É uma das melhores notícias dos últimos tempos: a trupe multinacional Gogol Bordello (na foto) vai regressar a Portugal - depois de um concerto avassalador no FMM de Sines, o ano passado (e um outro em Paredes de Coura) -, dia 10 de Julho, integrada na programação do Oeiras Alive, que decorre em Algés de 10 a 12 desse mês. Música balcânica, hinos punk, alegria delirante, mosh e pogo e stage-diving, tarantelas italianas transformadas em mísseis de longo alcance, duas japonesas gémeas em bombos de (verdadeira) festa e o carisma do ucraniano Eugene Hutz a incendiar o ambiente é o que se prevê, mais uma vez, para o seu concerto do Alive. No cartaz deste festival, para além dos Gogol Bordello, estão também já confirmados os nomes de Ben Harper & The Innocent Criminals, Rage Against The Machine e Within Temptation. Mais informações aqui.
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29 fevereiro, 2008
Última Hora: Gogol Bordello no Oeiras Alive!
É uma das melhores notícias dos últimos tempos: a trupe multinacional Gogol Bordello (na foto) vai regressar a Portugal - depois de um concerto avassalador no FMM de Sines, o ano passado (e um outro em Paredes de Coura) -, dia 10 de Julho, integrada na programação do Oeiras Alive, que decorre em Algés de 10 a 12 desse mês. Música balcânica, hinos punk, alegria delirante, mosh e pogo e stage-diving, tarantelas italianas transformadas em mísseis de longo alcance, duas japonesas gémeas em bombos de (verdadeira) festa e o carisma do ucraniano Eugene Hutz a incendiar o ambiente é o que se prevê, mais uma vez, para o seu concerto do Alive. No cartaz deste festival, para além dos Gogol Bordello, estão também já confirmados os nomes de Ben Harper & The Innocent Criminals, Rage Against The Machine e Within Temptation. Mais informações aqui.
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22 junho, 2007
Darfur - Que Se Faça Barulho!
O horrível desastre humanitário em que se transformou a guerra no Darfur, Sudão - com um balanço trágico de 400 mil mortos e dois milhões e quinhentos mil desalojados em quatro anos -, tem motivado o lançamento de várias campanhas de apoio às vítimas deste conflito armado. Uma das mais consistentes e importantes dessas campanhas, «Make Some Noise», é promovida pela Amnistia Internacional e nela estão envolvidos muitos artistas e grupos de variadíssimas áreas musicais, que cederam canções para esta causa (e que podem ser descarregadas no site da organização). No seguimento desta acção, vai ser editado agora um duplo-álbum, «Make Some Noise - The Amnesty International Campaign to Save Darfur» (nos Estados Unidos e Grã-Bretanha o título é «Instant Karma») com versões de temas de John Lennon (na foto) interpretadas por conhecidos nomes do pop-rock e da world music como os U2, R.E.M., The Cure, Lenny Kravitz, Ben Harper, The Flaming Lips, Green Day, Black Eyed Peas, Youssou N'Dour e Sierra Leone's Refugee All Stars (estes em colaboração com os... Aerosmith). Os lucros obtidos pelo álbum - que é editado em Portugal pela Farol, dia 2 de Julho - revertem integralmente para esta campanha da Amnistia Internacional. O alinhamento completo do álbum é: CD1 - U2 («Instant Karma»), R.E.M. («#9 Dream»), Christina Aguilera («Mother»), Aerosmith feat. Sierra Leone's Refugee All Stars («Give Peace A Chance»), Lenny Kravitz («Cold Turkey»), The Cure («Love»), Corinne Baley Rae («I’m Loosing You»), Jakob Dylan feat. Dhani Harrison («Gimme Some Truth»), Jackson Browne («Oh, My Love»), The Raveonettes («One Day At A Time»), Avril Lavigne («Imagine»), Big & Rich («Nobody Told Me»), Eskimo Joe («Mind Games») e Youssou N'Dour («Jealous Guy»). CD2 - Green Day («Working Class Hero»), Black Eyed Peas («Power To The People»), Jack Johnson («Imagine»), Ben Harper («Beautiful Boy»), Snow Patrol («Isolation»), Matisyahu («Watching The Wheels»), Postal Service («Grow Old With Me»), Jaguares («Gimme Some Truth», cantado em espanhol), The Flaming Lips («[Just Like] Starting Over»), Jack's Mannequin («Gold»), Duran Duran («Instant Karma»), A-Ha («#9 Dream»), Tokio Hotel («Instant Karma») e Regina Spektor («Real Love»). Para saber mais sobre a campanha «Make Some Noise» da Amnistia Internacional clique aqui. Sobre uma outra campanha paralela, também bastante importante, «Save Darfur», clique aqui.
