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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

quarta-feira, 30 de julho de 2025

terça-feira, 24 de junho de 2025

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A "Ópera do Malandro" de CHICO BUARQUE

Edição original em LP Duplo Philips 6349 400/401
(BRASIL, 1979)

Quando os diretores de teatro Cláudio Botelho e Charles Moeller revelaram o principal motivo que os levou a encenar em 2003 a primeira montagem de "Ópera do Malandro" no século 21, ambos foram taxativos: «Chegamos à "Ópera do Malandro" pela paixão. Quem ouviu aquele famoso LP duplo lançado em 1979 ficou fissurado naquilo, nunca esqueceu», afirmavam em coro, constatando estar ali «o Chico do teatro na sua absoluta madureza». O disco é considerado a melhor lembrança da recriação que o compositor e cantor carioca fez das peças "A Ópera dos Três Vinténs" (1928) dos alemães Bertolt Brecht e Kurt Weill, e da "Ópera dos Mendigos" (1728) do inglês John Gay, com música do alemão Johann Pepusch. Muitas das canções compostas para a peça brasileira acabaram entrando no rol das obras-primas de Chico Buarque de Hollanda, como "O Meu Amor", "Folhetim", "Geni e o Zepelim", "Homenagem ao Malandro" e "O Malandro". Ou ainda "Canção Desnaturada", de grande densidade trágica.

O nascimento da ideia

A possibilidade de Chico Buarque escrever sua adaptação para a peça de Brecht e Weill surgiu numa conversa com Ruy Guerra, cineasta moçambicano radicado no Brasil. No entanto, o plano só começaria a se tornar realidade anos depois, quando o diretor teatral Luiz Antônio Martinez Corrêa procurou Chico Buarque, sugerindo que os dois montassem a peça juntos. Corrêa já havia feito a tradução da ópera de John Gay, que serviu também de ponto de partida para Brecht e Weill escreverem "A Ópera dos Três Vinténs". A "Ópera do Malandro" estreou no Teatro Ginástico no Rio de Janeiro em agosto de 1978, e do elenco faziam parte atores de grande prestígio como Ary Fontoura, Marieta Severo, Maria Alice Vergueiro e Otávio Augusto, numa montagem que foi grande sucesso de bilheteria. Para levar o musical aos palcos, Chico Buarque e Corrêa precisaram enfrentar inúmeros desafios, que iam da pressão dos patrocinadores da peça, que apressaram o andamento dos preparativos para a estreia, até os problemas que Chico teria com a censura.

Canções inesquecíveis

A trilha sonora do musical só seria lançada um ano após a estreia por vontade do próprio Chico, que evitou que o disco saísse antes da montagem para que as músicas não ficassem banalizadas e esvaziassem o musical. O compositor chegou a pensar em gravar o disco duplo com alguns dos atores interpretando as canções, mas a Philips (hoje Universal), sua gravadora na época, preferiu optar por cantores profissionais já conhecidos do grande público. O resultado foi um álbum com gravações de João Nogueira, Gal Costa, Moreira da Silva, Marlene, Alcione e Francis Hime. Além deles, participaram também os grupos MPB-4, A Cor do Som, e Frenéticas, bem como as cantoras Nara Leão e Zizi Possi. Multicromática, a musicalidade de Chico estava à flor da pele, passando por diversos gêneros musicais brasileiros e latino-americanos como choro, xaxado, bolero, samba, marcha carnavalesca, mambo, tango, e chegando até o rock e o charleston norte-americanos. Ou seja, tudo aquilo que levou o crítico musical Tárik de Souza a perceber no autor de "Apesar de Você" um habilidoso criador, que não se deixa escravizar pela estética tradicionalista: «Musicalmente liberado para incursionar em todos os ritmos e gêneros, Chico tornou-se, paradoxalmente, um incendiário tropicalista». Arturo Gouveia, professor de Literatura Brasileira e doutor em Letras pela USP, endossa a visão de Tárik em seu ensaio "A Malandragem Estrutural", publicado no livro "Chico Buarque do Brasil", da Editora Garamond e Edições Biblioteca Nacional: «A "Ópera do Malandro" irmana-se com muitas das ambições vanguardísticas da primeira metade do século 20. Embora Chico Buarque não se declare vanguardista ou não demonstre, em suas concepções, qualquer afinidade eletiva com esses movimentos de ruptura, há vínculos inegáveis que podem até escapar da consciência imediata da autoria».

