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terça-feira, fevereiro 11, 2014

DRESSED TO KILL (1980)

VESTIDA PARA MATAR
Um Filme de BRIAN DE PALMA




Com Michael Caine, Angie Dickinson, Nancy Allen, Keith Gordon, Dennis Franz, David Margulies, Susanna Clemm, etc.

EUA / COR / 105 min / 16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA a 25/7/1980
Estreia em PORTUGAL a 5/6/1981


Liz Blake: «Thank god, straight fucks are still in style!»

“Dressed To Kill” é talvez um dos filmes de Brian De Palma que mais acusa a passagem do tempo. E isso apesar de conter duas das melhores sequências do seu cinema: a emocionante perseguição no metro e, sobretudo, todo o encadeamento imagético que se inicia no museu e culmina no assassínio de Angie Dickinson no elevador. Aliás, só por causa desta última sequência vale a pena rever o filme. No entanto, para os detractores do realizador, esta é a obra que eventualmente lhes dará mais razão quando muitas vezes acusam Brian De Palma de copiar descaradamente o cinema de Hitchcock. Na verdade, neste filme em particular, o fantasma de “Psycho” encontra-se omnipresente, não há forma de negá-lo. 


Mas ao contrário da remake de Gus Van Sant, de 1998, em que a obra original era refeita practicamente plano por plano, aqui trata-se sobretudo de recriar situações análogas num novo contexto, ao qual não será estranho o próprio universo fílmico do realizador, que chega a evocar-se a ele próprio. Relembrem-se as sequências que abrem e fecham “Dressed To Kill”, ambas inspiradas directamente no filme “Carrie”, datado de quatro anos antes. Na primeira nem sequer falta o sabonete a rodar por entre as partes íntimas do corpo feminino, e a única diferença é a descoberta menstrual ser substituída pelo prazer masturbatório. Na última tenta-se recriar o mesmo sobressalto final, sem contudo se conseguir atingir a mestria desse filme. Aliás, o que em “Carrie” era genuíno e inovador, aqui não vai além de uma cópia algo grosseira.


No número saído a 16 de Outubro de 1980 a revista Rolling Stone interrogava-se: «Brian De Palma: the new Hitchcock or just another rip-off?» - uma pergunta que durante alguns anos pairou no pensamento da maior parte dos críticos (e que se calhar ainda não obteve uma resposta conclusiva de muitos deles). Pessoalmente, julgo que, influências à parte (de que ninguém se pode isentar), De Palma conseguiu o seu espaço próprio, quer na estilização quer na técnica com que tem adornado os seus filmes. À semelhança do seu mentor, De Palma coloca-se quase sempre a uma distância irónica das suas histórias. Sem a arte ou o classicismo do mestre, como é evidente, mas com um sentido satírico ainda mais profundo. Ou seja, subverte frequentemente as suas personagens, tornando-as quase caricaturas do american way of life. Vejam-se por exemplo, neste “Dressed To Kill”, as figuras do cínico inspector Marino ou dos hooligans do metro.


Em “Dressed To Kill” o sexo encontra-se presente ao longo de toda a trama e não sómente nas cenas mais ou menos explícitas, como a já citada sequência de abertura. Na verdade, é toda uma tensão erótica que atravessa o filme do princípio ao fim e que se encontra subjacente a todos os episódios nele contidos. De Palma aborda sem qualquer prurido numerosos aspectos da sexualidade, que vão dos comuns e naturais aos mais particulares e secretos - desde a evocação dos jogos de sedução (mais uma vez de realçar a famosa sequência do museu) ao adultéro, à masturbação, ao voyeurismo, ao strip-tease, à prostituição. Nada fica de fora, nem sequer um certo tipo de pedofilia, levemente sugerida na relação entre Liz (Nancy Allen) e Peter (Keith Gordon). Até a música sensual de Pino Donaggio foi escolhida intencionalmente para enraizar todas estas variantes do sexo no espírito do espectador.


“Dressed To Kill” pode por isso ser considerado um thriller erótico, assente numa arquitectura emocional, que mistura uma mestria refinada com pinceladas, aqui e ali, de um certo mau gosto. Angie Dickinson, uma das razões pelas quais a revisão de “Dressed To Kill” continua a cativar, mostra à saciedade a razão pela qual sempre foi associada ao erotismo no cinema, mesmo que tenha sido dobrada nos momentos mais explícitos, como na cena do duche. Ao seu lado é gratificante reencontrarmos o sempre perfeito Michael Caine ou os habitués dos filmes de Brian De Palma, como Dennis Franz (aqui no papel do detective Marino) e a sempre sensual Nancy Allen (na altura casada com o realizador). De referir ainda a presença de Keith Gordon, futuro realizador e herói de “Christine”, de John Carpenter.


