Mostrar mensagens com a etiqueta steve mcqueen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta steve mcqueen. Mostrar todas as mensagens

sábado, agosto 16, 2025

THE GREAT ESCAPE (1963)

A GRANDE EVASÃO
Um filme de JOHN STURGES



Com Steve McQueen, James Garner, Richard Attenborough, James Donald, Charles Bronson, Donald Pleasence, James Coburn, Hannes Messemer, David McCallum, Gordon Jackson, John Leyton, Angus Lennie, Nigel Stock, etc.

EUA / 172 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia na GB (Londres) a 20/6/1963 
Estreia nos EUA a 4/7/1963
Estreia em Portugal a 3/10/1963



Hilts: «I haven't seen Berlin yet, from the ground or from the air,
and I plan on doing both before the war is over»

Baseado em factos verídicos relatados no livro de Paul Brickhill (piloto australiano cujo Spitfire foi abatido em Março de 1943 quando sobrevoava a Tunísia, tendo sido levado prisioneiro para Stalag Luft III, campo localizado perto da cidade polaca de Sagan), “The Great Escape” é um dos melhores filmes (pessoalmente considero-o mesmo o melhor de todos) feitos com a 2ª Guerra Mundial como pano de fundo. Uma constelação de estrelas masculinas (não existe uma só personagem feminina durante todo o filme) liderada pelo carismático Steve McQueen, uma banda sonora inesquecível de Elmer Bernstein (cujos acordes iniciais do tema principal identificam de imediato o filme) e uma realização segura e eficaz de John Sturges, o realizador de “The Magnificent Seven”, fazem deste filme um fabuloso entretenimento, capaz de resistir heroicamente à passagem dos anos.


Já há mais de meio século que “The Great Escape” se estreou nos cinemas de todo o mundo; mas toda essa temporalidade não é suficiente para o afastar da memória de quantos tiveram a sorte de a ele assistirem num grande écran de cinema, tal como aconteceu comigo, em 1967. Tinha 14 anos nessa altura e vi o filme, numa reprise, a 1 de  Outubro, no cinema Infante, em Lourenço Marques. Nessa idade de transição não havia filme melhor para nos divertirmos numa sala escura – era o espectáculo total, grande em tamanho, grande em excitação, que nos deixava empolgados durante cerca de três horas a fio.


“The Great Escape”, nos seus 172 minutos de duração, encontra-se dividido em três partes distintas: a preparação da fuga (onde nos vamos familiarizando com os principais intervenientes), o processo da fuga propriamente dito (com todas as imprevisibilidades de última hora) - historicamente levada a cabo a 24 de Março de 1944 - e o dia seguinte à grande evasão (onde conheceremos o destino dos 76 homens que conseguiram escapar do campo de prisioneiros). De salientar que a acção se desenrola efectivamente num mero campo de prisioneiros (e não num campo de concentração ou extermínio), onde apesar de toda a vigilância a Convenção de Genebra de 1929 ainda era respeitada, o que até certo ponto explica o êxito da fuga.


Das três partes acima referidas, a última é certamente a mais excitante, com o acompanhamento (em montagem paralela, uma técnica aliás presente em quase todo o filme) do destino  de grande parte dos evadidos. Por terra, mar e ar, todas as opções para atingir a liberdade eram plausíveis, bem como o tipo de transporte utilizado: comboio, barco a remos, bicicleta, avioneta ou motorizada, tudo era passível de ser transformado num veículo práctico para se conseguir atingir o objectivo comum. Neste último caso (a fuga de Steve “Cooler King” McQueen) temos até direito a uma das mais famosas sequências da história do cinema que inclusivé confere a “The Great Escape” o justo epíteto de filme lendário.


