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06 junho, 2014

FMM de Sines - Todo o Festival!

Já está completo o cartaz do FMM de Sines deste ano. Mais em baixo seguem os horários. O comunicado: «Volta ao mundo em Sines e Porto Covo durante nove dias de música e artes O FMM Sines - Festival Músicas do Mundo, a maior celebração das músicas do mundo realizada em Portugal, volta a encher Sines de sons de todo o planeta entre 18 e 26 de julho. Será a 16.ª edição do festival, marcada pelo regresso do núcleo de Porto Covo, nos três primeiros dias, e por um programa intenso de concertos, animação de rua e iniciativas paralelas. Angélique Kidjo, Mulatu Astatke, Balkan Beat Box, Ibrahim Maalouf, Fatoumata Diawara & Roberto Fonseca, Kayhan Kalhor & Erdal Erzincan, Oliver Mtukudzi e Tigran (na foto) são alguns dos artistas em destaque. • Uma viagem pelo mundo em dezenas de espetáculos e atuações musicais Na programação de 2014 renova-se o pacto com o público, que desde 1999 parte para Sines à descoberta de música que nunca ouviu ou que raramente tem oportunidade de ouvir ao vivo. No atlas musical desta edição cabem espetáculos e atuações musicais de artistas de quatro continentes. O Irão, a Turquia, a Coreia do Sul, a Tanzânia, o Zimbabué, o Benim e São Tomé e Príncipe fazem a sua estreia no festival, elevando para uma centena o número de países e regiões que já passaram pelo mais aventureiro acontecimento musical português, sedeado no concelho portuário que viu nascer Vasco da Gama. • O ano do regresso de Porto Covo Nos locais de realização do festival, a principal notícia é o regresso do núcleo de Porto Covo, nos dias 18, 19 e 20 de julho, num palco montado no Largo Marquês de Pombal, uma das praças mais bonitas do Alentejo. • Palco da praia num passeio marítimo renovado e mais música em espaço público Outra diferença em relação às últimas edições vai ser notada no palco da praia, que terá este ano à sua disposição um passeio marítimo totalmente renovado, concluídas que estão as obras de requalificação da Av. Vasco da Gama. Também se reforça a presença do festival no espaço público, com mais animação de rua. • Angélique Kidjo e Mulatu Astatke à frente de forte delegação africana O festival de Sines sempre foi um palco especial para a divulgação das músicas de África. Em 2014, volta a sê-lo. Três figuras históricas da música do continente vão estar em Sines: a mais internacional estrela africana, Angélique Kidjo (Benim), a lenda do ethio-jazz Mulatu Astatke (Etiópia) e Oliver Mtukudzi, patriarca da música do Zimbabué. A cantautora maliana Fatoumata Diawara regressa ao festival num projeto com o pianista cubano Roberto Fonseca. Outro espetáculo africano a merecer grande expetativa é o dos tanzanianos Jagwa Music, que dão o concerto final no palco da praia. Também a não perder as presenças do guitarrista Teta (Madagáscar), da banda Mamar Kassey (Níger), e da dupla Debademba (Mali / Burkina Faso). • A festa global de Balkan Beat Box Formado por israelitas radicados em Nova Iorque, o grupo Balkan Beat Box ocupará um lugar de destaque na programação, cabendo-lhe encerrar o programa de concertos no Castelo. Esteticamente, situa-se na área das fusões de dança globais, onde também se enquadra a dupla sérvia de DJs ShazaLaKazoo, outro nome do alinhamento. • O jazz aberto de Tigran e Ibrahim Maalouf Dois dos músicos de jazz mais reconhecidos da atualidade vão marcar presença no festival. São ambos jovens e caracterizam-se por uma linguagem individual em que partem do jazz à conquista de novos territórios. São eles o pianista arménio Tigran, que volta a Sines com o seu trio, e o trompetista franco-libanês Ibrahim Maalouf, que aqui vem apresentar o seu disco “Illusions”. • A maior representação asiática de sempre Nunca o festival apresentou tanta e tão diversificada Ásia como em 2014. Da índia, chegam quatro espetáculos: Bachu Khan, cantor cigano do Rajastão, Jaipur Maharaja Brass Band, fanfarra também oriunda do Rajastão, o intérprete de sitar Niladri Kumar e o espetáculo ritual Mudiyett, inscrito no registo de Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. A Coreia do Sul é representada pela banda de pós-rock Jambinai e a China pelo grupo de folk-rock mongol Ajinai. • Médio Oriente para contemplar e dançar A representação asiática prolonga-se pelo Médio Oriente. Dois dos mais prestigiados músicos instrumentais desta zona do mundo atuam este ano no FMM: o iraniano Kayhan Kalhor e o turco Erdal Erzincan. Outro iraniano, o percussionista Mohammad Reza Mortazavi, também irá estar presente. Ainda na música instrumental, ouviremos o Istiklal Trio, grupo israelita com influências turcas. Das fusões envolvendo músicos e estilos do mundo árabe, haverá duas propostas para dançar: o espetáculo “Fuck the DJ” do franco-tunisino Smadj e a dupla de DJs franceses Acid Arab, fusão de eletrónica com música árabe. • Argentina e Colômbia maioritárias na delegação das Américas A Colômbia, um dos mercados musicais mais dinâmicos do momento, volta ao festival com Cimarrón, expoente da música “llanera”, e os psicadélicos Meridian Brothers. Da Argentina chegam duas vozes femininas: La Yegros e Soema Montenegro. Do México ouviremos o projeto de fusão de rock com poesia índia Arreola+Carballo. O saxofonista Colin Stetson, americano radicado no Canadá, e a cantautora Mélissa Laveaux, canadiana de ascendência haitiana, completam a lista de artistas das Américas. • Portugal do fado, do folclore, das fusões São sete os espetáculos de música portuguesa programados para esta edição do festival: Custódio Castelo & Shina, Zé Perdigão “Sons Ibéricos”, Galandum Galundaina, Ai!, Júlio Pereira, Gisela João e The Soaked Lamb. A estes sete juntam-se