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21 maio, 2013
Oumou Sangaré, Hedningarna e Anthony B no Med de Loulé 2013!
14 maio, 2013
Batida, Aline Frazão e Mu no FMM de Sines
10 janeiro, 2012
Batida Assina Pela Soundway Records!
É oficial e é de festejar! O comunicado:
"Foi anunciado esta semana aos microfones da BBC1: Batida assinou pela Soundway Records, uma das melhores editoras de World Music da actualidade.
A notícia foi dada no programa de Gilles Peterson. O referencial radialista incluiu 2 temas de Batida no seu especial que aponta os nomes a ter em conta em 2012. Gilles Peterson fechou o programa com novas edições da editora britânica, que irá lançar internacionalmente o disco de estreia do projecto Batida. Mais detalhes em breve.
http://www.bbc.co.uk/programmes/b018ttyq#segments
Relembramos que BATIDA encerra uma das principais salas do FESTIVAL EUROSONIC a 13 de Janeiro. No meio de um festival cheio de projectos promissores cabe a BATIDA fechar a noite de sexta feira, numa das principais salas de Groningen, na Holanda, facto raro entre artistas portugueses. No palco, Mpula faz-se rodear por dançarinos, poeta, mc, percussionista e vjammer, com projecção de imagens de arquivo e documentais. A actuação terá a cobertura de várias rádios e media europeus.»
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24 maio, 2011
JAADU, Mulatu Astakte, Batida e Os Golpes no MED de Loulé
A organização do Festival MED de Loulé 2011 acaba de confirmar mais alguns dos artistas e grupos que vão ocupar os palcos principais deste Festival, incluindo a aqui já referida Balkan Brass Battle (Fanfare Ciocarlia vs. Boban & Marko Markovic Orchestra). Aqui vão eles:
"BALKAN BRASS BATTLE, JAADU - Faiz Ali Faiz & Titi Robin, Mulatu Astatke, Batida, Márcia, Frankie Chavez e Os Golpes entre os nomes confirmados
Estão confirmados mais dez nomes para a 8ª edição do Festival Med, o primeiro festival de música do verão e um dos mais conceituados festivais nacionais de world music. De 22 a 25 de junho, o centro histórico da cidade de Loulé veste as cores do mundo e transforma-se num palco de sons e sabores, experiências culturais, e de fusão das mais variadas manifestações artísticas.
BALKAN BRASS BATTLE - Boban and Marko Markovic versus Fanfare Ciocarlia, JAADU - Faiz Ali Faiz & Titi Robin, Mulatu Astatke, Márcia, Batida, Frankie Chavez, Os Golpes, The Soaked Lamb, The Gilbert’s Feed Band, e Al Mouraria são as últimas confirmações da edição deste ano do Festival Med. Estão assim anunciados os 22 nomes que subirão aos palcos principais deste certame.
O projeto Balkan Brass Battle, que coloca frente-a-frente a orquestra romena e cigana de metais Fanfare Ciocarlia e a orquestra de metais sérvia Boban & Marko Markovic, é uma das grandes confirmações desta edição e também um dos momentos mais aguardados. Este confronto de dois gigantes da música cigana promete uma atuação de proporções épicas, envolvente e cheia de vitalidade. O humor e a paixão gipsy sobem ao palco Med no último dia do festival, a 25 de junho.
Em 2006, o francês Titi Robin e o paquistanês Faiz Ali Faiz tocaram juntos pela primeira vez no Festival Les Escales, em Saint Nazaire. A sintonia e a química foram óbvias e assim nasceu a vontade de criar algo em conjunto. Jaadu é o projeto que une os dois músicos, misturando as suas raízes de forma astuciosa e feliz. Este álbum foi distinguido pela Songlines como Best Album of Cross Cultural Collaboration, em 2010. JAADU – Faiz Ali Faiz & Titi Robin, para ver ao vivo no palco Med, a 22 de junho.
Mulatu Astatke é uma lenda da música etíope, considerado o pai do Ethio-jazz. As suas composições respiram, de forma harmónica, sonoridades muito distintas como a salsa, o cool jazz, o funk, e ritmos árabes e indianos, tendo como assinatura, transversal aos vários temas, o recurso ao vibrafone. Astatke tem uma carreira sólida de mais de quatro décadas, tendo colaborado com nomes de peso do jazz como Duke Ellington, com quem trabalhou nos anos 70. Em 2004, iniciou a colaboração com o grupo Either / Orchestra de Massachusetts, de quem se faz acompanhar até aos dias de hoje. No palco Med, Mulatu Astatke tem atuação agendada para 25 de junho.
Mais do que uma intérprete, Márcia compõe com a guitarra e a voz e os seus temas são considerados verdadeiros poemas, na maioria, de amor, onde a emoção e a entrega são permanentes. Canta desde os 13 anos, mas foi a pintura que dominou os seus estudos até há pouco tempo. Continuou a cantar, conciliando a atividade com a paixão pelas artes plásticas, mas a música levou a melhor a dado momento. No final do ano passado editou o seu primeiro trabalho, “Dá”, que apresentará no palco Med a 25 de junho.
O projeto Batida é uma das últimas confirmações, para a edição 2011 do Festival Med, e promete pôr toda a gente a dançar com os ritmos da música angolana, que misturam sonoridades tradicionais com propostas mais modernas. “Dance music com atitude mwangolé”, é assim que a banda apresenta o seu trabalho, atuando num território onde o kuduro encontra a eletrónica, que já conquistou mercados internacionais. Para ver no palco Med, a 24 de junho.
Frankie Chavez toca sozinho, numa “one man band”. Com temas blues oriented, assumiu o seu papel na música de forma mais séria quando Henrique Amaro o convidou para participar numa edição da Optimus Discos. Nasceu assim um EP de seis músicas, para conhecer ao vivo e a cores no palco Med no sábado, 25 de junho.