Não me custa nada a acreditar que para as novas gerações de cinéfilos “The Great Escape” (sobretudo o primeiro terço do filme), possa ser considerado longo e entediante. Efectivamente hoje em dia não haveria tempo a perder com detalhes, com planificações, com caracterização de personagens. Fosse “The Great Escape” um filme realizado na actualidade e seria certamente mais um dos chamados blockbusters, em que a sequência da evasão ocorreria logo a cerca de vinte minutos do início, para assim se começarem rapidamente a mostrar os inevitáveis efeitos digitais. Por outro lado, o cast seria maioritariamente americano e abrangeria todo o tipo de raça, côr e credo, de modo a ser politicamente correcto. E com certeza absoluta seria inventado pelo menos um personagem feminino, interpretado por uma qualquer actriz de referência, preferencialmente já nomeada para os Óscares.


Fosse “The Great Escape” um filme realizado na actualidade e até o final seria provavelmente alterado, contornando-se a verdade histórica de modo a que o maior número possível de fugitivos pudesse alcançar a liberdade. Mas não sem antes de mais uma série de violentos confrontos com os alemães ter lugar e assim dar aso a serem mostrados mais uns quantos efeitos de pirotecnia gratuita. Por outro lado, o desenrolar do filme não se passaria maioritariamente no interior do campo, seriam certamente introduzidos alguns episódios extra a serem intercaladamente mostrados noutros cenários, de modo a não cansar o espectador. Mas ainda bem que tudo isto não passa de conjecturas, ainda bem que “The Great Escape” foi na verdade, e felizmente, realizado em 1963. Não o tivesse sido e com toda a certeza não se teria tornado no clássico que hoje é, uma das maiores referências do filme de guerra e, porque não, do filme de aventuras também.

CURIOSIDADES:

- O filme foi inteiramente rodado na Europa, tendo o campo de prisioneiros sido construído perto de Munique. Todas as cenas da célebre sequência da motorizada foram filmadas em Fussen, junto aos Alpes e da fronteira com a Áustria. Para as filmagens de interiores usaram-se os estúdios Bavaria em Munique.

- A principal razão pela qual Steve McQueen aceitou protagonizar o papel principal foi a de poder ser ele próprio a interpretar as cenas da fuga em motorizada (uma Triumph TR6 Trophy, modelo preferido do actor). Aliás, não se limitou à sua personagem – é ele também que está aos comandos da motorizada do alemão que em certa altura o persegue. Ou seja, McQueen atrás de McQueen. Exceptua-se o salto sobre a cerca que John Sturges não permitiu ao actor realizar, e que por isso foi executada pelo duplo Bud Ekins (numa Thunderbird Triumph de 1962 modificada para ter um aspecto mais antigo), o qual ganhou grande notoriedade por essa façanha – viria a dobrar de novo McQueen cinco anos depois, no filme “Bullitt”.


- Charles Bronson foi mineiro antes de abraçar a carreira de actor. Por isso utilizou toda a experiência da anterior profissão na rodagem das cenas do seu personagem no filme. Inclusivé a claustrofobia, de que na realidade padecia mesmo. Durante a produção Bronson apaixonou-se por Jill Ireland, na altura mulher de David McCallum. Quatro anos depois viriam a casar-se.

- Steve McQueen chegou a ser detido numa operação stop que a polícia alemã levou a cabo perto do local de filmagens. Não tendo sido reconhecido de imediato, o actor ainda passou algumas horas na prisão, antes que alguns elementos da produção o tivessem ido buscar.

- O actor britânico Donald Pleasence foi na realidade um piloto da Royal Air Force durante a 2ª Guerra Mundial. Chegou mesmo a ser abatido e feito prisioneiro de guerra, tendo inclusivé sofrido algumas sevícias. Renitente ao princípio, John Sturges acabou por aceitar algumas sugestões do actor para a rodagem do filme. Também Richard Attenborough foi piloto da RAF durante a guerra.






sábado, junho 14, 2025

NEVADA SMITH (1966)

NEVADA SMITH
Um filme de HENRY HATHAWAY



Com Steve McQueen, Karl Malden, Brian Keith, Arthur Kennedy, Suzanne Pleshette, Raf Vallone, Janet Margolin, Pat Hingle, Martin Landau

EUA / 128 min / COR / 
16x9 (2.35:1)

Estreia nos EUA: 10/6/1966
Estreia em PORTUGAL: 1967



Tom Fitch: «The kid's creepy. He ain't human! He doesn't kill people; he executes them. Yeah, he executes them!»


