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31 janeiro, 2012

A Naifa - Oiça Os Novos Sons!


Já se podem ouvir alguns segundos das novas canções d'A Naifa (na foto, de Nuno Carvalho) e ficar a saber por onde passa a digressão do novo álbum. Mas, antes disso, leia o comunicado:

«Tour de Apresentação do Disco d’A NAIFA percorre Teatros do País
ouça em 1ª mao excertos de “não se deitam comigo corações obedientes”

Está já confirmado que passará por Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Portimão, Ílhavo, Caldas da Rainha, Arcos de Valdevez, Loulé, Almada e Açores, a Tour que levará a música d’A NAIFA, aos palcos de vários Teatros portugueses, entre Março e Maio de 2012.

Depois da Tour realizada em 2010, a banda de Luís Varatojo (Guitarra Portuguesa) e Maria Antónia Mendes (Voz), que conta agora com Sandra Baptista (Baixo) e Samuel Palitos (Bateria), volta a pisar os palcos de vários Teatros portugueses para apresentar as músicas do seu novo álbum de originais “não se deitam comigo corações obedientes”.

O novo disco tem 11 canções, compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho. Ilustram o disco imagens seleccionadas das diversas propostas chegadas, na sequência do desafio lançado pela Banda a artistas plásticos, gráficos, ilustradores, fotógrafos, etc.

O disco será inicialmente disponibilizado em edição on-line, durante o mês de Fevereiro e só terá edição física no inicio do mês de Março, com venda exclusiva nos locais dos concertos. A edição física de “não se deitam comigo corações obedientes”, só no final do mês de Março estará disponível nas lojas.

TOUR “não se deitam comigo corações obedientes”

2 Março – Arcos de Valdevez – Casa das Artes
3 Março – Braga – Theatro Circo
7 Março – Lisboa – Teatro S. Luiz
9 Março – Coimbra – Oficina Municipal de Teatro
17 Março – Portimão – Teatro Municipal
31 Março – Caldas da Rainha – Centro Cultural e de Congressos

7 Abril – Ílhavo – Centro Cultural
12 Abril – Porto – Casa da Música
14 Abril – Loulé – Cineteatro Louletano
20 Abril – Almada – Teatro Municipal

5 Maio – Faial – Cineteatro»


Para ouvir os primeiros cheirinhos da nov'A Naifa, clique aqui.

09 janeiro, 2012

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXVI


Companheiros de Aventura - Mais uma Selecção A da música portuguesa

Quando a Resistência apareceu, muita gente torceu o nariz à ideia e desconfiou das boas intenções daquele super-grupo que integrava elementos dos Madredeus, Delfins, Xutos & Pontapés, Trovante, Santos & Pecadores e ainda alguns músicos vindos do jazz. Não era habitual, na altura, que músicos de diferentes grupos e de áreas estilísticas díspares se juntassem para fazer música em conjunto. Era cada um em seu cantinho, cada um na sua paróquia. É verdade que, anos antes, para a gravação de "Galinhas do Mato", de José Afonso, muitos músicos e cantores se reuniram à volta do mestre - já bastante doente - para o ajudar a terminar a gravação desse disco (em que muitas das suas canções já não foram gravadas por ele mas pelas vozes de Luís Represas, Né Ladeiras, Janita Salomé...). Mas, nesse caso, lá está, era tudo gente da mesma "paróquia". Foi a Resistência, portanto, que abriu as portas a projectos posteriores como o Rio Grande, os Cabeças no Ar, o Palma's Gang, os Humanos - em que gente do fado e dos rocks se juntava à volta das canções inéditas de António Variações - ou este "Companheiros de Aventura", novo álbum de Tim - um "habitué" de muitos dos grupos referidos - que agora reúne à sua volta Rui Veloso, a fadista Celeste Rodrigues, Vitorino e músicos do calibre de Mário Laginha, Moz Carrapa, Gabriel Gomes ou Fernando Júdice. E com uma abertura de horizontes que é, também por isso, um enorme luxo.



Ama Romanta... (Quase) Sempre!

Há 25 anos nasceu em Lisboa uma das mais representativas editoras independentes portuguesas, a Ama Romanta. Liderada por João Peste, dos Pop dell'Arte, ao qual se juntou Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta, a Ama Romanta destacou-se de todas as outras - na altura ou ainda agora - através de um consistente programa estético e político e de uma escolha musical irrepreensível - mesmo que muitos géneros nela convivessem (punk, rock alternativo, jazz, música experimental...). Se calhar não por acaso, as bandas já referidas foram também aquelas que deixaram marcas mais indeléveis na história da nossa música. Quer através dos seminais primeiros álbuns, e alguns dos seguintes, de cada grupo, quer através de concertos absolutamente memoráveis desses anos irrepetíveis - entre outros, o dos Pop dell'Arte na Aula Magna (com Adolfo a ajudar) ou o dos Mão Morta no Rock Rendez Vous (Adolfo e uma faca em sangue). Com carreiras absolutamente diversas - coerente, continuada e em ascensão permanente a dos Mão Morta, com altos e baixos e muitas fases de apagamento a dos Pop dell'Arte -, as duas bandas têm agora álbuns novos prontos a editar: "Pesadelo em Peluche" (Mão Morta), já por estes dias, e "Contra Mundum" (Pop dell'Arte), espera-se que para breve.



A revelação Andersen Molière

Apesar de estar nos últimos tempos a ser ultrapassado por outras redes sociais - nomeadamente o Facebook e o Twitter -, a verdade é que o MySpace continua a ser o melhor meio de divulgação de novos projectos musicais. E, por vezes, surgem por lá excelentes surpresas! Último exemplo: no passado domingo, recebi no MySpace um pedido de amizade de uma banda de Lisboa de que já tinha ouvido falar mas cuja música não conhecia: os Andersen Molière. E foi só começar a ouvir os (muitos) temas que eles têm na sua página para ficar imediatamente apaixonado pela sua música. Uma música feita de valsinhas-musette, cabaret, klezmer, country, experimentalismo q.b., algumas letras absurdas, dada e surreais, referências a nomes maiores da música portuguesa - muitas vezes Sérgio Godinho (não por acaso têm também uma belíssima versão da "Balada da Rita")mas também Madredeus com electrónica vintage (no tema "O Segredo") - ou estrangeira, como os Tindersticks, Nick Cave ou Yann Tiersen. Os Andersen Molière são mais um marco da enorme vitalidade e criatividade da música portuguesa que se sente e gosta de ser portuguesa, imediatamente ao lado dos Deolinda, OqueStrada, Anaquim, Virgem Suta ou Diabo na Cruz, entre alguns outros.



A cantiga, a arma e... a reedição que faltava!

A música portuguesa teve duas excelentes notícias nas últimas semanas: por um lado, o regresso d'A Naifa, com Mitó Mendes (voz) e Luís Varatojo (guitarra portuguesa) no posto habitual e os novos elementos Sandra Baptista (ex-acordeonista dos Sitiados, agora no baixo eléctrico que pertencia ao seu marido João Aguardela) e Samuel Palitos (bateria), assegurando assim a continuidade do mais importante projecto de renovação do fado. Por outro, a reedição em CD - finalmente - da discografia do GAC -Vozes na Luta: os históricos álbuns "Pois Canté!!", "...E Vira Bom", "...Ronda de Alegria!!" (com o bónus do EP "Marchas Populares") e a colectânea de singles "A Cantiga É Uma Arma" (com a inclusão de dois inéditos, "Hino da Reconstrução do Partido" e "Hino da Confederação"), todos com o dedo do mestre José Fortes na restauração e remasterização do som e com textos explicativos de Nuno Pacheco e João Lisboa. Há motivo para festejar! O GAC foi um objecto único, fugaz e importantíssimo da música portuguesa; um produto político do seu tempo - o turbilhão pós-25 de Abril/PREC - mas também um manifesto cultural e musical que vai muito além desse seu engajamento político-partidário e influenciou decisivamente muita da música portuguesa de raiz tradicional que se lhe seguiu. Fazendo música "para o povo", era ao povo e à sua música que o GAC ia buscar os ritmos e as harmonias, mas muitas vezes com o polimento dado pela música erudita e por gigantescos, épicos e arrepiantes coros. Pelo GAC passaram nomes como José Mário Branco, João Lóio, Luís Pedro Faro, Margarida Antunes da Silva, Rui Vaz ou Carlos Guerreiro, todos eles ainda activos musicalmente.

(Textos publicados no jornal "i" durante o mês de Abril de 2010)

04 dezembro, 2011

A Naifa Vai Ter Novo Álbum... E Lança Um Desafio!


Mais importante do que comemorar a passagem (ou elevação?) do fado a Património Imaterial da Humanidade é perceber que o fado é uma música -- e um espírito, uma identidade, um estado maior que o Estado -- mutante e que é nessa mutabilidade que pode e deve sobreviver. Exemplos: Amália (sempre!), Carlos do Carmo, José Mário Branco, António Variações, Ocaso Épico, Anamar, Heróis do Mar, Nuno Rebelo, Paulo Bragança, Mísia, Ovelha Negra... E mais uns quantos mais recentes e que toda a gente conhece. E, agora, a boa notícia: A Naifa vai ter um novo álbum e, ainda melhor, um álbum em que todos podem participar criativamente... O comunicado oficial reza assim:


"A NAIFA REGRESSA COM NOVO ÁLBUM EM 2012

Depois de em 2010, ter editado o livro/DVD "Esta depressão que me anima", de homenagem a João Aguardela, A Naifa prepara agora o lançamento do quarto álbum de originais.

O novo disco, com 11 canções compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho, tem saída marcada para Fevereiro de 2012.

CONVITE A ARTISTAS GRÁFICOS PARA COLABORAÇÃO NO NOVO DISCO

A Naifa convida artistas plásticos, gráficos, ilustradores, fotógrafos e todos os interessados a desenvolverem propostas de intervenção gráfica com base nos 11 poemas que serão disponibilizados no Facebook d'A Naifa.

Os trabalhos escolhidos irão integrar a arte final do novo álbum"

Todos os detalhes desta iniciativa, aqui.

23 julho, 2010

Festa do "Avante!" - Programa Completo dos Palcos Principais


O site do PCP já divulgou a programação musical completa dos palcos principais da edição deste ano da Festa do "Avante!", que se realiza mais uma vez na Quinta da Atalaia (Amora/Seixal), de 3 a 5 de Setembro:

"Artistas da Festa do «Avante!» 2010

A Naifa
A vontade de continuar sobrepôs-se à dor da perda e uma nova Naifa nasceu no espectáculo de homenagem a João Aguardela no CCB. Com Luís Varatojo, Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria, a semente deixada pelo João foi lançada de novo à terra e volta a dar frutos. O trabalho dum grupo marcado pela criação de um repertório totalmente original.
http://www.anaifa.com/

Abrunhosa & Comité Caviar
Três anos depois de «Luz», Pedro Abrunhosa regressa – e parte para longe! Um disco que corresponde à sua necessidade de mudança e de quebrar rotinas. Vieram João Bessa e o Comité Caviar (teclados e órgão, guitarras, baixo, bateria e percussão, piano e coros).
Mudou ainda mais no som: jazz, funky de raízes fundas, lado a lado com os seus mestres na canção europeia, tudo acrescenta com o som do rock de tónica americana e, sobretudo - qualidade.
http://www.abrunhosa.com
http://www.myspace.com/abrunhosa

Adriana
Adriana, formada no Conservatório com apenas 16 anos, não parou de aprender. Universidade em Lisboa, experiência em Paris e uma bolsa para Boston. Na América formou-se com distinção e, depois, o que realmente importava: a escrita, íntima, pessoal, cuidada. Lança o seu álbum de estreia. Faz quase tudo: canta e toca, mas também assina as letras, as composições e os arranjos. Em palco, ainda se revela mais: a expressão viva de um corpo que também canta.
http://www.adriana.com.pt


