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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

domingo, 13 de setembro de 2020

RUI VELOSO: OS Vês Pelos Bês




















Sobre Rui Veloso já tive a oportunidade de ler as opiniões mais díspares. Lembro-me aqui há alguns anos, num comentário a um post inserido no blog YéYé do meu amigo Luís Pinheiro de Almeida, de alguém o apelidar, e cito, «o António Calvário do cavaquismo, assim uma espécie de cantor do regime!» No polo oposto, quantas vezes a designação de “Pai do Rock Português” não lhe foi já concedida? É por demais sabido que extremismos nunca levarão nada a bom porto. E se apenas por maledicência se pode conotar o Rui Veloso com o nacional-cançonetismo (o que até pode não ser um insulto, pois mesmo dentro desse género musical existem coisas muito interessantes e de qualidade), já o cognome de “Pai do Rock Português” só poderá ser atribuído por ignorância. Como diria o meu amigo José Forte, «Rui Veloso é tanto pai do rock português como o Elvis Presley é o rei do rock ‘n’ roll». Com o devido distanciamento, é claro. Aliás, sendo o Rock um tipo de música marginal e irreverente, nunca lhe consegui vislumbrar “sangue azul” ou atribuir sequer uma ascendência legítima. Pelo contrário, sempre o vi mais como que um bastardo filho-da-mãe, fruto acidental de uma noitada de copos e devaneios.



Há quem também tente justificar o êxito do Rui Veloso com as condições propícias em que ele apareceu. Económicas, sociais e culturais. Não partilho dessa opinião. É verdade que os tempos têm a sua influência, mas penso sinceramente que Rui Veloso seria sempre Rui Veloso e que a sua qualidade se imporia de qualquer modo, independentemente da altura em que aparecesse, contra ventos e marés e arautos da desgraça. A propósito, vale a pena reler o que escreveu em tempos o saudoso Daniel Bacelar, um dos pioneiros, no início da década de 60, do Rock cantado em português (e se o Rui Veloso fosse efectivamente o “Pai do Rock Português”, o Daniel seria provavelmente o “Avô”): «A minha opinião vale o que vale mas continuo a achar que no meio de muita coisa má que apareceu no chamado novo Rock dos anos 80, apareceu muita coisa boa que como de costume desapareceu (as pessoas têm de ganhar a sua vida por outros lados) e também apareceu o excepcional. Incluo o Rui nesta última classe, pois acho-o um artista completo (extraordinário guitarrista, uma voz expressiva e rica, e um compositor cheio de talento). O que lamento é a nossa capacidade tão portuguesa de destruir aquilo que é bom (a nossa inveja é uma doença que nos consome até á destruição total que aí vem em passo acelerado ) em vêz de acarinhar e divulgar o que há de bom nesta terra.»



Esta dupla coletânea de 40 temas foi elaborada há 16 anos, mas acho que continua bem actual, apesar do seu período englobar apenas as primeiras duas décadas da discografia de Rui Veloso. Até porque, e infelizmente, a frequência das gravações foi drasticamente reduzida desde que o novo século se iniciou. Mas estas 40 faixas, dos anos 80 e 90, são canções que fazem parte do modo de estar português e que por isso mesmo a grande maioria de nós reconhece aos primeiros acordes, não sendo necessário ser-se conhecedor ou sequer apreciador de música portuguesa. É assim a música do Rui que, apesar do título do seu segundo album, não está nem nunca estará fora de moda.




Se depois de ouvirem as músicas do Rui ainda sentirem a necessidade de o ver em cima de um palco, aconselho-vos o DVD do “Concerto Acústico”, editado no Natal de 2003. Além dos 18 temas que constituem o alinhamento do espectáculo (gravado num ambiente intimista, com algum público em redor dos músicos), o DVD inclui vários extras, como por exemplo uma entrevista informal com os músicos em casa do Rui Veloso, o making of do DVD e dois temas extras: o “Primeiro Beijo”, gravado no mesmo cenário do concerto com o acompanhamento dos Cabeças no Ar (Tim, João Gil e Jorge Palma) e toda a emoção do tema “Porto Sentido”, gravado ao vivo no Coliseu do Porto.


Para quem queira aprofundar conhecimentos, existe já publicada uma biografia, “Os Vês Pelos Bês” (edição Prime Books, Novembro 2006), da autoria de Ana Mesquita, uma conterrânea mais nova do Rato. Dos diversos depoimentos inseridos na contra-capa do livro, permito-me destacar o de João Gil : «Cresceu ao ponto de conseguir ultrapassar as exibições de virtuosismo e alcançou a capacidade de espaçar, procurando sempre a melhor nota, sem se preocupar tanto com a velocidade. Ou seja, em vez de dar as cinquentas notas do cardápio, escolhe apenas duas. Duas notas tão intensas, tão expressivas, que nelas se resumem as vidas de todos nós.»


