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18 fevereiro, 2013

Resistência Maliana Invade FMM de Sines!

Em ano de regressos prometidos dos maiores nomes da música que já passaram pelas catorze edições anteriores do Festival, e numa altura em que a situação no Mali merece toda a nossa atenção, faz todo o sentido que sejam estes os primeiros nomes confirmados para 2013 (texto pilhado directamente do blog Grandes Sons, do camarada João Gonçalves): «Mali em Sines: Amadou & Mariam, Bassekou Kouyaté e Rokia Traoré no FMM 2013 Berço de formas ancestrais dos blues e do rock e pátria de alguns dos mais criativos músicos do mundo, o Mali é um país fundamental da geografia da música popular contemporânea. Num momento em que a guerra e o fundamentalismo ameaçam um património imperecível da humanidade, o FMM Sines faz questão de que as primeiras três confirmações oficiais da sua 15.ª edição cheguem do coração sonoro de África. Amadou & Mariam Amadou & Mariam são um dos grupos africanos mais aclamados na cena internacional. Representam a abertura da música do Mali ao cruzamento com géneros que, sendo hoje assumidos como criações ocidentais, têm afinidades antigas com a África Ocidental: o blues especialmente, mas também a sua descendência no rock e no funk, por exemplo. Estão juntos como casal desde o final dos anos 1970, quando Amadou, um guitarrista rodado em orquestras de hotéis, conhece a jovem cantora Mariam no instituto de cegos de Bamako. Depois de um percurso longo em África, tornam-se conhecidos de um público mais alargado com os primeiros discos com edição internacional, na viragem do século, e sobretudo com a edição de “Dimanche a Bamako”, em 2004. Este disco, produzido por Manu Chao, um dos mais vendidos de sempre da música africana, trouxe-os pela primeira vez ao FMM Sines, em 2005. Em 2013, voltam ao festival com outro disco, “Folila”, nomeado para o Grammy na categoria World Music este ano, e concebido em torno de duas sessões de gravação, uma mais “cruzada”, realizada em Nova Iorque, e outra mais próxima das raízes, realizada em Bamako, exemplo perfeito da sua música simultaneamente antiga e moderna, retro e futurística, orgânica e eletrónica. Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba Ao contrário de Amadou & Mariam, em que as miscigenações globais são mais ostensivas, Bassekou Kouyaté vive mais perto da fonte dos blues africanos. O seu disco de estreia, “Segu Blue”, baseado em textos sobre a resistência do império Bamana à ocupação colonial, foi considerado o melhor de 2007 nos prémios da BBC e Bassekou, ele próprio, foi eleito o melhor artista africano do ano. Em 2008, esteve pela primeira vez no FMM Sines, num concerto no Centro de Artes de Sines. Natural de uma aldeia perto da cidade de Segu, nas margens do Níger, Bassekou pertence à elite musical do Mali, tendo trabalhado ao lado de génios como Ali Farka Touré e Toumani Diabaté. Com Ngoni Ba forma um quarteto acústico de “ngoni” (tipo de alaúde africano), o instrumento de que é um dos maiores embaixadores e que voz da sua mulher, Amy Sacko, acompanha em disco e em palco. Depois do segundo álbum, “I Speak Fula”, lançado em 2009 e nomeado para um Grammy, regressa ao FMM Sines para apresentar o disco que acaba de lançar no início de 2013, “Jama Ko”, gravado por Howard Bilerman (Arcade Fire, Godspeed You! Black Emperor, Coeur de Pirate). Rokia Traoré Uma cantautora que derruba todos os estereótipos da figura da “diva africana”, Rokia Traoré (na foto) representa a expressão mais cosmopolita e vanguardista da música contemporânea do Mali. Filha de um diplomata, teve oportunidade de viajar e isso sente-se sua música, onde se ouve a voz dos “griots”, mas também o jazz, a soul, o rock, a pop, os blues, em formações musicais quase sempre pouco convencionais para a música africana. Desde o seu primeiro disco, “Mouneïssa” (1998), que é amada pelo público e pela crítica. “Wanita” (2000) foi premiado pela BBC e eleito álbum do ano pela fRoots e “Bowmboï” (2003) foi novamente premiado pela BBC. Foi com estes discos na bagagem que se estreou em palcos portugueses no FMM Sines, em 2004. “Tchamanché”, de 2008, o disco com que entrou sem complexos nos blues e no rock, trouxe-a de volta a Sines nesse mesmo ano, para aquele que foi considerado quase unanimemente o melhor concerto da 10.ª edição do festival. A terceira vinda ao festival, este ano, é marcada pelo lançamento mundial de um disco novo, “Beautiful Africa”, produzido por John Parish, agendado para abril próximo. O festival em 2013 O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” e outras músicas realizado em Portugal. Em 2013, o festival acontece entre os dias 18 e 27 de julho e celebra a sua 15.ª edição. O alinhamento desta edição comemorativa incluirá alguns dos projetos que mais marcaram o FMM ao longo da sua história e artistas que nunca vieram ao festival e que representam o presente e o futuro das músicas com raízes (mas não grilhetas) na tradição. A estética do cruzamento e da abertura e a ética da convivência e da justiça continuarão a orientar a programação. A dimensão de festa que o festival sempre teve e irá manter não se esgotará em si mesma, procurando contribuir com uma riqueza de expressões, pontos de vista e realidades que ajudem a compreender e a agir sobre o mundo em que vivemos.»

16 julho, 2009

Paralelo Évora e Tom de Festa - Em Linha Com a LX Factory


É bom que haja sinergias destas: por estes dias, a LX Factory, em Lisboa (ver post mais abaixo), recebe um festival de world music que tem como protagonistas muitos dos nomes que também estão este fim-de-semana no festival Paralelo Évora e no já histórico Tom de Festa, em Tondela. Para ficar a saber o programa do Paralelo Évora:


«16 Jul 2009 22:30
Spok Frevo Orquestra (Brasil) Jardim do Granito UE, Évora

17 Jul 2009 17:30
Filme "Música, Moçambique!" Auditório da Fundação Eugénio de Almeida, Évora


17 Jul 2009 19:30
Performance "Parâmetros do Bem Estar" Palácio D. Manuel - Jardim Público, Évora

17 Jul 2009 22:30
Stewart Sukuma (Moçambique) Jardim do Granito UE, Évora

18 Jul 2009 9:30
Programação para a Infância Palácio D. Manuel - Jardim Público, Évora

18 Jul 2009 17:30
Filme "O meu amigo Mike ao trabalho" Auditório da Fundação Eugénio de Almeida, Évora

18 Jul 2009 19:30
Seminário "António Tavares apresenta Ópera Crioula" Palácio D. Manuel - Jardim do Granito, Évora

18 Jul 2009 22:30
Kasai Masai (Congo) Jardim do Granito UE, Évora

19 Jul 2009 17:00
Marcos Molina (Colômbia) Pálacio D. Manuel - Jardim Público, Évora

19 Jul 2009 17:30
Lançamento do Mapa Etnomusical com a presença dos autores Júlio Pereira e João Luís Oliva Palácio D. Manuel - Jardim Público, Évora

19 Jul 2009 17:30
Encerramento do Festival Palácio D. Manuel - Jardim do Público». Mais informações, aqui.

Para a programação do Tom de Festa, que já começou e que inclui ainda Chico César (na foto), Stewart Sukuma, Lamatumbá, Júlio Pereira, Bassekou Kouyate, Kasai Masai, Tocá Rufar, Dobet Gnahoré, Mundo Cão e Lafra: http://www.acert.pt/tomdefesta09/.