Ana Laíns
Ana Laíns construiu-se nos concursos da televisão, da rádio, nas colectividades. Em 1999 sagrou-se vencedora da Grande Noite do Fado. Depois, os Casinos, Estoril, Figueira, Espinho, Póvoa. E também musicais. Na bagagem de todas essas viagens – estava o piano: «Tem estado sempre presente na minha vida. Mas a música portuguesa sempre foi a maior paixão, o Fado, a música tradicional. Adoro a liberdade de poder cantá-los acompanhada apenas pelo piano.”
http://www.myspace.com/analains

António Chaínho
com Isabel de Noronha e Pedro Moutinho
O reconhecimento internacional das suas sempre surpreendentes apresentações, levam António Chaínho a ser considerado entre os melhores 50 instrumentistas da world music pela revista Songlines. Depois do Brasil e de África, a guitarra portuguesa do Mestre António Chainho viaja até à Índia. Em LISGOA, o projecto que nasceu desta viagem, o desafio é surpreender novamente o público, ligando à guitarra portuguesa sonoridades de instrumentos indianos reunindo diversos músicos em palco e a que se junta uma segunda parte dedicada ao Fado com as vozes de Isabel Noronha e Pedro Moutinho,
http://www.antoniochainho.com

Baile Popular
“Eu e o João Monge somos amigos de infância. Desta vez fomos directamente à fonte das palavras. O Povo Alentejano tem um cantar único e próprio que define um país único. A paisagem do sul cruza-se neste Baile Popular com universos que vão desde o Nordeste brasileiro, até à roulotte estacionada algures no deserto americano. O Zé Emídio, o Luís Espinho, o Paulo Ribeiro, o João Paulo são as vozes, o Mário Delgado, o Alexandre Frazão, o Miguel Amado e eu, armamos o resto do baile. Peguem na mão de quem amam e venham. Dancemos e cantemos este Baile Popular.” João Gil
http://www.myspace.com/bailepopular

Bernardo Sassetti Trio
“Muito do que hoje sei devo-o a este trio, ao Carlos Barretto – irreverente como poucos, sempre em constante diálogo com os outros, “astrológico” – e ao Alexandre Frazão – simultaneamente pela força e subtileza das sonoridades da sua bateria e pela energia que dá à dinâmica deste trio.
Conhecemo-nos bem.” Bernardo Sassetti
http://www.oncproducoes.com/musicos/sassetti/trio.html

Brigada Victor Jara
“Quando aconteceu a primeira Festa do Avante! a Brigada Victor Jara lançava, já, vozes e instrumentos. O nosso primeiro Palco foi levantado no Jamor por mãos militantes, as mesmas que fazem o Partido. Estávamos em 1977 e, desde então, foram raros os Setembros em que não marcámos encontro. A Brigada considera cada ano a Festa a data de um calendário novo, herdeiro das velhas tradições festivas populares. É o momento em que o Verão se despede e a luta reacende desejos de um mundo melhor.” Manuel Rocha
http://brigadavictorjara.blogspot.com/

Bunnyranch
Os Bunnyranch surgem no ano de 2001 em Coimbra e lançam o primeiro registo discográfico em 2002. Em 2004, o primeiro longa duração, uma digressão nacional. Em 2005 representam Portugal no Eurosonic, na Holanda, e vão a Espanha, França e Grã-Bretanha. No ano seguinte, a banda é alvo do galardoado documentário Rockumentário, de Sandra Castiço. Em Fevereiro de 2010 editam o seu mais recente álbum If you missed the last train.
http://www.myspace.com/bunnyranchspace

CACIQUE’97
De Portugal e Moçambique, CACIQUE’97 é um colectivo de afrobeat dez músicos de conhecidos bandas funk, reggae e afro. Uma banda sonora global, dos novos tempos, sem perder o lado reivindicativo e de promoção da consciência social característica do afrobeat. Recentemente lançaram o seu segundo videoclip, Sr.Diplomata, e têm a agenda preenchida com concertos e festivais na área do world music .
http://www.myspace.com/cacique97

Camba Tango
Fundado em 2006, em Buenos Aires, este novo grupo de tango depressa se destacou na cena musical argentina, brindado com os prémios Carlos Gardel. Tocaram no Centro de Convenções do Parque Norte, tal como nas milongas mais populares milongas porteñas. Em 2007 encerram o Festival “A Guitarra: da Renascença ao Rock” e, em 2009, realizaram uma tournée pelo Japão, Singapura e Tailândia. A sua digressão europeia de 2010 conta, com o apoio do governo argentino no âmbito de um prémio pela divulgação do tango.
http://www.cambatango.com

Catarina dos Santos
Catarina dos Santos nasceu no Barreiro, em 1977. Desde pequena viveu a música portuguesa, de Angola, Cabo Verde, do Brasil. Estuda Pintura e Cerâmica na Universidade de Lisboa, música no Conservatório, jazz no Hot. Prossegue nos Estados Unidos e no Brasil onde grava os seus primeiros discos. Faz um trabalho de pesquisa no Nordeste do Brasil. Em Agosto de 2009 lança o Balanço do Mar em Lisboa e é convidada para participar no CCB ao lado de Seun Kuti e Branford Marsalis. Catarina vive entre Nova Iorque, Recife, Brasil e Lisboa.
http://www.myspace.com/catarinadossantos

Claud
Claud iniciou a sua carreira a solo em 2006 com o Contradições, a que se seguiu Pensamento, ambos considerados disco Antena 1. O cruzamento entre os instrumentos tradicionais como a braguesa, a gaita de foles, o adufe as caixas, com os sons tecnológicos e a voz grave e quente de Claud, dão uma cor inconfundível a uma presença diferente.
http://www.claudmusic.com

Dany Silva e Celina Pereira
Nascido na Cidade da Praia, Dany Silva vive em Portugal desde 1961. A música acabou por triunfar sobre o engenheiro agrário e deu um dos mais relevantes músicos da cena cabo-verdeano. Com uma vasta discografia e um longo historial de colaboração com músicos portugueses, largamente contribuiu para o encontro entre as duas sonoridades, traduzido no recente lançamento de dois novos álbuns.

Celina Pereira igualmente se fixou em Portugal há vários anos, mantendo um empenho particular na preservação das antigas tradições musicais e poéticas cabo-verdeanas em risco de desaparecimento (o seu último trabalho é pensado para a área da educação intercultural e resulta de um extenso trabalho de investigação).
http://www.danysilva.com
http://www.celinapereira.com

Dazkarieh
Após um caminho de dez anos de vida, os Dazkarieh conseguiram criar um som inconfundível. É o som do passado pelos instrumentos antigos e acústicos e é o som do presente que se ecoa quando se transforma em distorção pura. É a tradição portuguesa, mas também uma tradição dos nossos dias que provocam uma explosão sonora, ainda que plena de intimismo.
http://www.myspace.com/dazkarieh

Demian Cabaud Quarteto com Leo Genovese
O mais recente CD do contrabaixista Demian Cabaud, Ruínas, mostra-nos várias facetas deste músico argentino, que vindo dos EUA há já 5 anos, se integrou com naturalidade na cena jazzística portuguesa. Este grupo, um quarteto sem instrumento harmónico, interpretará melodias escritas por Demian completando-se com a presença em algumas das faixas do pianista Leo Genovese.
http://www.myspace.com/demiancabaud

Deolinda
E surgiu a Deolinda (na foto), que é fictícia. Até certo ponto, embora por vezes ganhe corpo e assuma a forma da cantora Ana Bacalhau. Hoje em dia já seria fútil evocar o entusiasmo que o quarteto da cantatriz Ana, das guitarras dos irmãos Martins e do contrabaixista Zé Pedro Leitão suscitaram antes e depois da publicação do primeiro álbum, Canção ao lado. Passaram-se dois anos. Ultrapassaram as salas pequenas, as salas maiores, concertos, festivais, multidões ao ar livre. E a seguir para os teatros, rádios e televisões de outros países.
http://www.deolinda.com.pt/

Diabo na Cruz
Diabo na Cruz faz a ponte entre duas margens que viveram separadas: música moderna portuguesa e música popular portuguesa. Cinco músicos com temas que são do mais fresco e entusiasmante que se fez por cá nos últimos anos. Os Diabo na Cruz recuaram ao tempo em que a música tradicional era rainha e juntaram-lhe a atitude do século XXI.
http://www.myspace.com/diabonacruz

Dias da Raiva
Os Dias da Raiva fazem parte de uma série de bandas com relevância em Portugal de há mais de uma década. O que une este cinco elementos nesta espécie de “super grupo” é uma urgência na música e nas palavras: "Vamos despojar-nos de tudo o que é supérfluo para nos concentrarmos apenas na força da energia pura rápida curta e sem vírgulas. Bem vindos aos dias de raiva".
http://www.myspace.com/osdiasderaiva

Eina
Uma palavra de ressonância obreira, EINA (ferramenta, em catalão) é o nome que os membros dos Inadaptats escolheram para uma nova fase: “Aqueles que pensavam que a idade é o antídoto para o pensamento revolucionário escrevem – enganaram-se connosco. Voltamos com as intenções mais subversivas do que nunca, com o explosivo mais eficaz: os livros”. E A Arte da Guerra é o titulo do primero álbum, baseado na obra célebre do teórico militar chinês Sun Tzu. Para adaptação musical, os EINA gravaram catorze temas. Um CD-Livro e um espectáculo com Sun-Tzu, mas agora ao som do metal, do hip-hop e do punk da era Inadaptats.
http://www.myspace.com/einappcc

Expensive Soul
Passaram-se quatro anos desde “Alma Cara” e o amadurecimento estético é notório no 3º disco dos Expensive Soul. O single de avanço, O Amor É Mágico, tomou rapidamente de assalto as principais rádios portuguesas e renovou o interesse do público. O título “Utopia” tem tudo a ver com as canções já que segundo os autores “relatam um mundo nosso ou imaginado por nós para atingirmos a perfeição. Utopia, né?!”
http://www.expensivesoul.com/

La Rumbé
La Rumbé nasce do underground barcelonês em 2003. É um grupo poeticamente transgressor, que junta de maneira natural a rumba, o rock, as músicas tradicionais. Seis anos tocando, nos quais abriram concertos de lendas vivas como Los Patriarcas de la Rumba, em salas como L'Auditori ou Luz de Gas em Barcelona, Sala Sol, ou Boca del Lobo em Madrid. Em festivais em Espanha e Itália. Também tocaram na prisão de La Trinitat, em Barcelona. Em Itália e na Suécia. Desde Janeiro de 2008, a Fratelos Tour levou-os a mais de 90 sítios em toda a Espanha – e chegaram a Lisboa!
http://www.myspace.com/larumbe

Luísa Basto
Luísa Basto celebra "40 anos a cantar o Povo e a Liberdade". Nasceu no Alentejo, em Vale de Vargo, à beira de Serpa. Estudou canto e música, licenciando-se em 1973 no Instituto Musical Pedagógico do Estado em Moscovo. Regista canções com palavras de nomes como Eugénio de Andrade, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, Ary dos Santos, Florbela Espanca. O seu trabalho discográfico "Alentejo" é um hino de amor à terra e suas gentes. O seu último CD com poemas de António Henrique inclui temas musicais de João Fernando (autor/compositor de eleição de Luísa), José Alberto, Manuel Gomes e Fernando Gomes. Luísa Basto estará na Festa do Avante! acompanhada pela Big Band Loureiros e Grupo Scala.

Monte Lunai
Os Monte Lunai lançaram em 2009 o álbum In Temporal com excelente acolhimento. É um disco feito por músicos muito diferentes, pegando em tradições de diversos países, transformando sonoridades actuais e muito próprias. Constituído por instrumentos pouco comuns, o grupo dedica-se à revitalização de temas e danças de diversas regiões do mundo: a música francesa, alemã, portuguesa, irlandesa, grega, bretã, galega entre outras!
http://www.montelunai.com

MUXIMA
Janita, Filipa Pais, Ritinha Lobo, Yami

Muxima é o nome que dá vida ao álbum de homenagem ao Duo Ouro Negro e que assinala os 50 anos do seu início, um dos projectos musicais mais carismáticos da década de 60 em Portugal. Hoje, são quatro músicos lusófonos: os portugueses Janita Salomé e Filipa Pais, bem como a cabo-verdiana Ritinha Lobo e o angolano Yami, os quais emprestam as suas vozes aos mais emblemáticos temas dos Duo Ouro Negro. O nome surge exactamente porque muxima é a palavra angolana para “coração”, e as músicas dos Duo Ouro Negro estão guardadas no coração de muitos portugueses.

