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06 julho, 2013

Tom de Festa - Mais um Festival Resistente!

Depois de termos dado conta do Sete Sóis Sete Luas, chegou agora a vez de publicar a informação já disponível sobre outro festival histórico em Portugal: o Tom de Festa, ainda e sempre organizado pela ACERT e em Tondela: «23º TOM DE FESTA FESTIVAL DE MÚSICA DO MUNDO ACERT’13 Uma Tondela com muitas geografias e enCANTOS para que mantenhamos memórias de elefante. Brasil | Cabo Verde | Camarões | Espanha | Irlanda | Portugal A ACERT organiza a 23ª edição do Tom de Festa. Num ano marcado pela criação teatral de “A Viagem do Elefante”, o programa mantém a sua matriz, promovendo concertos e atividades que fazem deste Festival um dos mais antigos acontecimentos desta natureza realizados no país. Nomes de artistas e grupos talentosos integram um programa multicultural que oferece uma ementa musical singular. Richard Bona num regresso há muito esperado, depois de se ter apresentado pela primeira vez em Portugal, na ACERT, em 2007. O talento e virtuosismo de um dos mais reconhecidos músicos mundiais. A brasileira Cibelle, artista multifacetada, apresentando em primeira-mão em Portugal o seu novo trabalho discográfico. Contracorrente, uma criação d’Orfeu, espetáculo vencedor do Prémio Adriano Correia de Oliveira do Festival Cantar Abril 2013. Niamh Ni Charra )na foto), uma cantora e instrumentista irlandesa premiadíssima pela originalidade com que aborda a música folk do seu país. O cabo-verdiano Tcheka, um dos músicos de referencia da música africana da atualidade. Dead Combo, um projeto musical nacional inovador e de prestígio reconhecido. Os ritmos cine-frenéticos da Galiza trazidos pela Banda Crebinsky. O teatro de rua apresentado pelo Teatro Regional da Serra de Montemuro com o espetáculo “Que raio de mundo”. Moulinex Live, a capacidade para esmagar fronteiras entre géneros, pistas de dança e sofás. Uxu Kalhus, um grupo folk português algures entre os universos da “fusão” e das “músicas do mundo” com atuações vibrantes e inesquecíveis. Mas, como sabem todos aqueles que viveram outras edições do Tom de Festa, a música é a protagonista de um local de encontro de culturas, de gentes e de paixões partilhadas que, em Tondela, se conjugam num acontecimento que, por universal, não perde o caráter comunitário da festa e da identidade de quem o promove: a ACERT, placa giratória de afetos é o local menos as paredes… Este ano o Tom de Festa, fruto de uma das múltiplas parcerias que a ACERT vem desenvolvendo, realiza-se em partilha com a Fundação Museu do Douro. É mais um motivo de enorme satisfação que o nosso trabalho vá sendo desenvolvido com parceiros tão estimulantes. Sejam bem vindos a mais um Tom de Festa e levem sinais de celebração da música e das artes como elementos que permitem conjugar forças, fortalecer resistências, promover partilhas e celebrar sonhos transformadores duma realidade que exige a união entre os povos que querem ser sujeitos do seu próprio futuro. Tondela, de 17 a 20 de Julho, Régua de 17 a 21 de julho, são locais de encontro de todos aqueles que desejam conjugar, em festa, plurais tons de enCANTOS conjuntos. Programa 23º Festival de Músicas do Mundo ACERT Tondela, 17 a 20 de julho quarta, 17 de julho Teatro Montemuro "Que Raio de Mundo" 22:00, Jardim Richard Bona (Camarões) 23:00, Palco 1 quinta, 18 de julho Cibelle (Brasil) 22:00, Palco 1 Contracorrente 23:00, Palco 1 sexta, 19 de julho Niamh Ni Charra (Irlanda) 22:00, Palco 1 Banda Crebinsky (Espanha) 23:00, Palco 1 Moulinex Live 24:00, Pátio sábado, 20 de julho Tcheka (Cabo-Verde) 22:00, Palco 1 Dead Combo 23:00, Palco 1 Uxu Kalhus 24:00, Pátio»

18 julho, 2010

Cacharolete de Álbuns (Híbridos e Sem Ligações Aparentes)


As músicas, cada vez mais, viajam livremente entre várias épocas e vários continentes e vários géneros. E ainda bem. Hoje aqui ficam mais quatro bons exemplos de músicas híbridas, rafeirosas (e todos nós sabemos que os melhores bichos também o são), abertas... Senhoras e senhores, os Tribeqa, Carolina Chocolate Drops, ErsatzMusika e Cibelle (na foto,de Socrates Mitsios), tal como vistos por mim há alguns meses na "Time Out Lisboa".


