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18 julho, 2010

Cacharolete de Álbuns (Híbridos e Sem Ligações Aparentes)


As músicas, cada vez mais, viajam livremente entre várias épocas e vários continentes e vários géneros. E ainda bem. Hoje aqui ficam mais quatro bons exemplos de músicas híbridas, rafeirosas (e todos nós sabemos que os melhores bichos também o são), abertas... Senhoras e senhores, os Tribeqa, Carolina Chocolate Drops, ErsatzMusika e Cibelle (na foto,de Socrates Mitsios), tal como vistos por mim há alguns meses na "Time Out Lisboa".


Tribeqa
"Tribeqa"
Underdog/Massala
****

A base da sua música é o jazz, mas os franceses Tribeqa juntam-lhe funk, bossa-nova, soul, hip-hop (está aqui DJ Greem, dos C2C e Hocus Pocus, no scratch), música árabe e um quase omnipresente balafon mandinga (e a flauta do marfinense Magic Malik num dos temas) a levar tudo para África. Liderados pela compositora, vocalista e percussionista (incluindo o balafon e o vibrafone) Josselin Quentin, os Tribeqa partem de Nantes para visitar variadíssimas “músicas do mundo” mas com um som muito próprio e original. Um dos treze temas de "Tribeqa" – álbum homónimo e de estreia do grupo - tem título em português, “O Bêbado”, e, de facto, é o delírio alcoólico-musical mais perfeito que alguma vez se fez; que nos perdoem Tom Waits, Shane MacGowan, Janis Joplin, Hanggai e Serge Gainsbourg.




ErsatzMusika
"Songs Unrecantable"
Asphalt Tango/Megamúsica
****

Grupo formado maioritariamente por músicos russos, embora a viverem na Alemanha, os ErsatzMusika são um objecto (muito) estranho no meio musical da actualidade: a cantora, multi-instrumentista e compositora de muitos dos temas, Irina Doubrovskja, canta como se tivesse na voz Marlene Dietrich, Nico e Marianne Faithfull; e o som da banda vai – sem pudores nenhuns e como se todos pudessem conviver livremente - ao cabaret berlinense dos anos 30 e aos Velvet Underground, à música cigana do leste europeu e aos Echo and The Bunnymen, à Penguin Cafe Orchestra ou aos Doors. Mas em “Oy, Pterodactyl” soam como se os B-52's fizessem uma versão circense de um tema qualquer do Elvis Presley. Faz confusão? Sim. Mas depressa desaparece quando a paixão fala mais alto.



Carolina Chocolate Drops
"Genuine Negro Jig"
Nonesuch/Warner
*****


Produzido por Joe Henry, "Genuine Negro Jig" é o quarto álbum do fabuloso trio Carolina Chocolate Drops, um grupo que recria as antigas canções para cordas (banjo, rabeca, por vezes guitarra e autoharpa) da zona do Piedmont, transversal à Carolina do Sul e Carolina do Norte. Mas o trio, que apresenta ainda duas magníficas vozes (uma masculina e outra feminina), não usa só esses instrumentos para recriar temas de dixieland, blues, country e até folk inglesa e irlandesa: garrafões (soprados à velha maneira das “jug bands”), colheres percutidas, kazoo, invenções vocais (de beatbox a uma imitação das vozes guturais de Tuva) estão também presentes nesta música ao mesmo tempo muito antiga e absolutamente actual (não por acaso, um tema de Tom Waits encaixa que nem uma luva no restante conjunto).




Cibelle
"Las Vênus Resort Palace Hotel"
Crammed Discs/Megamúsica
****

Apesar de ser brasileira, Cibelle tem-se afastado cada vez mais do carimbo “Brasil” e optado por um percurso próprio, pessoal, cada vez mais reconhecível como uma marca “Cibelle”. E isso é bom. No seu novo álbum, lindíssimo e hiper-equilibrado, Cibelle é ela mesma armada com o alter-ego Sonia Khalecallon, a mesma que nos dá as boas-vindas ao seu "Las Vênus Resort Palace Hotel"... E, como se pode por isso compreender, este é um álbum conceptual – onde nem faltam passarinhos e relógios a unir as faixas – cheio de belíssimas canções muito bem cantadas e onde a música exotica convive com a alt-country, electrónicas elegantes, o cabaret, lounge tropical, versões inesperadas ("007", "Os Marretas"...), a freak-folk e, sim, também alguma música brasileira, embora, “mutante”.

28 setembro, 2009

Há Saldos na VGM!


A VGM, na Rua Viriato (Picoas), em Lisboa, continua a ser a melhor loja de world music, música clássica, antiga e algum jazz e muito reggae de Lisboa. E, em início de Outono, volta a ter saldos bastante apetecíveis... Aqui fica a notícia do meu compincha das Crónicas da Terra:

«Discos Soul Jazz a preço de saldo na VGM (em Lisboa), até dia 10 de Outubro

A loja de discos VGM, que possui dos mais interessantes fundos de catálogo ao nível de música étnica, clássica, antiga e jazz, situada na Rua Viriato 12, em Lisboa (mesmo em frente ao edifício do Jornal Público), propõe a todos os seus clientes melómanos reduções entre 25% e os 52% em todos os títulos (editados até ao final de 2008) dos seguintes catálogos: Soul Jazz, World Circuit, Crammed Discs, World Music Network, Demon Music group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, Roir, Ponderosa, Park,Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, Music and Words, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me, Sterns, Weatherbox e muitos outros, num total de mais de 150 etiquetas.

Jordi Savall, Peter Hammill, Hector Zazou, Bassekou Kouyaté, Buena Vista Social Club, Orchestra Baobab, Fanfare Ciocarlia, Etran Finatawa, Kroke, Cibelle, DJ Dolores, Shantel, Boom Pam, Bembeya Jazz, Waterson Carthy, Maddy Prior, Steelye Span, são alguns dos artistas cujas obras discográficas poder ser adquiridas a preços simpáticos, até ao próximo dia 10 de Outubro».

18 agosto, 2009

Há Mais Jazz em... Sines!


O FMM acabou (acabou mas há-de recomeçar daqui a 11 meses!) e ainda há música veraneante em Sines. Desta vez, com o belíssimo espaço do CAS a ser ocupado pelo jazz nacional - Paula Oliveira (na foto), Afonso Pais, Acácio Salero, El Fad (do guitarrista José Peixoto e do violinista Carlos Zíngaro), Low Budget Research Kitchen (projecto de homenagem a Frank Zappa) e os In Tempus, de Vasco Agostinho - e por iniciativas paralelas. O programa completo:


«Programação Agosto 2009
O Centro de Artes de Sines e a Escola das Artes de Sines recebem, nos dias 21, 22 e 23 de Agosto, o Sines em Jazz 2009, com seis concertos, palestras e workshops.

Sines em Jazz : Concertos


Afonso Pais Trio »
Afonso Pais é um dos mais promissores guitarristas da cena jazz em Portugal, combinando o idioma jazzístico com outras influências, como a MPB e a música erudita.
Auditório do Centro de Artes | 21 de Agosto | 22h00 | 5 euros / noite


Acácio Salero - Secret Apache »
O segundo projecto da noite inaugural do Sines em Jazz foca-se na mistura de música orquestrada com música improvisada, tomando como alicerces o jazz tradicional, o rock e a música contemporânea.
Auditório do Centro de Artes | 21 de Agosto | 23h15 | 5 euros / noite


El Fad »
Com El Fad, José Peixoto junta-se a três grandes músicos portugueses (Carlos Zíngaro, Yuri Daniel e José Salgueiro) para recuperar, num projecto de jazz contemporâneo, os séculos de presença moura na Península Ibérica.
Auditório do Centro de Artes | 22 de Agosto | 22h00 | 5 euros / noite


Low Budget Research Kitchen plays Zappa »
Octeto instrumental dedicado exclusivamente à música de Frank Zappa. A obra deste compositor norte-americano é um caso único na música da segunda metade do séc. XX.
Auditório do Centro de Artes | 22 de Agosto | 23h15 | 5 euros / noite


Paula Oliveira »
Paula Oliveira é uma das maiores referências do jazz vocal em Portugal. Voz quente e melodiosa, canta um jazz completamente seu, escolhendo repertório, na sua maioria, em língua portuguesa.
Auditório do Centro de Artes | 23 de Agosto | 22h00 | 5 euros / noite


