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23 fevereiro, 2012

José Afonso -- 25 Anos Depois...


Passam hoje 25 anos redondos sobre a morte de José Afonso e algumas celebrações estão agendadas para hoje e para os próximos dias. Um "cheirinho" tirado do jornal Público:

«José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, em Setúbal, onde morava. Sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal que o afastou dos palcos a partir de 1983. Os derradeiros concertos foram os dos coliseus de Lisboa e Porto. Galinhas do Mato, de 1985, é o seu último álbum, que teve de ser completado pelos amigos José Mário Branco, Sérgio Godinho, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já muito debilitado, ainda apoiou a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo.

A maior parte das iniciativas publicitadas pela AJA acontecem no dia 23, quinta-feira. A própria associação preparou um espectáculo de celebração da obra de José Afonso para Lisboa. Terá lugar na Academia de Santo Amaro, em Alcântara, às 21h. A apresentação estará a cargo do encenador Hélder Costa (que partilha a direcção de A Barraca com Maria do Céu Guerra) e contará com nomes de palco como Francisco Fanhais, Zeca Medeiros, Francisco Naia, Pedro Branco ou Couple Coffee.

Também em Lisboa, mas mais cedo (18h), no espaço da Cidade Universitária da Biblioteca-Museu República e Resistência, o jornalista e escritor Viriato Teles vai promover uma sessão de evocação. Recordar José Afonso é a palavra de ordem e é o mesmo que se fará em Setúbal, no La Bohème, a partir das 22h, com António Galrinho e Rui Lino a lerem 25 poemas de “Zeca”.

Ainda na quinta-feira, em Braga, o Theatro Circo abre as portas a um tributo conjunto: de José Afonso e de Adriano Correia de Oliveira, cujo desaparecimento aconteceu há 30 anos (a 16 de Outubro). Com apresentação e declamação de Camilo Silva e Maria Torcato, o Canto D’Aqui convidou vários artistas para subir ao palco nessa noite (21h30) e na próxima, para o mesmo espectáculo.

No dia 24, sexta-feira, o itinerário passa pelo Seixal e pelo Barreiro, à hora de jantar. No Seixal, Luís Pires, Pedro Branco, Vítor Sarmento actuam no restaurante O Bispo. No Barreiro, a associação “Grupo dos Amigos do Barreiro Velho” vai ao restaurante O Pial mostrar como as canções de José Afonso “mantêm toda a actualidade”, 25 (ou mais) anos depois. “Zeca Afonso sempre esteve e continua a estar com os que lutam por um mundo melhor”, lê-se no convite.

Por fim, Barcelona. A capital catalã vai acolher dois concertos no L’Auditori, a 25 de Fevereiro e a 3 de Março. O primeiro será da responsabilidade dos Drumming, grupo português de percussão com sede no Porto. O segundo é do projecto “20 canções para Zeca Afonso”, que propõe “um novo olhar sobre a música” do autor de Grândola, Vila Morena.»

Mais pormenores e outras homenagens no site da Associação José Afonso, aqui.

09 janeiro, 2012

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXVI


Companheiros de Aventura - Mais uma Selecção A da música portuguesa

Quando a Resistência apareceu, muita gente torceu o nariz à ideia e desconfiou das boas intenções daquele super-grupo que integrava elementos dos Madredeus, Delfins, Xutos & Pontapés, Trovante, Santos & Pecadores e ainda alguns músicos vindos do jazz. Não era habitual, na altura, que músicos de diferentes grupos e de áreas estilísticas díspares se juntassem para fazer música em conjunto. Era cada um em seu cantinho, cada um na sua paróquia. É verdade que, anos antes, para a gravação de "Galinhas do Mato", de José Afonso, muitos músicos e cantores se reuniram à volta do mestre - já bastante doente - para o ajudar a terminar a gravação desse disco (em que muitas das suas canções já não foram gravadas por ele mas pelas vozes de Luís Represas, Né Ladeiras, Janita Salomé...). Mas, nesse caso, lá está, era tudo gente da mesma "paróquia". Foi a Resistência, portanto, que abriu as portas a projectos posteriores como o Rio Grande, os Cabeças no Ar, o Palma's Gang, os Humanos - em que gente do fado e dos rocks se juntava à volta das canções inéditas de António Variações - ou este "Companheiros de Aventura", novo álbum de Tim - um "habitué" de muitos dos grupos referidos - que agora reúne à sua volta Rui Veloso, a fadista Celeste Rodrigues, Vitorino e músicos do calibre de Mário Laginha, Moz Carrapa, Gabriel Gomes ou Fernando Júdice. E com uma abertura de horizontes que é, também por isso, um enorme luxo.



Ama Romanta... (Quase) Sempre!