Tribeqa
"Tribeqa"
Underdog/Massala
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A base da sua música é o jazz, mas os franceses Tribeqa juntam-lhe funk, bossa-nova, soul, hip-hop (está aqui DJ Greem, dos C2C e Hocus Pocus, no scratch), música árabe e um quase omnipresente balafon mandinga (e a flauta do marfinense Magic Malik num dos temas) a levar tudo para África. Liderados pela compositora, vocalista e percussionista (incluindo o balafon e o vibrafone) Josselin Quentin, os Tribeqa partem de Nantes para visitar variadíssimas “músicas do mundo” mas com um som muito próprio e original. Um dos treze temas de "Tribeqa" – álbum homónimo e de estreia do grupo - tem título em português, “O Bêbado”, e, de facto, é o delírio alcoólico-musical mais perfeito que alguma vez se fez; que nos perdoem Tom Waits, Shane MacGowan, Janis Joplin, Hanggai e Serge Gainsbourg.




ErsatzMusika
"Songs Unrecantable"
Asphalt Tango/Megamúsica
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Grupo formado maioritariamente por músicos russos, embora a viverem na Alemanha, os ErsatzMusika são um objecto (muito) estranho no meio musical da actualidade: a cantora, multi-instrumentista e compositora de muitos dos temas, Irina Doubrovskja, canta como se tivesse na voz Marlene Dietrich, Nico e Marianne Faithfull; e o som da banda vai – sem pudores nenhuns e como se todos pudessem conviver livremente - ao cabaret berlinense dos anos 30 e aos Velvet Underground, à música cigana do leste europeu e aos Echo and The Bunnymen, à Penguin Cafe Orchestra ou aos Doors. Mas em “Oy, Pterodactyl” soam como se os B-52's fizessem uma versão circense de um tema qualquer do Elvis Presley. Faz confusão? Sim. Mas depressa desaparece quando a paixão fala mais alto.



Carolina Chocolate Drops
"Genuine Negro Jig"
Nonesuch/Warner
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Produzido por Joe Henry, "Genuine Negro Jig" é o quarto álbum do fabuloso trio Carolina Chocolate Drops, um grupo que recria as antigas canções para cordas (banjo, rabeca, por vezes guitarra e autoharpa) da zona do Piedmont, transversal à Carolina do Sul e Carolina do Norte. Mas o trio, que apresenta ainda duas magníficas vozes (uma masculina e outra feminina), não usa só esses instrumentos para recriar temas de dixieland, blues, country e até folk inglesa e irlandesa: garrafões (soprados à velha maneira das “jug bands”), colheres percutidas, kazoo, invenções vocais (de beatbox a uma imitação das vozes guturais de Tuva) estão também presentes nesta música ao mesmo tempo muito antiga e absolutamente actual (não por acaso, um tema de Tom Waits encaixa que nem uma luva no restante conjunto).




Cibelle
"Las Vênus Resort Palace Hotel"
Crammed Discs/Megamúsica
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Apesar de ser brasileira, Cibelle tem-se afastado cada vez mais do carimbo “Brasil” e optado por um percurso próprio, pessoal, cada vez mais reconhecível como uma marca “Cibelle”. E isso é bom. No seu novo álbum, lindíssimo e hiper-equilibrado, Cibelle é ela mesma armada com o alter-ego Sonia Khalecallon, a mesma que nos dá as boas-vindas ao seu "Las Vênus Resort Palace Hotel"... E, como se pode por isso compreender, este é um álbum conceptual – onde nem faltam passarinhos e relógios a unir as faixas – cheio de belíssimas canções muito bem cantadas e onde a música exotica convive com a alt-country, electrónicas elegantes, o cabaret, lounge tropical, versões inesperadas ("007", "Os Marretas"...), a freak-folk e, sim, também alguma música brasileira, embora, “mutante”.

