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08 maio, 2013

Douro Celtic Fest - A Estreia em Gaia!

Também com organização Sons da Terra -- à semelhança do Intercéltico de Sendim (ver post anterior) --, mas neste caso em parceria com a empresa espanhola Actos Management, o Largo de Aviz, Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, recebe nos dias 5 e 6 de Julho a estreia do Douro Celtic Fest, este também com um programa bastante apelativo e a fazer lembrar -- mais a mais com alguns dos nomes que traz -- o saudoso Intercéltico do Porto. O comunicado: «Celebrar a música folk de célticas ressonâncias, eis o mandato cultural que determinou a criação do DOURO CELTIC FEST, cuja primeira edição decorre sob o signo da excelência, com seis concertos propostos por seis bandas que são referências obrigatórias e indispensáveis. Em tons maiores de celebração colectiva, o DOURO CELTIC FEST recupera a sedução da festa e da partilha intercultural. Organização Sons da Terra (Portugal) Actos Management (Espanha) Apoio Institucional Município de Vila Nova de Gaia Pelouro da Cultura * Gaianima * Gaia Cidade de Cultura Facebook www.facebook.com/DouroCelticFest 5 Julho 2013 UXU KALHUS Portugal Reafirmamos o direito à autodeterminação do Folk Português!... Em finais dos anos 90 do século passado começou a ganhar força em Portugal uma tendência centrada na recuperação das danças e dos bailes tradicionais. Protagonizado por jovens formações então surgidas, desde logo ficaria de sobremaneira evidenciado o gosto pelas estéticas vanguardistas da fusão e da mestiçagem, sobretudo veiculadas nos contextos expressivos da na época emergente cena da chamada world music. Muito mais do que propostas de interacção cultural foram sobretudo apresentados projectos filiados ou inscritos na interculturalidade, sem no entanto perderem a presença predominante dos referenciais portugueses. O novo baile português quer preservar a nossa diversidade cultural e simultaneamente integrar outras culturas no cadinho evolutivo que é o folk português actual. O novo baile português é dinâmico, em constante mutação, não se limita a formas estáticas e empoeiradas: as nossas raízes culturais são a plasticina que está a ser moldada por hordas de ovelhas que vão engrossando o rebanho em viagem. Uxu Kalhus contribuem para este movimento já em marcha, organizando uma transumância que não tem rota definida nem, fim à vista, pretendendo apenas mostrar paisagens sonoras, prados harmónicos e balhos diversos, para dar farto alimento ao rebanho. Formação Joana Margaça (voz) Eddy Slap (baixo eléctrico e voz) Paulo Pereira (flautas e voz) António Bexiga (guitarras, viola campaniça e voz) André Lourenço (teclado e voz) Luís Salgado (bateria) Discografia Recomendada 2006 A Revolta dos Badalos 2009 Transumâncias Groove 2012 Extravagante 5 Julho 2013 SEARSON Canadá Quando muitos já acreditavam que fosse muito pouco provável o aparecimento de novas bandas capazes de reinventarem as actuações ao vivo, em termos de dinâmicas performativas e de interacção com o público, as três irmãs Searson – Erin, Heather e Colleen – foram a surpresa total: um verdadeiro furacão de emotividade e de partilha veio tomar conta de cada palco pelo qual já passaram, nos mais prestigiados festivais folk norte-americanos e europeus. Com uma poderosa mistura das estéticas associadas à música celta e à pop music, sem perderem as referências fundamentais do estilo violinista da região de Ottawa Valley, no Canadá, as Searson – juntamente com o baterista e percussionista Danno O'Shea – fazem de cada concerto um hapenning pleno de energia, não faltando mesmo a emblemática step dance irlandesa. Formação Erin Searson (voz, piano, teclados, bandolim e step dance) Colleen Searson (violin, voz, bandolim e step dance) Heather Searson (baixo e step dance) Danno O'Shea (bateria e percussão) Discografia recomendada 2001 House Party 2004 Follow 2005 Searson Live 2008 A Different Kind of Light 2009 Ignite 2012 Fade and Shine 5 Julho 2013 BERROGUETTO Galiza BERROGÜETTO não é um grupo de música tradicional mas sim um grupo comprometido com a música galega mas com uma total liberdade de criação, reflectindo todas as nossas inquietudes e todas influências possíveis, sem abandonar a nossa origem cultural. O grupo evidencia uma visão muito positiva sobre a evolução experimentada pela música galega, que passou de uma visão exclusivamente celto-atlântica para propostas mais ancoradas nos padrões estéticos mais próximos da nossa tradição musical. Actualmente assiste-se a uma incorporação das mais variadas influências, num processo múltiplo de mestiçagem, com apresentação de propostas próprias e sólidas, desde as vertentes mais tradicionais às abordagens mais contemporâneas, ocupando hoje a folk na Galiza muito do espaço social que era outrora ocupado pela música tradicional. Todos sabemos que se pode com toda a legitimidade falar de um antes e de um depois do aparecimento de Berrogüetto – um dos grupos que tem demonstrado maior e mais relevante capacidade para se reinventar e reafirmar, disco após disco, numa recusa culturalmente muito enriquecedor em descansar na comodidade dos muito bem sucedidos caminhos percorridos – no panorama da folk galega e europeia, pelo que um concerto desta seminal formação é banquete musical garantido. Formação Anxo Pintos Guilhermo Fernández Quico Comesanha Quim Farinha Santiago Cribeiro Isaac Palacím Discografia recomendada 1996 Navicularia ( 1999 Viaxe por Urticaria 2001 Hepta 2006 10.0 2010 Kosmogonías 6 Julho 2103 GALANDUM GALUNDAINA Portugal Emergindo da mais expressiva música tradicional mirandesa, os Galandum Galundaina elaboraram uma das mais enraizadas e inovadoras propostas de glocalização musical que nos foi dado conhecer em Portugal, constituindo um projecto de verdadeira intervenção reactualizada e revigorada a partir das essências primeiras dos sons da Terra de Miranda. Com um rigoroso recurso ao cancioneiro tradicional e um apurado estudo (e construção) dos instrumentos populares tradicionalmente utilizados na Terra de Miranda, os Galandum Galundaina registaram novas incorporações estéticas e organológicas, tendo criado um som único e diferenciador que nos remete para o que de melhor e culturalmente mais relevante se vai fazendo em Portugal em contexto folk. Os seus concertos são actos de singular comunicação com o público, envolvendo-o com uma rítmica contagiante na qual se desenvolvem melodias de todo o encantamento. Formação Alexandre Meirinhos (voz, caixa de guerra e percussões diversas) Manuel Meirinhos (voz, flauta pastoril e tamboril e percussões tradicionais) Paulo Meirinhos (voz, rabel, bombo, rigaleijo, gaita de foles, percussões tradicionais) Paulo Preto (voz, sanfona, gaita de foles, flauta pastoril e tamboril) Discografia Recomendada 2002 L purmeiro 2005 Modas i Anzonas 2009 Senhor Galandum 6 Julho 2013 KEPA JUNKERA País Basco Gosto da música porque é um mistério. Mas surpreendo-me sempre quando alguém se emociona com a minha música, quando me dizem que não sabiam que eu podia tocar assim ou quando me perguntam se uma certa música é da minha autoria. Parece- me incrível que neste mundo em que tudo está descoberto ainda existam pessoas que conseguem encontrar coisas que não conheciam e as façam suas com tanto carinho. Kepa Junkera é um puro: a sua procura de equilíbrio entre o passado e o futuro da música basca faz-se percorrendo caminhos de exemplar integridade, quer como músico quer como cidadão. Musica basca sem fronteiras, com um Kepa Junkera a revelar-se como um dos seus protagonistas, com uma postura de criatividade tão irrequieta como surpreendente, fazendo da música um palco privilegiado para todos os intercâmbios e encontros. Depois do aparecimento de Kepa Junkera, a folk basca nunca mais foi o que era, abrindo de para em par as portas do seu reconhecimento internacional, tendo como seguros alicerces a proposta intercultural em grande parte por ele veiculada. Formação Kepa Junkera (trikitixa) Harkaitz Martinez (txalaparta) Igor Otxoa (txalaparta) Angel Unzu (guitarras e percussões) Julio Andrade (contrabaixo) Discografia 1998 Bilbao 00:00 2000 Athletic Bihotzez 2001 Maren 2003 K 2008 Etxea 2009 Kalea 2010 Beti Bizi 2010 Herria 2011 Ipar Haizea Kepa Junkera y la Orquesta Sinfónica de Euskadi 6Julho2013 FOR MEN AND A DOG Irlanda No panorama da frente de excelência da folk irlandesa, os FOUR MAN AND A DOG ocupam um lugar muito especial com uma inovadora proposta de dinâmica e excitante relação entre a música tradicional esmeraldina e géneros musicais tão variados como inesperados, desde o rap ao southern rock, passando pelo jazz, blues, bluegrass, polka, country swing e, imagine-se até a salsa. Um concerto dos FOUR MEN AND A DOG é um verdadeiro festim de emoções, envolvendo as audiências desde o princípio até ao fim com uma prodigiosa capacidade de comunicação, tornando o público parte integrante e indispensável do concerto. Constituído por um grupo de músicos que são virtuosos instrumentistas – nunca fizeram ensaios e, não raro, o alinhamento de cada concerto é decidido em cima da hora! – os FOUR MEN AND A DOG surgiram em 1990 durante uma concerto-jam session no Belfast Folk Festival. A trajectória pessoal dos seus membros confunde-se com a própria história da folk irlandesa, levando-nos a grupos seminais como Planxty, Patrick Street, Arcady, Clancy Brothers, Skylark… A presença de FOUR MAN AND A DOG no DOURO CELTIC FEST 2013 será, estamos certos, um daqueles momentos musicalmente mais gratificantes que guardaremos para sempre na nossa memória melómana. Formação Donal Murphy (acordeão) Gino Lupari (voz e bodhran) Stephen Hayden (violino) Cathal Hayden (violino, banjo) Kevin Doherty (voz e guitarra) Discografia recomendada 1991 Barking Mad 1993 Shifting Gravel»

01 dezembro, 2011

Etnias 2011 com Né Ladeiras, Karrossel e... Uma Grande Surpresa!


Vem aí mais um festival Etnias e, mais uma vez, a coincidir com o aniversário da sua casa, o Contagiarte. Também vou lá estar, assim como os Karrossel, Rogerinho do Acordeon e Miguel Fuá, Cia Flamenco Con Temple, Intia Mundon, Né Ladeiras (na foto, de Susana Paiva) e Drop Etnica, entre outros. Cereja em cima do bolo e surpresa absoluta: um espectáculo conjunto -- e inédito! -- que vai juntar em palco os Galandum Galundaina, Mu e Pé na Terra.


Etnias 2011
Festival de Músicas do Mundo

9ª Edição
Dias 8, 9 e 10 de Dezembro no espaço Contagiarte


Há nove edições atrás estávamos expectantes… era a primeira edição de um festival de música produzido pela Acaro somado à inauguração de um novo projecto da associação – o espaço Contagiarte.

