Um filme de MARTIN BREST
Com Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani, Jake Weber, Marcia Gay Harden, Jeffrey Tambor, etc.
EUA / 178 min / COR /
16X9 (1.85:1)
16X9 (1.85:1)
Estreia nos EUA a 2/11/1998
Joe Black: «Thank you for loving me»
Confesso, desde já, que me foi muito difícil e moroso travar conhecimento com Joe Black. Na primeira vez que lhe fui apresentado, corria a segunda quinzena do mês de Janeiro de 1999, practicamente não olhei para ele. Durante a maior parte dos 180 minutos que o encontro durou, estive completamente distraído com a minha vizinha do lado, uma rabiteza muito especial que nessa viragem do século me acompanhava em tudo e mais alguma coisa. Aconteceu na última fila de uma sala practicamente deserta do Oeiras Parque, numa matiné de fim de tarde. Mais tarde, e porque o pouco que consegui vislumbrar do filme me pareceu indigno da minha falta de atenção, resolvi voltar a ele uns dias depois, então já sózinho e sem distracções, para poder finalmente conhecer esse tal de Joe Black.
"Meet Joe Black" é um filme curioso que se desenvolve a partir de um argumento baseado numa peça de teatro levada originariamente ao cinema em 1934: "Death Takes a Holiday", realizado por Mitchell Leisen e com Fredric March no protagonista. Mais tarde, em 1971, seria ainda feita uma versão vídeo com Melvyn Douglas e Myrna Loy. William Parrish (Anthony Hopkins), multimilionário à beira de completar o seu 65º aniversário pressente a vinda da morte. Só que, desta vez, a premonição habitual vai mais além e manifesta-se mesmo materialmente. A Morte entra-lhe em casa e na vida do dia-a-dia, personificada num corpo de homem recém-falecido num acidente de viação - chegou Joe Black (Brad Pitt).
O objectivo final é logicamente o acompanhamento na derradeira viagem mas, por curiosidade, a Morte decide atrasar um pouco a partida para em troca conhecer o modo de vida dos humanos. E tudo não passaria de um simples contrato de adiamento se essa vida fosse linear, sem altos nem baixos, desprovida de sensações. Mas como rapidamente a Morte percebe, a vida humana é completamente o oposto, complicada, cheia de nuances e paixões. E o inevitável acontece: Joe Black apaixona-se, descobre a razão principal da vida na pessoa da filha mais nova do seu anfitrião, Susan (Claire Forlani).
"Meet Joe Black", nas suas 3 horas de duração, não é um filme de fácil aceitação - ou se gosta muito ou se detesta. Considerado por muita crítica como um dos piores filmes do ano (teve mesmo alguns "prémios" especiais a distingui-lo nesse sentido), foi por outro lado muito bem aceite pelo público, que nele encontrou razões de sobra para de algum modo se rever nos anseios e esperanças de uma vida que vale a pena ser (bem) vivida enquanto dura: «Love is passion. Obsession. Someone you can't live without. Someone you fall head over heels for. Find someone you can love like crazy, and will love you the same way back. Listen to your heart. No sense in life without this. To make the journey without falling deeply in love, you haven't lived a life at all. You have to try, because if you haven't tried, then you haven't lived».
"Meet Joe Black" conta sobretudo com um naipe de actores de primeira água que conferem a necessária credibilidade ao argumento e de que é justo destacar Claire Forlani no papel de Susan Parrish, a mulher capaz de fazer atrasar a Morte na sua eterna caminhada. E pelas melhores razões. Duas sequências são mesmo inesquecíveis: o primeiro encontro com Brad Pitt (antes de assumir a personagem de Joe Black) no coffee shop, logo no início do filme, e sobretudo a pungente cena final de despedida que certamente ficará na história como uma das mais belas cenas de amor do cinema.
Uma referência final para a excelente banda-sonora, da autoria de Thomas Newman ("The Shawshank Redemption") e onde se encontram também referências obrigatórias da música americana, de Gershwin ("Our Love is Here to Stay") a Irving Berlin ("Let's Face the Music and Dance", "Cheek to Cheek"), passando por Jerome Kern / Oscar Hammerstein II ("Can't Help Loving That Man") e Richard Rodgers / Lorenz Hart ("Where or When"). De salientar, no genérico final, uma brilhante interpretação de Israel Kamakawiwo'ole de "Over the Rainbow / What A Wonderful World". Quem tiver interesse em escutar esta banda-sonora alargada, poderá fazer o respectivo download: https://www.mediafire.com/file_premium/miglhvnq48ydsqp/MJBOST.rar/file