CURIOSIDADES:

- Os exteriores da sequência do museu foram rodados em Nova Iorque, ao passo que os interiores mostram o Museu de Arte de Filadélfia. O quadro do gorila (intitulado “Reclining Nude”) encontra-se hoje no gabinete do gerente do museu.

- Brian De Palma chegou a oferecer o papel do Dr. Robert Elliott a Sean Connery, que com muita pena sua não pôde aceitar, devido a compromissos já assumidos na altura.

- Angie Dickinson declarou no programa televisivo “The Tonight Show” que o papel desempenhado neste filme (com uma duração total de apenas 20 minutos) era o seu favorito de sempre. A actriz tinha 48 anos quando filmou “Dressed To Kill”.

- Em todas as cenas (excepto no final, em casa do Dr. Elliott), a personagem da psycho-killer Bobbi é interpretada por Susanna Clemm, que também desempenha o papel da detective Luce.



segunda-feira, maio 28, 2012

GAMBIT (1966)

LADRÃO ROUBADO
Um filme de RONALD NEAME


Com Shirley MacLaine, Michael Caine, Herbert Lom, Roger C. Carmel, Arnold Moss, etc.

EUA / 109 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA: NY, 21/12/1966
Estreia em PORTUGAL: Lisboa, 27/11/1968

Harry: «Now will you stop asking questions?»
Nicole: «It's only human to be curious Harry»
Harry: «Yes, well as far as I'm concerned you're far too human»

Antecipando a estreia da nova versão de “Gambit” (a 12 de Outubro nos EUA), uma realização de Michael Hoffman, argumento dos irmãos Coen (mas por que carga d’água é que os manos não realizaram eles próprios o filme?) e interpretação de Cameron Diaz e Colin Firth, e ainda o septuagenário Tom Courtenay  e a octogenária Cloris Leachman (actores importantes de outras décadas e ainda no activo, mas de quem não tenho ouvido falar há muitos anos), resolvi rever o filme original, do qual guardava muito boas recordações. O resultado não podia ter sido melhor: cerca de 100 minutos de puro e inteligente entretenimento (coisa rara nos tempos que correm), com dois dos meus actores favoritos dos anos 60, Michael Caine e Shirley MacLaine.

A história é de Sidney Carroll, na qual a nova versão se deve de igual modo inspirar (pelo menos a publicidade adianta que se trata da nova versão de “Gambit”) e conta-se em meia dúzia de palavras: Harry Dean (Michael Caine), um inglês recém-iniciado nas artes do roubo e da falsificação (um tanto ou quanto inexperiente portanto) propõe-se executar o plano perfeito para se apoderar de um busto feminino pertencente a um árabe riquíssimo, Mister Shahbandar (Herbert Lom, o inspector-chefe da série da “Pantera-Cor-de-Rosa”), e cujo preço seria incalculável (na verdade o objectivo era ligeiramente diferente, mas deixo tal revelação para os que nunca viram o filme). Para isso resolve pagar os serviços de uma bailarina oriental de um cabaret de Hong Kong, Nicole Chang (Shirley MacLaine), devido à sua extraordinária semelhança com a mulher da escultura, por quem o magnate do petróleo teria tido paixão avassaladora, antes da mesma vir a falecer, cerca de dez anos antes.

No filme temos direito a duas versões da mesma empreitada: assistimos em primeiro lugar ao que acontece enquanto Harry Dean explica o plano ao sócio, onde tudo se desenrola na perfeição. E depois a acção “real”, em que, como seria previsível, tudo (ou quase tudo) sai mal, começando logo pela jovem bailarina que na versão idealizada não abre uma única vez a boca, mas que afinal fala pelos cotovelos. Este modo de apresentar a história (o antes e o depois) funciona às mil maravilhas, simultaneamente com o humor que acompanha a cada passo as peripécias do larápio e da sua “ajudante”, a qual, com o decorrer do filme, acaba por inverter os papéis, sendo ela a principal responsável por levar o roubo a porto seguro.

“Gambit” é um estilo de cinema bem típico dos anos 60, uma comédia inteligente, bem estruturada e muito bem filmada, e em que o charme particular de ambos os actores contribuiu decisivamente para o sucesso junto do público. Ronald Neame, o realizador britânico, ex-fotógrafo, que seis anos depois nos daria um dos filmes-catástrofe mais eficazes de sempre (“The Poseidon Adventure”), mostra-se aqui perfeitamente à vontade, dirigindo elegantemente um filme que se mantém fresco e viçoso como há quase 50 anos atrás. A descobrir, ou a rever, antes da estreia da nova versão, lá mais para depois do Verão.

 CURIOSIDADES:

- Shirley MacLaine, na altura uma actriz de topo, tinha sempre o direito de veto na escolha do seu partenaire. Foi ela quem escolheu Michael Caine, depois de ver o trabalho do actor inglês em “Alfie”

- O “gambit” é uma táctica do jogo de xadrez que consiste em sacrificar uma peça para se obter uma posição mais vantajosa no tabuleiro


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