Passado todo este tempo continuamos expectantes… O festival de músicas do mundo – Etnias vai reunir na edição deste ano magníficos nomes da música feita em Portugal. Galandum Galundaina, Né Ladeiras, Mu, Pé na Terra, entre outros, vão fazer desta edição algo de muito especial que irá perdurar na memória de todos os que assistam, assim esperamos.

O Etnias é um festival que quer celebrar as sonoridades e danças de povos do mundo, um evento que promove a harmonia e o entendimento entre culturas. Este festival é para nós – acaro/contagiarte – o nosso cartão de cidadão. Sem dúvida que este evento anual espelha muito bem quem somos. O Etnias nasceu connosco e em conjunto vamos celebrar dois mil novecentos e vinte dias de existência!


Programação


Dia 8 / Quinta-feira

22H00
DROP ETNICA
"Ao ritmo da impermanência"
A residência artística itinerante (RAI) é uma viagem que une várias cidades da Europa num contexto musical. A criação de novos conteúdos sob influência de culturas distintas, faz ponte para novas margens de texturas sonoras. A performance proposta por Renato Oliveira e Mariana Root é o resultado de uma colecção de materiais recheados da vivência de um mês em Portugal, Espanha, Franca, Suíça e Itália. O processo da residência foi feita via terrestre num camião com o intuito de apresentar no palco da rua a progressão do trabalho.
Os instrumentos utilizados foram ajustados á mobilidade dos artistas, sendo o set composto por voz, didgeridoo, shruti Box, flauta de harmónicos, mini kit de bateria e beat Box. (…) a identidade deste projecto expressa-se muitas vezes através de "tradições" variadas que, embora sejam frequentemente invenções recentes, apelam a uma certa noção de passado.

23H30
KARROSSEL

Do gosto pela DANÇA e pela MÚSICA, nascem na cidade do Porto os KARROSSEL em 2009.
Fruto de recolha e pesquisa, ensinam danças tradicionais, essencialmente portuguesas, mas também do resto da Europa.
Num espírito de festa, os KARROSSEL propõem uma viagem pelo mundo da música tradicional, onde o público é convidado a participar, num rodopio de danças!
Desde o Vira do Minho, o Fado Batido, até à Troika da Rússia, passando pela Bretanha, Roménia, Lituânia, e tantas outras culturas, regressando sempre a Portugal num diálogo constante com o público... os KARROSSEL põem todos a andar à roda!

HUGO OSGA - Bul Bul Tarang, dum dum, didgeridoo / RICARDO COELHO - Gaitas de Foles Portuguesa, Galega, Bulgara, Francesa, Flauta transversal, Sopros / NUNO ENCARNAÇÃO - Cajon, Derbouka, Riq, Percussões / SÉRGIO CARDOSO - Clarinete, Flauta transversal / FERRER LEANDRO – Guitarra
DIANA AZEVEDO - Recolha e ensino de danças tradicionais

Sonoridades: OSGA programador do festival Etnias e mentor do projecto NOITES FOLK, projecto residente no espaço Contagiarte



Dia 9 / Sexta-feira

22H00
INTIA MUNDON

O projecto INTIA MUNDON tem como objectivo principal dar a conhecer os temas originais de Ferrer Leandro, temas estes que fazem parte de experiências musicais que vão do jazz ao jazz Manouche, do Flamenco ao Fado. A dupla de Guitarras do Duo INTIA MUNDON de Ferrer Leandro e António Dias, são um misto de energias circenses, pintadas de coloridos vários e com sensações emocionais que vão do intimismo bucólico ao alegre timidamente eufórico. É de experimentar ver e ouvir...


23H00
Cia Flamenco Con Temple apresenta Contratempos
Companhia residente no espaço Contagiarte
com Ana Pinhal e Francisco Almeida

Há um ditado castelhano que determina que "No hay mal que por bien no venga". Numa peculiar homenagem aos contratempos que nos temos deparado fora e dentro das coreografias, apresentamos "Contratempos II" com alegria. Alegria que marca a chegada de dois novos membros ao nosso projecto.

Baile:Catarina Ferreira; Ana Silva Cante: Ana Pinhal Guitarra: Francisco Almeida Cajón: Zagalo



23H30
NÉ LADEIRAS
Está de volta um dos mais relevantes valores da música tradicional portuguesa: Né Ladeiras. A antiga voz de Brigada Victor Jara, Banda do Casaco e Trovante tem dois novos trabalhos, depois de uma década: o que será apresentado, espectáculo Tradição com o reportório de Trás os Montes revisitado.
Tradição é um espectáculo dedicado à herança cultural da música de raiz portuguesa e revela-se na fusão de novos ritmos multiculturais. Baseia-se na essência da vida, nas histórias do povo e na espiritualidade que se interroga pelos muitos cantos miscigenados da geografia humana.
Para onde caminha a “tradição”? Será que é a cultura que define um povo, ou um povo pode interagir permanentemente com a sua herança e reescrever as narrativas que a acolhem em outras latitudes?
O Atlântico, segundo as palavras de Né Ladeiras e Chico César aquando da sua parceria na Expo98 (mais tarde assumida na forma do cd Da Minha Voz, 2001) é o berço de almas irmãs unidas pelas águas maternas; águas que lavam o Cabo da Roca e o Cabo Branco são uma só e tal como as canções elas se misturam: voluteiam. Tradição pode ser o Beradêro enleado na Fonte do Salgueirinho. Nota: Neste momento, o álbum conceptual encontra-se em preparação desde há 2 anos contando com Winga (Blasted Mechanism) e Ari (Blasted Mechanism), Corvos e Jaime Lafuente (Caracol Andador), para além dos músicos que compõem o grupo de trabalho, designadamente Rui Cunha, Gonçalo Almeida, Gonçalo Marques. Colaboração a sublinhar também, desde os anos da Banda do Casaco é a de António Pinho que a compositora convidou para escrever as letras das canções. Os sons de raiz voltam a ser recuperados pela cantora que, paralelamente, tem estado a trabalhar no terreno sobre o Património Cultural e Imaterial do concelho de Torres Novas. É o oitavo título na discografia de Né Ladeiras, em tempos colaboradora de Sétima Legião e Heróis do Mar.
Voz – Né Ladeiras / Gaita Mirandesa, Gaita Sueca, Gaita Galega, Uilleann Pipe, Flautas de Lata e de Bambu – Gonçalo Marques / Bouzouki, Guitarra Folk – Rui Cunha / Baixo eléctrico – Ary / Guitarra Folk, Braguesa, Campaniça, Cavaquinho – Gonçalo Almeida / Bombo português, Alfaia, Tama, Darabuka, Djembé, Didjeridoo, Búzio – Winga Técnico de som: Dominique borde / Produção: Rossana Ribeiro





Sonoridades: ANTÓNIO PIRES (World Music)


António Pires, DJ de World Music - Músicas de raiz tradicional embora «contaminadas» por novas linguagens musicais (o rock, a electrónica, o ska, o funk...) e nelas havendo também lugar para músicas «das margens» como o kuduro angolano, o reggaeton, o baile funk brasileiro ou o kwaito sul-africano, numa longa viagem musical com... raízes e antenas http://raizeseantenas.blogspot.com/

(...) António Pires, DJ e jornalista de música, pertenceu aos quadros do jornal BLITZ durante 20 anos (1986/2006), do qual foi Chefe de Redacção durante 12 anos (1989/2001). Publicou também textos no «Se7e», «Expresso», «A Capital», «Revista de Cinema», «Face» e «Mini International», entre outros jornais e revistas. Realizou e/ou colaborou em programas de rádio na RUT (Rádio Universidade Tejo, segunda metade dos anos 80) e na NRJ - Rádio Energia (início dos anos 90). Foi actor de teatro do grupo Arte Viva, no Barreiro, durante dez anos. Frequentou durante três anos o Curso de História da Faculdade de Letras de Lisboa e completou o Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema (Conservatório Nacional). Dá aulas de «História da Indústria Discográfica» na ETIC (Lisboa) e na Restart (Lisboa), escola onde também leccionou a cadeira de «História do Espectáculo no Séc.XX». Neste momento é jornalista free-lancer e responsável pelo blog Raízes e Antenas, dedicado à world music, folk, músicas tradicionais e étnicas e às suas margens e fusões; sendo também DJ nas horas vagas. Colabora com as revistas «Time Out Lisboa» e «Magazine.HD» e com o jornal diário «i». É o autor do livro «As Lendas do Quarteto 1111», biografia deste mítico grupo rock português e tem textos publicados noutros livros:- «Rádio Macau: Livro Pirata» e «Contra Danças Não Há Argumentos», dedicado ao festival Andanças.




Dia 10 / Sábado

22H30
PERFORMANCE DE DANÇA ORIENTAL
por Charlotte Bispo (bailarina e formadora no Centro de Formação Cultural acaro/contagiarte)

Tendo como berço a Ìndia, as origens da D.Oriental provêm do sagrado. As dançarinas comunicavam com as deusas, exprimindo-se em danças ritualistas ligadas à natureza, à reprodução, à fecundação, à mulher, à "Deusa-mãe", através de movimentos da bacia e ventre que elas louvavam ao redor da fogueira, fogueira essa que, para os primitivos, simbolizava luz e alimento (...) A Dança Oriental representa a vida quotidiana das mulheres dos países árabes. Ela representa todo o tipo de emoções, sentimentos e expressão feminina. Com esta performance vão ser transportados à essência da cultura àrabe através do prazer de uma partilha de emoções em total liberdade e em comunhão com a energia feminina.



23H00
GALANDUM GALUNDAINA + MU + PÉ NA TERRA

"À semelhança dos três grandes cantautores portugueses Fausto, Sérgio Godinho e José Mario Branco, uma nova geração decidiu criar um espectáculo para eternizar a sua posição neste novo ciclo musical das musicas do mundo que se vive em Portugal - Galandum Galundaina, Pé Na Terra e MU. juntos no mesmo palco, cantando e tocando as musicas que ao longo destes anos, têm feito dos olhos de quem os vê, brilho estrelar!"

Galandum Galundaina é um grupo de música tradicional mirandesa criado com o objectivo de recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e a língua das terras de Miranda.
Em 15 anos de existência o grupo desenvolveu vários trabalhos. Para além da edição de três discos e do DVD ao vivo, também são de sua responsabilidade a padronização da gaita-de-foles mirandesa e a organização do Festival Itinerante de Cultura Tradicional "L Burro i l Gueiteiro".
Ao longo dos últimos anos o grupo interessou-se pela construção de instrumentos musicais de raiz tradicional e actualmente grande parte dos instrumentos usados em concerto são da sua autoria.
Os álbuns editados têm tido uma excelente apreciação pela crítica especializada. Em 2010 para além da atribuição do Prémio Megafone, o álbum Senhor Galandum foi reconhecido pelos jornais Público e Blitz como um dos dez melhores álbuns nacionais.
Do roteiro do grupo fazem parte alguns dos mais importantes festivais de música tradicional/”world music” em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Cuba, Cabo Verde, Brasil, México e Malásia.
O grupo Galandum Galundaina é composto por quatro elementos: Paulo Preto, Paulo Meirinhos, Alexandre Meirinhos e Manuel Meirinhos.