In Tempus - Quarteto de Vasco Agostinho »
No quarteto In Tempus, Vasco Agostinho reúne, sob a sua direcção, músicos que partilham com ele a convicção de que, mais do que as linguagens, as estéticas, as tradições ou as modas, a música vive na tradução do íntimo de cada interveniente.
Auditório do Centro de Artes | 23 de Agosto | 23h15 | 5 euros / noite

Sines em Jazz : Iniciativas paralelas


Palestras »
Pensar e debater o jazz em oito palestras com especialistas do género: Luís Lapa, Virgil Mihaiu, Carlos Azevedo, José Duarte e Zé Eduardo.
Escola das Artes de Sines | 21, 22 e 23 de Agosto | Gratuitas, mediante inscrição na Escola das Artes | Org. CM Sines. Parceria Escola das Artes de Sines


Workshops »
Workshop "Fundamentos rítmicos do jazz", com Acácio Salero, e workshop "Técnica de estudo para música improvisada", com Vasco Agostinho.
Escola das Artes de Sines | 21 e 23 de Agosto | Gratuitos para os alunos da Escola das Artes e 5 euros para não alunos | Org. CMS. Parceria Escola das Artes de Sines

Centro de Exposições


FMM: "Caravançarai: 10 de FMM em fotografia" »
Dez fotógrafos que, nas mais diferentes qualidades, acompanharam o FMM Sines ao longo de 10 anos mostram imagens que captam a alma de um festival que é já muito mais do que um evento musical.
11 de Julho - 23 de Agosto | Todos os dias, 14h00-20h00 | Entrada livre

Biblioteca

Biblioteca no Verão »
O principal tesouro da Biblioteca são os seus livros, mas durante os meses de Julho e Agosto há ainda mais motivos para as crianças e as suas famílias a visitarem.
Ver programação no interior

Serviço Educativo e Cultural
O que é o SEC? | O que é o Passaporte do SEC?

Ateliês do Arquivo Histórico Arnaldo Soledade »
Durante os meses de Verão, o Arquivo Histórico Arnaldo Soledade continua aberto e realiza visitas-guiadas para famílias e crianças. Saiba como fazer a sua marcação
Ver detalhes no interior

Verão no Museu de Sines | Casa de Vasco da Gama »
Durante o Verão, as crianças, as famílias e o público em geral podem continuar a desfrutar a Casa de Vasco da Gama e o Museu de Sines em visitas-guiadas e ateliês.
Ver detalhes no interior


Ateliês de Movimento e Dança - Inscrições abertas »
As aulas dos Ateliês de Movimento e Dança do Centro de Artes de Sines terminam no dia 4 de Julho. Ao longo de Julho e Agosto, estão abertas as inscrições para o ano lectivo 2009/2010, que tem início no dia 7 de Setembro.
Ver detalhes no interior

"Do Centro para Dentro", visitas guiadas para grupos ao CAS »
O Centro de Artes tornou-se, por magia, um imenso labirinto que será necessário percorrer. Com a ajuda de um fio mágico iremos encontrar os caminhos perdidos, passagens secretas…
Todo o CAS | Todo o ano | Para toda a comunidade

Torne-se Amigo do CAS»

Mais informações, aqui.

16 junho, 2009

Tinariwen e Sun Ra Arkestra no Arrábida World Music Festival


Os malianos Tinariwen (na foto, de Eric Mullet) - que vão apresentar o seu novo álbum, «Imidiwan: Companions» -, a Sun Ra Arkestra (que agrupa músicos que acompanharam o mítico, e místico!, teclista Sun Ra), o cabo-verdiano Tcheka, o iraniano-português Mazgani, Paulo Furtado na pele de The Legendary Tiger Man, os Heavy Trash (a fabulosa explosão de blues eléctricos de Jon Spencer e Matt Verta-Ray) e DJ Café del Mar são os nomes que integram o cartaz do nóvel Arrábida World Music Festival, que decorre no Forte de S.Filipe, Setúbal, nos dias 3 e 4 de Julho. Seguem-se as informações mais relevantes sobre o festival:

«Dia 3 de Julho

PALCO WORLD
Tinariwen
Tcheka

PALCO BLUES
Legendary Tiger Man

LOUNGE - CAFÉ DEL MAR(IBIZA)
DJ Café del Mar

Dia 4 de Julho

PALCO WORLD
Sun Ra Arkestra
Mazgani

PALCO BLUES
Heavy Trash


O AWM - Arrábida World Music Festival 2009 assume-se como um desafio da Câmara Municipal de Setúbal no sentido de projectar a região e as suas potencialidades geográficas, culturais e sociais, bem como, criar e associar à mesma um evento de culto que se pretende diferenciado e capaz de se afirmar como um dos principais acontecimentos temáticos a nível nacional.

Criar um projecto único para uma região em permanente evolução, com qualidades reconhecidas, contribuirá decisivamente para a captação de novos públicos e para a afirmação da Península de Setúbal numa vertente cultural e de entretenimento indispensável à valorização da mesma.

O cenário sugerido é o da Serra da Arrábida que lhe dá o nome, propondo-se o mítico Forte de S. Filipe com o Rio Sado como pano de fundo como palco principal deste projecto.

Proporcionar emoção e uma experiência única com algum arrojo, através de uma abordagem "vegetal", orgânica e global, constitui a motivação para a criação de uma identidade própria.

O Arrábida World Music Festival é o evento da marca "Setúbal. É um Mundo".

O recinto idílico do Forte de S. Filipe envolvido numa mística única foi programado criteriosamente por uma equipa de produção que definiu o layout numa perspectiva de total convívio com os diversos momentos do Festival. Para isso foram criados 2 espaços específicos:
Zona 1 - Zona Lúdica

Área lúdica de acesso para o grande público conviver directamente com o espírito do festival. Aqui irá encontrar artesanato e restauração do mundo e um playground para os mais jovens. Poderá ainda fazer uma visita às catacumbas do castelo numa viagem em que tudo pode acontecer».

Mais informações, aqui.

29 abril, 2009

Mor Karbasi, Portico Quartet, Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat no FMM de Sines


Mais quatro nomes confirmados para o FMM de Sines: Mor Karbasi (na foto) e Portico Quartet confirmados pela organização do festival e Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat (estes num regresso que se saúda ao FMM!)avançados pelas imparáveis Crónicas da Terra. O comunicado oficial do FMM acerca dos primeiros dois nomes (e as datas dosoutros dois a seguir):

«Mor Karbasi, cantora israelita radicada no Reino Unido, e Portico Quartet, a revelação do jazz britânico em 2008, são as duas novas confirmações do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Actuam ambos, no Centro de Artes de Sines, na noite de 20 de Julho.

Mor Karbasi

Na linha de Ofra Haza e Yasmin Levy, Mor Karbasi é o novo milagre da galeria dourada das vozes femininas do mundo judaico.
Com pouco mais de 20 anos, esta cantora israelita radicada no Reino Unido seduz o espectador com o poder delicado do seu desempenho vocal e com a riqueza das suas canções em hebraico, castelhano e Ladino, a língua extinta dos judeus da Península Ibérica.
A fonte de inspiração é a música dos judeus sefarditas, cabendo no seu repertório temas tradicionais do séc. XV e novas canções baseadas no Ladino compostas por si.
O flamenco é também referência, presente nos melismas da sua voz e na filigrana da guitarra de Joe Taylor.
Instrumentista e director musical, este artista britânico foi decisivo para a consistência que Mor Karbasi revela no seu álbum de estreia - “The Beauty and the Sea” (2008) - e mostra nos seus espectáculos ao vivo, ao mesmo tempo intimistas e electrizantes.
Quando já trabalha no segundo disco, Mor Karbasi chega ao FMM Sines com o estatuto firmado de “uma das grandes jovens divas da cena musical global” (The Guardian).