as diversas formações da Escola das Artes do Alentejo Litoral e outros grupos que atuam em espaço público ao longo do festival. • O regresso de uma lenda de S. Tomé e Príncipe O Conjunto África Negra foi o grande embaixador da música de S. Tomé e Príncipe nos anos que se seguiram à independência. Ausente de Portugal desde o final dos anos 80, faz o seu regresso no palco do FMM Sines. De outro país de língua portuguesa, Angola, chega Nástio Mosquito, jovem músico e artista visual. Selma Uamusse, cantora moçambicana radicada em Portugal, vem a Porto Covo estrear repertório do disco que está a gravar. Mó Kalamity, cabo-verdiana a residir em Paris desde criança, será a voz do reggae nesta edição do FMM. • Sons de uma Europa de cruzamentos A Europa, os seus artistas, os seus produtores, as suas editoras, atravessam toda a programação do festival. Além das já citadas, há mais quatro presenças europeias de nota. Duas delas partem da música tradicional da Bretanha: KrisMenn / AleM fundem-na com o hip hop e o Astrakan Project leva-a a viajar pelo Oriente. Karolina Cicha & Bart Palyga são os embaixadores da Podláquia, região multiétnica e multilinguística da Polónia. Jungle By Night é uma orquestra de jovens músicos holandeses renovadores do afrobeat. • Festival para além da música Além dos concertos em palcos e espaço público, o festival oferece um programa de iniciativas paralelas em torno da música e das artes. Haverá ateliês para crianças e bebés, oficinas, ciclo de cinema documental, conversas com escritores e artistas, feira do disco e do livro, sessões de contos, exposição e biodanza. Logo no primeiro dia do festival, realiza-se em Porto Covo uma conferência com Alessandro Portelli, sobre a música dos novos migrantes. Informação completa sobre iniciativas paralelas a divulgar brevemente. • Bilhetes para as noites no Castelo à venda Os bilhetes estão já à venda na plataforma BilheteiraOnline.pt (online e circuito nacional de lojas). Mais perto do festival estarão à venda nos locais habituais em Sines. O bilhete para cada dia de concertos noturnos no Castelo, entre 22 e 26 de julho, custa € 10, sendo o custo do passe de € 35 até 30 de junho e de € 40 euros após 30 de junho. Em Porto Covo, no palco da Avenida da Praia, no Pátio das Artes e no concerto da tarde no Castelo não se paga bilhete. O bilhete para o concerto de Colin Stetson no auditório do Centro de Artes custa 5 euros (venda exclusiva no Centro). • Transmissão de concertos via web Para quem não puder deslocar-se a Sines, em 2014 o FMM iniciará a transmissão de alguns concertos em direto e em diferido em modalidade de “streaming pay per view”. ALINHAMENTO DE ESPETÁCULOS PORTO COVO 18 de julho (sexta) 17h30: JAIPUR MAHARAJA BRASS BAND (Rajastão - Índia) @ Ruas de Porto Covo 19h00: CUSTÓDIO CASTELO & SHINA (Portugal / França) @ Largo Marquês de Pombal 21h45: KRISMENN / ALEM (Bretanha - França) @ Largo Marquês de Pombal 23h15: BACHU KHAN (Rajastão - Índia) @ Largo Marquês de Pombal 19 de julho (sábado) 18h00: JAIPUR MAHARAJA BRASS BAND (Rajastão - Índia) @ Ruas de Porto Covo 19h00: ISTIKLAL TRIO (Israel) @ Largo Marquês de Pombal 21h45: KAYHAN KALHOR & ERDAL ERZINCAN (Irão / Anatólia - Turquia) @ Largo Marquês de Pombal 23h15: TETA (Madagáscar) @ Largo Marquês de Pombal 20 de julho (domingo) 19h00: KAROLINA CICHA & BART PAŁYGA (Polónia - Podláquia) @ Largo Marquês de Pombal 21h30: SELMA UAMUSSE (Moçambique) @ Largo Marquês de Pombal 23h00: CIMARRÓN (Colômbia) @ Largo Marquês de Pombal SINES 21 de julho (segunda) 19h00: AI! (Portugal) @ Pátio das Artes 20h00: ASTRAKAN PROJECT (Bretanha - França) @ Pátio das Artes 22h00: COLIN STETSON (EUA / Canadá) @ Centro de Artes - Auditório * 23h30: MUDIYETT (Índia) @ Av. Vasco da Gama 22 de julho (terça) 19h00: ZÉ PERDIGÃO “SONS IBÉRICOS” (Portugal) @ Castelo 22h00: OLIVER MTUKUDZI & THE BLACK SPIRITS (Zimbabué) @ Castelo * 23h30: LA YEGROS (Argentina) @ Castelo * 01h00: DEBADEMBA (Burkina Faso / Mali) @ Castelo * 23 de julho (quarta) 19h00: ÁFRICA NEGRA (S. Tomé e Príncipe) @ Castelo 20h15: AJINAI (China) @ Av. Praia 21h45: IBRAHIM MAALOUF "ILLUSIONS" (Líbano / França) @ Castelo * 23h15: JAMBINAI (Coreia do Sul) @ Castelo * 00h45: MÉLISSA LAVEAUX (Canadá / Haiti) @ Castelo * 02h30: JUNGLE BY NIGHT (Holanda) @ Av. Praia 24 de julho (quinta) 19h00: GALANDUM GALUNDAINA (Portugal) @ Castelo 20h15: ARREOLA+CARBALLO (México) @ Av. Praia 21h45: MULATU ASTATKE (Etiópia) @ Castelo * 23h15: NÁSTIO MOSQUITO (Angola) @ Castelo * 00h45: MAMAR KASSEY (Níger) @ Castelo * 02h30: MERIDIAN BROTHERS (Colômbia) @ Av. Praia 04h00: NILADRI KUMAR (Índia) @ Av. Praia 25 de julho (sexta) 19h00: JÚLIO PEREIRA (Portugal) @ Castelo 20h15: MOHAMMAD REZA MORTAZAVI (Irão) @ Av. Praia 21h45: GISELA JOÃO (Portugal) @ Castelo * 23h15: SOEMA MONTENEGRO (Argentina) @ Castelo * 00h45: TIGRAN (Arménia / EUA) @ Castelo * 02h30: MÓ KALAMITY & THE WIZARDS (Cabo Verde / França) @ Av. Praia 04h15: SHAZALAKAZOO (Sérvia) @ Av. Praia 26 de julho (sábado) 19h00: THE SOAKED LAMB (Portugal) @ Castelo 20h15: SMADJ “FUCK THE DJ” (Tunísia / França / Marrocos / África do Sul) @ Av. Praia 21h45: FATOUMATA DIAWARA & ROBERTO FONSECA (Mali / Cuba) @ Castelo * 23h15: ANGÉLIQUE KIDJO (Benim) @ Castelo * 00h45: BALKAN BEAT BOX (Israel / EUA) @ Castelo * 02h45: JAGWA MUSIC (Tanzânia) @ Av. Praia 04h15: ACID ARAB (França / Mundo Árabe) @ Av. Praia [*] Concertos com necessidade de aquisição de bilhete A programação está sujeita a alteração. Nota: A este alinhamento acrescem as iniciativas paralelas, os espetáculos por formações da Escola das Artes do Alentejo Litoral e outras atuações em espaço público a anunciar Mais informações www.fmm.com.pt | www.facebook.com/fmmsines»