Há 25 anos nasceu em Lisboa uma das mais representativas editoras independentes portuguesas, a Ama Romanta. Liderada por João Peste, dos Pop dell'Arte, ao qual se juntou Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta, a Ama Romanta destacou-se de todas as outras - na altura ou ainda agora - através de um consistente programa estético e político e de uma escolha musical irrepreensível - mesmo que muitos géneros nela convivessem (punk, rock alternativo, jazz, música experimental...). Se calhar não por acaso, as bandas já referidas foram também aquelas que deixaram marcas mais indeléveis na história da nossa música. Quer através dos seminais primeiros álbuns, e alguns dos seguintes, de cada grupo, quer através de concertos absolutamente memoráveis desses anos irrepetíveis - entre outros, o dos Pop dell'Arte na Aula Magna (com Adolfo a ajudar) ou o dos Mão Morta no Rock Rendez Vous (Adolfo e uma faca em sangue). Com carreiras absolutamente diversas - coerente, continuada e em ascensão permanente a dos Mão Morta, com altos e baixos e muitas fases de apagamento a dos Pop dell'Arte -, as duas bandas têm agora álbuns novos prontos a editar: "Pesadelo em Peluche" (Mão Morta), já por estes dias, e "Contra Mundum" (Pop dell'Arte), espera-se que para breve.



A revelação Andersen Molière

Apesar de estar nos últimos tempos a ser ultrapassado por outras redes sociais - nomeadamente o Facebook e o Twitter -, a verdade é que o MySpace continua a ser o melhor meio de divulgação de novos projectos musicais. E, por vezes, surgem por lá excelentes surpresas! Último exemplo: no passado domingo, recebi no MySpace um pedido de amizade de uma banda de Lisboa de que já tinha ouvido falar mas cuja música não conhecia: os Andersen Molière. E foi só começar a ouvir os (muitos) temas que eles têm na sua página para ficar imediatamente apaixonado pela sua música. Uma música feita de valsinhas-musette, cabaret, klezmer, country, experimentalismo q.b., algumas letras absurdas, dada e surreais, referências a nomes maiores da música portuguesa - muitas vezes Sérgio Godinho (não por acaso têm também uma belíssima versão da "Balada da Rita")mas também Madredeus com electrónica vintage (no tema "O Segredo") - ou estrangeira, como os Tindersticks, Nick Cave ou Yann Tiersen. Os Andersen Molière são mais um marco da enorme vitalidade e criatividade da música portuguesa que se sente e gosta de ser portuguesa, imediatamente ao lado dos Deolinda, OqueStrada, Anaquim, Virgem Suta ou Diabo na Cruz, entre alguns outros.



A cantiga, a arma e... a reedição que faltava!

A música portuguesa teve duas excelentes notícias nas últimas semanas: por um lado, o regresso d'A Naifa, com Mitó Mendes (voz) e Luís Varatojo (guitarra portuguesa) no posto habitual e os novos elementos Sandra Baptista (ex-acordeonista dos Sitiados, agora no baixo eléctrico que pertencia ao seu marido João Aguardela) e Samuel Palitos (bateria), assegurando assim a continuidade do mais importante projecto de renovação do fado. Por outro, a reedição em CD - finalmente - da discografia do GAC -Vozes na Luta: os históricos álbuns "Pois Canté!!", "...E Vira Bom", "...Ronda de Alegria!!" (com o bónus do EP "Marchas Populares") e a colectânea de singles "A Cantiga É Uma Arma" (com a inclusão de dois inéditos, "Hino da Reconstrução do Partido" e "Hino da Confederação"), todos com o dedo do mestre José Fortes na restauração e remasterização do som e com textos explicativos de Nuno Pacheco e João Lisboa. Há motivo para festejar! O GAC foi um objecto único, fugaz e importantíssimo da música portuguesa; um produto político do seu tempo - o turbilhão pós-25 de Abril/PREC - mas também um manifesto cultural e musical que vai muito além desse seu engajamento político-partidário e influenciou decisivamente muita da música portuguesa de raiz tradicional que se lhe seguiu. Fazendo música "para o povo", era ao povo e à sua música que o GAC ia buscar os ritmos e as harmonias, mas muitas vezes com o polimento dado pela música erudita e por gigantescos, épicos e arrepiantes coros. Pelo GAC passaram nomes como José Mário Branco, João Lóio, Luís Pedro Faro, Margarida Antunes da Silva, Rui Vaz ou Carlos Guerreiro, todos eles ainda activos musicalmente.