Portico Quartet

Nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor álbum de jazz, “world music” e folk pela revista Time Out, o disco “Knee-Deep In The North Sea” foi um dos fenómenos da música britânica em 2008.
O seu “som original” (The Times) é a criação inimitável do Portico Quartet, um quarteto de músicos na casa dos 20 anos com aspecto de banda “indie” que toca uma música que busca elementos sobretudo no jazz, mas também no rock, no minimalismo e em várias matrizes tradicionais do mundo.
Formado em 2005, o grupo foi descoberto a tocar na rua frente ao National Theatre de Londres pelo clube The Vortex, que criou uma etiqueta discográfica só para lançar a sua música.
O alinhamento é composto por Jack Wyllie, nos saxofones e na electrónica, Duncan Bellamy, na bateria e no “glockenspiel”, Milo Fitzpatrick, no contrabaixo, e Nick Mulvey, no “hang”, um instrumento de percussão criado em 2000 na Suíça que domina o som do grupo com a sua sonoridade exótica, entre os “steel drums” das Caraíbas e os gamelões indonésios.
Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba), Debashish Bhattacharya (Índia) e James Blood Ulmer (EUA), Mor Karbasi (Israel / Reino Unido) e Portico Quartet (Reino Unido) são os quinto e sexto nomes oficialmente confirmados da programação do Festival Músicas do Mundo 2009, onde está prevista a realização de 36 espectáculos e iniciativas paralelas.
Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos.
A edição 2009 realiza-se entre 17 e 25 de Julho».

Por sua vez, os norte-americanos Rupa and The April Fishes (ver «Cromo Raízes e Antenas» referente a este projecto um pouco mais abaixo neste blog) actuam a 17 de Julho, no dia inaugural do festival, enquanto os absolutamente delirantes finlandeses Alamaailman Vasarat tocam no último dia, a 25 de Julho.

20 março, 2009

E Mais Um (Grande) Nome Para Sines: Chucho Valdés no FMM!


Pois!!!!...

«A “big band” do pianista cubano Chucho Valdés, um dos nomes fundamentais do jazz latino dos últimos cinquenta anos, é a segunda confirmação oficial do programa do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Apresenta-se no Castelo de Sines no dia 23 de Julho.

Filho de Bebo Valdés, um dos mais destacados pianistas e compositores cubanos do século XX, Chucho não é menos importante na história da música cubana das últimas décadas, com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações.

Nascido em Quivicán, província de Havana, em 1941, Chucho começou a tocar piano de ouvido aos 3 anos de idade e formou o seu primeiro trio de jazz aos 15 anos.

Gravou o seu primeiro disco, “Chucho Valdés y su Combo”, em 1963, e sete anos mais tarde, em 1970, é considerado um dos cinco melhores pianistas de jazz do mundo, juntamente com Bill Evans, Oscar Peterson, Herbie Hancock e Chick Corea.

Em 1973, funda o grupo mítico do jazz cubano, Irakere, sendo seu pianista, compositor, arranjador e director até aos dias de hoje.

Contando na sua formação inicial com músicos do calibre de Arturo Sandoval e Paquito d’Rivera, Irakere foi o primeiro grupo cubano a ganhar um Grammy, em 1980, e foi no seu seio que Chucho Valdés consolidou a sua carreira nos melhores palcos de todo o mundo.

Em 1996, integrado numa banda chamada Crisol, que formou com o trompetista Roy Hargrove, ganhou, com o disco “Habana”, o seu segundo Grammy.

Num outro agrupamento, o quarteto que formou em 1998, gravou quatro discos para a Blue Note (“Bele Bele en La Habana”, “Briyumba Palo Congo”, “Live at the Village Vangard” e “New Conceptions”), todos eles nomeados para Grammys e dois deles vitoriosos.

O quinto Grammy foi obtido em 2002 com o disco “Canciones Inéditas”, álbum a solo com obras da sua autoria gravado para a editora Egrem.

Detentor das principais distinções culturais concedidas pelo seu país, incluindo a máxima, a Medalha Felix Varela, Chucho Valdés tem as chaves das cidades de Ponce (Porto Rico), Los Angeles, San Francisco, Nova Orleães e Madison, nos EUA, e, numa cerimónia realizada em Los Angeles, junto a Tito Puente, Eddie Palmieri e Lalo Shiffrin, foi inscrito no “Hall of Fame” do Jazz Latino.

No concerto de Sines será acompanhado pela voz de Mayra Valdés, o baixo de Lázaro Alarcón, a bateria de Juan Carlos Castro Rojas, a percussão de Yaroldi Abreu, o sax alto de German Velazco , o sax tenor de Carlos Manuel Miyares Hernandez e os trompetes de Alexander Abreu e Maikel Gonzalez.

Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba) é o segundo nome oficialmente confirmado da programação do Festival Músicas do Mundo 2009.

Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos».

06 março, 2009

VGM - Muita World Music em Saldos!


A melhor loja de world music (e também de jazz e música erudita) de Lisboa, a VGM - que fica na Rua Viriato, nº 12, em Picoas - tem agora, e até dia 28 deste mês, mais de 150 títulos em saldos. Discos lançados até 31 de Outubro de 2008 por editoras como a World Circuit, Crammed Discs, World MusicNetwork, Demon Music Group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, ROIR, Ponderosa, Park, Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, MusicandWords, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me e Weatherbox, entre outras, têm descontos entre os 25 e os 60 por cento. É de aproveitar, portanto!

27 fevereiro, 2009

Cacharolete de Discos - Seun Kuti, Nitin Sawhney e Maria João & Mário Laginha


Depois de uma ausência prolongada - uma pneumoniazita que já está a passar -, o R&A regressa hoje para recuperar algumas críticas publicadas há algum tempo originalmente na «Time Out Lisboa». Desta vez, ao álbum de estreia de Seun Kuti (o filho mais novo de Fela Kuti), ao surpreendente novo disco de Nitin Sawhney (na foto) e ao disco de regresso ao jazz da dupla Maria João/Mario Laginha.



SEUN KUTI + FELA'S EGYPT 80
«MANY THINGS»
Tôt ou Tard

Transportar o nome – e a herança – de um dos nomes maiores da música nunca é fácil. Não o foi para os filhos de gente como John Lennon ou Bob Marley, de Frank Zappa ou de Charles Mingus (apesar de alguns deles terem construído uma carreira bastante decente em nome próprio). No caso de haver vários filhos a competirem no mesmo território a questão ainda se torna mais complicada, como é o caso de Seun e do seu irmão Femi, ambos filhos de uma das figuras mais importantes da música africana, o inventor do afro-beat Fela Kuti. Porque para além de competirem com a memória e o peso do nome do pai , ainda têm que «competir» entre si, para ver qual deles pode continuar a carregar a bandeira da família e/ou eventualmente a levá-la mais longe e a hasteá-la mais alto. Neste exemplo específico, a herança é encarada de maneiras diferentes pelos dois manos em compita: Femi (o mais velho), com uma carreira mais longa e já com o seu nome bem firmado no circuito da world music, é o que diverge mais da linha firmada pelo pai: nele, o afro-beat é a base, sim, mas nele incorpora sem problemas outras linguagens como o reggae, o hip-hop, o jazz, o R&B, até canções no seu sentido mais clássico. Já Seun (o mais novo), não se atreve a divergir e neste seu álbum de estreia, «Many Things», aquilo que se ouve é afro-beat puro e duro, sem grandes (nem pequenos) desvios aos ensinamentos paternos. O lado positivo é que os fãs de Fela podem ver aqui uma continuação lógica do trabalho do mestre – e Seun faz questão de ser acompanhado, para que não haja dúvidas, por muitos músicos que tocaram com o pai, os Egypt 80, e que a ligação seja imediatamente reconhecida. O lado negativo é que já ouvimos esta música antes, há 30 anos atrás, e não há aqui, mesmo!, grandes (nem pequenos) acrescentos. (***)