04 janeiro, 2007

Concertos World e Colaterais - 1ª Fornada de 2007


O ano de 2007 promete ser ainda melhor que os anteriores no que se refere a concertos de nomes da chamada world music (e áreas próximas ou periféricas) em Portugal. E, apesar de não se saber ainda se o Intercéltico do Porto se vai realizar este ano (as melhoras e um grande abraço, Avelino: há um grupo de mouros à espera de ser recebido mais uma vez no Porto de braços abertos) e se o Cantigas do Maio irá mesmo ressuscitar de alguma forma, pelos zunzuns que circulam por aí referentes a outros festivais (com o FMM de Sines à cabeça), este ano vai ser mesmo de arromba. Para já, aqui ficam alguns concertos que vão ter lugar já neste e nos próximos meses, quase todos eles tendo como fonte original o Crónicas da Terra, do camarada e amigo Luís Rei.

Já este mês, a cantora revelação da música cabo-verdiana, Mayra Andrade, actua, dia 20, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. E o grupo maior da música klezmer e das suas fusões com outras músicas, The Klezmatics, apresenta-se ao vivo, dia 24, na Culturgest, em Lisboa. A fechar o mês de Janeiro, o pianista dominicano Michel Camilo e o guitarrista espanhol de flamenco Tomatito tocam na Casa da Música, Porto, dia 31.

Em Fevereiro, dia 16, os magníficos e inclassificáveis Tuxedomoon tocam no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre. E a cantora e compositora brasileira Cibelle (na foto, de Michel Figuet) regressa ao nosso país para quatro concertos: dia 21 no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, dia 22 no Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 23 no Theatro Circo, em Braga, e dia 24 no Teatro Virgínia, em Torres Novas.

Em Março, os delirantes israelitas, radicados nos Estados Unidos, Balkan Beat Box estreiam-se em Portugal com um concerto, dia 3, na Casa das Artes de Famalicão. O músico e compositor francês Yann Tiersen (famoso pelo seu trabalho no filme «Amélie») apresenta o seu novo álbum, «On Tour», dia 6 na Casa das Artes de Famalicão e dia 7 na Aula Magna, em Lisboa. A cantora inglesa de ascendência indiana Susheela Raman dá um concerto no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 10. E os lendários egípcios Musicians of The Nile sobem ao palco da Casa da Música, Porto, no dia 14. A encerrar em grande as «festividades» de Março, e ainda com o Norte de África como cenário, os marroquinos Master Musicians of Jajouka com Bachir Attar, acompanhados pelo pianista Jeff Cohen, participam numa homenagem aos escritor Paul Bowles, «Paul Bowles - Secret Words: A Suit of Six Songs», dia 31, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Finalmente, em Maio, dia 23, o quarteto de cordas completamente «desalinhado» norte-americano Kronos Quartet actua no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.

01 agosto, 2006

Nas Margens...


Mais uma selecção de quatro críticas a discos que se encontram nas margens de tudo isto, um bocadinho mais do lado de lá (da pop, das electrónicas, da country...) do que do lado de cá (da chamada world, da folk, etc...): Kad, Anoushka Shankar (na foto), Cibelle e a banda-sonora de «Brokeback Mountain»... Ou como isto anda tudo junto, de mão dada, e as fronteiras até nem têm importância nenhuma.

KAD
«SOCIÉTÉ»
Beleza/Compact

Cantor franco-argelino mistura jazz suavezinho, electrónicas e world. Às vezes bem.