Steve McQueen começou a sua carreira pela televisão onde durante a década de 50 participou em variadissimas séries. Data de 1958 a primeira vez que o seu nome aparece creditado no cinema - nos filmes “Never Love A Stranger” e “The Blob” - este último hoje em dia considerado um filme de culto da ficção científica. Dois anos depois é o grande salto para o estrelato ao interpretar um dos sete magníficos (“The Magnificent Seven”, de John Sturges). Segue-se o seu período áureo, coincidente com a maioria dos anos 60, onde filmes como “The Great Escape” (1963), “The Cincinnati Kid” (1965), “The Sand Pebbles” (1966) ou “Bullitt” (1968), o colocam definitivamente na galeria dos actores mais amados do seu tempo. Pessoalmente só em 1967 vi pela primeira vez um filme deste lendário actor americano. Precisamente este “Nevada Smith”, estreado no ano anterior. A partir dessa altura também eu me tornei um fan incondicional de McQueen (e quem o não era naqueles anos?), tendo acompanhado todos os seus filmes até à sua morte prematura a 7 de Novembro de 1980, ano em que completou meio século de existência.

“Nevada Smith” é um belo western que pelo atrás referido faz parte do meu imaginário infantil – tinha 14 anos quando o vi pela primeira vez. Baseado no livro “The Carpetbaggers” / “Os Insaciáveis”, de Harold Robbins, conta a história de uma vingança – a de Max Sand, um mestiço em busca dos três homens que um dia lhe assassinaram os pais após os terem torturado. O personagem já tinha sido levado ao cinema dois anos antes quando Edward Dmytryk realizou “The Carpetbaggers”, com George Peppard e Carrol Baker nos principais papeis. Alan Ladd foi quem interpretou Max Sand e só a sua morte, antes até da estreia do filme, o impediu de voltar a viver o mesmo personagem. O que deu oportunidade a McQueen de fazer aqui um trabalho digno de registo, no qual foi bem secundado por um naipe de grandes actores da época. Um western que não precisou de recorrer aos clichés do género para contar a sua história.







CURIOSIDADES:

- George Lucas também era fan deste “Nevada Smith”, a ponto de ter pensado usar o mesmo apelido para o seu herói Indiana Jones (“Indiana” era o nome do cão que Lucas tinha nessa altura), que assim poderia ter vindo a ser conhecido por “Indiana Smith”

- Dos 2000 actores que em 1955 tentaram entrar para a escola de teatro de Lee Strasberg, em Nova Iorque, apenas Steve McQueen e Martin Landau foram aceites

- Steve McQueen tinha 35 anos quando rodou este filme. No início, a personagem de Max Sands tem apenas 16 anos.





segunda-feira, julho 27, 2015

BIO-FILMO: STEVE McQUEEN

Nascido a 24 de Março de 1930, em Beech Grove, Indiana, EUA
Falecido a 7 de Novembro de 1980, na Cidade de Juarez, México
«I live for myself and I answer to nobody»

Juntamente com Marlon Brando e Paul Newman, Steve McQueen foi justamente considerado como o actor-referência das décadas de 60 e 70, chegando a ser o mais bem pago de todos. Surgido ainda nos anos 50, McQueen trouxe consigo a rebeldia de um James Dean, parte integrante de um comportamento marginal regulado por um código moral e ético de contornos muito pessoais. «Sou um fazedor de filmes», afirmaria, «quero o respeito da indústria, mas na minha própria mente não estou seguro de que actuar seja uma coisa para um homem crescido fazer». Alguns anos antes de Hollywood lhe dar a liberdade ambicionada, Steve não passava de um delinquente juvenil que corria em motocicletas aos fins-de-semana para poder angariar algum dinheiro que lhe permitisse sobreviver. A sua vida foi sempre pautada por uma série de contradições. No auge da fama, procurava o anonimato e o isolamento. Tendo aprendido a representar pelo método do Actor’s Studio, desbaratou toda essa formação na criação das suas personagens que, em última análise, apareciam sempre imbuídas da sua marca única.