04 junho, 2009

Em Julho, Há World Music na LX Factory


É pena que coincida com o FMM de Sines, mas, para primeira edição, o cartaz do World Music Festival LX'09 - que decorre de 14 a 19 de Julho, com organização da Ler Devagar, na LX Factory (Alcântara), Lisboa - não é nada mau, não senhor! Vejamos: por esses dias actuam neste festival a SpokFrevo Orquestra (Brasil), Júlio Pereira (Portugal), Kasai Masai (Congo), Dobet Gnahoré (Costa do Marfim), Stewart Sukuma (Moçambique; na foto, de Werner Puntigam) e Bassekou Kouyate (Mali). Para além disso, o festival inclui lançamentos de livros e discos com os artistas, artes de rua, gastronomia dos países dos artistas participantes e uma «intervenção gráfica com base nas estátuas da cidade de Lisboa». Mais informações, aqui.

30 outubro, 2008

WOMEX de Sevilha - Os Concertos Começam Já Hoje


Quase, quase a chegar a Sevilha, para assisitir a mais uma edição da WOMEX na capital da Andaluzia, aqui deixo novamente o programa completo do cartaz de espectáculos que começam hoje a acontecer por lá (embora a feira tenha sido inaugurada ontem). E com a promessa de que darei conta de muitos deles neste blog quando voltar. Até já...


Quinta-feira, dia 30:

Showcases diurnos (FIBES)

- Liu Fang (China/Canadá)
- Zabit Nabizade Trio (Azerbaijão)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- A Filetta (França)
- Alex Cuba (Cuba/Canada)
- Bassekou Kouyate & Ngoni ba (Mali)
- Cimarrón (Colômbia)
- DJ Grace Kelly (Brasil/Alemanha)
- Fatima Spar & The Freedom Fries
(Turquia/Bulgária/Ucrânia/Sérvia/Áustria)
- Kalman Balogh Gypsy Cimbalom Band (Hungria)
- Les Amazones de Guinée (Guiné-Conacri; na foto, de Pierre Rene-Worms)
- Speed Caravan (Argélia/Marrocos/França)
- Staff Benda Bilili (Congo-Kinshasa)

Tenda Off-Womex

- Gong Myoung (Coreia do Sul)
- Meddy Gerville (Ilha Reunião)
- Sofia Jannok (Suécia / Lapónia)


Sexta-feira, dia 31

Showcases diurnos (FIBES)

- Jouhiorkesteri (Finlândia)
- Ólöf Arnalds (Islândia)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- Aurelio Martinez (Honduras)
- Camané (na foto de Augusto Brázio)
- David Walters (França)
- DJ Ishtar (Irão/Holanda)
- LA-33 (Colômbia)
- Magnifico (Eslovénia)
- Mike Marshall & Darol Anger with Väsen (EUA/Suécia)
- Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka (Argentina/Brasil)
- Suzanna Owiyo (Quénia)
- Tumi and the Volume (África do Sul/Moçambique)

Tenda off-womex

- Dorantes (Espanha)
- Mastretta (Espanha)
- Peret (Espanha)

Sábado, dia 1 de Novembro

Showcases diurnos (FIBES)

- Beats in the Heart of Orient (Irão/Índia/Grécia/França)
- Salamat Sadikova (Quirziguistão)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- Astillero (Argentina)
- Bako Dagnon (Mali)
- Bedouin Jerry Can Band (Egipto)
- Enzo Avitabile & I Bottari (Itália)
- Mo DJ (Mali)
- Sidestepper (Colômbia)
- Tomás de Perrate (Espanha)

Tenda Off-Womex

- Andreia Dias (Brasil)
- La Pupuña (Brasil)
- Mundo Livre S/A (Brasil)

Domingo, dia 2 de Novembro

Showcase diurno (FIBES)

- Vencedor do prémio WOMEX 08: Muzsikás

30 setembro, 2008

WOMEX - Concertos Para Todos os Gostos


A WOMEX - a maior feira/festival de world music do... mundo - decorre este ano mais uma vez em Sevilha, de 29 de Outubro a 2 de Novembro. Com inúmeros concertos, sessões de DJ e showcases - onde se destaca, pelo lado português, a presença de Camané - que o camarada Luís Rei já fez o favor de compilar, nas Crónicas da Terra, e que aqui se transcrevem:

«Quinta-feira, dia 30:

showcases diurnos (FIBES)

- Liu Fang (China/Canadá)
- Zabit Nabizade Trio (Azerbaijão)

showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- A Filetta (França)
- Alex Cuba (Cuba/Canada)
- Bassekou Kouyate & Ngoni ba (Mali)
- Cimarrón (Colômbia)
- DJ Grace Kelly (Brasil/Alemanha)
- Fatima Spar & The Freedom Fries
(Turquia/Bulgária/Ucrânia/Sérvia/Áustria)
- Kalman Balogh Gypsy Cimbalom Band (Hungria)
- Les Amazones de Guinée (Guiné-Conacri)
- Speed Caravan (Argélia/Marrocos/França)
- Staff Benda Bilili (Congo-Kinshasa)

Tenda off-womex
- Gong Myoung (Coreia do Sul)
- Meddy Gerville (Ilha Reunião)
- Sofia Jannok (Suécia / Lapónia)

Sexta-feira, dia 31

showcases diúrnos (FIBES)
- Jouhiorkesteri (Finlândia)
- Ólöf Arnalds (Islândia)

showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- Aurelio Martinez (Honduras)
- Camané (na foto de Augusto Brázio)
- David Walters (França)
- DJ Ishtar (Irão/Holanda)
- LA-33 (Colômbia)
- Magnifico (Eslovénia)
- Mike Marshall & Darol Anger with Väsen (EUA/Suécia)
- Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka (Argentina/Brasil)
- Suzanna Owiyo (Quénia)
- Tumi and the Volume (África do Sul/Moçambique)

Tenda off-womex
- Dorantes (Espanha)
- Mastretta (Espanha)
- Peret (Espanha)

Sábado, dia 1 de Novembro

showcases diúrnos (FIBES)
- Beats in the Heart of Orient (Irão/Índia/Grécia/França)
- Salamat Sadikova (Quirziguistão)

showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)
- Astillero (Argentina)
- Bako Dagnon (Mali)
- Bedouin Jerry Can Band (Egipto)
- Enzo Avitabile & I Bottari (Itália)
- Mo DJ (Mali)
- Sidestepper (Colômbia)
- Tomás de Perrate (Espanha)

Tenda off-womex
- Andreia Dias (Brasil)
- La Pupuña (Brasil)
- Mundo Livre S/A (Brasil)

Domingo, dia 2 de Novembro

showcases diúrno (FIBES)
- Vencedor do prémio WOMEX 08: Muzsikás (Hungria; na foto, com a cantora Mária Petrás)»

10 julho, 2008

FMM de Sines - Falta Uma Semana!