Chico e os alemães

Pouco antes de encarar a tarefa de adaptar as peças alemã e inglesa para a realidade carioca, Chico Buarque já havia se lançado numa bem-sucedida versão de "Os Saltimbancos", original dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, um trabalho realizado em parceria com o italiano Sérgio Bardotti e o argentino Luis Enríquez Bacalov. A história contada na "Ópera do Malandro" se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando Getúlio Vargas era presidente do Brasil. O epicentro é o bairro boêmio da Lapa. Chico optou por inserir a "Ópera dos Três Vinténs" na década de 1940 como estratégia para fugir da censura. «Até Brecht tomou suas cautelas e localizou sua ópera no início do século. John Gay ainda colocou no palco o ministro da Justiça de sua época, 1728. Mas hoje isso não é possível. Fatalmente seriam identificados os policiais corruptos com os que todos conhecem. Os problemas que surgiriam não deixariam a peça ser encenada», afirmou Chico à imprensa na época do lançamento da peça.


Bertolt Brecht, o mito

Quando Chico Buarque escreveu a "Ópera do Malandro", ele já vinha de experiências muito intensas com o teatro. Primeiro ao compor em 1967 (um ano após o estouro com "A Banda") a trilha de "Morte e Vida Severina", sobre poema de João Cabral de Mello Neto. Depois viriam "Roda Viva", peça que provocou sua prisão e posterior autoexílio em Roma, "Calabar", que foi proibida pelos militares, e "Gota d'Água" (escrita com Paulo Pontes). Nos anos 1960, Bertolt Brecht era uma das maiores referências dos principais autores e grupos teatrais brasileiros. De Augusto Boal a Oduvaldo Vianna Filho, de José Celso Martinez Corrêa a Plínio Marcos, passando por Gianfrancesco Guarnieri e muitos outros, as peças de Brecht eram sinônimo de engajamento político e de pesquisa por novas formas de dramaturgia. Sua teoria do distanciamento crítico, baseada na ideia de que uma peça teatral não deveria transportar o espectador para um mundo fictício, e sim despertá-lo para a realidade reflexiva, inspirou grupos como o Arena, o Oficina, o Opinião e posteriormente o Ornitorrinco a criar aquele que é para muitos o melhor momento da história do teatro brasileiro.
Felipe Tadeu

domingo, 22 de setembro de 2019

O 1º Disco de GAL e CAETANO

Edição original em LP Philips P765.007P
(BRASIL, Julho de 1967)

O disco de estreia de Caetano e Gal, em detrimento ao tropicalismo por vezes expansivo dos trabalhos seguintes de ambos, soa intimista, flertando com a bossa nova, bem como com a famigerada estética de "música de festival". Caetano já se apresenta maduro em termos composicionais e, assim como Gal, revela-se um intérprete preparado. Os arranjos são pautados basicamente pelo violão, com uma ou outra pontuação camerística, sem exageros. Todas as canções são no mínimo boas e, se o todo peca de alguma forma, é por sua linearidade. Ouço este trabalho como uma espécie de ode à solidão. Acho que o único defeito desse álbum é ser curto demais.

Despite the fact that this album was definitely directly influenced by "Chega de Saudade" by João Gilberto (and I think that album is pretty much perfect as well, five stars), if someone asked me what my favorite Bossa Nova recording was, nine times out of ten I would probably answer "Domingo". This is such an important album to me, because it is the start of the careers of two of my favorite artists of all time, Caetano Veloso and Gal Costa. Caetano and Gal's voices are basically the vocal equivalents of a perfect summer breeze, soft, relaxing and beautiful. The songs are short and simple, the arrangements usually feature a classic Bossa Nova style played guitar accompanied by woodwinds or strings. This is a strictly bossa nova affair, meaning that people expecting some of the psychedelic sounds that these artists would later embrace are bound to be disappointed. At 31 minutes, it's an album that is easy to come back to and appreciate in its totality, which is probably why many of these tracks have ended up being some of my most played tracks ever. This is a great place to start for people wondering exactly what Bossa Nova is all about.  