Terrence Steve McQueen nasceu em Beech Grove, Indiana, a 24 de Março de 1930. Ainda antes de completar o primeiro ano de vida, Steve viu a mãe, alcoólica, ser abandonada pelo pai, um ex-piloto acrobático, o que o conduziu a uma quinta no Missouri, para ser educado por um tio. Oito anos depois a mãe casa-se pela segunda vez e vai buscar a criança para viver com ela e com o padrasto em Los Angeles. Mas Steve rapidamente se torna num delinquente, o que o leva a ser internado num reformatório juvenil, o California Boys Republic. Em 1947, com dezassete anos, abandona de vez os estudos e alista-se na marinha mercante. Segue-se o serviço militar de três anos na US Marine Corps.


Sem saber muito bem o que fazer na vida, Steve vai para Nova Iorque no princípio da década de 50, onde se ocupa em variadissimos empregos, cada um mais provisório do que o precedente – é jornaleiro, reparador de televisões, jogador, piloto de motocicletas, chauffeur de taxis. Em 1952, e por influência de um amigo, começa a interessar-se pela arte de representar; frequenta a Sanford Meisner’s Neighborhood Playhouse, sendo pouco depois aceite no lendário Actor’s Studio, de Lee Strasberg, onde conhece alguns dos futuros grandes actores do cinema. Em 1956 estreia-se na Broadway, ao substituir à última da hora Ben Gazzara na peça “A Hatful of Rain”. Nesse mesmo ano tem um pequeno papel no cinema, ao lado de Paul Newman, no filme “Somebody Up There Likes Me”, e conhece a bailarina Neile Adams, com quem se casa.

Em 1958, depois de mais algumas representações em palco, McQueen entra num episódio da série televisiva “Trackdown”. Esse episódio, intitulado “The Bounty Hunter”, dá origem a uma nova série sobre um caçador de prémios no velho Oeste, Josh Randall, personagem que irá ser interpretada por Steve McQueen ao longo de 94 episódios de cerca de meia hora cada um (a série acaba em 1961). O fotógrafo William Claxton, futuro amigo de McQueen, recorda como conheceu o actor: «Certa noite, pouco tempo depois de me casar, estava em casa com a minha mulher, no nosso exíguo estúdio de Hollywood Hills. Liguei o pequeno televisor a preto e branco – estava a dar uma cena de perseguição com cowboys a cavalo. “Que porcaria!”, pensei eu. Os westerns nunca tiveram qualquer significado para nenhum de nós, a não ser em casos muito especiais. Subitamente, apareceu no minúsculo écran um grande plano de um rosto. Um rosto invulgar. Era um cowboy completamente diferente. Em apenas um grande plano, aquele sujeito conseguia transmitir seis ou sete emoções, por vezes contraditórias, e pensamentos aparentemente profundos. Ele era simultaneamente interessante, invulgar, cativante e sensível. Tinha um aspecto áspero, era realmente diferente, mas dono de uma elegância pouco convencional. Era o Steve McQueen, e o programa que passava na TV era o “Wanted: Dead or Alive”».


Ainda naquele ano de 1958 McQueen roda o seu primeiro filme como actor principal, “The Blob”, hoje em dia considerado um filme de culto da ficção científica. Mas é na remake americana “The Magnificent Seven” do filme japonês “The Seven Samurais”, de Akira Kurosawa, que se inicia a sua rápida ascensão ao estrelato, objectivo atingido apenas três anos depois quando protagoniza o mega-sucesso “The Great Escape”, pelo qual o Festival Internacional de Moscovo o distingue como melhor actor do ano. A partir daqui, e até ao final dos anos 60, a fama de McQueen consolida-se através dos seus papeis mais carismáticos, que fazem dele um dos mais lendários actores do cinema americano. Em 1961 cria a sua própria empresa de produção, a Solar Productions. É nomeado quatro vezes para o Globo de Ouro: “Love with the Proper Stranger” (1963); “The Sand Pebbles” (1966);  “The Reivers” (1969) e “Papillon” (1970), mas desta instituição recebe apenas, por duas vezes (1967 e 1970), o Henrietta Award, troféu destinado a consagrar o actor mais popular a nível mundial. É ainda nomeado para o Oscar de melhor actor principal pelo filme “The Sand Pebbles” (1966).


