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17 agosto, 2011

Festa do Avante 2011 - O Programa Completo


A Festa do «Avante» comemora 35 anos de existência e tem, mais uma vez, uma programação musical bastante apelativa. Dias 2, 3 e 4 de Setembro de 2011, na Quinta da Atalaia, Seixal -- e com a EP a custar 20 euros (até 01/09) e 30 euros (dias da festa) -- sobem aos palcos principais:

Sérgio Godinho (que comemora 40 anos de carreira discográfica)
Trovante (que comemoram 35 anos de carreiura, iniciada exactamente na primeira Festa do Avante)
X-Wife
Xutos & Pontapés
Virgem Suta
The Underdogs
Tim e Companheiros de Aventura
The Poppers
The Happy Mothers
Terrakota
Susana Santos Silva Quinteto
Rock Alentejano (comédia/música)
Ritinha Lobo (Cabo Verde)
Quempallou (Galiza)
Sean Riley & The Slowriders
Pé na Terra
Nuno Dias
Mosto
Mayra Andrade (Cabo Verde)
Mário Alves
Maria Anadon Latin Jazz Quartet
Marco Rodrigues
Luísa Rocha
Luís Rodrigues
La Chiva Gantiva (Colômbia)
L.U.M.E
João Pedro Cabral
Inês Thomas Almeida
Gattamolesta (Itália)
Júlio Resende International Quartet
Expensive Soul & Jaguar Band
David Rovics (Estados Unidos)
Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras
Clã (em conncerto normal e num espectáculo para crianças)
Coro do Tejo
Danças Ocultas
Coro da Câmara da Lisboa
Bela Nafa (Guiné-Bissau)
Budda Power Blues
Ana Paula Russo
Amor Eletro
Camané
Anxo Lorenzo (Galiza)
4uatro ao Sul
Ópera dos 5 Cêntimos
Caminhos do Mar
Che Sudaka (Argentina/Colômbia/Catalunha; na foto)
Daniel Shvetz Tango Trio
Gonçalo Sousa
Gala de Ópera (espectáculo de abertura)





11 setembro, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" (IX)


Os Pós-Tradicionalistas (Parte 327)
por António Pires, Publicado em 5 de Novembro de 2009

Já por várias vezes, nesta coluna, se referiram variadíssimos exemplos de bandas e artistas que estão a pegar na nossa música tradicional (e noutras à volta) para com ela criarem uma nova música. E, desta vez, vou falar de cinco outras propostas, todas elas com discos fresquíssimos no mercado. Partindo da ideia-base "Se Carlos Paredes não é pós-rock, então o que andamos aqui a fazer?", os Laia (na foto) atiram-se no seu disco "Viva Jesus e mais alguém" ao pós-rock (dos Cult of Luna aos Tortoise ou aos Godspeed You Black Emperor!), mas com uma guitarra portuguesa, adufes e bombos a sublinharem, bem, a portugalidade da sua música. Por sua vez, os respeitadíssimos Danças Ocultas regressam, em muitos temas do seu novo álbum "Tarab", a sonoridades, ambientes e paisagens mais próximas da tradição portuguesa (embora sem nunca esquecer, em nenhuma nota das quatro concertinas, outras paragens do mundo). Desta vez sem a "muleta" dos convidados exteriores ao grupo, os Danças Ocultas têm aqui o seu melhor trabalho de sempre! Finalmente, referência breve a três outros álbuns: a surpreendente e muito bem conseguida primeira incursão a solo de Sebastião Antunes (Quadrilha), "Cá Dentro"; o novo álbum dos transgressores marafados Marenostrum, "Arraia Miúda", que ainda é melhor que o primeiro; e o hiper-dançável "In Temporal", dos Monte Lunai (danças tradicionais europeias, vivas e actuais).