Os MU iniciaram o seu percurso musical em 2003. Em busca de fusão e de experimentação no seio da música tradicional, muitos foram, e continuam a ser, os estilos que caracterizam esta banda portuguesa.
Os seus membros dedicam-se aos mais variados instrumentos provenientes dos quatro cantos do mundo, o que permite a este projecto viajar por distintas culturas e sonoridades tradicionais e de fusão.
A junção de instrumentos oriundos da Índia, Suécia, Egipto, Brasil, Marrocos, Austrália, entre outros, permitiu aos MU descobrir na música uma viagem por mundos perdidos e resgatá-los até à actualidade.

Entre danças esvoaçantes, vozes femininas e instrumentos variados, os MU criam ao vivo um momento de alegria contagiante. Nos seus espectáculos, a energia viaja no ar, e invade os corpos impelindo-os a dançar num mundo sem limites.

Ao longo do seu percurso, os MU contam já com dois trabalhos discográficos, Mundanças (2005) e Casanostra (2008).

Os Pé na Terra nascem em 2005 com três elementos: Cristina Castro, Ricardo Coelho e Tiago Soares. Com forte influência na recolha e interpretação de temas tradicionais portugueses e na criação de temas originais, este projecto usava apenas instrumentos das nossas terras.
Em 2006 partem para uma nova formação. Integram, então, o grupo, Tânia Pires, Rui Leal e Rui Pedro, percorrendo Portugal e Espanha em diversos palcos, bares e festivais.
Em 2007 o grupo sofre novas mudanças. Mantendo-se os membros iniciais e juntando-se a eles Adérito Pinto e Hélio Ribeiro, que chegados de meios musicais muitos distintos como o rock e o metal, trazem na bagagem um baixo eléctrico e uma guitarra electro-acústica que contribuem para uma nova sonoridade do grupo.
Esse entrelaçado de ideias vai de encontro ao actual movimento de revolução da música tradicional, tendo uma grande aceitação no público em geral, levando assim, o grupo, no final de 2007, à gravação e publicação do seu primeiro álbum.




00h00
ANIVERSÁRIO DO CONTAGIARTE
8 ANOS


00H15
ROGERINHO DO ACORDEON & MIGUEL FUÁ

As noites de Forró no Contagiarte com Rogerinho do Acordeon, Miguel Arruda e convidados têm-se revelado momentos de grande explosão de alegria onde o baile vale por todas as palavras! Xote, côco, baião, para cantar, arrastar o pé no chão e espantar o frio no meio do salão…
Rogerinho do Acordeon, músico e produtor musical, nasceu em Natal – RN, cidade onde o Forró predomina. Ao longo do seu percurso, Rogerinho apresentou-se em vários estados do Brasil e na Europa, em Inglaterra, Bélgica, Alemanha, França, Suíça e Espanha. Como PRODUTOR MUSICAL realizou o projeto FEEL IT (Londres-UK) (…). Em 2007 abriu o seu próprio Estúdio de Música, o FEELING STUDIO na cidade de Natal - RN, tendo realizado projetos de Áudio e Acústica em Natal e João Pessoa. Atualmente reside na cidade do Porto (…) e em carreira a solo viaja levando a bandeira do forró pé de serra por toda a Europa com o seu grupo de forró ROGERINHO DO ACORDEON & FORRÓ DO BOLE BOLE.

www.facebook.com/rogerinhodoacordeon


Sonoridades: GOLDENLOCKS Dj residente do espaço Contagiarte, mentora do projecto Noites Fuego y Tumbao (latin, brasilian e worldmusic)


Entradas para o festival:

1 dia: 5eur
3 dias: 12eur

19 julho, 2011

Andanças 2011 - Concertos, Bailes, Oficinas, Festa.... e, Hermmm, Luta!


O Andanças 2011 decorre de 1 a 7 de Agosto e, como já é habitual, em Carvalhais, S. Pedro do Sul. Aqui em baixo vai um pequeno comunicado e a lista de artistas e grupos que vão dar concertos ou abrilhantar os bailes (incluindo a primeira vez que o Andanças recebe os vencedores do Festival RTP da Canção!). Mas tudo o resto poderá ser consultado em:

http://www.andancas.net/2011/

"O Andanças promove a música e dança de raiz tradicional e popular enquanto meios privilegiados de aprendizagem e intercâmbio transgeracional. Pretende-se que haja uma redescoberta do baile como ritual e experiência social colectiva que potencia a descoberta do outro. É objectivo do festival relembrar as populações que estas expressões são sinónimo de identidade que necessitam ser preservadas de forma a assegurar sobrevivência do património cultural imaterial. Com um olhar contemporâneo, propõe-se a recuperação de tradições musicais e coreográficas num espaço de “desfolclorização” que permita aos participantes serem agentes de uma continuidade social.

Este ano os participantes terão ao seu dispor:

135 bailes e concertos;
120 oficinas de dança (30 países representados);
80 actividades para crianças;
Oficinas de técnicas de meditação e relaxamento;
Passeios pela serra.

Tudo isto num festival que “não fecha”, que não se limita às 19 horas de programação diárias e que acontece devido à acção de 830 artistas, cerca de 800 voluntários e todos aqueles que se dirigem a São Pedro do Sul para participar activamente no festival.

É importante realçar o papel que o voluntariado desempenha no festival. Sem as cerca de 1600 pessoas (incluindo os artistas) que trabalham voluntariamente no festival, oferecendo o que melhor sabem fazer e assegurando todas as tarefas necessárias à sua realização, este não seria possível. O Andanças é um festival de todos e para todos.

Outra questão importante para o Andanças são as práticas sustentáveis. Todos temos consciência do impacto ambiental que qualquer evento de grandes dimensões tem, mas acreditamos que este pode ser reduzido. Neste sentido, todos os anos são implementadas no Andanças novas medidas que pretendem desenvolver nos participantes uma maior consciência ambiental. Este ano, para além das campanhas já habituais, haverá o dia Km Zero. O objectivo deste dia (3 de Agosto) é reduzir a pegada de carbono utilizando produtos e propostas de programação provenientes de um raio de 20km.

O Andanças é um festival produzido pela Associação PédeXumbo com o apoio da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Centro de Promoção Social de Carvalhais e a Junta de Freguesia de Carvalhais. Conjuntamente trabalham com a população local no sentido de produzir um festival de qualidade, que considere as características da área onde se realiza, fazendo um esforço na promoção e divulgação do património cultural e ambiental da região. Foi este ano destacado pelo Turismo de Portugal como um dos eventos Quero Ir.

A PédeXumbo é uma associação que trabalha desde 1998 a promoção da música, instrumentos e danças de origem tradicional, com especial destaque para o património português. Para além do Andanças, a PédeXumbo – sediada em Évora – tem um plano de actividades que se realiza ao longo de todo o ano. É membro do Conselho de Cooperação da Monte-ACE (Agrupamento para o desenvolvimento do Alentejo Central), da Rede Portuguesa da Fundação Anna Lindh e é subsidiada pela DGArtes.


Música – Concertos

A Presença das Formigas
Adufeiras do Pául
Big Band Loureiros
Bruno et Maria
Cantares do Gerês
Com Tradições
Dites 34
Eddy Slap
Extravanca
Fol&Ar
Galandum Galundaina
Guitarra Portuguesa
Joana Bagulho
King Mokadi
Míscaros
Mu
Música Barroca
Nação Vira Lata
Naragonia
Origem Tradicional
Homens da Luta (na foto)
Pilantras e Companhia
Scandill
Sebastião Antunes
Si que Brade
Taças Tibetanas
Tazzuff
Uxu Kalhus

Música – Bailes
Aïlha Mas Trio
Alafum
Alfa Aroba
Baile Alentejo
Baile ao Improviso
Baile de Mastro
Baile de Valsas Mandadas
Baile do Improviso - Aberto a Propostas
Banda Sorte
Big Band Loureiros
Bruno et Maria
Caravana
Celina Piedade
Com Tradições
Duo Absynthe
Fol&Ar
Galandum Galundaina
Grupo de Danças e Cantares de Vila Maior
Grupo de Folclore Terras de Arões
Grupo Etnografico "Os Esparteiros" de Mouriscas
Grupo Folclórico S. Marta de Portuzelo
Guri
Karrossel
King Mokadi
Laefty Lo
Les Valseuzes
Magmell
Míscaros
Mosca Tosca
Mu
Nação Vira Lata
Naragonia
No Mazurka Band
Origem Tradicional
Pantomina
Rancho Folclórico Boidobra
Rancho Folclórico S. Tiado de Silvalde
Rancho Regional Casa do Povo de Ilhavo
Rascanya
Rémi Decker
Scandill
Tazzuff
Toques de Caramulo
Traballo
Três Tristes Trilos
Uxu Kalhus"

L'Burro I L'Gueiteiro Pelas Aldeias de Atenor e Picote


A edição 2011 do L'Burro e L'Gueiteiro decorre este ano entre as aldeias mirandesas de Atenor e Picote. E, como sempre, no meio de muitas actividades e viagens com os jericos ainda há uns bons concertos. Saiba tudo, a seguir:

"27 a 31 de Julho de 2011

Festival Itinerante da Cultura Tradicional "L Burro I L Gueiteiro"

Miranda do Douro - Aldeias de Atenor e Picote

IX Edição

Apresentação | Programa | Informações | Organização
Alojamento | Inscrições
Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Miranda do Douro

Das 15h00 às 20h00: Inscrições/recepção dos participantes
Abertura da IX Edição “L Burro I L Gueiteiro”

Animação e Convívio de Rua
Jogos Tradicionais

20h00: Jantar (da responsabilidade do participante)

22h00: “FÉ NOS BURROS” um projecto de fotografia e vídeo de João Pedro Marnoto em colaboração com a AEPGA

23h00: Arraial Tradicional

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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011
Aldeia de Atenor, Miranda do Douro

10h30: Oficinas diversas para os miúdos e os mais graúdos:

- Oficina de etnobotânica (Associação Aldeia) (a confirmar)
- Oficina de observação e identificação de aves (Associação Aldeia) (a confirmar)
- Oficina de Percussão (Tiago Pereira do grupo Roncos do Diabo) ( a confirmar)
- Oficina de Rabel (Paulo Meirinhos do grupo Galandum Galundaina)

13h30: Almoço

14h30: “Sesta Burriqueira…”

16h30: Ronda dos Mandiletes - Burropaper

18h00: Concerto no palheiro Atabafeias Quartet

20h00: Jantar

22h00: Concertos:

L`Andecha Turcipié das Astúrias

MÍSCAROS (http://www.myspace.com/miscarostrad)

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
Aldeias de Atenor e Picote, Miranda do Douro

10h30: Passeio de Burro ao som da gaita-de-foles entre as aldeias de Atenor e Fonte de Aldeia

13h30: Almoço Campestre (Trindade – Fonte de Aldeia)

14h30: “Sesta Burriqueira…”
Concerto no lameiro – INÊS VALE

15h30: Continuação do Passeio de Burro até à aldeia de Picote

20h30: Jantar

22h00: Concertos

LAS ÇARANDAS (http://www.myspace.com/lascarandas)

RONCOS DO DIABO (http://www.myspace.com/roncosdodiabo)

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Sábado, 30 de Julho de 2011
Aldeia de Picote, Vimioso

10h00: Passeio de Burro ao Castro de Cigaduenha
Observação de aves

13h30: Almoço

14h30: “Sesta Burriqueira…”