"Domingo" paru en 1967 sur le label Philips est le seul album où l'on retrouve ces deux sommités de la musique brézilienne mais l'auditeur est nullement laissé sur sa faim alors que l'on trouve ici de superbes moments de Bossa-Nova. Bossa-Nova car nous sommes ici 1 an avant le mouvement tropicaliste, mouvement dans lequel ces deux artistes joueront un rôle essentiel. Gal Costa ici très jeune a une voix douce, sensible, belle et envoûtante. Nous sommes bien loin des délires psychédéliques de ses deux premiers albums solo (bien qu'excellents!) alors qu'ici la musique que l'on retrouve est de la Bossa-Nova pure et simple, mais très bien interprétée. Veloso de son côté à un an de son premier album solo qui mettera le courant Tropicaliste sur la carte ( avec le manifeste du genre la même année "Tropicalia: ou Panis et Circencis" possède une belle voix, simple, qui s'appuie très bien à celle de Costa. On retrouve sur l'album 4 chansons par Veloso, 5 par Costa et 3 en duo. (in RateYourMusic)

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

GAL COSTA 69


Edição Original em LP PHILIPS R 765.068 L 
(BRASIL, 1969)



A1. NÃO IDENTIFICADO
(Caetano Veloso) 3’19
A2. SEBASTIANA Participação de Gilberto Gil
(Rosil – Cavalcanti) 2’24
A3. LOST IN THE PARADISE
(Caetano Veloso) 2’51
A4. NAMORINHO DE PORTÃO Participação de Gilberto Gil
(Tom Zé) 2’33
A5. SAUDOSISMO
(Caetano Veloso) 3’10
A6. SE VOCÊ PENSA
(Roberto Carlos – Erasmo Carlos) 3’14

B1. VOU RECOMEÇAR
(Roberto Carlos – Erasmo Carlos) 3’24
B2. DIVINO, MARAVILHOSO
(Gilberto Gil – Caetano Veloso) 4’20
B3. QUE PENA (ELE JÁ NÃO GOSTA MAIS DE MIM)

Participação de Caetano Veloso (Jorge Ben) 3’35
B4. BABY Participação de Caetano Veloso
(Caetano Veloso) 3’33
B5. A COISA MAIS LINDA QUE EXISTE
(Gilberto Gil – Torquato Neto) 4’00
B6. DEUS É O AMOR
(Jorge Ben) 3’04


Direção Musical: Rogério Duprat
Arranjos: Rogério Duprat, Gilberto Gil e Lanny
Layout: Gian
Direção de Produção: Manuel Barenbein
Estúdios: Scatena e Reunidos



Este primeiro album a solo de Gal Costa começou a ser gravado em 1968 mas foi lançado apenas no início do ano seguinte. No repertório trazia duas músicas já conhecidas: "Baby", gravada originalmente para o colectivo "Tropicália" ou "Panis et Circencis" e "Divino Maravilhoso", defendida por Gal no IV Festival da Record e já gravada em compacto. Com este disco Gal consolidou a sua filiação ao Tropicalismo, com um repertório menos bossa-novista e com grandes doses de iê-iê, frutos da influência de Caetano e Gil, mas também de Guilherme Araújo, que queria tornar Gal Costa numa nova espécie de cantora comercial, mais carismática e agressiva, uma espécie de súper-Wanderléia, segundo nos conta Caetano Veloso em seu livro Verdade Tropical. E o projeto deu certo, tendo o disco recebido ótima aceitação para uma artista iniciante tanto de crítica quanto de público (o disco vendeu bem para os padrões da época), tendo produzido algum dos grandes hits de toda a carreira de Gal, como "Não Identificado"e "Que Pena". É um dos discos de Gal Costa com mais material inédito, não só contando com composções novas dos companheiros Caetano, Gil e Tom Zé, mas também com músicas especialmente compostas para Gal por Jorge Ben ("Deus é o Amor") e Roberto e Erasmo Carlos ("Vou Recomeçar"). Também é neste disco que Gal Costa resgata pela primeira vez um clássico da MPB, o xaxado "Sebastiana", um dos maiores sucessos de Jackson do Pandeiro, grande sucesso no carnaval de 1955.