Falta apenas uma semana para o início dos concertos do 10º FMM de Sines (se bem que o festival comece um dia antes, com conferências no CAS). E, para recordar o programa, aqui «reposto» - isto da blogocoiso dá mesmo para inventar novas palavras! - o texto de apresentação do festival, publicado no R&A há dois meses, mas com as devidas adaptações motivadas pelas mais recentes alterações ao programa (a troca dos Kasai Allstars e dos Antibalas por Vinicio Capossela e o trio de Jean-Paul Bourelly). Entretanto, e para quem quiser ter contacto com imagens e sons de muitos grupos e artistas presentes este ano no FMM, o melhor é ir consultando diariamente o Juramento Sem Bandeira, que está a ficar com um acervo magnífico de vídeos dos artistas que vão passar por Sines.


«O maior evento na área da “world music” realizado em Portugal, o FMM Sines - Festival Músicas do Mundo comemora o seu 10.º aniversário com um programa de 10 dias de música e iniciativas paralelas. O pai do rock chinês, Cui Jian, a diva da música indiana, Asha Bhosle, e o grupo seminal do movimento hip hop, The Last Poets, são três destaques do programa de 40 concertos marcado para entre os dias 17 e 26 de Julho.


Repartido por quatro palcos, um na aldeia de Porto Covo (junto ao Porto de Pesca) e três na cidade de Sines (Castelo, Avenida Vasco da Gama e Centro de Artes), o festival 2008 apresenta um retrato sonoro do mundo no início do século com alguns dos mais destacados criadores musicais actualmente a trabalhar em África, Ásia, Américas, Europa e Médio Oriente.


ÁFRICA


De África, logo no primeiro dia, 17 de Julho, chega a estrela do ano no circuito “world music”. Originário do Mali, Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba acaba de vencer as categorias de melhor grupo africano e melhor disco do ano nos mais prestigiados prémios de “world music”, atribuídos pela BBC Radio 3.
Premiados pela BBC na categoria Cruzamento de Culturas -, Justin Adams & Juldeh Camara (Reino Unido / Gâmbia) incendeiam o FMM com o repertório do disco “Soul Science”.
Responsável por outro dos discos do ano, “Made in Dakar”, um dos grupos pioneiros da pop africana, Orchestra Baobab (Senegal), apresenta um espectáculo onde África e Cuba se encontram.
Mais próximo da tradição, Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África do Sul) traça um percurso pelas melhores músicas da África subsariana.
A cantautora maliana Rokia Traoré, uma das mais interessantes jovens artistas do continente, apresenta o seu novo disco “Tchamanché”, lançado em Maio.
Toto Bona Lokua (Antilhas Francesas / Camarões / R. D. Congo) junta os músicos Gerald Toto, Richard Bona e Lokua Kanza num espectáculo de grande requinte vocal e acústico.
A cantora Herminia, uma das pérolas da música cabo-verdiana, e o artista que deu dimensão global à música de Angola, Waldemar Bastos, representam os países africanos de expressão portuguesa.


ÁSIA


Cui Jian, uma das mais importantes figuras da música moderna chinesa, marca o programa asiático do festival. Grande responsável pela criação de uma cultura rock no país do Sol Nascente, Cui Jian faz em Sines a sua estreia em Portugal.
Também em estreia nacional no FMM estará Asha Bhosle. Diva maior da música de Bollywood, com um recorde de mais de 12 mil canções gravadas, é uma das figuras mais amadas pelo povo indiano e uma das grandes cantoras do mundo.
Do Paquistão, chega Asif Ali Khan & Party, com o canto hipnótico de um dos mestres da música “qâwwali”.


AMÉRICAS


Os EUA marcam em 2008 uma das presenças mais fortes de sempre no Festival Músicas do Mundo.
O grande destaque é The Last Poets (na foto), grupo de músicos poetas nascido no contexto das lutas pelos direitos civis dos anos 60 que está na origem da fundação do movimento hip hop.
Um dos grupos pioneiros do punk de fusão, Firewater, traz a Sines o repertório do seu novo disco, “The Golden Hour”, onde o rock entra em diálogo com as músicas do Oriente.
Depois de um longo período passado na África Ocidental, o quinteto instrumental Toubab Krewe dá uma reinterpretação rock às músicas da região.
Jean-Paul Bourelly é um dos melhores guitarristas de blues contemporâneos, com um som eléctrico e fortes aproximações ao funk e ao rock. Também cantor, Bourelly já trabalhou com músicos como Miles Davis, no álbum “Amandla”, e Vernon Reid, dos Living Colour. É precisamente desta banda pioneira do rock negro que chega Will Calhoun, eleito por várias revistas da especialidade o melhor baterista do mundo. A sua bateria poderosa tem dado coração rítmico a grandes nomes, do rapper Mos Def a B. B. King. Se Calhoun foi considerado o melhor baterista do mundo, Melvin Gibbs, terceiro elemento do grupo, foi eleito o melhor baixista. O seu baixo lendário tem um historial de quase 200 discos de diferentes géneros.
Ainda originária dos EUA, Hazmat Modine, uma das melhores bandas das Américas no ano que passou, inventa uma banda sonora global para a metrópole Nova Iorque.
Considerado um dos mais promissores poetas do Reino Unido, Anthony Joseph, natural da ilha caribenha de Trinidad, traz um espectáculo de “spoken word” com a sua The Spasm Band e o convidado americano Joe Bowie, ex-Defunkt.
A Tribute do Andy Palacio feat. Special Guests conta com músicos “garifuna” do Belize e das Honduras para um concerto de tributo a Andy Palacio, vencedor da categoria “Américas” nos últimos prémios da BBC, falecido no início deste ano.
Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México) cruza música “norteña” mexicana e música techno para uma noite de dança.
Do Brasil vem o forró de Silvério Pessoa e de Siba e a Fuloresta, dois projectos enquadrados na renovação da música do Nordeste.