(Textos publicados no jornal "i" durante o mês de Abril de 2010)

04 abril, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXIV


Em busca das arcas perdidas...
Publicado em 18 de Fevereiro de 2010

A Movieplay vai editar, dia 1 de Março, uma colecção de fado com dezenas de temas inéditos em CD "descobertos" no acervo da antiga editora Alvorada, etiqueta da Rádio Triunfo. O trabalho de recuperação do tesouro foi feito por José Manuel Osório e, nos três volumes de "Os Fados da Alvorada", estão gravações de Amália Rodrigues, José Afonso, Artur Paredes (na foto), Carlos Paredes, Luís Piçarra, João Villaret, Tereza Siqueira (mãe de Carminho), Maria de Lurdes Resende e Madalena Iglésias, entre muitos outros. Trata-se de mais um passo importantíssimo - a juntar-se a outros - para a preservação da nossa memória musical. Mas ainda há muito por fazer. Há alguns dias, no âmbito de um trabalho não estritamente musical, um amigo meu "descobriu" (e continuo a usar as aspas porque estas coisas já lá estão, à espera de ver de novo a luz) valiosíssimas gravações ao vivo de artistas e grupos importantes do pré e pós-25 de Abril que é urgente dar a conhecer. Numa conversa recente com um etnomusicólogo veio à baila o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, quer em vinil quer em CD. Se juntarmos a isto o facto, entre outros, de não ter sido dada continuidade à colecção Do Tempo do Vinil (que previa, por exemplo, o lançamento em CD do primeiro álbum a solo de José Cid), vemos que esse trabalho de recuperação é gigantesco mas absolutamente necessário.


E as arcas já reveladas...
Publicado em 25 de Fevereiro de 2010


Um leitor deste jornal fez-me chegar, simpaticamente, via email, o reparo de que uma frase contida na minha última crónica - "o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, nem em vinil nem em CD" - poderia induzir em erro e ser entendida como a afirmação de que nada daquilo que Giacometti recolheu alguma vez esteve disponível em disco. Tem razão, mas não era essa, obviamente, a minha intenção: o que eu quis dizer era que, para além das muitas horas já editadas, há ainda muitas outras que nunca foram passadas a disco. Como a semana passada se falou aqui de "arcas perdidas" de gravações de música tradicional portuguesa, fala-se hoje de algumas (e apenas de algumas) daquelas que já foram abertas e estão disponíveis em suporte CD: "Música Regional Portuguesa", recolhas de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça (Strauss/PortugalSom), cinco CD; "Portugal Raízes Musicais", recolhas de José Alberto Sardinha (BMG/JN), seis CD; "Música Tradicional dos Açores" (Açor), quatro caixas de CD; "Musical Traditions of Portugal" (Smithsonian/Folkways), CD com 30 temas; "Música Tradicional - Terra de Miranda" (Saga, numa colecção que inclui também regiões espanholas); "Voix de Femmes de Portugal" (Ethnic); variadíssimos CD com recolhas de Mário Correia (Sons da Terra), etc. Conclusão: há muita música de raiz tradicional rural já revelada, mas há muito mais ainda por revelar.

Um outro mapa necessário
Publicado em 04 de Março de 2010


Não quero alongar-me muito sobre o estado do ensino da Música nas escolas oficiais, realidade que, sublinho, apenas conheço pela rama, mas da qual tenho a percepção, talvez errada talvez não, de que é extremamente pobre se comparada com a de muitos outros países, principalmente no que toca ao ensino das nossas músicas tradicionais - carência que é, em parte, colmatada pela existência de escolas privadas ou associações em que esse ensino existe, vivo e dinâmico. Estou convicto, no entanto, de que essa realidade poderá mudar, pelo menos um bocadinho, se todas as salas de aula em que se ensina Música ostentassem na parede, com orgulho e galhardia, o belíssimo Mapa Etno-Musical de Portugal. Espelho imediato da diversidade, da riqueza e da originalidade de géneros musicais, instrumentos tradicionais, formações vocais ou antigos saberes do povo português, o Mapa Etno-Musical é uma criação do músico Júlio Pereira, com a ajuda de João Luís Oliva, Sara Nobre e Henrique Cayatte, e nele estão, de forma simples e imediata, retratados variadíssimos instrumentos musicais portugueses, uns conhecidos e outros que poderão abrir imediatamente o apetite a miúdos e professores: mas que raio é um rajão ou uma viola campaniça, que música é essa do aboio ou do leva-leva? No site do Instituto Camões, onde o mapa também está alojado, podem ainda ouvir-se os sons respectivos. Apesar de não ser exaustivo, o mapa é bem capaz de aguçar a curiosidade por muita da nossa música.

07 abril, 2009

Procura-se o Autor Desta Foto! (Repost)

Encontrados já os autores das outras três fotos (da Banda do Casaco, Carlos Paredes e Farinha Master), fica só a faltar a do José Afonso... Assim, prezados leitores do Raízes e Antenas! Se alguém souber qual é o autor desta foto (ou tenha algum palpite sobre quem poderá ser ou... saber), por favor contacte-me na caixa de comentários deste post ou através do meu e-mail: pires.ant@gmail.com

Não é um concurso nem passatempo, mas é importante (a seu tempo revelarei a razão). Muito obrigado!