17 abril, 2014

Balkan Beat Box, Jagwa Music e Smadj no FMM de Sines

E, agora, a parte mais bailável do FMM 2014! O comunicado: «Balkan Beat Box e muita música global para dançar no FMM Sines 2014. O grupo Balkan Beat Box (Israel / EUA; na foto) atua pela primeira vez no FMM Sines – Festival Músicas do Mundo na edição de 2014, que se realiza em Porto Covo e Sines entre 18 e 26 de julho. Também está confirmada a presença de ShazaLaKazoo (Sérvia), Jagwa Music (Tanzânia), Jungle By Night (Holanda), Meridian Brothers (Colômbia), Orange Hill (Colômbia), Smadj “Fuck the DJ” (Tunísia / França / Marrocos / África do Sul) e Acid Arab (França). Nestas confirmações o fio condutor é a dança, com propostas rítmicas que vão do afrobeat ao calipso. Balkan Beat Box é uma banda nova-iorquina na linha das fusões globais, vocacionadas para grandes atuações ao vivo, de Gogol Bordello e Firewater. Os seus dois membros fundadores, aliás, atuaram nessas bandas: Ori Kaplan pertenceu aos Gogol Bordello e Tamir Muskat aos Firewater. São ambos imigrantes israelitas nos EUA e formaram os BBB em 2005. Mais tarde juntou-se o cantor, também israelita, Tomer Yosef. Musicalmente, a banda aposta numa base de ritmos mediterrânicos, fundida com estilos de todo o mundo, desde o hip hop ao ragga. As letras transmitem uma consciência política sobre problemas do séc. XXI, quase todos de natureza transnacional, como a sua música. Sedeado em Belgrado, o projeto ShazaLaKazoo aposta na fusão da eletrónica com a música balcânica. Formado pela dupla Milan Djuric e Uros Petkovic, produz o estilo de dança “folkstep”, onde também encontram lugar ritmos sul-americanos, africanos e do Médio Oriente. Lançaram recentemente o seu terceiro álbum, “Monobrow”. Dos subúrbios de Dar Es Salaam, capital da Tanzânia, país da África Oriental que faz a sua estreia no FMM Sines, chega o grupo Jagwa Music. Formado por oito membros, representa o estilo de música “mchiriku”, derivação de ritmos de transe populares. O poder da secção rítmica e a utilização de teclados Casio “low-cost” amplificados são dois dos seus elementos característicos. O disco que lançaram na editora Crammed, “Bongo Hotheads”, foi produzido por Werner Graebner e misturado por Vincent Kenis, conhecido pelo seu trabalho na série Congotronics. Jungle by Night é um grupo de nove amigos de Amesterdão cuja proposta musical cruza o funk africano, nomeadamente na sua expressão afrobeat, ao jazz, ao rock e a outros estilos de múltiplas origens. Têm três álbuns gravados, o último dos quais, “The Hunt”, editado este ano. A qualidade do seu afrobeat já mereceu elogios de dois mestres do género, Tony Allen e Seun Kuti. Os Meridian Brothers, de Bogotá, Colômbia, fazem música tropical com influências de rock psicadélico. Na sua paleta estão as cores da salsa, da cumbia, do vallenato e de outros ritmos quentes da região, trabalhados de forma pouco convencional pelo compositor Eblis Alvarez e o seu quinteto. Têm sete álbuns gravados desde a fundação do grupo, em 1998. O oitavo álbum, “Salvadora Robot” (Soundway / Staubgold Records), é lançado em junho. Orange Hill é outra banda colombiana neste festival, embora de um território colombiano menos conhecido, o arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina, junto à Nicarágua. Fundado no início dos anos 50 na sua formação original, é um agrupamento de calipso com uma mistura de músicos da velha guarda e da nova geração. Cantam no crioulo local, uma língua baseada no inglês dos primeiros colonizadores das ilhas. Smadj “Fuck the DJ” é o projeto do alaudista franco-tunisino Jean-Pierre Smadja. O nome provocador, também título de um disco que lançou em 2012, é uma ironia à supremacia dos DJs em relação aos grupos de músicos nas pistas de dança. O seu repertório funde música eletrónica e acústica, com fusões de várias músicas tradicionais, sobretudo orientais, e um lado de improvisação. A sua banda inclui instrumentistas franceses e dois vocalistas com origens diferentes: o cantor marroquino Simo e o MC sul-africano Mo Laudi. Finalmente, Acid Arab é um projeto criado por Guido Minisky e Hervé Carvalho, DJs residentes no clube parisiense Chez Moune. A dupla procura conciliar dois estilos de música de dança: o “house” das discotecas ocidentais e a música oriental ancestral, particularmente no estilo “dabke”. Editaram o disco “Acid Arab Collections” (Versatile) em 2013. Outros grupos já confirmados Além dos artistas descritos nesta nota, estão também já confirmados nesta edição do festival: Angélique Kidjo (Benim / EUA), Oliver Mtukudzi & The Black Wizards (Zimbabué), Fatoumata Diawara & Roberto Fonseca (Mali / Cuba), Mamar Kassey (Níger), Nástio Mosquito (Angola), Gisela João (Portugal), Júlio Pereira (Portugal), The Soaked Lamb (Portugal), Mó Kalamity & The Wizards (Cabo Verde / França), Kayhan Kalhor & Erdal Erzincan (Irão / Anatólia – Turquia), Mohammad Reza Mortazavi (Irão), Istiklal Trio (Israel), Jambinai (Coreia do Sul), Ajinai (China), Niladri Kumar (Índia), Mudiyett (Índia), Bachu Khan (Rajastão – Índia) e Jaipur Maharaja Brass Band (Rajastão – Índia). Bilhetes Os bilhetes para o FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2014 estão à venda na plataforma BilheteiraOnline.pt. Cada dia de concertos pagos (concertos noturnos no Castelo entre 22 e 26 de julho) custa € 10, sendo o custo do passe de € 35 até 30 de abril (após 30 de abril, o passe custa € 40). Além destes concertos pagos, o FMM Sines oferece, como sempre, logo a partir do primeiro dia do festival, 18 de julho, um extenso programa de concertos gratuitos em vários períodos e palcos do festival. Mais informações www.fmm.com.pt | www.facebook.com/fmmsines»