“Uma espécie de aldeia de xisto onde não faltam os arranha-céus” é assim que Samuel Úria apresenta Os Golpes (na foto). Este é um projeto musical bem-humorado cuja sonoridade se situa entre o rock e a música tradicional portuguesa, protagonizado por Manuel Fúria dos Golpes (voz, letras e guitarra), Pedro da Rosa dos Golpes (guitarra e segundas vozes), Luís d’Golpes (baixo e coros), e Nuno Moura dos Golpes (bateria e coros). Os quatro elementos têm atuação marcada para 23 de junho.
O palco Castelo, exclusivamente dedicado a projetos nacionais, recebe ainda The Soaked Lamb a 24 de junho. O coletivo luso irá apresentar “Hats & Chairs”, o álbum editado em 2010, que sucede o bem-sucedido “Homemade Blues”. Este segundo trabalho reúne temas com influências de grandes nomes como Nina Simone, Ver Gary Davis, Billie Holiday, Chico Buarque ou Paolo Conte.
The Gilbert’s Feed Band sobem a palco a 23 de junho, para surpreender com as suas performances acrobáticas e a atitude burlesca. A originalidade, assinatura deste grupo português, pauta todas as suas performances, que pressupõem sempre muito movimento a acompanhar a fusão musical. No Med, este coletivo irá apresentar o álbum “The Flabbergasting Return of The Grand Strambolic Circus”, lançado em 2010.
O cartaz dos palcos principais fica completo com Al Mouraria, um projeto de música portuguesa que recupera a tradição da Mouraria e lhe adiciona sonoridades do fado mais moderno. Com recurso a variados instrumentos, desde a incontornável guitarra portuguesa à viola baixo e alguns deles menos óbvios, neste género tão lusitano, como a flauta, o violino, o saxofone ou o acordeão. Al Mouraria sobe ao palco do Med na sexta-feira, dia 24 de junho.
Os bilhetes estarão à venda a partir de dia 1 de junho no Cine-Teatro Louletano. O bilhete diário custa 12,00 €, o passe de festival (4 dias) são 40,00 €.
Programa:
AGENDA DO FESTIVAL MED 2011
22 de junho, 4ª feira
JAADU - Faiz Ali Faiz & Titi Robin
Muchachito Bombo Infierno
António Zambujo
Lula Pena
Marrokan
23 de junho, 5ª feira
SEUN KUTI & EGYPT 80
Magnifico
Sean Riley & The Slowriders
Os Golpes
The Gilbert’s Feed Band
24 de junho, 6ª feira
GEORGE CLINTON Parliament Funkadelic
Luísa Sobral
Batida
The Soaked Lamb
Al Mouraria
25 de junho, sábado
BALKAN BRASS BATTLE - Boban and Marko Markovic versus Fanfare Ciocarlia
AFROCUBISM
Márcia
Mulatu Astatke
DakhaBrakha
Pinto Ferreira
Frankie Chavez"
15 julho, 2010
Batida - Sincretismo Sem Secretismo
Os Batida vão protagonizar, na madrugada de dia 31 de Julho, o concerto de encerramento do FMM de Sines deste ano. É mais que justo: o grupo luso-angolano é uma das maiores revelações musicais dos últimos anos da música que se faz em Lisboa mas que tem as suas raízes em África. Hoje, neste blog, recupero uma entrevista que fiz com eles o ano passado, quando saiu o álbum «Dance Mwangolé», originalmente publicada na «Time Out Lisboa».
As pontes que a Batida faz
Apesar de, nas últimas décadas, terem surgido novas expressões musicais em vários países da Europa continental – mercê da modernização de músicas tradicionais através do seu diálogo com géneros modernos, ou de músicas híbridas criadas em zonas essencialmente portuárias, de cruzamento de vários povos e culturas (Lisboa, Barcelona, Paris, Marselha, Istambul, Berlim...) – não nasceu, pelo menos de forma visível, nenhum novo género musical importante ou relevante para a história da música actual. Pelo contrário – e quase sempre tendo como base várias tipologias da música negra, anglo-saxónicas ou não –, Nova Iorque assistiu ao nascimento do hip-hop; Kingston ao do dancehall; Joanesburgo ao do kwaito; Londres ao do grime; Rio de Janeiro ao do baile funk; Luanda ao do kuduro... E o início do mapa Batida fica assim feito. Mas com um acrescento fundamental e o toque que torna este disco o documento histórico que ele realmente é: o mergulho nos arquivos da Valentim de Carvalho, em busca de samples e de bases dadas por antigas gravações de música angolana, velhos sembas e merengues, ritmos dados por reco-recos ou por berimbaus de Cabinda.
DJ Mpula – da Rádio Fazuma e iniciador deste processo todo – e Ikonoklasta – do seminal Conjunto Ngonguenha – são, nesta conversa, os porta-vozes dos Batida. E não, dizem eles, quando todo este processo começou não tiveram consciência da ponte de gerações e do sincretismo quase perfeito de várias músicas angolanas em que "Dance Mwangolé" viria a tornar-se. DJ Mpula diz: “Curiosamente, eu rejeitava a música angolana que os meus pais ouviam, o que acaba por ser normal numa criança ou num adolescente, geralmente mais atraído por coisas como o hip-hop ou o punk...”. Mas, se o respeito que tanto Mpula quanto Ikonoklasta têm por formas mais antigas de música angolana cresceu bastante nos últimos muitos anos, os Batida são a cristalização definitiva desse respeito pelos “cotas”.
