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24 maio, 2012

MED de Loulé 2012 - As Primeiras Confirmações!

Desta vez são só dois dias, mas que prometem ser intensos! Aqui vão os primeiros nomes, tal como revelados no comunicado oficial: «Festival MED 2012 – 29 e 30 de Junho Festival Med regressa a Loulé com estreia mundial A Curva da Cintura com Arnaldo Antunes, Toumani Diabaté e Edgard Scandurra, SMOD (na foto; de Fouad Allaoui), Sany Pitbull, A Jigsaw, Miguel Araújo e Norberto Lobo são os primeiros nomes já avançados para a 9ª edição do Festival Med. Loulé, 24 de maio de 2012 – Estão já fechados os primeiros nomes para a 9ª edição do Festival Med, um dos mais conceituados eventos de World Music realizado no nosso País. No fim do mês de junho o centro histórico de Loulé volta a encher-se de sons e sabores dos quatro cantos do mundo, representados pelas mais variadas manifestações artísticas, sendo a música o tema central deste festival. A Cerca e a Matriz voltam a ser os palcos principais das atuações dos grandes nomes do circuito internacional de World Music. O palco Castelo, à semelhança das edições passadas, será dedicado ao que de melhor se faz em Portugal. A Curva da Cintura com Arnaldo Antunes, Toumani Diabaté e Edgard Scandurra, SMOD, Sany Pitbull, A Jigsaw, Miguel Araújo e Norberto Lobo são os primeiros nomes já avançados para esta edição. Este ano o Festival Med será palco da esperada estreia mundial do projeto que junta três grandes nomes do género. Arnaldo Antunes (Tribalistas), Edgard Scandurra (Ira) e Toumani Diabaté (um dos músicos africanos mais importantes da atualidade) reuniram-se para gravar «A Curva da Cintura». Este disco traz até ao público as vozes quentes dos dois conhecidos artistas brasileiros e o talento do maliano nas cordas da requintada kora, instrumento que domina e que o levou a vencer por duas vezes o Grammy Awards de melhor álbum de Traditional World Music. A Curva da Cintura com Arnaldo Antunes, Toumani Diabaté e Edgard Scandurra será apresentado em estreia mundial dia 29 de junho, no palco Cerca. Vindos também do Mali chegam os aclamados SMOD. O grupo composto por Ousco, Donsky, e Sam, filho do famoso duo Amadou & Mariam, que passou pelo Med em 2008, irá estrear-se em Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho produzido por Manu Chao. O álbum SMOD transpira ritmos revolucionários de hip-hop e rap intercalados por sonoridades malinenses, em que se juntam influências do reconhecido produtor francês. O trio será responsável por encerrar o palco Matriz no primeiro dia do festival. O internacional DJ brasileiro Sany Pitbull irá passar pelo Med no dia 30 de junho para dar a conhecer as suas produções que já conquistaram as principais capitais europeias, como Londres, Paris, Estocolmo e Berlim. O seu trabalho é a prova mais contundente que o Funk carioca está na vanguarda da eletrónica mundial. Com mais de 20 anos de experiência, Sany Pitbull é apontado como um dos expoentes do estilo, diferenciado dos restantes produtores por apostar na exploração instrumental e na riqueza de ritmos e influências. “Cinco dias e meio” é o título do álbum de estreia a solo de Miguel Araújo, que será apresentado no palco Cerca, dia 30 de junho. Gravado em cinco dias e meio, como o próprio título indica, o álbum foi para a rua a 21 de maio e desde a data de edição conta com o sigle “Os maridos das outras” entre os cinco temas mais vendidos nas plataformas digitais em Portugal. Uma estreia imperdível deste artista português em solo algarvio. No dia 23 de junho, sobe ao palco Castelo o reconhecido guitarrista português, Norberto Lobo. Aclamado pela crítica nacional e internacional o guitarrista carateriza-se pelo carácter físico, humano e popular do seu som. Ao longo dos anos tem colaborado com artistas como os München, Chullage ou Lula Pena, para além de ser cofundador dos projetos Norman, Colectivo Páscoa e Tigrala. Já partilhou palcos ou digressões com variadíssimos músicos internacionais, como é o caso Lhasa de Sela, Devendra Banhart, Larkin Grimm, Naná Vasconcelos ou Rhys Chatham. Com dois álbuns de estúdio Norberto Lobo brindará Loulé com uma atuação única e memorável. A Jigsaw é o último nome do cartaz deste ano confirmado até à data. Esta banda blues-folk portuguesa, formada em Coimbra pelo trio João Rui, Jorri e Susana Ribeiro, sobe ao palco Castelo no dia 29 de junho para apresentar o seu terceiro registo de originais e revisitar alguns dos temas dos primeiros álbuns. Este grupo conquistou a opinião pública com o seu primeiro trabalho «Letters From The Boatman», lançado em 2007, graças à originalidade das vozes e da combinação de instrumentos como guitarra, harmónica, banjo, piano, contrabaixo, castanholas, bombo tradicional ou violino. Ao contrário das edições passadas, o festival conta este ano com dois dias de cartaz. Como explica Joaquim Guerreiro, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Loulé “O Festival Med é, desde a sua génese, um símbolo do dinamismo cultural da cidade e do Algarve. Este evento com expressão nacional tem vindo a ganhar eco internacional extremamente importante para a economia local e para a promoção da nossa oferta turística. A nona edição é mérito, sobretudo, do envolvimento e compromisso dos louletanos com este evento. Pautado pelo rigor artístico, mantém-se a excelência do cartaz, que inclui alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais”. Os bilhetes estarão à venda a partir de dia 1 de junho no Cine–Teatro Louletano e na FNAC do Algarve Shopping. O bilhete diário custa 12,00 €.»

