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12 janeiro, 2009

Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas - Parte III


O Raízes e Antenas continua hoje a publicação de uma nova série, os Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas, dedicada a álbuns editados em 2008 (ou até anteriores a 2008, mas só durante esse ano «descobertos» por este blog) e que têm estado muitas vezes, e por direito próprio, no leitor de CDs aqui de casa. Todos eles são acompanhados por uma breve ficha informativa.


Terceira Parte - Conexões Ianques-Mexicanas e A Vitória da Cumbia


Lila Downs - Shake Away/Ojo de Culebra (EMI)

A cantora semi-mexicana semi-ianque Lila Downs (na foto) sempre assinou álbuns extraordinários, mas atrevo-me a dizer que este é o melhor de todos eles! Fortemente politizado, com uma variedade de estilos notável - das inevitáveis rancheras ao rock, ao jazz, ao klezmer (o lindíssimo «Perro Negro»), à cumbia e a uma versão de «Black Magic Woman», de Peter Green, e outra de «I Envy The Wind» (aqui como «Yo Envidio El Viento»), de Lucinda Williams -, em «Ojo de Culebra» (nos países anglófonos chamado «Shake Away»), Lila faz-se também rodear de um excelente leque de convidados: a mítica cantora argentina Mercedes Sosa, a espanhola La Mari (dos Chambao) ou Ruben Albarran (dos mexicanos Café Tacuba).





Calexico - Carried To Dust (City Slang)

No seu novo álbum, os Calexico voltaram à boa forma (ia escrever «fórmula») do início e atiraram-se novamente àquela mistura fabulosa de música tex-mex - com a sua dose de rancheras e mariachis -, às referências enniomorriconianas e a algum experimentalismo sonoro, mas agora alargado a temas mais-rock-mesmo e a uma visão mais alargada da música latino-americana (chega a haver um tema que parece saído directamente da cordilheira dos Andes). E o álbum começa logo muito bem, com uma homenagem lindíssima ao cantor chileno Victor Jara, «Victor Jara's Hands». Com Joey Burns e John Convertino colaboraram desta vez Amparo Sanchez (ex-Amparanoia), Douglas McCombs (Tortoise), Sam Beam (Iron & Wine), entre outros.






Vários - Arriba La Cumbia! (Crammed Discs/Megamúsica)

E agora, directamente para as pistas de dança!! «Arriba La Cumbia!» foi uma das melhores compilações a surgir em 2008, reunindo um leque abrangente de antigos e novos cultores da cumbia, género colombiano que em meados do século passado foi famoso em vários países da América Latina e assiste agora a um revivalismo mais que saudável, seja nas suas formas mais «primitivas» ou cruzando-se com novas linguagens musicais (electrónicas, hip-hop, reggaeton...). A colectânea reúne nomes clássicos e modernos da cumbia e também nomes grandes do panorama das danças modernas que se deixaram apaixonar por este género como os Up, Bustle & Out, Mo'Horizons e Basement Jaxx. Irresistível!

02 julho, 2008

Med de Loulé - Um Festival Cada Vez Mais Interactivo


Uma nota prévia: os meus dois computadores, coitados, estão há muito tempo semi-mortos, em estado de coma ou naquele limiar de luz em que os doentes terminais pensam estar a rever os parentes há muito falecidos. E este texto, coitado, está a sair assim, boião de soro aqui, injecção de morfina ali, extrema-unção acolá. Mas, se este computador que estou a usar agora que e ainda resiste à força de algálias e cadeira de rodas... morrer mesmo durante este texto terá cumprido a sua função: um pequeno texto sobre o Festival Med, que - ao contrário dos meus computadores - está cada vez mais vivo, activo e interactivo. Uma interacção admirável entre o espaço (acolhedor, caseiro, branco, quente...) e as pessoas que o ocupam, os actores e os visitantes do festival (o Cupido que distribui amor com um sorriso, o carteiro das «love letters» personalizadas, as duas bruxinhas deliciosas...), os artesãos e os compradores (ali é possível comprar, por exemplo, didgeridoos, qarqabas ou bilhas musicais e... aprender na hora a tocá-los), os músicos e a assistência. E aqui era possível dar variadíssimos exemplos de interactividade mas ficamo-nos por apenas dois ou três: a simpatia e encanto do enormíssimo Solomon Burke que, do alto do seu trono real, junta muita gente do público à sua volta, no palco, e depois oferta rosas vermelhas às senhoras; o fabuloso quadro pintado durante o ainda mais fabuloso concerto - o melhor de todo o festival! - de Muchachito Bombo Infierno (o quadro está na foto em cima; de Mira/Câmara Municipal de Loulé), que é logo a seguir vendido por 600 euros; a comunhão entre o palco e a «plateia» durante o concerto de Jimmy Cliff, um concerto em que as boas vibrações passavam rapidamente da audição para o olfacto e vice-versa.

