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05 junho, 2014

Med de Loulé - O Cartaz (Quase) Final

Depois de terem sido acrescentado ao cartaz mais quatro nomes de peso -- Debademba (Mali), Nour Eddine (Marrocos), Dino d’Santiago (Cabo Verde/Portugal) e Primitive Reason (Portugal)--, é agora a vez de muitos outros artistas e bandas serem oficialmente anunciados na programação da edição 2014 do Festival Med de Loulé. Ala dos Namorados (na foto), Rarefolk, Octa Push,Ai!, OrBlua, Pelivento e muitos outros juntam-se agora à festa. «Anunciadas mais 23 bandas 11º FESTIVAL MED: CARTAZ QUASE COMPLETO A pouco mais de quinze dias do início da 11ª edição do Festival MED, o cartaz artístico está praticamente completo. A Câmara Municipal de Loulé, promotora daquele que é o maior evento de música da região algarvia, apresenta mais 23 bandas que, de 25 a 28 de junho, vão passar pela Zona Histórica de Loulé. No Palco Matriz surgem agora mais dois nomes, DJ El Gadzé (Portugal) e Octa Push (Portugal), enquanto que estão também confirmados, no Palco Cerca, a Ala dos Namorados (Portugal) e, no Castelo, Ai! (Portugal) e Rarefolk (Espanha). Segundo o próprio, “o DJ set de El Gadzé é servido como uma chávena de chá a ferver, que pode ser bastante excitante ou extremamente relaxante... Ou os dois ao mesmo tempo. Como um chá preto cortado com camomila ou vice-versa. Reggae/Dub, Gypsy/BalkanBeats, Breakz, Swing/Punk, Afrobeat/Latina, Hip Hop Fusion/Jive, Roots/Folk, Chill Out/Lounge, Ska/Funk e muitos Mashups. Mas melhor do que géneros definindo a música é a música, redefinindo os géneros”. O músico já partilhou o palco com grandes nomes da world music como The Skatalites (Jamaica/Estados Unidos), Mondo Cane (Itália) ou Thuvali Mitza (Dinamarca). Um espetáculo a não perder no dia 26, em Loulé. No encerramento da 11ª edição do Festival MED, o Palco Matriz recebe uma das surpresas musicais do ano de 2014: os portugueses Octa Push. Do projeto criado em 2008 nasceu uma fusão de Bashment, Garage e Dubstep, incorporados noutros elementos como Afrobeat, Techno, 2-Step. O resultado dessa sonoridade acaba por criar uma energia eletrizante que busca inspiração na cultura africana. O grupo atuou recentemente no Rock in Rio. A inigualável voz do louletano Nuno Guerreiro, líder da Ala dos Namorados, vai abrir as hostilidades no Palco da Cerca, no dia 26. A banda está de regresso ao ativo após alguns anos e, em Loulé, promete trazer alguns êxitos de uma carreira de mais de duas décadas como “Solta-se o Beijo”, “Loucos de Lisboa” ou “Caçador de Sóis”. Ai! é um projeto que junta os músicos César Prata e Suzete Marques. Reúne pedaços da tradição dispersa na imensidão das memórias. Com a simplicidade que vem da terra, cantam com força e doçura... O grupo sobe ao Palco Castelo, no dia 26. Da Andaluzia diretamente para Loulé, os Rarefolk são uma das revelações em termos de formações de música instrumental mais criativa de Espanha. Com mais de 20 anos de existência e 5 trabalhos discográficos, a banda reinventou-se e criou uma linguagem muito própria. O espetáculo está marcado o último dia do MED, no Castelo. Palcos da Bica e Arco A par dos três palcos principais – Matriz, Cerca e Castelo – as músicas do mundo vão ecoar também nos Palcos Bica e Arco, espaços que pretendem aliar os concertos a áreas de restauração. Localizado num antigo quintalão junto aos Banhos Islâmicos, o Palco Bica apresenta uma programação musical marcada pelos sons alternativos. Este cartaz nasce de uma parceria com o Bafo de Baco, emblemático local de concertos da cidade de Loulé. No dia 26, atuam neste local os portugueses Mundopardo, banda que lançou recentemente o seu álbum de estreia, aos quais se juntam The Miranda’s e A Can-a-Worms. No segundo dia as propostas são Fast Eddie Nelson, com a sua fusão de Blues, Rock, Folk, Bluegrass e algum psicadelismo, numa apologia ao Mississipi, artista que será antecedido em palco por Um Corpo Estranho e Trio Trillar. No encerramento do MED, o grande destaque vai para o projeto Folk-Rock-Indie com influências de Johnny Cash, Bob Dylan ou Bruce Springsteen, Sam Alone & The Gravediggers. Completam o cartaz desta noite Boris Buggarov Band e Daniel Kemish. No Palco Arco, que serve de aquecimento para os grandes espetáculos da Matriz e que nasce de uma parceria com a Casa da Cultura de Loulé, marcam presença no primeiro dia os Cloudleaf, com a suas raízes fortes no post-rock alternativo, e os Pelivento. No dia 27, o louletano Marco Cristovam, com o seu alter-ego Nobre Ventura, leva ao Palco do Arco um projeto musical com as suas referências Folk, Rock, Blues, Grunge, aliadas à Música Tradicional Portuguesa. Segue-se um espetáculo com outro grupo algarvio, os Orblua. No último dia do Festival, os MTM vão incendiar o palco com a sua fusão de sonoridades que reúne em palco guitarra acústica, voz, percussão e didgeridoo. A iniciar a noite estará Ana Rostron & João Caiano. Recorde-se que o cartaz do 11º Festival MED conta ainda com as presenças de Gisela João (Portugal), Mercedes Peón (Espanha), Bomba Estéreo (Colômbia), Celina da Piedade (Portugal), Jupiter & Okwess International (Congo), Turtle Island (Japão), Bombino (Níger), Graveola e o Lixo Polifônico (Brasil), Winston McAnuff & Fixi (Jamaica/França), Jahcoustix (Alemanha), La Selva Sur (Espanha), Batida Balkanica (Portugal), Debademba (Mali), Nour Eddine (Marrocos), Dino d’Santiago (Cabo Verde/Portugal) e Primitive Reason (Portugal). Brevemente serão anunciados os últimos nomes deste cartaz.»