EUROPA


O contingente português do FMM 2008 inclui o novo fado de A Naifa, a dupla instrumental Dead Combo, a cantora / compositora Danae (que faz em Sines a apresentação oficial do seu novo disco, “Cafuca”), e dois espectáculos com a marca FMM: o novo espectáculo audiovisual do quarteto de concertinas Danças Ocultas e o quinteto Mandrágora, que se deslocou à Bretanha para uma residência artística e apresenta os seus resultados em exclusivo neste festival.
A revelação da música galega, Marful, traz o espectáculo “Salón de Baile”, com fortes influências da América Latina. Também da Galiza, Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais trabalham a música festiva das tabernas e aldeias da região.
A zona do Mediterrâneo europeu é representada pelos marselheses Lo Còr de la Plana (na foto), que recuperam a música polifónica da Occitânia, e pelo novo espectáculo do italiano Enzo Avitabile, com os percussionistas tradicionais Bottari.
Do Reino Unido chegam Rachel Unthank & The Winterset, vencedores do Horizon Award atribuído pela BBC Radio 3, que os consagra como um dos grupos mais importantes da folk britânica.
Revelação da folk independente, o grupo de americanos radicados em França Moriarty mostra em Sines o repertório do disco “Gee Whiz, but this a Lonesome Town” (2007).
A checa Iva Bittová, uma das figuras mais originais da vanguarda contemporânea, dá em Sines um concerto a solo, apenas com a força da sua voz e do seu violino.
Moskow Art Trio (Rússia / Noruega) é um laboratório de jazz, folclore e música clássica.
A “big band” belga Flat Earth Society junta-se ao mago finlandês Jimi Tenor para um espectáculo imprevisível em que o jazz é apenas um de mil ingredientes.
KTU, o projecto constituído pelo acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen e dois ex-membros da banda de rock progressivo King Crimson, está em Sines com disco novo na forja.
Com núcleo na Suíça, o quarteto Doran – Stucky – Studer – Tacuma pega no legado de Jimi Hendrix e constrói uma “jam session” poderosa.
Nascido na Alemanha, em 1965, mas residente em Milão desde muito cedo, Vinicio Capossela é, desde 1990, quando lançou o disco de estreia "All'Una E Trentacinque Circa", um cantautor de referência, comparado a Paolo Conte e Tom Waits pela voz rouca, pelo "pathos" criativo e pela capacidade comovente de nos fazer encontrar com a verdade do lado menos luminoso da experiência humana.



MÉDIO ORIENTE


O Médio Oriente é em 2008 representando por dois projectos israelitas.
Koby Israelite, compositor e acordeonista israelita radicado no Reino Unido, mostra como a sua fusão de jazz com klezmer e música cigana se destaca no novo catálogo da editora Tzadik.
Com ambientes Kusturica e Tarantino, a banda de “surf rock” Boom Pam dá o último concerto do FMM.


INICIATIVAS PARALELAS


O programa do festival prolonga-se num conjunto de iniciativas paralelas, que incluem ateliês para crianças e adolescentes ministrados por artistas do festival, workshops e conversas com artistas, um ciclo de cinema dedicado ao tema das migrações, “jam sessions” e DJing.
Nos dois dias anteriores ao início do festival (15 e 16 de Julho), realiza-se o seminário “A Barreira do Som: Música, Cultura e Nação”, organizado em conjunto pela Câmara Municipal de Sines e pelo INET - Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. Com coordenação científica de Manuel Deniz Silva, constituirá um momento de reflexão sobre o fenómeno da “world music” e sobre as identidades musicais no contexto do mundo globalizado.
Considerado um dos eventos musicais de referência realizados em Portugal, o Festival Músicas do Mundo recebeu, desde a sua criação em 1999, mais de 120 concertos e um total estimado de 240 mil espectadores. É uma organização da Câmara Municipal de Sines».

E ainda há cinema: «Ciclo de cinema documental: Migrações. As migrações e o modo como estão a alterar a geografia política, cultural e económica do mundo são o tema do ciclo de cinema do FMM 2008. Centro de Artes de Sines, 23, 24, 25 e 26 de Julho. Sessões às 16h00. Num tempo de circulação de informação, sons, imagens, pessoas e
coisas, o ciclo de cinema do FMM pegará este ano na ideia de migração, viagem, circulação, contaminação de formas de produzir, ver e ouvir discursos e linguagens. No ano em que o FMM cumpre dez anos olhamos para discursos de fusão, confrontos de realidades geográfica e culturalmente distintas, que deram origem a novas formas de falar. Não se restringindo a filmes que colocam a música no centro da sua
atenção, o ciclo abordará este tema de diferentes formas, com aproximações políticas, culturais e económicas. Depois do sucesso da última edição – dedicada ao tema "Música e Trabalho" – espera-se que as sessões de cinema deste 2008 tragam mais gente e mais discussão ao FMM, num ciclo que pretende crescer e melhorar ao longo dos anos».


ALINHAMENTO COMPLETO

Quinta-feira, 17 de Julho


Siba e a Fuloresta (Brasil), 19h00, Ruas do CAS

Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali), 22h00, Auditório do CAS

Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais (Galiza), 00h00, Ruas do CAS


Sexta-feira, 18 de Julho


A Naifa (Portugal), 21h30, Porto Covo

Herminia (Cabo Verde), 23h00, Porto Covo

Hazmat Modine (EUA), 00h30, Porto Covo


Sábado, 19 de Julho


Flat Earth Society meets Jimi Tenor (Bélgica/Finlândia), 21h30, Porto Covo

The Last Poets (EUA), 23h00, Porto Covo

Enzo Avitabile & Bottari (Itália), 00h30, Porto Covo


Domingo, 20 de Julho


Danças Ocultas (Portugal), 21h30, Porto Covo

Asha Bhosle (Índia), 23h00, Porto Covo

A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize/Honduras), 00h30, Porto Covo


Segunda-feira, 21 de Julho


Moscow Art Trio (Rússia/Noruega), 22h00, Auditório do CAS

Lo Còr de la Plana (Occitânia), 23h30, Auditório do CAS

Danae (Portugal), 01h00, Ruas do CAS


Terça-feira, 22 de Julho


Iva Bittová (República Checa), 22h00, Auditório do CAS

Moriarty (EUA/França), 23h30, Auditório do CAS

Dead Combo (Portugal), 01h00, Ruas do CAS


Quarta-feira, 23 de Julho


Waldemar Bastos (Angola), 21h30, Castelo

Vinicio Capossela (Itália), 23h00, Castelo

Justin Adams & Juldeh Camara (Reino Unido/Gâmbia), 23h00, Castelo

Anthony Joseph & The Spasm Band feat. Joe Bowie (Trinidad/R. Unido/Estados Unidos), 02h30, Av. Praia


Quinta-feira, 24 de Julho


Mandrágora & Special Guests (Portugal/Bretanha), 19h30, Av. Praia

Marful “Salón de Baile” (Galiza), 21h30, Castelo

Toto Bona Lokua (Antilhas Fr./Camarões/Congo), 23h00, Castelo

Orchestra Baobab (Senegal), 00h30, Castelo

Silvério Pessoa (Brasil), 02h15, Av. Praia

Toubab Krewe (EUA), 03h45, Av. Praia


Sexta-feira, 25 de Julho


Rachel Unthank & The Winterset (Reino Unido), 19h30, Av. Praia

Asif Ali Khan & Party (Paquistão), 21h30, Castelo

KTU (Finlândia/EUA), 23h00, Castelo

Cui Jian (China), 00h30, Castelo

Firewater (EUA), 02h15, Av. Praia

Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México), 03h45, Av. Praia


Sábado, 26 de Julho


The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África Sul), 19h30, Av. Praia

Koby Israelite (Israel/Reino Unido), 21h30, Castelo

Rokia Traoré (Mali/França), 23h00, Castelo

Doran - Stucky - Studer - Tacuma (Irlanda/Suíça/EUA), 00h30, Castelo

Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun (EUA), 02h30, Av.Praia

Boom Pam (Israel), 04h00, Av. Praia

Bailarico Sofisticado convida António Pires (Portugal), 06h00, Av. da Praia

INICIATIVAS PARALELAS

16 de Julho
Sines - Centro de Artes
A Barreira do Som: Seminário "Música, Cultura e Nação"

De 19 de Julho a 20 Setembro:
Sines - Centro de Artes
Exposição "Transurbana" de Luís Campos

De 23 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Ciclo de Cinema Documental "Migrações"

De 24 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Ateliês Para Crianças

De 24 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Conversas Com Artistas

De 23 a 26 de Julho
Sines - Escola das Artes
Masterclasses


Mais informações, aqui.