Música, e muito boa, houve ainda mais: a surpresa que foi La Shica ao vivo (mais verdadeira e orgânica que em disco); a festa interminável, irresistível e inteligentíssima dos Balkan Beat Box; a continuação de festa com o jazz manouche, swing e charleston com pinceladas electro dos Caravan Palace; o som mestiço de Roy Paci & Aretuska (ele um incrivelmente bom trompetista e nada mau a cantar em italiano e espanhol); os cada vez melhores a dominar o palco e a apelar ao coro e ao riso Deolinda; a pop inteligentíssima e elegante dos Zita Swoon; o concerto - mais uma vez lindíssimo, tocante e meigo - de Amadou & Mariam; muitas músicas globais postas ao serviço de uma mensagem de paz em The Idan Raichel Project; e a voz maravilhosa e sofrida de Concha Buika (num concerto em que o flamenco vai a África e ao jazz). Menos conseguidas, nos palcos principais, foram as prestações de Ana Moura (apesar da qualidade da voz e da excelência do alinhamento, Ana Moura continua a ser mais cantora que... fadista), dos Café Tacuba (que têm, sente-se infelizmente agora, mais passado que futuro) e Les Tambours du Bronx (que, embora sejam realmente espectaculares e sonoramente rimbombantes, devem quase tudo aos Test Dept e aos Einsturzende Neubauten do início). Mais uma nota: não vi os Zuco 103 (por muita gente apontados como os autores de um dos melhores concertos do festival), concentrado que estava numa sessão de DJ para a qual fui convidado à última hora, substituindo a minha amiga Raquel Bulha (as melhoras, Raquel!).

Nos palcos secundários, o destaque vai para os INP.A.C.TO (com uma proposta musical interessantíssima, apesar de as vozes terem que ser mais trabalhadas), os Batukalgarve (marimbas e outras percussões ao serviço de standards de jazz, temas clássicos e músicas de bandas-sonoras, sempre com o divertimento na mira), os Velha Gaiteira (que estão a chegar ao nível dos «primos» Roncos do Diabo), Freddy Locks e The Most Wanted (tanto ele como eles com um reggae aberto a muitas outras músicas e duas propostas que devem ser seguidas com imensa atenção). Uma nota final e derradeira: o festival Med foi, mais uma vez, muitíssimo bom e será recordado por todos quantos lá estiveram. Há mais gente, mais música, mais coisas a acontecer. E isso é bom!! Mas já não é assim tão bom quando, como na noite de sábado, se deixou entrar no recinto muito mais gente do que aquela que o recinto comporta de uma forma fluida, organizada e saudável. É a única nota a rever.

19 maio, 2008

Med de Loulé - O Programa Completo


Bem, completo, completo ainda não é. Faltam os artistas e grupos dos palcos secundários, mas os dos dois palcos principais do Festival Med de Loulé - organizado pela Câmara Municipal de Loulé e programado pelo Sons em Trânsito - já são todos conhecidos: de 25 a 29 de Junho, a zona histórica de Loulé recebe concertos de La Shica (Espanha), Balkan Beat Box (Israel/Estados Unidos) e Caravan Palace (França), dia 25; Roy Paci & Aretuska (Itália), Jimmy Cliff (Jamaica) e Muchachito Bombo Infierno (Espanha), dia 26; Deolinda (Portugal), Zita Swoon (Bélgica), Zuco 103 (Brasil/Holanda) e Solomon Burke (Estados Unidos), dia 27; Master Musicians of Jajouka (Marrocos), Ana Moura (Portugal), Amadou & Mariam (Mali) e Café Tacuba (na foto; México), dia 28; The Idan Raichel Project (Israel), Konono nº1 (Congo) e Les Tambours du Bronx (França), dia 29. Uma programação variadíssima que passa pela world, claro!, mas também pelo rock, o reggae, a soul... Para além dos palcos da Cerca e da Matriz - os dois que recebem os 17 nomes referidos - haverá mais três palcos, onde decorrerão outros 23 concertos e sessões de DJing. Artesanato, gastronomia, teatro e artes plásticas são, como habitualmente, também uma presença assegurada nesta quinta edição do Med de Loulé. Irresistível!