Diz Ikonoklasta que “o Conjunto Ngonguenha sempre procurou fazer um hip-hop fortemente personalizado e enraizado na música angolana, logo um hip-hop angolano” (e o álbum “Ngonguenhação”, editado em 2004 era um passo decisivo neste sentido). Anos depois, DJ Mpula e Ikonoklasta (ambos angolanos), Beat Laden (português) e mais uma série de cúmplices – Sacerdote, Roda (no design dos elementos visuais do colectivo), Limão (no vídeo), o remisturador brasileiro DJ Chernobyl, a lenda da música angolana Carlos Burity, os grupos e artistas samplados no disco e ainda “clips” sonoros actuais presentes no documentário paralelo “É Dreda Ser Angolano” fazem a banda-sonora deste surpreendente e fabuloso "Dance Mwangolé".
DJ Mpula faz questão de dizer que “este não é um disco de kuduro! Há lá kuduro, mas há lá também os ritmos antigos e outros mais novos como o kwaito, o kwassa kwassa do Congo, o dancehall, o baile funk, etc... Não andámos à procura da variedade pela variedade, mas entre as “recolhas”, a intervenção nossa e dos MCs, as remisturas, as participações especiais, acabou tudo por ficar assim”.
Um dos momentos mais marcantes do álbum é quando uma voz anónima termina o fortíssimo e hiper-dançável “Bazuka” com a frase, aproximadamente, “Tenho dois estilhaços da guerra. Um aqui e outro na cabeça. Era só isso”. E tanto Mpula como Ikonoklasta dizem que nunca pensaram “em fazer um disco com estas características que não fosse, de certa forma, de intervenção e que não falasse dos problemas de Angola: os resquícios da guerra, a corrupção, etc...”. É que, para completar o ramalhete de "Dance Mwangolé", ainda faltava esta parte!
07 junho, 2010
Colectânea de Textos no jornal «i» (IV)
O povo que canta e dança no rio
por António Pires, Publicado em 16 de Julho de 2009
Quase a completar quinze anos de existência, a d'Orfeu - associação que pôs Águeda no mapa dos grandes festivais de música (e não só, estendendo as suas iniciativas a outras artes como a dança, o teatro, a mímica, o vídeo, etc...) em Portugal, além de funcionar também como escola e instituição agregadora de muitos músicos locais e exteriores (portugueses e estrangeiros) - voltou a ser a responsável por um espectáculo de características únicas no país: a reunião de centenas de músicos (este ano eram quase quatrocentos) e cantores da cidade e dos seus arredores, no Povo que Lavas no Rio Águeda (na foto, de Marilyn Marques), desta vez assim chamado porque teve como mote a canção "Povo que Lavas no Rio" (popularizada por Amália Rodrigues), do poeta Pedro Homem de Mello. Terra de poetas - Homem de Mello e também Manuel Alegre -, Águeda é também um local em que parecem existir mais músicos por metro quadrado do que em qualquer sítio do país. E a presença de grupos de rock e de blues, de hip-hop experimental e de percussões selvagens numa ceifeira "fluvial" ao lado de ranchos folclóricos, vários coros e dançarinas, barqueiros e manipuladores de vídeo - todos interagindo muitas vezes uns com os outros - num local mágico e encantado (o próprio leito do rio e as suas margens) e usando sempre reportório musical local contribuíram para que as duas apresentações, sexta e sábado passados, sejam inesquecíveis. Era tão bom que Portugal fosse todo assim!
Mas porque é que eles voltam?
por António Pires, Publicado em 23 de Julho de 2009
Numa altura em que a música portuguesa fervilha de criatividade e de novas propostas que nos fazem voltar a ter orgulho em muitos dos artistas e bandas que estão agora a emergir - novos nomes do fado (Carminho) e dos seus desvios (OqueStrada, Deolinda...), o eixo Flor Caveira/Amor Fúria (B Fachada, João Coração, Tiago Guillul, Os Golpes, Os Quais...), a pop visceralmente portuguesa do Real Combo Lisbonense, Virgem Suta e Os Tornados ou a ponte entre Lisboa e as cidades africanas em que ainda se fala português feita pelos Buraka Som Sistema, Makongo ou Batida, só para dar alguns exemplos -, é duvidosa a utilidade do regresso ao nosso universo musical de nomes como os Trabalhadores do Comércio (na foto), os Táxi ou os Ban, os dois primeiros com álbuns novos editados nos últimos meses, a banda de João Loureiro com álbum anunciado para breve. Não está em causa a legitimidade, ou até as boas razões, deste retorno às lides destes grupos (por coincidência, todos do Porto; mas até poderiam ser os Salada de Frutas, os Iodo ou os NZZN, de Lisboa e arredores, que o raciocínio seria o mesmo). Acredito até que nenhum deles - com carreiras profissionais de sucesso noutras áreas - precisa da música para fazer dinheiro e foi mesmo por amor que voltaram às canções, aos palcos, aos fãs que ainda lhes restam e à adrenalina dos bastidores. Mas a grande questão é: será que a música portuguesa precisa mesmo deles em 2009?
A canção ligeira portuguesa está a ser reabilitada
por António Pires, Publicado em 30 de Julho de 2009
Houve gente a abrir o caminho: os Delfins, com a sua versão de "O Vento Mudou" (com que Eduardo Nascimento venceu o Festival RTP da Canção em 1967), e os Xutos & Pontapés com "A Minha Casinha" (sucesso de Milú no filme "O Costa do Castelo"). Mas agora há muito mais gente a fazê-lo. O novo single de David Fonseca, "A Cry 4 Love", é, para além de uma belíssima canção (na linha de muitos outros temas compostos por ele, tanto nos Silence 4 como a solo), uma homenagem subtil a uma outra canção, "Pensando em Ti", dos Gemini, por sua vez inspirada num tema de Ástor Piazzolla. Tanto a entrada da secção de cordas como a linha melódica do refrão são devedoras directas desse tema gravado por Tózé Brito, Mike Sergeant, Teresa Miguel e Isabel Ferrão em 1976. Recentemente, também Rui Reininho (com "Bem Bom", das Doce, e igualmente com o dedo de Tózé Brito na composição), o Real Combo Lisbonense (na foto) - com standards esquecidos (passe o paradoxo!) da música ligeira e do ié-ié dos anos 60 como "A Borracha do Rocha", "Sensatez" ou "O Fado É Bom Para Xuxú!", entre outros - ou a fadista Kátia Guerreiro (com "Menina do Alto da Serra", popularizado por Tonicha) editaram versões de temas da chamada "música ligeira portuguesa", tantas vezes mal-amada e mal vista e, por isso.. temos de reconhecer que algo de importante está a acontecer: uma cada vez maior abertura e liberdade e um saudável reavivar da memória de muita - e não só de alguma - da nossa música.
