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10 junho, 2012
Cesária Évora - A Homenagem no Coliseu dos Recreios
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28 março, 2012
Memórias de Cesária em Serpa e Gwendal em Sendim
Olhem só as duas recentes (e belas) notícias que o camarada Luís Rei tem nas suas Crónicas da Terra:
«Homenagem a Cesária Évora passa pelo Encontro de Culturas de Serpa
A IX edição do Encontro de Culturas de Serpa, que decorre este ano entre 2 e 17 de Junho, recebe, dia 8, o espectáculo de homenagem a Cesária Évora. Reunião de antigos membros da banda com as vozes de Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora.
O espectáculo produzido pelo antigo amigo e editor da diva dos pés descalços, José da Silva, das editoras Harmonia e Lusafrica, foi estreado este mês em Cabo Verde, durante a cerimónia de renomeação do aeroporto Internacional do Mindelo na Ilha de Sal ao qual foi atribuido o nome da malograda cantora, bem como inaugurada uma estátua de três metros de altura, da autoria do artista cabo-verdiano Domingos Luísa.
Serpa terá pois a honra de receber esta homenagem musical que deverá também passar por Lisboa e correr mundo.
A programação dos Encontros de Cultura de Serpa é a seguinte:
Praça da República
Espetáculos musicais com início sempre às 21h30
Dia 7, quinta-feira
Espetáculo enREDE . Portugal, Espanha, Cabo Verde, Brasil . Produção de Malu Aires
Dia 8, sexta-feira
Homenagem a Cesária Évora . SEMBA/COLADERAS/MORNAS. Cabo Verde
Com Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora
Dia 9, sábado
Zeca Baleiro . MPB. Brasil
Dia 10, domingo
Dia do Cante . CANTE ALENTEJANO. Portugal
Dia 13, quarta-feira
Magic Slim & The Teardrops BLUES. EUA
Dia 14, quinta-feira
Otava Yo . . Rússia
Dia 15, sexta-feira
Camané .FADO. Portugal
Dia 16, sábado
Virgem Suta . CANÇÃO POPULAR . POP . Portugal
Dia 17, domingo
Luz Casal . Espanha»
«Gwendal e Nuevo Mester de Julgaria no Intercéltico de Sendim
O Intercéltico de Sendim, que celebra este ano a sua 13ª edição, realiza-se entre os dias 3 e 5 de Agosto. Aos habituais dois dias de animação folqueira com seis espectáculos no Parque das Eiras, adiciona-se mais uma noite de tradição mirandesa. Cortesia da Comissão Festas de Santa Bárbara 2012 e a Associação de Pauliteiros de Sendim.
Programa principal:
sexta-feira, dia 3 de Agosto
Nuevo Mester de Julgaria (Castela / Espanha)
Le vent du Nord (Quebeque / Canadá)
Toques do Caramulo (Águeda)
Sábado, dia 4 de Agosto
Gwendal (Bretanha / França)
Assembly Point (Portugal, Galiza, Irlanda)
Realejo (Coimbra)
Domingo, dia 5 de Agosto
Lenga- Lenga
Trasga
La Çaramontaina
No Facebook da organização do Intercéltico é possível ler o seguinte:
A décima terceira edição do Festival Intercéltico de Sendim ficará desde logo marcada pelos concertos de dois grandes grupos da folk europeia que são verdadeiras instituições musicais, com um longo trajecto de permanência activa na frente cultural: GWENDAL (grupo proveniente da Bretanha francesa, a celebrar 40 anos de vida!…) e NUEVO MESTER DE JUGLARIA (fundados em finais de 1969, oriundos das vizinhas terras de Castilla y Léon). Duas apostas fortíssimas, às quais não podemos deixar de acrescentar a vinda de um dos mais aclamados grupos no que se refere a concertos ao vivo, os LE VENT DU NORD (vindos das longínquas paragens do Quebéc canadiano). Bem menos remotas mas bastante diversificadas são as terras de origem dos elementos do grupo ASSEMBLY POINT (Portugal, Galiza e Irlanda), numa “mistura” musical verdadeiramente explosiva. E, para representarem a folk portuguesa, nada mais nada menos do que dois grupos da respectiva frente de excelência: os REALEJO e os TOQUES DO CARAMULO.