Amigo pessoal de Sharon Tate, tinha sido convidado para jantar em casa da então mulher de Roman Polanski quando esta foi brutalmente assassinada pelo clã de Charles Manson, a 9 de Agosto de 1969. Posteriormente, McQueen viria a ter conhecimento que o seu nome se encontrava no topo da lista do assassino como alvo prioritário a abater. Com o início dos anos 70 chegam também os primeiros insucessos no box-office: “The Reivers”, “Le Mans” e “Junior Bonner” não conseguem atingir o êxito espectacular dos seus filmes precedentes. No entanto, “The Getaway”, um emocionante thriller de Sam Peckinpah, volta a ser um grande sucesso de bilheteira. É durante as filmagens deste filme que nasce o tumultuoso romance entre McQueen e Ali MacGraw, a inesquecível intérprete de “Love Story”, que porá termo aos 15 anos de casamento com Neile Adams. O casal divorcia-se em Abril de 1972 e McQueen casa-se com Ali um ano depois, em Agosto de 1973 – a união durará cerca de cinco anos.


Em 1974 McQueen recebe 1,5 milhão de dólares e mais 10% nas receitas, para rodar o filme-catástrofe “The Towering Inferno”, ao lado de Paul Newman e Faye Dunaway. Mesmo assim uma quantia inferior à que recebera por “Papillon” no ano anterior. Será o seu último e grande sucesso, que lhe permitirá retirar-se temporariamente do mundo do cinema. O regresso só acontecerá quatro anos depois com a adaptação, por Arthur Miller, da peça de Ibsen, “An Enemy of the People”, onde, para além de actor principal é também produtor executivo. Estreado um ano depois de se encontrar concluído, o filme revelar-se-ia uma decepção, quer junto à crítica quer junto ao público. E, no entanto, ao longo da sua carreira, McQueen recusaria muitas dezenas de papeis em filmes que posteriormente seriam grandes sucessos no box-office. Aqui ficam alguns exemplos: “Bob & Carol & Ted & Alice” (1969), “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), “The French Connection” (1971), “Dirty Harry” (1971), “One Flew Over The Cuckoo’s Nest” (1975), “Missouri Breaks” (1976), “A Bridge Too Far” (1977), “Close Encounters of the Third Kind” (1977), “Superman” (1978), “Apocalypse Now” (1979).


Já divorciado de Ali MacGraw, McQueen compra em 1979 um rancho em Santa Paula, para onde se muda com a modelo Barbara Minty, que viria a ser a sua última mulher. Alguns dias antes do Natal desse ano é-lhe diagnosticado um cancro avançado nos pulmões devido à exposição ao amianto. Em 1980 estreiam-se os seus derradeiros filmes, “Tom Horn” e “The Hunter”, mas o actor encontra-se já em plena fase de combate ao mal que o afecta. Falhados todos os tratamentos convencionais, McQueen vai para Juarez, no Mexico, afim de se submeter a algumas cirurgias experimentais. Estas são bem sucedidas mas o coração do actor não aguenta o esforço. Steve McQueen vem a morrer a 7 de Novembro de 1980, vítima de dois ataques cardíacos sucessivos. Foi cremado, tendo as suas cinzas sido espalhadas no Oceano Pacífico. Tinha 50 anos.