19 maio, 2010
Colectânea de Textos no jornal «i» (I)
Faz este mês um ano que comecei a colaborar com o jornal «i», sendo o responsável por uma coluna de opinião sobre música portuguesa. Hoje e nos próximos tempos - a conselho de uma mente sábia - publicarei aqui muitos dos textos que, semanalmente, foram por lá nascendo em suporte papel-e-tinta. Não é só world music, tradição e folk, mas como este blog tem andado demasiado órfão sempre é uma maneira de ir ocupando aqui os pixéis disponíveis de uma forma, hermmmm, útil...

A vingança do kuduro
por António Pires, Publicado em 15 de Maio de 2009
Na longa lista de aberrações convidadas para os seus programas televisivos - o Vítor Peter, a Pomba Gira, a Natália de Andrade, o Professor Alexandrino... -, Herman José incluiu há alguns anos o duo de kuduro Salsicha & Vaca Louca, ridicularizando os seus ritmos selvagens e os seus requebros opulentos. Poucos anos depois, o kuduro, via Buraka Som Sistema (na foto, de Hilary Harris), mas não só,é um fenómeno de sucesso mundial. Angolano na sua origem mas com ligações ao miami bass, ao baile funk brasileiro, ao kwaito sul-africano, ao reggaeton porto-riquenho e ao dancehall jamaicano, o kuduro foi adoptado por vários produtores e músicos dos PALOPs e de Portugal (Dog Murras, DJ Znobia, Makongo, Batida ou o cabo-verdiano que junta funaná com kuduro Izé, entre muitos outros) e de fora da esfera lusófona como M.I.A. (a voz principal da oscarizada banda-sonora do filme "Quem Quer Ser Bilionário?"), o DJ e produtor francês Frédéric Galliano ou o norte-americano Diplo. E os Buraka Som Sistema actuam nos principais festivais do mundo (Glastonbury, Roskilde, Coachella...) e têm feito digressões, com tremendo sucesso, no Japão, na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. Os Buraka Som Sistema (uma mistura de portugueses, angolanos e indo-moçambicanos e um espelho perfeito do caldo de culturas em que Lisboa se transformou nos últimos anos) são, aliás, considerados - ao lado de Mariza, uma fadista nascida em Moçambique - os maiores embaixadores actuais da música... portuguesa. Está na altura de reescrever a entrada "kuduro" na "enciclopédia" do Herman.

Um musical para José Cid
por António Pires, Publicado em 22 de Maio de 2009
Aterra-se no aeroporto de Gatwick, chega-se a Londres de comboio e a primeira coisa que se vê é o enorme cartaz de "We Will Rock You", o musical dedicado aos Queen, em cena no Dominion Theatre, ali mesmo ao lado (e que tem no elenco um cantor e actor português, Ricardo Afonso, que, ao que parece, é uma emulação quase perfeita de Freddie Mercury). E, para além dos outros, milhentos, exemplos de musicais dedicados a grandes nomes da música, assistimos desde há alguns anos à febre "Mamma Mia": de repente os ABBA são a coisa melhor do mundo, há peças de teatro, filmes, concursos, karaokes e discos a mitificar as canções do grupo sueco. Agora, a circular na net, corre uma petição a pedir um musical dedicado à vida e obra de José Cid (na foto, de Rita Carmo). Sou suspeito quando falo dele - tive a honra de escrever a biografia do Quarteto 1111, que tinha como líder José Cid -, mas acho que posso dizer, em consciência, que era mais que justo fazer-se esta homenagem. Pelo 1111, pelos Green Windows, pela sua valiosíssima obra a solo, do disco "da palha" a "10 000 Anos depois entre Vénus e Marte" e muitos outros. E também pelos deslizes e apesar dos deslizes... Mas há uma diferença fundamental entre Cid e os outros: o Freddie Mercury já morreu, os ABBA acabaram há muito e sabe-se que nunca voltarão a reunir-se, mas José Cid está vivinho da costa! Logo, o actor principal que proponho para esse musical baseado no José Cid não poderia ser outro senão... o próprio José Cid.

O fado que há nos Joy Division
por António Pires, Publicado em 29 de Maio de 2009
Em alguns círculos mais apertados do fado continua a gritar-se "heresia!" sempre que há alguns desvios mais atrevidos ao género. O último caso deu-se com as canções dos Joy Division e dos Nine Inch Nails interpretadas - de forma excelente, digo eu - por Mísia (na foto, de Youssef Nabil) no álbum "Ruas": porque são cantadas em inglês; porque têm bateria e guitarra eléctrica a acompanhar; porque vêm de um reportório do rock, rock mesmo. Mas estas críticas perdem fulgor quando se pensa que a canção portuguesa de maior sucesso mundial é "Coimbra" - traduzida e adaptada para francês e inglês como "Avril au Portugal" e "April in Portugal", respectivamente, e cantada por Louis Armstrong, Bing Crosby, Eartha Kit ou Liberace - ou que Amália Rodrigues, que cantava frequentemente noutras línguas, gravou um álbum inteiro em inglês, "Amália na Broadway" (onde interpretava temas como "Long Ago and Far Away", "Blue Moon" ou "Summertime"). Mais alguns exemplos: a deliciosa versão de "Hey Jude", dos Beatles, por Carlos Bastos (editada no final dos anos 60, com arranjo para guitarra portuguesa de António Chainho e cantada por Carlos Bastos com uma pronúncia divertidíssima); a arrepiante versão de "Sorrow's Child", de Nick Cave, por Paulo Bragança; ou as "Outras Canções" de Camané, que já incluíram temas de Frank Sinatra ou Divine Comedy.