Orquestra de Jazz de Matosinhos
com Kurt Rosenwinkel
O guitarrista norte-americano Kurt Rosenwinkel é o solista convidado da Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) no concerto da Festa do Avante!. Rosenwinkel é tido como um seguidor de músicos como Metheny ou Scofield, mas conseguiu já impor a sua linguagem própria. Com este concerto, a OJM reforça a aposta na política de ligação a grandes instrumentistas, com quem partilha projectos que têm trazido a Portugal nomes como Chris Cheek, Lee Konitz, Dee Dee Bridgewater ou a compositora Maria Schneider.
http://www.ojm.pt

Peste & Sida
Os Peste & Sida iniciam a sua carreira em 1986. Em 1991, o grupo começou a a ter uma actividade paralela sob o nome de Despe e Siga e em 95 dá-se a separação. Um dos fundadores, João San Payo, convicto de que os Peste & Sida têm futuro, passou à reconstrução. Em Outubro de 2002, a Universal lança a compilação A Verdadeira História dos Peste & Sida e em 2003 concretiza-se a reactivação com um espectáculo que esgota a lotação do Santiago Alquimista. Em 2004 sai o quinto álbum dos Peste & Sida com o título Tóxico. A banda tem novidades, os espectáculos sucedem-se e reafirma-se com o grande grupo punk da cena portuguesa.
http://www.myspace.com/pestesida

Ricardo Pinheiro Sexteto
Neste concerto, que conta com a participação de Mário Laginha, João Paulo Esteves da Silva, Alexandre Frazão, Demian Cabaud e Pedro Moreira, o Sexteto do guitarrista Ricardo Pinheiro irá apresentar ao vivo o disco Open Letter. Composto por música e arranjos da autoria do guitarrista, este trabalho combina todo um conjunto de influências que se funde na perfeição com a personalidade dos músicos envolvidos.
http://www.myspace.com/ricardofutrepinheiro

Roberto Pla All Stars
Roberto Pla - o «Rei dos timbales» - nascido em Barranquilla, na Colômbia, transformou-se numa lenda entre os percussionistas do seu país, o que acabou por o integrar na famosa La Tradición, que o traz para Europa em 1987, fixando-se em Londres onde se transforma num verdadeiro «guru» do som latino-americano no Velho Continente. Participa em numerosas gravações, bandas sonoras e montagens teatrais, com Joe Strummer ou Kate Bush. A sua formação habitual, os All Stars Latin Ensemble (com o qual se apresentará na Festa) inclui seis percussionistas, quatro sopros, teclados e dança.
http://roberto-pla.150m.com/


Sebastião Antunes e Quadrilha
A Quadrilha liderada por Sebastião Antunes vai na Festa viajar ao longo dos seus seis CDs. Este o concerto que será como habitualmente efusivo, interventivo e com uma energia contagiante. Mas não só. Depois de décadas a liderar projectos colectivos, eis que este músico surge também a solo: Cá Dentro… Sebastião Antunes tece este casulo de música do qual se soltam doze canções que têm de ser ouvidas.
http://www.quadrilha.net/

Stonebones & Badspaghetti
Os Stonebones & Badspaghetti são a única banda de bluegrass em Portugal. Nasceram no início de 2009, como consequência de sessões improvisadas em casa de Bryan Marovich, estudante americano que vivia em Portugal e entusiasta deste estilo de música da América popular das montanhas Apalaches. Cedo construíram um forte núcleo de fans ao qual se juntam outros músicos, hoje uma banda única no panorama nacional.
http://www.myspace.com/stonebonesandbadspaghetti

The Flawed Cowboys
Vieram da Austrália e da Irlanda. Tocam tudo o que faz da música irlandesa, galesa, norte-americana um padrão da qualidade e da sensibilidade dos instrumentos acústicos, do banjo à harmónica, do contra-baixo ao dobro. Mick Daly, Frankie Lane, Chad Dughi e Damian Evans também cantam, com aquela harmonia vocal que não se sabe se nasce dos instrumentos ou são eles que dela nascem. E que se ouve na Irlanda, nos Apalaches – na Festa.
http://www.nodepression.com/profile/ChadDughi

http://www.myspace.com/frankielaneireland

Tim e Companheiros de Aventura
No seu novo espectáculo Tim apresenta para além dos seus originais belíssimas canções de outros compositores compostas e partilhadas pelos seus Companheiros de Aventura: Rui Veloso, Mário Laginha, Celeste Rodrigues e Vitorino estão presentes em palco, em temas únicos e inesquecíveis. Uma Festa! Este CD é o registo dos encontros casuais de Tim com alguns convidados muito especiais na Fábrica do Braço de Prata e no Museu do Oriente. Noites inesquecíveis, Companheiros de Aventura é a junção de várias correntes e gerações, a sensibilidade e a segurança de cada um dos convidados, uma mistura fina e poderosa. Companheiros de Aventura é um trabalho de amor, amizade, partilha e muita aventura.
http://www.musica.iol.pt/noticias/tim-novo-disco-solo-companheiros-de-av...

Tornados
Os Tornados, uma das mais desconcertantes bandas a surgirem do panorama nacional. Agora que, definitivamente, se assumem com a definitiva designação, actualizam o rock’n’roll e o surf da década de 60. Twist do Contrabando, editado em 2009, foi só um dos 10 melhores álbuns do ano da revista Blitz.
http://www.myspace.com/ostornados

US&THEM
A Festa do Avante! terá este ano, o prazer de saborear rock‘n’roll ao som duma banda entusiasmante e plena de energia que – como tantos outros grandes grupos nacionais – chega do Norte: os US&THEM. Com o seu primeiro EP lançado no início de 2010, Highway 19, assume as influências dos tempos áureos do rock.
http://www.myspace.com/usnthemband"


Fonte: http://pcp.pt/node/245004

02 junho, 2010

Festa do Fado (em diálogo com outras músicas)


É em Lisboa, durante todo o mês de Junho. O programa oficial completo:

«CASTELO S. JORGE – PRAÇA DE ARMAS

04 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

CRISTINA BRANCO convida JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA e CARLOS BICA


O Fado, João Paulo Esteves da Silva e Carlos Bica

Não seria mais a propósito e tenho a certeza que, mais cedo ou mais tarde, o Fado havia de nos juntar!

Afinal, no passado (sempre presente) já trabalhámos juntos: O Bica mais recentemente compôs o “Longe do Sul” e o João tocou no meu segundo disco “Post-scriptum”, como que antevendo a entrada, anos mais tarde, do piano na minha música!

Juntos, assim, é que nunca tinha acontecido. O “mentor” desta graça foi o Robert Shumman. Logo, convidá-los para este momento da Festa do Fado foi um passo natural, um entendimento que vibra muito alto na senda da minha música. Se eles compõem há tanto e comungam do mesmo respeito que eu tenho pela música tradicional - e que aprendi com o Ricardo (Dias) -, porque não aproximar tudo isto de uma forma consciente e sensata e simplesmente participar nesta grande Festa da Música, do senhor Fado, e deixar a imaginação apreender e crescer, porque isso nos deixa felizes? E felizardos somos todos por poder escutá-los.

Cristina Branco



05 JUNHO | Sábado | 22H00 |

A NAIFA convida CELESTE RODRIGUES


Depois de um ano de luto, A Naifa (na foto) volta à luta. A vontade de continuar a fazer esta música sobrepôs-se à dor da perda e uma nova Naifa nasceu no espectáculo de homenagem a João Aguardela, em Novembro último no CCB. Luís Varatojo e Maria Antónia Mendes têm agora a companhia de Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria, para lançar de novo à terra a semente que já deu frutos.

O reencontro com o público acontecerá já em Maio com a edição de um livro/dvd biográfico dos primeiros quatro anos de carreira e uma digressão nacional, que passará por dez cidades e chegará a Lisboa, a 5 de Junho, para um concerto na Festa do Fado no Castelo de São Jorge.

O livro retrata o universo d’A Naifa, visto de dentro e de fora - os poemas que deram origem às canções dos três discos e as obras gráficas que fizeram as capas; fotografias de mais de uma centena de espectáculos e os testemunhos do público que, em muitos casos, criou com a banda laços afectivos que se prolongaram muito para além do momento dos concertos.

O dvd contém um concerto, gravado na digressão 2008, e um documentário produzido em 2006.

A Naifa «a rasgar a vida»


Especialmente para a noite de 05 de Junho, na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, A Naifa convida uma das mais importantes referências de sempre do fado, Celeste Rodrigues, no ano em que a fadista comemora 65 anos de carreira, dedicados a espalhar a sua arte pelos quatro cantos do mundo e a fazer da sua voz e da sua alma. É uma referência intemporal para uma série de gerações na História do fado.




11 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

PEDRO MOUTINHO & TIAGO BETTENCOURT


Pedro Moutinho é um dos intérpretes mais representativos da nova geração do fado.

Na sua discografia conta com três discos gravados em nome próprio: "Primeiro Fado" (Som Livre - 2003), Prémio Revelação da Casa da Imprensa, “Encontro” (Iplay - 2006), Prémio Amália Rodrigues para o melhor disco do ano, e “Um Copo de Sol” (Iplay 2009) aclamado pela critica como um dos melhores discos dos últimos 10 anos. Com 34 anos de idade, participou já em vários festivais e tournées pelo mundo fora em representação da música portuguesa, destacando-se nos últimos anos a sua participação no Filme “Fados” de Carlos Saura.


Tiago Bettencourt editou 2 discos com os Toranja e um com os Mantha; já recebeu Globos de Ouro e foi nomeado para os prémios MTV. Descobrimos que o Tiago Bettencourt descobriu que os Mantha seriam um excelente meio para ir mais além nas suas composições.
Ou seja, o Tiago Bettencourt quis saber o que poderia acontecer depois dos Toranja e com os Mantha obteve a resposta. “O Jardim” foi editado em Outubro de 2007 e é simultaneamente um álbum de ressaca e descoberta. De ressaca, porque o sucesso dos Toranja ainda estava muito presente e a pressão natural de querer fugir às fórmulas era maior, existindo a tentação de criar um distanciamento quase obrigatório. De descoberta, porque os Toranja haviam ficado para trás e tocar com os Mantha obrigava a um novo começo. O resultado já todos sabemos (ou pelo menos os que quiseram ouvir o disco): um punhado de canções maduras e a revelação de um Talento seguro, que soube contornar a ressaca e conviver com a descoberta.



Dois géneros completamente diferentes, mas que se juntam pela cumplicidade das palavras cantadas, pela força que estas mesmas imprimem na forma de estar na arte e na vida. Juntos estarão num palco onde a música não conhece fronteiras, onde a expressão que ambos têm se une numa mensagem com vista sobre a alma da música portuguesa: seja ela Fado ou Pop, antiga ou nova, é acima de tudo intemporal.



18 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

PAULO DE CARVALHO convida ANA SOFIA VARELA


É um dos mais importantes cantores/intérpretes de todos os tempos, aquele a quem muitos apelidam de “A Voz” e um dos mais conceituados compositores da história da música portuguesa.


Não existe nenhum português que não conheça Paulo de Carvalho. Isto porque para além de tudo, a cantar e a compor, atravessou todas as fronteiras, sejam elas geográficas ou temporais nos últimos 48 anos.