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

GAL COSTA: "Cinema Olympia"


Edição original em LP Philips R 765.098 L
(BRASIL, Dezembro 1969)


Worlds away from her more chanteuse-like debut, Gal Costa even blows away a lot of the Tropicália competition in terms of craziness - I put it down to Gal's staggering vocal range and personality, which is self-evident on this album from the very get-go. The syncopated beat and fuzz guitar opening of "Cinema Olympia" drops out almost immediately as Gal's seductive voice creates more of a lounge atmosphere, which soon disappears as well when the beat picks back up - by the time the chorus happens, Gal's hollering about matinee films at the Cinema Olympia over pounding snares and furious clean guitar riffing - heavy reverb and delay gradually accumulate on Gal's vocals as her wordless shouts and moans multiply before abruptly disappearing in a haze of strings... and then it's on to something completely different! The detuned nylon string acoustic guitar and snake charmer reeds of "Tuareg" veer immediately left, and yet Costa seems to have no trouble keeping up when the bass grove kicks in and the chorus lifts the dark Eastern atmosphere back into pop territory.


It's easy to be impressed with both the stylistic breadth and quality of the songwriting on this album, and a glance at the credits confirms this gut reaction - there's three Gilberto Gil songs and two each from the pens of Caetano Veloso and Jorge Ben. One of my favorite things about the late-60's Brazilian music scene is how communal and supportive it seems to be - all of these artists not only manage to co-exist, they also push each other into new directions and also manage to create a collective genre that's more than the sum of the bands that make it up. The sky is the limit for the rest of the songs on this album - Gal ranges from ethnic Brazil flavor on Ben's "País Tropical," unexpectedly into sweeping string-arranged vocal pop (and a host of Tropicália artist name-dropping) on "Meu Nome é Gal" all the way to batshit crazy on the sound collage cut-up-cum-big band showcase for Costa's rapid delivery and upper-register bends on "Objeto Sim, Objeto Não."  Though I've got a feeling a lot of this can come across as too jumpy and frantic for a lot of listeners, the radical and immediate mood and texture shifts in this album are probably my favorite part - a song like "Com Medo, Com Pedro" snaps between quiet, jazzy strings and Jimi Hendrix-like hard rock, and Costa even trades between sexy and psychotic in the same lines!

The fact that these frenetic songs somehow hold together and make sense grouped on the same album has to be credited to both the songwriters and the backing band, who manage to not only keep up with the stylistic swings, but also to masterfully manage a chaotic atmosphere with deft control.  Listening to music like this, it almost feels like psychedelic music was created for the explicit purpose of being given to the already-able musicians of Brazil and mutated into something the British and Americans weren't even capable of imagining. The eclectic mood, awesome power of Gal's voice, and simultaneous pop/avant garde atmosphere of this album make it probably my favorite Tropicália album, and it's also probably the most cohesively "listenable" (aside from the eccentricity) as well, since there's no obligatory six-minute tape manipulation freakout (though "Objeto Sim, Objeto Não" comes close).   If you check this out and enjoy it, good news - there's a whole lot more great music where this came from! (in RateYourMusic)


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

GAL COSTA: "Água Viva"

Original released on LP Philips 6349.394
(BRASIL, October 1978)

O álbum segue estável do início ao fim, com destaque para os belos arranjos do hoje arquiteto naval Perinho Albuquerque, que assina a maioria. O repertório traz pérolas diversas, dentre as quais chamaria a atenção para "Olhos Verdes" com groove modernizado, "Folhetim" de Chico Buarque (versão definitiva talvez?) e "Vida de Artista", de Sueli Costa, que a própria compositora gravaria no mesmo ano. Esta última, por contar com arranjo e piano de Wagner Tiso e o mestre Toninho Horta na guitarra, traz um colorido bem típico da música de Minas Gerais. Um deleite. (in RateYourMusic)

GAL's Tribute to Ary Barroso


Original released on LP Philips 6485.216
(Brasil, October 1980)


Recorded at the height of the MPB movement, "Aquarela do Brasil" is the singer Gal Costa's tribute to the famed Brazilian songwriter Ary Barroso, the author of the celebrated title track as well as many others not as well known outside his native land. While the album bears slight traces of the neo-disco production that would soon come to plague Brazilian pop music in the '80s, it is mostly a wholly successful showcase for Gal Costa's extraordinary voice and interpretive abilities. About this time, the singer was reaching her full stature as Brazil's premier pop singer, her only serious rival being Elis Regina, who had recorded her own very different, celebrated version of "Aquarela do Brasil." Many of these compositions were actually written in the '40s and '50s, but in Gal's capable hands, songs like "Tu" and "Inquietação" sound like fully contemporary pop of the '80s and beyond. Longtime collaborator and peer Caetaeno Veloso joins in a duet on the samba-inflected "No Tabuleiro da Baiana," also known as "Bahia." (Richard Mortifoglio in AllMusic)

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