16h00: Exposições no âmbito do projecto "Cultibos Yerbas i Saberes: Biodiversidade, sustentabilidade em Tierras de Miranda" - Centro de Interpretação do Ecomuseu Terra Mater

Oficinas dinamizadas pela Frauga - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote:

- Construção de brinquedos tradicionais "Carros Carricos i outros antretenes";
- Observação e identificação de fauna e flora;
- Língua Mirandesa;

- Oficina do Pão no Forno da Ti Arminda
- Oficina de Percussão (Tiago Pereira do grupo Roncos do Diabo) (a confirmar)
- Oficina de Flauta Pastoril (Manuel Meirinhos do grupo Galandum Galundaina)
- Oficina de Dança de Pauliteiros (grupo de Pauliteiros de Fonte de Aldeia)
- Oficina de danças do mundo (Rute do grupo GiraSol (a confirmar))

17h30: Mostra de cinema “Sinfonia Imaterial” de TIAGO PEREIRA

Sinopse: Tiago Pereira percorreu o país de uma ponta à outra, de Braga a Porto Santo, a convite da Fundação INATEL, e pelo caminho foi recolhendo fragmentos de um património imaterial riquíssimo que nos últimos anos tem tentado escudar e – em muitos casos – resgatar
do esquecimento. O resultado é “Sinfonia Imaterial”. Sem voz-off ou entrevistas, “Sinfonia Imaterial” tenta, mais que ser um documentário convencional ou uma recolha estritamente etnográfica, representar um olhar abrangente sobre um lado frequentemente ignorado da cultura portuguesa: o património oral tradicional. O imenso material recolhido, condensado num filme de cerca de 60 minutos, percorre diversos artistas, locais e géneros musicais, numa prática que anualmente envolve mais de um milhão de pessoas em Portugal.

19h00: Concerto na praça

20h30: Jantar

22h00: Concertos:

CORO INFANTIL DA EB MIRANDA DO DOURO

TOQUES DO CARAMULO (http://www.myspace.com/toquesdocaramulo)

GALANDUM GALUNDAINA (http://www.myspace.com/galandumgalundaina) (na foto)

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Domingo, 31 de Julho de 2011
Aldeia de Picote, Miranda do Douro

11h00: Passeio de Burro ao Ermitério dos Santos, em ruínas (Sendim) e um abrigo ou lhapo com frescos hagiográficos (séc. XVII). (Conjunto em classificação pelo IPPAR)

13h30: Almoço

14h30: “Sesta Burriqueira…”

16h00: Exposições no âmbito do projecto "Cultibos Yerbas i Saberes: Biodiversidade, sustentabilidade em Tierras de Miranda" - Centro de Interpretação do Ecomuseu Terra Mater

Oficinas dinamizadas pela Frauga - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote:

- Construção de brinquedos tradicionais "Carros Carricos i outros antretenes";
- Observação e identificação de fauna e flora;
- Língua Mirandesa;

- Oficina de Flauta Pastoril (Manuel Meirinhos do grupo Galandum Galundaina)
- Oficina de Dança de Pauliteiros ((grupo de Pauliteiros de Fonte de Aldeia)
- Oficina de danças do mundo (Rute do grupo GiraSol)

18h30: Actuação com JORGE RIBEIRO

20h30: Jantar

22h00: Concertos:
CAPAGRILOS (http://www.myspace.com/capagrilos)

GiraSol (http://www.myspace.com/girasolfolk)

OFICINAS DE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL, EXPOSIÇÕES, CONCERTOS, PASSEIOS DE BURRO, CAMINHADAS NA NATUREZA, OBSERVAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE AVES, HISTÓRIA E TRADIÇÕES, FILMES DOCUMENTÁRIOS, JOGOS/MANUALIDADES, FEIRA DOS INSTRUMENTOS MUSICIAS IBÉRICOS, ARTESANATO, GASTRONOMIA E MUITO MAIS….

www.aepga.pt"

07 julho, 2011

Festival Celta de Viana do Castelo - Update!


Depois de Uxía, Mu, DJ Raquel Bulha, Tanira e Ogham já terem actuado no Festival Celta de Viana do Castelo está na altura -- e porque há vários acrescentos ao cartaz (incluindo uma sessão de DJ especialmente dedicada às sonoridades "celtas" por... António Pires) -- de dar conta do que ainda aí vem:

08 JULHO SEXTA-FEIRA | ASSEMBLY POINT [Coimbra/Ferrol/Cork; na foto]
www.myspace.com/assemblytrio
Luís Peixoto é um multi-instrumentista especializado en instrumentos de corda portugueses. Já trabalhou com grupos de renome internacional como Stockholm Lisboa Project ou Dazkarieh e participou da gravação de “Tirán”, o muito aclamado último álbum do gaiteiro galego Anxo Lorenzo. Luís Peixoto conta ainda inúmeras participações em espectáculos de alguns dos mais conceituados nomes da folk internacional tais como Kepa Junkera, Flook, Galandum Galundaina ou Quadrilha.
Fernando Barroso é também um multi-instrumentista especializado em instrumentos de corda com aplicação à música tradicional. Fundou várias bandas no panorama folk da Galiza e já colaborou com inúmeras formações e intérpretes de renome. Ministrando diversos cursos e workshops de instrumentos de corda, Fernando Barroso tem ainda lugar na formação dos colectivos Riobó e Coanhadeira.
Eoghan Neff é um violinista e musicólogo premiado internacionalmente. Já gravou e já andou em digressão com inúmeras produções do maior prestígio como Riverdance, The London Metropolitan Orchestra, NeffBros, ou Anxo Lorenzo. O seu último trabalho “Amalgamare” consiste numa improvisação livre na companhia de um monge organista da Abadia de Glenstal, Cyprian Love. Participou ainda na gravação da banda sonora original do oscarizado “The Eagle” de Kevin Mcdonald.
Quando a torre se começou a desmoronar, um português com o seu bandolim, um galego com o seu bouzouki e um irlandês com o seu violino, encontraram-se e, sem trocar palavra, começaram a tocar.
Resta esperar pelo muito aguardado álbum de estreia de Assembly Point, com lançamento agendado para o final do ano, e pelo privilégio de o poder escutar em primeira mão em Viana do Castelo.

09 JULHO SÁBADO
22h30 | ANXO LORENZO [Pontevedra]
www.anxolorenzo.com
Anxo Lorenzo é um artista que possui todas as qualidades para chegar à essência da sua própria música, moldá-la à vontade e criar novas formas.
O seu último álbum, "Tiran", é inspirado numa longa viagem musical que o levou a encontrar milhares de lugares e melodias que compartilhou com músicos de diferentes países. Pesa no entanto que esta viagem sempre começa e termina na Galiza.
Na sua extensa experiência como gaiteiro, Anxo Lorenzo tem colaborado em vários projectos de fusão musical com uma variedade enorme de estilos, da música electrónica ao jazz, rock, pop ou flamenco. Será assim possível afirmar que a sua gaita-de-foles é um instrumento sem fronteiras que parece não impor limites à sua experimentação.
Anxo Lorenzo visita Viana do Castelo com uma banda preenchida de músicos de renome e elevada experiência acumulada no campo da música tradicional e popular. Nada mais que Xosé Liz acompanhando no bouzouki, Álvaro Iglesias no baixo, Luis Peixoto no cavaquinho, bandolim e percussão e do carismático irlandês Eoghan Neff no violino.

23h55 | PÉ NA TERRA [Porto]
É sem medo de superstições que os Pé na Terra apresentam “13” ao vivo. Conquistando o seu espaço na nova música tradicional com apenas cinco anos de carreira, os Pé na Terra apostam tudo na desmitificação do número do azar num conceito intimamente ligado ao imaginário tradicional e às histórias dos nossos antepassados.
www.penaterra.com
Composto por 13 temas, o novo álbum dos Pé na Terra representa uma série de vivências que o grupo desfrutou durante os últimos dois anos de estrada, em Portugal ou no resto da Europa, dando origem a novas experiências e despertando novos caminhos musicais.
O grupo cruza temas tradicionais tais como o “Vira dos Seis” ou a “Farrapeira” com composições originais onde se denota a sua paixão pela inovação e a ingerência de outros géneros musicais como o rock mais progressivo.
Os Pé na Terra transportam para o palco uma folia contagiante governada por gaitas-de-foles efusivas, acordeões românticos e um ritmo de bateria que convida qualquer um a um pezinho de dança.
É através desta energia vibrante que os Pé na Terra nos levam para esse lugar místico e positivo onde a música é muito mais que números de sorte ou azar!

01h20 | BAILENDA [Penafiel]
Os Bailenda são um quarteto folk formado no Verão de 2009 dedicado à música tradicional portuguesa entre outras regiões ibéricas e com algumas incursões pelo folk bretão e irlandês.
www.myspace.com/bailenda
No espectáculo “Transfolka-te” são usados instrumentos como o bouzouki, o violino, a concertina, o bandolim, a sanfona, o rabel, a gaita-de-foles combinados com programações e electrónica ao vivo.
É de assinalar a confluência de vários géneros musicais que se devem às distintas origens dos elementos da banda, vindos do folclore, da música antiga, da música clássica, do rock e das linguagens mais experimentais da música contemporânea.
O reportório vocal, pleno de trovadorismo, situa-se entre os romances novelescos, as canções de embalar e as canções de trabalho. A nível instrumental são tocadas danças tradicionais, temas de origem medieval e composições próprias.
Ao vivo são usadas recolhas da tradição oral e projecção de imagens. As gravações de campo normalmente ilustram a região, cidade ou aldeia onde acontece o espectáculo. Deste modo, concretiza-se a relação entre as memórias das gentes com as paisagens sonoras locais numa inovadora percepção dos sons e da música.
Enquanto trabalham no seu cada vez mais ansiado álbum de estreia, os Bailenda compõem e interpretam a banda sonora de “Sabor de Despedida”, um documentário acerca do impacto da construção da barragem no Rio Sabor recentemente exibido na RTP.

AFTER HOURS | LUÍS REI [Crónicas da Terra]
cronicasdaterra.com
Luís Rei é um adepto das chamadas músicas do mundo e da folk desde o início dos anos noventa.
Assíduo frequentador de festivais da altura, como o Intercéltico do Porto, os Encontros de Tradição Europeia, as Cantigas do Maio, o Folk Tejo e o Festima, foi editor da Revista Voice e colaborador regular do Jornal O Independente e da Revista Visão.
Iniciou há já treze anos a conceituada webzine Crónicas da Terra, um espaço de reflexão e de divulgação musical das músicas do mundo e das suas múltiplas ramificações.
É também da sua iniciativa o programa de rádio Terra Pura com emissão semanal na Rádio Zero, Rádio Universitária do Minho, Rádio Universitária de Coimbra, entre outras.