Na sua carreira contam-se grandes êxitos como “Flor Sem Tempo”, “Nini dos Meus Quinze Anos”, “E Depois do Adeus” (que marcou um dos momentos mais importantes da nossa história, nos anos 70), mais tarde “Lisboa Menina e Moça” e “Fado do Cacilheiro” foram as suas primeiras abordagens à canção de Lisboa. Já no final dos anos 80, surge com alguns dos seus temas mais emblemáticos, como “Meninos do Huambo” e, mais tarde, “Mãe Negra”, onde revela a versatilidade da sua voz. Ao longo de 48 anos de carreira a sua viagem musical leva-o através de variados estilos musicais, desde a música ligeira, ao fado, à world music ou ao jazz.


Consigo traz uma convidada: “Ana Sofia Varela”. Uma das mais emblemáticas fadistas da geração que surgiu nos últimos 20 anos. Representou Portugal na "Womex" (The World Music Expo) realizando um concerto que encantou a comunidade internacional da "World Music", e que tem resultado em vários convites para actuações no estrangeiro.

Integrou projectos como “A Guitarra e Outras Mulheres” de António Chainho, “Sal” com José Peixoto, Fernando Júdice e Viki. Participou no filme “Fados”, de Carlos Saura e no Espectáculo “Casa de Fados” que resultou a partir da última cena deste filme.

O seu último trabalho discográfico, “Fados de Amor e Pecado”, lançado em Outubro de 2009, é um projecto idealizado e composto na totalidade por João Gil e João Monge. Tem sido aclamado pela crítica especializada como um marco na história do fado na última década.


No Palco estarão duas formações: de um lado, Piano, Bateria e Baixo; do outro, Guitarra Portuguesa, Viola de Fado e Contrabaixo. No contexto, as duas formações que se unem numa viagem ao universo musical do Cantor, do Jazz ao Fado. O caminho é a alma, o veículo é a voz e a sua musicalidade. O ponto de partida é a sua história, o fim da viagem não existe, porque a sua música é intemporal.




19 JUNHO | Sábado | 22H00 |

JOÃO FERREIRA ROSA, MARIA DA FÉ, BEATRIZ DA CONCEIÇÃO e MARIA DA NAZARÉ convidam ARGENTINA SANTOS


João Ferreira Rosa, Beatriz da Conceição, Maria da Fé e Maria da Nazaré, fazem parte de uma das gerações mais importantes da História do Fado. Contam já com aproximadamente 50 anos de carreira e são nos dias de hoje vistos como umas das mais importantes testemunhas da história da Canção de Lisboa. Foram e ainda continuam a ser referências para a maior parte dos fadistas que têm surgido nos últimos anos.

Juntos convidam uma das mais antigas vozes do Fado da actualidade: Argentina Santos que está a comemorar 60 anos de carreira e que receberá em Julho de 2010 a medalha da Cidade de Lisboa.




25 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

RICARDO PARREIRA convida cantores de Coimbra: PROF. MACHADO SOARES, DR. LUÍS GÓIS e ANTÓNIO ATAÍDE


“CANCIONÁRIO” é o novo trabalho discográfico e espectáculo do guitarrista “Ricardo Parreira”. Depois do seu disco de estreia “Nas Veias de uma Guitarra – Tributo a Fernando Alvim”, considerado pela crítica e comentadores como um dos mais importantes documentos sobre os grandes compositores da história da guitarra portuguesa dos últimos anos, prossegue agora numa nova viagem: um trabalho com base no fado, ainda que mais dedicado à música tradicional e popular portuguesa.

Este novo disco, que será também um novo espectáculo, tem três vozes convidadas, baixo e percussões. Tem ritmo, balanço e diversidade, numa viagem sem sacrifícios pela história da nossa alma: “É preciso ter vontade de dançar mesmo que não seja o caso…”

Ricardo Parreira nasceu em Paço de Arcos há apenas 23 anos, no seio de uma família ligada ao Fado e à Guitarra Portuguesa. Filho de António Parreira (professor na escola do Museu do Fado) e irmão de Paulo Parreira, ambos instrumentistas de referência. Iniciou os seus estudos, ainda muito novo, primeiro pela mão de seu pai e, depois, no Conservatório Nacional.


Machado Soares e Luís Góis dispensam apresentações. São as mais importantes referências do Fado de Coimbra da actualidade. Cada um com uma carreira de aproximadamente 50 anos, percorreram o mundo inteiro em representação da Música Portuguesa. António Ataíde, uma das mais brilhantes vozes da nova geração, integrou uma série de projectos relacionados com a canção de Coimbra e tem vindo a fazer um dos percursos mais dignos pelo mundo fora.


Esta é a primeira vez que o fado de Coimbra é convidado a participar na Festa do Fado, concluindo assim uma viagem aos caminhos da música portuguesa, que vai desde a música tradicional e popular e onde se cruza o fado de Coimbra e Lisboa numa noite com vista sobre o Tejo e a Cidade.




26 JUNHO | Sábado | 22H00 |

KATIA GUERREIRO & MARISA LIZ


Com dez anos de carreira, Katia Guerreiro é, hoje, uma intérprete consagrada e reconhecida como uma notável embaixadora da música portuguesa. Como corolário da excelência do seu trabalho recebeu, em Fevereiro de 2006, o prémio PERSONALIDADE FEMININA 2005, disputado pelos nomes mais importantes do panorama musical português. O público que a elegeu considerou-a “uma das mais bonitas vozes da actualidade, aliada a uma invulgar capacidade vocal”. Desde o início da sua carreira, Katia tem apresentado o Fado um pouco por todo o mundo: França, Marrocos, Bélgica, Inglaterra, País de Gales, Egipto, Suíça, Espanha, Noruega, Polónia, Suécia, Grécia, Coreia do Sul, Japão, Itália, Tunísia, Nova Caledónia, Turquia e Índia, para além de Portugal, são países que já aplaudiram as suas actuações nos mais belos Palcos e nos mais importantes Festivais de música.



Marisa Liz é, segundo alguns dos mais importantes comentadores, uma das mais prestigiadas e consideradas intérpretes da nova geração da cena World/Pop Portuguesa.

Nasceu em Lisboa e, desde muito nova, veio a abraçar grandes projectos musicais dos quais se destacam, “XL Fame”, “Donna Maria”, “Tributo a Carlos Paião” e as suas participações com grandes músicos e cantores como Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Rui Veloso, Júlio Pereira, Rão Kiao, Vitorino, Paulinho Mosca (Brasil) Pedro Luís e a Parede (Brasil), entre outros.


Na noite de encerramento da Festa do Fado juntam-se o Fado e a World Pop para um concerto onde mais uma vez o que conta é a cumplicidade das palavras e acima de tudo das palavras cantadas em português.



ENTRADA: 12,50 € (preço único)

Bilhetes à venda na ticket line e bilheteira do Castelo de S. Jorge

(telefone: 21 880 06 20)

M/ 3 anos




PÔR-DO-FADO

Quatro Concertos, Quatro Reportórios é o mote para este conjunto de instrumentais ao final de tarde, onde a guitarra portuguesa é a protagonista. E a carta-branca foi entregue a José Manuel Neto, um dos mais importantes guitarristas da actualidade.

Com 20 anos de carreira, são inúmeras as suas participações nas mais prestigiadas salas de espectáculos e festivais nacionais e por todo o mundo, ao lado dos mais importantes interpretes de fado, como Camané, Cristina Branco, Carlos do Carmo, Mísia, Ana Moura, Marisa, Argentina Santos, Maria da Fé, entre outros.


03, 10, 17 e 24 JUNHO | Quintas - feiras | 19H00

ENTRADA: 5,00 € (preço único)

Bilhetes à venda no Museu do Fado (21 882 34 70)

M/3 anos


FÁBRICA DO BRAÇO DE PRATA

O ambiente é o de uma noite de fados: três músicos e um fadista que canta e faz as honras da casa, convidando outros fadistas espontâneos que vão aparecendo e são convidados a cantar ou a tocar. Tudo vale, até um instrumentista de outra área que se atreva a entrar na “Jam Session Fadista” que a noite propõe.


Voz e anfitrião: Helder Moutinho | Guitarra Portuguesa: Ricardo Parreira | Viola de Fado: Marco Oliveira | Baixo: Yami


05, 12, 19 e 26 JUNHO | Sábados | 00H00

ENTRADA: 8 € por pessoa (preço único)

Bilhetes à venda na Fábrica do Braço de Prata

Rua da Fábrica do Material de Guerra, n.º 1 (em frente aos correios do Poço do Bispo)

M/ 16 anos


CHAPITÔ

Às terças no Bartô (Bar do Chapitô), Ricardo Rocha (guitarra), Marco Oliveira (viola) e João Penedo (contrabaixo) acompanham as mais diversas vozes do fado tradicional. Noites de tertúlia onde o fado acontece.


08, 15 e 22 JUNHO | Terças – Feiras | 23H00

ENTRADA: Gratuita

M/ 16 anos


NA IGREJA DE SANTO ESTEVÃO

Rodrigo

Na igreja de Santo Estêvão | Junto ao cruzeiro do adro | Houve em tempos guitarradas … Mal que batiam trindades | Reunia a fadistagem | No adro da santa igreja | Fadistas, quantas saudades | Da velha camaradagem … Santo Estêvão, padroeiro | Desse recanto de Alfama | Faz um milagre sagrado | Que voltem ao teu cruzeiro | Esses fadistas de fama | Que sabem cantar o fado…

Rodrigo não é apenas sinonimo de tradição e popularidade no panorama do fado, é também um testemunho vivo de todos os percursos que este género musical teve ao longo da sua existência. É esta a imagem com que ficamos quando estamos em frente de um homem com 68 anos de idade, simples e directo, exactamente como esta canção que, ao longo dos tempos e também por causa de Artistas como ele, se tornou num dos expoentes máximos da cultura do nosso País.

Rodrigo é uma das vozes mais populares do Fado Tradicional.


06, 20 E 27 JUNHO | Domingos | 19h00 | RODRIGO

ENTRADA: Gratuita

M/ 3 anos »

23 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (II)


A edição também é uma missão
por António Pires, Publicado em 05 de Junho de 2009

Numa altura de profunda crise da indústria discográfica, são cada vez mais os artistas e grupos musicais que optam pela edição às suas próprias custas. São as chamadas "edições de autor"; uma resposta de muita gente ao crescente desinvestimento em novos nomes por parte de grandes (e pequenas) companhias discográficas. Mas também há aqueles, artistas e músicos, que querem editar a música dos outros. Não que o fenómeno seja novo em Portugal: nos anos 80 surgiram em Portugal, entre outras, a Fundação Atlântica (criada por Pedro Ayres Magalhães, Ricardo Camacho e Miguel Esteves Cardoso), a Dansa do Som (ligada ao mítico Rock Rendez Vous e igualmente dirigida por Mário Guia, que tinha sido baterista d'Os Ekos) e a Ama Romanta (liderada por João Peste, vocalista dos Pop Dell'Arte). Em anos mais recentes - e deixando de parte também outros exemplos - Rui Veloso criou a Maria Records (que editou Os Azeitonas e Jorge Vadio), e já este ano, Pedro Abrunhosa apostou nos Varuna para inaugurarem o catálogo da sua editora Boom Studios. Mas, para o fim, ficam os melhores exemplos desta tendência: com um verdadeiro espírito de missão (não por acaso, ambas as editoras têm também motivações religiosas por trás), a FlorCaveira (do cantor e compositor Tiago Guillul: na foto) e a Amor Fúria (liderada por Manuel Fúria, agora n'Os Golpes) estão a provocar uma pequena revolução na música portuguesa com a sua quantidade - e qualidade! - de boas edições num muito curto espaço de tempo. Graças a Deus.