Valete, Bento e... os outros
por António Pires, Publicado em 12 de Novembro de 2009

Sou benfiquista (mais daqueles "doentes pelo Benfica" que daqueles "fanáticos pelo Benfica"), mas tenho imenso respeito pelo Paulo Bento, tanto como treinador como enquanto pessoa, e não me importaria nada de o ver treinar o meu clube daqui por muitos anos (depois de o Jorge Jesus ter ganho tantos troféus nacionais e internacionais que o Real Madrid e o Manchester estejam dispostos a dar por ele uma enorme pipa de massa ao SLB). Mesmo assim, achei imensa graça ao tema "Baza Correr com o Paulo Bento", do rapper Valete (na foto), que há mais de um ano já pedia a demissão do treinador do Sporting. Curiosamente, trata-se de um caso raríssimo de contestação, pelo menos activa e concretizada, do meio musical português a algo relativo ao mundo do futebol. Mais normal é a glorificação de alguns dos seus jogadores: desde o longínquo "Quem Tem Eusébio", de Artur Ribeiro, aos mais recentes "Não me Mintas", em que Rui Veloso (com letra de Carlos Tê) canta "voar como o Jardel entre os centrais", e "Adivinha Quem Voltou", dos Da Weasel, em que Pacman diz "finto como o João Pinto, marco golo na baliza". E, mais ainda, a glorificação dos clubes através de hinos originais ou adaptados: dos clássicos "Ser Benfiquista" (Luís Piçarra) e "Marcha Sporting" (Maria José Valério) a "Os Filhos da Nação", dos Quinta do Bill (adaptado para "Os Filhos do Dragão" e tornando-se assim o hino oficioso do FCP), "Sou Benfica", dos UHF, ou "Leão de Fogo" (hino do 100.o aniversário do SCP), dos Delfins.



O que aprendo a dar aulas
por António Pires, Publicado em 19 de Novembro de 2009

Desde há seis anos, tenho o privilégio de dar aulas de História da Indústria Discográfica no curso de Produção e Marketing Musical, na Restart. Nos primeiros anos, a maioria dos alunos era formada por pessoas que, apesar de amarem profundamente a música, não cantavam nem tocavam instrumentos, querendo usar o curso como trampolim - mais do que legítimo - para se integrarem no meio editorial ou, em alternativa, na produção de espectáculos. Mas, nos últimos anos, a tendência inverteu-se e verifiquei que cada vez mais eram os músicos e cantores que, descrentes de uma indústria discográfica em crise, procuravam este curso para assim gerirem melhor as suas próprias carreiras musicais, criando editoras próprias ou aprendendo os mecanismos necessários para as suas edições de autor. Este ano, fez-se o pleno: os 13 alunos da turma são todos músicos e/ou cantores, DJ ou já músicos/editores. E com um leque de referências vastíssimo: de um guitarrista de um grupo pimba alentejano a um DJ e produtor de tecno, de músicos punk hardcore e doom metal a uma cantora de formação clássica e outra que trabalha com o Filipe La Féria desde os 12 anos, de dois cabo-verdianos que injectam outras músicas nas kizombas, mornas e coladeiras a um outro que faz rock e música para crianças. E, com todos os meus alunos - vendo a sua alegria, fé e orgulho no que fazem -, aprendo que a indústria até pode estar em crise mas que a música nunca estará.

04 julho, 2010

Sons do Atlântico, Bons Sons, Intercéltico de Sendim e Povo que Lavas no Rio Águeda: o Verão 2010 Tem Tudo!

Ora bem! Há tanta informação para dar (e tanta outra que fica de fora!) que temos que ir por partes...



Parte 1:

SONS DO ATLÂNTICO (5, 6 e 7 de Agosto, Porches, Lagoa)

Os tuaregues malianos Tinariwen que actuam no FMM de Sines a 30 de Julho participam, uma semana depois, no Festival algarvio Sons do Atlântico, que se realiza este ano entre os dias 5 e 7 de Agosto, no promontório de Nossa Senhora da Rocha, Porches, Lagoa.

Os tuaregues malianos terão a companhia no primeiro dia (quinta-feira, dia 5) do guineense e lisboeta Kimi Djabaté que inaugura esta edição do Sons do Atlântico.