Mas os concertos vão acontecer também fora do Parque das Eiras, como será, por exemplo, o caso da verdadeira embaixada musical mirandesa que se apresentará na noite de domingo (5) no Largo da Igreja – TRASGA, LENGA-LENGA e LA ÇARAMONTAINA –, numa noite mirandesa inteiramente gratuita organizada pela Mordomia de santa Bárbara 2012!
Numa Taberna dos Celtas totalmente remodelada, acontecerão os inefáveis encontros sob o signo das gaitas – com gaiteiros e gaiteiricos (que continuarão a apresentar-se, como de costume, no convívio no Largo da Igreja), evocações e homenagens, lançamentos de discos e de livros, exibição de filmes… Mas não faltarão as caminhadas pelas arribas – La Ruta de ls Celtas – os bailes mirandeses na Praça (sob a batuta do grupo Lenga-Lenga), a leitura integral de Ls Lusiadas, (assim, em mirandês, com gravação para futura edição fonográfica), a missa intercéltica (dita em mirandês, com toques tradicionais de fraita e tamboril). E um festival ibérico de danças de pauliteiros (organizado pela Associação de Pauliteiros de Sendim).
É assim em Sendim: a festa acontece em tons maiores de celebração. E, em 2012, com mais um dia para… o que der e vier!»
17 dezembro, 2011
Sodade (Eterna)
Obrigado por tudo, Dona Cesária!!! Que o Céu seja tão grande quanto tu para nele poderes caber...
30 novembro, 2010
Mais Cinco Mergulhos na Música Cabo-Verdiana
Novamente recuperados do "acervo" de textos escritos há vários meses para a Time Out, aqui deixo críticas a discos de Cesária Évora, Bau, Vasco Martins, Mário Lúcio e Carmen Souza (na foto, de Patrícia Pascal), e ainda uma entrevista com esta magnífica cantora radicada em Londres. Com todos eles a provar, se tal fosse preciso, como são diversos os caminhos da música de Cabo Verde.
Cesária Évora
"Nha Sentimento"
Lusáfrica/Tumbao
Bau
"Café Musique"
Lusáfrica/Tumbao
Vasco Martins
"Li Sin"
Lusáfrica/Tumbao
Mário Lúcio
"Kreol"
Lusáfrica/Tumbao
Carmen Souza
"Protegid"
Galileo
Sob o Foco
Carmen Souza
Com canções que viajam livremente entre Cabo Verde, o jazz e outros mundos, Carmen Souza é uma das vozes mais originais da nova música cabo-verdiana. Em conversa com António Pires, ela fala do novo álbum e dos concertos que aí vêm.
Como é que te situas, musicalmente, entre a tradição cabo-verdiana e as outras músicas que fazem a tua música?
Há géneros que são absolutamente tradicionais, como a morna – ou o fado -, mas há sempre uma vontade de evoluir. No meu caso, nesse evoluir não se altera nada da estrutura, da essência, mas evolui-se para algo de diferente. Neste disco, "Protegid", transformei uma morna num jazz-swing e, para quem esteja a ouvir de forma desatenta, até é capaz de pensar “isto é um standard de jazz”...
Estás a falar da tua versão do “Sodade”.
Sim, mas quem ouvir detalhadamente, aquilo que está por trás é uma morna. Tento sempre dar o meu cunho pessoal àquilo que eu faço e aí o jazz é uma presença real. No caso do “Sodade”, estava com o pianista Victor Zamora e quisemos dar a esta morna algo de Brad Mehldau ou de Bill Evans...
Tu escreves as letras, és cantora, tocas guitarra e órgão. É importante juntares isso tudo?
Eu quero ser sempre muito verdadeira, muito fiel àquilo que eu sou. E as minhas letras reflectem sempre o que se passa comigo e à minha volta. O título do álbum tem a ver com isso: eu sinto-me protegida e sinto o dever de proteger, alertando as pessoas e levando-lhes uma mensagem de paz. E não me vejo como cantora, mas como músico, porque a minha voz é muito mais instrumental do que cantada. Na minha voz sou muito mais influenciada por solos de piano ou de trompete do que por formas de cantar.
A quase totalidade da música, por sua vez, é composta pelo Theo Pas'cal...
