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16 março, 2011

Jazz, World e Outras Músicas nos Dias da Música do CCB


É sabido que, desde há séculos, a música clássica ou erudita ou dita séria, sempre namorou descaradamente com as músicas tradicionais e populares. E, espelho dessa tendência - particularmente de como a "nobre" música europeia encontrou a "pobre" música africana e outras músicas, via George Gershwin ou Aaron Copland, nos Estados Unidos dos anos 30 do Séc. XX - os Dias da Música, no CCB, Lisboa, abrem desta vez as portas ao ragtime, ao jazz, aos blues - e este via um "bife branquelas", Martin Simpson, uma das actuais luminárias da folk britânica e colaborador assíduo de June Tabor ou Martin Carthy - ou a músicas mais distantes como as de uma orquestra indonésia de gamelão, o que Claude Debussy certamente agradeceria. Também por lá, em meados de Abril: a Duke Ellington Orchestra, Dixie Gang, Pedro Jóia e Mário Laginha com Bernardo Sassetti.

SÁBADO, 16 DE ABRIL

CONCERTO B6
GRANDE AUDITÓRIO – 24H00
Programa detalhado a anunciar brevemente
The Duke Ellington Orchestra


CONCERTO B9
PEQUENO AUDITÓRIO – 16H00
Ellington, Basie & Lunceford

Duke Ellington:
Daybreak Express (1934)
East St. Louis Toodle-Oo (1927)
The Mooch (arr. Will Hudson) (1928)
Concerto for Cootie (1940)
Ko-Ko (1943)
Jack the Bear (1940)

Count Basie:
9:20 Special (comp. E. Warren, B. Engvick / arr. Buster Harding) (1941)
Jumpin' the Woodside (arr. Fletcher Henderson) (1938)
Corner Pocket (arr. Freddy Green) (1955)
Tickle Toe (comp./arr Lester Young) (1940)
Swinging the Blues (arr. Eddie Durham) (1939)

Jimmie Lunceford:
Stratosphere (arr. Willie Smith, Edwin Wilcox) (1934)
For Dancers Only (comp. Sy Oliver, D. Raye, V. Schoen / arr. Sy Oliver) (1937)
Uptown Blues (comp. R. Eldridge, C. Battle / arr. Jimmie Lunceford) (1939)

[c. 45’ – cada tema c. 3’]
Orquestra Jazz de Matosinhos
Pedro Guedes, direção


CONCERTO B13
14H00 – SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Ragtime

Temas de Scott Joplin e R. R. Robinson
Reginald R. Robinson, piano


CONCERTO B15
18H00 – SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO

Jazz de Nova Orleães

Original Dixieland One Step (J. Jordan, D. J. LaRocca, G. Crandall, J. R. Robinson) (1917)
Tiger Rag (Da Costa, LaRocca, Edwards, Sbarbaro, Shields) (1917)
After You've Gone (T. Layton, H. Creamer) (1918)
Fidgety Feet (Nick LaRocca, Larry Shields) (1918)
Royal Garden Blues (Clarence Williams, Spencer Williams) (1919)
The Sheik of Araby (Harry B. Smith, Ted Snyder, F. Wheeler) (1921)
Jazz Me Blues (Tom DeLaney) (1921)
Dippermouth Blues (Joseph "King" Oliver) (1923)
Tin Roof Blues (Melrose, Rappolo, Mares, Brunies) (1923)
Five Foot Two (Ray Henderson, Sam M. Lewis, Joe Young) (1925)
Muskrat Ramble (Edward "Kid" Ory, Ray Gilbert) (1926)
I'm Confessin' That I Love You (Al J. Neiburg, Dan Dougherty, Eula W. Reynolds) (1930)
Someday You'll Be Sorry (Louis Armstrong)( (1947)
Bourbon Street Parade (Paul Barbarin) (1949)
[c. 45’ cada tema tem c. 3’]

Dixie Gang
João Viana, cornetim
Matt Lester, saxofone e clarinete
Claus Nymark, trombone
Silas Oliveira, banjo
David Rodrigues, piano
Jacinto Santos, tuba
Rui Alves, bateria


CONCERTO B22
22H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Temas de Duke Ellington, George Gershwin e Johnny Green
Mário Laginha, piano
Bernardo Sassetti, piano


CONCERTO B23
14H00 – SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Música dos portos nos anos 20 e 30

Variações sobre o Fado menor (Pedro Jóia)
Meditando (Armandinho)
Adiós muchachos (Carlos Gardel)
Fado em mi menor (Armandinho)
Por una cabeza (Carlos Gardel)
Fado Conde de Anadia (Armandinho)
Mano a mano (Carlos Gardel)
Maldito fado (Armandinho)
El dia que me quieras (Carlos Gardel)
Valsa sul-americana (Popular Peruano)

Pedro Jóia, guitarra solo


CONCERTO B31
20H00 – SALA FERNANDO PESSOA
Blues
Martin Simpson, voz e guitarra solo



