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30 abril, 2013
Festival Islâmico de Mértola - Programação 2013
12 abril, 2013
FMM de Sines Anuncia Artistas Nacionais
06 novembro, 2008
Grão - Nova Editora Lança Discos de Maria João Quadros e El Fad
Tiago Torres da Silva - reconhecido poeta e letrista que já colaborou com variadíssimos artistas e compositores portugueses e brasileiros - fundou uma editora, a Grão, onde vai lançar projectos próprios ou exteriores ao seu trabalho mas com os quais se sente especialmente identificado. Para já, os primeiros lançamentos da Grão são um originalíssimo álbum da fadista Maria João Quadros, em que ela canta poemas de Tiago Torres da Silva musicados por compositores brasileiros, e um álbum ao vivo do projecto El Fad, do guitarrista José Peixoto (na foto).
«Fado Mulato», de Maria João Quadros, é um álbum único no universo do fado: aqui ela canta poemas de Tiago Torres da Silva (com duas excepções - uma letra de Paulo César Pinheiro e «Gota de Água», com letra e música de Chico Buarque), sobre fados compostos por vários autores brasileiros, nomeadamente Ivan Lins, Zeca Baleiro, Olivia Byington, Pedro Luís (de Pedro Luís e A Parede), Chico César e Francis Hime, entre outros. E neste álbum - que visita os universos do fado mas também os de vários géneros brasileiros, do tango e da música cabo-verdiana - participam como convidados especiais os cantores Tito Paris, Olivia Byington e Francis Hime, Custódio Castelo na guitarra portuguesa e Pedro Jóia e José Peixoto na guitarra clássica.
No projecto El Fad, do guitarrista e compositor José Peixoto - que nos últimos anos tem repartido o seu tempo pelos Madredeus, pelos Sal, por parcerias com Maria João ou Fernando Júdice, entre outros - participam também Carlos Zíngaro (violino), Miguel Leiria Pereira (contrabaixo) e Vicky (bateria). O álbum agora editado, «Vivo», foi gravado em concertos no Auditório Fernando Lopes Graça (Almada), Onda Jazz (Lisboa) e Tambor Q Fala (Seixal), realizados em Dezembro de 2007. O primeiro álbum do projecto El Fad tinha sido editado em 1988 com uma formação completamente diferente em que José Peixoto era acompanhado por Martin Fredebeul (saxofone alto e soprano, flauta e clarinete baixo), Klaus Nymark (trombone), Mário Laginha (piano e sintetizador), Carlos Bica (contrabaixo), José Martins (percussões e sintetizador) e Mário Barreiros (bateria).
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17 junho, 2008
Sete Sóis Sete Luas - Itinerâncias & Cruzamentos
O Festival Sete Sóis Sete Luas, que mais uma vez passa por vários países - incluindo Portugal e, este ano pela primeira vez, chegando aos Açores - mostra muitas músicas de muitos lugares. Para conhecer o programa completo, incluindo o calendário de actuações em Portugal, o melhor é consultar o site do festival, aqui. Mas, só para se ter uma ideia da dimensão do festival, segue-se a lista de artistas e grupos presentes nesta edição 2008 do Sete Sóis Sete Luas: 7SoisOrkestra - projecto liderado pelo italiano Stefano Saletti, com Massimo Cusato (Calábria), Margarida Guerreiro (Portugal), Jamal Ouassini (Marrocos), Miguel Ramos (Andaluzia), Mario Rivera (Sicília) e Eyal Sela (Israel) -, Acquaragia Drom (Itália), Arminda Alvernaz (Açores/Portugal), Argentina (Espanha), Assurd (Itália), Rogelio Botanz (Canárias/Espanha), Custódio Castelo (Portugal), Circo Diatonico (Itália), Homero Fonseca (Cabo Verde), Giuliano Ghelli (Itália, artista plástico), Ana González y Su Gente (Espanha), Gustafi (Croácia), Konstantino Ignatiadis (Grécia), La Compagnie Ilotopie (França, teatro de rua), Mario Incudine (Itália), Judith (Espanha), Samira Kadiri & Arabesque (Marrocos), Kama Fei (Itália), Ramon Kelvink (Itália, equilibrismo), La Gialletta (outro projecto especial do Festival que junta José Barros, dos Navegante, com as bascas Ttukunak e os italianos Mimmo Epifani e Giandomenico Ciaramia), Massimo Laguardia (Sicília/Itália), Lautari (Sicília/Itália), Les Boukakes (França/Tunísia/Marrocos), Carmen Linares (Espanha), Luar na Lubre (Galiza), Maracaibo (Espanha, teatro), Markeliñe (Espanha, teatro), Márcio Matos (Açores/Portugal, artista plástico), Matrimia (Itália), Med'Set Orkestra (e mais um super-grupo nascido neste festival, com o argelino Akim el Sikameya, a espanhola Mara Aranda, a italiana Rita Botto, o português Custódio Castelo, os italianos Marco Fadda e Riccardo Tesi e o grego Vasilis Papageorgiou), Mish Mash (Itália), Hélder Moutinho (Portugal), Navegante (Portugal), Nou Romancer (Espanha), Orchestra di Piazza Vittorio (Itália), Parto delle Nuvole Pesanti (Itália), Piccola Banda Ikona (Itália), Juan Pinilla (Espanha), Mariana Ramos (Cabo Verde), Royal de Luxe (França, marionetas gigantes), Eyal Sela (Israel), Amrbrogio Sparagna (Itália), Toma Castaña (Espanha), Oliviero Toscani (Itália, «Il Asini», projecto do famoso fotógrafo que tem como modelos burros portugueses), Triatriba (Sicília/Itália), Joana Vasconcelos (Portugal, escultura), Nancy Vieira (Cabo Verde), Xaile (Portugal; na foto), Xeremies de Son Roca (Ilhas Baleares/Espanha) e Imán Al Kandousi (Marrocos).