Sim, estamos os dois em Londres há dez anos a desenvolver este projecto, ele é fundamental para isto tudo e já não conseguimos deixar de estar nos projectos um do outro. Ele é do Algarve e, para o futuro próximo, estamos a pensar num trabalho em que juntamos o sul de Portugal, o norte de África e Cabo Verde.
Neste disco já tens, pelo menos, um oud (alaúde árabe)...
Sim, tocado pelo Adel Salameh, que é palestiniano. Acredito que há ligações entre a música cabo-verdiana e a música árabe, assim como já me disseram que os primeiros escravos que chegaram a Cuba eram cabo-verdianos e daí haver semelhanças entre a música cubana e a música cabo-verdiana.
Aliás, para além do Victor Zamora, que é cubano, no disco também tens a presença do grande pianista Omar Sosa...
Sim, e de muitos outros músicos, como o acordeonista francês Marc Berthoumieux, os Tora Tora Big Band e tantos outros que fomos encontrando pelo caminho.
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10 agosto, 2010
Colectânea de Textos no jornal "i" (VIII)
A Rosa (e os Enjeitados)
por António Pires, Publicado em 08 de Outubro de 2009
António Variações cantava, em "Todos Temos Amália na Voz": "Dei o teu nome à minha terra/Dei o teu nome à minha arte/A tua vida é primavera/A tua voz é eternidade", antes de, no refrão, dizer "Todos nós temos Amália na voz". E Variações, nesta canção composta muitos anos antes da morte de Amália Rodrigues - ele, aliás, viria a morrer muito mais cedo que a sua musa -, resumiu na perfeição o amor, o respeito e a admiração que milhões de portugueses sentiram e sentem pelo ícone maior do fado de Lisboa. Não são de mais, portanto, as inúmeras iniciativas que nesta e nas últimas semanas homenagearam a memória de Amália. A edição em CD de temas inéditos dos primeiros tempos da cantora; extensas colecções de discos; concertos de tributo (de gente do fado e de fora dele); conferências; exposições; o filme "Amália" a passar na RTP... Tudo isso é mais que justo, e se calhar ainda é pouco. Mas não deixa de ser triste - como o fado - pensar que homenagear Amália é importante, mas que igualmente importante seria homenagear muitos outros. Há dois anos passaram 25 anos sobre a morte de Alfredo Marceneiro (na foto). O ano passado, 20 sobre o falecimento de Francisco José. Alguém os recordou? Neste mesmo ano de 2009 passam dez anos, tal como com Amália, sobre o desaparecimento de Lucília do Carmo. Onde estão as comemorações? Max morreu em Maio de 1980. Alguém sabe de alguma coisa que esteja a ser feita para a celebração dos 30 anos da sua morte, daqui por alguns meses?
O Segredo da Mandrágora
por António Pires, Publicado em 15 de Outubro de 2009
Se Michel Giacometti - e alguns outros - fez um trabalho extraordinário na preservação do património musical português, também é importante que, neste início de novo século, se ponham em diálogo as tradições com a modernidade. E isso está a ser feito por muitos nomes da música portuguesa que têm sido referidos nesta coluna ao longo das últimas semanas. Mas esse diálogo é ainda mais visível - e aqui "visível" é a palavra correcta - na obra videográfica de Tiago Pereira, que em filmes como "11 Burros Caem no Estômago Vazio", "Arritmia" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea" - tem sempre feito a ponte, ao mesmo tempo que a questiona muitas vezes de forma irónica, entre a nossa música tradicional e a nossa música moderna. O culminar deste processo é um filme/instalação multimedia/intervenção em tempo real e ao vivo... novo e absolutamente maravilhoso: "Mandragora Officinarum". Nele, Tiago Pereira parte da nossa religião tradicional (mistura de paganismo antigo, judaísmo mal-amanhado, resquícios da cultura muçulmana, um catolicismo temeroso e medicina popular) para, com esse mote, pôr em confronto responsos, ladaínhas, orações, benzeduras e receitas de mezinhas tradicionais com a música de gente como Tó Trips, B Fachada, Tiago Guillul, Márcia, Ernst Reijseger, Pedro Mestre, Paulo Meirinhos, Vasco Casais, Walter Benjamin, Jorge Cruz, Luís Fernandes, Lara Figueiredo ou BiTocas. "Mandragora Officinarum" é um marco maior do nosso cinema e da nossa música.
