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17 outubro, 2007

Em Busca do Djembé Original (Uma Aventura!)


Às vezes há notícias assim, inesperadas e que nos enchem de prazer - e de uma pontinha de inveja, também! Hoje, a agência Lusa distribuiu uma dessas: três rapazes de Viana do Castelo - Armando Santos, Nuno Ribeiro e Ricardo Leal - partem dia 18 de Novembro em direcção à Guiné-Conacri com o objectivo de realizar um documentário sobre o djembé, o instrumento de percussão que nasceu na zona do antigo Império Mandinga. Já por si, isto seria notícia, mas ainda mais é quando se fica a saber que eles vão viajar por terra, a bordo de uma velha carrinha Peugeot, numa viagem de doze mil quilómetros! Pormenor curioso: «(a carrinha) ostenta na matrícula as letras PG, como se adivinhasse que, para o seu fim de vida, lhe estaria reservada uma viagem entre Portugal e a Guiné». A aventura surgiu na sequência de «um repto lançado, em Viana do Castelo, por Billy Konaté, um dos nomes mais sonantes da Guiné-Conacri no que diz respeito ao djembé». Com passagens previstas por Marrocos, Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau e chegada à Guiné-Conacri, estão conscientes «dos perigos que podemos encontrar no caminho... Sabemos dos problemas que se nos poderão deparar na entrada de certos países, sabemos que atravessar o deserto é sempre uma incógnita. Mas também sabemos que África está a chamar por nós. E que, por isso, não há volta a dar». Só é pena que não tenham previsto uma paragem no Festival au Désert, ali tão perto, de 10 a 12 de Janeiro, em Essakane, no Mali... mas ainda estão a tempo. Boa sorte!

(Nota: Pode seguir-se a viagem, em tempo real - pelo menos quando as condições o permitirem - no blog Inike Madandza, aqui)

13 novembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas IV



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo IV.1 - Nusrat Fateh Ali Khan



O cantor paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan (nascido a 13 de Outubro de 1948, em Faisalabad, Paquistão; falecido a 16 de Agosto de 1997, em Londres, Inglaterra) foi o maior embaixador do qawwali, o canto sagrado dos sufis (um dos ramos do islamismo). Amado no seu país natal e no Ocidente (onde colaborou com gente como Peter Gabriel, Michael Brook ou Eddie Vedder, dos Pearl Jam, para além de ter sido homenageado por Jeff Buckley, no álbum «Live at Sin-é», em que se ouve Buckley dizer «Nusrat é o meu Elvis»), era também muitíssimo admirado na Índia - país «inimigo» do Paquistão -, onde fez duetos com vedetas de Bollywood como Asha Bhosle. Com uma voz potente, incrivelmente bem timbrada e inimitável, Nusrat foi o continuador - apesar de ter dado passos decisivos para a renovação do género - de uma tradição musical que, na sua família, remonta a seis séculos de interpretação de qawwali, seguindo as pisadas do pai, o também respeitadíssimo cantor Ustad Fateh Ali Khan. Deixou inúmeros continuadores, nomeadamente os seus sobrinhos agrupados no Rizwan-Muazzam Qawwali.


Cromo IV.2 - Djembé



O djembé é, provavelmente, um dos mais antigos instrumentos de percussão da humanidade. Com um corpo oco de madeira e coberto por uma pele de bovídeo,, o djembé desenvolveu-se na região ocidental de África, sendo um dos instrumentos mais importantes da música mandinga (juntamente com a kora, o balafon e o n'goni) e, desde há algumas décadas, um instrumento emblemático de toda a música africana em geral e de muita «world music» exterior a África, jazz e até algum rock. A sua invenção é atribuída a antiquíssimos artesãos mandingas (os «numus»), que teriam difundido o djembé por toda a África Ocidental durante o primeiro milénio antes de Cristo. Uma lenda comum a vários povos refere que o djembé contém três almas: a da árvore que cedeu a madeira, a do animal que cedeu a pele e a do homem que o fabricou. Alguns intérpretes importantes de djembé: Mamady Keita, Thione Diop, Abdoulaye Diakite, Babatunde Olatunji e Famoudou Konaté. E um filme que lhe presta justiça: «O Visitante», realizado por Thomas McCarthy.