10 JULHO DOMINGO | MANDRÁGORA [Porto]
www.myspace.com/mandragorafolk
Remontam a 1999 os primeiros encontros entre a música de Filipa Santos, Ricardo Lopes e Pedro Viana. Em 2000 o trio dá-se a conhecer como Mandrágora com a gravação de 3 temas que conquistam o 2º lugar nos prémios maqueta na categoria folk, seguindo-se a estreia ao vivo, já com Luís Martinho e Nuno Silva, no 1º Festival Intercéltico de Sendim.
Nos anos seguintes o grupo actua com diferentes formações um pouco por todo o país e também no estrangeiro tendo sido escolhida para representar Portugal no 2º Encontro Europeu de Jovens Músicos Tradicionais no Eurofolk 2002 em Parthenay, França.
O álbum “Mandrágora” é então editado em 2005 tendo sido muito bem recebido pela imprensa e comunidade on-line, vindo também a ser galardoado com o Prémio Carlos Paredes, atribuído anualmente ao melhor disco português de música instrumental não erudita.
Segue-se a entrada de Sérgio Calisto e mais tarde João Serrador. O quinteto começa a trabalhar no seu segundo álbum e posteriormente efectua uma residência musical em Langonnet, sobre a orientação de Jacky Molard, da qual resulta uma tournée na Região da Bretanha com os convidados Simone Alves e Guilhaume Le Guernne.
O lançamento do segundo álbum “Escarpa” recebe mais uma vez rasgados elogios da crítica especializada chegando mesmo a melhor do ano nas publicações A Trompa e Sopa de Pedra.

13 JULHO QUARTA-FEIRA | ALBALUNA [Lisboa]
www.myspace.com/albalunapt
Albaluna integra elementos de várias áreas do universo musical e tem como máxima a fusão de ambientes e paisagens, sendo a base a sonoridade folk.
Partindo de instrumentos tradicionais de diversas partes do mundo e conjugando-os com a evolução de outros mais recentes surgem novas interpretações de repertório nacional e internacional. A banda pretende divulgar um conceito que transporte o ouvinte para territórios perdidos no tempo.
O percurso dos Albaluna passa já por um vasto território. No último ano a banda percorreu o país de Norte a Sul, tendo actuado nas ilhas (Açores e Madeira) e contando também com algumas prestações internacionais em países como Itália, Lituânia e Alemanha. No seu momento actual fica sobretudo a promessa do lançamento do primeiro trabalho de originais da banda.

15 JULHO SEXTA-FEIRA | BELLÓNMACEIRAS [Corunha]
www.bellonmaceiras.com
O quinteto BellonMaceiras propõe uma nova forma de entendermos as músicas do mundo a partir da Galiza.
O projecto foi fundado em 2005, a partir da união musical do gaiteiro e sanfoneiro Daniel Bellón e do acordeonista Diego Maceiras. O seu profundo conhecimento da música tradicional da Galiza e a sua proximidade artística às culturas de outros países conferem-lhes a facilidade em misturar sem medo, fundindo ritmos e melodias de diferentes lugares na busca da identidade do grupo.
Mantendo-se sempre livres de quaisquer espartilhos estilísticos rígidos, é a contribuição musical de cada músico que marca o som particular do quinteto. Com total liberdade para interpretar composições próprias ou para dar a conhecer músicas de outros, sem preconceitos ou visões padrão que possam forçar o quinteto a seguir uma linha.
Estas são, sem dúvida, as principais características definidoras do quinteto BellónMaceiras: A fusão de estilos sem complexos e o virtuosismo e versatilidade de Daniel Bellón na gaita e saxofone, Diego Maceiras no acordeão, Juan Cabe na guitarra, Juan Tinaquero no baixo e Miguel Lamas na bateria.
Bom exemplo de tudo isto será o enorme êxito da sua participação no Festival de Cosquín, na Argentina, na concepção do espectáculo “A Viaxe”, em colaboração com Dulce Pontes e o pianista Juan Carlos Cambas.

16 JULHO SÁBADO
22h30 | GALANDUM GALUNDAINA [Miranda do Douro]
www.galandum.co.pt
Galandum Galundaina é um grupo de música tradicional mirandesa, criado com o objectivo de recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e a língua das terras de Miranda.
Em 15 anos de existência o grupo desenvolveu vários trabalhos. Para além da edição de três discos e um DVD ao vivo, também são de sua responsabilidade a padronização da gaita-de-foles mirandesa e a organização do Festival Itinerante de Cultura Tradicional "L Burro i l Gueiteiro".
Os álbuns editados têm tido uma excelente apreciação pela crítica especializada. Em 2010, para além da atribuição do Prémio Megafone, o álbum “Senhor Galandum” foi reconhecido pelos jornais Público e Blitz como um dos dez melhores álbuns nacionais.
Do roteiro do grupo fazem parte alguns dos mais importantes festivais de música tradicional e world music em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Cuba, Cabo Verde, Brasil, México e Malásia.
Ao longo dos últimos anos o grupo interessou-se pela construção de instrumentos musicais de raiz tradicional e actualmente grande parte dos instrumentos usados em concerto são da sua autoria. Desta forma, os Galandum Galundaina obtêm sonoridades e afinações que lhes conferem um estilo muito próprio.
Paulo Preto, Paulo Meirinhos, Alexandre Meirinhos e Manuel Meirinhos dedicam parte da sua vida a recolher, estudar e divulgar as mais diversas formas de música tradicional da pequena região do nordeste trasmontano, tentando dar um toque de modernidade aos seus trabalhos, sem jamais descorar os ritmos e timbres dos instrumentos e vozes.
O património cultural do nordeste trasmontano constitui de facto um elemento muito importante da identidade cultural local, uma fonte de riqueza e um factor de desenvolvimento. Miranda do Douro faz fronteira com Castela e Leão, regiões que comungam de uma cultura muito idêntica no que concerne à música e à etnografia, provando que a cultura não tem felizmente fronteiras.

23h55 | DAZKARIEH [Lisboa]
Após um caminho de dez anos de vida, os Dazkarieh conseguiram criar um som inconfundível.
www.dazkarieh.com
É o som do passado pelos instrumentos antigos e acústicos e é o som do presente que se ecoa quando se transforma em distorção pura. É a tradição portuguesa, mas também uma tradição dos nossos dias que provocam uma explosão sonora, ainda que plena de intimismo.
Quatro músicos em palco são o elo de ligação entre passado, presente e futuro. É uma viagem pelo imaginário sonoro de Portugal e do Mundo e uma energia avassaladora que não deixa ninguém indiferente.
“Hemisférios”, o quarto trabalho da banda, é um disco duplo em que num dos discos se encontram as suas composições originais e no outro temas da tradição oral Portuguesa tratados com a já inconfundível assinatura do grupo. O disco foi considerado pela crítica como o melhor do grupo até à data. A digressão que acompanhou o lançamento consistiu em mais de 50 concertos em importante salas e festivais de Portugal, Alemanha, Áustria, Polónia, Espanha e Malásia. Segue-se agora o “Ruído do Silencio” e a expectativa de um espectáculo vibrante em Viana do Castelo.

01h20 | CHARANGA [Lisboa]
A Charanga é o Francisco Gedeão, o Alberto Baltazar e o Quim Ezequiel. Conheceram-se no 14º Festival de Grupos Folclóricos de Freixo-de-Espada-à-Cinta e fundaram este projecto de música electrónica fortemente ligado às raízes da cultura popular portuguesa.
charangacharanga.net
Alberto tinha conseguido uma extraordinária máquina moderna de fazer música e viu em Francisco um companheiro com quem partilhar o segredo. Quando experimentavam o objecto avançado, Quim passava pelas redondezas com a sua gaita-de-fole, e, incontrolavelmente atraído pelos sons da máquina, deu consigo numa cave escura, longe de olhares críticos, com dois estranhos hipnotizados pelo processo criativo. Desde então tocam juntos, evangelizando o povo com a sua mensagem trans-temporal.
A Charanga é música e performance, portuguesa e internacional, moderna e antiga, revolucionária e tradicional, rural e cosmopolita, analógica e digital, festiva e introspectiva, orgânica e maquinal.
E, como não podia deixar de ser, a Charanga é e faz tudo isto segundo as lições do povo, que rima para recordar e representa para comunicar, materializando as suas actuações em espectáculos multidisciplinares que combinam a música com a performance e a ilustração visual videográfica.

AFTER HOURS | ANTÓNIO PIRES [Raízes e Antenas]
raizeseantenas.blogspot.com
António Pires trabalhou no jornal Blitz durante vinte anos tendo sido chefe de redacção durante doze. Publicou inúmeros textos no Se7e, Expresso, A Capital, Revista de Cinema, Face, Mini International e Autores.
Frequentou durante três anos o Curso de História da Faculdade de Letras de Lisboa e completou o Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema. Tornou-se então jornalista freelancer e o distinto responsável pelo influente blogue Raízes e Antenas. Colabora ainda com as revistas Time Out Lisboa e Magazine.HD e com o Jornal i e é o autor dos livros «As Lendas do Quarteto 1111», "Raízes e Antenas - Mistérios e Maravilhas da World Music" e "Portugal - As Grandes Canções de Sempre".
António Pires celebra o seu aniversário em Viana do Castelo com algumas músicas do mundo celta exclusivamente seleccionadas para esta sessão de after hours.

17 JULHO DOMINGO | MARFUL [Corunha]
www.marful.info
Marful está muito perto de personificar o que de melhor que se podia passar à música galega na última década. Pelo menos é o que dizem os fãs do grupo.
O colectivo revolucionou a música galega, tendo-se inclusivamente convertido numa banda de culto entre a intelectualidade do seu país e arredores.
A música de Marful expressa ideias, proclama sentimentos, descreve paisagens, narra histórias. A música de Marful é uma exaltação à abstracção.
Por meio de dois aclamados trabalhos discográficos, os Marful situam-se no centro do panorama folk internacional, tendo actuado no Festival de Músicas do Mundo de Sines, Celtic Connections, Ortigueira e tendo sido o primeiro grupo a representar a Galiza no Womex, porventura a mais conceituada mostra de músicas do mundo da actualidade.
Com o seu primeiro disco, “Marful”, Ugia Pedreira na voz, Marcos Teira na guitarra, Pedro Pascual no acordeão e Pablo Pascual no clarinete devolvem á música galega as melodias e ritmos que invadiam os salões de baile nos anos 20 e 30 fazendo uso de arranjos cuidados e de uma postura em palco manifestamente irreverente.
O último álbum, “Manual de sedución”, encerra os salões de baile e concentra-se no cinema. Pasodobles, swings, mambos, valsas e quatro músicos que conhecem o real e o imaginário. Nem são emigrantes nem turistas. São quatro exploradores que sabem onde fica o ponto de partida da viagem mas não fazem a mínima ideia sobre onde ela possa terminar.

SESSÕES DE CINEMA DOCUMENTAL
9 e 16 JULHO | 22h | O TOQUE DA GAITA DE FOLES
de Luís Margalhau (Portugal, 2010, 22min)
doc100imagens.blogspot.com
É na oficina “Os Sons da Música”, situada no litoral Oeste, em Porto Rio, Concelho de Torres Vedras, que Mário Estanislau e Victor Félix dão vida e voz a gaitas-de-foles, sanfonas, cavaquinhos e bandolins.
Fomos beber da sabedoria de gente simples e acompanhamos o dia-a-dia de quem põe toda a sua alma, engenho e arte na criação e manutenção das gaitas-de-foles.
As imagens e os depoimentos espelham a relação dos artesãos com o fruto da sua criação e a cumplicidade que estabelecem com aquela peça artesanal que, depois de pronta, se transforma numa ferramenta inseparável do músico, num instrumento popular que enche de alegria ruas e palcos.

