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19 julho, 2007

FMM de Sines - Falta Um Dia!



A um dia do início do FMM de Sines - começa amanhã, sexta-feira, na sua extensão em Porto Covo, e o Raízes e Antenas promete contar muito do que por lá se vai passar -, aqui fica a recuperação do fabuloso programa do festival: A 9ª edição do Festival Músicas do Mundo de Sines - que decorre de 20 a 28 de Julho - é, mais uma vez, promessa de grandes, grandes concertos, nos vários palcos que lhe vão servir de cenário (Porto Covo e, em Sines, o Castelo, a Avenida da Praia e o Centro de Artes). Com organização da Câmara Municipal de Sines, a programação do FMM deste ano inclui concertos dos Galandum Galundaina (Portugal), Darko Rundek & Cargo Orkestar (Sérvia/França) e Etran Finatawa (Níger), dia 20, em Porto Covo; Don Byron (a fazer versões de Junior Walker, Estados Unidos), Mamani Keita & Nicolas Repac (Mali/França) e Deti Picasso (Arménia/Rússia), dia 21, em Porto Covo; Djabe (Hungria), Rão Kyao & Karl Seglem (Portugal/Noruega) e Haydamaky (Ucrânia), dia 22, em Porto Covo; Marcel Kanche (França) e Ttukunak (País Basco), dia 23, no Centro de Artes; Lula Pena (Portugal) e Jacky Molard Acoustic Quartet (Bretanha), dia 24, no Centro de Artes; Trilok Gurtu (Índia), Bellowhead (Inglaterra) e Oumou Sangaré (Mali), no Castelo, e Oki Ainu Dub Band (Japão), na Av. da Praia, dia 25; Harry Manx (Canadá), na Av. da Praia, e Carlos Bica & Azul (com o DJ Ill Vibe, Portugal/Estados Unidos/Alemanha), Tartit (Mali) e Mahmoud Ahmed (Etiópia) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, Bitty McLean (Inglaterra; infelizmente sem Sly Dunbar & Robbie Shakespeare, devido a um acidente de Robbie), dia 26; Aronas (Nova Zelândia/Austrália), na Av. da Praia, e Hamilton de Holanda Quinteto (Brasil), World Saxophone Quartet (com as sonoridades do álbum «Political Blues»; Estados Unidos) e Rachid Taha (Argélia/França; na foto) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, La Etruria Criminale Banda (Itália), dia 27; Norkst (Bretanha), na Av. da Praia, e Erika Stucky & Roots of Communication (Suiça), K'naan (Somália; na foto) e Gogol Bordello (Estados Unidos/Ucrânia) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, Senõr Coconut (Chile/Alemanha), dia 28. Pelas ruas de Sines toca, dias 25 e 26, o Hypnotic Brass Ensemble (Estados Unidos). E para dançar até de madrugada, os últimos quatro dias de festival têm também, na Av. da Praia, sessões de DJ por, huuuum, António Pires & Gonçalo Frota (dia 25), Raquel Bulha & Álvaro Costa (dia 26), DJ Mankala & Freestylaz (dia 27) e Bailarico Sofisticado (dia 28). Ainda há uma exposição de fotografia de Kiluanji kia Henda, «Ngola Bar», um ciclo de cinema dedicado ao tema «Música e Trabalho» - que inclui alguns episódios da mítica série «Povo Que Canta», de Michel Giacometti -, conversas com alguns dos artistas presentes e workshops para crianças coordenados, também, por alguns dos artistas (exemplo: dia 23, as irmãs Maika e Sara Gómez, as Ttukunak, dirigem um workshop de txalaparta). É um programa fabuloso! Mais informações aqui.

22 maio, 2007

FMM de Sines - E Agora, Tudo!



