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quinta-feira, 11 de junho de 2009

CANNES 1969

Há 40 anos, a grande sensação do Festival de Cannes foi um filme soviético, "ANDREI RUBLEV", de Andrei Tarkovsky. Completado em 1966, foi conservado nas prateleiras pelo governo da U.S.S.R. que, entre outras coisas, o considerou muito pessimista para poder ser estreado durante as comemorações dos 50 anos da Revolução de Outubro. O filme abarca 8 episódios imaginários na vida de Rublev, um pintor do século 15, durante as suas deambulações na Russia feudal. Filmado em Cinemascope a preto e branco, este épico impressionante acaba com uma sequência a cores que faz justiça aos magníficos quadros do artista. Mas os prémios do Festival foram para outras direcções.
O Grande Prémio foi ganho por "IF..." de Lindsay Anderson, um ataque ao sistema educacional inglês (com Malcolm MacDowell no papel de Mick Travis, personagem que o actor retomaria em 1973 no filme "O LUCKY MAN / UM HOMEM DE SORTE", também de Anderson, e que seria como que uma continuação lógica do primeiro filme), enquanto que o Prémio Especial do Júri (presidido por Luchino Visconti) foi para um filme sueco de Bo Widerberg intitulado "ADALEN 31", sobre uma greve ocorrida numa fábrica de papel de uma pequena cidade do norte da Suécia que culminou no assassínio de 5 trabalhadores pelas forças policiais.

Os prémios pessoais foram para Glauber Rocha (realizador em "ANTONIO DAS MORTES"), Jean-Louis Trintignant (actor em "Z", de Costa-Gravas) e Vanessa Redgrave (actriz em "ISADORA", de Karel Reisz). Finalmente um outro filme daria também que falar no Festival, tornando-se, com o passar dos anos, num genuíno filme de culto, representativo de toda uma geração: "EASY RIDER", pelo qual Dennis Hopper ganharia o prémio de realização por uma primeira obra. Produzido e escrito por Peter Fonda (em parceria com Hopper), o grande trunfo do filme acaba por ser a fabulosa banda sonora recheada de temas fundamentais da cena pop-rock da época. Com uma belíssima fotografia de Laszlo Kovacs, o filme daria ainda a conhecer ao grande público um grande actor: Jack Nicholson, cuja participação (numa figura inesquecível) seria nomeada para o Oscar de Actor Secundário. O filme teria ainda mais uma nomeação, para o Argumento-Original.

domingo, 15 de março de 2009

"LA VOIE LACTÉE / A VIA LÁCTEA"

No dia 15 de Março de 1969 estreava-se em Paris o filme "LA VOIE LACTÉE / A VIA LÁCTEA" de Luis Buñuel, com Paul Frankeur, Laurent Terzieff, Alain Cuny, Bernard Verley, Michel Piccoli, Pierre Clementi e Delphine Seyrig. «Interessam-me as heresias como me interessam todos os inconformismos do espírito humano, seja na religião, na cultura ou na política», declarou o autor a propósito deste seu filme, que acompanha a viagem de dois peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. É uma viagem no espaço que se desdobra no tempo, o que lhes permite percorrer os grandes dogmas que pontuaram a história do catolicismo. Encontram um padre fugido de um asilo psiquiátrico, um chefe de mesa estudioso de teologia, um duelo de esgrima entre um jesuíta e um jansenista, etc. E assistem às Bodas de Canã, à cura falhada de dois cegos por Jesus Cristo, à Virgem Maria a dizer ao filho que se barbeie, etc. Todo o filme é apresentado como uma colagem perversa: colagem na acepção que este termo sempre teve para os surrealistas e perversa porque todo o cinema de Buñuel é perverso. Neste caso particular o filme seria a primeira parte de uma trilogia, seguido depois por “Le Charme Discret de la Bourgeoisie” (1972) e “Le Fantôme de la Liberté” (1974). A estreia em Portugal apenas ocorreria 10 anos depois, a 6 de Fevereiro de 1979, no Quarteto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