Hoje, mais de um quarto de século após o seu desaparecimento, Steve McQueen é ainda uma estrela. Os seus filmes continuam a ser vistos e revistos por sucessivas gerações de cinéfilos e a sua imagem é de tal maneira ainda apelativa que se fazem spots publicitários com ela, quer seja para promover um certo tipo de vodka ou um novo modelo Mustang. Artistas da música pop compõem canções sobre ele (Sheryl Crow chegou a ganhar um Grammy) e a marca McQueen continua a vender de tudo um pouco, desde perfumes a relógios de desporto. Se por acaso ele aparecesse por aí era bem capaz de esboçar um sorriso trocista e proferir aquela célebre frase de “Papillon”: «Hey you bastards, I'm still here!»




FILMOGRAFIA:

1980 – The Hunter / Caça ao Homem
1980 – Tom Horn / Tom Horn, o Cowboy
1978 – An Enemy of the People / O Inimigo do Povo
1974 – The Towering Inferno / A Torre do Inferno
1973 – Papillon
1972 – The Getaway / Tiro de Escape
1972 – Junior Bonner / Júnior Bonner, O Último Brigão
1971 – Le Mans
1969 – The Reivers / Os Ratoneiros
1968 – Bullitt
1968 – The Thomas Crown Affair / O Grande Mestre do Crime
1966 – The Sand Pebbles / Yang-Tsé em Chamas
1966 – Nevada Smith
1965 – The Cincinnati Kid / O Aventureiro de Cincinnati
1965 – Baby the Rain Must Fall / Errando Pelo Caminho
1963 – Love with the Proper Stranger / Amar Um Desconhecido
1963 – Soldier in the Rain / Soldado à Chuva
1963 – The Great Escape / A Grande Evasão
1962 – The War Lover / O Homem Que Gostava da Guerra
1962 – Hell Is for Heroes! / O Inferno é para os Heróis
1961 – The Honeymoon Machine / O Jogo do Amor
1960 – The Magnificent Seven / Os Sete Magníficos
1959 – Never so Few / Quando Explodem as Paixões
1959 – The Great St. Louis Bank Robbery
1958 – The Blob / Fluído Mortal
1958 – Never Love a Stranger / Não Ames Um Desconhecido
1956 – Somebody up there Likes Me / Marcado pelo Ódio



quarta-feira, março 23, 2011

PORTFOLIO - "THE THOMAS CROWN AFFAIR" (1968)

THE THOMAS CROWN AFFAIR (1968)

O GRANDE MESTRE DO CRIME
Um filme de NORMAN JEWISON




Com Steve McQueen, Faye Dunaway, Paul Burke, Jack Weston

EUA / 102 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA a 19/6/1968



Thomas Crown: [looks at Vicki, who is standing next to the chess table]:
«Do you play?»
Vicki Anderson: «Try me»

Esta versão original de “The Thomas Crown Affair” que em Portugal se estreou com o título de “O Grande Mestre do Crime”, converteu-se, com o tempo, em objecto de culto. Para isso contribuíram diversos factores. Em primeiro lugar os brilhantes diálogos de um argumento bem urdido, da autoria de Alan Trustman, que sustentavam uma história de um assalto cujo móbil principal não era o dinheiro mas sim o puro prazer pessoal de quem o concebera: «it’s about me, me and the systhem», confessa o grande mestre do crime, um Steve McQueen metido na personagem inesperada de um galã romântico, mas sem nunca perder o lado cool que o tinha imortalizado nos filmes precedentes. 


Faye Dunaway, outra das grandes atrações do filme, desempenha o papel de Vicki Anderson, uma investigadora independente, determinada a recuperar o dinheiro roubado para a seguradora, e que para tal inicia um jogo do gato e do rato com a sua presa. Eva Marie Saint foi a actriz inicialmente escolhida mas Dunaway estava no topo da fama por causa do seu recente e lendário desempenho em “Bonnie And Clyde” e não teve qualquer problema em se apropriar do papel.