NITIN SAWHNEY
«LONDON UNDERSOUND»
Cooking Vinyl/Edel

Um dos nomes maiores da cena musical indo-britânica, Nitin Sawhney está de volta com um álbum (o oitavo, e o primeiro desde «Philtre», saído em 2005) surpreendente. Um álbum sério, maduro, mais pop e muito menos dançável do que é habitual. Tendo como mote os atentados de extremistas islâmicos ao metropolitano londrino a 7 de Julho de 2005, dos quais resultaram 52 vítimas e 700 feridos (daí o trocadilho do título do álbum, «London Undersound», com o London Underground), o disco é uma elegia aos mortos e a uma parte da cidade de Londres que «também morreu nesse dia». E o álbum é uma surpresa! Começa com dois temas pop («Days of Fire», com a participação de Natty, e «October Daze», com Tina Grace) e um terceiro («Bring It Home», com Imogen Heap) já com uma pulsão dançável mais imediatamente reconhecível de Nitin Sawhney. E depois entra... Paul McCartney, mas com uma voz quase irreconhecível, envelhecida, cansada mas cheia de alma na faixa «My Soul» – um tema com alusões a «A Day in the Life», dos Beatles (tema que encerra o álbum «Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band»), e uma certa atmosfera indiana. Numa outra canção há uma pulsão brasileira, a lembrar que este álbum também foi inspirado pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes às mãos da polícia inglesa, que o confundiu com um terrorista. E a seguir há rumba catalã e tablas indianas em «Shadowland», tema de colaboração com os Ojos de Brujo. E, à medida que o álbum avança, a presença da música indiana sente-se cada vez mais, com o canto tradicional konokol, a voz que parece saída de um filme de Bollywood de Reena Bhardwaj, ou a maravilhosa sitar de Anoushka Shankar no tema que encerra o disco. (*****)

MARIA JOÃO & MÁRIO LAGINHA
«CHOCOLATE»
Universal Music Portugal

Há comemorações e... comemorações. Há comemorações chatas, institucionais, preguiçosas, previsíveis e, logo, inúteis. E há comemorações vivas, felizes, brilhantes, inesperadas e, logo, inesquecíveis. E, na música, são cada vez mais raras as comemorações - sejam elas quais forem - que se enquadram na segunda categoria. Mas «Chocolate», o novo álbum de Maria João e Mário Laginha, entra de caras e directamente nesse segundo grupo. Porque é um disco que comemora 25 anos de trabalho e criação em conjunto - duas décadas e meia depois do pioneiro álbum do Quinteto de Maria João - mas, muito mais do que isso, é um álbum com um som novo, fresquíssimo, espelho mais que perfeito daquilo que os dois fizeram - e já fizeram tanto! - antes... e de tudo aquilo que ainda poderemos esperar deles, para um depois qualquer. Entre vários clássicos de sempre do jazz e derivados («Goodbye Pork Pie Hat», «I've Grown Accustomed to His Face», «I'm Old Fashioned», «When You Wish Upon a Star»...) e alguns originais compostos pelo duo, o álbum viaja, de forma perfeita, por vários géneros de jazz - alguns mais clássicos, outros mais free ou mais experimentais ou mais contemporâneos... -, e deixando sempre brilhar a voz de Maria João (nas palavras, nos sussurros, no scat, numa mais ampla e aberta gama de frequências que a faz chegar a inesperados e absolutamente bem-vindos registos graves), o piano excelentíssimo - e qual «grilo falante» em diálogo com a voz de Maria João - de Mário Laginha, o saxofone voador (seja ele gaivota, seja ele moscardo) de Julian Arguelles, as percussões mágicas de Helge Norbakken, e os seguríssimos cimentos que são o contrabaixo de Bernardo Moreira e a bateria de Alexandre Frazão. Mais que uma comemoração, «Chocolate» é uma... celebração. (*****)

06 novembro, 2008

Grão - Nova Editora Lança Discos de Maria João Quadros e El Fad


Tiago Torres da Silva - reconhecido poeta e letrista que já colaborou com variadíssimos artistas e compositores portugueses e brasileiros - fundou uma editora, a Grão, onde vai lançar projectos próprios ou exteriores ao seu trabalho mas com os quais se sente especialmente identificado. Para já, os primeiros lançamentos da Grão são um originalíssimo álbum da fadista Maria João Quadros, em que ela canta poemas de Tiago Torres da Silva musicados por compositores brasileiros, e um álbum ao vivo do projecto El Fad, do guitarrista José Peixoto (na foto).

«Fado Mulato», de Maria João Quadros, é um álbum único no universo do fado: aqui ela canta poemas de Tiago Torres da Silva (com duas excepções - uma letra de Paulo César Pinheiro e «Gota de Água», com letra e música de Chico Buarque), sobre fados compostos por vários autores brasileiros, nomeadamente Ivan Lins, Zeca Baleiro, Olivia Byington, Pedro Luís (de Pedro Luís e A Parede), Chico César e Francis Hime, entre outros. E neste álbum - que visita os universos do fado mas também os de vários géneros brasileiros, do tango e da música cabo-verdiana - participam como convidados especiais os cantores Tito Paris, Olivia Byington e Francis Hime, Custódio Castelo na guitarra portuguesa e Pedro Jóia e José Peixoto na guitarra clássica.

No projecto El Fad, do guitarrista e compositor José Peixoto - que nos últimos anos tem repartido o seu tempo pelos Madredeus, pelos Sal, por parcerias com Maria João ou Fernando Júdice, entre outros - participam também Carlos Zíngaro (violino), Miguel Leiria Pereira (contrabaixo) e Vicky (bateria). O álbum agora editado, «Vivo», foi gravado em concertos no Auditório Fernando Lopes Graça (Almada), Onda Jazz (Lisboa) e Tambor Q Fala (Seixal), realizados em Dezembro de 2007. O primeiro álbum do projecto El Fad tinha sido editado em 1988 com uma formação completamente diferente em que José Peixoto era acompanhado por Martin Fredebeul (saxofone alto e soprano, flauta e clarinete baixo), Klaus Nymark (trombone), Mário Laginha (piano e sintetizador), Carlos Bica (contrabaixo), José Martins (percussões e sintetizador) e Mário Barreiros (bateria).

22 outubro, 2008

Acordeões do Mundo - Abram-se os Foles em Torres Vedras


O Festival Internacional de Acordeões do Mundo, que começa este fim-de-semana em Torres Vedras, vai já na sua quinta edição. E, este ano, tem mais uma vez um programa hiper-apetecível. A informação completa, sacada directamente às Crónicas da Terra:

«O Município de Torres Vedras apresenta, entre os próximos dias 27 de Outubro e 10 de Novembro, a quinta edição do cada vez mais respeitado Festival Internacional de Acordeão. Além dos espectáculos musicais que este ano nos trazem a dupla finlandesa KRAFT de Pekka Kuusisto & Johanna Juhola (a 31 de Outubro, no Teatro-Cine), destaque para a residência artística que envolve o projecto Danças Ocultas, o gaucho Renato Borghetti e o búlgaro Martin Lubenov (e quem mais quiser participar, basta inscrever-se), que culminará, dia 7 de Novembro, com o espectáculo de diálogo entre estes três parceiros multinacionais do fole. Paralelamente, organização promove durante estes dias, ao fim da tarde (18h), as Merendas de Acordeão que resultam numa actuação e numa prova de vinhos, ou leitura de texto.

Eis o programa integral divulgado no site das Festas da Cidade de Torres Vedras:

Concertos
27 Outubro |Segunda | 21h30
Daniel Mille (França)
Teatro-Cine

Na galáxia dos músicos de jazz, Daniel Mille é um puro jazzman que junta em torno de si todos os públicos nos locais por onde passa. O compositor foi considerado o melhor artista instrumental por “Victoires du Jazz 2006” após 10 anos de carreira, tem várias participações em festivais e em álbuns de outros artistas e o espectáculo que nos vai apresentar baseia-se no seu último trabalho Aprés la pluie.

Ficha técnica Daniel Mille » acordeão e acordina
Alfio Origlio » piano
Jerome Regard » contrabaixo
Pascal Rey » percussão
Julien Atour » trompete/fliscorne

31 Outubro | Sexta | 21h30
KRAFT (Pekka Kuusisto & Johanna Juhola) (Finlândia)
Teatro-Cine

Os KRAFT estrearam-se em Julho de 2005 no festival Time Of Music, em Viitasaari.
O duo destaca-se pela comunicação musical e expressão sem género definido.
Os sons são produzidos por uma variedade de instrumentos que vão desde o violino e o acordeão à electrónica, jogo de sinos e voz. KRAFT mostram todos os tipos de música para pessoas que gostam de música de todos os tipos.

Ficha técnica Johanna Juhola » acordeão e piano
Pekka Kuusisto » violino, viola, violino electrico, voz, sampler e piano.