MONSTROS E MONSTROS

Faz hoje 40 anos que desapareceu um dos grandes ícones do cinema de terror. Nasceu em Londres, a 23 de Novembro de 1887, com o nome de William Henry Pratt, mas desde os 22 anos que adoptou o nome pelo qual seria mundialmente conhecido: Boris Karloff (segundo ele, o nome Karloff veio dos ancestrais russos pelo lado da sua mãe e Boris foi escolhido ao acaso). Foi durante uma digressão com uma companhia de Ontário, Canadá, para onde emigrou depois de ter frequentado uma Universidade londrina com a intenção de se tornar diplomata.
Durante dez anos viveu uma vida de saltimbanco sem eira nem beira até chegar a Hollywood no início da década de 20. Começou então a desempenhar pequenos papéis, em filmes e séries de orçamento reduzido, até que em 1931 lhe saíu a “sorte grande” ao ser escolhido para desempenhar o papel do monstro de "Frankenstein" (o filme foi um grande sucesso de bilheteria e arrecadou cerca de 12 milhões de dólares, superando em muito a modesta produção de 250 mil dólares). A partir daí nunca mais deixou de povoar os medos das audiências através das muitas dezenas de filmes que interpretou ao longo de mais quatro décadas (isto apesar de apenas cerca de 1/3 dos filmes que rodou terem sido do género que o celebrizou).
Na intimidade foi o prototipo do refinado gentleman inglês, sempre rodeado de amigos (foi vizinho de Christopher Lee durante muitos anos) e sobretudo de crianças, no meio das quais se sentiu sempre muito à vontade, e para as quais gravou muitos albuns de histórias. Bobby Pickett, que gravou o original de “Monster Mash”, ficou deliciado quando o actor interpretou a conhecida canção durante um programa especial de televisão. Aqui ficam os posters de alguns dos seus filmes:




Neste mesmo dia, em 1969, outra criatura que também nos deu muitos pesadelos, de seu nome Yoko Ono, consegue finalmente o divórcio do primeiro marido, Anthony Cox, ficando com a custódia da filha, Kyoko, e também com as portas abertas para o ataque final a John Lennon.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

BANDEIRA SINÓNIMO DE QUARTETO

Pedro Bandeira Freire, que morreu ontem no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, aos 68 anos, na sequência de um acidente vascular cerebral sofrido há alguns dias, e que em 1975 fundou o Cinema Quarteto ("4 salas / 4 filmes"), o primeiro multiplex português (e de Lisboa), era a última pessoa a querer que o evocassem com ar sério, voz embargada e lágrimas a escorrer pela cara abaixo. Por isso, começo por o recordar com uma história das dele.
Quando, pouco depois do 25 de Abril, se estreou em Portugal "A Religiosa", de Jacques Rivette, foi o Quarteto que recebeu o filme "maldito" (esteve um tempão em cartaz). Calhou o próprio Rivette vir a Portugal e Bandeira Freire acolheu-o cortesmente no cinema. Mas o cineasta francês lá viu (ou julgou ver) qualquer coisa mal na projecção, e começou a moer o juízo a Bandeira Freire, que não conseguia divisar nada de errado na forma como o filme estava a ser mostrado. Até que, perdendo a paciência, virou-se para Rivette, apontou-lhe a porta do cinema gritando «Dehors! Dehors!» («Rua! Rua!»), e conduziu-o para fora do edifício, meio empurrado, meio arrastado. Quando alguém lhe disse, «Ó Pedro, mas tu puseste o Rivette na rua? Estás maluco?», Bandeira Freire respondeu: «Pois pus! Ele é o Rivette, mas o cinema é meu!».
Numa das orelhas do seu livro de memórias Entrefitas e Entretelas, o também poeta, autor de teatro, rádio, televisão e de livros de máximas, argumentista, realizador (de duas curtas metragens), actor, letrista de canções, fundador da Livraria Opinião, jurado de festivais de cinema, grande amante de cinema e bon vivant consumado, deixou a biografia feita de forma tão completa e concisa, que é impossível não nos auxiliarmos das suas próprias palavras.
Nascido em 1939, antes da II Guerra Mundial, Pedro Bandeira Freire era, por isso, "material robusto e do melhor". Após quase ter terminado "com esforço e tenacidade" o Colégio Miitar (era o "57"), licenciou-se em "Gestão de Sentimentos", com "Mestrado de Relações Públicas" e doutoramento "em Filosofia de Vida". Não tendo habilitações para fazer alguma coisa de útil (o mesmo é dizer que não sabia nada de nada), dedicou-se a fazer um pouco de tudo. Uma das suas grandes qualidades - a preguiça!. Trabalhou em distribuidoras de filmes e na TAP, escreveu em jornais e revistas, fundou uma livraria e um cinema, o Quarteto, (onde divulgou anos a fio o melhor do cinema mundial e foi, durante muito tempo, campeão absoluto da cinefilia e da cultura cinematográfica), publicou livros, peças de teatro ("12 peças e meia, mais 4 do que o filme do Fellini", a Sociedade Portuguesa de Autores vai lançar uma inédita na sua colecção de teatro), e foi "amestrado, caricaturado amado e odiado, representado, jurado, letrista, premiado, censurado, enganado e fez os possíveis, embora sem obter resultados, para ser feliz". E gozou muito, sempre, imensamente, a vida, tanto como os filmes.
Há cerca de um mês, em plena "crise de consumismo e de cinefilia", Pedro Bandeira Freire entregou as chaves do Quarteto, após as quatro salas da Rua Flores do Lima terem sido fechadas pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, por apresentarem falhas ao nível da segurança. (Espera-se que o Quarteto não tenha o triste destino de tantas outras salas de cinema de Lisboa, e que quem de direito faça o que é preciso, e se exige, para o manter aberto, a passar filmes e com público).
(Eurico de Barros in Diário de Notícias, 17 de Abril de 2008)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

