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08 junho, 2009

Festival Ollin Kan - A Segunda Edição


Depois da primeira edição, o ano passado, ter superado todas as expectativas, a extensão portuguesa do super-festival mexicano Ollin Kan já tem local, datas e programação definidas. É em Vila do Conde (mais uma vez), entre 16 e 18 de Julho e os artistas e bandas participantes estão todos no comunicado oficial:

«2ª EDIÇÃO DO FESTIVAL OLLIN KAN

VILA DO CONDE (Centro Histórico) | 16, 17 E 18 DE JULHO | 22HORAS (Entrada Livre)

Participações de: Portugal, Holanda, Gana, Espanha, Paraguai, México, Áustria, Brasil e Cabo Verde

Programação

16.Julho.2009

3 MARIAS | Portugal | das 21h30 às 22h00

LEILA NEGRAU (na foto) | Reunião | das 22h00 às 22h45

TANGO EXTREMO | Holanda | das 22h45 às 23h30

ATONGO ZIMBA | Gana | das 23h30 às 02h00

17.Julho.2009

BILAN | Cabo Verde | das 21h30 às 22h00

CELSO DUARTE| Paraguai/México | das 22h00 às 22h45

HOTEL PALINDROME | Áustria | das 22h45 às 23h30

LA SELVA SUR | Andaluzia | das 23h00 às 02h00

18.Julho.2009

FREI FADO D’EL REI | Portugal | das 21h30 às 22h00

EL TIO CARLOS | Catalunha | das 22h00 às 22h45

CABEZAS DE CERA | México | das 22h45 às 23h30

COMUNIDADE NIN JITSU | Brasil | das 23h30 às 02h00»

Mais informações, aqui.

21 novembro, 2008

Frei Fado d'El Rei Vencem Prémio José Afonso


Via Sopa da Pedra (o blog paralelo do programa de rádio homónimo, realizado pelo meu querido amigo Carlos B.Norton, que é transmitido na RUA - Rádio Universitária do Algarve e está a festejar três anos de emissão; parabéns!!!) veio a notícia de que os Frei Fado d'El Rei venceram a edição deste ano do Prémio José Afonso, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora:

«É uma notícia em primeira mão, os vencedores do prémio José Afonso deste ano foram os Frei Fado d'El Rei com o trabalho "Senhor Poeta". O álbum de homenagem à obra de José Afonso, editado no ano em que passam 20 anos sobre a morte do autor português foi premiado pelo júri nomeado pela Câmara Municipal da Amadora. Desde já ficam os parabéns aos músicos e a todos envolvidos!».

Por sua vez, e via e-mail, Álvaro José Ferreira - do blog A Nossa Rádio - fez-nos chegar um outro texto a propósito do mesmo assunto:

«O álbum "Senhor Poeta", do grupo Frei Fado d'El Rei, editado pela Ovação em Abril de 2007, foi o grande vencedor da edição de 2008 do Prémio José Afonso, instituído pela Câmara Municipal da Amadora, e que tem o valor pecuniário de 5 mil euros. O júri foi constituído pelo jornalista Carlos Pinto Coelho, a pianista Olga Prats, a coordenadora do Serviço de Animação Cultural da C.M. Amadora, Natália Cañamero de Matos, e o Vereador da Cultura da edilidade, António Moreira. Instituído em 1988, o Prémio José Afonso tem o objectivo de homenagear o imortal autor/compositor/intérprete, e incentivar a criação musical de raiz portuguesa e animar turística e culturalmente a Amadora. O grupo Frei Fado d'El Rei junta-se assim a uma prestigiosa galeria de artistas já distinguidos: Fausto Bordalo Dias, Vitorino, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Né ladeiras, Amélia Muge, João Afonso, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, Dulce Pontes, Vozes do Sul/Janita Salomé, Jorge Palma, Carlos do Carmo, Filipa Pais, José Medeiros e Brigada Victor Jara.