22 setembro, 2006
Gospel - Música Sagrada, Música Viva
No imenso poço sem fundo que é a chamada world music também entram as músicas sagradas, de celebrações religiosas, funerais, procissões, ritos de iniciação... Os textos que se seguem - dedicados aos fabulosos Blind Boys of Alabama e à música gospel - foram publicados originalmente no BLITZ em Setembro de 2004, a propósito de um álbum de... Ben Harper.
BLIND BOYS OF ALABAMA
A LUZ INTERIOR
Os Blind Boys of Alabama - companheiros de Ben Harper no novo álbum «There Will Be a Light» - existem já desde 1939. São, portanto, senhores de uma carreira com quase sete décadas, iniciada quando eles ainda eram adolescentes e estudantes no Alabama Institute for the Negro Blind (uma escola para cegos), no Alabama, Estados Unidos. Eram cinco e quase todos cegos de nascença - daí o nome adoptado originalmente, The Five Blind Boys of Alabama, depois de começarem por ser conhecidos como Happy Land Jubilee Singers - e não escondiam a influência do na altura importantíssimo Golden Gate Quartet, um dos maiores grupos gospel de meados do século XX.
A primeira gravação dos Blind Boys ocorre em 1948 e o grupo tem alguns sucessos na década seguinte - um deles com o significativo título «I Can See Everybody's Mother But I Can't See Mine» (numa alusão à visão interior de Maria, mãe de Jesus Cristo e «de toda a gente», mas à impossibilidade de verem a sua mãe terrena). E é em 1950 que retiram a palavra Five do seu nome, devido à morte de um dos membros do grupo. Gravando regularmente ao longo das últimas décadas, os Blind Boys of Alabama tiveram alguns pontos altos da sua carreira no musical da Broadway «The Gospel At Colonus» (peça de Bob Telson e Lee Breuer, levada à cena em 1983) e em colaborações várias, nomeadamente com Peter Gabriel (para cuja editora, a Real World, gravaram alguns álbuns nos últimos anos). No grupo ainda se mantêm os fundadores Clarence Fountain (geralmente visto como o líder), Jimmy Carter e George Scott, acompanhados por membros mais recentes: Joey Williams, Ricky McKinnie, Bobby Butler e Tracy Pierce.
VOZES QUE FALAM COM DEUS (E UMAS COM AS OUTRAS)
A música é uma forma de comunicação. Do músico/cantor consigo mesmo, do músico/cantor com outros músicos e com outras pessoas (o público, a audiência), do músico/cantor com Deus (ou com os deuses). Se calhar, as primitivas - e primeiras - manifestações musicais da humanidade prendiam-se com a necessidade de comunicar com os outros seres humanos e também com os primeiros deuses que os homens (re)conheceram: a natureza circundante. Flautas que imitavam o canto dos pássaros, tambores que mimavam o som dos trovões, cordofones cujo som parecia água a correr, trompas que competiam em potência com o bramir dos elefantes (e cujo som também podia, eventualmente, derrubar muros e ameias)...
A Idade Média na Europa assistiu à emergência do canto gregoriano - coros masculinos que, a uma só voz (una, monofónica e codificada para não permitir desvios ou heresias), elevavam os seus cantos ao Deus católico, aumentados pelos «amplificadores Marshall» naturais que eram as catedrais góticas. Do cimo dos minaretes das mesquitas muçulmanas, o muezim canta versos do «Corão» para chamar os fiéis à oração. No Tibete, os monges budistas podem elevar as suas vozes e as suas enormes trompas metálicas (tão parecidas com as trompas dos Alpes!... a milhares de quilómetros de distância, mas a altitudes quase tão «perto» do Céu quanto as tibetanas e com necessidades de comunicação mais terrenas semelhantes) para abençoar as parcas colheitas nas encostas dos Himalaias... Etc, etc, etc...