16 agosto, 2010

Cacharolete de Discos - Rupa & The April Fishes, Yasmin Levy, Balkan Beat Box e Victor Démé


Mais um cacharolete de críticas a discos sem ligação óbvia, estilística ou outra, e publicadas originalmente na "Time Out": os álbuns mais recentes de Rupa & The April Fishes, Yasmin Levy, Balkan Beat Box e Victor Démé (na foto).


Rupa & The April Fishes
"Este Mundo"
Cumbancha/Leve Music

O segundo álbum de Rupa & The April Fishes, "Este Mundo", não entra no ouvido tão depressa quanto a fabulosa estreia "Extraordinary Rendition". E, muitas vezes, principalmente quando se escutam as canções em espanhol, a tentação é começar logo a compará-las com canções de Lhasa, Lila Downs ou Amparanoia. Mas, ouvindo-se melhor o disco, percebem-se então as subtilezas presentes neste álbum. E são muitas! Uma festa global que pode misturar reggae com sopros aciganados, chanson com klezmer lá pelo meio ou uma cumbia infectada por ska e hip-hop (cortesia Boots Riley, MC dos Coup) ou uma raga movida a acordeão musette. Para além disso, o talento de Rupa como compositora, letrista e cantora – e a coesão extraordinária de toda a banda – saem bastante reforçados n'"Este Mundo". (****)




Yasmin Levy
"Sentir"
World Village/Harmonia Mundi


A intérprete de música sefardita mais reconhecida internacionalmente – embora Mor Karbasi já lhe esteja, de certa forma, a “morder os calcanhares” -, a israelita Yasmin Levy chega, ao quinto álbum, a um patamar dificílimo de igualar: "Sentir" é um álbum de uma cantora no seu pico absoluto de forma, com uma fórmula musical perfeitamente estabelecida (a mistura da música sefardita, árabe e flamenco) e um naipe de músicos invejável. E boa parte da “culpa” deve-se à brilhante produção de Javier Limon, o produtor que já nos acostumou a arrancar a alma das cantoras pela boca, sejam Concha Buika, Mariza ou Yasmin Levy. Com tradicionais sefarditas cantados em ladino, originais da própria Yasmin ou temas de Leonard Cohen (“Hallelujah”) e Limon, "Sentir" é um álbum absolutamente maravilhoso. (*****)




Balkan Beat Box
"Blue Eyed Black Boy"
Crammed Discs/Megamúsica


Terceiro álbum de originais dos Balkan Beat Box, "Blue Eyed Black Boy" é um enorme salto em frente na carreira deste grupo formado originalmente pelos israelitas Tamir Muskat e Ori Kaplan, aos quais se juntou logo de seguida o magnífico MC Tomer Yosef. E se os dois anteriores (mais o álbum de remisturas "Nu Med") já eram muito bons, o novo disco tem, a juntar às habituais electrónicas – aqui muito menos evidentes, por motivos que se vão perceber já a seguir – e às fanfarras balcânicas de metais, um som orgânico, de “banda”, que não existia nos álbuns anteriores. Os arranjos e as orquestrações ganham assim uma nova riqueza onde convivem reggae e klezmer, rebemtika e surf rock, ciganadas de Leste e hip-hop, dub e vozes búlgaras. E dois hinos para a paz israelo-árabe: “Buhala” e “War Again”. (****)


Victor Démé
"Deli"
Chapa Blues/Massala


Depois do fantástico "Burkina Mousso", álbum de estreia do cantor e guitarrista Victor Démé, do Burkina Faso, chega agora o segundo e muito aguardado álbum, "Deli". Mais sofisticado do que o álbum de estreia – quanto mais não seja pela profusão de instrumentos ocidentais (violino, acordeão...) que se juntam à guitarra, à voz, à kora, às percussões... mas a sensação de que estamos perante um dos maiores fenómenos musicais surgidos nos últimos anos depois de décadas de anonimato (o primeiro álbum de Démé foi editado já ele tinha muito mais de quarenta anos) mantém-se intacta. A sua mistura de música mandinga, blues, música latino-americana, aproximações ao flamenco, à música árabe e a várias tipologias tradicionais europeias é única e belíssima. (*****)

02 julho, 2008

Med de Loulé - Um Festival Cada Vez Mais Interactivo


Uma nota prévia: os meus dois computadores, coitados, estão há muito tempo semi-mortos, em estado de coma ou naquele limiar de luz em que os doentes terminais pensam estar a rever os parentes há muito falecidos. E este texto, coitado, está a sair assim, boião de soro aqui, injecção de morfina ali, extrema-unção acolá. Mas, se este computador que estou a usar agora que e ainda resiste à força de algálias e cadeira de rodas... morrer mesmo durante este texto terá cumprido a sua função: um pequeno texto sobre o Festival Med, que - ao contrário dos meus computadores - está cada vez mais vivo, activo e interactivo. Uma interacção admirável entre o espaço (acolhedor, caseiro, branco, quente...) e as pessoas que o ocupam, os actores e os visitantes do festival (o Cupido que distribui amor com um sorriso, o carteiro das «love letters» personalizadas, as duas bruxinhas deliciosas...), os artesãos e os compradores (ali é possível comprar, por exemplo, didgeridoos, qarqabas ou bilhas musicais e... aprender na hora a tocá-los), os músicos e a assistência. E aqui era possível dar variadíssimos exemplos de interactividade mas ficamo-nos por apenas dois ou três: a simpatia e encanto do enormíssimo Solomon Burke que, do alto do seu trono real, junta muita gente do público à sua volta, no palco, e depois oferta rosas vermelhas às senhoras; o fabuloso quadro pintado durante o ainda mais fabuloso concerto - o melhor de todo o festival! - de Muchachito Bombo Infierno (o quadro está na foto em cima; de Mira/Câmara Municipal de Loulé), que é logo a seguir vendido por 600 euros; a comunhão entre o palco e a «plateia» durante o concerto de Jimmy Cliff, um concerto em que as boas vibrações passavam rapidamente da audição para o olfacto e vice-versa.