Na sexta-feira, dia 6, encontra-se duas distintas vozes nacionais. A algarvia que Viviane que funde fado com tango e uma das mais interessantes novas vozes do fado: Carminho (na foto).

No sábado, dia 7, o Sons do Atlântico encerra com a fanfarra sintrense Kumpania Algazarra e com o cabo-verdiano Tito Paris.(Fonte: Crónicas da Terra)

Nota: Não está aqui em cima, mas o Clube Conguito (DJs António Pires e Rodrigo Madeira) encerra o Sons do Atlântico com um set que tem por mote provisório - e provisório porque se calhar vamos mesmo acelerar até cair! - "Devagar se vai ao Lounge" :)




Parte 2:

BONS SONS (20, 21 e 22 de Agosto, Cem Soldos, Tomar)

Neste ano o BONS SONS faz a festa da multiculturalidade com Princezito (Cabo Verde), Melech Mechaya, Drama & Beiço e Terrakota. Explora, transforma as linguagens da música portuguesa com Danças Ocultas (na foto), Diabo na Cruz, Dazkarieh, Diabo a Sete ou com o consagrado Fausto. Celebra manifestações vivas do património musical português com Adufeiras de Monsanto e Cantares Alentejanos de Serpa. Brinda-nos com momentos mais acústicos com os concertos de Norberto Lobo, Dead Combo, Lula Pena e B Fachada, e alarga as noites com os DJ’s com Nuno Coelho, MissBoopsieCola e BlackBambi.

Mas há mais! Para além dos concertos ao ar livre, estarão disponíveis outras formas de vivência da música e da aldeia. Falamos de espectáculos de dança, música para bebés, exposições de artes gráficas, projecção de curtas-metragens, feira das marroquinarias, entre outras propostas.

Bilhetes à venda: Sede do SCOCS em Cem Soldos, Turismo de Tomar, Fnac, Ag. ABREU, Worten, C.C. Dolce Vita, Megarede, El Corte Inglês (Lisboa e Gaia) e em www.tickeline.sapo.pt / Reservas: 707 234 234.

Bilhete diário: 6€*
Bilhete geral: 10€*
*Com acesso gratuito ao Parque de Campismo.




Parte 3:

FESTIVAL INTERCÉLTICO DE SENDIM (30 e 31 de Julho, Sendim, Terras de Miranda)

...porque a folk merece um festival assim!


Para iniciarmos uma nova década de celebrações musicais intercélticas em terras de Sendim, na finisterra mirandesa de Trás-os-Montes, a opção fundamental da programação recaiu maioritariamente sobre jovens formações musicais provenientes de distintas geografias ibéricas apostadas em contribuir, com as suas múltiplas propostas, para se alargarem as margens expressivas da música de matriz folk dos nossos dias.
Interessaram-nos sobretudo aqueles projectos que olham o futuro a partir das raízes e que se acercam das encruzilhadas não para se instalarem no conforto dos limites mas antes para descobrirem o sortilégio da partilha intercultural.
Arrancamos com uma afirmação de vontade de tocar e de reinventar a música portuguesa de raiz tradicional (Diabo a Sete), detemo-nos nas seduções das rotas do contrabando cultural que recusa as fronteiras que não raro ignoram contextos de afinidades com seculares origens (Xarnege; na foto) e logo mais acabamos rendidos à sedução de um grito interno que se afirma como expressão actual de uma respiração cultural que resgata das memórias a essência vital do presente (Mercedes Péon). Nas transumâncias destes dias (re)descobrimos quão reconfortantes são as rotas da interculturalidade (Uxu Kalhus), porventura hesitando entre os apelos das terras e os chamamentos das costas de renovadas navegações (Garma), mas com a certeza de que longa vida da Oysterband é um poderoso tónico para a folk dos nossos dias e de sempre.
No final das viagens que propomos bastar-nos-á a confirmação de uma daquelas certezas (ou verdades?) que adoptamos como princípio orientador da saga em terras de Sendim: quem não semeia o progresso faz morrer a tradição.
Cumpram-se, pois, as celebrações sendintercélticas em 2010 sob o signo da (re)descoberta permanente dos sons que fazem vibrar o cristal de um tempo que queremos viver com a máxima plenitude intercultural. Acreditamos - continuamos a acreditar! - que esta é a grande verdade do Festival Intercéltico de Sendim - Terras de Miranda.

