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sexta-feira, 21 de junho de 2019

"10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte"

Original released on LP Orfeu FPAT 6001
(Portugal, 1978)

Foi numa noite festiva de quinta-feira que encontrei o José Cid. Olhei de soslaio para o palco e lá estava ele, todo gingão ao piano a debitar decibéis de música foleira. Não, há música foleira boa. Aquilo era mesmo mau gosto sem arte. Pobre José Cid. Nada faria prever no ano longínquo como a pré-história de 1978 que o autor da formidável odisseia musical pelo espaço, "10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte", se iria tornar num cantor de música comercial medíocre. É verdade. O José Cid é mesmo autor da obra maior do rock progressivo português (considerado pela revista britânica Q Magazine como um dos 100 melhores - do mundo!). E deixem que vos diga que é fenomenal! É um album conceptual de space rock, em que é relatada a destruição da Terra por guerras nucleares, a fuga para o espaço e posterior regresso 10000 anos depois. O espectro sonoro, operático, está recheado com sintetizadores vintage, como mellotrons e moogs, que conferem ao som uma estética que nos lembra a ficção científica com que cresceram os nossos pais, vagamente reminiscente de Pink Floyd. Apesar das letras não veicularem nenhuma mensagem forte (diria que são engraçadas e encaixam no contexto do álbum na perfeição), a voz do José Cid não soa tão mal como nas músicas a que nos habituou, e o seu piano guia-nos melancolicamente pelo negro infinito do céu polvilhado de estrelas e planetas que ressoam nos seus teclados. Parece incrível que um artista que canta "Como o Macaco Gosta de Bananas Eu Gosto de Ti" tenha sido autor de uma obra desta envergadura. Parece incrível que num país culturalmente distante das vanguardas como Portugal se tenha gerado um artista como o José Cid, ainda que depois tenha vergado sob o peso da estultícia da sua pátria. Não há heróis. Só um album ímpar. (Quim Meano)


José Cid is a pretty famous Portuguese musician who recorded this incredibly awesome progressive monster concept album in 1978. "10,000 Anos Depois Entre Vénus E Marte" is a space-influenced prog album featuring a ton of vintage keybords (Moogs, piano, and Mellotron). Songs and melodies are very captivating and the overall feel is highly symphonic with lots of string synths and mellotron. Lyrics are sung in native Portuguese and are quite well done. This classy concept album by José Cid is an excellent mostly-instrumental symphonic prog piece with a strong space rock influence in the guitar parts. Like Bo Hansson, another pop keyboardist who turned his hand to producing prog solo albums, Cid does not use the album purely as an ego trip - he knows when his (well-played) keyboards need to be at front and centre, and when he needs to step aside to let another instrumentalist take the lead. In particular, Zé Nabo's excellent guitar contributions - reminiscent of Dave Gilmour's work at points - enhance the album notably. Cid is also adept at using both newer synthesisers and classic prog stalwarts like the Mellotron, and shows great taste in choosing which to use when and blending the new and the old. It might have sounded a bit retro even in 1978, but "10,000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" is a fine album - and whilst it might have been the only solo prog effort by Cid, it's one that I can listen to over and over again. To the collectors a final advise: if by chance you possess an original vinyl copy, keep it in a safe place, because it is one of the rarest and priceless albums in the universe.


sábado, 14 de novembro de 2015

JOSÉ CID (A PALHA)

Edição original em LP Columbia 8E 062 40118
(Portugal, Maio de 1971)

José Cid's debut solo album retains Quarteto 1111's heritage: the influence of The Beatles, The Rolling Stones, Pink Floyd, Jefferson Airplane; the mysticism of the Argent-Bolan-Donovan triangle; the magic of The Kinks and Nirvana; the remembrance of Alan Price's, Keith Emerson's and Brian Auger's performing art, along with the directions set by Elton John, Moody Blues or Procol Harum on their first works, namely the sophisticated arrangements and the orchestral approach. And João Gilberto's bossa nova, which José Cid assumes as his main inspiration. The overall result is extremely sincere and fascinating. Its apparent simplicity involves complex technical features and great musicianship, reflected in the inner quality of all twelve songs - eclectic as each month of one year. Although not a concept album, as Cid would produce later on through his symphonic progressive works, this is a very cohesive output: a memory album, a portrait of its time. José Cid's rich musical background reflects the Portuguese culture and language heritage through his charisma, inspiration and unique talent. Officially never edited in CD, this is your unique opportunity to have it on digital format, 'cause Rato Records have ripped the whole album from the newest vinyl 180 gr special limited edition (an audiophile cutting and pressing) from 2014.


Neste album-estreia de José Cid está bem alicerçada a herança da matriz 1111: a influência de Beatles, Stones, Pink Floyd, Jefferson Airplane; a mística do triângulo Argent-Bolan-Donovan; a magia de Kinks e Nirvana; reminiscências da arte de Alan Price, Keith Emerson e Brian Auger; a corrente estética dos primeiros trabalhos de Elton John, Moody Bluews ou Procol Harum, nomeadamente ao nível da sofisticação doa arranjos e da abordagem orquestral. E a bossa nova de João Gilberto, que José Cid assume como principal inspiração. O resultado final é extremamente original e fascinante. Aparentemente simples, contém, no entanto, uma elevada complexidade técnica e artística que se reflecte nos doze temas do album, tantos quantos os meses do ano. Como estes, é ecléctico. Não sendo um trabalho conceptual, como Cid viria a produzir nos anos seguintes através das suas obras de prog-rock sinfónico, é uma obra musical de elevada coesão. Um album de memórias, reflexo da sua época, da portugalidade, da lusofonia, e, acima de tudo, da cultura musical, da inspiração e talento únicos do carismático José Cid. Nunca editado oficialmente em CD, esta é uma oportunidade única de terem o album em formato digital, visto Rato Records o ter ripado directamente da nova, especial e limitada edição em vinil de 180 gr, aparecida em 2014.

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