CHARLTON HESTON: 1924 - 2008

Pessoalmente pouco me interessa que o homem John Charles Carter, falecido no passado sábado aos 83 anos, tenha sido um poço de contradições: primeiro democrata e depois republicano; amigo de Reagan e dos Bush mas também de Martin Luther King com quem chegou a desfilar em numerosas ocasiões a favor dos direitos cívicos, apesar de mais tarde se ter tornado um defensor acérrimo do uso de porte de armas, das quais tinha uma coleção de umas centenas largas (foi durante muitos anos Presidente da Associação Nacional Americana de Armas). Essa sua fixação pelas armas vinha dos tempos passados ao ar livre na sua infância no Michigan, onde aprendeu a caçar e a viver da natureza como os americanos pioneiros o tinham feito. Mas num país tão cheio de contradições como a América até faz sentido a existência de pessoas assim. «Political correctness is tyranny with manners», era um dos seus lemas de vida.
Mas, como disse, nada disso me interessa. Para mim, o que realmente conta, é que o actor Charlton Heston (nome tirado do apelido de solteira da mãe – Lila Charlton e do apelido do padrasto – Chester Heston) me deu dois dos filmes da minha vida: “Ben-Hur”, em 1959 e “Planet of the Apes”, em 1968. E digo que “me deu” porque na verdade se não fosse ele a interpretá-los nenhum desses dois filmes teria atingido o panteão das obras imortais.
Houve muitos e melhores actores do que ele, não tenho qualquer dúvida em afirmá-lo. Mas muito poucos tinham aquele carisma, aquele dom especial que nos fazia acreditar na existência de homens indestrutíveis, maiores do que a própria vida. Foi sempre assim que o vi, nas diferentes personagens que encarnou pelos anos fora: Brad Braden (“The Greatest Show On Earth”, 1952); Moses (“The Ten Commandments”, 1956); Ramon Vargas (“The Touch of Evil”, 1958); Judah Ben-Hur (“Ben-Hur”, 1959); Rodrigo De Vivar (“El Cid”, 1961), Major Matt Lewis (“55 Days at Peking”, 1963); Michelangelo (“The Agony and the Ecstasy”, 1965); George Taylor (“Planet of the Apes, 1968); Will Penny (“Will Penny, 1968); Robert Neville (“The Omega Man”, 1971); Robert Thorn (“Soylent Green”, 1973): Stewart Graff (“Earthquake”), só para citar os mais carismáticos.
Como certa vez ele próprio afirmou:
«If you need a ceiling painted, a chariot race run, a city besieged, or the Red Sea parted, you think of me».
Ou ainda:
«I have played three presidents, three saints and two geniuses. If that doesn't create an ego problem, nothing does».

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

EP Philips 429 684 BE (HOL., 1959)

DORIS DAY
"Pillow Talk"
Notas: Extended-Play extraído do filme "Pillow Talk / Conversa de Travesseiro", uma das melhores comédias de sempre e sem qualquer dúvida uma das preferidas aqui do Rato, que já perdeu a conta das vezes que com ela se deliciou. O tema "Inspiration" é interpretado pelo Rock Hudson e as restantes três pela Doris Day (na faixa "Roly Poly" ainda intervem Perry Blackwell). Para os fanáticos do filme, como eu, recomenda-se o duplo CD da Bear Family com 87 faixas (!), entre diálogos e diferentes versões dos temas. Os acetatos originais agora finalmente disponíveis, foram oferecidos a Rock Hudson pelo realizador (Michael Gordon) como prenda de aniversário. São estas preciosidades, dirigidas a um público específico e exigente, que as lojas portuguesas infelizmente fazem tábua rasa.

sábado, 10 de novembro de 2007

HELP ESPECIAL!