O álbum «Société», o segundo de Kad (Kad Achouri), é um excelente papel de parede sonoro para um jantar romântico, à luz de velas, em boa companhia. A voz dele é feita de veludo e entronca facilmente na linhagem mais recente da chanson. Também há smooth-jazz servido ao piano, algumas electrónicas que nem chateiam por aí além, as referências «certas» às músicas do mundo (flamenco, música árabe, bossa-nova...) e uma ambiência moderninha sem ser modernaça. O pior é quando Kad se atira a versões dos Nirvana («Come As You Are»), Cole Porter («I Love Paris») ou «Berimbau» (de Baden Powell e Vinicius de Moraes, aqui na versão francesa, «Bidonville», de Claude Nogaro), e transforma cada uma delas numa pastilha um bocadinho difícil de engolir. (6/10)

ANOUSHKA SHANKAR
«RISE»
Angel/EMI Music

Filha de Ravi Shankar em mais uma aproximação à sitar-pop.

Anoushka Shankar (filha do génio da sitar indiana Ravi Shankar e sua discípula no estudo deste instrumento) tem vindo a tentar construir pontes entre a música tradicional indiana e a música ocidental. E, nesse sentido, «Rise», o seu quarto álbum, é o seu melhor trabalho de sempre. Aqui, Anoushka faz conviver a sua sitar e as suas teclas com tablas, bansuris (flautas) e o canto indiano konnokol (percussão feita com a voz, próxima do scat do jazz) com pianos, baixos eléctricos, baterias, violinos e – principalmente nas remisturas (a cargo dos Thievery Corporation e de Karsh Kale) - programações electrónicas. E isto soa quase sempre muito bem – umas vezes é mais ambiental, outras mais violento -, inclusive no tema mais inesperado do álbum, o cruzamento da música indiana com o flamenco em «Soleá». (7/10)

VÁRIOS
«BROKEBACK MOUNTAIN»
Verve/Universal

A banda-sonora de «Brockeback Mountain» é um daqueles raros exemplos de um conjunto de canções (e instrumentais) que faz todo o sentido mesmo sem se ver o filme a que «pertence». Porque flui com coerência; conta uma história com princípio, meio e fim; e, mais importante ainda, porque está cheia, a abarrotar, de boa música – country, folk e algumas releituras destes géneros (como nos temas de Rufus Wainwright). Os temas instrumentais do músico, produtor e compositor argentino Gustavo Santaolalla (ele que é, noutro espectro musical, um dos renovadores mais radicais do tango, com os Bajofondo Tango Club) podem competir, sem medo, com o Ry Cooder de «Paris,Texas» ou o Angelo Badalamenti de «Uma História Simples» (são muito bons, portanto); e as canções dele (algumas com letra de Bernie Taupin, letrista de... Elton John) têm interpretações soberbas nas vozes de Emmylou Harris, Mary McBride ou Jackie Greene. Há também versões espantosas de temas já conhecidos («He Was a Friend of Mine», de Bob Dylan, na voz de Willie Nelson, «King of The Road», de Roger Miller, cantado por Teddy Thompson e Rufus Wainwright; a recuperação de «It’s So Easy», de Buddy Holly, na voz de Linda Ronstad); um tema genial do genial Steve Earle; e um inédito lindíssimo de Rufus Wainwright, «The Maker Makes». (9/10)

CIBELLE
«THE SHINE OF DRIED ELECTRIC LEAVES»
Crammed/Megamúsica

Cantora brasileira põe a voz no microondas e descongela caixinhas-de-música.

«Green Grass», de Tom Waits, cantada por Cibelle em registo Caetano Veloso mavioso, com harpa por trás. «London London», de Caetano Veloso (e, conta a lenda, baseado numa linha melódica que José Afonso lhe ofereceu) e com o freak igualmente velosiano Devendra Banhart a persegui-la com a voz, com guitarra bossinha por trás. «Cajuína», também de Veloso. E «Por Toda a Minha Vida», de Tom Jobim e Vinicius, em electrónica flutuante... E os originais de Cibelle (e alguns acólitos como o brasileiro Appolo Nove ou Spleen, colaborador das CocoRosie), cada vez mais uma excelente compositora de canções. E Seu Jorge em «Arrête Lâ, Menina», com berimbau hipnótico. E colheres e chávenas e beat box vocal no delicioso «Mad Man Song»... Uma surpresa constante e uma delícia sempre. (8/10)