12 abril, 2008

Garifuna Collective e A Naifa no FMM de Sines


O Garifuna Collective - grupo que acompanhava o recentemente falecido Andy Palacio (na foto; de Tony Rath) - está confirmado para a edição deste ano do FMM de Sines, segundo um «press-release» do festival que refere os premiados dos BBC World Music Awards que constam do alinhamento do festival em 2008: «Três projectos musicais programados para o Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines e Porto Covo entre 17 e 26 de Julho, venceram as suas categorias na edição 2008 dos Prémios de World Music da BBC Radio 3. Os prémios, anunciados dia 11 de Abril, coroaram Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (Mali) como melhor grupo africano, Juldeh Camara & Justin Adams (Gâmbia / Reino Unido) como melhor projecto de Cruzamento de Culturas e Andy Palacio and The Garifuna Collective (Belize) como o melhor grupo do continente americano. A vitória africana de Bassekou Kouyate acumula com o prémio de melhor disco de 2007 ("Segu Blue"), que já tinha sido anunciado no final do ano passado. Dia 17 de Julho, este antigo músico de Ali Farka Touré sobe ao palco com o seu quarteto de "ngoni" (tipo de alaúde africano) para um espectáculo de "blues" malianos assente no seu disco premiado. Juldeh Camara, vocalista e mestre do "riti", violino de uma corda tocado por toda a África Ocidental, e Justin Adams, guitarrista de Robert Plant e produtor de três discos dos Tinariwen, estão em Sines dia 23 de Julho com outro dos melhores discos de fusão do ano, "Soul Science". Andy Palacio, uma das grandes apostas para a programação do FMM 2008, faleceu inesperadamente em Janeiro, mas a sua música e a sua memória não deixarão de estar em Sines, dia 20 de Julho, através da sua banda, The Garifuna Collective, que organizou um espectáculo de tributo ao excepcional músico do Belize».

Outro nome confirmado para o FMM de Sines é o grupo português A Naifa, que está a lançar agora o seu terceiro álbum, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal». O quarteto actua em Porto Covo, no dia 18 de Julho.

10 abril, 2008

Mayra Andrade Vence Prémio Revelação da BBC Radio 3


Mas que bela notícia!!! A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade é a vencedora do mais recente Prémio Revelação de World Music da BBC Radio 3, levando de vencida os outros nomeados, todos de grande gabarito e todos eles também já várias vezes referidos neste blog: Balkan Beat Box, Bassekou Kouyate & Ngoni Ba e Vieux Farka Touré. O prémio deve-se, claro, ao seu álbum de estreia «Navega» mas também, sem dúvida, aos seus concertos memoráveis que, nos últimos anos, têm passado pelos melhores palcos e festivais de world music. A notícia da agência Lusa que - antecipando-se à «revelação» oficial - avança a vitória de Mayra Andrade nesta categoria dos «World Music Awards» inclui ainda uma breve biografia de Mayra Andrade que transcrevo a seguir:

«O seu álbum de estreia, "Navega", foi distinguido em 2007 com o Deutscheschalplatten pela crítica alemã. Mayra iniciou a sua carreira aos 16 anos no Canadá, quando ganhou a Medalha de Ouro nos Jogos da Francofonia. Filha de cabo-verdianos, nascida em Cuba, Mayra já partilhou palcos com cantores como Cesária Évora, Chico Buarque, Caetano Veloso, Ernesto Puentes e ainda Charles Aznavour, com quem gravou um duo para o seu disco "Insolitement Votre". Mayra Andrade, 22 anos, considera que faz "parte de um leque de artistas que tem dado à música cabo-verdiana oportunidade de renovar e conquistar novos horizontes".

Adenda: «Segu Blue», o álbum de estreia de Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (ver igualmente crítica neste blog), ganhou o prémio de «Melhor Álbum», enquanto o seu autor ganhou também o prémio de «Melhor Artista da África Sub-Sahariana». Outros artistas vencedores: a chinesa Sa Dingding («Melhor Artista da Ásia/Pacífico»), o recentemente falecido Andy Palacio com o Garifuna Collective («Melhor Artista das Américas»), os espanhóis Son de La Frontera («Melhor Grupo da Europa»), o argelino Rachid Taha («Melhor Artista do Norte de África»), o duo de Justin Adams e Juldeh Camara («Cruzamento de Culturas»), os Transglobal Underground («Dança Global») e Francis Falceto - o compilador da série de discos «Éthiopiques» («World Shaker»).

04 março, 2008

Bassekou Kouyate, KTU e Justin Adams & Juldeh Camara no FMM de Sines


À medida que os dias passam, mais e mais nomes vão chegando para encher - e bem! - o cartaz da 10ª edição do FMM de Sines. Desta vez, e via Crónicas da Terra e Juramento Sem Bandeira chegam-nos mais três nomes de peso para o alinhamento final: o maliano Bassekou Kouyate (na foto, de Manfred Schweda), o extraordinário intérprete de n'goni que acompanhou Ali Farka Touré, fez parte da Symmetric Orchestra de Toumani Diabaté e editou o ano passado o álbum, com o seu grupo Ngoni Ba, «Segu Blue» (ver crítica ao disco, no Raízes e Antenas, aqui); o regresso dos KTU, incendiário projecto do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen acompanhado pela secção rítmica dos King Crimson (o baixista Trey Gunn e o baterista Pat Mastelotto); e a estreia em Portugal do duo de Justin Adams (guitarrista que já colaborou, ou ainda colabora, com Brian Eno, Jah Wobble, Natacha Atlas, Tinariwen, Sinéad O'Connor, Robert Plant...) com Juldeh Camara, um griot da Gâmbia que canta e toca o violino de uma corda só ritti, ambos acompanhados pelo percussionista Salah Dawson Miller, que fez parte dos míticos 3 Mustaphas 3. Datas das actuações: Bassekou Kouyate a 17 de Julho (em Porto Covo); Justin Adams & Juldeh Camara a 23 de Julho; KTU a 25 de Julho.