O fado não é só português!
por António Pires, Publicado em 29 de Outubro de 2009
Anda a circular na net um texto de Fernando Zeloso (será pseudónimo?) que parte dos Amália Hoje - sobre os quais já dei a minha opinião nesta coluna -, para depois defender, entre outras tomadas de posição xenófobas e nacionalistas (inclusive acerca dos luso-brasileiros da selecção portuguesa de futebol e terminando o texto com um revelador... "A Bem da Nação Fadista"), que o fado deve ser única e exclusivamente cantado por portugueses. A mesma posição tomaram algumas pessoas a propósito do filme "Fados", realizado por um espanhol, Carlos Saura, e onde apareciam Lila Downs (na foto), Caetano Veloso, Cesária Évora e Miguel Poveda, entre outros, a cantar fado. Ora esta ideia, para além de perigosa ideologicamente e mesquinha moralmente, é sem dúvida ridícula. Pela mesma ordem de ideias, e entre variadíssimos exemplos possíveis, Vitorino não poderia gravar tangos, Luís Represas não poderia cantar música cubana nem os Mind da Gap fazer hip-hop - e a própria Amália Rodrigues nunca poderia ter interpretado flamenco, napolitanas, canções francesas, as maravilhosas letras de Vinicius de Moraes ou standards de jazz. Em tempos fiz um apanhado de cantores e instrumentistas de fado não portugueses. E são às dezenas: no Japão, no Brasil, na Itália, na Espanha, na Argentina, na Índia, no México, na Holanda, na Croácia, na Polónia, na França... O que, ao contrário do que defende Zeloso, nos deveria, isso sim, encher de orgulho.
25 novembro, 2008
Cesária Évora Celebra as Origens (em Disco e em Concerto)
É uma grande notícia! Gravações inéditas de Cesária Évora efectuadas durante os anos 60 em Cabo Verde - tinha a cantora cerca de vinte anos de idade - estão agora, e pela primeira vez, reunidas em CD. Algumas destas canções apareceram em singles e EPs editados na altura, algumas reinterpretações de alguns destes temas apareceram em álbuns de Cesária nas décadas seguintes, mas nunca a voz da «diva dos pés descalços» soou tão fresca e feliz como nestas gravações contidas em «Rádio Mindelo». Com mornas e coladeiras clássicas (muitas delas do patrono de Cesária, o lendário Ti Goy, mas também de B.Leza, Morgadinho, Mendes Carvalho, Amândio Duarte ou Abílio Cabral), o alinhamento do disco - que vai ser apresentado em Lisboa, amanhã, quarta-feira, no Cinema S.Jorge - inclui os temas «Cize» (em três versões diferentes), «Oriundina», «Pé di Boi», «Nutridinha», «Vaquinha Mansa», «Belga», «Mar Azul», «Terezinha», «Fruto Proibido», «Falta di Força», «Sayko Dayo», «Sangue de Beirona», «Nho Antone Escaderode», «Mata morte», «Rabolice na Ilha d'Madeira», «Nova Sintra», «Menina d'Fonte Felipe», «Cinturão tem mele», «Dor di Sodade» e «Caminho de São Tomé».
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03 outubro, 2007
Cesária Évora, Lura e Bau - O Triunfo da Lusáfrica
Vinte anos depois da sua fundação, a Lusáfrica e o seu criador, José da Silva, estão mais do que de parabéns! Assim como de parabéns estão todos os artistas que têm gravado para esta editora, que começou por lançar apenas música cabo-verdiana mas alargou o seu catálogo a inúmeros artistas de outras latitudes (cubanos, da África continental, etc.). Mas aqui, a comemoração - mesmo que atrasada - faz-se com três discos de cabo-verdianos, razão primeira da existência da etiqueta e, pela qualidade que os três têm, prova maior de que as editoras independentes, quando nelas há amor, podem fazer muito - tudo! - pela música. Com Bau, a diva Cesária Évora (na foto) e a jovem Lura.