Música, e muito boa, houve ainda mais: a surpresa que foi La Shica ao vivo (mais verdadeira e orgânica que em disco); a festa interminável, irresistível e inteligentíssima dos Balkan Beat Box; a continuação de festa com o jazz manouche, swing e charleston com pinceladas electro dos Caravan Palace; o som mestiço de Roy Paci & Aretuska (ele um incrivelmente bom trompetista e nada mau a cantar em italiano e espanhol); os cada vez melhores a dominar o palco e a apelar ao coro e ao riso Deolinda; a pop inteligentíssima e elegante dos Zita Swoon; o concerto - mais uma vez lindíssimo, tocante e meigo - de Amadou & Mariam; muitas músicas globais postas ao serviço de uma mensagem de paz em The Idan Raichel Project; e a voz maravilhosa e sofrida de Concha Buika (num concerto em que o flamenco vai a África e ao jazz). Menos conseguidas, nos palcos principais, foram as prestações de Ana Moura (apesar da qualidade da voz e da excelência do alinhamento, Ana Moura continua a ser mais cantora que... fadista), dos Café Tacuba (que têm, sente-se infelizmente agora, mais passado que futuro) e Les Tambours du Bronx (que, embora sejam realmente espectaculares e sonoramente rimbombantes, devem quase tudo aos Test Dept e aos Einsturzende Neubauten do início). Mais uma nota: não vi os Zuco 103 (por muita gente apontados como os autores de um dos melhores concertos do festival), concentrado que estava numa sessão de DJ para a qual fui convidado à última hora, substituindo a minha amiga Raquel Bulha (as melhoras, Raquel!).

Nos palcos secundários, o destaque vai para os INP.A.C.TO (com uma proposta musical interessantíssima, apesar de as vozes terem que ser mais trabalhadas), os Batukalgarve (marimbas e outras percussões ao serviço de standards de jazz, temas clássicos e músicas de bandas-sonoras, sempre com o divertimento na mira), os Velha Gaiteira (que estão a chegar ao nível dos «primos» Roncos do Diabo), Freddy Locks e The Most Wanted (tanto ele como eles com um reggae aberto a muitas outras músicas e duas propostas que devem ser seguidas com imensa atenção). Uma nota final e derradeira: o festival Med foi, mais uma vez, muitíssimo bom e será recordado por todos quantos lá estiveram. Há mais gente, mais música, mais coisas a acontecer. E isso é bom!! Mas já não é assim tão bom quando, como na noite de sábado, se deixou entrar no recinto muito mais gente do que aquela que o recinto comporta de uma forma fluida, organizada e saudável. É a única nota a rever.

19 maio, 2008

Med de Loulé - O Programa Completo


Bem, completo, completo ainda não é. Faltam os artistas e grupos dos palcos secundários, mas os dos dois palcos principais do Festival Med de Loulé - organizado pela Câmara Municipal de Loulé e programado pelo Sons em Trânsito - já são todos conhecidos: de 25 a 29 de Junho, a zona histórica de Loulé recebe concertos de La Shica (Espanha), Balkan Beat Box (Israel/Estados Unidos) e Caravan Palace (França), dia 25; Roy Paci & Aretuska (Itália), Jimmy Cliff (Jamaica) e Muchachito Bombo Infierno (Espanha), dia 26; Deolinda (Portugal), Zita Swoon (Bélgica), Zuco 103 (Brasil/Holanda) e Solomon Burke (Estados Unidos), dia 27; Master Musicians of Jajouka (Marrocos), Ana Moura (Portugal), Amadou & Mariam (Mali) e Café Tacuba (na foto; México), dia 28; The Idan Raichel Project (Israel), Konono nº1 (Congo) e Les Tambours du Bronx (França), dia 29. Uma programação variadíssima que passa pela world, claro!, mas também pelo rock, o reggae, a soul... Para além dos palcos da Cerca e da Matriz - os dois que recebem os 17 nomes referidos - haverá mais três palcos, onde decorrerão outros 23 concertos e sessões de DJing. Artesanato, gastronomia, teatro e artes plásticas são, como habitualmente, também uma presença assegurada nesta quinta edição do Med de Loulé. Irresistível!

13 maio, 2008

Festival Med de Loulé - Amadou & Mariam, Deolinda e Solomon Burke juntam-se a Balkan Beat Box


Dos Balkan Beat Box já se sabia, mas sabem-se agora mais três nomes que fazem parte do Festival Med de Loulé, que decorre de 25 a 29 de Junho: o do grande mestre da soul music Solomon Burke (na foto) e o do fabuloso casal de malianos Amadou & Mariam, para além dos nossos Deolinda (ver calendário no post que lhes é dedicado, algumas páginas abaixo, neste blog). Segundo um comunicado da Pure.Ativism, «esta iniciativa, promovida e organizada pela Câmara Municipal de Loulé, já na 5ª edição, visa divulgar a cultura dos países mediterrânicos e do mundo, proporcionando o contacto com as várias manifestações culturais, com especial relevo para a música... Em termos musicais, este festival aposta claramente na divulgação de artistas e conceito “world music”, tendo como critério base a excelência dos projectos musicais e a manifestação das suas origens. Durante cinco dias, o Med apresenta mais de 40 nomes, entre bandas e DJs, num cartaz que integra ritmos de Espanha, Itália, Marrocos, Portugal, Jamaica, Mali, entre muitos outros países... Mais do que uma mostra musical, este festival pretende ser um palco para outras manifestações culturais, afirmando-se como uma janela para o mundo, um local onde se podem conviver de perto com outras culturas, experienciar hábitos diferentes e provar os “sabores mediterrânicos”. De 25 a 29 de Junho, Loulé veste-se de cores quentes e, pelas ruas, será possível assistir a teatro e animação de rua, demonstrações originais de artes plásticas, provar iguarias gastronómicas».