07 junho, 2011

Festival de Música Celta de Viana do Castelo (Ou o Eixo Portugal-Galiza)


Que belo programa! A edição de 2011 do Festival Celta de Viana do Castelo faz, de facto, a ponte perfeita entre o Minho e a Galiza, irmanando ainda mais as músicas dos dois lados da fronteira (uma fronteira que, como se sabe, é muito mais política que histórica, linguística ou cultural). O comunicado oficial:


"FESTIVAL DE MÚSICA CELTA | 2 - 17 JULHO | VIANA DO CASTELO | CAPITAL DA CULTURA DO EIXO ATLÂNTICO 2011

De 02 a 17 de Julho, paralelamente à já tradicional Feira do Livro de Viana do Castelo, este ano na sua 31ª edição dedicada à literatura luso-galaica, decorre o Festival de Música Celta no Jardim da Marina, que integra várias representações oriundas desta região transfronteiriça e que pretende, acima de tudo, afirmar o carácter actual e diverso das culturas de cariz tradicional. Este Festival de Música Celta conta com a presença de vários nomes de grande relevo na música de raízes desta região, bem como de algumas propostas em plano emergente que caminham a passos largos para a sua afirmação.

A voz inconfundível da galega Uxía inaugura o palco do festival no dia 2 de Julho, com a apresentação em primeira mão de “Meu Canto”. A tradição rejuvenescida dos Galandum Galundaina, a sonoridade mais modernista dos galegos Marful, a fusão galaico-portuguesa dos Assembly Point ou a energia emanada da banda de Anxo Lorenzo estão também entre os principais destaques da programação do festival.

PROGRAMAÇÃO
02 Jul | sáb | UXÍA (Galiza) + MU (Portugal)
03 Jul | dom | TANIRA (Portugal)
06 Jul | qua | OGHAM (Portugal)
08 Jul | sex | ASSEMBLY POINT (Portugal/Galiza/Irlanda)
09 Jul | sáb | ANXO LORENZO (Galiza) + BAILENDA (Portugal)
10 Jul | dom | MANDRÁGORA (Portugal)
13 Jul | qua | ALBALUNA (Portugal)
15 Jul | sex | BELLONMACEIRAS (Galiza)
16 Jul | sáb | GALANDUM GALUNDAINA (Portugal) + CHARANGA (Portugal)
17 Jul | dom | MARFUL (Galiza; na foto)

INFORMAÇÕES
local: Anfiteatro do Jardim da Marina | Avenida Marginal, Viana do Castelo | GPS: 41.692499, -8.825562
início dos espectáculos: 22h30 | entrada livre

organização: Câmara Municipal de Viana do Castelo | www.cm-viana-castelo.pt
produção: Núcleo de Apoio às Artes Musicais | www.naam.pt"

06 março, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXIII


Afinal o que é a música portuguesa?
Publicado em 28 de Janeiro de 2010

Um comentário de um leitor deste jornal, na sua versão online, ao meu último texto fez-me pensar na seguinte questão (e nalgumas outras, paralelas): afinal o que é a música portuguesa? O comentário, justíssimo!, referia-se à ausência dos Buraka Som Sistema (na foto) na lista das mais relevantes exportações da música portuguesa. Nesta coluna, há alguns meses, eu próprio apontava a saudável ironia que é o facto de os artistas musicais residentes em Portugal mais conhecidos, actualmente, no estrangeiro serem Mariza (que nasceu em Moçambique) e os Buraka Som Sistema (em que apenas um elemento é português e com a própria música do grupo a ser um misto de música angolana, jamaicana e norte-americana). E é aqui que está parte da questão. O que é a música portuguesa? É apenas a música feita por portugueses, cantada em português, com raízes portuguesas (urbanas como o fado ou rurais como os corridinhos ou o cante alentejano)? Deveremos fazer a distinção entre "música portuguesa", "música feita por portugueses" (seja de que género for, desde que os músicos sejam nacionais) e "música feita em Portugal" (feita por portugueses e também por estrangeiros residentes em Portugal)? E onde encaixar aqui os inúmeros estrangeiros, residentes nos respectivos países, que cantam ou tocam fado? Isto é: fazem mais "música portuguesa" a fadista catalã Névoa, os Blind Zero ou o Ricardo Rocha, que toca instrumentais em guitarra portuguesa mas que a leva para outros universos musicais?



Outros caminhos do fado
Publicado em 04 de Fevereiro de 2010

Há variadíssimas colecções de discos de fado. Só para citar algumas, há a do jornal "Público" (que conta a história do fado, com notas importantes de Rui Vieira Nery); há uma mais recente da CNM (Companhia Nacional de Música); "The Best of Fado - Um Tesouro Português", da EMI; as lindíssimas caixas "Divas do Fado" e "Fado sempre! Ontem, hoje e amanhã", ambas da Difference; etc. E haverá, no futuro, a mais aguardada de todas: a edição em CD dos velhos discos de fado (e não só) em 78 rpm, coleccionados por Bruce Bastin, e que será editada, ao que presumo, pela Tradisom. Esta de que falo hoje, "Alma Lusitana", é uma edição conjunta FNAC/iPlay: seis CD que fazem uma viagem global e bastante aliciante por várias décadas de fado, tanto pelos seus cantores como pelos intérpretes de guitarra portuguesa - estão aqui os inevitáveis Carlos Paredes e Armandinho, Alfredo Marceneiro, Tristão da Silva e Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Beatriz da Conceição e Hermínia Silva... E que também surpreende pela quantidade de nomes novos e desviantes que inclui. Um dos CDs - e logo o primeiro da série! - intitula-se, exactamente, "Outros Caminhos", e nele aparecem nomes como A Naifa, Donna Maria ou os Atlantihda (na foto), mas também os Cool Hipnoise, Sam The Kid, Ana Deus (Três Tristes Tigres) ou M-Pex. Noutros CDs estão Pedro Jóia e Catarina Moura (Brigada Victor Jara), com a sua participação em "Fados", de Carlos Saura. Todos a mostrar que há muito fado para além das fronteiras do fado.



Tradição é a transmissão do fogo...
Publicado em 11 de Fevereiro de 2010

Há uma fase de Gustav Mahler que está a fazer uma saudável escola entre a comunidade "trad" portuguesa: "A tradição é a transmissão do fogo, não a veneração das cinzas." E isso reflecte-se na música de muitos dos novos grupos e artistas portugueses. De muitos deles já falei aqui - ainda a semana passada foram referidos nesta coluna vários desvios ao fado -, havendo hoje espaço para mais cinco. Nos seus discos de estreia, o álbum "Dentro da Matriz" e o EP "Electrónica cá da Terra", respectivamente, os Omiri (projecto a solo de Vasco Ribeiro Casais, dos Dazkarieh) e os Charanga mergulham de cabeça na tradição e transformam-na em música absolutamente moderna e actual. Os Omiri vão a várias danças tradicionais europeias e injectam-lhes distorção e heavy-metal, mas também... drum'n'bass. Ao drum'n'bass e a outras tipologias electrónicas vão também os Charanga, estes mais empenhados em recriar temas profundamente portugueses. No seu novo álbum, "Senhor Galandum", os veteranos Galandum Galundaina (na foto) não prescindem da música tradicional transmontana, cantada em mirandês e tocada com instrumentos acústicos, mas também surpreendem quando dão a Hugo Correia (Fadomorse) a remistura electrónica de "Nabos (cun alheiras i bino)". A cantora Claud recria e bem, no seu novo álbum "Pensamento", temas de Sérgio Godinho, Jorge Palma e Trovante. E os OliveTreeDance dão três voltas ao malhão - em "Viva o Malhão", do EP "Urbano Roots" - com didgeridoo e percussões trance!

09 dezembro, 2010

Festival GEADA - Pela Terceira Vez a Derreter o Gelo


Vem aí mais um GEADA e, para ajudar a derreter o gelo ou o caramelo, o melhor é ler o comunicado oficial:

«Decorrerá de 28 a 30 de Dezembro, o "GEADA 2010 - III Festival de Cultura Tradicional das Terras de Miranda", uma organização dos Pauliteiros da Cidade de Miranda do Douro e da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa.

Nesta 3ª edição, prometemos guiar os visitantes numa pequena viagem pelas tradições de inverno do planalto mirandês, ao som de alguns dos melhores grupos de música tradicional do nosso país. Galandum Galundaina, Sebastião Antunes, Karrossel (na foto), Ogham, Uxu Kalhus e Roncos do Diabo são os destaques do GEADA 2010.

Em Paralelo decorrerão diversas actividades como: a "Mirarte - III Exposição Artística da Juventude Mirandesa, arruadas, uma volta pelas adegas típicas, palestras, oficinas de danças tradicionais, oficinas de pauliteiros, oficinas de escrita e oralidade de língua mirandesa.

Programa:
Dia 28 – VOLTA às ADEGAS
14h00 – Arruada
16h00 – Inauguração da “MIRARTE – Exposição Artística da Juventude Mirandesa”
22h00 – VOLTA às ADEGAS
00h00 – Gaitas à Solta


Dia 29
14h00 - Arruada

15h00 - Língua Mirandesa: oficina de escrita e de oralidade, com Alfredo Cameirão
17h00 – Oficina de Danças Mirandesas, Susana Ruano
18h00 – Oficina de Danças Europeias, Diana Azevedo
22h00- Baile Tradicional
Las Çarandas
SEBASTIÃO ANTUNES

KARROSSEL
GALANDUM GALUNDAINA
LSD
Dia 30
14h00 - Arruada

15h00 - Perspectivas actuais e futuras da música mirandesa, com Mário Correia
16h00 – Da língua à música tradicional Mirandesa, com Domingos Raposo
17h00 – Oficina de Pauliteiros
22h00 - Baile Tradicional
Coro Infantil de Miranda do Douro
OGHAM
UXU KALHUS
RONCOS DO DIABO


Animação Permante: IPUM, Pauliteiros da Cidade de Miranda do Douro e Mirandanças


Mais informações:

http://festivalgeada.blogspot.com»

15 novembro, 2010

Clube Conguito no Festival Lisboa Mistura


O Clube Conguito (DJs António Pires e Rodrigo Madeira; na foto, de António Pedro Ferreira) encerra as festividades da edição 2010 do Festival Lisboa Mistura, uma organização da Associação Sons da Lusofonia, que decorre no Teatro Municipal de S.Luiz, em Lisboa, de 3 a 5 de Dezembro. Um Festival que, ao longo desses três dias, mostra muitas e desvairadas músicas de todo o mundo! Mais informações pertinentes:

"Lisboa Mistura é um espaço de encontro, no centro da cidade, entre pessoas e entre artes e entre artistas de várias proveniências geoculturais. Lisboa Mistura músicas, dança, vídeo, poesia: artistas contadores de estórias em formatos variados. Lisboa Mistura pessoas e convida-as a conhecer outros convidados, pessoas de bairros tão próximos dos nossos e que muitas vezes não "vemos". Mistura jovens que vêm em autocarros e de outras formas menos volumosas, amigos, familiares e apoiantes de Associações dos bairros a que estes pertencem. É a O.P.A. a Lisboa! E a alegria de nos reconhecermos em cada rosto que olha a partilha, o ser intercultural.