03 abril, 2007

Amélia Muge, Janita Salomé e Ala dos Namorados - Por Onde Anda a Música Popular Portuguesa



A expressão MPP, ou Música Popular Portuguesa, já é antiga mas não deixou de fazer sentido: MPP é a música que vai às raízes da música portuguesa, sejam elas quais forem, e lhes dá uma urbanidade (por ser feita nas cidades) ou modernidade (por ser feita... agora) ou globalidade (por saber de outras músicas neste mundo) qualquer. E estes três nomes - Amélia Muge (na foto), Janita Salomé e a Ala dos Namorados -, todos com álbuns recentemente editados, entram todos bem e cada vez melhor nesta categoria. É música portuguesa e não só, e popular assim o povo a receba como tal - e devia.


AMÉLIA MUGE
«NÃO SOU DAQUI»
Vachier & Associados

Amélia Muge tem já muitos anos de carreira mas poucos álbuns a fazer justiça à sua voz e ao seu talento de compositora. Uma voz fabulosa e uma compositora das melhores que a música portuguesa agora tem. No novo álbum, «Não Sou Daqui», Amélia Muge não renega nada do seu passado e da sua matriz - a música feita matéria artística livre e eterna de José Afonso e de Fausto e de Sérgio Godinho (e há uma frase tão reveladora na segunda canção deste álbum: «só neste país»...), mas também de Laurie Anderson, embora esta não seja completamente óbvia. E uma vontade enorme, imensa, de ir mais além. Na música de Amélia Muge, aqui e ali, há blues e música árabe e fado (e não só no óbvio «Fadunchinho», que tem um final delicioso), há experimentalismos a espreitar detrás de um piano, há baladas lindíssimas («Entre o Deserto e o Deserto» é só uma delas), há uma homenagem a Caetano Veloso e uma outra aproximação à música brasileira («Não Sou Daqui, Mas...»), há uma escolha criteriosa de poemas (ela própria escreve algumas letras, sim, mas também há poemas de Hélia Correia, António Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner e Eugénio Lisboa) e há uma equipa de luxo em que entram o arranjador e percussionista António José Martins (companheiro de vida e aventuras de Amélia há muitos anos), José Manuel David (dos Gaiteiros de Lisboa), o omnipresente pianista Filipe Raposo, o guitarrista José Peixoto e o baixista Yuri Daniel. (7/10)