A 9ª edição do Festival Músicas do Mundo de Sines - que decorre de 20 a 28 de Julho - foi oficialmente apresentada há poucas horas e é, mais uma vez, promessa de grandes, grandes concertos, nos vários palcos que lhe vão servir de cenário (Porto Covo e, em Sines, o Castelo, a Avenida da Praia e o Centro de Artes). Com organização da Câmara Municipal de Sines, a programação do FMM deste ano inclui concertos dos Galandum Galundaina (Portugal), Darko Rundek & Cargo Orkestar (Sérvia/França) e Etran Finatawa (Níger), dia 20, em Porto Covo; Don Byron (a fazer versões de Junior Walker, Estados Unidos), Mamani Keita & Nicolas Repac (Mali/França) e Deti Picasso (Arménia/Rússia), dia 21, em Porto Covo; Djabe (Hungria), Rão Kyao & Karl Seglem (Portugal/Noruega) e Haydamaky (Ucrânia), dia 22, em Porto Covo; Marcel Kanche (França) e Ttukunak (País Basco), dia 23, no Centro de Artes; Lula Pena (Portugal) e Jacky Molard Acoustic Quartet (Bretanha), dia 24, no Centro de Artes; Trilok Gurtu & Arkè String Quartet (Índia/Itália), Bellowhead (Inglaterra) e Kasai All Stars (Congo), no Castelo, e Oki Ainu Dub Band (Japão), na Av. da Praia, dia 25; Harry Manx (Canadá), na Av. da Praia, e Carlos Bica & Azul (com o DJ Ill Vibe, Portugal/Estados Unidos/Alemanha), Tartit (Mali) e Mahmoud Ahmed (Etiópia) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, Bitty McLean com Sly Dunbar & Robbie Shakespeare (Inglaterra/Jamaica), dia 26; Aronas (Nova Zelândia/Austrália), na Av. da Praia, e Hamilton de Holanda Quinteto (Brasil), World Saxophone Quartet (com as sonoridades do álbum «Political Blues»; Estados Unidos) e Rachid Taha (Argélia/França; na foto) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, La Etruria Criminale Banda (Itália), dia 27; Norkst (Bretanha), na Av. da Praia, e Erika Stucky & Roots of Communication (Suiça), K'naan (Somália) e Gogol Bordello (Estados Unidos/Ucrânia) no Castelo, e de volta à Av. da Praia, Senõr Coconut (Chile/Alemanha), dia 28. Para dançar até de madrugada, os últimos quatro dias de festival têm também, na Av. da Praia, sessões de DJ por, huuuum, António Pires & Gonçalo Frota (dia 25), Raquel Bulha & Álvaro Costa (dia 26), DJ Mankala & Freestylaz (dia 27) e Bailarico Sofisticado (dia 28). E ainda há uma exposição de fotografia de Kiluanji kia Henda, «Ngola Bar», um ciclo de cinema dedicado ao tema «Música e Trabalho» - que inclui alguns episódios da mítica série «Povo Que Canta», de Michel Giacometti -, conversas com alguns dos artistas presentes e workshops para crianças coordenados, também, por alguns dos artistas (exemplo: dia 23, as irmãs Maika e Sara Gómez, as Ttukunak, dirigem um workshop de txalaparta). É um programa fabuloso! Mais informações aqui.

21 abril, 2007

Kultur Shock, OMFO, Haydamaky, Kerekes Band - Tudo de Novo a Leste



Apesar de, durante os anos de vigência do socialismo nas antigas repúblicas dos países de Leste, por lá terem surgido muitos artistas e grupos musicais, mais ou menos clandestinos, que iam ao rock buscar a sua inspiração - dos húngaros Omega (inesperados estandartes do rock sinfónico) ao cantor russo Boris Grebenshikov ou aos polémicos jugoslavos Laibach, entre muitos outros -, a verdade é que a queda do Muro de Berlim ajudou bastante à proliferação, aos milhares, de projectos musicais de músicos dos países de Leste que têm no rock e derivados (do punk à electrónica e ao funk) a sua inspiração e nas músicas tradicionais a sua âncora ao local de origem. Assim de cabeça, Yat-Kha, DJ Shantel, Emir Kusturica, Warsaw Village Band, Gogol Bordello ou Korai Orom são apenas alguns exemplos que vêm imediatamente à memória. E neste lote que apresento hoje - Kultur Shock, OMFO (na foto), Haydamaky e Kerekes Band - há lugar para muita música diferente mas as raízes, essas, estão lá sempre.