Lisboa Mistura é o 1º evento intercultural organizado pelos lisboetas de todos os lugares. Esta 5ª edição é feita para ouvir em silêncio os sons do Mundo, para dançar livremente os sons da Terra, para nos envolvermos em causas de todos, para nos divertirmos e para pensar no futuro enquanto comunidade. É mesmo um espaço de debate e celebração. E convidamos todos, não a irem aos bairros, mas a virem ao centro de Lisboa assistir a uma grande peça, com dramaturgias variadas, em que "Nós" somos os protagonistas.

Na Sala Principal teremos desde o lançamento em Lisboa do novo álbum dos Terrakota (um êxito antes de começar), passando pela voz quente da brasileira Adriana Miki, da "pop" tribal do senegalês Nuru Kane, a subtileza melódica e rítmica do guineense Kimi Djabaté, até ao Lisnave que este ano junta no mesmo palco a nova música portuguesa com a experiência dos Dead Combo & Bateria Siamesa dos Paus, Galandum Galundaina (prémio 2010 Megafone), Diabo na Cruz e as imagens de Tiago Pereira e António Jorge Gonçalves, até ao "Void" de Clara Andermat.

Mas a Mistura continua e intercala os concertos do Jardim de Inverno com as participações dos novos projectos de produtores e DJ´s como Bordell, Octapush, Clube Conguito, Dj Dinis ou a alegria do Anónima Nuvolari que abrem a festa no primeiro dia. E claro teremos uma mostra muito séria e animada do que é feito pelos jovens dos bairros de Lisboa, a Grande claro, que vêm ao Teatro São Luiz com as suas mensagens e urgências. Para que todos possam participar organizámos uma Festa Intercultural com grupos mais ou menos amadores compostos por chineses, indianos, africanos, portugueses, brasileiros, ucranianos...onde nos vamos conhecer melhor."

22 setembro, 2010

Tocar de Ouvido - Está Quase Aí!


A edição 2010 do Tocar de Ouvido decorre de 5 a 10 de Outubro, tendo como destaques os concertos, oficinas e colóquios do Raaga Trio (grupo que junta músicos do Mali - nomeadamente Andra Kouyaté, irmão de Bassekou e o inventor do n'goni baixo -, Itália e Suiça; na foto), Quatro ao Sul e Galandum Galundaina, para além de uma residência de músicos orientada por Paulo Pereira e José Mário Branco.

Programa:

"Oficinas de Instrumentos

Flauta de Tamborileiro, Adufe, Canto Polifónico, Cavaquinho, Gaita-de-fole, Composição Modal...há de tudo, para todos.
Dias 7, 8, 9 e 10 de Outubro, em Évora.


Concertos
Quatro ao Sul - Raaga Trio - Galandum Galundaina

Nos dias 7, 8 e 9 de Outubro, no Teatro Garcia de Resende, as noites de Évora vão escaldar com o calor do Mediterrâneo (Quatro ao Sul); África (Raaga Trio) e Planalto Mirandês (Galandum Galundaina). Durante o dia, os músicos darão Oficinas de Instrumentos e Colóquios abertos ao público...


Residência de Músicos

O Tocar de Ouvido quer juntar 10 músicos atrevidos e inovadores para reinventarem em conjunto a música popular portuguesa, de 5 a 8 de Outubro, em Évora.
Orientadores: José Mário Branco e Paulo Pereira.
Inscrições até 27 de Setembro.

Mais informações, aqui.

19 agosto, 2010

Ecos da Terra na Recta Final do Verão


O Ecos da Terra, em Celorico de Basto, começa já hoje. Aqui fica a programação e a notícia, directamente sacadas ao camarada Luís Rei, das Crónicas da Terra.

"Celorico de Basto recebe de 19 a 21 de Agosto mais uma edição do Festival Ecos da Terra com um cartaz de música portuguesa (e não só) variado e consistente.

Além da divulgação musical, o Ecos da Terra, pretende divulgar o que de melhor existe na região de Basto em termos de beleza paisagística, gastronomia, artesanato e, «claro, as maravilhosas gentes» locais.

Programa:

19 de Agosto (Quinta-feira)

Tuttis Catraputtis.

20 de Agosto (Sexta-feira)

Bilan;
Mosca Tosca;
Roncos do Diabo;
Olive Tree Dance.
Workshops/Actividades diurnas:
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Didgeridoo;
Workshop de Percussão;
Workshop de Danças Africanas.

21 de Agosto (Sábado)

Toques do Caramulo;
Uxu Kalhus;
Galandum Galundaina;
Melech Mechaya (na foto).
Workshops/Actividades diurnas
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Danças de Miranda;
Workshop de Fotografia;
MostrArte.

Bilhetes para os concertos
19 de Agosto – Entrada Gratuita;
20 de Agosto – 12 euros;
21 de Agosto – 13 euros;
Passe 3 dias – 20 euros.
Os Workshops e campismo são grátis"

12 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VI)


Os Três Senhores
por António Pires, Publicado em 27 de Agosto de 2009

O encontro estava pensado há muito tempo, mas só agora se vai concretizar: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto vão dar dois concertos em conjunto (um em Lisboa, a 22 de Outubro; outro no Porto, a 31 do mesmo mês), em que vão cantar canções próprias e dos outros companheiros em palco - e, aposto, também de José Afonso, o "pai" musical e ideológico deles todos -, a solo, em duo ou em trio. Os espectáculos - e não é preciso ser a Maya para prever que serão dos mais relevantes de sempre da música portuguesa - serão gravados para posterior edição em CD e DVD. Há cinco anos (Maio de 2004), a propósito da edição do álbum "Resistir É Vencer", em que participavam como convidados Sérgio Godinho e Fausto, fiz uma entrevista a José Mário Branco em que lhe perguntava: "Em que pé está a ideia de fazer um espectáculo conjunto dos três?" A resposta de José Mário Branco foi exemplar: "Para já é só um projecto. Mas é daquelas coisas que, como se costuma dizer, não gostaria de morrer sem fazer, sem que esse espectáculo conjunto acontecesse. Mas um espectáculo em que fizéssemos músicas originais não seria um espectáculo do género: 'Olha ali aqueles três velhinhos a olharem para o passado.'" E, a julgar pela influência que os três têm tido na música portuguesa actual - audível em inúmeros artistas e grupos de variadas famílias musicais -, não se duvida um só segundo que estes "Três Cantos" (na foto, de Augusto Brázio) vão ser dois concertos que também irão lançar muitíssimas sementes para o futuro.





Toquem Gaiteiros, que nós dançaremos
por António Pires, Publicado em 03 de Setembro de 2009

A chegar à "maioridade" - são já 18 anos de carreira! -, os Gaiteiros de Lisboa estão prestes a editar um novo álbum, onde terão a companhia de Ana Bacalhau (Deolinda), Sérgio Godinho, Zeca Medeiros e Adiafa. E este texto serve para celebrar, por um lado, a notícia de um disco novo dos Gaiteiros de Lisboa, sem dúvida a banda- -charneira da renovação da música tradicional portuguesa, fazendo a ponte entre José Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto e GAC - Vozes na Luta e dezenas de novos grupos portugueses. E, por outro, para lhes fazer justiça num pormenor muitas vezes esquecido: a sua importância na transmissão pelo gosto da aprendizagem da gaita-de-foles às gerações mais novas. Curiosamente, um dos músicos dos Gaiteiros de Lisboa, Paulo Marinho, começou esse trabalho quando ainda fazia parte de uma banda de... rock, os Sétima Legião, que nos anos 80 levaram a gaita transmontana e galega ao conhecimento de muitos rapazes e raparigas dos grandes centros urbanos. Agora, em 2009, há gaiteiros em inúmeros grupos que não são só de gaitas-de-foles, mas também há outros - de Trás-os-Montes às regiões sulistas - que têm na gaita (e na caixa e no bombo) o seu instrumento preferencial: Galandum Galundaina, Roncos do Diabo, Lenga-Lenga, Velha Gaiteira, Gaiteiros de Alcochete, Cornes e Míscaros são apenas alguns deles. E - a atestar o crescimento do fenómeno - até há um grupo na Casa Pia. (*)






Roberto... Leal às raízes
por António Pires, Publicado em 10 de Setembro de 2009

Os músicos e cantores que mudam de rumo musical não são uma grande novidade. Só para nos cingirmos ao caso português, relembre-se como - entre tantos outros - José Cid já passou pela pop, pelo rock progressivo, pela música ligeira, pelo jazz ou pelo fado (é, sem dúvida, o maior "camaleão" da música nacional); Rão Kyao saltou do saxofone jazz para as flautas do mundo; Vítor Rua renegou a pop para se atirar à música arty e experimental. Até Amália Rodrigues tentou trocar o fado por outras coisas quaisquer (da música espanhola e italiana ao folclore ou àquele objecto não identificado chamado "O Sr. Extraterrestre"). Mas o caso de que falamos hoje é ainda mais extremo: Roberto Leal, o maior embaixador da música portuguesa no Brasil - e obedecendo quase sempre ao grande requisito desse estatuto (também sublinhado quando os malogrados Mamonas Assassinas assinaram o seu êxito "Vira-Vira") que é ser profundamente «'tuga» e... foleiro - deu, de há dois anos para cá, uma volta enorme na sua carreira. Fazendo apelo à sua condição de natural de Macedo de Cavaleiros, Leal editou "Canto da Terra" em 2007, um disco em que cantava temas tradicionais transmontanos, com músicos da Brigada Victor Jara e dos Galandum Galundaina. Ainda se pensou que era um capricho passageiro, mas agora surge "Raiç/Raiz", onde o reportório é um pouco mais alargado, mas em que Trás-os-Montes continua presente, e com um acentuado grau, se não de pureza, pelo menos de um respeito enorme. E com os mesmos bons músicos, também.

(*) - Nota... má: dez meses depois da publicação deste texto no "i", o novo álbum dos Gaiteiros de Lisboa ainda não foi editado - culpa da crise, da vontade da indústria discográfica, de outra (não) vontade qualquer... Um dia destes há-de existir, espero!

