Sabe bem recordar. Porque estamos mais velhos, menos ingénuos, talvez um pouco mais amargos. Mas porque conservamos também muitos desejos e também a capacidade de sonhar. Como diz o poema do José Niza, «a felicidade é tão breve...» Era o tempo das canções e o tempo dos festivais. E, depois do adeus, foi também o tempo breve das revoluções. Mas sobretudo foi o tempo da poesia. E do amor. E, enfim, da liberdade. António Gedeão, José Niza, Manuel Alegre, Joaquim Pessoa e sobretudo o imenso Ary dos Santos foram alguns dos poetas que elevaram as cantigas ao olimpo da arte e do bom gosto. Ajudados pelos talentos musicais de um Fernando Tordo, um Paulo de Carvalho ou um Nuno Nazareth Fernandes, escreveram páginas inesquecíveis da música ligeira portuguesa que hoje, quatro décadas volvidas, adquiriram o estatuto de clássicos absolutos do nosso cancioneiro popular. São esses anos de pura criatividade que esta colectânea pretender retratar, através de 24 temas incontornáveis, que ficarão para sempre nos corações e memórias das gentes.