26 dezembro, 2006
Dossier Guitarra Portuguesa - 4º Fascículo
Um dos trabalhos que mais prazer me deu fazer durante os meus muitos anos de BLITZ foi este dossier sobre a Guitarra Portuguesa, em finais de 2004. Ao longo destas semanas, e espaçadamente (para não cansar e porque há outras coisas para falar), aqui vão ficar entrevistas com guitarristas da nova geração e um construtor de guitarras que com ele transporta o saber de gerações, uma possível História da Guitarra Portuguesa, uma discografia básica, etc... Fiz este trabalho com muito amor. Leiam-no também assim, por favor.
GUITARRA PORTUGUESA
CORDAS UMBILICAIS
Pode um instrumento musical espelhar - com o seu som, o seu timbre, a sua respiração e movimento e vibração - a alma de um povo? Pode. Ouve-se um didgeridoo na Austrália, um berimbau no Brasil, uma kora no Senegal, uma flauta de Pã nos Andes, um tambor taiko no Japão, e sabemos que aquele instrumento específico está a ser tocado pela alma certa, mesmo que possa ser tocado por «corpos» de toda a gente em todo o mundo.
Pode a guitarra portuguesa espelhar a alma do povo português? Pode. Há guitarra portuguesa de Lisboa e guitarra portuguesa de Coimbra e guitarra portuguesa do Porto e Braga. E há gente a tocá-la em todo o país. E há um género (dois?, se falarmos de Lisboa e de Coimbra separadamente) que lhe está colado como uma segunda pele, o Fado - ou, dizem os mais críticos, em vez de uma pele, um casaco grande e grosso que por vezes lhe abafa o respirar. E há intérpretes e compositores que fizeram da guitarra portuguesa um instrumento maior. João Maria dos Anjos, Antero Alte da Veiga, o clã Paredes - Gonçalo, Artur e Carlos -, Armandinho, Raúl Nery, António Portugal, António Brojo, Fontes Rocha, Augusto Hilário, Pedro Caldeira Cabral, António Chaínho e muitos, muitos outros... E, mais recentemente, há músicos mais novos que se atiram à guitarra sem complexos e com vontade de a levar para o futuro como Ricardo Rocha, Paulo Parreira, Custódio Castelo ou Paulo Soares... E algumas mulheres, como Marta Costa, perderam o medo de tocar este instrumento difícil e extremamente exigente em termos físicos (a posição; a dureza das cordas...). E há gente do rock a virar-se para ela: na invenção e recriação física do instrumento através das «guitarras portuguesas mutantes» de Nuno Rebelo; na paixão com que Luís Varatojo (ex-Peste & Sida e Despe e Siga) trocou a guitarra eléctrica pela guitarra portuguesa e contribuiu para fazer A Naifa; na aventura que é usar guitarra portuguesa no heavy-metal (os Thragedium, cujo líder, Eclipse, também toca guitarra portuguesa). E os ecos do instrumento não ficam por aqui. Mesmo que não estejam lá, fisicamente, estão nos samples de Sam The Kid ou nas guitarras eléctricas dos Dead Combo, de The Legendary Tiger Man e de Gonçalo Pereira (cf. na versão de «Movimentos Perpétuos», de Carlos Paredes, no álbum «Upgrade»).
A guitarra portuguesa, dizem alguns historiadores, evoluiu a partir de uma fusão da cítara com a guitarra inglesa e faz parte de uma imensa família de cordofones. Pelo som, e pelo sentimento, é irmã do oud (o alaúde árabe), é prima do bouzouki grego (que, por uma estranha emigração, foi adoptado também pelos irlandeses) e do bandolim siciliano, e é vizinha da guitarra espanhola - tão vizinha que, geralmente, para cada guitarra portuguesa há uma viola - uma guitarra espanhola - ali mesmo ao pé. Mas as ligações genealógicas dos cordofones podem ir mais além no tempo e longe no espaço: podem ir ao shamisen das gueixas japonesas, à sitar indiana, à balalaika russa, ao ukelele havaiano (neto dos cavaquinhos portugueses), à kora dos griots mandingas, às violas de lata dos blues do Mississippi.
São cordas que prendem a música, as canções, à terra onde nascem, como cordões umbilicais que nunca são cortados, como fios de Ariadne que nos servem de bússola permanente, como uma teia de relações que se prendem - e nos prendem - a um tempo, a um espaço, a uma poesia, a um gosto, a um destino. E à alma dos povos que as dedilham.
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