21 fevereiro, 2008

Festival MED de Loulé Com Balkan Beat Box


A edição deste ano do Festival MED de Loulé - mais uma vez a decorrer na última semana de Junho - já tem um nome confirmado, o dos fabulosos Balkan Beat Box, segundo avança o blog Crónicas da Terra. Os Balkan Beat Box são um duo constituído por dois israelitas, Ori Kaplan e Tamir Muskat, radicados em Nova Iorque e apaixonados por variadíssimos géneros de música - a música balcânica, o klezmer, a música árabe, o flamenco, as polifonias búlgaras e... as electrónicas, o punk, o ragga, o trance, o funk, o ska, o hip-hop. Géneros que, na sua música em disco - e muito epecialmente ao vivo, onde são acompanhados pelo MC Tomer Yosef, uma banda completa e dançarinas da dança-do-ventre - tomam formas novas e inesperadas, aliados a mensagens de apelo à paz entre judeus e árabes no Médio Oriente. Os leitores deste blog podem ler (ou reler) críticas aos dois álbuns editados até agora pelos Balkan Beat Box, «Balkan Beat Box» e «Nu-Med», em posts do Raízes e Antenas de 12 de Outubro de 2006 e 19 de Outubro de 2007, respectivamente.

29 outubro, 2007

WOMEX - Toca Gaiteiro Que Nós Dançaremos!


No meio da dança, dos pulos, dos gritos e das palmas que algumas dezenas de portugueses semeavam na plateia durante o concerto dos Gaiteiros de Lisboa (na foto, de Carlos Mendes Pereira, do Punctum), na WOMEX de Sevilha, alguém disse «não somos mesmo nada imparciais, nós...». Pois, é que é bastante difícil ser imparcial quando, mais do que «objectos» de análise jornalística quem nós temos à nossa frente é um grupo de músicos nossos amigos. E quase todos os portugueses que estavam em Sevilha - jornalistas, músicos, produtores, editores, agentes, etc, etc... - reuniram-se para fazer claque, incluindo, claro, os jornalistas. Mais a mais, uma claque que não envergonhou ninguém porque - e agora é mesmo a objectividade a falar, juro! - os Gaiteiros deram um concerto brilhante, cheio de força, variado e seguríssimo, mesmo que o som tenha estado mais baixo do que aquilo que eles mereciam. Mas mesmo isso não impediu que, a meio do espectáculo, a festa já se tivesse espalhado do palco para os «tugas» e o resto do público. O concerto dos Gaiteiros foi o único oficial de artistas portugueses. Mas, dentro do recinto da Feira puderam ouvir-se pequenos showcases acústicos dos Dazkarieh, do Stockholm Lisboa Project e do fadista e pianista Mário Moita. E, com discos na bagagem, também por lá andavam artistas como Viviane e Hélder Moutinho e membros dos Deolinda, A Naifa, Toques do Caramulo e Blasted Mechanism, entre outros. Para além, claro, de uma larga representação da «indústria» musical portuguesa.

Dos outros concertos e showcases nos cinco espaços da WOMEX deste ano, ficaram na memória, pelas melhores razões, os da cabo-verdiana Mayra Andrade (apesar de, por vezes, ter uns arranjos mais elaborados do que aquilo que seria necessário), do maravilhoso grupo galego Marful (com a sua viagem que parte da Galiza para visitar Portugal, França e América Latina), dos Aman Aman (um projecto paralelo dos L'Ham de Foc que reúne músicos espanhóis e gregos numa leitura lindíssima da música sefardita), os «multinacionais» Badila (com a sua versão aberta e encantatória da música do Paquistão, da Índia e do Irão), os Balkan Beat Box (uma festa pegada de música balcânica, klezmer, reggae, etc, etc...), os Dengue Fever (grupo de norte-americanos e cambojanos que faz uma mistura divertidíssima de rock «sixties» - do surf ao garage e à pop - com música dos filmes de Bollywood e o Festival da Eurovisão), o DJ alemão [dunkelbunt] - imparável nas suas misturas, muitas delas inéditas e pessoais, de música balcânica com reggae, dub, trip-hop ou rap -, os Kasai Allstars (um colorido grupo congolês com uma música irresistível e viciosamente dançável) e os seus «primos» sul-africanos The Dizu Plaatjies Ibuyambo Ensemble (com as caras pintadas e uma música riquíssima e muito variada em timbres, ritmos e harmonias), do nigeriano Seun Kuti (com um espectáculo muito mais bem conseguido do que aqui há uns anos em Sines), das checas Tara Fuki (duas violoncelistas/cantoras que fundem muito bem - excepto quando se aproximam do rock dos... Apocalyptica - música tradicional polaca, música experimental e música erudita), os Toumast (grupo do Niger que leva a música tuaregue ainda mais para o rock do que os Tinariwen e é muito, muito bom ao vivo!); e a reconfirmação da grande qualidade de dois nomes por mim anteriormente vistos este ano - os Bajofondo Tango Club e Vieux Farka Touré.

E a recordar, pelas piores razões - ou não tão boas quanto as dos outros -, os 3canal (grupo de rapso de Trinidad e Tobago, que mistura calipso, rap e reggae mas soa um bocadinho preguiçoso), os albaneses da Fanfara Tirana (uma Fanfare Ciocarlia em versão «limpinha») e os cubanos Maravilla de Florida (com um sucedâneo do Buena Vista Social Club que não acrescenta nada à música de Cuba que já conhecemos), entre outros nomes que mais vale nem recordar (exemplo máximo: o pimba-balcânico-mesmo-pimba dos !DelaDap). Entre os concertos que não vi, mas que tive pena (com três ou quatro concertos a decorrer ao mesmo tempo é impossível ir a todos) contam-se os de Umalali & The Garifuna feat. Andy Palacio, Tanya Tagaq, Siba e a Fuloresta, Lo Cór de la Plana, La Shica, Julie Fowlis e Hazmat Modine. Mas hei-de vê-los um dia.