José Afonso - uma dica, foi a partir desta foto que foi desenhado o logotipo da AJA (Associação José Afonso).

10 novembro, 2008

«Todos Cantam Zeca Afonso» - Uma Colectânea de Homenagem


Aqui há uns bons anos, a colectânea «Filhos da Madrugada» mostrava uma série de versões de temas de José Afonso feitas de propósito para esse disco produzido por Manuel Faria. Versões de grupos como os Madredeus, GNR, Sitiados, Vozes da Rádio, Os Tubarões, Delfins, Diva, Opus Ensemble, Xutos & Pontapés, Mão Morta ou Brigada Victor Jara. E, só o ano passado - a propósito da passagem do vigésimo aniversário sobre a morte de José Afonso -, surgiram inúmeros álbuns de tributo, feitos por variadíssimos grupos e artistas, à arte e ao génio do autor de «Grândola Vila Morena». E a somar a isso tudo, a Farol lança hoje, dia 10 de Novembro, mais uma colectânea de homenagem, «Todos Cantam Zeca Afonso», que abrange diversas épocas (há gravações dos anos 70, como as de Tonicha e Amália, mas também algumas saídas dessa fornada de homenagens de 2007) e diversos géneros musicais. O alinhamento completo do disco é:


1. José Mário Branco/Amélia Muge/João Afonso – «Maio Maduro Maio»

2. Cristina Branco – «Canção de Embalar»

3. Fernando Machado Soares – «Maria Faia»

4. Mariza – «Menino Do Bairro Negro»

5. Tonicha – «Resineiro Engraçado»

6. Jacinta – «Se Voaras Mais Ao Perto»

7. Teresa Silva Carvalho – «Vejam Bem»

8. Frei Fado D'El Rei – «A Morte Saiu À Rua»

9. Paula Oliveira & Bernardo Moreira – «Os Índios Da Meia-Praia»

10. Carla Pires – «Traz Outro Amigo Também»

11. Uxía – «Verdes São Os Campos»

12. Sons da Fala – «Venham Mais Cinco»

13. Lua Extravagante – «Adeus Ó Serra Da Lapa»

14. Lena d'Água – «Era Um Redondo Vocábulo»

15. Rosa Madeira – «Menina dos Olhos Tristes»

16. João Afonso – «Bombons De Todos Os Dias»

17. Couple Coffee & Band – «Vampiros»

18. Carlos do Carmo – «Menino D'Oiro»

19. Amália Rodrigues – «Grândola Vila Morena»

20. Júlio Pereira – «Viva O Poder Popular»

24 abril, 2008

«20 Canções Para Zeca Afonso» - Celebrar Abril, Sempre!


Recordar a revolução de 25 de Abril de 1974 passa, inevitavelmente, por recordar as canções de José Afonso (na foto). E depois da vaga de edições, homenagens e concertos do ano passado, surge agora uma nova proposta de reinvenção da sua música: amanhã, dia 25, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apresenta o espectáculo «20 Canções Para Zeca Afonso», dirigido por Rafael Fraga e João Paulo Esteves da Silva. O elenco completo do espectáculo integra os cantores João David Almeida e Alexandra Ávila, Jorge Reis (saxofone), Rafael Fraga (guitarras), Augusto Macedo (baixo), Bruno Pedroso (bateria), João Paulo Esteves da Silva (piano) e um quarteto de cordas. Segundo refere o site do CCB, «20 Canções para Zeca Afonso reflecte o olhar da geração mais jovem sobre a obra do saudoso músico, numa alternativa rica e original de homenagem ao seu trabalho... Em 20 Canções para Zeca Afonso, a raiz popular sempre presente na música de Zeca Afonso é recriada num contexto inovador que concilia as melodias das canções, os timbres característicos do trio de jazz que acompanha os instrumentos solistas e a ambiência subtil do quarteto de cordas, numa fusão única de universos musicais que se complementam e enriquecem. O repertório seleccionado inclui canções originalmente editadas entre 1962 e 1987, representando estética e cronologicamente uma parte significativa da obra de Zeca Afonso». Para outros concertos deste fim-de-semana, consultem também o excelente «cardápio» das Crónicas da Terra, que dá conta de inúmeros espectáculos comemorativos do 25 de Abril que decorrem hoje e amanhã por todo o país.

(Nota: a inusitada foto que encabeça este post foi «pilhada» no blog Alentejanando. O autor é Alexandre Carvalho e a fotografia é uma delícia, mesmo!)