PARQUE DAS EIRAS
€ 12,50 por noite

30 Julho
22h30: Diabo a Sete (Portugal)
23h30: Mercedes Péon (Galiza)
00h30: Xarnege (Euskadi/Gasconha)

31 Julho
22h30: Uxu Kalhus (Portugal)
23h30: Oysterband (Inglaterra)
00h30: Garma (Cantábria)


CONCERTOS PARALELOS

Oficina de Danças Tradicionais (Uxu Kalhus)
31 Julho: 16h00 - Local: Largo da Igreja

Gaiteiricos Mirandeses
31 Julho: 18h00 - Local: Largo da Igreja

Animação de Rua: Gaiteiricos Mirandeses
31 Julho: 21h30 - Desfile: Largo da Igreja/ Parque das Eiras


BARDOFOLK

Poções mágicas para todas as sedes....
Parque das Eiras: 30 e 31 de Julho e 1 de Agosto...

OUTRAS ACTIVIDADES

Curso de Iniciação à Língua Mirandesa
Salão dos Bombeiros Voluntários
31 Julho: 10h30/12h30 - 15h00/19h00
1 Agosto: 10h30/13h00

Passeio Pedestre: La Ruta de ls Celtas
31 Julho - Saída: Junta de Freguesia: 9h00

Lançamento de Livros e Discos
31 Julho: 11h30 - Local: Balões da Cooperativa Ribadouro

Homenagem ao Gaiteiro da Póvoa Delfim de Jesus Domingues
31 Julh0: 16h00 - Local: Casa do Pauliteiro

Pintura de Luís Ferreira: Um Artista Sendinês
Local: Casa da Cultura de Sendim
30/31 Julho e 1 Agosto: 15h00/20h00


Parte 4:

POVO QUE LAVAS NO RIO ÁGUEDA (Águeda, 16 e 17 de Julho)

O imponente espectáculo inter-associativo que Águeda constrói, a cada ano, sobre as águas do seu rio, tem nova edição em 2010. Um musical exuberante, contemporâneo e visual, inspirado no repertório musical de todos os tempos dedicado ao imaginário ribeirinho: “Povo Que Lavas no Rio Águeda” (na foto: Mário Abreu/d'Orfeu 2009). A 16 e 17 de Julho de 2010, na antiga piscina fluvial, terá lugar mais um evento para a história cultural de Águeda.

[ler apresentação integral em http://povoquelavasnorioagueda.blogspot.com/]

POVO QUE LAVAS NO RIO ÁGUEDA
2 únicas apresentações: 16 e 17 Julho 2010, 22h00

lotação máxima de 1200 lugares por noite

BILHETES À VENDA
preço único 3€
na Câmara Municipal de Águeda
na Biblioteca Municipal Manuel Alegre
nas Piscinas Municipais de Águeda
no Agitágueda (a partir de 3 Julho)

22 outubro, 2008

Acordeões do Mundo - Abram-se os Foles em Torres Vedras


O Festival Internacional de Acordeões do Mundo, que começa este fim-de-semana em Torres Vedras, vai já na sua quinta edição. E, este ano, tem mais uma vez um programa hiper-apetecível. A informação completa, sacada directamente às Crónicas da Terra:

«O Município de Torres Vedras apresenta, entre os próximos dias 27 de Outubro e 10 de Novembro, a quinta edição do cada vez mais respeitado Festival Internacional de Acordeão. Além dos espectáculos musicais que este ano nos trazem a dupla finlandesa KRAFT de Pekka Kuusisto & Johanna Juhola (a 31 de Outubro, no Teatro-Cine), destaque para a residência artística que envolve o projecto Danças Ocultas, o gaucho Renato Borghetti e o búlgaro Martin Lubenov (e quem mais quiser participar, basta inscrever-se), que culminará, dia 7 de Novembro, com o espectáculo de diálogo entre estes três parceiros multinacionais do fole. Paralelamente, organização promove durante estes dias, ao fim da tarde (18h), as Merendas de Acordeão que resultam numa actuação e numa prova de vinhos, ou leitura de texto.