Em 2007, ano em que se assinalaram os vinte anos da morte de José Afonso, foram sete os álbuns de tributo ao autor de "Cantigas do Maio", pelo que não era fácil ao júri não ter em consideração essa leva de edições, o que não quer dizer que não houvesse outros discos perfeitamente premiáveis, como é o caso de "Parainfernália", do grupo Diabo a Sete (ed. Açor/Emiliano Toste); "Não Sou Daqui", de Amélia Muge (ed. Vachier & Associados); "Vinho dos Amantes", de Janita Salomé (ed. Som Livre); e "À Espera de Armandinho", de Pedro Jóia (ed. HM Música), este último recentemente distinguido com o Prémio Carlos Paredes. Em todo o caso, a escolha de "Senhor Poeta" não deixa de ser justíssima, precisamente por se tratar do melhor de todos os trabalhos de abordagem à obra de José Afonso (como tive o ensejo de referir no texto Grandes discos da música portuguesa: editados em 2007) e também por vir reconhecer a importância do grupo Frei Fado d'El Rei para a música portuguesa. Embora com uma discografia escassa – além de "Senhor Poeta", apenas dois álbuns de originais ("Danças no Tempo", Sony Music, 1995; e "Encanto da Lua", Sony Music, 1998) e um gravado ao vivo ("Em Concerto", Açor/Emiliano Toste, 2003) – a estética do grupo Frei Fado d'El Rei é indiscutivelmente uma mais das originais, inovadoras e cativantes do nosso panorama musical, mas que ainda não lograra obter o devido reconhecimento. Refira-se a propósito que o grupo foi um dos participantes no álbum colectivo "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso" (MG Ariola, 1994), com uma belíssima versão do tema "Que Amor Não me Engana" (também presente em "Senhor Poeta"). Estão pois de parabéns José Flávio Martins, Carla Lopes, Cristina Bacelar e restantes elementos dos Frei Fado d'El Rei e, igualmente, os jurados, pela lúcida e justa decisão».

10 novembro, 2008

«Todos Cantam Zeca Afonso» - Uma Colectânea de Homenagem


Aqui há uns bons anos, a colectânea «Filhos da Madrugada» mostrava uma série de versões de temas de José Afonso feitas de propósito para esse disco produzido por Manuel Faria. Versões de grupos como os Madredeus, GNR, Sitiados, Vozes da Rádio, Os Tubarões, Delfins, Diva, Opus Ensemble, Xutos & Pontapés, Mão Morta ou Brigada Victor Jara. E, só o ano passado - a propósito da passagem do vigésimo aniversário sobre a morte de José Afonso -, surgiram inúmeros álbuns de tributo, feitos por variadíssimos grupos e artistas, à arte e ao génio do autor de «Grândola Vila Morena». E a somar a isso tudo, a Farol lança hoje, dia 10 de Novembro, mais uma colectânea de homenagem, «Todos Cantam Zeca Afonso», que abrange diversas épocas (há gravações dos anos 70, como as de Tonicha e Amália, mas também algumas saídas dessa fornada de homenagens de 2007) e diversos géneros musicais. O alinhamento completo do disco é:


1. José Mário Branco/Amélia Muge/João Afonso – «Maio Maduro Maio»

2. Cristina Branco – «Canção de Embalar»

3. Fernando Machado Soares – «Maria Faia»

4. Mariza – «Menino Do Bairro Negro»

5. Tonicha – «Resineiro Engraçado»

6. Jacinta – «Se Voaras Mais Ao Perto»

7. Teresa Silva Carvalho – «Vejam Bem»

8. Frei Fado D'El Rei – «A Morte Saiu À Rua»

9. Paula Oliveira & Bernardo Moreira – «Os Índios Da Meia-Praia»

10. Carla Pires – «Traz Outro Amigo Também»

11. Uxía – «Verdes São Os Campos»

12. Sons da Fala – «Venham Mais Cinco»

13. Lua Extravagante – «Adeus Ó Serra Da Lapa»

14. Lena d'Água – «Era Um Redondo Vocábulo»

15. Rosa Madeira – «Menina dos Olhos Tristes»

16. João Afonso – «Bombons De Todos Os Dias»

17. Couple Coffee & Band – «Vampiros»

18. Carlos do Carmo – «Menino D'Oiro»

19. Amália Rodrigues – «Grândola Vila Morena»

20. Júlio Pereira – «Viva O Poder Popular»

12 outubro, 2007

Festival de Expressões Ibéricas de Alcochete - Uma Jangada de... Música


Citando mais uma vez o muito bem informado Crónicas da Terra, começa hoje, sexta-feira, o 5º Festival de Expressões Ibéricas de Alcochete, que decorre no Fórum Cultural até dia 27 deste mês. E o arranque dá-se esta noite com um concerto dos portuenses Frei Fado d'El Rei, que apresentam um espectáculo baseado no seu último álbum, «Senhor Poeta», de homenagem a José Afonso. Amanhã, dia 13, actuam os bascos Lantz (na foto), um super-grupo de músicos desta região formado por três cantoras e cinco instrumentistas. No próximo fim-de-semana, o festival continua com mais um grupo folk português, os Dazkarieh (dia 19) e termina, um dia depois, com um concerto do grupo espanhol - embora com residência na Holanda - Muyayos de Raiz, viajantes de muitas danças e géneros musicais. Paralelamente, o festival apresenta uma exposição de fotografia dedicada a José Afonso (patente ao público na Galeria Municipal dos Paços do Concelho), oficinas de instrumentos tradicionais para crianças e ateliers de leitura. Mais informações aqui.