20 março, 2008

Cromos Raízes e Antenas XLI


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XLI.1 - José Afonso


José Afonso - mais popularmente conhecido como Zeca Afonso - foi, provavelmente, o mais importante cantor e compositor português do século XX. José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (nascido em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, falecido em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987) foi um compositor musical atentíssimo a muita música que o rodeava - do fado de Coimbra à música moçambicana, das canções beirãs ao cante alentejano... -, criando uma música nova em que as suas palavras - ele também um poeta criativo, vanguardista, interventivo - tinham igualmente um peso extraordinário. Do seu álbum «Cantigas do Maio», editado em 1971, foi retirada a senha para a revolução de 25 de Abril de 1974: «Grândola, Vila Morena». E ele próprio - fortemente activo politicamente desde quase o início da sua carreira musical - tornou-se também um símbolo da revolução.


Cromo XLI.2 - Konono Nº1


Nascidos há cerca de trinta anos em Kinshasa, no Congo, tendo como membro fundador o músico Mawangu Mingiedi, os Konono Nº1 são um grupo de músicos, cantores e dançarinos cuja música se baseia nas tradições da etnia Bazombo - que habita numa zona próxima de Angola - mas com a particularidade de muitos dos seus instrumentos serem electrificados, nomeadamente os seus emblemáticos likembés (kissanges ou m'biras). Outros elementos imediatamente identificativos do seu som são os seus microfones rudimentares e os seus sistemas de amplificação (feitos a partir de pedaços de automóveis ou velhos altifalantes de rua), que contribuem igualmente para uma música de transe, repetitiva, eléctrica, originalíssima. O álbum «Congotronics» (Crammed, 2005) projectou-os para a ribalta internacional e Bjork convidou-os para colaborar com ela no álbum «Volta».


Cromo XLI.3 - June Tabor


Figura maior da música folk britânica, June Tabor (nascida a 31 de Dezembro de 1947, em Warwick, Inglaterra) iniciou a sua carreira em 1972 e, partir daí, nunca mais deixou de encantar o mundo com a sua voz pessoalíssima e a sua arte aberta a várias músicas que ela escolhe, sempre!, a dedo: a folk britânica, sim, mas também a canção francesa, standards de jazz e algum rock de bom-gosto, que ela reinventa e reinterpreta como ninguém. A solo - ou em grupos e parcerias como as Silly Sisters (ao lado de Maddy Prior), com o grupo de folk-rock Oysterband ou no projecto The Big Session (com a Oyster Band e outros músicos e cantores ingleses e norte-americanos) - a sua voz e a sua presença são sempre luminosas e marcantes. E a sua música, da melhor que alguma vez se pôde ouvir vinda da folk feita nas ilhas britânicas. Audição aconselhada: a caixa «Always» (2005).


Cromo XLI.4 - Tarnation


Apesar de antes e depois dos Tarnation, a cantora - e mentora, líder e principal compositora do grupo - Paula Frazer ter uma carreira em nome próprio, a verdade é que foi com este grupo, formado em San Francisco, em 1992, que ela se deu a conhecer em toda a sua plenitude musical. Apenas com três álbuns no curriculum - «I’ll Give You Something To Cry About» (1993), «Gentle Creatures» (1995) e «Mirador» (1997) -, estes discos chegaram para estabelecer os Tarnation como um dos grupos de ponta da renovação da country nos Estados Unidos; uma country infectada pela música mexicana, as bandas-sonoras de Ennio Morricone para westerns e algum rock alternativo. Tudo enfeitado pela voz única e pessoalíssima de Frazer. E, embora tenha continuado com uma carreira a solo de sucesso, Frazer «ressuscitou» de algum modo a ideia da banda no seu álbum «Now It's Time» (2007), assinado Paula Frazer and Tarnation.

17 dezembro, 2007

Cristina Branco - As Voltas do Fado (Mudado)


Desde o início da sua carreira, Cristina Branco (na foto; de Luís Barros) nunca se deixou prender apenas nas malhas do fado. E surpreendeu, sempre, pelo reportório escolhido para os seus álbuns. Hoje, dia 17, Cristina Branco termina a primeira fase da sua digressão «Abril» no mesmo local em que o álbum homónimo, inteiramente dedicado à obra de José Afonso, nasceu: o Teatro Municipal de S.Luiz, em Lisboa. E, a acompanhar a notícia deste «intermezzo» da digressão, vem outra: no próximo álbum, já em preparação, Cristina Branco volta a surpreender, ao convidar compositores exteriores ao fado para escreverem as canções do disco. Com um mote comum que lhes foi dado pela cantora - o «Tempo» -, estão já arrolados para o álbum temas originais de Sérgio Godinho (letra e música), Jorge Palma (letra e música), Vitorino (letra e música), Pedro Abrunhosa (letra e música), Janita Salomé (música para um poema de Hélia Correia) e, ainda, uma participação do pintor Júlio Pomar (autor da capa?; fica a dúvida). Já a digressão «Abril» volta à estrada em... Maio.