João Aguardela: uma homenagem
por António Pires, Publicado em 12 de Junho de 2009

Uma turma de Produção e Marketing de Eventos da Restart vai apresentar no dia 3 de Julho, no MusicBox (Lisboa), um espectáculo de homenagem a João Aguardela (na foto, de Alexandre Nobre), cantor, músico e compositor falecido há alguns meses, com apenas 40 anos e no auge da criatividade, fosse n'A Naifa, fosse no Megafone. O espectáculo - que vai incluir bandas e artistas a fazerem versões de temas dos vários grupos de Aguardela, além de DJ, projecções vídeo, um fanzine a ele dedicada ... - chama-se Evento Megafone. O Megafone, para quem não sabe - ou para quem conhecia apenas os trabalhos mais mediáticos de Aguardela nos Sitiados ou depois n'A Naifa - era mais uma, senão a maior, declaração de amor de João Aguardela às raízes da música portuguesa. Aí, geralmente, ele pegava em recolhas feitas nas aldeias por Michel Giacometti e outros e mergulhava-as num caldo de programações electrónicas e outros instrumentos, sempre com uma paixão enorme pela tradição, mas igualmente com os olhos postos no futuro. E, apesar de não ser o único a fazê-lo, nestes ou em moldes semelhantes - exemplos: antes, a Banda do Casaco e a Sétima Legião fizeram-no; mais recentemente, os Chuchurumel e os Omiri também... -, a verdade é que os CDs do Megafone são edições limitadas e que chegaram a menos gente do que aquilo que deviam. É obrigatória uma reedição alargada e cuidada desses discos.



Novo Fado antes do Novo Fado
por António Pires, Publicado em 19 de Junho de 2009

Muito antes d'A Naifa, Deolinda, OqueStrada, Donna Maria, Fado em Si Bemol, M-Pex, Atlantihda e outros projectos que procuram novos caminhos para o fado - um fado rejuvenescido por outras linguagens como o rock, as electrónicas, as influências mais acústicas do jazz ou de outras "músicas do mundo" -, já outros nomes faziam um caminho paralelo, e pioneiro, na busca de novos caminhos para o fado. Nos anos 80 e início dos anos 90, artistas como Anamar, Paulo Bragança (na foto, de Rui Vasco) e o projecto Ovelha Negra desenvolveram uma obra que abria o fado a outras linguagens musicais sem nunca deixarem de fazer uma música profundamente portuguesa, nossa e imediatamente reconhecível como fado, apesar dos desvios. Anamar, nas gravações para a Ama Romanta e em outras posteriores, abriu o fado à modernidade. Paulo Bragança - fadista trágico de corpo e alma - abriu completamente o peito às balas dos puristas. E os Ovelha Negra - projecto de Paulo Pedro Gonçalves (Corpo Diplomático/Heróis do Mar/LX-90/Kick Out The Jams) - puseram Miguel Gameiro (Pólo Norte) e Rita Guerra a cantar fado como nunca se ouviu e a cantar como nunca nenhum deles tinha cantado, e tão bem!, antes ou depois. Se calhar ou, de certeza, apareceram todos antes do tempo. E desaparecerem da vida pública quase a seguir. Os Ovelha Negra lançaram apenas um álbum. Bragança anda em parte incerta. E Anamar, apesar de editar de vez em quando, raramente tem a exposição que merece. Voltem todos, se faz favor.

18 setembro, 2009

Megafone 5 - Homenagem a João Aguardela


Dia 4 de Novembro, A Naifa, Dead Combo, OqueStrada, Gaiteiros de Lisboa e Dead Combo sobem ao palco do CCB, em Lisboa, para homenagear João Aguardela (na foto, de Alexandre Nobre. O espectáculo chama-se «Megafone 5» e a razão segue aqui em baixo:

«MEGAFONE 5 Música Para Uma Nova Tradição
Centro Cultural de Belém – Grande Auditório, 4 Novembro 2009
Categoria: Espectáculo, Música / Tag: João Aguardela, Megafone 5 / Comentar

MEGAFONE 5 é um projecto que tem como objectivo celebrar, homenagear e difundir o trabalho e as ideias de JOÃO AGUARDELA. João Aguardela, que integrou colectivos como os SITIADOS, MEGAFONE, LINHA DA FRENTE e A NAIFA, faleceu precocemente aos 39 anos em Janeiro de 2009.

Nascido entre um grupo de amigos e admiradores de João Aguardela, o projecto MEGAFONE 5 materializa-se em três faces visíveis: o ambicioso site que concentra toda a sua obra; um prémio anual de distinção de nova música tradicional portuguesa (em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores); e a realização de um grande espectáculo no dia 4 de Novembro de 2009, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, com as presenças d´A NAIFA, DEAD COMBO, Ó’QUESTRADA e GAITEIROS DE LISBOA.

Bilhetes já à venda. Todas a receitas revertem a favor da Associação Cultural Tradição Megafone».

Mais informações, aqui.

19 janeiro, 2009

Adeus João... E Obrigado Por Tudo!


Esta é daquelas notícias que não gostaria mesmo nada de dar. Mas aqui fica, como sentida homenagem e com um enorme adeus e um ainda muito maior obrigado pelo que o João fez pela música portuguesa e pelo amor que sempre demonstrou às suas raízes. Obrigado João (e um abraço de conforto aos teus amigos mais próximos: a Sandra, o Luís, a Mitó...). Na íntegra, o comunicado dos amigos:

«Faleceu a 18 de Janeiro de 2009 em Lisboa o músico João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro. Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, que fizeram enorme furor nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone (quatro discos de um trabalho muito pessoal, que cruza a recolha de música tradicional portuguesa com sonoridades electrónicas), Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados e dezenas de concertos aclamados pela crítica e pelo público.

Criador com capacidades fora do comum, inovador, Aguardela soube antecipar tendências e lançar projectos esteticamente inéditos, sempre numa abordagem marcada pela defesa da língua e da cultura portuguesas.

Firme nas convicções, determinado nos objectivos , invulgar na forma de ser e estar na vida, desde sempre grangeou respeito e admiração no meio musical, ainda que nunca tivesse procurado o estrelato.

Vítima de cancro, morreu no Hospital da Luz, aos 39 anos. Deixa uma obra invejável e saudade à família e amigos. Como escreveu o João, "os dias sem ti/ são todos iguais/ são estrelas sem brilho/ são dias a mais"».

O funeral está marcadao para amanhã, terça-feira, às quatro da tarde, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

04 agosto, 2008

Viana do Castelo Recebe o Festival M.U.N.D.O.


Mais Umas Noites De Ócio (ou, em sigla reveladora, M.U.N.D.O.) é um novo festival que vai ocupar as noites de 14 e 15 de Agosto em Viana do Castelo, com um programa alargado de, digamos, world music criada e produzida em Portugal. Junto segue o texto de apresentação do festival:

«Sendo um festival de músicas do mundo, pretende ir além da tradicional abordagem étnica, procurando antes a mescla patente em fenómenos musicais oriundos dos mais diversos pontos do planeta que reflectem uma nova urbanidade no quadro desta nossa aldeia global. Portanto, sem pré-requisitos quanto a origens geográficas, mas com exigências na latência de uma nova musicalidade global.

Como que a prová-lo, neste primeiro cartaz, essa globalidade é encontrada exclusivamente no território português. No angolano kuduro produzido em Lisboa que está a conquistar os maiores festivais da Europa, leia-se Buraka Som Sistema. Nas paisagens musicais que os Dead Combo desenham de Alfama ao Velho Oeste. Na revisitação da guitarra portuguesa e de um certo fado que A Naifa (na foto) faz à luz de electrónicas recentes…

E neste particular, numa diversificada paleta que a novíssima música portuguesa está a assumir e que é urgente (re)conhecer. Para além dos Buraka Som Sistema, cabe aqui o furor balcânico/magrebino/jamaicano/africano da fanfarra Kumpania Algazarra, o drum ‘n’ bass a batuques e didgeridoo dos Olive Tree Dance, os ritmos e danças africanos dos Madandza, o regresso da canção popular portuguesa pelos Deolinda e canção pop polvilhada a mundo dos regressados Madame Godard.

No capítulo do djing, o M.U.N.D.O apresenta uma selecção espelho destas diversidades e contágios musicais: Raquel Bulha (Antena 3), Balkan Beats, Selecta Xibata e AeroSoul.


Para além da música, o festival inclui workshops de dança e uma mostra-exposição, a decorrer nos mesmos dias dos concertos, e duas sessões de cinema ao ar livre que se realizam a 11 e 13 de Agosto.

O festival Mais Umas Noites De Ócio realiza-se dentro das muralhas do Castelo de Santiago da Barra, no centro da cidade, encostado à foz do rio Lima e com capacidade para cerca de cinco mil pessoas. Por esta altura, a região de Viana do Castelo é, ela própria, exemplo de multiplicidade étnica e cultural com a afluência de centenas de milhares de turistas nacionais e estrangeiros, emigrantes e imigrantes.


Dia 14

Buraka Som Sistema

www.myspace.com/burakasomsistema

Kumpania Algazarra

www.kumpaniaalgazarra.com, www.myspace.com/kumpaniaalgazarra

Olive Tree Dance

www.olivetreedance.com, www.myspace.com/olivetreedance

Madandza

www.myspace.com/madandza


dj’s:

Raquel Bulha (dj set. Antena 3)

Balkan Beats (dj set)



Dia 15

A Naifa

www.anaifa.com, www.myspace.com/anaifa

Dead Combo

www.deadcombo.net, www.myspace.com/deadcombo

Deolinda

www.myspace.com/deolindalisboa

Madame Godard;

www.madamegodard.com, www.myspace.com/madamegodard


dj´s:

Selecta Xibata (live act)

Aerosoul (live act)


www.mundodafabrica.com

www.myspace.com/festivalmundo


Castelo de Santiago da Barra

Abertura de portas às 20h00

Preços

1 dia: 15 €

2 dias: 20 €



Actividades paralelas:


Cinema ao ar livre

Anfiteatro do Jardim Marginal, 22h00


Dia 11

Buena Vista Social Club, de Wim Wenders


Dia 13

Fados, de Carlos Saura



Dias 14 e 15

Workshops de dança

(africana, oriental, balcânica e folclórica)

Anfiteatro do Jardim Marginal, 17h00


Dias 14 e 15

Projecto Viana-Conakry

(exposição-mostra da expedição que uniu as duas cidades)

Castelo de Santiago da Barra, a partir das 20h00


M.U.N.D.O.

Mais Umas Noites De Ócio


www.mundodafabrica.com

www.myspace.com/festivalmundo».

20 abril, 2008

A Naifa no Maria Matos - Um Concerto Inolvidável!


É um post rápido, domingueiro, e domingueiro de chuva..., mas que não poderia deixar de fazer: o concerto d'A Naifa (na foto; de Alexandre Nobre), ontem, no Teatro Maria Matos, foi absolutamente maravilhoso, arrepiante, extraordinário!!! Nas canções novas de «Uma Inocente Inclinação Para o Mal» - canções onde o fado é ainda mais fado e o rock é ainda mais rock - ou nas novas roupagens de canções mais antigas - com destaque para o arranjo de «A Verdade Apanha-se com Enganos» e para a interpretação sublime de «Todo o Amor do Mundo Não Foi Suficiente» - ou nas versões inesperadas de «Subida aos Céus», dos Três Tristes Tigres (mas porque é que soa, tanto!, a UHF do início?) e de «Desfolhada», de Simone de Oliveira, sente-se um'A Naifa maior, mais madura, com um sentido musical e poético apuradíssimo. A Mitó tem cada vez mais luz na sua voz, um sol inteiro ou mesmo quando a luz é contida e é apenas uma chama de vela quando ela é preciso; o Luís Varatojo rasga a guitarra portuguesa com riffs e fados (riffados?) cada vez mais personalizados; João Aguardela é a invenção e a segurança e até uns acordes (acordes!) num baixo cada vez mais melódico; Paulo Martins é o cimento, discreto, daquilo tudo. E as luzes, as luzes mesmo - as luzes que não saem da voz de Mitó ou dos instrumentos dos seus companheiros - são o enquadramento perfeito do espectáculo. Um espectáculo inesquecível.

