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terça-feira, fevereiro 22, 2011

THE GETAWAY (1972)

TIRO DE ESCAPE




Um filme de SAM PECKINPAH


Com Steve McQueen, Ali MacGraw, Ben Johnson, Sally Struthers, Al Lettieri, Slim Pickens, Richard Bright


EUA / 122 min / COR / 16X9 (1.85:1)


Estreia nos EUA a 13/12/1972
Estreia em Portugal a 24/4/1973
Estreia em Moçambique a 20/10/1974
(LM, Teatro Manuel Rodrigues)


Adaptado de um romance de Michael Thomson, com argumento de Walter Hill, “The Getaway” é um clássico dos filmes de acção, mil vezes copiado mas nunca igualado. Inclusivé a escusada versão feita em 1993 com a dupla Alec Baldwin e Kim Basinger e realizada por Roger Donaldson fica mal na fotografia, pois o cinema não é equipamento informático ou de laboratório, onde se possa a belo prazer fazer cópias de um negativo original. Donaldson não é Peckinpah e sobretudo Baldwin não é McQueen. São estas pequenas aberrações que nos fazem pensar na pobreza de ideias que povoam as mentes de quem teria por obrigação desenvolver temas de interesse para o cinema actual e não se limitar a copiar o incopiável.

“The Getaway” é um thriller intenso, por vezes espectacular, mas acima de tudo feito com precisão por mão de mestre. Com muito humor à mistura, o filme vai alternando as cenas de acção com o envolvimento amoroso do casal McQueen-MacGraw, que nesta altura ia muito para além da simples representação, originando um verdadeira química entre os dois actores. No início o filme esteve para ser protagonizado por Cybill Shepperd e dirigido por Peter Bogdanovich, seu companheiro do início dos anos setenta. Mas Cybill foi substituída por Ali e por causa disso o realizador abandonou de igual modo o projecto. Sam Peckinpah foi contratado, Ali apaixonou-se por McQueen, e deste modo tudo contribuíu para que “The Getaway” tivesse sido feito num clima perfeito.

Existem autênticas cenas de antologia neste filme magnífico. A série de bofetadas com que McQueen contempla uma atónita MacGraw (porque apanhada de surpresa, visto a cena não constar no roteiro e ter sida improvisada por McQueen), a perseguição ao larápio do dinheiro no comboio ou aquela decisão magnânima no final, são as primeiras que me vêm à memória. Mas todo o filme está recheado de bons momentos, excelentemente filmados (parece que em sequência), que fazem de “The Getaway” mais um ponto alto da filmografia de McQueen e Peckinpah. Os dois homens entendiam-se às mil maravilhas – a colaboração entre ambos tinha começado em 1971, durante a rodagem de “Junior Bonner”, razão pela qual McQueen trouxe o realizador para a Paramount – e as suas fortes personalidades nunca foram obstáculo a que pudessem atingir os fins em vista. Houve alguns desentendimentos durante a rodagem, devidos sobretudo ao papel que McQueen também detinha como produtor executivo, mas Peckinpah tinha uma boa aliada em Ali MacGraw que rapidamente reestabelecia a concórdia entre os dois homens.

Muito embora “The Getaway” seja provavelmente o mais atípico filme de Peckinpah, o seu estilo está bem presente nas diferentes velocidades de filmagem ou na matreirice da montagem, em que o realizador joga com a dilatação e contracção do tempo. Veja-se por exemplo a apresentação do filme, onde os cinco anos de clausura de Doc McCoy são sugeridos magistralmente em cinco minutos por um encadeado de flash-backs e de flash-forwards. Privilegiando a construção dramática à simples cronologia, Peckinpah consegue dessa forma revelar-nos em poucos minutos o essencial do passado e da personalidade da personagem sem que uma única linha de diálogo seja proferida. Para isso também contribuiu claramente a interpretação de McQueen que, do seu modo muito especial nos consegue transmitir estados tão antagónicos como a cólera e a depressão por simples expressões faciais.

“The Getaway” foi uma lufada de ar fresco que percorreu este tipo de filmes logo no início dos anos 70. O género precisava de se renovar e, além disso, as carreiras de McQueen e Peckinpah tinham acabado de sofrer um rude golpe com a insipiência e a fraca aceitação de “Junior Bonner”. E se Peckinpah tinha recentemente realizado dois dos seus melhores filmes (“The Wild Bunch” em 1969 e “Straw Dogs” em 1917), McQueen, pelo contrário, não conseguia um grande êxito desde “Bullitt”, em 1968. O enorme êxito de “The Getaway” junto do público (mais de 40 milhões de receitas em todo o mundo) veio reacender o brilho de Steve McQueen, colocando-o de novo no topo dos actores mais populares do planeta.
CURIOSIDADES:

- Ali MacGraw teve de aprender a conduzir e a disparar armas de fogo para desempenhar a personagem de Carol McCoy.

- O escritor Jim Thompson foi contratado logo de início para escrever o argumento do seu próprio livro, no qual o filme é baseado. No entanto Steve McQueen não gostou de algumas passagens, sobretudo do final, que considerava muito depressivo, e resolveu substituí-lo por Walter Hill.

- A música da banda-sonora original tinha sido composta por Jerry Fielding, habitual colaborador de Peckinpah. Mais uma vez McQueen interveio e contratou Quincy Jones, pouco antes do filme estar concluído. Os solos de harmonica adicionais são da autoria de Toots Thielemans.

- Dado o romance que envolveu McQueen e MacGraw, os locais de filmagem (quase todos cenários naturais) eram constantemente invadidos por repórteres, o que frequentemente originava acessos de fúria a McQueen.