Nos Estados Unidos, no século XIX e inícios do século XX, toma forma um novo género de música religiosa: o gospel (que significa, literalmente, «Evangelho», que por sua vez significa «Boa Nova»). E o gospel desenvolve-se no seio de igrejas protestantes (baptistas/evangélicas/pentecostais) do sul dos Estados Unidos, espaços de liberdade onde os ex-escravos negros do sul dos Estados Unidos podiam cantar, a solo ou em coro, os seus hinos a Deus - preces, agradecimentos, louvores... - e onde incluíam elementos africanos: uma maior liberdade no fraseado dos cânticos (improvisos), a inclusão de elementos percussivos (palmas, o bater dos pés), a dança... -, notas impensáveis, na altura, na música religiosa europeia ou dos Estados Unidos brancos. E notas vindas dos cânticos religiosos dos escravos (os espirituais negros) já antes «ensaiados» nos campos de algodão - o mesmo «alfobre» em que nasceriam os blues - onde trabalhavam. Outra coisa: no gospel cantam os pastores da igreja e/ou os fiéis - muitas vezes num movimento de parada e resposta, de diálogo uns com os outros -; a solo ou em coro (e aqui pode incluir-se o quarteto ou quinteto ou coros formados por dezenas de pessoas); homens e mulheres; negros e, anos depois, também muitos brancos; pode ser cantado a capella ou com a ajuda de instrumentos. É, portanto, uma música aberta a toda a gente e sem hierarquias internas, desde que a Fé seja comum.
Apesar de haver outras formas de gospel - como o country gospel (canções country de temática religiosa) - é o gospel tradicional, de raiz negra, que nos interessa aqui. Um género que começou logo a ter alguma visibilidade com digressões dos Fisk Jubilee Singers no final do século XIX e com a fama de C. Tindley (que começa a dar concertos a solo no início do século XX) e de T.A.Dorsey, que codificou o gospel e lançou vários coros profissionais nos anos 20 e 30 do século passado. Entre os nomes maiores do género podem incluir-se Mahalia Jackson (cantora promovida por T.A.Dorsey e que viria a ser o nome maior do género), os Pilgrim Jubilee Singers, os Sensational Nightingales, a cantora Dorothy Love Coates, os Mighty Clouds of Joy, os Sweet Honey in the Rock (apesar de também incluirem outros géneros nos seus alinhamentos) e os referidos mais acima Blind Boys of Alabama. Nas últimas décadas, o gospel tradicional continua a ser cantado por milhares de cultores mas também evoluiu para outras formas, com a inclusão de variadíssimos géneros musicais - rock, soul, etc. - dando origem à CCM (música cristã contemporânea), «género» (que afinal são muitos géneros, apenas com as letras de índole religiosa a uni-las) onde se podem incluir artistas como o grande Sam Cooke (famoso cantor soul - e gospel - e pastor protestante), a cantora Amy Grant, o rapper dc Talk e bandas como os metálicos Stryper ou os punks MXPX.
Nada de estranhar se pensarmos que Ray Charles ergueu a sua carreira sobre uma então impensável junção de gospel e rock'n'roll (a música de Deus feita sobre, segundo alguns, os ritmos do Diabo) que viria a dar origem à soul e ao funk, Elvis Presley gravou inúmeros hinos religiosos e até Bob Dylan, em finais dos anos 70, gravou um álbum cristão, «Slow Train Coming». E que foi no gospel que se basearam maioritariamente, embora com letras de temática mais politizada e interveniente, as «black american freedom songs» do Movimento dos Direitos Civis (cujo símbolo maior foi o pastor protestante Martin Luther King). Por cá, em Portugal, o gospel tem alguma visibilidade através de grupos como os Shout (que acompanharam Sara Tavares) e ganharam uma nova «aura» com a inclusão de um coro gospel no álbum «Eclesiastes 1.11», dos Wray Gunn.
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