DOMINGO, 17 DE ABRIL

CONCERTO C7
13H00 – PEQUENO AUDITÓRIO
Gamelão
Música tradicional de Java
Es Lilin, Pelog Bem
Jagung, Ladrang, Slendro
Pathetan, Pelog Barang, Manyura
Liwung, Ladrang, Slendro
Sukubobro, Lancaren, Slendro
Jaranan, Pelog Bem
Semengat, Lancaren, Pelog Barang

Yogistragong
Elizabeth Davis, direção


CONCERTO C16
15H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Ragtime
Temas de Scott Joplin e R. R. Robinson
Reginald R. Robinson, piano


CONCERTO C18
19H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Temas de Duke Ellington, George Gershwin e Johnny Green
Mário Laginha, piano
Bernardo Sassetti, piano


CONCERTO C25
17H00 – SALA FERNANDO PESSOA
Blues
Martin Simpson, voz e guitarra solo

30 março, 2007

Cromos Raízes e Antenas XV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XV.1 - Yma Sumac



Muitos anos antes da designação «world music» existir, uma forma musical que ia a várias músicas étnicas buscar a sua inspiração (mesmo que adulterando-as e, muitas vezes, caricaturando-as) era conhecida como «exotica». Desse género, corrente nos anos 50 e 60 do séc. XX, destacaram-se os nomes de Martin Denny, Les Baxter, Esquivel e a extraordinária cantora Yma Sumac. Nascida a 10 de Setembro de 1922, em Ichocán, no Peru (se bem que nem a data nem o local de nascimento estejam confirmados) e falecida a 1 de Novembro de 2008, Yma Sumac (Zoila Augusta Emperatríz Chavarri del Castillo de verdadeiro nome, alegadamente uma princesa inca descendente de Atahualpa) foi uma vedeta internacional da música «exotica» nos anos 50, muito à custa da sua estranha, vibrante e hiper-maleável voz (que podia abranger cinco oitavas!), dando a conhecer ao mundo muita música sul-americana.


Cromo XV.2 - Paco de Lucia



Filho de uma portuguesa (Lúcia - e daí o nome artístico Paco... de Lucia), o genial guitarrista Paco de Lucia nasceu em Algeciras, Espanha, a 21 de Dezembro de 1947. Músico, compositor, maestro, arranjador, Paco de Lucia é um dos nomes maiores do flamenco mas nunca se fechando neste género, antes abrindo as portas a colaborações com músicos de jazz (como nos concertos e discos com John McLaughlin e Al DiMeola) ou em incursões pela música erudita como na sua maravilhosa interpretação do «Concierto de Aranjuez», de Joaquín Rodrigo, com uma orquestra clássica. Francisco Sánchez Gómez, de seu verdadeiro nome, nasceu numa família dedicada à música (o pai, Antonio Sánchez, era guitarrista e dois dos seus irmãos enveredaram também pela carreira musical) e, juntamente com o cantor Camarón de la Isla (com quem gravou dez álbuns), contribuiu decisivamente para a renovação do flamenco.


Cromo XV.3 - Gamelão



O gamelão é uma orquestra essencialmente composta por instrumentos de percussão que tem a sua origem nas ilhas da Indonésia (principalmente Java, Bali, Madura e Lombok). É composta por metalofones, xilofones, tambores e gongos, embora também possa incluir flautas de bambu, instrumentos de cordas e vozes. Semelhantes a orquestras (e aqui refira-se que «gamelão» é o nome do conjunto de instrumentos e não o dos seus tocadores ou de qualquer instrumento) existentes noutros países como as Filipinas ou Malásia, os gamelões indonésios destacam-se pela sua variedade - cada orquestra tem uma formação própria e cada uma esforça-se por ser diferente das outras - sendo interessante notar que algumas das orquestras contêm essencialmente percussões feitas em metal e outras percussões feitas em bambu. A sua influência na música ocidental estende-se desde Claude Débussy (que teve contacto com o gamelão na Expo de Paris, em 1900) a compositores actuais de música minimal-repetitiva.


Cromo XV.4 - DobaCaracol



Um dos projectos mais interessantes, divertidos e criativos a emergir do milagroso cadinho musical que é a região (nação?) canadiana do Quebeque, as DobaCaracol são um grupo formado em 1998, em Montreal, por Doriane Fabreg (Doba) e Carole Facal (Caracol) depois de uma «rave party» selvagem. Cantoras e percussionistas, Doriane e Carole actuaram durante cinco anos como um duo antes de juntar um grupo de quatro músicos - Maxime Lepage, Mohammed Coulibaly, Martin Lizotte e Maxime Audet-Halde - que com elas desenvolveu um estilo que mete na mistura funk, soul, rock, reggae, música africana, brasileira e latino-americana. Tendo actuado em variadíssimos pontos do globo, as DobaCaracol editaram até agora os álbuns «Le Calme Son» (2001) e o excelente «Soley» (2004), este último produzido por François Lalonde (Lhasa, Jean Leloup).