12 janeiro, 2007

Frei Fado d'El Rei - A Vez de José Afonso


Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda) - e editam em breve o álbum «Senhor Poeta», de homenagem a José Afonso, no ano em que passam vinte anos sobre a morte deste cantor e compositor que revolucionou a música portuguesa. Festejando o regresso do grupo às lides discográficas, aqui deixo uma pequena entrevista publicada originalmente no BLITZ em Julho de 2004, a propósito do álbum «Em Concerto».


FREI FADO D'EL REI

Ao fim de 14 anos de carreira, os Frei Fado d'El Rei editam o seu terceiro álbum, «Em Concerto», gravado ao vivo no Mosteiro de Leça do Balio. Conversa com José Flávio Martins.

«Em Concerto» foi editado há poucos meses e, por estes dias, estão também a ser reeditado os dois álbuns de estúdio dos Frei Fado d'El Rei, «Danças no Tempo» e «Encanto da Lua», agrupados pela Sony Music numa caixa conjunta. E a primeira pergunta, inevitável, prende-se com o facto de o novo disco ser um álbum ao vivo, e não de estúdio, mas com bastantes inéditos. José Flávio justifica a escolha com «a magia do "ao vivo". Em concerto há uma recptividade e cumplicidade que nunca conseguimos em estúdio. Gostamos dos álbuns de estúdio, têm a sua razão de existir... mas nunca conseguimos transpor essa energia do palco para o estúdio». Paralelamente, «o espaço onde gravámos o álbum foi muito importante. Aquele Mosteiro tem uma acústica fantástica e a pedra do Mosteiro soa no disco: a reverberação, o encantamento da pedra».

No álbum ao vivo - que será complementado, em Outubro, por um DVD do mesmo espectáculo -, os Frei Fado d'El Rei contaram com a participação de alguns músicos convidados. Uma secção de metais, um coro masculino, um harpista, uma acordeonista, percussionistas e o teclista Quico Serrano (agora ligado aos Plaza mas membro dos Frei Fado durante alguns anos). Para além do álbum ao vivo, os Frei Fado d'El Rei voltaram a ter disponíveis nas lojas os seus dois álbuns de estúdio, numa edição especial que reúne os dois discos. Isto para a banda é especialmente importante porque «há bastante tempo que esses dois álbuns não estavam disponíveis no mercado».

Os músicos dos Frei Fado d'El Rei repartem-se também por outros projectos, sendo um deles quase um alter-ego absoluto, os Roldana Folk. Mas, explica José Flávio, os dois grupos complementam-se e não se anulam: os Roldana Folk são mais «festivos e alegres, estão mais próximos da chamada música celta», enquanto os Frei Fado d'El Rei são mais «contidos e intimistas, embora também haja um lado festivo e dançável, nomeadamente quando usamos o flamenco... E os Frei Fado d'El Rei vão a mais estilos». Vão ao fado, ao flamenco, à música de raiz tradicional, à música antiga e medieval... Vão onde querem, mas «sempre com um padrão que unifica os temas e faz deles temas dos Frei Fado d'El Rei».

Outra actividade paralela de alguns músicos dos Frei Fado é a construção de instrumentos de percussão feitos de barro. «Sempre procurámos novos sons e instrumentos. Usamos, por exemplo, um bandolocelo [um bandolim de som mais grave e com o formato do alaúde], que conheci através do construtor, o Domingos Machado. Começámos a usar as bilhas de barro percutidas... e as pessoas que nos viam vinham perguntar-nos muitas vezes o que era aquilo. E eu e o Zagalo [percussionista] começámos a projectar estes instrumentos que agora vendemos. Até temos workshops dedicados às bilhas em vários sítios...».