27 junho, 2007

África Festival (ou Lisboa na Cidade Negra*)



O África Festival começa amanhã, dia 28, na Torre de Belém, em Lisboa, com concertos de Mayra Andrade e dos Músicos do Nilo. E espero - do fundo do coração! - que comece bem e assim continue, tanto na sua «base» mais visível em Belém como na sua extensão ao Cinema S.Jorge, na primeira semana de Julho. Tive o prazer de colaborar com a organizadora do festival, Paula Nascimento, escrevendo um texto sobre música africana que ocupa as páginas centrais do jornal que vai ser distribuído no África Festival; o que muito me honrou. Uma colaboração que vai ter o seu epílogo no debate de encerramento do festival, dia 8 de Julho, depois da exibição do filme «Lusofonia, A (R)evolução». A todas as pessoas envolvidas no África Festival mas, principalmente, à Paula Nascimento - cujo profissionalismo, visão, empenho e paixão por esta causa são exemplares - deixo um grande obrigado, um «até já» e a recuperação de um texto publicado neste blog há alguns tempos:

O bolo principal do África Festival, que decorre no relvado junto à Torre de Belém, em Lisboa, já é conhecido mas fica aqui recordado: Mayra Andrade (Cabo Verde) e Músicos do Nilo (Egipto) no dia 28 Junho; Paulo Flores (Angola) e Bassekou Kouyaté (Mali) no dia 29; e Sally Nyolo (Camarões; na foto) e Baaba Maal (Senegal) no dia 30. Mas o Festival inclui ainda outros concertos de bastante interesse e muito cinema, na sua extensão ao Cinema S.Jorge, também em Lisboa, de 1 a 8 de Julho. Da programação de concertos faz parte um espectáculo de apresentação do novo álbum de Nancy Vieira (dia 2 de Julho); o novo projecto do músico, compositor e construtor de instrumentos Victor Gama «FWD: Utopia» (4 de Julho); do fabuloso grupo de tuaregues do malianos Tinariwen, que recentemente editou o álbum «Aman Iman», cuja crítica pode ser encontrada um pouco mais abaixo neste blog (dia 5 de Julho); e de um novo projecto em que Kalaf convida músicos angolanos e de outros países, Ecos da Banda (dia 7 de Julho); para além das Kizomba Sessions (um concurso de kizomba que decorre de 3 a 6 de Julho, seguido de um workshop de kizomba por Avelino Chantre, a 7).

Também no S.Jorge é apresentada, nestes dias, uma variadíssima programação de cinema, «Sons e Visões de África», que inclui os filmes «Bamako», de Abderrahmane Sissako (dia 3); «Bajove Dokotela - The Philip Tabane Story», de Khalo Matabane e Dumisani Phakathi, «Being Pavarotti», de Odette Geldenhuys, e «Amandla!», de Lee Hirsch (dia 4); «Le Miel N'Est Jamais Bon Dans Une Seule Bouche - Ali Farka Touré», de Marc Huraux, e «Teshumara - Les Guitares de La Rébellion Touareg», de Jérémie Reichenbach (dia 5); «Ishumars, Les Rockers Oubliés du Désert», de François Bergeron, e «Sierra Leone's Refugee All Stars», de Zach Niles e Banker White (dia 6); «Marrabentando, ou As Histórias Que a Minha Guitarra Canta», de Karen Boswell, «Muxima», de Alfredo Jaar, e «Mãe Ju», de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves (dia 7); «Calado Não Dá», de João Nicolau, «Mais Alma», de Catarina Alves Costa, «Batuque, A Alma de Um Povo», de Júlio Silvão Tavares, e «Lusofonia, A (R)evolução», da Red Bull Music Academy (dia 8).

*«Lisboa na Cidade Negra» é o título de um maravilhoso livro de Jean-Yves Loude, recentemente editado pela Dom Quixote; mote para uma visita guiada pelo autor pela África que há em Lisboa, dia 1 de Julho. O lançamento oficial do livro decorre no S.Jorge, um dia depois.

24 abril, 2007

Tinariwen, Victor Gama, Kalaf e Cinema - Também no África Festival



O bolo principal do África Festival, que decorre no relvado junto à Torre de Belém, em Lisboa, já é conhecido mas fica aqui recordado: Mayra Andrade e Músicos do Nilo no dia 28 Junho; Paulo Flores e Bassekou Kouyaté no dia 29; e Sally Nyolo e Baaba Maal no dia 30. Mas o Festival inclui ainda outros concertos de bastante interesse e muito cinema, na sua extensão ao Cinema S.Jorge, também em Lisboa, de 1 a 8 de Julho. Da programação de concertos faz parte o novo projecto do músico, compositor e construtor de instrumentos Victor Gama «FWD: Utopia» (4 de Julho); do fabuloso grupo de tuaregues do malianos Tinariwen, que recentemente editou o álbum «Aman Iman», cuja crítica pode ser encontrada um pouco mais abaixo neste blog (dia 5 de Julho); e de um novo projecto em que Kalaf (na foto) convida músicos angolanos e de outros países, Ecos da Banda (dia 7 de Julho); para além das Kizomba Sessions (um concurso de kizomba que decorre de 3 a 6 de Julho, seguido de um workshop de kizomba por Avelino Chantre, a 7).

Também no S.Jorge é apresentada, nestes dias, uma variadíssima programação de cinema, «Sons e Visões de África», que inclui os filmes «Bamako», de Abderrahmane Sissako (dia 3); «Bajove Dokotela - The Philip Tabane Story», de Khalo Matabane e Dumisani Phakathi, «Being Pavarotti», de Odette Geldenhuys, e «Amandla!», de Lee Hirsch (dia 4); «Le Miel N'Est Jamais Bon Dans Une Seule Bouche - Ali Farka Touré», de Marc Huraux, e «Teshumara - Les Guitares de La Rébellion Touareg», de Jérémie Reichenbach (dia 5); «Ishumars, Les Rockers Oubliés du Désert», de François Bergeron, e «Sierra Leone's Refugee All Stars», de Zach Niles e Banker White (dia 6); «Marrabentando, ou As Histórias Que a Minha Guitarra Canta», de Karen Boswell, «Muxima», de Alfredo Jaar, e «Mãe Ju», de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves (dia 7); «Calado Não Dá», de João Nicolau, «Mais Alma», de Catarina Alves Costa, «Batuque, A Alma de Um Povo», de Júlio Silvão Tavares, e «Lusofonia, A (R)evolução», da Red Bull Music Academy (dia 8). Também integrado na programação do África Festival está o lançamento do livro «Lisboa na Cidade Negra», de Jean-Yves Loude.

13 abril, 2007

Tinariwen e Bassekou Kouyate - O Mali em Guitarras Eléctricas e N'gonis



Do riquíssimo alfobre que é a cena musical do Mali, os primeiros nomes que nos vêm à memória são os de Ali Farka Touré, Toumani Diabaté, Salif Keita, Afel Bocoum, Oumou Sangaré, Issa Bagayogo, Amadou & Mariam, Boubacar Traoré, Tartit, Rokia Traoré... De um não mais acabar de nomes e estilos diferentes. Mas, desde há alguns anos, outro nome está a impor-se como fundamental e diferente nesse cacharolete, o dos tuaregues Tinariwen (na foto). E, agora, um outro nome em crescimento imparável, o do mestre do n'goni Bassekou Kouyate.