19 outubro, 2007

Taraf de Haidouks, Shantel e Balkan Beat Box - A Música Cigana Por Veredas e Auto-Estradas


A explosão de sucesso da música cigana dos Balcãs no circuito da world music está a criar a necessidade de «desvios» à fórmula original, riquíssima na sua base mas - nota-se, ao fim de alguns anos - limitada em termos de amplitude tímbrica e de soluções harmónicas e melódicas; o que, aliás, acontece também com inúmeras outras músicas «regionais». Não é, portanto, de estranhar que este filão esteja a ser sujeito a adaptações e cruzamentos com outras músicas, percorrendo novos caminhos - sejam as veredas enviesadas em que os Taraf de Haidouks levam a música cigana de regresso a casa, sejam as modernas auto-estradas trilhadas por Shantel (na foto) e os Balkan Beat Box.


TARAF DE HAIDOUKS
«MASKARADA»
Crammed Discs/Megamúsica

«Maskarada», o novo álbum dos seminais Taraf de Haidouks, parte de uma ideia óptima - fazer versões de peças clássicas do Séc. XX inspiradas pela música cigana, numa atitude de reapropriação de uma herança glosada por muita gente exterior ao universo da música tradicional balcânica (e não só). Nesse sentido, os Taraf atiram-se a peças de Béla Bártok (claro!, ele que foi um investigador incansável da música tradicional romena e húngara), Aram Kachaturian, Manuel de Falla (numa aproximação aos primos da Andaluzia), Albert Ketèlbey, Isaac Albéniz e Joseph Kosma, fazendo versões primorosas do ponto de vista técnico mas falhando, quase sempre, na ideia de reapropriação e retradicionalização dos temas: as peças estão quase sempre muito próximas dos originais e nem a presença recorrente do acordeão ou do cimbalom chegam para dar uma cor «aldeã» ao conjunto. E é pena, porque se há grupo que poderia virar esta música de cabeça para baixo e fazê-la beber do leite original seria exactamente este bando de aldeões de Clejani, na Roménia. E um bom exemplo do que poderia ter sido este álbum é o cruzamento livre de «In a Persian Market» de Ketèlbey com «Les Feuilles Mortes» de Joseph Kosma na faixa 5. Fica a intenção e, mais e melhor, os seis temas dos próprios Taraf de Haidouks que aqui aparecem, se calhar inconscientemente para mostrar como a sua música ainda continua viva e próxima das raízes apesar... dos desvios. (6/10)


SHANTEL
«DISKO PARTIZANI»
Essay Recordings/Crammed Discs/Megamúsica

Muitos desvios - e saudáveis! - é o que faz Shantel no seu novo álbum de originais, o primeiro em muitos anos e depois de muitas remisturas para variadíssimos grupos de música cigana (os aqui em cima referidos Taraf de Haidouks incluídos), várias compilações (em que ao lado dos seus temas e das suas remisturas deu a conhecer muitos artistas de Leste) e inúmeras actuações como DJ solitário ou com a sua trupe do Bucovina Club. «Disko Partizani» é uma viagem pela música cigana dos Balcãs mas também por músicas mais ou menos próximas da Grécia, Turquia, Israel, Albânia, Bulgária, Macedónia... e misturando tudo, de forma brilhante e com um sentido pop apuradíssimo, com rock, ska, disco-sound, electrónicas variadas e mais o que se possa imaginar, criando com isso uma música nova, excitante e sempre mais que dançável. Sem espinhas! Depois, neste álbum - em que Shantel também se revela como um mais que razoável vocalista - está um leque de convidados impressionante: da cantora sérvia Vesna Petkovic aos surf-klezmers israelitas Boom Pam, passando pelo trompetista sérvio Marko Markovic, pelo clarinetista Filip Simeonov (dos Taraf de Haidouks), o cantor grego Jannis Karis, o acordeonista francês François Castiell (dos Bratsh) ou a cantora canadiana Brenna MacCrimon, entre muitos outros, numa celebração contínua de música viva e capaz de derrubar todas as barreiras e preconceitos. Brilhante! (9/10)


BALKAN BEAT BOX
«NU-MED»
Crammed Discs/Megamúsica

Trilhando um caminho paralelo ao de Shantel, o novo álbum dos Balkan Beat Box, «Nu-Med», também cruza a música cigana dos Balcãs com inúmeras outras músicas (do hip-hop ao rock e à música jamaicana - dub, dancehall... -, passando pelo klezmer e a música árabe). E se é algo estranho assistir a uma música feita por um alemão (mas com ascendência na região de Bucovina) que vai aos Balcãs, como é Shantel, ainda mais estranho poderia parecer o que leva uma dupla de israelitas sediados em Nova Iorque (Tamir Muskat e Ori Kaplan), os Balkan Beat Box, a viajar pelos caminhos do Leste da Europa. Mas, como é sabido, a música é universal e, se o primeiro álbum dos BBB era já um bom exemplo de como as fanfarras ciganas podiam cruzar-se com liberdade e criatividade com muitas outras músicas, «Nu-Med» mostra o grupo a fazer uma música ainda mais verdadeira e orgânica, ao mesmo tempo que ainda mais aberta a outras sonoridades. Mais: os BBB costumam referir o passado comum de muitos judeus e de muitos ciganos do Leste Europeu - e não há dúvidas quanto às proximidades da música cigana e da música klezmer - antes do estabelecimento do estado de Israel. Mas nem este aval teórico/histórico seria necessário para se perceber que esta música contém suficientes elementos de verdade para que possa ser ouvida sem que soe a falso ou artificial. Sem fronteiras (a inclusão de colaboradores sírios no álbum é também um «statement» político e, não por acaso, «Nu-Med» é o desejo de um «novo Mediterrâneo», em paz) e sem barreiras. (8/10)

04 janeiro, 2007

Concertos World e Colaterais - 1ª Fornada de 2007


O ano de 2007 promete ser ainda melhor que os anteriores no que se refere a concertos de nomes da chamada world music (e áreas próximas ou periféricas) em Portugal. E, apesar de não se saber ainda se o Intercéltico do Porto se vai realizar este ano (as melhoras e um grande abraço, Avelino: há um grupo de mouros à espera de ser recebido mais uma vez no Porto de braços abertos) e se o Cantigas do Maio irá mesmo ressuscitar de alguma forma, pelos zunzuns que circulam por aí referentes a outros festivais (com o FMM de Sines à cabeça), este ano vai ser mesmo de arromba. Para já, aqui ficam alguns concertos que vão ter lugar já neste e nos próximos meses, quase todos eles tendo como fonte original o Crónicas da Terra, do camarada e amigo Luís Rei.