3 Novembro | Segunda | 21h30
Tango Quattro (Argentina)
Teatro-Cine

Este grupo de músicos argentinos surgiu no ano de 1996.
Aquilo que a principio foi um projecto artístico como forma de manter viva a própria cultura transformou-se numa necessidade de reafirmar a própria identidade e, acima de tudo, gostam de se assumir como um grupo de amigos.
O que se destaca em Tango Quattro é a sonoridade do autêntico tango que estes músicos conheceram desde as suas infâncias, tango que expressam com vigor e com a personalidade de um estilo inconfundível, inseparável das raízes que o tango possui e baseado em novos arranjos musicais com adaptações próprias. No seu reportório incluem-se todos os estilos desde a ‘velha guarda’ até Astor Piazzolla, passando por outros músicos de referência como Troilo, Salgan, Pugliese, Plaza e outros grandes maestros do tango, dos quais são absolutamente fiéis estilisticamente falando.

Ficha Técnica
Ezequiel Cortabarría » Flauta
Fabián Carbone » Bandoneón
Mario Soriano » Piano
José Luis Ferreyra » Contrabaixo
Adrián Rodríguez » Violoncelo

7 Novembro | Sexta | 21h30
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine

Este concerto será o resultado de 4 dias de residência artística na qual participaram artistas já conhecidos do público Torriense. O que se espera é uma conjugação sublime de distintos modos de tocar e de sentir a música, sonoridades que espelham uma troca enriquecedora de experiências.

10 Novembro | Segunda | 21h30
Duo ARTClac (Portugal)- Duo de Acordeão e Clarinete
Paulo Jorge Ferreira e Carlos Alves
Teatro-Cine

O “Sopro dos Botões” é um programa de apresentação deste duo constituído por dois artistas com uma enorme experiência em contextos extremamente diversificados. Esta proposta dá corpo, em boa medida, à visão de descoberta de novos mundos. Do Fado à música improvisada, passando por linguagens contemporâneas e por uma das facetas muito importantes deste grupo, a produção própria. Paulo Jorge Ferreira é, também, compositor e arranjador e uma das obras foi escrita especificamente para este duo.
Uma das características centrais deste programa é a sua versatilidade e adequabilidade a muitas situações diversas, desde o tradicional recital até à integração em mostras mais alargadas.

Programa

I Parte
Versionen – Werner Richter (Em dois movimentos)
Nuances a 2 – Paulo Jorge Ferreira
…para acordeão e clarinete – Rainer Glen Buschmann
­Barcarole ­Galopp ­Arie ­Tango ­Musette

II Parte
Improviso sobre melodias de Golijov – clarinete solo
Improviso – acordeão solo
Sonate – Wolfgang Hofmann ­Allegro ­Largo ­Vivace
“Ouvir Lisboa”( recriação de fados alusivos a Lisboa) – Paulo Jorge Ferreira

3 a 7 Novembro
Residência Artística
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine de Torres Vedras

‘O Festival Acordeões do Mundo apresenta-se este ano com mais uma inovação, a de proporcionar um espectáculo de estreia mundial com músicos internacionais e nacionais que já actuaram no festival.
Projecto que constitui uma renovação integral na apresentação de reportórios, conjuga e une distintos modos de tocar e de sentir num laboratório criado pare esse propósito. Propósito que pretende eleger de cinco em cinco anos um programa que possua a assinatura Torres Vedras, reunindo para isso um grupo de músicos (sempre que possível com a presença de portugueses) que tenha reunido o agrado do público deste Festival.
Importa aqui sublinhar o empenhamento e o entusiasmo de Artur Fernandes (Danças Ocultas) que desde a primeira hora apadrinhou e subscreveu este modelo de residência artística.’

Merendas do Acordeão - 18h

27 Outubro | Segunda | A Brasileira de Torres | José Cláudio | Concerto e prova de vinhos

28 Outubro | Terça | Pastelaria Havanesa | Vítor Apolo | Concerto e prova de vinhos

29 Outubro | Quarta | Café O Chave | Bianca Luz | Concerto e prova de vinhos

30 Outubro | Quinta | SaboreAr| João de Castro e João Domingo | Concerto e prova de vinhos

31 Outubro | Sexta | Restaurante Ferróbico | Catarina Brilha | Concerto e leitura de textos

3 Novembro | Segunda | Livraria Livrodia | Dora Tavares | Concerto e leitura de textos

4 Novembro | Terça | Casa Avó Gama | José António Martins | Concerto e leitura de textos

5 Novembro | Quarta |Bar da Câmara Municipal | Sofia Henriques | Concerto e prova de vinhos

6 Novembro | Quinta | Café O Sizandro | Vítor Apolo e Francisco Cipriano | Concerto e leitura de textos

7 Novembro | Sexta | Cervejaria O Gordo | Emanuel Crispim | Concerto e prova de vinhos

10 Novembro | Segunda | Adega O Manadinhas | Mário Paulo e João Paulo | Concerto e leitura de textos»

A magnífica foto dos Danças Ocultas que encima este post é da autoria de Mário Pires.

06 outubro, 2008

Cromos Raízes e Antenas XLV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XLV.1 - Sun Ra


Um dos mais importantes, originais e desviantes nomes do jazz, Sun Ra (nascido a 22 de Maio de 1914 no Alabama, Estados Unidos, como Herman Poole Blount mas adoptando depois como nome oficial Le Sony'r Sun Ra; falecido a 30 de Maio de 1993) foi compositor, teclista e líder de grandes e pequenas orquestras de jazz, nomeadamente da sua pessoalíssima Sun Ra Arkestra. Auto-baptizando-se com o nome de um deus egípcio, com uma filosofia de vida muito própria - teve sempre uma visão afro-centrista das questões sociais e políticas e dizia que tinha nascido no... planeta Saturno -, pioneiro no uso de sintetizadores no jazz, Sun Ra passeou a sua arte livremente pelo be-bop, pelo free jazz, pelo experimentalismo, passando muitas vezes por diversificadas alusões às músicas do mundo, nomeadamente à música africana, asiática e latino-americana, principalmente nos últimos anos da década de 50 e os primeiros da década de 60.


Cromo XLV.2 - Dissidenten


Na vanguarda da fusão do rock e das electrónicas com músicas de variadíssimas paragens do planeta Terra, os alemães Dissidenten iniciaram a sua carreira em 1981, em Berlim, com uma formação que incluía Friedo Josch (teclas, instrumentos de sopro), Uve Müllrich (voz, guitarra, baixo e oud) e Marlon Klein (voz, bateria, percussões, teclas). E, ao longo da sua carreira de quase trinta anos, este trio - que continua ainda agora a conduzir os destinos do grupo - cruzou a sua música com inúmeras outras músicas e inúmeros outros músicos, passando pela Índia, por Marrocos, por Espanha, pelo Havai, pela música dos índios norte-americanos... e por grupos e artistas como o Karnataka College Of Percussion, Jil Jilala, Nass El Ghiwane, Royal Orchestra of Rabat, Trilok Gurtu, Manu Gallo, Tomás San Miguel e por DJs como Shantel ou Badmarsh. Uma celebração global!


Cromo XLV.3 - Sheng


Conta a lenda que o sheng - também conhecido como «órgão de boca chinês» - serviu de inspiração para a harmónica, o acordeão e o harmonium. Uma lenda que tem tudo para ser verdadeira se atendermos à complexidade deste instrumento, inventado na China há cerca de cinco mil anos. O sheng tradicional consiste numa câmara - feita de madeira ou marfim - onde o tocador sopra, ligada a vários tubos feitos de bambu. Cada tubo tem um orifício e, no seu interior, uma palheta livre, proporcionando o conjunto dos tubos uma variedade de timbres notável. Usado em grandes orquestras - nomeadamente nas que acompanham a Ópera chinesa -, em pequenas formações ou por intérpretes a solo, o sheng - que, em tempos mais recentes evoluiu dos seus 17 tubos originais para variações com 21, 24 ou 36 tubos - continua a ter um lugar ímpar na música chinesa e de outros países do Extremo Oriente, havendo actualmente inúmeras escolas que ensinam a sua arte.