A vingança do kuduro
por António Pires, Publicado em 15 de Maio de 2009
Na longa lista de aberrações convidadas para os seus programas televisivos - o Vítor Peter, a Pomba Gira, a Natália de Andrade, o Professor Alexandrino... -, Herman José incluiu há alguns anos o duo de kuduro Salsicha & Vaca Louca, ridicularizando os seus ritmos selvagens e os seus requebros opulentos. Poucos anos depois, o kuduro, via Buraka Som Sistema (na foto, de Hilary Harris), mas não só,é um fenómeno de sucesso mundial. Angolano na sua origem mas com ligações ao miami bass, ao baile funk brasileiro, ao kwaito sul-africano, ao reggaeton porto-riquenho e ao dancehall jamaicano, o kuduro foi adoptado por vários produtores e músicos dos PALOPs e de Portugal (Dog Murras, DJ Znobia, Makongo, Batida ou o cabo-verdiano que junta funaná com kuduro Izé, entre muitos outros) e de fora da esfera lusófona como M.I.A. (a voz principal da oscarizada banda-sonora do filme "Quem Quer Ser Bilionário?"), o DJ e produtor francês Frédéric Galliano ou o norte-americano Diplo. E os Buraka Som Sistema actuam nos principais festivais do mundo (Glastonbury, Roskilde, Coachella...) e têm feito digressões, com tremendo sucesso, no Japão, na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. Os Buraka Som Sistema (uma mistura de portugueses, angolanos e indo-moçambicanos e um espelho perfeito do caldo de culturas em que Lisboa se transformou nos últimos anos) são, aliás, considerados - ao lado de Mariza, uma fadista nascida em Moçambique - os maiores embaixadores actuais da música... portuguesa. Está na altura de reescrever a entrada "kuduro" na "enciclopédia" do Herman.
Um musical para José Cid
por António Pires, Publicado em 22 de Maio de 2009
Aterra-se no aeroporto de Gatwick, chega-se a Londres de comboio e a primeira coisa que se vê é o enorme cartaz de "We Will Rock You", o musical dedicado aos Queen, em cena no Dominion Theatre, ali mesmo ao lado (e que tem no elenco um cantor e actor português, Ricardo Afonso, que, ao que parece, é uma emulação quase perfeita de Freddie Mercury). E, para além dos outros, milhentos, exemplos de musicais dedicados a grandes nomes da música, assistimos desde há alguns anos à febre "Mamma Mia": de repente os ABBA são a coisa melhor do mundo, há peças de teatro, filmes, concursos, karaokes e discos a mitificar as canções do grupo sueco. Agora, a circular na net, corre uma petição a pedir um musical dedicado à vida e obra de José Cid (na foto, de Rita Carmo). Sou suspeito quando falo dele - tive a honra de escrever a biografia do Quarteto 1111, que tinha como líder José Cid -, mas acho que posso dizer, em consciência, que era mais que justo fazer-se esta homenagem. Pelo 1111, pelos Green Windows, pela sua valiosíssima obra a solo, do disco "da palha" a "10 000 Anos depois entre Vénus e Marte" e muitos outros. E também pelos deslizes e apesar dos deslizes... Mas há uma diferença fundamental entre Cid e os outros: o Freddie Mercury já morreu, os ABBA acabaram há muito e sabe-se que nunca voltarão a reunir-se, mas José Cid está vivinho da costa! Logo, o actor principal que proponho para esse musical baseado no José Cid não poderia ser outro senão... o próprio José Cid.
O fado que há nos Joy Division
por António Pires, Publicado em 29 de Maio de 2009
Em alguns círculos mais apertados do fado continua a gritar-se "heresia!" sempre que há alguns desvios mais atrevidos ao género. O último caso deu-se com as canções dos Joy Division e dos Nine Inch Nails interpretadas - de forma excelente, digo eu - por Mísia (na foto, de Youssef Nabil) no álbum "Ruas": porque são cantadas em inglês; porque têm bateria e guitarra eléctrica a acompanhar; porque vêm de um reportório do rock, rock mesmo. Mas estas críticas perdem fulgor quando se pensa que a canção portuguesa de maior sucesso mundial é "Coimbra" - traduzida e adaptada para francês e inglês como "Avril au Portugal" e "April in Portugal", respectivamente, e cantada por Louis Armstrong, Bing Crosby, Eartha Kit ou Liberace - ou que Amália Rodrigues, que cantava frequentemente noutras línguas, gravou um álbum inteiro em inglês, "Amália na Broadway" (onde interpretava temas como "Long Ago and Far Away", "Blue Moon" ou "Summertime"). Mais alguns exemplos: a deliciosa versão de "Hey Jude", dos Beatles, por Carlos Bastos (editada no final dos anos 60, com arranjo para guitarra portuguesa de António Chainho e cantada por Carlos Bastos com uma pronúncia divertidíssima); a arrepiante versão de "Sorrow's Child", de Nick Cave, por Paulo Bragança; ou as "Outras Canções" de Camané, que já incluíram temas de Frank Sinatra ou Divine Comedy.