19 novembro, 2007

Couple Coffee - De Tamanquinhas no CCB


Na minha humilde opinião, o melhor álbum de homenagem a José Afonso - entre os muitos que foram editados este ano - tem o nome de «Co'as Tamanquinhas do Zeca» e é assinado pelo duo brasileiro Couple Coffee, Luanda Cozzetti (voz) e Norton Daiello (baixo eléctrico), neste álbum acompanhados por Sérgio Zurawsky (guitarra eléctrica)e Ruca Rebordão (percussões). E é esta formação, Couple Coffee & Band - reforçada com um convidado de peso, Júlio Pereira - que vai apresentar novamente o fabuloso espectáculo baseado neste álbum (o segundo do grupo, depois de «Puro»), amanhã, dia 20 de Novembro, desta vez no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Um espectáculo imperdível, com as canções de José Afonso a serem sujeitas a transformações, torções, invenções que, longe de as desvirtuar, lhes dão um brilho e uma vivacidade completamente novos. Mais informações aqui e aqui.

12 outubro, 2007

Festival de Expressões Ibéricas de Alcochete - Uma Jangada de... Música


Citando mais uma vez o muito bem informado Crónicas da Terra, começa hoje, sexta-feira, o 5º Festival de Expressões Ibéricas de Alcochete, que decorre no Fórum Cultural até dia 27 deste mês. E o arranque dá-se esta noite com um concerto dos portuenses Frei Fado d'El Rei, que apresentam um espectáculo baseado no seu último álbum, «Senhor Poeta», de homenagem a José Afonso. Amanhã, dia 13, actuam os bascos Lantz (na foto), um super-grupo de músicos desta região formado por três cantoras e cinco instrumentistas. No próximo fim-de-semana, o festival continua com mais um grupo folk português, os Dazkarieh (dia 19) e termina, um dia depois, com um concerto do grupo espanhol - embora com residência na Holanda - Muyayos de Raiz, viajantes de muitas danças e géneros musicais. Paralelamente, o festival apresenta uma exposição de fotografia dedicada a José Afonso (patente ao público na Galeria Municipal dos Paços do Concelho), oficinas de instrumentos tradicionais para crianças e ateliers de leitura. Mais informações aqui.

23 abril, 2007

Fausto, Godinho, Afonso, Vitorino, Branco - Barrigada de Boa Música na RTP

É tão raro a RTP - e, já agora, a SIC e a TVI - dar espaço à boa música portuguesa que a programação desta semana da RTP (e logo a 1 e a 2) é motivo para festejar. Ora veja-se: à «boleia» de duas efemérides, os vinte anos da morte de José Afonso e o 25 de Abril, a RTP 2 vai transmitir concertos de José Afonso, Fausto, José Mário Branco, Vitorino (na foto) e Sérgio Godinho. E a RTP 1 vai transmitir dois programas dedicados a José Afonso. E assim, aquilo que não deveria ser notícia - a passagem de concertos e programas dedicados aos grande nomes da nossa música (se fosse isso que acontecesse normalmente) - é, mais do que uma boa notícia, um luxo.

Hoje, segunda-feira, à noite, a RTP 2 transmite o histórico espectáculo «José Afonso ao Vivo no Coliseu» (gravado em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios de Lisboa). E no resto da semana, há ainda concertos de José Mário Branco (terça-feira; o concerto de apresentação de «Resistir É Vencer», de 2004, também no Coliseu de Lisboa), Sérgio Godinho (quarta-feira; o concerto «De Volta ao Coliseu», com Camané, Jorge Palma, Vitorino e David Fonseca como convidados), Fausto (quinta-feira; num concerto gravado em 1990) e Vitorino (sexta-feira; concerto gravado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em 1993). Sempre nas «Noites da 2». Por sua vez, a RTP 1 transmite, dia 24, o concerto de homenagem a José Afonso recentemente realizado na Galiza - «Sempre Abril» (Gala Homenaxe a Zeca) em que participaram artistas espanhóis, galegos, portugueses e africanos - Luis Pastor, Uxia, Faltriqueira, Antón Reixa, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Tito Paris e Manecas Costa, entre muitos outros. E no dia 25 de Abril, às 17h45, passa, também na RTP 1, o documentário «Não Me Obriguem a Vir Para a Rua Gritar/Tributo a Zeca Afonso», em que a «SubFilmes convidou vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso», desafios aceites por músicos de estilos diferentes - Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5 e Raquel Tavares - e artistas de outras áreas: «a companhia de teatro Primeiros Sintomas, a dupla de videojamming Daltonic Brothers, Target e Mosaik no street art, Quebra-Diskos no turntablism», entre outras colaborações e tertúlias de reflexão à volta da obra de José Afonso.