Cromo XLV.4 - Tito Puente


Nome maior da música latino-americana do séc. XX, Tito Puente (nascido Ernesto Antonio Puente Jr, a 20 de Abril de 1923; falecido a 31 de Maio de 2000) foi um dos músicos e compositores a dar maior visibilidade mundial a géneros como o mambo, a salsa ou o jazz latino e, também, aos tímbales - seu instrumento de eleição, embora tenha usado também o vibrafone, congas, piano, saxofone e clarinete. Nascido e criado em Nova Iorque, Estados Unidos, filho de pais porto-riquenhos, ao longo da sua extensa carreira - composta por mais de cem álbuns gravados e inúmeras actuações em todo o mundo - foi muitas vezes considerado como «o rei da música latino-americana», arrecadou variadíssimos prémios (incluindo cinco Grammys) e a sua música integrou vários filmes e séries televisivas, nomeadamente «Os Reis do Mambo», «Os Simpsons» e «Calle 54». «Dance Mania», o seu álbum de 1958, é absolutamente imprescindível.

25 março, 2008

Cachao - Morreu Um dos Reis do Mambo


O contrabaixista e compositor cubano Israel «Cachao» López, um dos inventores do mambo, morreu este fim-de-semana em Coral Gables, na Flórida, Estados Unidos. Tinha 89 anos e deixou atrás de si um rasto de centenas de canções compostas por ele - a solo ou em parceria com o pianista e violoncelista Orestes López, seu irmão. A aceleração, inventada por Chachao e Orestes, do ritmo tradicional cubano danzón daria origem ao mambo ainda nos anos 30 do séc.XX - o mambo que, por sua vez, estaria na origem da salsa e de outros ritmos modernos cubanos. Outra inovação de Cachao foi a introdução das «descargas» nos anos 50: as «descargas» eram jam-sessions em que os músicos misturavam ritmos afro-cubanos, canções tradicionais cubanas e jazz, um «cocktail» que viria a influenciar a salsa mas igualmente muito do jazz latino que se seguiria. Morreu uma lenda.

08 fevereiro, 2008

Cromos Raízes e Antenas XXXVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXVIII.1 - Trilok Gurtu


Trilok Gurtu (nascido em Bombaim, Índia, a 30 de Outubro de 1951) é baterista, percussionista e, acima de tudo, um mestre incontestado da arte de bem tocar tablas, o instrumento de percussão mais emblemático do seu país. Músico, compositor, homem de olhos abertos para o mundo - e com os olhos do mundo sempre atentos ao que ele faz - Trilok sente-se tão à vontade a reinventar as músicas tradicionais indianas como em palcos e estúdios que partilha com músicos e cantores do jazz, do rock, da fusão, da world music. Já tocou com gente tão diferente como Terje Rypdal e Dulce Pontes, John McLaughlin e Don Cherry, Joe Zawinul e Robert Miles... ou no histórico colectivo Tabla Beat Science (com outras luminárias como Bill Laswell, Karsh Kale e Talvin Singh) e em parceria com o grupo italiano Arkè String Quartet. Um génio.


Cromo XXXVIII.2 - Led Zeppelin


Inventores absolutos da corrente hard-rock/heavy-metal - juntamente com os Deep Purple e os Black Sabbath -, os Led Zeppelin nasceram em Setembro de 1968, em Londres, Inglaterra, integrados na enorme fornada de músicos brancos, ingleses, que iam aos Estados Unidos e aos blues negros buscar a sua inspiração maior. Copiando (muitas vezes pilhando descaradamente) e reinventando essa música de origem ancestral africana, os Led Zeppelin - Robert Plant (voz), Jimmy Page (guitarras), John Paul Jones (baixo) e John Bonham (bateria) - criaram, até 1980 (ano do seu desaparecimento como banda), um «corpus» musical onde, aos blues e ao rock, muitas outras músicas se juntaram: reggae, a música folk britânica (inesquecível o tema com Sandy Denny, «The Battle of Evermore», no quarto álbum da banda) e as músicas do mundo, desde a indiana à música árabe («Kashmir», do álbum «Physical Graffiti», é um belíssimo exemplo).


Cromo XXXVIII.3 - Mory Kanté


E, de repente, as pistas das discotecas - nessa segunda metade da década de 80 -, mais habituadas ao electro, ao euro-disco ou à nascente house music, abriam-se a uma música africana, «Yéké Yéké», que entrava ali como faca em manteiga, mesmo que a faca estivesse revestida de alguns símbolos incompreensíveis. O tema era assinado por Mory Kanté e escondia uma grande história: a de um músico nascido numa das melhores famílias de griots da Guiné-Conacri, Mory Kanté, cantor, especialista na antiga arte de tocar kora mas fascinado pelos ritmos ocidentais. Mory nasceu em Kissidougou, na Guiné-Conacri, a 29 de Março de 1950, mas foi no Mali que aprendeu a tocar kora ainda durante a infância. E foi no Mali que, ao lado de Salif Keita, fez parte da lendária Super Rail Band, em Bamako. Uma lenda que continuou, anos depois, quando editou álbuns em nome próprio e se tornou um dos mais respeitados artistas africanos na Europa e nos Estados Unidos.


Cromo XXXVIII.4 - Sevara Nazarkhan


Diva maior da música do Uzbequistão, Sevara Nazarkhan é uma cantora, instrumentista e compositora que transporta consigo a música da «rota da seda» - e quantos trocadilhos se poderiam fazer, a partir do nome deste tecido, com a sua própria voz! -, abrindo-a, com subtileza e elegância, a outras músicas. Nascida em Andijan, no vale de Fergana, Sevara começou por cantar num quarteto de vozes femininas antes de se lançar numa frutuosa carreira a solo em que canta, compõe e toca doutar (o alaúde, com apenas duas cordas, da Ásia Central). Acolhida no seio da Real World, a editora fundada por Peter Gabriel, editou em 2003 o aclamadíssimo álbum «Yo'l Bo'lsin», produzido por Hector Zazou - ao qual se seguiram «Bu Sevgi» (2006) e «Sen» (2007) -, e colaborou, entre outros nomes, com os Afro Celt Sound System. Ela e a sua música têm uma beleza rara.

04 dezembro, 2007

Blasted Mechanism, Terrakota, Tora Tora Big Band... Todos no Mundo Dakar


O Rally Dakar, organizado pelo Euromilhões, tem uma grande festa de apresentação marcada para este fim-de-semana, na zona ribeirinha de Santos, em Lisboa, transformada para o efeito num local «mítico» algures no deserto do Sahara, cheio de dunas, de camelos, de chá de menta, de tatuagens de hena, de comida do norte de África e de muitas músicas e muitos sons: concertos, no sábado, dia 8, com os Blasted Mechanism (na foto), Terrakota e Kumpa'nia Al-gazarra; e no domingo, dia 9, com a Tora Tora Biga Band, Orquestra de Jazz de Matosinhos e Led On (projecto de tributo aos Led Zeppelin). Em ambos os dias há sessões temáticas de DJing: «Músicas do Mundo» (com Raquel Bulha e, hermmmm, pois, António Pires) e «Rock do Asfalto ao Deserto» (com Luís Filipe Barros e António Freitas). O Mundo Dakar - assim se chama a iniciativa -, está aberto das 14h00 à meia-noite e inclui ainda uma exposição de motos, jipes e camiões participantes no Rally e outra de bólides clássicos.

12 novembro, 2007

Dee Dee Bridgewater - Entre a América e África (Com Paragem no Porto)


A fabulosa cantora de jazz (e outras músicas) Dee Dee Bridgewater dá um concerto na Casa da Música, Porto, dia 15 de Dezembro. E, apesar de se apresentar com a Orquestra de Jazz de Matosinhos, nos desejos secretos de muitos dos seus fãs encontram-se os temas do recente, e excelente!, álbum «Red Earth (A Malian Journey)», em que faz a ponte (passe a quase piada...) entre a música negra norte-americana e a música da África Ocidental e onde é acompanhada por uma equipa luxuosíssima: Oumou Sangaré, Toumani Diabaté, Bassekou Kouyaté, Djelimady Tounkara, Mamani Keita, Baba Sissoko, entre muitos outros. Mas, mesmo que nenhum deles esteja com ela na Casa da Música, o desejo de que interprete pelo menos alguns dos temas deste disco mantém-se. Dee Dee Bridgewater - que iniciou a sua carreira em 1970, cantando à frente da Orquestra de Thad Jones e Mel Lewis, tendo gravado ou actuado também com luminárias do jazz como Sonny Rollins, Dizzy Gillespie, Dexter Gordon, Max Roach ou Roland Kirk - tanto vai ao jazz como à música francesa e outras músicas, é também actriz, apresentadora de rádio (sucedeu a Branford Marsalis na apresentação do programa «Jazzset», da NPR) e embaixadora da FAO (a organização das Nações Unidas para o desenvolvimento da agricultura nos países pobres). Mais informações, aqui.

