «Mamy Blue». Mas não chegou para estragar um festival que esteve quase sempre cheio de gente. E de gente feliz.

07 janeiro, 2009

Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas - Parte II


O Raízes e Antenas continua hoje a publicação de uma nova série, os Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas, dedicada a álbuns editados em 2008 (ou até anteriores a 2008, mas só durante esse ano «descobertos» por este blog) e que têm estado muitas vezes, e por direito próprio, no leitor de CDs aqui de casa. Todos eles são acompanhados por uma breve ficha informativa.


Segunda Parte - Bons Rocks (e Electrónicas) Vindos do Oriente


Niyaz - «Nine Heavens» (Six Degrees)


Sem dúvida, um dos melhores álbuns editados o ano passado, «Nine Heavens», dos Niyaz, é um belíssimo exemplo de convivência de músicos de países considerados, à partida, «inimigos»: nos Niyaz convivem músicos iranianos e norte-americanos, que misturam com saber e à-vontade a música tradicional do médio-oriente, a música religiosa sufi - no disco encontram-se nove temas oriundos da tradição iraniana, turca e paquistanesa - e as electrónicas, sempre com uma elegância e um bom-gosto extremos, conduzidos pela voz sublime da cantora iraniana Azam Ali. E, para quem não vai lá muito à bola com as lectrónicas, o álbum reserva uma surpresa: um segundo CD com interpretações acústicas dos temas do álbum e com muitas percussões, digamos, verdadeiras, dos temas do álbum.





U-Cef - «Halalwood» (Crammed Discs/Megamúsica)


DJ marroquino radicado em Londres, U-Cef assina neste álbum «Halalwood» uma experiência de fusão quase sempre muitíssimo bem conseguida. Capaz de cruzamentos surpreendentes («MarhaBahia» é um notável encontro entre o gnawa e o samba!!), sem medo de juntar no mesmo caldeirão dub e sha'abi, guitarras eléctricas em voo livre e hip-hop «rapado» em árabe, «Halalwood» também junta muita gente boa à volta do projecto: Rachid Taha, Damon Albarn (dos Blur e de inúmeros projectos cada vez mais ligados à world music), Natacha Atlas, Steve Hillage, Amina Annabi, Dar Gnawa e Justin Adams, entre outros...






Speed Caravan - «Kalashnik Love» (Newbled Records)

Imagine-se o «Killing An Arab», dos Cure, interpretado, com humor, por músicos e instrumentos... árabes. Ou o «Galvanize», dos Chemical Brothers, transformado num hino à luta dos povos muçulmanos. E tudo movido a um fabuloso oud electrificado e demais quinquilharia musical do norte de África, com instrumentos rock à mistura. É isso que fazem os Speed Caravan (na foto), grupo liderado pelo argelino Mehdi Haddab (o do oud electrificado e muitas vezes em distorção) e radicado em França. No álbum colaboram Rachid Taha (sempre ele!), gente ligada aos Asian Dub Foundation, Abdulatif Yagoub (também em oud e já referido neste blog a propósito do seu álbum com os DuOud) e até Simone Alves, cantora portuguesa radicada na Bretanha.

06 janeiro, 2009

Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas - Parte I


O Raízes e Antenas inicia hoje a publicação de uma nova série, os Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas, dedicada a álbuns editados em 2008 (ou até anteriores a 2008, mas só durante esse ano «descobertos» por este blog, como é o caso do álbum «Le Moulassa», dos AntiQuarks, na foto) e que têm estado muitas vezes, e por direito próprio, no leitor de CDs aqui de casa. Todos eles são acompanhados por uma breve ficha informativa.