A minha caixinha especial já chegou! E, ao contrário do Luís Tita (que me confessou particularmente ainda não ter tido a coragem de a abrir - «é único!») fui muito mais audaz e ontem à noite só deu Beatles cá em casa.
O que mais me impressionou foi a qualidade da imagem e do som. Numa classificação de 0 a 5 dou-lhe... 6! Quanto ao filmezinho, claro, é aquela idiotice pegada que todos conhecem, e de que até o próprio grupo se envergonhava na época. A muitos anos-luz do "A Hard Day's Night", o 1º filme dos Beatles em glorioso preto-e-branco e, esse sim, uma referência básica quer do universo beatleliano quer do documentário musical. Qualquer jovenzinho de hoje que queira conhecer aquela época deverá colocar o DVD das "Cabeleiras do Após-Calipso" e não este "Socorro!"

Mais apelativos são os bónus que vêm no 2º DVD. Sem grandes pretensões fornecem no entanto pistas bem interessantes sobre a rodagem do filme e outras curiosidades associadas. Esta edição especial é no entanto demasiado cara para o que contém a mais da edição normal, pelo que só deverá ser adquirida pelos maluquinhos dos Beatles, como por exemplo aqui o vosso amigo Rato sempre foi. Destaco a coleção de 8 lobby-cards, de que aqui vos deixo dois exemplos.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

DVD "HELP", totalmente remasterizado, a 5 de Novembro nas lojas!

Depois de A Hard Day's Night (Richard Lester, 1964) e do filme de animação Yellow Submarine (George Dunning e Dennis Abey, 1968), um terceiro filme dos Beatles chega agora ao DVD. Tal como os anteriores, surge em cópia expressamente restaurada para o efeito. Além do restauro da imagem, o som foi também alvo de intervenção técnica, remisturado para 5.1. O DVD, a editar no próximo dia 5, segunda-feira, inclui, além do filme, uma série de documentários preparados para esta edição.

"The Beatles In Help" é um making of rodado 32 anos depois. Recupera o som de declarações dos quatro Beatles na época, mostra imagens de bastidores e junta entrevistas, actuais, a figuras-chave na criação de Help!, do realizador Richard Lester à actriz Eleanor Bron (que inspirou a Paul a canção "Eleanor Rigby"), não esquecendo a designer Julie Harris, responsável pelo guarda roupa.
"The Restauration of Help" é, como o título indica, uma minuciosa apresentação do longo processo de recuperação do celulóide original.
"Memories of Help", por sua vez, é uma reunião de recordações, na primeira pessoa, de figuras associadas à produção.
Filme e documentários são legendados. O conjunto de extras inclui ainda uma cena inédita, trailers promocionais (dois norte-americanos e um espanhol) e ainda dois spots usados na rádio norte-americana na altura da estreia do filme em 1965.
Além da edição normal surgirá no mercado uma outra, limitada, que incluirá, além do filme e do segundo DVD com extras, um livro de 60 páginas com fotos e notas de produção, e a reprodução do guião original com anotações e um poster.

Help! (estreado em Portugal, na época, com o título Socorro!) foi, cronologicamente, o segundo filme dos Beatles. Depois de uma estreia num registo próximo do documental (em A Hard Day's Night, entre nós estreado como Os Quatro Cabeleiras do Após-Calipso), o realizador Richard Lester propôs uma ideia de ficção, temperada com o sentido de humor, ainda alguma ingenuidade e o bom clima que então era vivido entre o grupo. Richard Lester teve à sua disposição um orçamento maior que o de A Hard Day's Night.

Help! (que inicialmente era para se chamar "Eight Arms To Hold You") foi, assim, rodado a cores, levando os Beatles a locais tão variados como, entre outros, os Alpes austríacos, as Bahamas ou Londres. Em tempo de trabalho intenso, com vários concertos agendados, a escrita e gravação de canções entre as suas preocupações e num momento de evidente conquista de uma maturidade criativa (que depois gerou os mais importantes discos do grupo), Help! foi verdadeiro desafio para os quatro músicos. Durante a rodagem George Harrison descobriu o som da cítara e uma paixão pela cultura indiana, que viria a ter repercussões no futuro da sua música; e Paul McCartney andou parte das filmagens à volta de uma canção que de início teve o nome de "Scrambled Eggs" mas que no final passou a charmar-se "Yesterday".
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