18 outubro, 2007

Tinariwen e Vieux Farka Touré - O Deserto Aqui Tão Perto


E mesmo que não se possa ir ao deserto, o deserto pode vir até nós: é já amanhã, dia 19, que a fabulosa banda de músicos tuaregues Tinariwen (na foto) regressa a Lisboa para um concerto integrado na extensão que passa pela Europa e pelos Estados Unidos do Festival au Désert. Mas, como é sabido, não vêm sozinhos: na primeira parte terão o músico e cantor maliano Vieux Farka Touré, filho de Ali Farka Touré mas já senhor de uma voz própria e que o destaca da sombra tutelar do seu pai. Prevê-se mais uma noite inesquecível de música africana, desta vez no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, num fim-de-semana a que o CCB chama 3=6 (3 Dias, 6 Concertos, Muitas Músicas) e que inclui ainda espectáculos do flautista português Rão Kyao acompanhado pelo intérprete chinês de peipá Yanan (amanhã, no Pequeno Auditório), da pianista clássica Anne Kaasa (sábado, no Pequeno Auditório), do pianista de jazz Chick Corea (sábado, no Grande Auditório), do fadista Pedro Moutinho (domingo, no Pequeno Auditório) e da pop inteligente e encantatória do antigo vocalista dos Japan, David Sylvian (domingo, no Grande Auditório). Ainda antes do concerto em Lisboa, os Tinariwen e Vieux Farka Touré apresentam-se hoje, dia 18, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

04 outubro, 2007

Festival Acordeões do Mundo - Correntes de Ar em Torres Vedras


De 28 de Outubro a 11 de Novembro decorre no Teatro-Cine de Torres Vedras, o IV Festival Acordeões do Mundo, com mais um excelente programa em que o acordeão é rei e senhor. Dia 28 de Outubro, o festival começa com o acordeonista francês Jean-Louis Matinier, seguindo-se, dia 31, o também francês, mas de origem portuguesa, René Sopa; ambos praticantes de um jazz colorido com muitas outras músicas. Dia 3 de Novembro, actua o celebradíssimo acordeonista italiano Riccardo Tesi acompanhado pela sua Banditaliana. Dia 6, é a vez do pianista e acordeonista Tomás San Miguel & Txalaparta (Espanha/País Basco), para mostrar que a arte do acordeão no país vizinho não começa nem acaba na trikitixa de Kepa Junkera. E dia 9, o festival encerra - mas apenas no «palco principal» - com o excelente tango aberto (jazz, rock, música erudita...) e de contornos electrónicos dos Tango Crash (na foto), colectivo que reúne músicos da Argentina, Alemanha e Suiça. Paralelamente, decorrem os «bailes do acordeão», com dois grupos portugueses: os Alfa Arroba (dia 1 de Novembro, à tarde, na Adega do Maxial) e os Fol&Ar (um dia depois, também à tarde, no Clube Artístico e Comercial), oficinas musicais (nos fins-de-semana de 3 e 4 e 10 e 11 de Novembro) e um concurso de tocadores de acordeão. Mais informações aqui.

18 setembro, 2007

Jazzin'Tondela com Magic Malik e Richard Bona!



Surpreendente, e importante, é o elenco do próximo Festival Jazzin'Tondela, que decorre de 4 a 6 de Outubro com concertos do flautista marfinense Magic Malik, do duo de Sofia Ribeiro e Marc Demuth, do pianista Mário Laginha e do grande baixista camaronês Richard Bona (na foto, de Ian Abela), com organização da ACERT. Dia 4, o festival começa com Magic Malik (Malik Mezzadri) - ele que se move tão bem nos meandros do jazz como da house ou do reggae via participações em álbuns de Groove Gang, Human Sipirit ou Saint Germain -, acompanhado por Jean-Luc Lehr (baixo), Maxime Zampieri (bateria) e Jozef Dumoulin (piano e teclados), e com o duo da cantora portuguesa Sofia Ribeiro e do contrabaixista luxemburguês Marc Demuth, que vêm apresentar o seu álbum «Dança da Solidão», num espectáculo em que cabem versões de temas de autores tão diferentes quanto Milton Nascimento, Carl Perkins, Cole Porter ou Janita Salomé. Dia 5, concerto único com o Trio liderado pelo pianista Mário Laginha (o habitual cúmplice de Maria João) e do qual também fazem parte outros dois «monstros» do jazz feito em Portugal: o baterista Alexandre Frazão e o contrabaixista Bernardo Moreira, que apresentam o álbum «Espaço». Finalmente, no dia 6, o palco é ocupado por Richard Bona, cantor e multi-instrumentista mas especialmente um enorme baixista, que ao longo da sua carreira tem feito uma viagem admirável entre o jazz, a música africana, o funk, o experimentalismo... Para se ter uma ideia, veja-se só alguns dos nomes com quem já colaborou: Didier Lockwood, Manu Dibango, Salif Keita, o recém-falecido Joe Zawinul, Lokua Kanza, Pat Metheny, Herbie Hancock, Chick Corea, Sadao Watanabe, Branford Marsalis, Regina Carter e Bobby McFerrin. Em Tondela, Bona será acompanhado por Etienne Stadwijk (teclados), Adam Stoler (guitarra), Taylor Haskins (trompete) e Samuel Torres (percussão). Mais informações aqui.

23 maio, 2007

Jacky Molard, Norkst e Erik Marchand - Novos Sons da Bretanha (e do Mundo)



A Bretanha, zona «celta» do hexágono francês, tem uma história musical riquíssima bem representada nas tradicionais Bagads (as fanfarras «armadas» de gaitas-de-foles, bombardas e tambores) ou em artistas e grupos que estiveram na vanguarda - umas vezes melhor, outras vezes pior - da reinvenção da folk bretã como Alan Stivell, Tri Yann, Dan Ar Braz, Gwendal, Kornog ou Strobinell. Uma recente fornada de discos vinda da editora Innacor - e com dois dos projectos presentes no FMM de Sines -, mostra como a música da Bretanha (e dos outros locais que estes músicos visitam) está viva e em permanente renovação: Norkst, Jacky Molard Acoustic Quartet (na foto) e Erik Marchand.


ERIK MARCHAND
«UNU DAOU TRI CHTAR»
Innacor Records

O cantor e clarinetista parisiense de ascendência bretã Erik Marchand tem uma longuíssima carreira na renovação da música feita na região onde estão as suas raízes mais profundas. Apaixonado desde muito novo pelas músicas das festoù-noz (os bailes populares da Bretanha), Marchand fez recolhas no terreno, aprendeu a tocar biniou (gaita-de-foles) e o canto tradicional bretão, estabeleceu-se na Bretanha e envolveu-se em inúmeros projectos musicais, nomeadamente o importante grupo Gwerz, várias parcerias com Thierry «Titi» Robin e colaborações com o projecto Celtic Procession de Jacques Pellen e grupos de Tarafs ciganos da Roménia. E todo este «background» de Marchand ajuda a compreender melhor a riqueza e diversidade da música contida no seu recente álbum «Unu Daou Tri Chtar», em que é acompanhado pelo violinista francês Jacky Molard (outro nome de proa da música bretã) e dois músicos ciganos: o saxofonista romeno Costica Olan (no sax tradicional taragot) e o acordeonista sérvio Viorel Tajkuna. E o resultado, irresistível e muitas vezes dançável, é uma mistura orgânica de música cigana do Leste europeu (Roménia, Sérvia, Moldávia), klezmer, música tradicional bretã e até uma homenagem a Jacques Brel (na versão de «Jaures»), tudo sempre muito bem cantado e tocado. (8/10)