31 agosto, 2006

Folk em Portugal - Mergulho em 2004


Aqui se recupera uma crítica conjunta a alguns discos de trad/folk portugueses editados em 2004: Frei Fado d'El Rei, José Barros e Navegante, Boémia, Tocándar, Belaurora e Segue-me à Capela (na foto e também com entrevista mais em baixo, neste post).


TRADICIONAL EXTRA

Enquanto se aguardam ansiosamente os álbuns de estreia d'Uxu Kalhus e Mandrágora e os novos discos de Danças Ocultas, Dazkarieh, Terrakota e Realejo, aqui vai o levantamento de existências mais recentes na música portuguesa de inspiração tradicional.

E começamos por aquele que está, de facto, mais próximo das raízes: o álbum homónimo - e primeiro - das Segue-me à Capela, um disco lindíssimo onde se recuperam - só com o recurso a um coro de sete vozes femininas, algumas percussões e alguns apontamentos «laterais» (lenga-lengas, diálogos...) - temas tradicionais de várias zonas do país recolhidos por Michel Giacometti, José Alberto Sardinha ou o GEFAC e algum do reportório de José Afonso. Destaque absoluto para as versões de temas da Beira Baixa («Macelada/S.João», «Senhora do Almortão»...) e para aqueles em que a voz solo de Cristina Martins brilha a grande altura («Tu Gitana», de José Afonso, ou a arrepiante «Por Riba se Ceifa o Pão»). (8/10)

Gravado ao vivo no Mosteiro de Leça do Bailio, no ano passado, o novo álbum dos Frei Fado d'El Rei, «Em Concerto», transporta-nos para um ambiente mágico onde se cruzam sintetizadores, guitarras acústicas, harpa, percussões com instrumentos feitos de barro e peles e madeiras, e belas vozes femininas (Carla Lopes e, a espaços, a guitarrista Cristina Bacelar), o passado (canções medievais galaico-portuguesas, romances...), o presente (Madredeus, o flamenco, o fado...) e o futuro (pense-se numa música tradicional imaginária do século XXIII português). (7/10)

Também gravado ao vivo, mas sem a capacidade encantatória do álbum dos Frei Fado d'El Rei, é o novo álbum (duplo) de José Barros e Navegante, «...Vivos. E ao Vivo». Com alguns convidados ilustres - Rui Vaz e José Manuel David (dos Gaiteiros de Lisboa), José Martins, Pedro Jóia, a cantora galega Uxia - e até uma boa escolha de reportório, o álbum sofre, no entanto, dos mesmos males que outros discos dos Navegante: a voz de José Barros é pouco flexível e os arranjos são, muitas vezes, bastante devedores de Fausto e dos Trovante-dos-momentos-apenas-assim-assim. Mesmo assim(-assim), bons momentos no aflamencado «S.João», no hipnótico «Senhora dos Remédios» ou no cante alentejano de «Laranjinha». (5/10)

E por falar em Fausto e em Trovante, «Semente», o álbum de estreia dos Boémia, é completamente devedor destes dois nomes. A voz de Rogério Oliveira (também autor de muitas das, boas, letras) oscila entre os timbres de Fausto e de Luís Represas (às vezes conseguindo o milagre de fazer lembrar os dois ao mesmo tempo) e as influências são tão assumidas - com humildade - que tanto Fausto quanto Represas são convidados no disco, juntamente com o cantautor espanhol Luís Pastor. E, apesar da colagem aos modelos, há alguns momentos bastante interessantes no álbum como o primeiro tema, «O Avançado e o Guarda-Redes», com um belo arranjo de cordas, a suavezinha «Já Desce a Noite», «Por Los Pasos de Mis Días» (de e com Pastor), o início mirandês de «Presságio de Um Conquistador» ou a versão de «Que Amor Não Me Engana», de José Afonso. Um álbum honesto. (6/10)

Na esteira dos pioneiros O Ó Que Som Tem? e dos seus inúmeros «filhos» dos Tocá Rufar, os Tocándar editaram recentemenente o seu álbum de estreia, homónimo, onde as percussões são rainhas - afinal, são dezenas de percussionistas em acção simultânea - mas onde também há lugar para as gaitas-de-foles (cortesia de gaiteiros das Astúrias e da Banda de Gaitas Xarabal, da Galiza, e dos lisboetas Gaitafolia) e de alguns elementos exteriores como Paulo Abelho (Sétima Legião) e João Eleutério, que são responsáveis pelo som do disco e também transformam o último tema, «Às Onze no Farol», numa interessante mistura onde se cruzam os bombos e as caixas com a electrónica. Os ritmos são bastante variados - desde chulas a rufares processionais - e a inclusão das gaitas em vários temas e de flauta e sintetizador no belíssimo «Deus dos Trovões», fazem com que o disco seja uma constante surpresa. (7/10)