Cromo IV.3 - Carlos Paredes



Génio absoluto da guitarra portuguesa, Carlos Paredes (nascido em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925; falecido em Lisboa a 23 de Julho de 2004) foi o maior responsável pela emancipação deste instrumento e pela percepção de que a guitarra não tem que ser necessariamente o humilde acompanhante dos cantores de fado. Apesar de antes dele já ter havido, em Lisboa e em Coimbra - onde o pai de Carlos, Artur Paredes, foi um dos pioneiros da autonomização da guitarra portuguesa -, outros músicos a fazer o mesmo movimento, foi Carlos Paredes que deu à guitarra portuguesa uma voz própria, brilhante, inventiva, a um mesmo tempo terna, mágica e revoltada. E apesar de ter gravado com outros músicos (de Charlie Haden a António Victorino d'Almeida e os Madredeus) era sempre sozinho, ou com os seus companheiros mais íntimos, como Fernando Alvim ou Luísa Amaro (a discípula e companheira que agora transporta e reinventa muito do seu legado) que se sentia melhor. Álbuns aconselhados: «Guitarra Portuguesa», «Movimento Perpétuo» e «Espelho de Sons».


Cromo IV.4 - Firewater



Liderados por Tod A. (Tod Ashley, ex-Cop Shoot Cop), os Firewater formaram-se em 1995 e deram um abanão na cena musical nova-iorquina ao destilarem uma música negra e sombria, mas a espaços iluminada - e com que luz! - por sonoridades geralmente estranhas ao rock como a música de cabaret, de circo e de strip-tease, jazz, klezmer, mariachis e blues sangrentos. Com Nick Cave, Tom Waits, Henry Mancini, Lee Hazlewood e Johnny Cash como referências maiores, os Firewater lançaram alguns álbuns - «Get Off The Cross (We Need The Wood For The Fire)», «The Ponzi Scheme», «Psychopharmacology», «The Man on the Burning Tightrope» e «Songs We Should Have Written» -, antes de Tod A. ter partido para a Índia, alegadamente por já não suportar viver no país liderado por George W Bush. O último álbum da banda, «The Golden Hour» (2008), mostra-a num pico de forma absoluto!

20 julho, 2006

Djembézada!


A época de festivais de Verão (rock, world, outros...) já não tem data nem locais certos para começar, mas é verdade que a época dos festivais «a sério» - isto é, fora dos grandes centros urbanos, com muita gente no campismo e djembés a rodos - costuma começar com o de Vilar de Mouros (que decorre este fim-de-semana). E como a maior parte da rapaziada que batuca nos djembés durante os festivais (antes dos concertos, entre concertos, durante os concertos, depois dos concertos...) toca, geralmente, muito mal, não era nada má ideia que os candidatos a percussionistas pusessem os ouvidos nestes dois álbuns, editados recentemente. São só dois mas têm das melhores djembézadas que se podem ouvir...

BABATUNDE OLATUNJI
«CIRCLE OF DRUMS»

Chesky/Megamúsica

Babatunde Olatunji (falecido com 75 anos em 2003) é uma lenda. Percussionista nigeriano, editou em 1959 o seminal álbum «Drums of Passion», que deu a conhecer aos Estados Unidos e Europa os ritmos da África ocidental. Radicado em Nova Iorque, influenciou gente como o baterista Mickey Hart (dos Grateful Dead); Bob Dylan cantou acerca dele; John Coltrane gravou na sua fundação, o Olatunji Center for African Music, no Harlem; Martin Luther King e Malcolm X aconselharam-se com ele. Este «novo» álbum, «Circle of Drums», foi gravado em 1993 com a companhia de Muruga Booker (percussionista sérvio que tocou com os Weather Report) e Sikiru Adepoju (percussionista nigeriano, discípulo de Olatunji). E o resultado da junção (ainda com outros intrumentistas e a cantora Shakti) é uma viagem interminável, circular, mágica, que nos suga lá para dentro e não nos deixa sair. Hipnose total. (8/10)

MAMADY KEITA & SEWA KAN
«LIVE @ COULEUR CAFÉ»

Fenix Music/Megamúsica

Quando se fala de música da zona mandinga – do Senegal, do Mali, das Guinés... - fala-se, geralmente, de griots, dos blues que por lá nasceram, de guitarristas maravilhosos como Ali Farka Touré e de instrumentos como a kora, o balafon ou o n’goni. E esquece-se, muitas vezes, um dos instrumentos fundamentais da música feita na África Ocidental: o djembé. Felizmente, há discos como este «Live @ Couleur Café» para repor a justiça. Aqui, o extraordinário percussionista Mamady Keita (da Guiné-Conacri) e a sua banda Sewa Kan servem um festim – gravado ao vivo em Bruxelas, em 2004 – de batucadas riquíssimas de ritmos e timbres, também com a adição de coros femininos e... kora, balafon e n’goni nas mãos de alguns convidados. É festa e dança e calor do princípio ao fim. (7/10)