DISCOGRAFIA (ALBUNS ORIGINAIS):
1980 - Ar de Rock
1982 - Fora de Moda
1983 - Guardador de Margens
1986 - Rui Veloso
1988 - Rui Veloso ao Vivo (duplo)
1990 - Mingos & Os Samurais (duplo) (2CDs+ DVD do Concerto no Coliseu de Lisboa)
1992 - O Auto da Pimenta (encomenda da Comissão dos Descobrimentos)
1995 - Lado Lunar
1998 - Avenidas
2003 - O Concerto Acústico (duplo)
2005 - A Espuma das Canções (CD+DVD)
2009 - Rui Veloso ao Vivo no Pavilhão Atlântico (CD+DVD)
2012 - Rui Veloso e Amigos

RUI VELOSO: "Mingos & Os Samurais"

Edição original em LP/CD Duplo EMI 7949202
(PORTUGAL 1990, Julho 30)

Um dos albuns mais vendidos de sempre da Música Popular Portuguesa e o registo de maior popularidade de Rui Veloso com resultados para lá das expectativas. Com efeito foram vendidos perto de 300 mil exemplares deste duplo álbum, o que equivaleu, à época, ao recorde de 7 Discos de Platina para os autores. Também, até aos dias de hoje, nenhum outro artista português conseguiu o feito de permanecer 24 semanas seguidas em 1ª lugar no Top Nacional de Vendas. De "Mingos & Os Samurais" foram extraídos 3 singles de imenso êxito radiofónico, a saber: "Não Há Estrelas no Céu", "A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)" e "Fio de Beque". Uma espécie de Sgt. Pepper português, um disco conceptual sobre uma banda de salão de festas de província num Portugal que nunca deixou de existir. Apesar de o Rui Veloso ter deixado marcas comerciais e na psique popular como um pioneiro do rock, foi num pop produzido que ele encontrou o seu pé, usando o idioma do rock como um acessório de moda, e sempre dentro dos limites do consumo familiar, uma espécie de bonus pater familias em formato musical. Este disco é porém o momento onde afina melhor a fórmula, e mesmo hoje é difícil ignorar o seu impacto. Lembro-me de muitas destas faixas terem rotação constante na rádio, onde talvez ainda subsistam, porque foi para isso que foram produzidas. Em formato de disco, a sua extensão não é realmente um factor, devido à sua consistência. É o equivalente aural de umas pantufas confortáveis, aberto a reavaliação.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

RUI VELOSO: "A Espuma Das Canções"

Edição original em CD EMI Music Portugal,
Capitol Records 0946 3 47632 2 6
(PORTUGAL, Novembro 2005)


terça-feira, 21 de julho de 2020

RUI VELOSO: "Ar De Rock"

Edição original em LP EMI Valentim de Carvalho 11C 072 40525
(PORTUGAL, Julho de 1980)

Em Julho de 1980, num contexto de pós 25 de abril, Portugal era um país que respirava, finalmente, liberdade e onde a mudança cultural era urgente. Rui Veloso conseguiu instalar e afirmar o rock, em Portugal, com "Ar de Rock", o primeiro grande álbum de Rock & Roll cantando em português. Ao som de "Chico Fininho", "A Rapariguinha do Shopping" e "Sei de uma Camponesa", Rui Veloso dava-se assim a conhecer ao público. Estava dado o início de uma longa e célebre carreira, com músicas que atravessaram gerações e que ainda hoje são cantadas. "Ar de Rock" foi o mote para a revolução musical em Portugal e Rui Veloso não só construiu as bases para a sua carreira de sucesso, mas também para aquilo que seria o rock em solo português. Rui Veloso tinha 23 anos quando lançou o álbum "Ar de Rock", gravado com a Banda Sonora (Ramon Galarza e Zé Nabo) e produzido por António Pinho que também escreveu a letra de 2 temas. Além de assinalar a estreia de um cantor-compositor (Rui Veloso) e de um letrista (Carlos Tê), "Ar de Rock" é um retrato do Portugal do final dos anos 1970, início de 80. As fotos da capa são da autoria de Luís Vasconcelos, pai da artista plástica Joana Vasconcelos, na altura também fotógrafo da Valentim de Carvalho. "Ar de Rock" veio arejar definitivamente o panorama da música portuguesa. O single de apresentação "Chico Fininho" foi um marco na história da música rock, cantada em português, e uma inspiração para muitos novos músicos nacionais. O álbum bateu recordes de vendas, conquistou o país, provou que também era possível rockar em português e, em Setembro de 1980, valeu a Rui Veloso um convite para fazer a primeira parte do primeiro concerto dos britânicos Police em Portugal, no estádio do Restelo. O sucesso e a qualidade das músicas de "Ar de Rock", não só "Chico Fininho" mas também "Rapariguinha do Shopping", "Bairro do Oriente", "Sei de uma Camponesa" e "Saiu para a Rua", garantiram a viabilidade comercial do rock cantado em português e mostraram que a parceria Rui Veloso/Carlos Tê tinha futuro e havia de inspirar muitas gerações de músicos. (in RFM)

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