Estava eu muito bem a ver um jornal espanhol, o «Heraldo de Zaragoza», que tinha uma pequena notícia sobre as minhas actuações como DJ no Pavilhão de Portugal da Expo Saragoça quando a notícia de destaque da mesma página me fez dar um pulo de alegria: os irlandeses The Chieftains (na foto) iam tocar nessa mesma noite num dos palcos principais da Expo!! E dava mais que tempo para os ir ver!! E de sorriso de orelha a orelha, e coração apertadinho, lá fui à Plaza de Aragón ver o espectáculo de uns Chieftains renovados, remoçados, mais alegres, menos «roots» e mais «variedades». Mas valeu a pena, oh se valeu!! Integrado na sua digressão «The Celtic-Scottisch Connection Tour», este espectáculo mostra o núcleo duro dos Chieftains - Paddy Moloney (uilleann pipes, tin whistle), Matt Molloy (flauta), Sean Keane (violino) e Kevin Conneff (bodhran e voz) - acompanhado pela maravilhosa cantora escocesa Alyth MacCormack, a harpista e teclista Triona Marshall, o violinista Jon Pilatzke (que também dança, e se dança!) e mais um par de bailarinos fantásticos. E o resultado é um espectáculo total onde a música tradicional irlandesa se cruza naturalmente com as suas irmãs escocesa, bretã e galega (Paddy homenageou Carlos Nuñez, companheiro de aventuras dos Chieftains durante muitos anos) e também a country e o... rock - ouviram-se riffs do «(I Can't Get No) Satisfaction», dos Rolling Stones, lá pelo meio do concerto. Pelo que se sabe, o próximo passo dos Chieftains será um disco de fusão de música irlandesa com música mexicana, produzido por Ry Cooder. Promete!
Mas a Expo de Saragoça não me deu só um memorável concerto dos Chieftains. Lá, há música por todo o lado: uma fabulosa steel-band de Trinidad e Tobago que tanto toca música clássica, como Abba, como o seu calipso... Um grupo mauritano de hip-hop e reggae... Percussões tailandesas e indonésias... Ou os Cabo San Roque, aquele fantástico grupo catalão (o da máquina de lavar roupa ao centro do palco) que passou há uns meses pela ZDB... E isto tudo numa volta rápida pelo recinto e numa única tarde... E à noite haveria Carminho a cantar o seu fado verdadeiro no espaço Portugal Compartilha do Pavilhão de Portugal, concerto que não vi - para grande pena minha - porque a essa hora já estava de regresso. A propósito, as minhas sessões de DJ nesse mesmo espaço correram bastante bem, principalmente a primeira noite, que terminou em enorme festa dançante. E aproveito aqui para agradecer à equipa que me acolheu tão bem durante aqueles dias: à Tela, à Dina, ao Alexandre, à Clara, à Ana Paula e aos outros todos de que não sei o nome mas que me trataram sempre nas palminhas. Muito obrigado!