Eis o programa integral divulgado no site das Festas da Cidade de Torres Vedras:

Concertos
27 Outubro |Segunda | 21h30
Daniel Mille (França)
Teatro-Cine

Na galáxia dos músicos de jazz, Daniel Mille é um puro jazzman que junta em torno de si todos os públicos nos locais por onde passa. O compositor foi considerado o melhor artista instrumental por “Victoires du Jazz 2006” após 10 anos de carreira, tem várias participações em festivais e em álbuns de outros artistas e o espectáculo que nos vai apresentar baseia-se no seu último trabalho Aprés la pluie.

Ficha técnica Daniel Mille » acordeão e acordina
Alfio Origlio » piano
Jerome Regard » contrabaixo
Pascal Rey » percussão
Julien Atour » trompete/fliscorne

31 Outubro | Sexta | 21h30
KRAFT (Pekka Kuusisto & Johanna Juhola) (Finlândia)
Teatro-Cine

Os KRAFT estrearam-se em Julho de 2005 no festival Time Of Music, em Viitasaari.
O duo destaca-se pela comunicação musical e expressão sem género definido.
Os sons são produzidos por uma variedade de instrumentos que vão desde o violino e o acordeão à electrónica, jogo de sinos e voz. KRAFT mostram todos os tipos de música para pessoas que gostam de música de todos os tipos.

Ficha técnica Johanna Juhola » acordeão e piano
Pekka Kuusisto » violino, viola, violino electrico, voz, sampler e piano.

3 Novembro | Segunda | 21h30
Tango Quattro (Argentina)
Teatro-Cine

Este grupo de músicos argentinos surgiu no ano de 1996.
Aquilo que a principio foi um projecto artístico como forma de manter viva a própria cultura transformou-se numa necessidade de reafirmar a própria identidade e, acima de tudo, gostam de se assumir como um grupo de amigos.
O que se destaca em Tango Quattro é a sonoridade do autêntico tango que estes músicos conheceram desde as suas infâncias, tango que expressam com vigor e com a personalidade de um estilo inconfundível, inseparável das raízes que o tango possui e baseado em novos arranjos musicais com adaptações próprias. No seu reportório incluem-se todos os estilos desde a ‘velha guarda’ até Astor Piazzolla, passando por outros músicos de referência como Troilo, Salgan, Pugliese, Plaza e outros grandes maestros do tango, dos quais são absolutamente fiéis estilisticamente falando.

Ficha Técnica
Ezequiel Cortabarría » Flauta
Fabián Carbone » Bandoneón
Mario Soriano » Piano
José Luis Ferreyra » Contrabaixo
Adrián Rodríguez » Violoncelo

7 Novembro | Sexta | 21h30
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine

Este concerto será o resultado de 4 dias de residência artística na qual participaram artistas já conhecidos do público Torriense. O que se espera é uma conjugação sublime de distintos modos de tocar e de sentir a música, sonoridades que espelham uma troca enriquecedora de experiências.

10 Novembro | Segunda | 21h30
Duo ARTClac (Portugal)- Duo de Acordeão e Clarinete
Paulo Jorge Ferreira e Carlos Alves
Teatro-Cine

O “Sopro dos Botões” é um programa de apresentação deste duo constituído por dois artistas com uma enorme experiência em contextos extremamente diversificados. Esta proposta dá corpo, em boa medida, à visão de descoberta de novos mundos. Do Fado à música improvisada, passando por linguagens contemporâneas e por uma das facetas muito importantes deste grupo, a produção própria. Paulo Jorge Ferreira é, também, compositor e arranjador e uma das obras foi escrita especificamente para este duo.
Uma das características centrais deste programa é a sua versatilidade e adequabilidade a muitas situações diversas, desde o tradicional recital até à integração em mostras mais alargadas.