Já este mês, a cantora revelação da música cabo-verdiana, Mayra Andrade, actua, dia 20, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. E o grupo maior da música klezmer e das suas fusões com outras músicas, The Klezmatics, apresenta-se ao vivo, dia 24, na Culturgest, em Lisboa. A fechar o mês de Janeiro, o pianista dominicano Michel Camilo e o guitarrista espanhol de flamenco Tomatito tocam na Casa da Música, Porto, dia 31.

Em Fevereiro, dia 16, os magníficos e inclassificáveis Tuxedomoon tocam no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre. E a cantora e compositora brasileira Cibelle (na foto, de Michel Figuet) regressa ao nosso país para quatro concertos: dia 21 no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, dia 22 no Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 23 no Theatro Circo, em Braga, e dia 24 no Teatro Virgínia, em Torres Novas.

Em Março, os delirantes israelitas, radicados nos Estados Unidos, Balkan Beat Box estreiam-se em Portugal com um concerto, dia 3, na Casa das Artes de Famalicão. O músico e compositor francês Yann Tiersen (famoso pelo seu trabalho no filme «Amélie») apresenta o seu novo álbum, «On Tour», dia 6 na Casa das Artes de Famalicão e dia 7 na Aula Magna, em Lisboa. A cantora inglesa de ascendência indiana Susheela Raman dá um concerto no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 10. E os lendários egípcios Musicians of The Nile sobem ao palco da Casa da Música, Porto, no dia 14. A encerrar em grande as «festividades» de Março, e ainda com o Norte de África como cenário, os marroquinos Master Musicians of Jajouka com Bachir Attar, acompanhados pelo pianista Jeff Cohen, participam numa homenagem aos escritor Paul Bowles, «Paul Bowles - Secret Words: A Suit of Six Songs», dia 31, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Finalmente, em Maio, dia 23, o quarteto de cordas completamente «desalinhado» norte-americano Kronos Quartet actua no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.

12 outubro, 2006

Balkan Beat Box, Charanga Cakewalk e Toubab Krewe - F de Falso


Segundo os sábios ensinamentos de Orson Welles no filme «F Is Fake» (ensinamentos repegados no último álbum dos Houdini Blues), muitas vezes aquilo que parece não o é, mesmo que o eco de uma realidade qualquer seja muito parecido com a realidade ela mesmo e, por vezes, seja ainda mais real que o real. Mas o F de que se fala aqui - a propósito de álbuns dos projectos Balkan Beat Box (na foto), Charanga Cakewalk e Toubab Krewe - é de Falso, sim, mas também de Festa, de Folia, de Fusão, de Felicidade e de... Fãs.

BALKAN BEAT BOX
«BALKAN BEAT BOX»
Essay Recordings

Os Balkan Beat Box são dois israelitas radicados há muito em Nova Iorque, Ori Kaplan e Tamir Muskat, que com a ajuda de mais um punhados de excelentes músicos fazem neste seu álbum de estreia uma estranha e excitante fusão de música dos... Balcãs (estão lá as secções de metais típicas da música cigana do leste europeu), sim - o nome da banda não engana muito, apesar de tudo -, mas onde há muitas outras coisas metidas a este barulho bom: beats tecno, trance, hip-hop, rock e funk qb, ska, dub, klezmer, um cheiro «misterioso» a vozes búlgaras (em «Bulgarian Chicks»), flamenco, música mandinga, música árabe, turca e gnawa (esta no fabuloso «Hassan's Mimuna»). E sem deixar até de fazer apelos à paz e à concórdia entre os povos (em «La Bush Resistance»). E, sempre, com uma enorme fluência orgânica entre as várias componentes deste som. Devem ser excelentes ao vivo. O F é de Falso, mas é também de Fanfarras. (8/10)


CHARANGA CAKEWALK
«CHICANO ZEN»
Triloka/Artemis Records

Charanga Cakewalk é o projecto de um texano de origem mexicana, Michael Ramos (teclista e acordeonista de John Mellencamp, Paul Simon, The Bodeans e The Rembrandts), que se estreou em disco sob esta designação com «Loteria de La Cumbia Lounge» e lançou há alguns meses o segundo álbum, «Chicano Zen». Um álbum que faz por vezes lembrar Esquivel, no sentido de adaptar músicas tradicionais latino-americanas (principalmente mexicanas) a um cocktail dançante e, usemos um palavrão ou dois, obviamente agradável e simpático. Um Esquivel moderno e actual. Mas, outras vezes, está muito perto da tradição (como na deliciosa «La Miga Hormiga», «Amor Profundo», «No Soy Feliz»...) e aí sente-se um apego e uma paixão enorme pelas raízes. Na receita entram, em doses variadas, exotica, lounge, chill-out, rancheras, mariachis, boleros, cumbias, polkas, merengues e quase tudo faz, quase sempre, sentido. No lote de vozes convocadas para este álbum estão as de Lila Downs, Ruben «El Gato Negro» Ramos, Patty Griffin, Martha Gonzalez (dos Quetzal) e Davíd Garza. O F é de Falso, mas é também de Fascinação. (7/10)


TOUBAB KREWE
«TOUBAB KREWE»
Upstream Records

Ouve-se e, por vezes, muitas vezes, não se acredita no que se ouve: os Toubab Krewe são um grupo norte-americano, formado por cinco músicos brancos, mas a música que fazem tem como base a música mandinga e parece, parece mesmo!, mandinga muitas vezes. Andam por aqui koras, ngonis e percussões da África Ocidental à mistura com guitarras eléctricas, baixo, bateria. E o resultado dos ensinamentos colhidos em numerosas viagens a África e - certamente - na obra de Ali Farka Touré, Toumani Diabaté ou Ba Cissoko encaixam como uma luva nas outras influências que o grupo expõe com humildade: os blues, o hard-rock (com os Led Zeppelin, muito naturalmente, à cabeça), o prog, a country, o reggae, a surf music, a música cubana... E tudo isto feito com um amor e um talento inacreditáveis. O quinteto foi formado apenas em 2005, este é o primeiro álbum dos Toubab Krewe, mas a coerência e inventividade destes rapazes pressuporia que eles andam a fazer isto há muito, muito mais, tempo. Que o façam, pelo menos, por muito mais... porque aqui o F é de Falso, mas é também de Futuro. (8/10)