27 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VII)


O futuro do fado no masculino
por António Pires, Publicado em 17 de Setembro de 2009


Quando se fala de fado - e, principalmente, de novo fado ou de novos fadistas - pensa-se geralmente na geração de novas cantoras, muitas delas excelentíssimas, que o fado de Lisboa gerou nos últimos quinze ou vinte anos: Mísia, Mariza, Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Ana Sofia Varela, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Carminho... A lista é quase infindável. Fala-se menos dos homens, alguns deles com uma qualidade idêntica à de algumas das mulheres referidas, ou por vezes maior. Quando se fala dos homens, vêm sempre à baila - e com justiça, aliás - os irmãos Moutinho: Camané, Hélder e Pedro. Mas não é deles que se fala aqui hoje. É de dois fadistas menos conhecidos mas que merecem ser seguidos com a máxima atenção nos próximos anos: Ricardo Ribeiro e António Zambujo (na foto). Com apenas um álbum, homónimo, em nome próprio - mas com uma parceria fundamental no surpreendente e histórico álbum "Em Português", do mestre do oud libanês Rabih Abou-Khalil, em que o fado se cruza com a música árabe e faz também algumas tangentes ao flamenco -, Ricardo Ribeiro é dono de uma voz (ia escrever "vozeirão") única e completamente arrepiante. Já António Zambujo é o homem que tem na sua voz não apenas as vozes do fado mas também outras vozes (Cateano Veloso, Brel, Antony Hagerty...), e isso faz do seu fado um outro fado, fresco e originalíssimo. É necessário descobri-los e ouvi-los.





Estamos todos com os azuis
por António Pires, Publicado em 24 de Setembro de 2009

Um dos maiores segredos da música feita em Portugal é um grupo que se prepara agora para editar o seu primeiro álbum de estúdio, depois de um outro gravado ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines. Chama-se Nobody's Bizness e faz dos melhores blues que se podem ouvir em qualquer parte do mundo. Quem já teve o privilégio de os ver nas suas (agora raras) residências mensais no Catacumbas, Bairro Alto, ou em mais alguns sítios, sabe com o que vai contar. Ou talvez não, porque os Nobody's Bizness também apresentam no disco temas originais, e excelentes!, em que os blues se cruzam com a folk norte-americana, o jazz ou a música country de uma forma original, emotiva e, de certa forma, portuguesa: os blues não estão distantes, na essência e talvez na sua origem ancestral, do fado (como também não o estarão da morna, da milonga ou do chorinho). E os Nobody's Bizness não estão sós nesta releitura à portuguesa dos blues, da country, da folk e de outras formas musicais cristalizadas nos Estados Unidos no século XIX ou inícios do século XX: The Soaked Lamb é outro grupo que parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu; Old Jerusalem é um cantautor de enorme talento que vai à folk ianque para a personalizar e transformar; os Unplayable Sofa Guitar pegam na country e fazem dela gato-sapato, electrificando-a e distorcendo-a em rock; e os A Jigsaw (na foto) fazem canções maravilhosas a partir das mesmas bases musicais. Estamos muito bem servidos.




Amália Hoje, Rão Kyao Amanhã?
por António Pires, Publicado em 01 de Outubro de 2009

O incrível sucesso do projecto Hoje - embora muito mais relevante do ponto de vista comercial que artístico, tal como aponta uma das melhores "críticas de música" jamais feitas em Portugal, num sketch d'Os Contemporâneos - é, pelo menos, revelador de que o fado, quando mudado com profissionalismo, tem tantas potencialidades de renovação como o tango (via Gotan Project), o jazz manouche (via Caravan Palace), o flamenco (via Ojos de Brujo) ou a música balcânica (via Shantel), etc. No entanto, o colectivo que já vendeu mais de 40 mil exemplares do seu disco "Amália Hoje" - e que inicia hoje, dia 1, uma mini-digressão de apresentação do disco que o leva à Figueira da Foz, aos Coliseus de Lisboa e Porto e a Vila do Conde - não descobriu a pólvora. No já longínquo ano de 1983, Rão Kyao (na foto), directamente saído do circuito do jazz, teve igualmente um enorme sucesso com o álbum "Fado Bailado", em que o saxofone substituía a voz na interpretação de muitos fados e, muitos deles, bem conhecidos na voz de... Amália Rodrigues. O mesmo Rão Kyao que depois gravaria álbuns próximos do fado como "Viva o Fado", "Fado Virado a Nascente" ou o novíssimo "Em'Cantado", editado esta semana, em que o músico conta com as vozes de fadistas como Camané, Carminho, Ricardo Ribeiro ou Ana Sofia Varela. Vai ser curioso observar como "Em'Cantado" poderá ou não sofrer - para o bem e para o mal - os efeitos do furacão Hoje.