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23 setembro, 2009
A Vingança do Kuduro!
Chega nos próximos dias às lojas um dos melhores e mais importantes álbuns - sim, é uma aviso! - que jamais se fizeram em Portugal: «Dance Mwangolé», do projecto Batida. Mais ou menos a propósito, ou pelo menos de um modo lateral, recupero aqui um texto meu publicado há alguns meses no jornal «i»:
«Na longa lista de aberrações convidadas para os seus programas televisivos - o Vítor Peter, a Pomba Gira, a Natália de Andrade, o Professor Alexandrino... -, Herman José incluiu há alguns anos o duo de kuduro Salsicha & Vaca Louca, ridicularizando os seus ritmos selvagens e os seus requebros opulentos. Poucos anos depois, o kuduro, via Buraka Som Sistema (mas não só),é um fenómeno de sucesso mundial. Angolano na sua origem mas com ligações ao miami bass, ao baile funk brasileiro, ao kwaito sul-africano, ao reggaeton porto-riquenho e ao dancehall jamaicano, o kuduro foi adoptado por vários produtores e músicos dos PALOPs e de Portugal (Dog Murras, DJ Znobia, Makongo ou o cabo-verdiano que junta funaná com kuduro Izé, entre muitos outros) e de fora da esfera lusófona como M.I.A. (a voz principal da oscarizada banda-sonora do filme «Quem Quer Ser Bilionário?»), o DJ e produtor francês Frédéric Galliano ou o norte-americano Diplo. E os Buraka Som Sistema actuam nos principais festivais do mundo (Glastonbury, Roskilde, Coachella...) e têm feito digressões, com tremendo sucesso, no Japão, na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. Os Buraka Som Sistema (uma mistura de portugueses, angolanos e indo-moçambicanos e um espelho perfeito do caldo de culturas em que Lisboa se transformou nos últimos anos) são, aliás, considerados - ao lado de Mariza, uma fadista nascida em Moçambique - os maiores embaixadores actuais da música... portuguesa. Está na altura de reescrever a entrada "kuduro" na "enciclopédia" do Herman. E na de nós todos».
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01 julho, 2009
Mestiço - O Porto Volta a Ser Multicultural
Começa já amanhã mais uma edição do festival Mestiço, que tem ocupado - e sempre muito bem! - a Casa da Música, Porto, nos últimos anos. Entre muitos artistas brasileiros, o tuga abrasileirado JP Simões, os fabulosos congoleses Konono Nº1 (na foto) e nomes emergentes do kuduro angolano, o Mestiço mostra este ano aquilo que se segue (com textos explicativos a seguir):
«Quinta | 2 Julho 2009
21:30, Sala Suggia
PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO 2009
De 2 a 5 de Julho, a 4ª edição do Festival Mestiço percorre geografias e géneros bem diferentes, dando a ouvir alguns dos grandes fenómenos da world music da actualidade, incluindo as sempre inovadoras mestiçagens entre tradições ancestrais e tendências contemporâneas de géneros como o hip hop, a electrónica ou o rock. São quatro noites consecutivas que cruzam propostas bem variadas de artistas.
PASSAPORTE FESTIVAL MESTIÇO (4 CONCERTOS) | € 30
Nota: Na compra do Passaporte Festival Mestiço deverá escolher o lugar da Sala Suggia para o concerto Naná Vasconcelos e Virgina Rodrigues | JP Simões. Para os restantes concertos,os lugares ficarão automaticamente seleccionados, pois tratam-se lugares sem marcação
Programa:
Naná Vasconcelos e Virginia Rodrigues | JP Simões | Festival Mestiço | 02 Jul 09
Babylon Circus | Orquestra Imperial | Festival Mestiço | 03 Jul 09
Natiruts | Comunidade Nin Jitsu | Lei Di Dai | Festival Mestiço | 04 Jul 09
Konono Nº 1 | Bruno M | Batida | Festival Mestiço | 05 Jul 09»
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NANÁ VASCONCELOS | VIRGINA RODRIGUES
Naná Vasconcelos voz e percussões
Virgínia Rodrigues voz
Lui Coimbra violoncelo, voz e guitarras
Alex Mesquita guitarra acústica
"Um encontro espiritual" - é assim que Virgínia Rodrigues descreve o que acontece em palco ao lado de Naná Vasconcelos. Com um potencial Quem cedo reparou no potencial da cantora foi Caetano Veloso.
Com uma carreira que é tudo menos previsível, a baiana lançou já quatro álbuns que tanto se voltam para os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes, como para clássicos de Tom Jobim ou Chico Buarque ou ainda para a música dos blocos afro do Carnaval da Bahia. O resultado é uma voz expressiva e cristalina que surpreendeu o veterano Naná Vasconcelos: "Eu sempre admirei a Virgínia desde o surgimento dela. Ela me mostrou de uma certa forma todo o lirismo africano existente no afrobrasileiro e sempre tive uma grande vontade de fazer um trabalho com ela."
Depois de se apresentar na abertura do Carnaval do Recife em 2006, o duo inicia uma colaboração que agora chega à Casa da Música. Um regresso ao nosso país que o percussionista antecipa com grande expectativa: "Eu adoro mostrar um pouco do meu trabalho em Portugal. Sei que há um movimento muito grande da percussão portuguesa, como o projecto do Rui Júnior chamado Tocá Rufar. Em 2008 participei no Festival Portugal a Rufar organizado pelo projecto."