Programa

I Parte
Versionen – Werner Richter (Em dois movimentos)
Nuances a 2 – Paulo Jorge Ferreira
…para acordeão e clarinete – Rainer Glen Buschmann
­Barcarole ­Galopp ­Arie ­Tango ­Musette

II Parte
Improviso sobre melodias de Golijov – clarinete solo
Improviso – acordeão solo
Sonate – Wolfgang Hofmann ­Allegro ­Largo ­Vivace
“Ouvir Lisboa”( recriação de fados alusivos a Lisboa) – Paulo Jorge Ferreira

3 a 7 Novembro
Residência Artística
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine de Torres Vedras

‘O Festival Acordeões do Mundo apresenta-se este ano com mais uma inovação, a de proporcionar um espectáculo de estreia mundial com músicos internacionais e nacionais que já actuaram no festival.
Projecto que constitui uma renovação integral na apresentação de reportórios, conjuga e une distintos modos de tocar e de sentir num laboratório criado pare esse propósito. Propósito que pretende eleger de cinco em cinco anos um programa que possua a assinatura Torres Vedras, reunindo para isso um grupo de músicos (sempre que possível com a presença de portugueses) que tenha reunido o agrado do público deste Festival.
Importa aqui sublinhar o empenhamento e o entusiasmo de Artur Fernandes (Danças Ocultas) que desde a primeira hora apadrinhou e subscreveu este modelo de residência artística.’

Merendas do Acordeão - 18h

27 Outubro | Segunda | A Brasileira de Torres | José Cláudio | Concerto e prova de vinhos

28 Outubro | Terça | Pastelaria Havanesa | Vítor Apolo | Concerto e prova de vinhos

29 Outubro | Quarta | Café O Chave | Bianca Luz | Concerto e prova de vinhos

30 Outubro | Quinta | SaboreAr| João de Castro e João Domingo | Concerto e prova de vinhos

31 Outubro | Sexta | Restaurante Ferróbico | Catarina Brilha | Concerto e leitura de textos

3 Novembro | Segunda | Livraria Livrodia | Dora Tavares | Concerto e leitura de textos

4 Novembro | Terça | Casa Avó Gama | José António Martins | Concerto e leitura de textos

5 Novembro | Quarta |Bar da Câmara Municipal | Sofia Henriques | Concerto e prova de vinhos

6 Novembro | Quinta | Café O Sizandro | Vítor Apolo e Francisco Cipriano | Concerto e leitura de textos

7 Novembro | Sexta | Cervejaria O Gordo | Emanuel Crispim | Concerto e prova de vinhos

10 Novembro | Segunda | Adega O Manadinhas | Mário Paulo e João Paulo | Concerto e leitura de textos»

A magnífica foto dos Danças Ocultas que encima este post é da autoria de Mário Pires.

04 outubro, 2006

Danças Ocultas - A Alma e Os Foles que Ela Sopra


O álbum «Pulsar», do extraordinário quarteto de concertinas Danças Ocultas, originalmente editado em 2004, está a ser reeditado com dois temas bónus registados ao vivo - «Queda d'Água», gravado no Festival Sons em Trânsito, Aveiro, em 2005, e «Moda Assim ao Lado», gravado no Fórum Lisboa, em 2004. A propósito da reedição, aqui ficam dois textos publicados há dois anos no BLITZ: a entrevista que tem como mote o álbum «Pulsar» e a crítica a esse disco.


DANÇAS OCULTAS
O PRAZER DA VIAGEM

«Pulsar», o novo álbum dos Danças Ocultas, descobre novos caminhos para a música do quarteto. Caminhos em que se cruzam outros companheiros de(sta) viagem. Uma viagem, por vezes, com (ou por) paragens inesperadas.