12 abril, 2008

Garifuna Collective e A Naifa no FMM de Sines


O Garifuna Collective - grupo que acompanhava o recentemente falecido Andy Palacio (na foto; de Tony Rath) - está confirmado para a edição deste ano do FMM de Sines, segundo um «press-release» do festival que refere os premiados dos BBC World Music Awards que constam do alinhamento do festival em 2008: «Três projectos musicais programados para o Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines e Porto Covo entre 17 e 26 de Julho, venceram as suas categorias na edição 2008 dos Prémios de World Music da BBC Radio 3. Os prémios, anunciados dia 11 de Abril, coroaram Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (Mali) como melhor grupo africano, Juldeh Camara & Justin Adams (Gâmbia / Reino Unido) como melhor projecto de Cruzamento de Culturas e Andy Palacio and The Garifuna Collective (Belize) como o melhor grupo do continente americano. A vitória africana de Bassekou Kouyate acumula com o prémio de melhor disco de 2007 ("Segu Blue"), que já tinha sido anunciado no final do ano passado. Dia 17 de Julho, este antigo músico de Ali Farka Touré sobe ao palco com o seu quarteto de "ngoni" (tipo de alaúde africano) para um espectáculo de "blues" malianos assente no seu disco premiado. Juldeh Camara, vocalista e mestre do "riti", violino de uma corda tocado por toda a África Ocidental, e Justin Adams, guitarrista de Robert Plant e produtor de três discos dos Tinariwen, estão em Sines dia 23 de Julho com outro dos melhores discos de fusão do ano, "Soul Science". Andy Palacio, uma das grandes apostas para a programação do FMM 2008, faleceu inesperadamente em Janeiro, mas a sua música e a sua memória não deixarão de estar em Sines, dia 20 de Julho, através da sua banda, The Garifuna Collective, que organizou um espectáculo de tributo ao excepcional músico do Belize».

Outro nome confirmado para o FMM de Sines é o grupo português A Naifa, que está a lançar agora o seu terceiro álbum, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal». O quarteto actua em Porto Covo, no dia 18 de Julho.

13 março, 2008

A Naifa - A Cortar Pela Terceira Vez


Depois dos (excelentes) álbuns «Canções Subterrâneas» e «3 Minutos Antes de a Maré Encher», A Naifa edita agora um novo álbum, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal», desta vez - e ao contrário dos anteriores, em que apostou na divulgação de variadíssimos novos poetas portugueses - recorrendo apena à poesia de um único autor, a escitora Maria Rodrigues Teixeira. O novo álbum d'A Naifa - Mitó (voz), Luís Varatojo (guitarra portuguesa), João Aguardela (baixo eléctrico) e Paulo Martins (bateria) - tem como primeiro single a canção «Filha de Duas Mães», sendo os restantes temas «Um Feitio de Rainha», «Na Página Seguinte», «Esta Depressão Que Me Anima», «Um Rapaz Mal Desenhado», «Dona de Muitas Casas», «O Ferro de Engomar», «Apenas Durmo Mal», «Pequenos Romances», «Na Aula de Dança», «O Ar Cansado dos Meus Vestidos», «Nas Tuas Mãos Vazias», «Uma Ligeira Indisposição» e «Apanhada a Roubar». O álbum estará disponível, a preço de lançamento, a partir de dia 15 de Março (depois de amanhã), nas bilheteiras dos teatros por onde vai passar a digressão de apresentação. Uma digressão que tem datas marcadas para Abril - Coimbra (Teatrão, dias 3 e 4), Horta (Cine-Teatro Faialense, dia 5), Guarda (Teatro Municipal, dia 11), Tondela (ACERT, dia 12), Lisboa (Teatro Maria Matos, dias 18 e 19), Sesimbra (Fortaleza de Santiago, dia 24) e Portalegre (CAE, dia 26) - e Maio - Santarém (Teatro Sá da Bandeira, dia 3), Águeda (Cine-Teatro S. Pedro, dia 9), Setúbal (Fórum Luísa Todi, dia 10), Moita (Fórum J.M. Figueiredo, dia 16), Montemor-o-Novo (Cine-Teatro Curvo Semedo, dia 17), Loulé (Convento de Sto. António, dia 23), Aveiro (Teatro Aveirense, dia 30) e Braga (Theatro Circo, dia 31). Mais informações aqui.

28 fevereiro, 2008

Donna Maria, M-PeX e Novembro - Ou Como Passar Tangentes ao Fado


De Amália Rodrigues a Carlos do Carmo - nomes que agora já ninguém se atreveria a não associar imediatamente ao fado -, dos Madredeus a Paulo Bragança, dos Ovelha Negra a Lula Pena, de Liana aos Sal, d'A Naifa* aos Fado em Si Bemol, de Cristina Branco aos Deolinda**, muitos são os artistas e grupos que, em alturas variadas e em contextos diferentes, têm levado o fado para alguns desvios saudáveis e territórios que não são exclusivos do fado. Nos últimos meses, três álbuns voltam a colocar a questão: pode o fado fundir-se com outras músicas? E como?... As respostas vêm dos Donna Maria, de M-PeX e dos Novembro (na imagem, desenhada por Miguel Filipe, cantor e guitarrista dos próprios Novembro).


DONNA MARIA
«MÚSICA PARA SER HUMANO»
EMI Music Portugal

É uma pena, mas não consigo gostar da música dos Donna Maria. Não tinha gostado no primeiro álbum, «Tudo É Para Sempre», e continuo a não gostar no segundo, o recente «Música Para Ser Humano», apesar de haver neste um peso menor das electrónicas - embora as electrónicas por lá continuem bem presentes - e um recurso maior a instrumentos acústicos, mais caminhos sonoros percorridos, um alargado leque de convidados de luxo (Rui Veloso, Luís Represas, Rão Kyao, Raquel Tavares, Júlio Pereira, Ricardo Parreira na guitarra portuguesa...). Mas muitas das canções do álbum continuam a soar demasiado a pompa e circunstância, a um artificialismo qualquer, a uma mistura de Madredeus com Gotan Project, sem grandes acrescentos de originalidade a essa fórmula. E é pena porque, se a voz de Marisa Pinto nem sempre se sente à vontade em algumas canções, há outras em que ela já voa livremente sobre as composições dos dois colegas de grupo - Miguel Ângelo Majer (samples, bateria e voz) e Ricardo Santos (piano acústico, sintetizadores e voz). E é pena porque o fado - e a música portuguesa em geral - precisava de um grande projecto de fusão do fado com as electrónicas, projecto que os Donna Maria não são e, infelizmente, ainda não existe. E é pena, finalmente, porque há no álbum alguns temas bastante bons, como o divertidíssimo «Zé Lisboa», onde ao fado se juntam a música brasileira e indiana, num exercício pop sem pudores, ou a bonita versão de «Pomba Branca», de Max. (5/10)



M-PEX
«PHADO»
This.co

M-PeX é o nome de um curiosíssimo projecto protagonizado, em solo absoluto, por Marco Miranda (guitarra portuguesa, guitarra clássica e programações). Um disco em que às bases electrónicas se junta uma guitarra portuguesa bastante bem tocada por Marco Miranda - ele também o compositor de todos os temas -, uma guitarra portuguesa que deve alguma coisa a Carlos Paredes (cf. em «Melodia da Saudade») mas, ainda mais, aos grandes mestres da guitarra de Lisboa, essencialmente a Armandinho. Tendo aprendido guitarra portuguesa com o seu avô, Luís Tomás Pinheiro, a quem o álbum «Phado» é dedicado, Miranda embrulha belíssimos ecos e memórias de fado - e de fados - em invólucros pouco usuais: o rock progressivo, o ambientalismo à Brian Eno, o drum'n'bass, o dub, o electro ou algumas invenções deliciosas (oiça-se o vocoder de «The Cloud's Whispering Song», a fazer lembrar os Air). Com a guitarra portuguesa usada em estado puro ou sujeita a transformações, cortes, distorções, manipulações, o que é estranho - e muito bom! - em «Phado» é que esta música nunca deixa, por uma vez que seja, de ser música portuguesa, mesmo quando as sonoridades de base estão muito longe daquilo que nós entendemos como «fado» ou como «música portuguesa». Uma excelente surpresa! (8/10)


NOVEMBRO
«À DERIVA»
Lisboa Records

Outra boa surpresa é o álbum de estreia dos Novembro, grupo liderado por Miguel Filipe - que compôs a totalidade dos temas do álbum «À Deriva», excepto «Algemas» e «Gastei Contigo as Palavras» -, que canta, toca guitarra portuguesa e guitarras acústicas e eléctricas, para além de ser o responsável pelas programações, e do qual também fazem parte Mark William Harding (bateria), Luís Aires (baixo eléctrico) e, só ao vivo, João Portela (guitarras), aos quais se juntaram em alguns temas do álbum Rodrigo Leão, Guto Pires e Tiago Lopes, entre outros. E uma boa surpresa porque, nos Novembro, conseguem coabitar muitas sonoridades que há alguns anos seria impensável conciliar: o fado, sim, mas também a abordagem desviante do fado encetada há vinte e tal anos por António Variações, aliados a um rock inteligente e fundo, que deve quase tudo ao movimento indie dos anos 80: os Joy Division, os Cocteau Twins, os Clan of Xymox, os Kitchens of Distinction... E, por aqui, já se pode ter uma ideia que os ambientes percorridos pelos Novembro estão, quase sempre, associados a conceitos como nostalgia, tristeza, saudade, ausência, desespero ou depressão. E isto tem tudo a ver com o fado, ou não tem? (7/10)

Notas:

* O terceiro álbum d'A Naifa, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal», é editado no dia 31 de Março.

** O álbum de estreia dos Deolinda, «Canção ao Lado», está agora a ser finalizado nos estúdios Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, e sairá dentro de mês e meio. Amanhã, dia 29, os Deolinda dão o seu último concerto - no Auditório Carlos Paredes, em Benfica, Lisboa - antes da digressão de apresentação do álbum.

09 outubro, 2006

Fados e Phados de Outono


O fado - e os seus vários caminhos - invade o calendário de espectáculos deste Outono em Lisboa, Porto e outras cidades com concertos imperdíveis de Lula Pena (na foto), A Naifa, Cristina Branco e Aldina Duarte...

Lula Pena - autora de um ovni da música portuguesa, o álbum «Phados», no já longínquo ano de 1998 - dá um raro concerto em Lisboa, na ZDB, sábado, dia 14 de Outubro. E dela podem esperar-se fado, música brasileira e cabo-verdiana, música tradicional portuguesa, aproximações ao Norte de África; sempre apresentados de uma maneira inesperada e hiper-personalizada... Desde há alguns anos que Lula Pena está a trabalhar num novo álbum, algures no Alentejo. Talvez no sábado se descubra que outro ovni vem aí...

Cristina Branco homenageia Amália Rodrigues no espectáculo «21 Gramas» - baseado na ideia ou crença ou eventual verdade científica de que o corpo perde 21 gramas no momento da morte e que será esse o peso da alma - em concertos no Porto (Casa da Música, dia 19 de Outubro) e Lisboa (Centro Cultural de Belém, dia 25 de Novembro). E é a alma de Amália que Cristina Branco «encarna» neste espectáculo em que o reportório é exclusivamente baseado em temas cantados originalmente por Amália Rodrigues. No próximo ano, Cristina Branco irá à procura de outra alma, a de José Afonso.

Por sua vez, Aldina Duarte recupera o espectáculo «Crua», que tem concepção e direcção cénica do encenador Jorge Silva Melo, e apresenta-o, em Novembro, na Culturgest, Lisboa (dia 17) e na Casa da Música, Porto (dia 19) e, em Dezembro, no Teatro Viriato, em Viseu (dia 15).

Por último, o melhor projecto de sempre de re-actualização (e também re-ritualização) do fado, A Naifa, faz um apanhado de canções dos seus dois álbuns - «Canções Subterrâneas» e «3 Minutos Antes De A Maré Encher» - para o espectáculo global «As Canções d'A Naifa», que sobe à cena em Dezembro, dia 1 no Teatro Maria Matos (Lisboa), dia 6 no Teatro Aveirense (Aveiro), dia 7 no Teatro Circo (Braga) e dia 9 no Teatro Municipal de Faro. Imperdível.