JP SIMÕES
Dos Pop Dell'Arte aos Belle Chase Hotel, sem esquecer o Quinteto Tati, JP Simões já deu provas do seu talento como músico e compositor de canções/fábulas em português. Em 2007 estreia-se em nome próprio com 1970, considerado por muitos a sua obra-prima. Com influências de Chico Buarque, Tom Waits, Tom Jobim, João Gilberto, David Bowie e Sérgio Godinho, 1970 ocupou durante três semanas o Top 30 dos álbuns mais vendidos em Portugal. O convite para a Casa da Música surge no seguimento da edição do seu segundo trabalho a solo, Boato. Gravado ao vivo em Novembro passado nos Jardins de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, este disco conta com 12 temas originais e ainda algumas canções dos Belle Chase Hotel, do espectáculo Ópera do Falhado e do Quinteto Tati. Para a Casa da Música fica prometido um concerto festivo.
BABYLON CIRCUS
Os Babylon Circus estão de volta. No regresso a Portugal, o grupo francês traz o quarto álbum de originais, em mais de 10 anos de carreira e depois de cerca de mil concertos, em 30 países diferentes. Ao longo deste percurso têm sido sempre notícia, por onde quer que passem, mas nem sempre pelos melhores motivos.
Ska, punk, reggae, rock, swing e música cigana, com um toque circense e com uma mensagem bastante positiva po base é o que vamos ter oportunidade de ouvir. Divertidos, críticos, bem-humorados e festivos, os Babylon Circus estreiam-se nos palcos do Porto e apresentam pela primeira vez no nosso país La Belle Étoile.
ORQUESTRA IMPERIAL
Antes da big band francesa, a big band brasileira. Quatro anos depois de se terem estreado internacionalmente no Festival do Sudoeste, a Orquestra Imperial regressa ao nosso país com o primeiro álbum Carnaval Só No Ano Que Vem (2007).
Formado em 2002 com o intuito de criar uma orquestra de gafieira [local onde, tradicionalmente, as classes mais humildes praticavam danças de salão], baseada num repertório variado, com boleros, temas dos anos 60 e clássicos da cultura de salão, o grupo nasceu da reunião de músicos da vanguarda da cena musical carioca. Lá encontramos Rodrigo Amarante (Los Hermanos); Moreno Veloso, Domenico e Kassin (do projecto +2); Nina Becker (estilista); Thalma de Freitas (actriz da Globo) e Rubinho Jacobina (irmão de Nelson Jacobina, parceiro de Jorge Mautner), a quem se juntaram Wilson das Neves (compositor dos Império Serrano, cantor de samba e baterista). No Brasil, a Orquestra Imperial goza de grande popularidade e os "Bailes Pré-Carnavalescos", nos verões cariocas, são já dos momentos mais aguardados das multidões que querem ouvir marchinhas e afins, com muito funk-carioca à mistura.
NATIRUTS
Bastam cinco minutos ligados à Internet para percebermos o alcance dos Natiruts no Brasil. Em qualquer vídeo ao vivo vêem-se milhares de pessoas a cantar, em uníssono, as músicas da banda brasileira, em ambiente de festa e confraternização. Um fenómeno com cada vez mais seguidores em todo o mundo, com ideais bem definidos e um "reggae roots brasileiro" cada vez mais enraizado.
As reacções à primeira demo do grupo superaram todas as expectativas e dão-lhes reconhecimento na cidade então conhecida como "capital do rock". Com as atenções viradas para o grupo, um dos melhores estúdios de gravação abriu as portas ao reggae e gravou o álbum de estreia dos Natiruts, Nativus (1997), um disco que, indiscutivelmente, marcou a sua geração, com vendas superiores a 450 mil exemplares. No regresso a Portugal, cada vez mais receptivo ao reggae, os Natiruts apresentam na Casa da Música um espectáculo novo dedicado aos fãs
COMUNIDADE NIN-JITSU
Conhecidos como os "ninjas mais chalaças do Brasil", a Comunidade Nin-Jitsu (CNJ) estreia-se em Portugal e, curiosamente, fora do país de origem, a convite da Casa da Música. Autores de uma das misturas musicais mais explosivas - baile funk com rock - são um fenómeno de sucesso no Brasil com mais de 100 mil cópias vendidas dos cinco álbuns já editados. Juntos desde 1995 e habituados a brincar com as suas próprias gírias, misturaram rock com funk, hip hop, hard rock e electro. Com inúmeros singles a passarem na rádio, a CNJ tem acompanhado a evolução dos tempos e conquistado cada vez mais um lugar na cena brasileira. Mas o papel deste grupo não se limita à música. O vocalista, Mano Changes, é deputado estadual no Rio Grade do Sul e tem mudado a atenção que se dá à Educação no Brasil. No Brasil, o trabalho da CNJ é reconhecido. Todos sabem o refrão de Detetive e cantam "tive, tive, detetive/ meu pai é detetive" efusivamente. Por cá, o concerto na Casa da Música vai ser bastante revelador. Uma banda repleta de sentido de humor, ironia, sacanagem e sem papas na língua.
LEI DI DAI
Coroada como Rainha do DanceHall - vertente dançante do reggae mais conhecido como Ragga - Dainne Nascimento, aka Lei Di Dai, vem à Casa da Música apresentar o seu álbum de estreia Alfa e Ómega.
Oriunda da Vila Ré, na zona Leste de São Paulo, Lei Di Dai sabe que nunca vai ceder às pressões do mundo das celebridades, "que exige pesos e medidas certinhas e formas de violão". Aos 31 anos, Lei Di Dai afirmou à Rolling Stone Brasil: "Eu me adoro! Tenho mó presença, onde chego tudo pára".
Cantora e compositora, cresceu rodeada de samba e reggae que os pais ouviam e dançavam em casa. A sua mensagem é simples e a inspiração para as suas músicas vem da realidade da periferia ("o salário mínimo é a máxima pressão") e de artistas jamaicanos como Capleton (referência jamaicana de reggae e dancehall).