JACKY MOLARD
«ACOUSTIC QUARTET»
Innacor Records

Também com uma carreira musical bastante longa (cerca de trinta anos), o violinsita Jacky Molard - que deixa a sua marca, forte, no referido álbum de Erik Marchand (e com quem também trabalhou durante muitos anos nos Gwerz) - tem neste disco em nome próprio, «Jacky Molard Acoustic Quartet», uma presença naturalmente mais efectiva, tanto como instrumentista quanto como compositor ou arranjador dos temas tradicionais que o quarteto interpreta. Com Molard (violino) estão neste álbum Yannick Jory (saxofones alto e soprano), Hélène Labarrière (contrabaixo) e Janick Martin (acordeão diatónico). Quarteto aberto a muitas músicas - das danças tradicionais bretãs (que comungam de muitos pontos comuns com as danças irlandesas e escocesas, numa irmandade «celta» que é conhecida), ao jazz de vanguarda (há alguns momentos noisy e bastante experimentais no álbum, a competir de igual para igual com outros extremamente líricos e «paisagísticos», com um swing imparável em «Just Around The Window» ou com um reel «celta» saído da Knitting Factory, «Aky's Reel»), à música erudita e a outros sons, com o klezmer e a música cigana de Leste (cf. em «Nishka Bania») em evidência. Molard é um violinista fabuloso (tanto quando se atira à tradição como quando vai à improvisação, em que se aproxima bastante do nosso Carlos Zíngaro) e o resto do grupo é também muitíssimo bom. (9/10)


NORKST
«KREIZ BREIZH AKADEMI»
Innacor Records

Uma espécie de «big band» nascida na Kreiz Breizh Akademi (academia de música tradicional da Bretanha) - e daí o título do álbum -, os Norkst (ou 'Norkst') agrupam uma infinidade de alunos e professores desta academia, sob a direcção de Erik Marchand, que também contou com a colaboração de Thierry «Titi» Robin, Ross Daly, Hasan Yarimdunia e alguns outros nas composições e arranjos e com Jacky Molard nas misturas do disco (isto está tudo ligado, como se pode ver). Com Simone Alves (portuguesa? brasileira?), Eric Menneteau e Christophe Le Menn como vocalistas, os Norkst têm a música e os cantos tradicionais (kan ha diskan, desgarrada, gwerzioù...) da Bretanha como ponto de partida para uma música aberta e livre em que se junta a improvisação e os solos do jazz às «taksimleri» da música oriental - há por aqui várias sugestões de música turca e paquistanesa, por exemplo -, a música medieval e renascentista (cf. em «Before Bac'h») e algumas vezes uma abordagem rock dos temas interpretados (cf. em «Ton Doubl»). Tudo feito com inúmeros instrumentos: harpa, biniou (gaita-de-foles), violinos, acordeão cromático e diatónico, clarinete, percussões, as estridentes bombardas tradicionais, contrabaixo, guitarras e flautas. E com uma alegria, uma fruição e uma liberdade extraordinárias. (9/10)

17 maio, 2007

Blasted Mechanism, Terrakota, Tora Tora Big Band - Fusão, Fusão (Sem Confusão)



Uns vão mais ao rock e às electrónicas, outros mais ao reggae, outros mais ao jazz, mas estes três grupos portugueses (ou de músicos de variadíssimas nacionalidades radicados em Portugal) têm sempre muitas outras músicas deste mundo como elementos fundamentais da sua música, nela integrados com propriedade e saber. E, diga-se, também por isso são dos melhores grupos musicais que existem no nosso país. Para conferir em disco e, ainda mais, nos fabulosos concertos que todos eles - os Blasted Mechanism, os Terrakota (na foto) e a Tora Tora Big Band - dão.


BLASTED MECHANISM
«SOUND IN LIGHT»
Toolateman/Universal Music Portugal

Já não é novidade para ninguém que os Blasted Mechanism são uma das mais amadas e acarinhadas bandas, digamos, rock, em Portugal, donos de um culto e de uma paixão que arrasta atrás de si dezenas de fãs por todo o lado. A sua história, já com cerca de quinze anos, é feita de uma música híbrida, excitante, verdadeira (e verdadeira mesmo quando se possa pensar em eventuais «artifícios» como os fatos ou as encenações), que já os levou a milhentos caminhos musicais, do rock ao trance ou à música balcânica; de uma mensagem que faz, sempre, as pessoas pensar (por muitos mistérios e esoterismos que contenha); de uma ideia global de música, imagem, palavra e ideologia. Uma arte global. E «Sound in Light», o novo álbum, é mais um capítulo daquela que, esperamos, seja a «never ending story» dos Blasted. Neste álbum - e falando apenas do CD «oficial», não do segundo que é possível descarregar da net -, os BM apuram, com subtileza e «savoir faire», vários caminhos já trilhados e avançam por alguns outros, fundindo coerentemente rock tribal e charangas balcânicas, banghra e punk, glam e guitarra portuguesa, som mestiço e rock progressivo, transes hipnóticos, dub, psicadelismo, shoegazing e variadíssimos delírios globais. E, ainda por cima, se garimparmos bem pelo meio dos arranjos quase «wall of sound» de cada tema, encontraremos, sempre, grandíssimas canções! (9/10)


TERRAKOTA
«OBA TRAIN»
Gumalaka/Matarroa

Grupo-irmão (ou, pelo menos, primo) dos Blasted Mechanism - alguns dos Terrakota estiveram no início dos Blasted, o novo álbum foi gravado no Toolateman, estúdio pertença dos BM, e os dois grupos partilham o mesmo engenheiro-de-som (Dominique Borde) -, os Terrakota assinam em «Oba Train», o seu terceiro álbum oficial, o melhor disco que alguma vez fizeram. Em «Oba Train» a música dos Terrakota está mais encorpada, coerente, realista (no sentido de «mais próxima das realidades musicais que visitam»), riquíssima em variações, nuances e inesperadas misturas. E com um cada vez maior domínio dos muitos instrumentos «étnicos» que os músicos tocam e da voz (nunca Romi cantou tão bem como neste disco!). Sempre com uma fortíssima carga política e interventiva nas suas canções (que falam de corrupção, emigração, racismo... e em variadíssimas línguas), os Terrakota viajam por variadíssimos territórios musicais, muitas vezes unindo dois ou mais continentes diferentes: salsa, música mandinga, som mestiço, hip-hop (com a ajuda de Ikonoklasta, do Conjunto Ngonguenha, e Conductor, do Conjunto Ngonguenha e dos Buraka Som Sistema), uma sitar a dar colorações indianas, a utilização de separadores-unificadores (à maneira de Manu Chao ou Radio Zumbido), gnawa, flamenco, variadíssimo ritmos jamaicanos (com o inesperado U-Roy a «toastar» num tema) e africanos, etc, etc... Uma viagem que é de viajante e não de turista - e acho que se percebe perfeitamente qual é a diferença. (9/10)


TORA TORA BIG BAND
«TORA TORA CULT»
Music Mob


E mais um raccord, óbvio, entre estas três bandas: o italiano Francesco (contrabaixo) e os portugueses Davide (bateria) e Junior (percussões) são peças fundamentais dos Terrakota e da... Tora Tora Big Band, um colectivo transnacional que ainda integra músicos vindos do Brasil, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos. São seis nações e doze músicos, mas os números ainda se inflacionam mais se às contas juntarmos os convidados presentes em «Tora Tora Cult», o segundo álbum do colectivo, e as músicas por onde eles passam. Quase todos com escola feita no jazz - e o nome de família Big Band não engana -, a Tora Tora Big Band não se fecha no swing que a designação indicia (embora haja swing e outras formas de jazz com fartura) e abre-se convictamente a outras músicas. Mais global ainda do que o álbum de estreia, homónimo, o novo álbum da TTBB leva-os do jardim do Éden a vários «jazzes» (como o jazz de fusão à Herbie Hancock, com uma «mano» dada pela espanholíssima cantora Silvia, dos Bad Lovers & Hysteria Ibérica) e também à música brasileira («Velho Samba», com a cantora Kika Santos, que também «protagoniza» o fabuloso «Elephants Run»), ao reggae, à música africana (com o cantor moçambicano André Cabaço a brilhar em «Moca Man»), a uma milonga fumarenta, uma valsa saída do Metro do Martim Moniz e remisturas electrónicas, no disco-bónus, a dar um final feliz a isto tudo. (9/10)

Nota: o concerto de lançamento do álbum dos Terrakota é na Aula Magna, em Lisboa, dia 31 deste mês.