04 setembro, 2006

Festa do «Avante!» - Uma Música em Atalaia


Estar de atalaia é o mesmo que estar atento, vigilante, sentinela de algo de novo, que acontece ou está para acontecer. E é uma coincidência feliz que a Festa do «Avante!» - órgão oficial do Partido Comunista Português - se realize, desde há muitos anos, numa quinta com este nome. Porque a Festa continua a ser um óptimo ponto de descoberta e de observação (ainda outra maneira de dizer atalaia) da música que se faz em Portugal e noutros sítios. A 30ª edição da Festa do «Avante!» teve momentos altos suficientes para que permaneça por muito tempo na memória dos festeiros, avantereiros aventureiros. Aqui ficam algumas notas soltas sobre alguns dos concertos de folk/trad/world, o que se lhes quiser chamar...

Logo a começar, na sexta-feira, os Djumbai Jazz do cantor guineense Maio Coopé - com José Galissa numa kora deliciosa e baixo, bateria, saxofone, duas coralistas-dançarinas, percussionista... - instalaram a festa com uma mistura explosiva de afro-beat, mbalax, funk e música mandinga. Cor, dança, alegria. Uma festa que continuou, horas depois, ainda no Auditório 1º de Maio, com o fado cada vez menos fado da, paradoxalmente, cada vez mais fadista - no canto, na voz, no espírito, na presença - Cristina Branco, num concerto lindíssimo (apesar do som dos foguetes e da música de carrinhos-de-choque de um bar próximo terem estragado, de vez em quando, o ambiente) e em que não se sentiu a ausência de Custódio Castelo (bem substituído por outro guitarrista - Paulo Parreira?) e onde o pianista Ricardo Dias (da Brigada Victor Jara) dá um toque de modernidade e sensibilidade absolutas. E fim de festa, na primeira noite, com os Andarilhos, banda sem pretensões que faz versões de música tradicional e levou a dança aos resistentes no Café-Concerto.

O segundo dia, sábado, começou muito bem, no 1º de Maio, com os Mandrágora, diferentes - para melhor - dos Mandrágora que tinha visto pela última vez em Loulé: a banda tem agora um baixo eléctrico (em substituição do acordeão) e o som do grupo portuense está agora mais rude, mais rock, mais swingante. Nalguns temas mais lentos o baixista ainda tenta encontrar o seu espaço, mas quando aquilo acelera ele leva o resto da banda atrás de si. E isso é bom. Ainda no Auditório, A Naifa (na foto, de Mário Pires, da Retorta) deu o melhor concerto de todos os que vi nesta Festa: um concerto triunfal, com a banda de Mitó, João Aguardela, Luís Varatojo e, agora, Samuel Palitos na bateria, a saírem de palco, depois da sua versão de «Tourada» em encore, debaixo de uma tempestade de aplausos. E razões para os aplausos não faltaram: Mitó cantou como nunca a ouvi cantar (toda ela confiante, confidente, sensual, solta e livre e feliz), Aguardela está um mestre no baixo eléctrico, Varatojo está cada vez mais um melhor executante de guitarra portuguesa e Samuel Palitos deu um toque perfeito de fúria punk a alguns temas, que assim ganharam corpo e densidade rítmica. Depois, o reportório privilegiou o segundo álbum e nem faltou o irónico para a ocasião - mas bastante bem aceite - «Señoritas» ou o cada vez mais arrepiante, arrepiante mesmo!, «Todo o Amor do Mundo Não Foi Suficiente».

Não vi - só ouvi de perto, numa fila à espera de uma sandes de leitão... - os escoceses Peatbog Faeries, mas aquilo soa quase sempre bem - principalmente nos solos do violino - e às vezes mal, quando um rock manhoso entra pelos jigs e reels fora e arrasa aquilo tudo. Manhosice que não existe, e ainda bem, nos Gaiteiros de Lisboa, que deram mais um concerto magnífico (no palco 25 de Abril), que começou com a loucura de «Ciao Xau Macau» e continuou com temas do novo álbum (destaque, óbvio, para aqueles em que Manuel Rocha, da Brigada Victor Jara, entrou muito bem com o seu violino - «Comprei Uma Capa Chilrada» e «Chamarrita do Pico» -, e para as picantíssimas «As Freiras de Sta. Clara») e outros mais antigos que levaram ao coro ou ao espanto ou ao mosh ou ao pulo muitos dos fãs dos Xutos & Pontapés (que actuariam a seguir): «Mbira do Norte», «Subir Subir», «Quando o Judas Teve Sarampo» ou, já no encore, «Trângulo Mângulo».

Infelizmente só consegui ver parte do concerto dos Taraf de Haidouks: o espectáculo destes ciganos romenos estava magnífico, tal como sempre, mas o calor, a quantidade de gente amontoada num espaço cada vez mais exíguo (o Auditório 1º de Maio) para alguns concertos, os feedbacks constantes, fizeram-me zarpar para um bar próximo, com amigos e cervejas frescas. E, depois, já perto das três da manhã, para uma surpresa: os já mencionados Manuel Rocha (em violino) e Ricardo Dias (aqui em acordeão) tocavam «standards» de música tradicional portuguesa e de José Afonso («As Sete Mulheres do Minho», «Milho Verde», etc, etc, etc...), em cima de uma das mesas do restaurante de Coimbra, para deleite e festa e coro de dezenas de pessoas. E isto é tão bonito!!

No domingo falhei os concertos da tarde mas cheguei a tempo de confirmar, mais uma vez, o poder - dir-se-ia magnético - dos fabulosos Babylon Circus, no Palco 25 de Abril: centenas de pessoas aos saltos e em dança constante durante o seu concerto feito de tantas músicas quanto é lícito imaginar. Saí, estavam eles a cantar que a caravana passa, pelo meio de milhares de pessoas em direcção ao concerto de Sérgio Godinho, no 1º de Maio, a abarrotar lá dentro e com mais algumas centenas de pessoas a assistir de fora: um concerto em que Godinho - acompanhado por uma banda rejuvenescida e com músicos de escola de rock inteligente - fez apelo à memória de muitos dos rapazes e raparigas que o conheceram via «Os Amigos do Gaspar» (e isso foi perfeitamente audível no coro, lindíssimo, que recebeu a canção «É Tão Bom»), mas sem esquecer temas emblemáticos da sua carreira - todos eles também com direito a coro - como «Balada da Rita», «Arranja-me Um Emprego», «Quatro Quadras Soltas» ou «Com Um Brilhozinho nos Olhos», altura em que furei pela multidão pé ante pé, com licença, com licença, até ao Avan'Teatro para me despedir da Festa ao som dos Roncos do Diabo.

E foi uma bela despedida: a última vez que os vi (há dois anos, no Andanças) ainda se chamavam Gaitafolia e este grupo de gaiteiros e percussionista lisboetas ainda não tinham este sentir bárbaro, selvagem e, ao mesmo tempo, hiper-afinado que têm hoje. Uma versão violentíssima da «Saia da Carolina», um tema chamado «Quero É Que Tu Te Fodas» (é mesmo assim que se chama?) e um fandango asturiano, entre outros, puseram dezenas de pessoas (as que este pequeno espaço suportava e outras lá à porta) a dançar e a suar em bica, apesar do sol já não brilhar há algumas horas. De referir, a finalizar, que faltaram à chamada a fabulosa cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, as brasileiras Mawaca e os inicialmente também previstos espanhóis Amparanoia, nomes que bem podiam aparecer na edição 31 da Festa, para alegria de todos nós...

02 agosto, 2006

A Naifa - Mais Vadio Que Fado


A Naifa é bem capaz de ser o caso mais sério de renovação do fado, feito por quem se está nas tintas para as palavras «renovação» e «fado». Aqui, o mais importante é a música (e a poesia que essa música carrega...). Aqui fica a recuperação de duas entrevistas com o grupo, a propósito de cada um dos seus álbuns. A primeira de Fevereiro de 2004, a segunda de Fevereiro de 2006.


A NAIFA OU O FADO ESTRANGEIRADO

João Aguardela (Sitiados, Megafone) e Luís Varatojo (Peste & Sida, Despe e Siga) encontraram-se na Linha da Frente. Acabado este projecto, os dois viraram-se para o fado. De frente? Não: de lado, por trás, de esguelha, enviesadamente, juntando-lhe elementos musicais estrangeirados e novos poetas portugueses. «Canções Subterrâneas», o primeiro álbum, já aí anda...

A Naifa é um estrangeirismo e é, paradoxalmente, uma palavra tipicamente portuguesa -- «naifa» vem da palavra inglesa «knife» (faca) e no calão nacional quer dizer isso mesmo, com o picante adicional de serem os malandros e os bandidos a usarem-na (quer dizer, uma faca pronta a trinchar um frango assado nunca é uma naifa; uma navalha de ponta-e-mola brandida numa briga de rua em Alfama já é uma naifa). E por isso é tão feliz a utilização desta palavra para dar nome a um projecto que cruza a pop, o rock, as electrónicas (estrangeirismos) com o (tipicamente português, com tudo o que de bom e de mau pode estar contido na palavra «tipicamente») fado. Depois do final da Linha da Frente, Varatojo pegou na guitarra portuguesa - ele que estava mais habituado à guitarra eléctrica - e Aguardela pegou no baixo eléctrico e na maquinaria (sintetizadores, sequenciadores...) para darem forma a um projecto que, não sendo fado, também é fado. Ou não? Ou sim?... Varatojo explica: «Depois da Linha da Frente ficou uma relação de trabalho e de amizade entre nós os dois, e decidimos fazer uma coisa nova, uma música que tivesse a ver connosco e que também tivesse a ver com a música portuguesa. E falou-se do fado... Daí eu ter partido para a guitarra portuguesa e experimentar à volta dessa ideia». Os trabalhos começaram em Janeiro do ano passado, mas o bichinho do fado já existia nos dois, nem que fosse latente: diz Aguardela que «os Peste & Sida tinham uma atitude fadista, um bocado de faca e alguidar (risos)... E nos Sitiados chegou a haver mesmo fados... No Megafone fui à música tradicional portuguesa não urbana, enquanto aqui vou à música tradicional portuguesa que as pessoas reconhecem mais imediatamente, o fado». E isto é música portuguesa?... «É, filtrada pelo que nós ouvimos e pelas nossas experiências ao longo dos anos».

Aos dois juntaram-se o baterista Vasco Vaz (não confundir com o guitarrista dos Mão Morta) e a cantora Maria Antónia, aka Mitó, uma voz absolutamente fadista (mesmo quando se afasta um pouco do género). E, como «colaboradores», Rui Duarte (vocalista dos Ramp, também dos Linha da Frente e, n'A Naifa, a cantar dois poemas reunidos num tema só) e vários poetas contemporâneos como Adília Lopes, José Miguel Silva, José Luís Peixoto, Tiago Gomes e Nuno Moura, entre outros... Mitó, a voz, chega ao grupo já os trabalhos tinham começado e com um background interessante: estudos de violoncelo no Conservatório e experiência de canto em bares, num grupo de música popular portuguesa [Alcateia] e em casas de fado, embora nunca como fadista residente. Diz Mitó: «é mais aquela coisa de fazer uma noitada, um jantar e cantar uns fados... Canto fado, gosto de fado, mas não gosto muito daquele fado tradicional e em que não se sai dali. E gosto muito de fazer experiências, desmontar, desmistificar... Foi o Vasco [baterista d'A Naifa e colega de Mitó nos Alcateia] que fez de ponte entre mim e os outros e gostei da ideia deles [A Naifa]: abanar as raízes e, se calhar, provocar um bocadinho os meus amigos do fado tradicional».