Figura de destaque na cena independente de S. Paulo, onde canta desde 1997, Lei Di Dai acredita que o reggae é a libertação, harmonia e amor, e acredita no poder transformador da música. "Eu canto sobre positividade para ensinar o povo preto das periferias sobre eles mesmos, sobre a África e a cultura rasta", explica. Depois de ter participado, em 2006, na compilação Diáspora Riddim, dos Digitaldubs, com a música Original do Gueto, estreou-se a solo, em 2008, com Alfa e Ómega, que teremos oportunidade de ouvir na Casa da Música.
"Lei Di Dai se destaca em uma cena reggaeira que, como a do hip hop no passado, floresce forte nos guetos do país, pronta pra ser colhida e fazer cabeça, corpo e mente de quem se deixar levar" - Rolling Stone, Brasil
KONONO Nº1
O projecto Konono N°1 foi fundado há 25 anos por Mawangu Mingiedi, um virtuoso do likembe (aka sanza ou piano de polegar), que quando chegou a Kinshasa, vindo de Bazombo - que fica na fronteira com Angola -, quis continuar a fazer a música de transe em homenagem aos seus antepassados e em nome dos muitos emigrantes que chegavam à metrópole. O resultado é uma sonoridade inquestionavelmente africana, no ritmo e nas texturas, mas muito próxima da electrónica Ocidental. Algo muito tradicional que nos remonta às experiências de John Cale, entre o punk e a música de dança. Não se chama a esta música transe sem motivo. Quando ouvida com o volume alto, como é suposto, é capaz de nos transportar para outra esfera. Quatro anos depois de se ter estreado em Portugal, o projecto da República Democrática do Congo regressa. Na bagagem trazem uma cultura, uma sonoridade que os tem distinguido no mundo da world music graças ao sistema de amplificação que usam há 30 anos e que lhes valeu o conceituado prémio da BBC em 2006, na categoria de Novos Talentos.
O trabalho que têm vindo a desenvolver e o alcance da sua música fez com que Matthew Herbert e John McEntire (Tortoise) se oferecessem para remisturar temas seus e que fossem convidados a participar no single de apresentação do álbum Volta de Björk.
BRUNO_M
Aos 24 anos, o kudurista angolano é já um exemplo para os mais jovens
BRUNO_M E O KUDURO "ELECTRÓNICO E DANÇANTE QUE CONTAGIA E VIRA MANIA"
À África do Sul e ao Brasil segue-se Portugal no percurso de Wilson Diogo de Amaral (aka Bruno_M, de Mágico). Para a Casa da Música, o kudurista angolano traz na bagagem o álbum de estreia, Batida Unika, que o deu a conhecer em 2004 e o celebrizou quatro anos depois. Estudante na Faculdade de Direito da Universidade Independente de Angola e a fazer um curso de jornalismo profissional, Bruno_M tem a música como um hobbie que o ajuda a pagar os estudos. Mas a relevância do seu testemunho desperta cada vez mais atenções no mundo. Vida, amor, paz, patriotismo, educação moral e cívica são algumas das mensagens que podemos ouvir nas músicas de Batida Unika, "um projecto que tem como objectivo resgatar os jovens com dificuldades sociais, mas que querem trabalhar em prol da sociedade". Pronto para se mostrar ao mundo, Bruno_M traz para a Casa da Música "um estilo musical jovem, electrónico e dançante que contagia e vira mania". Numa noite que mistura, no mesmo palco, uma banda da República Democrática do Congo, uma do Brasil e de Angola, mais mestiço seria difícil!
BATIDA
Portugueses e angolanos partilham o palco
Batida e os tesouros recuperados da música angolana
Batida é nome de um programa que, desde 2007, divulga as novas tendências da música urbana de raiz ou inspiração Afro, na Rádio Antena 3 e na Web. Kwaito, Kuduro, Funk, Afro Beat, Dancehall ou House são alguns dos beats sempre presentes e que agora se encontram reunidos no disco Dance Mwangolé.
Tudo surgiu durante uma conversa com a Difference Music, depois de terminada a versão do Bazooka. Convidados a remexer livremente o arquivo histórico de sons da Valentim Carvalho gravados em Luanda, nas décadas de 60 e 70, os músicos da Batida recuperaram, sem saudades mas com respeito, o que de melhor encontraram. O centro de operações foi Lisboa, onde o DJ Mpula pesquisou os discos e telefonou a Beat Laden, o próprio misturador dos "mwangolés" Kalibrados, Zona5 e do Bob Da Rage Sense. Fechados no Ground Zero, em Chelas, conspiraram e produziram o som para este Batida. Mais tarde juntou-se Ikonoklasta (o poeta da Família e membro do Conjunto Ngonguenha), o Sacerdote (jovem letrista muito consciente de Sambila, Luanda) e o primo Roda (de Lisboa) que transformou os sons em desenhos para a capa e actuações.
Para além destes, o Batida contou ainda com as participações do animador Chailoy, o kudurista consciente Rei Panda, dos De Faia, a poderosa Dama Ivone e o activo produtor DJ Waite, todos do Sambila. E das dicas do rapper Bob Da Rage Sense, em Saudade. No final, e já numa faixa bónus, convidaram o mwangolé Maskarado, jovem talento do kuduro e remisturas do DJ Chernobyl, o mesmo que produziu o Bonde do Rolê, e dos Radioclit, dupla cúmplice nos mambos Afro que estão a bater em Londres.
No regresso à Casa da Música, a Rádio Fazuma apresenta Batida com o disco Dance Mwangolé, repleto de tesouros da música angolana, com beats pensados para por todos a dançar. Refira-se que "Dance Mwangolé" foi um termo usado pelo Sbem - um dos pioneiros essenciais do Kuduro - para descrever tudo o que seja Techno feito por um Mwangolé (Angolano)».
Mais informações, aqui.
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