19 abril, 2007

José Afonso - Outras Homenagens



Dia 24 (ou, segundo outras fontes, dia 25) de Abril, a RTP e a TV Galiza vão transmitir um espectáculo de homenagem a José Afonso (na foto), «Gala Homenaxe a Zeca», que, contam as crónicas - vf. na reportagem do Diário de Notícias - foi um momento de comunhão único entre artistas portugueses, galegos e africanos, irmanados à volta da música e da memória de José Afonso. No concerto, realizado no Paço da Cultura de Pontevedra, participaram, pelo lado espanhol Luis Pastor; pelo lado galego as cantoras Uxia e Mercedes Péon, as pandeireteiras e cantoras Faltriqueira, Trexadura, Narf, duas velhas glórias do rock galego - Víctor Coyote e Antón Reixa (dos Resentidos) - e ainda Benedicto, Miro Casabella e Xico de Cariño; pelo lado português Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Zeca Medeiros, João Afonso e Cantadores do Redondo; e, pelo lado africano, Tito Paris, Manecas Costa e Jon Luz. O grande ausente da Gala, por motivo de doença, foi Suso Iglesias, director da TV Galiza, organizador do espectácilo e ex-companheiro de José Afonso em muitos espectáculos, tocando gaita.

Entretanto - e numa altura em que se multiplicam as homenagens a José Afonso, agora que passam vinte anos sobre a sua morte -, a conimbricense Banda Futrica, projecto paralelo aos Ginga numa vertente mais acústica, apresenta o seu primeiro álbum, «Com Zeca no Coração», dia 30 de Abril no Convento de São Francisco, em Coimbra. O álbum - em que participam como convidados Isabel Silvestre, Helena Lavouras, Emiliano Toste, Luís Peixoto, Luis Ferreira e Gaiteiros da Espiral - é, segundo a banda, um tributo «àquele que tanto nos ensinou através da sua música e poemas! Foi em Coimbra que Zeca Afonso, ainda estudante, teve os primeiros contactos com a dureza da vida do povo, dos “futricas” de Coimbra». O álbum da Banda Futrica sucede a outros lançamentos discográficos que têm José Afonso como mote e inspiração - dos Frei Fado d'El Rei, Couple Coffee e Erva de Cheiro - e a espectáculos baseados na sua obra assinados pelo grupo Drumming, a fadista Cristina Branco e o Opus Ensemble, entre muitos outros. Venham mais...

11 abril, 2007

(Steel) Drumming Interpreta José Afonso



É um projecto originalíssimo: o colectivo de música erudita Drumming vai fazer uma extensa digressão com o espectáculo «Steel Drumming Toca Zeca Afonso», em que o grupo - rebaptizado Steel Drumming porque vai apenas usar as steel drums tradicionais de Trinidad e Tobago - interpreta temas de José Afonso, acompanhado pelos cantores JP Simões, Miguel Guedes (dos Blind Zero, aqui a cantar, claro, em português) e a cantora de jazz Sofia Ribeiro - sempre só um deles em cada espectáculo. Os temas têm arranjos de Mário Laginha, António Augusto Aguiar, Pedro Moreira, Bernardo Sassetti, Vasco Mendonça e Telmo Marques e, para além das versões de temas de José Afonso, o espectáculo incluirá ainda peças originais inspiradas na obra do autor de «Cantigas do Maio» compostos por Nuno Côrte-Real, Carlos Guedes e Jeffery Davis. O Steel Drumming - formação composta pelos percussionistas Rui Rodrigues, Paulo Costa, João Tiago, Juca Monteiro e António Sérgio - e os cantores convidados estreiam o espectáculo no Porto (Casa da Música, 25 de Abril) e apresentam-no depois em Faro (Teatro Municipal, 27 de Abril), Sines (Centro de Artes, 28 de Abril), Lisboa (Centro Cultural de Belém, 30 de Abril), Alcobaça (Cine-Teatro, 1 de Maio), Entroncamento (Cine-Teatro S. João, 5 de Maio), Palmela (Cine-Teatro, 12 de Maio), Seixal (Fábrica Mundet, integrado no Festival Portugal a Rufar, 2 de Junho) e Estarreja (Cine-Teatro, 17 de Junho). Mais informações aqui.

23 fevereiro, 2007

José Afonso - Para Sempre!


José Afonso deixou-nos há vinte anos, mas a sua memória e a sua obra viverão connosco para sempre. Este fim-de-semana, e a começar já hoje, muitas são as iniciativas comemorativas da data, um pouco por todo o país. Todas as informações sobre as homenagens, concertos, exposições, debates... no blog da Associação José Afonso, aqui.

31 janeiro, 2007

Cristina Branco Canta José Afonso


Já pouca coisa vinda da fadista (e não só) Cristina Branco pode surpreender, tantos são os caminhos próprios por ela já tomados, através do fado, fora do fado, a viés do fado. Mas a expectativa é enorme quando se sabe que o seu novo projecto (disco e espectáculos) é dedicado à obra de José Afonso e que para ele Cristina Branco se fez rodear por uma banda formada por Ricardo Dias (da Brigada Victor Jara e já um «habitué» na equipa da cantora) no piano e direcção musical e três conceituados músicos vindos do jazz: Mário Delgado (guitarras acústicas e eléctricas), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). A apresentação do projecto decorre no Jardim de Inverno do Teatro S.Luiz, em Lisboa, dias 2, 3, 9, 10, 16, 17, 23 e 24 de Fevereiro. De José Afonso diz Cristina Branco: «O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sempre gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal. Não trazemos nada de novo, vimos apenas lembrar».