Pegámos na deixa e falamos de várias coisas relacionadas com as eventuais reacções que A Naifa poderá provocar junto dos puristas do fado - pegando na abordagem que os Ojos de Brujo fazem à rumba catalã e ao flamenco; e nos exemplos portugueses de «desconstrução» do fado, nomeadamente Paulo Bragança e Mísia... Mas os músicos d'A Naifa não têm medo das reacções dos puristas: «Não temos receio nenhum...», diz Aguardela, «Não existe uma PIDE, um "esquadrão" do fado que anda aí a perseguir os hereges... E há diferenças entre nós e outros: o Paulo Bragança estava no meio do fado, nós não... Para nós, o fado é uma referência comum a todos e cada um tem a sua forma de o encarar. O fado não é património de ninguém... E no nosso país é raro aparecerem pessoas que reinventam a tradição porque muita gente pensa que aquilo é um património intocável. E não é! Estas coisas só fazem sentido se pegarmos nelas, as transformarmos e as puxarmos para o nosso quotidiano. E este disco ["Canções Subterrâneas", o álbum de estreia do quarteto] também não é um disco de fado ou, pelo menos, desse fado».

Por coincidência, «Canções Subterrâneas» é editado numa altura em que estão a sair o álbum de Liana e a colectânea «Chillfado», projectos que também pegam no fado e o vestem com sonoridades atípicas. Os músicos d'A Naifa não conhecem os outros dois projectos, mas comentam a aceitação que o fado está a ter um pouco por todo o mundo, com artistas como Mariza, Mísia, Mafalda Arnauth, Cristina Branco, etc, etc, e avançam a teoria de que «se calhar, isto é cíclico. O fado está a ser reconhecido em termos internacionais como aconteceu em tempos com a Amália Rodrigues e, depois, com os Madredeus...», diz Aguardela. Madredeus?, pergunto eu. E ele responde: «A ideia dos Madredeus está muito mais próxima daquilo que nós fazemos, em termos abstractos. Os Madredeus, apesar de nunca se dizer que aquilo é fado, têm uma matriz fadista que por vezes nem passa pela música mas com a maneira como eles se apresentam. Os Madredeus fazem música portuguesa, tal como nós fazemos música portuguesa...».

E como é que se sente um guitarrista «eléctrico» com uma guitarra portuguesa (embora por vezes tocada como se de uma guitarra eléctrica se tratasse) nas mãos?... Varatojo diz que «aprendi sozinho a tocar guitarra portuguesa. Não aprendi com um guitarrista de escola porque não sairia isto. Deu bastante gozo pegar naquilo e ver o que dava, com as referências que eu trazia detrás... E dá-me bastante gozo tocá-la e toco-a todos os dias. É um recreio ou uma playstation...». Por sua vez, Aguardela toca baixo eléctrico e trata das electrónicas, «mais como forma de criar ambientes para cada tema. Não estão tão presentes como no Megafone».

Na Linha da Frente, Aguardela e Varatojo musicaram textos de poetas consagrados como Alexandre O’Neil, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, Natália Correia ou Fernando Pessoa. Aqui, os dois apostam em novos poetas... «Na Linha da Frente cada um dos intervenientes escolheu o poeta que queria cantar - por exemplo, o Janelo escolheu o António Aleixo -, mas já havia um poeta novo, o Tiago Gomes. E foi isso que nos levou a pensar quem é que estaria agora a escrever e quem estaria a reinventar a língua portuguesa». Outro «resquício» dos Linha da Frente é a presença de Rui Duarte, dos Ramp, «a cantar um quase-fado. Mas não o escolhemos por ser um vocalista de uma banda de metal a cantar, mas por ser nosso amigo e por morar na margem sul, tal como diz um dos poemas - embora ele more no Seixal e não no Barreiro».

O álbum chama-se «Canções Subterrâneas», mas as razões são mais simples do que poderiam parecer. Diz Aguardela que «há muita gente a fazer música, a fazer canções, que não ouves na rádio, que não vês na televisão, mas que continuam a fazer o trabalho delas... E isto passa-se na música e na poesia: o José Luís Peixoto já não é tão "subterrâneo" quanto isso, mas os outros são...».


A NAIFA
NOVOS CANTOS DE FACA E ALGUIDAR

O novo álbum d'A Naifa, «3 Minutos Antes de A Maré Encher», mostra o grupo de Mitó, João Aguardela e Luís Varatojo a desenvolver o seu universo musical próprio e bem definido desde o primeiro álbum, «Canções Subterrâneas». A palavra «fado» ainda é quase tabu, mas não tanto assim...

Ao ouvir o vosso novo álbum, não sinto que haja grandes diferenças entre a música deste disco e a do primeiro álbum. E isto é a observação de um fã que gostou muito do primeiro disco e também gosta muito do segundo...

João Aguardela – Nós definimos logo, ao primeiro disco, uma personalidade muito forte e, de alguma forma, apaixonámo-nos todos pel'A Naifa. E sentimos, depois de dois anos de concertos, que ainda faltava escrever canções dentro desse universo que foi construído no primeiro álbum. Já experimentámos cruzar canções dos dois discos e resulta perfeitamente. Há grupos que fazem uma carreira inteira com uma ideia ou uma canção, como os Ramones. Mas acho que esse não é o nosso caso... E este disco foi diferente do outro em termos de construção. O outro foi mais fragmentado, de momentos, em que cada um de nós trabalhou, às vezes, sozinho... O novo disco foi mais feito em conjunto, por nós três.

Isso sente-se, principalmente, na voz da Mitó, que parece estar muito mais à-vontade neste novo álbum...

Mitó – Quando gravei o primeiro álbum tinha acabado de os conhecer. Havia alguma timidez da minha parte e eles próprios não sabiam até que ponto é que podiam puxar por mim. Neste novo álbum, estamos com dois anos de estrada em conjunto. Acabámos por nos conhecer bastante bem e senti que houve uma boa fusão energética e química entre nós. Desta vez senti-me muito mais à-vontade a cantar estas canções...

Vocês rodaram algumas destas canções ao vivo?

J.A. – Não, mas foram muito rodadas em ensaios.

Porque não incluíram neste disco nenhuma das versões que tocam ao vivo como o «Alfama», dos Mler Ife Dada, ou o «Sete Naves», dos GNR? A «Tourada», de Fernando Tordo, poderia ser um single óbvio...

J.A. – Não sei se seria assim tão óbvio. E a inclusão desses temas nos espectáculos teve uma razão pragmática: na altura tínhamos um reportório curto para um concerto. E nunca sequer nos passou pela cabeça gravá-las. Por outro lado, se as gravássemos estávamos a atraiçoar um bocadinho as pessoas que foram ver os espectáculos...

Luís Varatojo – Nós gostamos de tocar essas músicas, mas, mais do que isso, gostamos de fazer as nossas músicas.

J.A. – E não fazia muito sentido transformamo-nos numa espécie de mini-Resistência, com muitas versões. Se temos canções nossas para fazer, é natural que elas ocupem espaço neste disco...

Vocês incluem no livreto do disco três poemas que não estão no álbum...

M. – No disco também estão três faixas que não têm poema...

J.A. – A primeira faixa; a que faz a transição para as «Señoritas»; e a faixa escondida. São as faixas correspondentes a esses três poemas...

M. – E agora as pessoas podem adivinhar qual corresponde a qual...

L.V. – É quase um karaoke (risos).

Esta pergunta é mais para o João porque se refere ao novo disco do seu projecto Megafone: o álbum tem uma faixa em que se ouvem extractos de temas de várias bandas portuguesas, todas a cantar em inglês. Há aqui alguma espécie de crítica aos cantores portugueses que cantam em inglês?

J.A. – Não; é uma constatação. Apenas. Esse tema foi feito ligando a Antena 3, à quinta-feira, e gravando durante duas horas seguidas. E o que passou, de música portuguesa, é o que está lá. Com duas excepções, os Toranja e os Mind da Gap. E não é só música cantada em inglês, é música anglo-americana...

Fiz a pergunta porque neste novo álbum d'A Naifa vocês continuam a usar textos de poetas portugueses... Há alguma ligação escondida entre essa faixa do Megafone e o vosso trabalho sobre as palavras em português d'A Naifa?

J.A. – Nenhuma. A poesia que está neste disco é a poesia de que nós gostamos, que nós lemos nestes dois anos e que faz parte de nós.

L.V. – E que dá boas canções.

J.A. – Alguns desses poetas são uma espécie de membros honorários d'A Naifa. Mas, atenção, nós não queremos fazer colectâneas de nova poesia portuguesa...

Mas A Naifa também funciona como uma espécie de montra para alguns poetas...

L.V. – Não sei; o objecto principal aqui é a música.

M. – Isso poderá ser uma consequência, mas não é uma coisa premeditada.

J.A. – Até porque todos esses poemas estão editados em livro.

No novo álbum há várias histórias que correm mal. Histórias de faca e alguidar...

J.A. – Sim, há vários poemas de amor e desamor.

M. – Há mais melodrama.

E, pronto, lá tem que vir a palavra «maldita»: são mais...

L.V. – Fadistas (risos).

E, apesar de vocês em entrevistas sempre recusarem a ideia de que a vossa música tem como matriz o fado, não estarão agora, por via dessas letras, mais próximos do fado?

J.A. – Conheces algum fado que tenha um poema parecido com algum destes?

L.V. – As ideias que temos associadas ao fado são ideias que têm a ver com os portugueses, não são especificamente do fado. Tem a ver com a forma como sentimos as coisas. A nostalgia... Aquilo que nós sentimos quando fazemos esta música e principalmente quando estamos em cima do palco, sentimo-lo realmente. Não estamos ali como actores, não tem nada de artificial...

Num dos espectáculos que vi d'A Naifa, em Loulé, no Festival Med, estavam muitos estrangeiros que reagiram de uma forma muito curiosa ao vosso concerto. Primeiro estavam a olhar desconfiados, mas depois começaram a dançar um bocadinho e tudo isto no meio de muito silêncio... A pergnta é quase inevitável: para quando o salto d'A Naifa para o estrangeiro?

J.. – O salto lá para fora tem que ver com duas condições básicas: a primeira é ter controlo sobre o disco, que agora temos finalmente – com a mudança de editora [o novo álbum d'A Naifa é editado pela Zona Música, enquanto o primeiro foi editado pela Sony]- e a segunda é podermos disponibilizar tempo da nossa parte para poder trabalhar seriamente nisso. Não acredito muito naquelas carreiras internacionais de mandar um disco paa ali e ver o que acontece ou fazer espectáculos dispersos. A nós interessava-nos muito mais passar um mês em Espanha e dois meses na Bélgica, por exemplo, e até agora ainda não conseguimos reunir essas condições. E nunca seria para já, pois vamos ter uma digressão de vinte datas. Mas tem havido um fenómeno curioso, que é a «internacionalização» mão em mão. Não sabemos como, o primeiro disco foi parar ao Brasil, à Bélgica, a Holanda, a Espanha... E de todos esses sítios têm vindo reacções interessantes ao que nós fazemos...

Vocês mudaram de uma editora discográfica multinacional, a Sony, para uma independente. Sentiram-se mais livres a gravar este segundo álbum?

J.A. – A gravar não. Mas o que se passou foi outra questão de ordem prática: de facto, a Sony é a proprietária do primeiro disco.

L.V. – Isso, basicamente, não nos permitiu fazer contactos com editoras lá fora. Com a Sony tínhamos um contrato mundial que não nos permitia editar através de outras editoras no estangeiro. E o novo contrato, com a Zona, já nos dá possibilidades de negociarmos com outras editoras lá fora.

Vocês vão começar agora uma digressão que tem vinte datas em teatros de todo o país. Isto é muito bom...

M. – E isto foi uma grande vitória porque não caiu assim sem mais nem menos...
J.A. – Fomos nós que produzimos a digressão que se seguiu ao lançamento do primeiro álbum e, nessa digressão, sentimos que havia gente em todo o lado interessada na música d'A Naifa. E isso deu-nos a experiência para que agora, logo à saída do novo disco possa haver uma digressão com estas características. Isto também tem a ver com a ideia de que, nos tempos que correm, devemos ser cada vez mais autónomos. Não há nenhuma agênca neste país que nos proporcionasse uma digressão destas. E nós fazemo-la porque somos a nossa própria agência e trabalhamos nisso diariamente. É tentar com que cada vez menos haja coisas a escapar-nos das mãos. Queremos fazer os discos como entendermos e queremos apresentar a nossa música como entendermos.