Seis anos depois de «Ar» e oito depois de «Danças Ocultas», o quarteto de Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel lança o seu álbum mais aguardado (foi muito tempo de espera e muita coisa a acontecer sem que acontecesse um... disco) e mais - pode usar-se a palavra neste contexto - inesperado (pelas surpresas que traz dentro). Seis anos intensos, de mudança, de evolução, de actuações aqui e ali (em Portugal e no estrangeiro), de composições para coreografias, de um «Alento» diferente dado por um livro... Nesta entrevista, Artur Fernandes ajuda a revelar o que estava oculto.

Os dois primeiros álbuns do grupo foram editados pela EMI. O novo é lançado pela Magic Music, com distribuição da CNM (Companhia Nacional de Música). Artur Fernandes explica porque saíram da multinacional: «Foi uma questão de eficácia. Desde 1998 que tocamos, com regularidade, na Europa central - Bélgica, Alemanha, Holanda, França. E, menos, em Itália, Inglaterra e Espanha. E foi sempre muito difícil ter licenciamento internacional nesses mercados. Fez-se uma edição em França, em 2002, mas foi um processo muito lento; demorou um ano. E andar a tocar lá fora sem o apoio de um disco é muito ingrato. Sentimos, portanto, essa necessidade de agilizar o mais possível a possibilidade de licenciamento internacional, o que é muito mais fácil através de uma editora independente do que através da EMI. A nossa saída da EMI foi cordial...». Neste momento, aliás, há «contactos adiantados com editoras em Espanha e França para a edição do novo disco nesses territórios».

Curiosamente, «Pulsar» - pelos meios de gravação que envolveu, pelos convidados convocados a aparecer, etc... - parece mais uma produção saída de uma multinacional do que de uma edição independente. E, diz Fernandes, «esse esforço de produção justifica também a demora na saída do disco...». Ao longo destes seis anos, «fomos compondo material, tivemos muitos espectáculos, conhecemos muita gente. E as ideias que temos sobre a música que fazemos vão, lenta e gradualmente, mudando. Talvez pelos nossos concertos em terras estranhas, de Marrocos à Alemanha, e as visitas a título pessoal ao Brasil, Índia, Estados Unidos, torna-nos mais cosmopolitas... Quando temos vinte anos pensamos que conhecemos tudo e depois é que vamos percebendo que estamos cada vez mais longe de saber tudo». As viagens alargaram, de facto, os horizontes - musicais e estéticos - do grupo. Paralelamente, os Danças Ocultas colaboraram com o coreógrafo Paulo Ribeiro e inspiraram o livro «Alento» (de Jorge Pires). E cruzaram-se com músicos de áreas diferentes: «por exemplo, com o Pascal Contet, um acordeonista que faz música contemporânea improvisada, com músicos de jazz, com o Edu Miranda [músico brasileiro que toca bandolim e guitarra em "Pulsar"]... E isto foi tornando o som dos Danças Ocultas mais cosmopolita».

Para Artur Fernandes, «os dois primeiros álbuns são um ensaio de como fazer música para concertina fugindo à sua conotação ou à sua memória. Seria uma composição pela negativa, enquanto o novo disco é uma construção pela positiva de mais reportório para este instrumento». Pergunto-lhe se não acha que, neste álbum, se afastaram bastante de umas possíveis raízes portuguesas presentes nos dois primeiros... «Acho que sim. Mas já nos dois primeiros álbuns talvez se reconhecessem mais os ambientes tradicionais portuguesas pelo timbre dos instrumentos do que propriamente pelas composições. No novo disco, os convidados não aparecem para divergir o som, para irmos para outras latitudes, mas mais pelas pessoas em si e pelo gosto que temos pela música que essas pessoas fazem... Nós nunca nos sentimos presos à nossa rua ou à nossa terra ou ao nosso país». Mas é verdade que há viagens no novo álbum... «O tema "Sirocco" foi inspirado por um concerto em Marrocos, em 1998, em que dissemos "temos que fazer qualquer coisa com esta escala maluca". E essa é talvez das músicas que mais sofreram evoluções, porque quando fazemos uma coisa estranha à nossa vivência temos medo que fique demasiado colada à sua origem, ao postal ilustrado, ao evidente. No tema com o Edu Miranda aconteceu a mesma coisa: não quisemos fazer um pastiche da música brasileira».