Para além do projecto de versões de Cristina Branco, José Afonso será também homenageado este ano - quando passam vinte anos sobre a sua morte - em discos dos Frei Fado d'El Rei («Senhor Poeta») e, segundo o site e blog da Associação José Afonso, dos Erva de Cheiro («Que Viva o Zeca») e espectáculos um pouco por todo o país, com destaque para o ciclo «A Revolução» (na Casa da Música, Porto, entre 25 de Abril e 1 de Maio, que inclui a estreia de «Steel Drumming toca Zeca Afonso», pelo grupo de percussão Drumming, com Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero, e JP Simões como convidados nas vozes), entre outros espectáculos, ciclos, conferências e exposições. Mais informações aqui e aqui.

12 janeiro, 2007

Frei Fado d'El Rei - A Vez de José Afonso


Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda) - e editam em breve o álbum «Senhor Poeta», de homenagem a José Afonso, no ano em que passam vinte anos sobre a morte deste cantor e compositor que revolucionou a música portuguesa. Festejando o regresso do grupo às lides discográficas, aqui deixo uma pequena entrevista publicada originalmente no BLITZ em Julho de 2004, a propósito do álbum «Em Concerto».


FREI FADO D'EL REI

Ao fim de 14 anos de carreira, os Frei Fado d'El Rei editam o seu terceiro álbum, «Em Concerto», gravado ao vivo no Mosteiro de Leça do Balio. Conversa com José Flávio Martins.

«Em Concerto» foi editado há poucos meses e, por estes dias, estão também a ser reeditado os dois álbuns de estúdio dos Frei Fado d'El Rei, «Danças no Tempo» e «Encanto da Lua», agrupados pela Sony Music numa caixa conjunta. E a primeira pergunta, inevitável, prende-se com o facto de o novo disco ser um álbum ao vivo, e não de estúdio, mas com bastantes inéditos. José Flávio justifica a escolha com «a magia do "ao vivo". Em concerto há uma recptividade e cumplicidade que nunca conseguimos em estúdio. Gostamos dos álbuns de estúdio, têm a sua razão de existir... mas nunca conseguimos transpor essa energia do palco para o estúdio». Paralelamente, «o espaço onde gravámos o álbum foi muito importante. Aquele Mosteiro tem uma acústica fantástica e a pedra do Mosteiro soa no disco: a reverberação, o encantamento da pedra».

No álbum ao vivo - que será complementado, em Outubro, por um DVD do mesmo espectáculo -, os Frei Fado d'El Rei contaram com a participação de alguns músicos convidados. Uma secção de metais, um coro masculino, um harpista, uma acordeonista, percussionistas e o teclista Quico Serrano (agora ligado aos Plaza mas membro dos Frei Fado durante alguns anos). Para além do álbum ao vivo, os Frei Fado d'El Rei voltaram a ter disponíveis nas lojas os seus dois álbuns de estúdio, numa edição especial que reúne os dois discos. Isto para a banda é especialmente importante porque «há bastante tempo que esses dois álbuns não estavam disponíveis no mercado».

Os músicos dos Frei Fado d'El Rei repartem-se também por outros projectos, sendo um deles quase um alter-ego absoluto, os Roldana Folk. Mas, explica José Flávio, os dois grupos complementam-se e não se anulam: os Roldana Folk são mais «festivos e alegres, estão mais próximos da chamada música celta», enquanto os Frei Fado d'El Rei são mais «contidos e intimistas, embora também haja um lado festivo e dançável, nomeadamente quando usamos o flamenco... E os Frei Fado d'El Rei vão a mais estilos». Vão ao fado, ao flamenco, à música de raiz tradicional, à música antiga e medieval... Vão onde querem, mas «sempre com um padrão que unifica os temas e faz deles temas dos Frei Fado d'El Rei».

Outra actividade paralela de alguns músicos dos Frei Fado é a construção de instrumentos de percussão feitos de barro. «Sempre procurámos novos sons e instrumentos. Usamos, por exemplo, um bandolocelo [um bandolim de som mais grave e com o formato do alaúde], que conheci através do construtor, o Domingos Machado. Começámos a usar as bilhas de barro percutidas... e as pessoas que nos viam vinham perguntar-nos muitas vezes o que era aquilo. E eu e o Zagalo [percussionista] começámos a projectar estes instrumentos que agora vendemos. Até temos workshops dedicados às bilhas em vários sítios...».