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23 outubro, 2007

Observatório Mundial da Canção de Protesto Tem Grândola Como Embrião


Se há local em que faz todo o sentido existir um Observatório Mundial da Canção de Protesto, esse local é Grândola - a «vila morena» cantada por José Afonso. E é isso mesmo que poderá vir a acontecer, em boa hora. O projecto - que «pretende realçar o legado cultural e os elementos históricos e sociais na base das canções de protesto» - foi apresentado no domingo e tem como objectivos «investigar, registar, estudar, defender e promover as canções de protesto desde tempos imemoriais; estabelecer as condições necessárias para ser criado um Centro de Documentação com site próprio, cuja principal referência, sejam as canções de protesto, debaixo de todos os suportes e representações e tudo aquilo que lhes diga respeito; criar prémios de investigação e promover a publicação de teses, trabalhos e artigos científicos nessa área; investigar ou inquirir da existência no mercado livre ou na posse de entidades públicas ou privadas de documentos, de espécies fonográficas,
bibliográficas, iconográficas, artefactos e objectos ou colecções de manifesto interesse, adquirindo-os sempre que possível; ser um lugar de realização de festivais, espectáculos, simpósios, congressos, exposições, festas, desfiles e acontecimentos culturais cuja referência maior sejam as canções de protesto; ser um lugar de planeamento e desenvolvimento de acções e projectos nas áreas da educação, ciência e cultura, tendo como elemento matricial as canções de protesto; ser um lugar de encontro de cantores, músicos, letristas, poetas, investigadores que à canção de protesto dediquem atenção e estudo; ser um espaço cultural onde se combata a iliteracia e se fomentem e salientem os elementos históricos e sociais que estão na génese das canções de protesto. Para que estes objectivos se concretizem, o observatório poderá instalar um estúdio-laboratório fonográfico polivalente, uma Sala Multimédia, salas de audições e promover a exposição de uma colecção permanente e de mostras temporárias», segundo refere o blog Vejam Bem, da Associação José Afonso, uma das entidades envolvidas no projecto, juntamente com a Câmara Municipal de Grândola. Fazendo votos para que esta interessantíssima ideia se concretize, aqui fica também o desejo de que a OMCP não se feche na música de intervenção, digamos, mais óbvia e que inclua também secções dedicadas ao hip-hop, aos espirituais do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos, ao afro-beat libertário de Fela Kuti, ao punk activista dos Clash, ao engajamento zapatista dos mexicanos Los de Abajo (na foto) ou à nova canção de intervenção global de Manu Chao, entre milhares de outros exemplos. Acredito que sim!