Depois há a banda sonora, celeberrima. Parece que o compositor, Michel Legrand, depois de ver a versão original do filme (que durava qualquer coisa como cinco horas), tirou seis semanas de férias, durante as quais escreveu 90 minutos de música. Posteriormente a montagem final do filme foi feita com base nessa hora e meia de fundo musical, um processo inverso ao que habitualmente acontece em cinema. A canção-tema, “The Windmills of Your Mind”, viria a ganhar o Óscar e o Globo de Ouro, mas, mais importante do que isso, teria ao longo dos anos muitas dezenas de versões em todo o mundo que a tornariam imortal.

Os carros usados no filme também contribuíram para o seu sucesso. Quer o Ferrari 275 GTS Spyder Nart, conduzido por Dunaway («one of those red italian things»), modelo que McQueen viria a adquirir para a sua coleção privada, quer sobretudo o beach-buggie usado nas cenas rodadas na praia e que na altura despoletou uma autêntica moda. Mas “The Thomas Crown Affair” ficaria sobretudo celebrizado como o filme do jogo de xadrez – uma sequência sem qualquer diálogo mas repleta de explícitas conotações eróticas, que provocou frissons na espinha dos espectadores e que por certo contribuiu na altura para um aumento significativo da popularidade do jogo, até então considerado essencialmente cerebral.

Para além da evidente química ente McQueen e Dunaway, o filme soma pontos também na estilizada cinematografia de Haskell Wexler, que lhe confere uma certa elegância e bom gosto, e na direção segura de Norman Jewison, que não hesita em socorrer-se da técnica do “écran repartido” (uma moda naquele final dos anos sessenta) para ilustrar algumas das sequências, nomeadamente o assalto ao banco, logo na abertura do filme.

“The Thomas Crown Affair”, para além de ser um thriller conotado com o sub-género de “assaltos a bancos”, deve muito da popularidade ao seu lado romântico. Filmes como “How To Steal a Million”, de William Wyler (com Peter O’Toole e Audrey Hepburn) ou “Gambit”, de Ronald Neame (com Michael Caine e Shirley MacLaine), ambos realizados dois anos antes, tinham descoberto o filão. “The Thomas Crown Affair” retoma a receita mas vai um pouco mais longe ao fazer do seu herói uma espécie de ícone para os estudantes liberais das universidades daquela época: um self-made man que, mau grado pertencer também ao mundo capitalista dos negócios, se entretém a desafiar os todos poderosos senhores da banca apenas para dar algum colorido ao fastio dos seus dias.


Trinta anos depois, o realizador de “Die Hard”, John McTiernan, faria uma nova versão de “The Thomas Crown Affair”, com Pierce Brosnan e Rene Russo nos principais protagonistas. Curiosamente os dois filmes têm bastantes pontos em comum. O assalto ao banco é substituído pelo roubo de um valioso quadro de Monet do Metropolitan Museum e o jogo de xadrez por uma dança de conotações rituais e também adornada de uma carga libidinosa forte (sem ter contudo a original e deliciosa sensualidade da outra), mas o espírito do primeiro filme mantém-se em certa medida. Faye Dunaway tem direito a uma pequena homenagem ao desempenhar o papel de uma psiquiatra e até “The Windmills of Your Mind” se faz de novo ouvir no meio da banda sonora assinada por Bill Conti. Colocando mais ênfase na faceta romântica (por vezes exagerada através de alguma histeria de Russo em certas cenas a roçar o soft-porno) e também na insegurança psicológica do herói (algo que dificilmente colaria à figura máscula de McQueen no primeiro filme), esta nova versão fica contudo bastante aquém deste original, mesmo continuando a constituir um razoável entretenimento.


CURIOSIDADES:

- “The Windmills of Your Mind” é interpretada por Noel Harrison, filho do actor britânico Rex Harrison

- Steve McQueen considerava a personagem Thomas Crown o seu melhor desempenho no cinema

- Sean Connery recusou o papel principal, decisão da qual se viria a arrepender mais tarde

- A cena do beijo, que dura um longo minuto, levou oito horas a ser filmada, repartida por vários dias

- Em Outubro de 2010 a marca italiana Persol re-lançou o modelo de óculos escuros (“714”) usado por McQueen neste filme como parte da Steve McQueen Collection.