Por outro lado, com a inclusão dos vários convidados - e de uma variedade grande de instrumentos, desde a voz, como a do sírio Abed Azrié ou a de Maria João, o piano de Mário Laginha, os instrumentos «bárbaros» dos Gaiteiros de Lisboa, o sintetizador e o acordeão de Gabriel Gomes, contrabaixo e percussões várias... - a paleta tímbrica do grupo alargou-se: «Isso teve a ver com a necessidade de cada uma das composições. E a isso juntou-se a afinidade que já tínhamos com muitos deles - os Gaiteiros, o Rui Júnior, o Edu, o Gabriel... - e a afinidade nascente com outros, como a Maria João e o Mário Laginha ou o Abed Azrié, que conhecemos em Paris, em 2001 ou 2002: fomos para casa dele, comemos e bebemos, mostrou-me partituras dos trabalhos dele, e ficámos de vir a trabalhar no futuro». O que veio a acontecer, e com resultados lindíssimos, neste álbum.

Pergunto a Artur se o nome do álbum, «Pulsar», tem também a ver com uma muito mais forte componente rítmica no novo disco. E Artur diz que «essa é uma leitura nova do título. Mas tendo a concordar com ela. Os Danças Ocultas eram um grupo de "paisagem musical" e este disco tem de facto uma maior componente rítmica, independentemente de estarem lá o contrabaixo, a bateria ou as percussões».

Na transposição dos temas novos para o palco, vai haver o problema da falta de muitos dos convidados. Diz Artur: «Tivemos essa consciência, mas houve o cuidado de que o tipo de intervenção dos convidados não limitasse muito a transposição para o "ao vivo", porque este disco poderia ter sido feito sem convidados, para quatro músicos, com os mesmos temas. Mas sabemos que se poderá perder alguma coisa».


DANÇAS OCULTAS
«PULSAR»
Magic Music/CNM

E, depois de seis anos de espera, o terceiro álbum do quarteto de concertinas Danças Ocultas apanha-nos completamente desprevenidos pela sua riqueza tímbrica, pela variedade de territórios musicais visitados, pela quantidade (e qualidade) dos amigos/convidados para o disco, pela descoberta do «groove». «Pulsar», assim se chama o disco, significa - dizem os dicionários - «agitar», «palpitar», «latejar», «bater», e tem tudo a ver com ritmo -- a «pulsação», o brilho cadenciado da estrela com o mesmo nome. Em «Pulsar», os Danças Ocultas atiram-se à dança já não escondida - há contrabaixos, há percussões, há mais cadências/dolências mesmo nas concertinas («Tristes Europeus») e há montes de gente convocada para o festim servido por Artur Fernandes e companheiros: o sírio Abed Azrié, que canta e toca percussões num belíssimo tema dele, «Alchimie», misto de Médio Oriente, Índia e salão europeu do séc.XIX, e ainda com um piano discreto de Mário Laginha; o mesmo Laginha que, com Maria João, leva os Danças Ocultas para uma África que poderia ter sido imaginada por José Afonso, em «Fantasia»; o bandolinista e guitarrista Edu Miranda num «Porto Seguro» que é uma festa que passa por vários géneros brasileiros (do chorinho ao baião, digo eu); os Gaiteiros de Lisboa, na tanguédia/tancomédia/medieval/experimental que é «Casa do Rio»; ou Gabriel Gomes, que produz, toca acordeão e sintetizadores (tão subtis quanto elegantes). Mas também continua lá o sopro, o ar, o vento, que já lhes conhecíamos e amávamos: (Puls)ar. (8/10)