Finalmente, chega-nos, do meio do Atlântico, o álbum «Achados do Tempo», dos Belaurora, um disco simples e sem grandes pretensões que dá a conhecer muitos temas tradicionais de várias ilhas dos Açores. Com uma formação - e uma sonoridade - semelhante à dos ranchos folclóricos açorianos, os Belaurora mostram aqui sapateias, o lundum (género que, segundo alguns teóricos, poderá estar na origem do fado e nesta versão está muito próximo do fado de Coimbra), o divertido «Matias Leal» ou uma homenagem a Jaime «Chumeca». (5/10)


SEGUE-ME À CAPELA
ENTREVISTA

O álbum de estreia, homónimo, das Segue-me à Capela é uma das maiores revelações dos últimos anos da música de raiz tradicional portuguesa. Vozes e rituais no tempo explicados por Cristina Martins, fundadora do grupo.

As Segue-me à Capela nasceram no dia 1 de Abril de 1999, na sequência de «um convite para cantar no Bar Botirão, em Aveiro, durante o fim-de-semana da Páscoa de 1999. Propus ao dono desse estabelecimento realizar um espectáculo de música tradicional portuguesa cantado a capella e convidei 5 cantoras com as quais tinha uma forte ligação», algumas delas antigas companheiras de Cristina no GEFAC, de Coimbra, outras ainda ligadas a este grupo.

Eram seis, passaram a ser sete, «porque sentimos a necessidade de ter mais uma cantora para interpretar temas a quatro vozes, distribuindo-se assim melhor os naipes. E o sete é um número mágico». São elas, agora - e para além de Cristina Martins - Mila Bom, Margarida Pinheiro, Graça Rigueiro, Catarina Moura, Maria João Pinheiro e Cristina Rosa. Sete cantoras, muitas delas também percussionistas, porque «muitos cantares tradicionais interpretados por mulheres são acompanhados por adufes» e, ao vivo como em disco, ainda um percussionista acompanhante, de modo a «enriquecer os cantares com o apoio da percussão, o que nos permitiu também fazer arranjos mais diversificados dos temas. Gostamos de ritmos e da criação de ambientes que a introdução dos instrumentos de percussão permite». Com as Segue-me à Capela já trabalharam, ou trabalham ainda, os percussionistas Quiné, André de Sousa Machado, Fernando Molina, João Luís Lobo e Jorge Queijo.

O reportório do grupo bebe nas fontes tradicionais reveladas por Michel Giacometti, José Alberto Sardinha e/ou temas por elas já interpretados no GEFAC. E, diz Cristina, ao vivo «cantamos muitos temas para além dos que gravámos no disco. Felizmente, Portugal tem um espólio riquíssimo e estamos sempre a descobrir cantares não muito divulgados».

Pontos altos na carreira do grupo foram a actuação no XI Festival Intercéltico do Porto, o Festival de Segóvia, Espanha, «tendo sido essa participação determinante para muitos outros concertos que se seguiram em Festivais no país vizinho» e o XII Cantigas do Maio, «onde recebemos o convite de Carlos Nuñez para cantar durante o seu espectáculo».

Curiosamente, é em Espanha que surge pela primeira vez a possibilidade de gravar um álbum: «Em Espanha, quando terminávamos os concertos, o público procurava adquirir um disco nosso que não existia e recebemos um convite para gravar em Espanha. Mas a editora procurou uma distribuidora em Portugal e as negociações estavam a demorar muito. Ao fim de um ano de impasse decidimo-nos pela gravação do disco como edição de autor». E o disco aí está, gravado e distribuído pelo grupo, mas «com críticas óptimas... e estamos muito satisfeitas com a reacção do público em geral. Temos o disco à venda em todas as lojas FNAC e em algumas lojas de discos que apostam na comercialização da música tradicional portuguesa» como «a Associação José Afonso, o Mundo da Canção, etc».

Recentemente, na noite de 24 de Abril, as Segue-me à Capela participaram num concerto especial no Terreiro do Paço que as reuniu com as Cramol, as Tucanas e os Gaiteiros de Lisboa. Diz Cristina, a propósito: «Adorámos a experiência de cantar num espectáculo em conjunto com todos esses grupos, que admiramos, e gostávamos de repetir a experiência».