TINARIWEN
«AMAN IMAN»
Independiente/Megamúsica

Os primeiros trabalhos discográficos dos Tinariwen chegados à ribalta internacional, «The Radio Tisdas Sessions» e «Amassakoul», mostravam já, claramente, as potencialidades destes tuaregues armados de guitarras eléctricas e da sua música feita de gnawa, de música árabe, da tradição própria (tuaregue) e de outras músicas apanhadas em rádios a pilhas: os blues, o rock psicadélico, o rock ácido da Costa Oeste dos Estados Unidos dos anos 60. Mas nenhum deles tinha o fulgor, a chama, a verdade que está presente no novo álbum «Aman Iman» (que tem como sub-título revelador «Water Is Life»). Em «Aman Iman», os Tinariwen fazem uma música muito mais verdadeira, directa, activa, «in your face», e dão-nos uma lição de música sem fronteiras nem grilhetas nem auto-censura de espécie nenhuma. «Aman Iman» é um álbum que se ouve do princípio (o tema de abertura, «Cler Achel», é o resumo perfeito de tudo o que vem depois e parece uma jam de Jimi Hendrix com os Jefferson Airplane se todos eles tivessem nascido no Sahara, com Grace Slick incluída) ao fim (o tema de fecho, «Nak Assarhagh», é uma balada mágica e hipnótica, belíssima) sempre com um sorriso nos lábios, uma ginga em partes secretas do corpo e um tremor constante na alma, como se esta música nova, novíssima, fosse já uma nossa velha conhecida. «Aman Iman» é um álbum de rock? Seria, se o rock ainda fosse isto: aquilo por que vale ainda a pena viver e... viver fazendo disso uma forma de arte. (10/10)


BASSEKOU KOUYATE & NGONI BA
«SEGU BLUE»
Out Here Records

É tão estranho, este disco! Estranho porque há ali sons, sonoridades, sentimentos, estímulos, que nos parecem tão distantes (de onde vêm aquelas cordas todas?, e de onde vem aquela voz feminina inesperada, a de Amy Sacko, a mulher de Bassekou Kouyate?)... Porque vêm de algo distante, desconhecido, estrangeiro a todos nós, os que estamos habituados a ouvir a música do Mali feita por Ali Farka Touré (o nosso tio, amado tio, falecido mas presente tio, que nos reconciliou com os blues, o fado, a morna, com uma raiz qualquer que nos une a todos de uma maneira que ninguém sabe explicar muito bem qual é)... mas que vem, em Bassekou Kouyate e na sua banda de n'gonis, com um eco de reconhecimento - sim, apesar da distância e da estranheza - aqui tão próximo, quase linear na sua, nesta, proximidade. Ouvimos «Segu Blue» e estamos a ouvir o álbum «Cavaquinho» de Júlio Pereira, ou um fado qualquer de vez em quando, ou alguma coisa gravada no nordeste do Brasil (com cordas lá dentro) ou um banjo tocado por Earl Eugene Scruggs ou uma (espanto!)... tuna de Castelo Branco dos anos 70 (não universitária, portanto) feita de mil cordas e mil sentimentos e mil sons. O n'goni - também chamado gaaci ou ganbare - tem apenas três ou quatro cordas (consoante a região de onde é originário) e sublinha as narrativas de amor e de guerra nas mãos dos griots. E o xamane Bassekou Kouyate, companheiro de Ali Farka em «Savane» e de Diabaté na Symmetric Orchestra, transporta-nos a uma outra dimensão, esta, sempre tão distante e tão próxima de nós... E é nela que queremos estar. (8/10)

05 abril, 2007

Mayra Andrade, Baaba Maal, Bassekou Kouyate - No África Festival



Vem aí mais um grande África Festival, desta vez marcado para o fim-de-semana de 28, 29 e 30 de Junho, na Torre de Belém, em Lisboa. Depois de em edições anteriores nos ter dado concertos de, entre outros, Ali Farka Touré, Zap Mama, Tiken Jah Fakoly, Stella Chiweshe e Bonga, o África Festival traz desta vez espectáculos, no primeiro dia, da extraordinária nova cantora cabo-verdiana Mayra Andrade (que editou o ano passado o álbum de estreia «Navega») e da arte ancestral e hipnótica dos egípcios Músicos do Nilo. No segundo dia há lugar para a música angolana modernizada de Paulo Flores (que há poucos meses teve um álbum editado pela Frikyiwa de Frédéric Galliano) e para uma revelação da música maliana: o mestre do n'goni Bassekou Kouyate, companheiro de aventuras com Toumani Diabaté e o saudoso Ali Farka Touré, agora a lançar-se a solo com o seu grupo Ngoni Ba. Na terceira noite a cantora camaronesa Sally Nyolo apresenta-se com o seu novo projecto, Sally Nyolo & the Original Bands of Yaoundé, que deu origem ao álbum «Studio Cameroon», antes de subir ao palco o fabuloso cantor, guitarrista, percussionista e compositor senegalês Baaba Maal (na foto, de Adrian Boot), um dos mais talentosos fusionistas da música africana com sonoridades mais ocidentais. De referir que de 2 a 8 de Julho o África Festival - uma organização da EGEAC/Câmara Municipal de Lisboa - terá uma extensão, cuja programação ainda não está fechada, no Cinema S.Jorge.

06 junho, 2006

Ali Farka Touré - À Espera de «Savane»


Enquanto não é editado o novo álbum de Ali Farka Touré, «Savane», recordam-se aqui alguns textos sobre este génio maliano recentemente falecido... O obituário a propósito da sua morte e a reportagem do África Festival do ano passado, em Lisboa, em que Touré foi o indiscutível cabeça-de-cartaz.


ALI FARKA TOURÉ (1939 – 2006)
(originalmente publicado em Março deste ano)

Ali Farka Touré, o genial músico que mostrou os «elos perdidos» entre a música sub-sahariana e os blues, morreu a semana passada. Mas o seu legado musical - e humano – permanecerá para sempre.

O músico e cantor maliano Ali Farka Touré morreu no dia 7 de Março, enquanto dormia, vítima de um cancro nos ossos de que já padecia quando fez a sua última digressão europeia, o ano passado, e que o trouxe a Lisboa para um memorável concerto em Monsanto. Nesse concerto, Ali Farka tocou para cerca de 10 mil pessoas em transe, em encantamento (no sentido mágico da palavra) permanente perante a música deste senhor que sabia que a sua música era uma forma de expressão muito antiga mesmo quando se socorria de uma guitarra eléctrica para a fazer. Ali Farka sabia-o e demonstrava-o na sua música e dizia-o nas raras entrevistas que dava (inclusive no episódio da série documental dedicada aos blues dirigida por Martin Scorsese): os blues norte-americanos (e por arrasto, o rock e muitas das formas «modernas» de música anglo-saxónica) tinham a sua origem ali, na parte de baixo do deserto do Sahara, nas margens do Rio Niger, onde África começa a ser negra. Ali, nas regiões do Império Mandinga onde os negreiros iam buscar os escravos que levavam para as Américas (do Norte e do Sul), indo com eles a sua música que depois se transformou em muitas músicas (os blues nos Estados Unidos e formas musicais sul e centro-americanas noutros países).