Primeira Parte - Os Maiores OVNIs World do(s) último(s) ano(s):


Big Blue Ball - «Big Blue Ball» (RealWold)

Gravado durante algumas das já míticas «semanas» de jam-sessions intensivas nos estúdios da RealWorld, com produção de Peter Gabriel (que também aparece em vários temas como cantor), Karl Wallinger e Stephen Hague, «Big Blue Ball» é uma explosão de originalidade, grandes canções e parcerias inesperadas mas que fazem sempre sentido umas com as outras. Oiça~se o álbum e descubra-se o que é a verdadeira world music e o que este género, que afinal são tantos géneros, tem de melhor: cruzamentos ímpares de nomes como Marta Sebestyen, Natacha Atlas, Sinéad O'Connor, Papa Wemba, Jah Wobble, Vernon Reid, Iarla O Lionaird, Joseph Arthur, Manu Katché, Justin Adams, Joji Hirota, etc, etc... Uma obra-prima.





AntiQuarks - «Le Moulassa» (Ed. Autor)

Estes gauleses são loucos!!! Dois músicos franceses - Richard Monségu (voz, bateria e percussões) e Sébastien Tron (sanfona eléctrica, voz, pedaleira) - inventam neste seu primeiro álbum, «Le Moulassa», uma música que é de todo o lado e de lado nenhum, de todas as épocas e de época nenhuma: está bem, há lá rock progressivo, música tradicional, experimentalismo, música antiga, mas tudo sempre sabiamente misturado para que nenhum destes géneros seja imediatamente reconhecível nem que se possa dizer, alguma vez, que a sua música é mais um género do que outro. Porque não é, mesmo quando parece...





Bibi Tanga et Le Professeur Inlassable - «Yellow Gauze» (L'Inlassable Édition)

O extraordinário cantor Bibi Tanga (nascido na República Centro-Africana mas radicado em França há muitos anos) e o produtor francês Le Professeur Inlassable, que parecem ter sido destinados um ao outro desde o início dos tempos tal é o brilhantismo do trabalho feito em conjunto, assinam em «Yellow Gauze» um verdadeiro hino à música negra, seja a música africana (nomeadamente o afro-beat, mas não só) seja a norte-americana, com o gospel, o jazz, a soul, os blues, o disco-sound e o hip-hop a confluírem, todos!, para um álbum mais que perfeito.

12 abril, 2008

Garifuna Collective e A Naifa no FMM de Sines


O Garifuna Collective - grupo que acompanhava o recentemente falecido Andy Palacio (na foto; de Tony Rath) - está confirmado para a edição deste ano do FMM de Sines, segundo um «press-release» do festival que refere os premiados dos BBC World Music Awards que constam do alinhamento do festival em 2008: «Três projectos musicais programados para o Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines e Porto Covo entre 17 e 26 de Julho, venceram as suas categorias na edição 2008 dos Prémios de World Music da BBC Radio 3. Os prémios, anunciados dia 11 de Abril, coroaram Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (Mali) como melhor grupo africano, Juldeh Camara & Justin Adams (Gâmbia / Reino Unido) como melhor projecto de Cruzamento de Culturas e Andy Palacio and The Garifuna Collective (Belize) como o melhor grupo do continente americano. A vitória africana de Bassekou Kouyate acumula com o prémio de melhor disco de 2007 ("Segu Blue"), que já tinha sido anunciado no final do ano passado. Dia 17 de Julho, este antigo músico de Ali Farka Touré sobe ao palco com o seu quarteto de "ngoni" (tipo de alaúde africano) para um espectáculo de "blues" malianos assente no seu disco premiado. Juldeh Camara, vocalista e mestre do "riti", violino de uma corda tocado por toda a África Ocidental, e Justin Adams, guitarrista de Robert Plant e produtor de três discos dos Tinariwen, estão em Sines dia 23 de Julho com outro dos melhores discos de fusão do ano, "Soul Science". Andy Palacio, uma das grandes apostas para a programação do FMM 2008, faleceu inesperadamente em Janeiro, mas a sua música e a sua memória não deixarão de estar em Sines, dia 20 de Julho, através da sua banda, The Garifuna Collective, que organizou um espectáculo de tributo ao excepcional músico do Belize».

Outro nome confirmado para o FMM de Sines é o grupo português A Naifa, que está a lançar agora o seu terceiro álbum, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal». O quarteto actua em Porto Covo, no dia 18 de Julho.