01 julho, 2010

MED de Loulé - Bregovic, Vieux e... A Música Portuguesa


A última edição do festival MED de Loulé voltou a registar vários enormes momentos de música. E, para além de grandes concertos de Goran Bregovic (um concerto em que dancei e fiz mosh, gritei e cantei, arrepiei-me e chorei com "Ederlezi"), Vieux Farka Touré (já liberto do fantasma do pai genial, a trilhar caminhos próprios mais próximos do rock e, agora, um fabuloso guitarrista) e Orchestra Baobab (os velhos embondeiros continuam de pé e a namorar-nos de uma forma cada vez mais sedutora e descarada), o MED teve como grande destaque deste ano o espaço e respeito que deu à música portuguesa, muita dela nova e arriscada. É a esse assunto que eu dedico a minha crónica de hoje no jornal "i" - edição online: http://www.ionline.pt/conteudo/67233-loule-e-musica-portuguesa -- e que aqui também transcrevo:

"No fim-de-semana passado tive a honra de encerrar como DJ - juntamente com o meu companheiro do Clube Conguito, Rodrigo Madeira - o MED de Loulé, um festival que está a crescer de forma sustentada em público, qualidade intrínseca de programação e prestígio internacional. E, o mais importante, a crescer na aposta que fez este ano em muitos nomes da música portuguesa, alguns já conceituados, outros novos. Do veterano Zeca Medeiros, que terá finalmente um álbum que lhe faz justiça no Outono, aos fabulosos Diabo na Cruz, que homenagearam, em rock, a Brigada Victor Jara e os Gaiteiros de Lisboa. Dos cada vez melhores (mais telúricos, complexos e misteriosos) Galandum Galundaina aos Orelha Negra, que vão à música negra americana mas transportam uma portugalidade intrínseca. Dos já quase consagrados, e muito justamente, Mazgani -- que resistiu galhardamente às interferências de um jack traiçoeiro (na foto) --, Anaquim e Virgem Suta aos prometedores Macacos do Chinês (há uma guitarra portuguesa no hip-hop!), Atma e Pucarinho. Para grande pena minha, não vi os Andersen Molière (tocaram à mesma hora que Goran Bregovic, que deu um dos melhores concertos que vi em toda a minha vida e não consegui arredar de lá pé), 3 Pianos (coincidiu com os Galandum Galundaina) e The Legendary Tiger Man (estava uma tal enchente que não consegui entrar no palco Castelo)".

09 julho, 2009

L Burro i l Gueiteiro - Por Esses Vales Dentro!


O som dos cascos dos burros e das gaitas-de-foles (e outros instrumentos folgazões) vai voltar a ouvir-se pelos montes e vales de Terras de Miranda e Vimioso. Com concertos - La Musgaña, Velha Gaiteira, Galandum Galundaina, Elisio Parra, Uxu Kalhus, Curinga, German Diaz, Dazkarieh, Roncos do Diabo e Tocándar -, sessões de DJ, workshops, muitos quilómetros de passeio e algumas outras coisas, é a sétima edição do originalíssimo festival L Burro i l Gueiteiro, na última semana de Julho.


O programa completo:


«Entre os dias 25 e 30 de Julho, realiza-se a VII Edição do Festival Itinerante da Música Tradicional “L BURRO I L GUEITEIRO”, pelas aldeias dos concelhos de Vimioso e Miranda do Douro, Nordeste Transmontano

A AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, www.aepga.pt) e a GGAC (Galandum Galundaina Associação Cultural, www.galandum.co.pt) pretendem com mais uma edição do Festival Itinerante da Cultura Tradicional “L Burro I L Gueiteiro” potenciar a música e os arraiais tradicionais, as danças mirandesas, a gastronomia local, a fauna, a flora e o quotidiano de quem resiste por Terras de Miranda e outras formas de culturas que se exprimem através do uso de antigos instrumentos e se conservam através da transmissão oral de geração em geração e que com o passar do tempo tendem a correr o risco de desaparecer com os últimos depositários desta antiga sabedoria popular. Desta forma, deparamo-nos aqui com mais um ano para reviver um encontro com a natureza através de um evento que tem vindo a proporcionar aos participantes a descoberta da cultura popular das Terras de Miranda, uma região que apresenta um património natural e histórico-cultural riquíssimo que procuramos preservar, promover e divulgar através deste tipo de eventos.



Durante seis dias de actividades, iremos caminhar na companhia do Burro de Miranda por antigos caminhos, contemplando as belas paisagens transmontanas que nos irão conduzir ao encontro das aldeias das Terras de Miranda, do convívio com a população local e da entusiasta diversão concedida pela partilha dos antigos arraias possibilitando a aprendizagem de danças locais, conhecimentos e culturas tradicionais com o convívio entre visitantes e as gentes da terra. Numa região que tem sofrido nas últimas décadas uma intensa desertificação humana e com ela uma erradicação cultural onde, conjuntamente, se vão perdendo as próprias tradições e a perda da sua identidade cultural, procura-se com a realização deste evento contribuir para a afirmação da identidade cultural local e divulgar novos usos associados ao Burro como os fins turísticos, educativos e terapêuticos. Simultaneamente, pretende-se reavivar a memória do Burro como um meio de transporte, usado outrora para apoio nas deslocações das populações locais, conciliando com um antigo facto histórico em que os antigos gaiteiros faziam-se transportar para as romarias montados no seu dorso.





1. De 25 a 30 de Julho: VII Edição do Festival Itinerante da Cultura Tradicional “L Burro I L Gueiteiro”, concelhos de Vimioso e Miranda do Douro, Nordeste Transmontano

2. PLANO DE ACTIVIDADES 2009



1. De 25 a 20 de Julho: Festival Itinerante de Música Tradicional “L BURRO I L GUEITEIRO”, Vimioso, Vila Chã da Ribeira, Uva, Atenor, Fonte de Aldeia; concelhos de Vimioso e Miranda do Douro, Nordeste Transmontano



PROGRAMA



Sábado, 25 de Julho de 2009

Casa da Cultura, vila de Vimioso



Das 20h00 às 21h30: Inscrições/recepção dos participantes

Apresentação do programa



22h00: Abertura da VII Edição “L Burro I L Gueiteiro” com

CIRCOLANDO (www.circolando.com)





Domingo, 26 de Julho de 2009

Aldeias de Vila Chã da Ribeira e Uva



10h00: Oficinas diversas



- De Instrumentos regionais (Gaita-de-foles, Caixa, Bombo, Flauta Pastoril, Pandeiro). Em tom de conversa, porque são muitas as histórias que os músicos têm a contar destes instrumentos, experimente e sinta a sonoridade destes peculiares instrumentos;



- De Cantares Tradicionais. Descubra os cantares que, durante séculos, animaram trabalhos e serões, bem como os bailes do terreiro da aldeia, e deixe-se levar pelos costumes doutros tempos;



- De Danças Mistas. Até há pouco tempo todas as ocasiões eram aproveitadas pela mocidade para armar o baile ao som da gaita-de-fole acompanhada pela caixa e bombo. Venha aprender algumas das danças mistas tradicionais mirandesas, como o Pingacho e Senhor Galandum (bailados paralelos) ou o Repasseado (bailado paralelo em grupos de quatro com entrelaçados);



- De fala mirandesa. “Em terras de Miranda, sê mirandês”, saiba como pedir e dar informações, fazer perguntas, responder a algumas questões, estabelecer pequenos diálogos e a saudar uma pessoa mantendo assim a antiga tradição, de passagem do conhecimento de pais para filhos, de amigos para amigos;



- Interpretação da Paisagem. Deambulando entre antigos moinhos e pequenos açudes, que ainda hoje armazenam a água que rega as hortas da aldeia, durante o Verão, vamos descobrir a fauna e flora que ainda povoa as margens e o leito da sinuosa ribeira de Angueira;



Oficinas infantis:



- À descoberta dos animais da aldeia (alimentação, maneio e cuidados diários)

- Burroteca

- Manualidades, jogos tradicionais, …

- Construção de instrumentos e brinquedos antigos



13h30: Almoço



14h30: “A sesta do burriqueiro…”, num lameiro perto de si



16h00: Início do Passeio de Burro ao som da gaita-de-foles entre as aldeias de Vila Chã da Ribeira e Uva



20h30: Jantar



22h30: DJ-SET “La Charanga de Zeek e Trasgo”





Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Aldeia de Uva



10h30: Ronda dos Mandiletes (Burro-Paper)



- Pela aldeia de Uva, na companhia de um burrico de Miranda, vamos descobrir, cheiros e sabores, saberes antigos, as artes e ofícios de outrora, o que nasce nas hortas, os palheiros e as amplas curraladas, os ditos e as lendas e as histórias que se iam ouvindo ao longo dos tempos …



13h30: Almoço



14h30: “A sesta do burriqueiro…”, num lameiro perto de si



16h00: “Quem não experimentou já olhar como quem fotografa?”



Expedição Fotográfica “De Olho nos Pombais Tradicionais do Nordeste Transmontano”, orientada por João Pedro Marnoto (www.jpmarnoto.com) em parceria com PALOMBAR (www.palombar.org).



Nota: é necessário trazer máquina fotográfica digital e os respectivos cabos de ligação ao computador. Será útil para, posteriormente, podermos partilhar os trabalhos fotográficos obtidos.



17h30: Merenda transmontana “A cultura, a história e tradições descobrem-se à mesa”



20h30: Jantar



21h30: Observação do céu: estrelas, constelações, os planetas, a lua e quem sabe alguns cometas (introdução de técnicas de observação do céu a olho nu e por instrumentos)



23h00: Arraial Tradicional com RONCOS DO DIABO (www.myspace.com/roncosdodiabo), TOCÁNDAR (www.myspace.com/tocandar) e VELHA GAITEIRA (www.myspace.com/velhagaiteira)





Terça- feira, 28 de Julho de 2009

Aldeias de Uva e Atenor



10h00: Continuação do Passeio de Burro ao som da gaita-de-foles entre as aldeias de Uva e Atenor



13h30: Almoço



14h30: “A sesta do burriqueiro…”, num lameiro perto de si



16h00: Jogos Tradicionais pela Associação de Jogos Tradicionais da Guarda (AJTG)



16h00: Gincana de Burros



18H30: Concerto de jazz, no lameiro, com SOFIA RIBEIRO (www.myspace.com/sofiaribeiro)



20h30: Jantar



22h00: Concertos:



CURINGA

GERMAN DIAZ (www.germandiaz.net/)

DAZKARIEH (www.dazkarieh.com/)





Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Atenor – Fonte de Aldeia



11h00: Continuação do Passeio de Burro entre a aldeia de Atenor e Fonte de Aldeia



13h30: Almoço



14h30: “A sesta do burriqueiro…”, num lameiro perto de si



16h00: Animação pelas ruas da aldeia de Fonte de Aldeia com os ANDA CAMINO (http://andacamino.blogspot.com/), GRUPO DE TEATRO DE PALAÇOULO (http://leriasassociacao.blogspot.com/), RONCOS DO DIABO (www.myspace.com/roncosdodiabo)



20h00: Jantar



22h00: Concertos:



UXUKALHUS (www.myspace.com/uxukalhus)

ELISEO PARRA (www.mirmidon.es/Artistas/Eliseo%20Parra%20esp%2001.htm)





Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Fonte de Aldeia



14h00: Oficinas diversas integradas na FIMI – FEIRA DE INSTRUMENTOS MUSICAIS IBÉRICOS (www.fim.pt.vu):



14h00: Oficina de Canto e Pandeireta com Cármen Garcia



15h00: Construção de Flautas de Cana com Fernando Sancho



15h00: Danças tradicionais com Susana Ruano



16h00: Conversa com LUÍS DELGADO



17h00: Cinema – projecção de vídeos



19h00: ROMANCES IBÉRICOS PACO DIEZ E JORGE LIRA (www.aulamuseopacodiez.net/programacion/II/jorge_lira.htm)



20h30: Jantar



22h30: Concertos:



GALANDUM GALUNDAINA (www.galandum.co.pt/)

LA MUSGAÑA (na foto, de Mónica Ochoa; www.lamusgana.net)


Nota: O programa poderá ainda ser alterado».

Mais informações, aqui.