Nesse concerto em Monsanto, Ali Farka teve como convidado especial Toumani Diabaté, o mais respeitado instrumentista de kora do Mali, com quem Ali gravou em dueto o último álbum editado em vida, «In The Heart of The Moon» (recentemente premiado com um Grammy, o segundo da carreira de Ali Farka, depois de «Talking Timbuktu»). Para 2006 está prevista a edição de um novo álbum, gravado durante as mesmas sessões de «In The Heart of The Moon», mas com Ali Farka a ser acompanhado por dois tocadores de n’goni (pequena guitarra de madeira com 3 ou 4 cordas). Para trás ficou uma riquíssima discografia, parte dela editada apenas no Mali nos anos 70 e inícios dos anos 80. O reconhecimento internacional chega em meados dos anos 80, com a edição, através da World Circuit, de «Ali Farka Touré» (1987), a que se seguiram «The River» (1990), «The Source» (1992), «Talking Timbuktu» (1994; ao lado de Ry Cooder), «Radio Mali» (1996; que compilava gravações dos anos 70), «Niafunké» (1999), «Red & Green» (2004; recuperando dois álbuns, conhecidos como «Red» e «Green» devido à cor das suas capas, editados originalmente apenas no Mali) e «In The Heart of The Moon» (2005).

Ali Ibrahim Touré nasceu em 1939 (não se sabe ao certo o dia de nascimento), na aldeia maliana de Kanau, tendo sido o único sobrevivente de uma família de dez irmãos. Talvez por isso, os seus pais deram-lhe a alcunha de Farka, que significa «Burro» (e que na tradição do povo Arma, de que Ali era originário, significa «um animal forte e tenaz»). De religião muçulmana (religião que praticou durante toda a sua vida), Ali passou por bastantes dificuldades durante a infância e juventude. Perdeu o pai ainda criança e lançou-se à vida: foi mecânico, condutor de táxis e de ambulâncias. Mas a música surge-lhe como uma necessidade maior no início dos anos 60. Fez parte de várias bandas, foi artista residente na Rádio Mali, começou então a perceber os laços óbvios que uniam a música da sua região com a música norte-americanma que admirava (de John Lee Hooker a James Brown). E, mais importante ainda, sempre se assumiu como um cidadão e artista que, apesar de Arma, respeitava e amava as outras tribos e culturas do Mali. Ali Farka cantava em songhai, peul, bambara, fula, tamaschek e outras línguas da região. Essa abertura permitiu-lhe ser um dos artistas que contribuiu para a reconciliação nacional no Mali depois da mais recente revolta dos tuaregues. Um bom exemplo dessa reconciliação é o Festival no Deserto, que se realiza desde há alguns anos em Niafunké (e onde participam músicos de variadíssimas etnias malianas, para além de «habitués» como Robert Plant ou os franceses Lo’Jo, co-organizadores do festival), a localidade em que Ali Farka viveu durante muitos anos e cuja agricultura ajudou a desenvolver mercê de modernos sistemas de rega que implantou com o dinheiro que ganhava com a música. Ali Farka foi, nos últimos anos, presidente da câmara de Niafunké (facto «celebrado» no tema «Monsieur Le Maire de Niafunké», de «In The Heart of The Moon»).


COMO UMA RELVA QUE ONDULA
(publicado originalmente em Julho de 2005)

África Festival. Anfiteatro Keil do Amaral (Lisboa), 21 a 24 de Julho.

Vê-se a ponte sobre o Tejo, uma Lua enorme, aviões que passam de minuto em minuto ali mesmo em cima. E há 10 mil pessoas (talvez mais) a ondular à frente do palco. Lentamente, em movimentos vagamente circulares - de transe -, muitas de olhos fechados, algumas de mãos abertas, e todas de coração liberto por uma alegria ou uma fé ou uma revelação qualquer. Mas não estamos no Estádio do Restelo durante o encontro anual de uma seita religiosa. Estamos um bocadinho mais acima, em Monsanto, num belíssimo anfiteatro feito de relva e madeira e água e árvores, e ali à nossa frente está Ali Farka Touré, a sua voz e a sua guitarra eléctrica que convocam os espíritos dos músicos mandingas, dos músicos gnawa, dos vizinhos de ali à volta e dos outros, os primos que nos Estados Unidos criaram (ou recriaram) os blues. Ali Farka já está acima da música... está numa esfera diferente, em que a aura, o carisma, o encanto (e como ele está também encantado connosco!) fazem dele, mais do que um músico, um anjo. E um anjo amigo, que se apaga para deixar brilhar Bassekou Kouyaté em ngoni (pequena «guitarra» de duas cordas) e o convidado especial, na segunda «secção» do concerto, Toumani Diabaté, na kora (a harpa dos países mandingas) – e a repetição do tema «Gomni», uma sem e outra com Toumani, serviu para fazer perceber como a mesma canção pode ter formas tão diferentes (e ambas belíssimas). Aquilo a que estas 10 mil pessoas assistiram não foi na realidade um concerto, mas uma celebração religiosa. No final, Ali toca njarka (um «violino» só com uma corda) e diz que este instrumento foi o seu professor (foi da corda única da njarka que passou para as seis da guitarra).

Ali Farka Touré mereceu o «título» de cabeça-de-cartaz do África Festival, mas todos os outros estiveram também em bom nível. E sempre com muita gente a assistir. Manecas Costa mostrou a sua mestria na voz e guitarras, fazendo um concerto mais festivo do que alguns anteriores, com o n’gumbé guineense a sair muito bem servido (ai as bailarinas!!); e as Zap Mama mostraram que estão mais disco, mais funk, mais soul, até mais hip-hop (com um MC/DJ incendiário) e mais Broadway, embora as riquíssimas harmonias vocais das senhoras (e da filha de Marie, agora também integrada no grupo) ainda brilhem de vez em quando (como no encore). Os moçambicanos Mabulu mostraram que é possível fundir bem o antigo (a marrabenta) e o novo (o reggae, o dancehall, o hip-hop...) e fazer uma festa imensa com cada um dos ingredientes. Waldemar Bastos também animou as gentes, principalmente na segunda parte do seu espectáculo (depois do belíssimo coro de «Muxima») com sembas e «merengues» com «açúcar»; e o congolês Ray Lema foi um acólito de luxo (um Mozart-free vindo de África não se ouve todos os dias) no concerto conjunto com o brasileiro Chico César: nordeste brasileiro, jazz, África, reggae; festa sempre. E na última noite, Cabo Verde bem representado por Lura – que é um animal de palco (canta bem, dança bem...) e cruza com bom gosto funanás, coladeiras e batuque, sim, mas também mbalax e música brasileira – e por Tito Paris, acompanhado por banda, orquestra de câmara e secção de metais, um fantástico «wall of sound» a servir de base a temas como «Curti Bô Life», «Dança Ma Mi Criola» ou um sentido «Sodade» (no encore e em – segundo – dueto com o angolano Paulo Flores). A ondulação continua. E às vezes a relva pode crescer viçosa nas margens dos desertos ou no meio dos oceanos.