JANITA SALOMÉ
«VINHO DOS AMANTES»
Som Livre

Janita é muito bem capaz de ser o melhor cantor português da actualidade. Tem uma voz vibrante, quente, maleável, alentejana e ao mesmo tempo árabe e andaluza e fadista e do mundo todo. E, sabe-se desde há muito, é também um compositor maior, maduro, com uma ideia de música - uma ideia que não o leva, nunca o levou, para a facilidade ou o acomodamento ou a preguiça. Em «Vinho dos Amantes», o seu novo álbum, Janita volta a surpreender com um álbum em que um mote, o vinho, é visitado em poemas ancestrais, do chinês Li Bai ou do grego Anacreonte, a poemas mais contemporâneos de Charles Baudelaire, António Aleixo, Hélia Correia, Carlos Mota de Oliveira, José Jorge Letria, Camilo Pessanha e dele próprio, Janita Salomé. Um álbum em que Janita abandona o seu característico canto melismático (mas sem por isso deixar de mostrar uma voz incomparável) e avança para uma música em que aparecem uns blues arraçados de música árabe, kissanges revistos via José Afonso, canto gregoriano em loops tribais-repetitivos com spoken-word por cima («Embriagai-vos», e aqui sim, também com melismas no final), jazz com voz demente («Fragmentos»), o coro alcoólico de «No Banquete» (em que entram o mano Vitorino, Rui Veloso e Jorge Palma) ou a canção portuguesa-mais-portuguesa-não-há que é «Quadras». (8/10)


ALA DOS NAMORADOS
«MENTIROSO NORMAL»
Universal Music Portugal

Há, pelo menos, três boas notícias associadas a este novo álbum da Ala dos Namorados: a qualidade do projecto não sofreu com a saída de João Gil (agora empenhado na Filarmónica Gil, também com um álbum novo a sair por estes dias); os poemas - belíssimos! - continuam a ser assinados por João Monge... e também por Carlos Tê e Nuno Guerreiro; o cantor, Nuno Guerreiro, está a perder o falsete juvenil e está a cantar muito, muito, bem. E ainda outra boa notícia: os músicos são dos melhores que este nosso país tem: Mário Delgado na guitarra, Alexandre Frazão na bateria, Massimo Cavalli no contrabaixo, Ruben Santos no trombone e, claro, Manuel Paulo, o principal compositor da Ala, nas teclas. E «Mentiroso Normal» é um álbum raro na música portuguesa, um álbum em que há imensos singles óbvios - singles entendidos como «muito boas canções, pois» - num curto espaço de tempo: a lindíssima balada «Caçador de Sóis», o country-pop swingante de «Sem Vintém», o fado mudado de «Voltar a Ser» (fado que também é matriz fantasmática de «Matas-me»), o delicioso lounge abrasileirado de «Mentiroso Normal» (com a cabo-verdiana Nancy Vieira a dar luta a Guerreiro), o fabuloso divertimento em queda livre que é «Bricabraque e Pechisbeque» (com Jorge Palma e José Medeiros a fazerem contrapontos inesperados à voz de Guerreiro) ou a versão de «13 anos, 9 Meses» de José Mário Branco. (8/10)

23 janeiro, 2007

Ala dos Namorados - Agora em Duo...


A Ala dos Namorados perdeu o fundador João Gil, mudou de editora - da EMI para a Universal - e está de regresso com um novo álbum, «Mentiroso Normal», que deve chegar às lojas a 26 de Fevereiro. Com o núcleo duro reduzido a Nuno Guerreiro (voz) e Manuel Paulo (teclas e composição musical), a Ala dos Namorados é agora completada por um elenco de luxo angariado no meio do jazz (se aqui se entender o jazz como um conceito lato e aberto): Mário Delgado (guitarra), Alexandre Frazão (bateria), Massimo Cavalli (contrabaixo) e Ruben Santos (trombone). Nas gravações do álbum participaram ainda, como vozes convidadas, Jorge Palma, a cabo-verdiana Nancy Vieira e o açoriano José Medeiros. «Mentiroso Normal» tem produção de Manuel Paulo, letras de João Monge (quase todas), Carlos Tê e Nuno Guerreiro (que se estreia como letrista, com «Voltas (Do Meu Destino)» e inclui uma versão do tema «13 anos, 9 Meses» de José Mário Branco. O primeiro single é o tema «Caçador de Sóis», que deve chegar às rádios no final desta semana.