HAYDAMAKY
«UKRAINE CALLING»
Eastblock Music/Indigo

Efeito perverso de como, por vezes, gravar para uma multinacional pode condicionar a difusão da música é o facto de os ucranianos Haydamaky - que têm dois álbuns gravados para a EMI - só terem chegado a mais ouvidos um pouco por todo o lado ao terceiro álbum, este «Ukraine Calling», através de uma independente. Mas, se calhar, isto vai perfeitamente de encontro à música do grupo: uma música que nunca, jamais, poderia ter barreiras de espécie nenhuma. Uma música poderosíssima, electrizante, quase diabólica no modo como consegue unir variadíssimas linguagens «ocidentais» - o rock entendido em sentido lato e mais especificamente o punk, os evangelhos da música jamaicana (ska, reggae, dub, rocksteady) - e a sua música local, ucraniana, com todas as ligações imaginárias ou concretas a músicas vizinhas, da música russa às charangas ciganas balcânicas. Mas o mais espantoso nisto tudo é que os Haydamaky - quase sempre em alta velocidade, só por vezes descendo a uma música mais lenta e encantatória (como na lindíssima e arrepiante «Pid Oblachkom») - conseguem fazer disto tudo e da sua mistura uma música verdadeira, única, orgânica, por vezes violentíssima e... inesquecível. Relembre-se o que os Pogues conseguiram com a sua mistura de punk (e outras músicas) com a folk irlandesa e pode-se, transpondo-se isto para a escala ucraniana, imaginar o que sai daqui. (9/10)


OMFO
«WE ARE THE SHEPHERDS»
Essay Recordings

E que tal uma mistura de electro, disco-sound, dub, experimental - com balizas nos Kraftwerk, nos Air, nos New Order, em Lee «Scratch» Perry, no Senõr Coconut, nos Daft Punk e em Arthur Baker -, tudo ao molho e fé em Lenine e tudo aromatizado com vozes vindas do coração da ex-União Soviética, flautas em delírio, mais secções de metais balcânicas, acordeão fumegante, alusões à música mexicana - «Tequila Gang Bang» (!) -, música de carrinhos-de-choque (olha ali os Fat Freddy a espreitar em «Jok de Doi»), saltérios alucinados, gravações de ovelhas em cio demente?... Sim, isto existe e é, por vezes, muito bom!... E está no segundo álbum do ucraniano OMFO (aka German Popov; aka Our Man From Odessa), «We Are The Shepherds», que sucedeu ao igualmente estranhíssimo «Trans Balkan Express». Popov é um músico da cidade ucraniana de Odessa - eternizada na cena do bébé a cair da escadaria no «Couraçado Potemkin», de Eisenstein - radicado em Amesterdão que, nos últimos anos, tem colaborado com gente tão diferente quanto a cantora de Tuva Sainkho Namtchylak, Metamatics, Felix Kubin (estes últimos colaboradores no seu projecto Solaris), DJ Shantel ou Richard Dorfmeister. O facto de OMFO dizer que este álbum foi inspirado por Gagarin (um pastor), Laika (uma cadela de pastorícia) ou o astronauta norte-americano William... Shepherd é só um pormenor. Divertido. (7/10)


KULTUR SHOCK
«WE CAME TO TAKE YOUR JOBS AWAY»
Koolarrow Records

Ouvir os Kultur Shock tem o mesmo efeito de murro no estômago de ouvir os Gogol Bordello ou os Haydamaky - estamos, portanto, num território mais ou menos conhecido. Mas com algumas diferenças lá dentro: os Haydamaky têm doses reforçadas de punk (vertente hardcore muitas vezes), têm ska, têm tango e música turca, têm alusões à música klezmer, ao jazz e a muito da música cigana húngara, romena e da ex-Jugoslávia... mas têm também um poder sónico vindo directamente do metal: com o thrash-metal e o speed-metal à cabeça (os gajos ouviram muito Metallica e Sepultura, sem dúvida). O que é mais excitante no meio disto tudo é que eles conseguem calibrar sempre, e bem, as doses de géneros musicais diferentes (e até de línguas em que cantam) fazendo delas um território, dir-se-ia, conexo, bastante próximo e naturalmente irmão. Os Kultur Shock são, imagine-se, originários de Seattle, nos Estados Unidos, e são uma misturada completa de músicos de variadíssimas origens: o líder da banda, Gino, um bósnio de Sarajevo (que colaborou com Joan Baez - coisa que, ouvindo-se a música dos Kultur Shock, nunca se imaginaria - e é amigo de Krist Novoselic, que tem ascendência croata e foi o baixista dos, pois, Nirvana), mas também músicos dos Estados Unidos, Japão e Bulgária. «We Came To...» - um manifesto irónico da condição de imigrante nos Estados Unidos - é o quarto álbum do grupo e é, repete-se, um murro violentíssimo no estômago. (8/10)