LURA
«M'BEM DI FORA»
Lusáfrica/Tumbao
BAU
«ILHA AZUL»
Harmonia/Lusáfrica/Tumbao
CESÁRIA ÉVORA
«ROGAMAR»
Lusáfrica/SonyBMG
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Música Cabo-Verdiana
10 janeiro, 2007
Cromos Raízes e Antenas IX
Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo IX.1 - Ravi Shankar
Há-de ficar para a história da música - da «world music», sim, mas também de todas as músicas - o momento, gravado no álbum «Concert for Bangladesh» (concerto de solidariedade organizado por George Harrison em 1971), em que o público aplaude Ravi Shankar antes deste dizer: «Muito obrigado, estava só a afinar o instrumento...». Shankar (nascido a 7 de Abril de 1920, em Varanasi, Índia) é o mais respeitado mestre da sitar, principalmente no Ocidente, onde granjeou o respeito e a estima de artistas tão diferentes quanto os Beatles ou Philip Glass. Nascido numa família brâmane, Ravindra (Ravi) Shankar foi director musical da Rádio indiana nos anos 50 e a sua fama chegou ao Ocidente nos anos 60, tendo actuado nos lendários festivais de Monterey e Woodstock. Dono de uma impressionante carreira a solo, Shankar gravou também em duo com compositores renomados como Philip Glass («Passages»).
Cromo IX.2 - Luaka Bop
Fundada em 1988 por David Byrne (a cabeça por trás dos Talking Heads e parceiro de Brian Eno no seminal «My Life In The Bush of Ghosts»), a norte-americana Luaka Bop assumiu-se ao longo dos últimos vinte anos como uma das mais importantes editoras da chamada world music - apesar de este «selo» ser bastante redutor em relação à alargada e abrangente política de contratações desta editora -, lançando álbuns de artistas como as Zap Mama, Tom Zé (que através dela conseguiu uma segunda e riquíssima fase da sua carreira, depois de muitos anos de apagamento), Susana Baca, Silvio Rodriguez, Geggy Tah, Los Amigos Invisibles, Nouvelle Vague, Jim White, Paulo Bragança, A.R. Kane, Djur Djura, Cornershop, Waldemar Bastos, Mimi Soak (ex-Hugo Largo), Los de Abajo, Bloque, King Changô, Os Mutantes, do próprio David Byrne a solo e colectâneas de música brasileira, cubana, peruana, africana, asiática e francesa, entre outros.
Cromo IX.3 - Cesária Évora
A Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora (nascida a 27 de Agosto de 1941, no Mindelo, Cabo Verde) é a maior embaixadora da música cabo-verdiana da actualidade. Com um gosto especial pelas mornas, a cantora não deixa por isso de experimentar outros géneros cabo-verdianos como a coladeira ou o funaná e de se atirar a versões pessoalíssimas de outros géneros, como a música cubana. Apesar de ter cantado regularmente nos anos 60 e 70 - tendo chegado a gravar um single com o grupo Conjunto -, Cesária passa depois dez anos sem cantar e só grava o seu primeiro álbum a sério, «Cesária Évora», em 1987. Seguem-se o famoso «La Diva aux Pieds Nus» (1988), «Destino di Belita» (1990), «Mar Azul» (1991) e «Miss Perfumado» (1992), que a instalam definitivamente nas rotas dos festivais da world music. O seu último álbum de originais, «Rogamar», foi editado em 2006 e, em 2008, saiu «Radio Mindelo» (querecuperou gravações suas dos anos 60).
Cromo IX.4 - The Nightlosers
Liderados por um realizador de cinema, Hano Hoffer, os Nightlosers são uma banda romena que se dedica à fusão dos blues eléctricos de Chicago com a música tradicional da Transilvânia. Um excelente exemplo - entre milhares de outros - de uma miscigenação cada vez mais efectiva de músicas locais com sonoridades anglo-saxónicas, os Nightlosers são também os protagonistas do filme ««Euroamerican Nightlosers/The Human Hambone», realizado por Sorin Iliesiu e Mark Morgan, que conta a história dos blues desde África aos Estados Unidos e à... Roménia. O seu álbum de 2000, «Plum Brandy Blues», mostra clássicos como «Hoochie Coochie Man», «Stormy Monday Blues», «Everyday I Have the Blues», «Pretty Thing» ou até «Blue Suede Shoes» (de Elvis Presley) infectados por um violino cigano e um cimbalom.
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