10 abril, 2008

Mayra Andrade Vence Prémio Revelação da BBC Radio 3


Mas que bela notícia!!! A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade é a vencedora do mais recente Prémio Revelação de World Music da BBC Radio 3, levando de vencida os outros nomeados, todos de grande gabarito e todos eles também já várias vezes referidos neste blog: Balkan Beat Box, Bassekou Kouyate & Ngoni Ba e Vieux Farka Touré. O prémio deve-se, claro, ao seu álbum de estreia «Navega» mas também, sem dúvida, aos seus concertos memoráveis que, nos últimos anos, têm passado pelos melhores palcos e festivais de world music. A notícia da agência Lusa que - antecipando-se à «revelação» oficial - avança a vitória de Mayra Andrade nesta categoria dos «World Music Awards» inclui ainda uma breve biografia de Mayra Andrade que transcrevo a seguir:

«O seu álbum de estreia, "Navega", foi distinguido em 2007 com o Deutscheschalplatten pela crítica alemã. Mayra iniciou a sua carreira aos 16 anos no Canadá, quando ganhou a Medalha de Ouro nos Jogos da Francofonia. Filha de cabo-verdianos, nascida em Cuba, Mayra já partilhou palcos com cantores como Cesária Évora, Chico Buarque, Caetano Veloso, Ernesto Puentes e ainda Charles Aznavour, com quem gravou um duo para o seu disco "Insolitement Votre". Mayra Andrade, 22 anos, considera que faz "parte de um leque de artistas que tem dado à música cabo-verdiana oportunidade de renovar e conquistar novos horizontes".

Adenda: «Segu Blue», o álbum de estreia de Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (ver igualmente crítica neste blog), ganhou o prémio de «Melhor Álbum», enquanto o seu autor ganhou também o prémio de «Melhor Artista da África Sub-Sahariana». Outros artistas vencedores: a chinesa Sa Dingding («Melhor Artista da Ásia/Pacífico»), o recentemente falecido Andy Palacio com o Garifuna Collective («Melhor Artista das Américas»), os espanhóis Son de La Frontera («Melhor Grupo da Europa»), o argelino Rachid Taha («Melhor Artista do Norte de África»), o duo de Justin Adams e Juldeh Camara («Cruzamento de Culturas»), os Transglobal Underground («Dança Global») e Francis Falceto - o compilador da série de discos «Éthiopiques» («World Shaker»).

04 março, 2008

Bassekou Kouyate, KTU e Justin Adams & Juldeh Camara no FMM de Sines


À medida que os dias passam, mais e mais nomes vão chegando para encher - e bem! - o cartaz da 10ª edição do FMM de Sines. Desta vez, e via Crónicas da Terra e Juramento Sem Bandeira chegam-nos mais três nomes de peso para o alinhamento final: o maliano Bassekou Kouyate (na foto, de Manfred Schweda), o extraordinário intérprete de n'goni que acompanhou Ali Farka Touré, fez parte da Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté e editou o ano passado o álbum, com o seu grupo Ngoni Ba, «Segu Blue» (ver crítica ao disco, no Raízes e Antenas, aqui); o regresso dos KTU, incendiário projecto do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen acompanhado pela secção rítmica dos King Crimson (o baixista Trey Gunn e o baterista Pat Mastelotto); e a estreia em Portugal do duo de Justin Adams (guitarrista que já colaborou, ou ainda colabora, com Brian Eno, Jah Wobble, Natacha Atlas, Tinariwen, Sinéad O'Connor, Robert Plant...) com Juldeh Camara, um griot da Gâmbia que canta e toca o violino de uma corda só ritti, ambos acompanhados pelo percussionista Salah Dawson Miller, que fez parte dos míticos 3 Mustaphas 3. Datas das actuações: Bassekou Kouyate a 17 de Julho (em Porto Covo); Justin Adams & Juldeh Camara a 23 de Julho; KTU a 25 de Julho.