KEREKES BAND
«PIMASZ»
Hangveto

A música da Hungria tal como a conhecemos - a Hungria da maravilhosa Márta Sebestyén e dos fabulosos Muzsikás; a Hungria dos Zungó, dos Besh-o-Drom, dos Vasmalom ou, num espectro diferente, dos já referidos Korai Orom - tem na Kerekes Band um upgrade inesperado. Porque sempre que os ouvimos, pelo menos neste álbum, «Pimasz» (que tem como sub-título «Magyar Funk»), a música tradicional húngara está lá, bem presente, de raiz, naquelas melodias e principalmente naquela flauta (a flauta de Fehér Zsombor, líder do grupo), naqueles sons antigos que já tínhamos ouvido antes em Márta Sebestyén com ou sem os Muzsikás e nalguns dos outros (vários dos temas da Kerekes Band são comuns a outros dos nomes já mencionados), mas nunca com este envolvimento rock, eléctrico, que tanto remete para os blues psicadélicos de Jimi Hendrix como para o funk ácido de Sly & The Family Stone como para o jazz-rock de Herbie Hancock ou para os Doors ou Bob Dylan ou - ok, há mesmo uma flauta aqui metida, não é? - os Jethro Tull. Mas sempre com uma magia (oiça-se o quarto tema, «Searching») e uma ligação à terra incontestáveis. A Kerekes Band nasceu na cidade de Eger em 1995 e rapidamente se assumiu como uma das mais importantes bandas folk (?) húngaras. Com «Pimasz» arriscam-se a ser uma das mais importantes bandas folk (? e outra vez ?) europeias. (8/10)

18 abril, 2007

Haydamaky, Tartit, Darko Rundek... - Primeiros Nomes Para o FMM de Sines



A pouco e pouco lá se vai sabendo - embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito - o que vai passar este ano por Sines, no Festival de Músicas do Mundo (em Julho, de 20 a 22 em Porto Covo e de 23 a 28 em Sines). Um dos primeiros nomes confirmados, pelo menos a julgar pela informação veiculada no seu site oficial, é o do poderosíssimo grupo ucraniano Haydamaky (na foto), que passa por Sines, mais propriamente por Porto Covo, no dia 22. Os Haydamaky, que o ano passado editaram o celebrado álbum «Ukraine Calling», misturam música tradicional ucraniana, fanfarras balcânicas, reggae, ska, dub e punk (há uma sombra dos Pogues a pairar por ali), numa festa interminável em que entram ao barulho acordeão, trompete, berimbaus, flautas, domra (uma espécie de balalaika), tsymbaly (o saltério ucraniano), bateria e instrumentos eléctricos. Outros grupos já avançados para o FMM deste ano - em informações colhidas no Crónicas da Terra e no Fórum Sons - são o do extraordinário grupo tuaregue, do Mali, Tartit (que actua dia 26 de Julho em Sines), autor do recente e lindíssimo álbum «Abacabok»; o cantor e compositor croata assombrado pela chanson e pelo rock de expressão francesa Darko Rundek (que actua em Porto Covo, a 20 de Julho), autor, também o ano passado, do estranhíssimo álbum «Mhm A-ah Oh Yeah Da-Da (Migration Stories and Love Songs)»; e do contrabaixista de jazz Carlos Bica e do seu grupo luso-germânico Azul, que tocam no dia 26, em Sines. Está a tomar forma.