- Robert Evans, o produtor da Paramount de quem Ali MacGraw se estava a divorciar, encontrava-se na altura a produzir o filme “The Godfather”. Os actores Richard Bright e Al Lettieri aparecem em ambos os filmes.




sexta-feira, dezembro 31, 2010

PORTFOLIO - "LOVE STORY" (1970)

LOVE STORY (1970)

UMA HISTÓRIA DE AMOR
Um filme de ARTHUR HILLER


Com Ali MacGraw, Ryan O'Neal, John Marley, Ray Milland, Russell Nype, Katherine Balfour, Tommy Lee Jones

EUA / 99 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 16/12/1970
Estreia em MOÇAMBIQUE a 23/4/1971
(LM, teatro Manuel Rodrigues)
Estreia em PORTUGAL a 16/9/1971
(Lisboa, cinema Vox)

“Love means never having to say you're sorry”

«What can you say about a twenty-five-year-old girl who died? That she was beautiful and brilliant? That she loved Mozart and Bach? The Beatles? And me?» Assim começa “Love Story”, um dos melodramas mais célebres da história do cinema. Mais célebre e quase por certo o mais popular de todos. Passado já mais de meio século desde a sua estreia, ainda custa a acreditar como é que um filme tão simples e linear atravessa décadas atrás de décadas, conseguindo sempre emocionar-nos de todas as vezes a que a ele assistimos. Talvez que seja de facto essa desarmante simplicidade o grande segredo do seu sucesso. Hoje, a tantos anos de distância, e apesar do filme ter tido para mim um significado muito pessoal naquele início dos anos 70, não consigo encontrar qualquer outra explicação para a sua longevidade e para a aquisição do estatuto de clássico do género que hoje disfruta.

Quando “Love Story” se estreou nos EUA, em Dezembro de 1970, o livro de Erich Segal já era um grande êxito de vendas. Numa época consagrada ao hedonismo, à provocação e aos panfletos contestatários, às drogas e ao sexo desenfreado, afinal parece que ainda havia espaço para um pouco de romantismo, para se contar uma história de amor, pura e simples – algo que constituíu uma autêntica lufada de ar fresco, apanhando quase toda a gente de surpresa. Um argumento sem grandes pretensões ou floreados (escrito, curiosamente, antes do próprio livro), mas com personagens identificativos aos padrões da época (para quem não viveu aqueles anos convém referir que a grande maioria da juventude não embarcava de ânimo leve nos movimentos hippies ou contestários, apesar de neles irem colher muita inspiração) foi sem dúvida o ponto de partida para que o filme de Arthur Hiller atingisse o seu objectivo com uma facilidade desconcertante.

Adicione-se a pungente banda sonora (uma das mais melancólicas partituras que Francis Lai escreveu para o cinema e que viria muito merecidamente a arrebatar os respectivos Oscar e Globo de Ouro) e uma eficaz direcção de belos actores (belos em ambos os sentidos, físico e representativo) e talvez as peças já sejam suficientes para que o puzzle do inesperado fenómeno que foi o sucesso do filme fique completo. Recorde-se o baixo orçamento de cerca de 2,2 milhões de dólares, quantia que foi logo reposta nos primeiros três dias de exibição. Doze semanas mais tarde “Love Story” já tinha sido visto por 17 milhões de americanos. Foi, a larga distância, o grande êxito do ano de 1971, apesar da grande maioria dos críticos de serviço ter pretendido imolar o filme logo à nascença, adjectivando-o de charopada e outros mimos que tais.

O enredo do filme é de facto simples e banal mas, visto hoje, à distância, consegue ser bem representativo do tipo de conflitos geracionais que na altura estavam em voga, e que levavam a esmagadora maioria da juventude de então a libertar-se bem cedo da tutela familiar e a iniciar uma vida própria e independente que quase sempre passava por experiências de vidas comunitárias, em lares ou nas chamadas “repúblicas”, antecâmeras quase obrigatórias de uma vivência a dois. Essa vivência tinha sempre a sua componente romântica (e qual a história de amor que não a tem?) mas “Love Story” afasta-se um pouco desse caminho, optando antes por uma relação franca e aberta, onde chega a haver lugar para um certo sarcasmo, o que faz de Jenny e Oliver o prototipo quase perfeito do casal adolescente da classe média-alta daquela época.

Ali MacGraw e Ryan O’Neal eram na altura dois actores practicamente desconhecidos que viram as respectivas carreiras descolarem com o enorme sucesso do filme. MacGraw tinha já 31 anos e só o facto de ser casada com Robert Evans, o chefe de produção da Paramount, a possibilitou desempenhar o papel de Jenny Cavalleri. Ryan O’Neal, três anos mais novo, não foi uma primeira escolha, longe disso. Actores mais consagrados, como Beau Bridges, Peter Fonda ou Michael York (entre muitos outros) recusaram entrar no filme. Mas a verdade é que a química entre Ryan e Ali funcionou às mil maravilhas, tendo ajudado, e muito, à mitificação do filme.

Para além de ter ganho o Oscar para a melhor banda-sonora, o filme foi ainda nomeado em mais 6 categorias: Filme, Argumento-Adaptado, Realizador, Actor e Actriz Principais e ainda Actor Secundário (John Marley). Teve igual número de nomeações para os Globos de Ouro, tendo no entanto ganho 5 destes prémios: Filme dramático, Argumento, Realização, Actriz Principal e a Banda-Sonora original. Em 1978 seria feita uma sequela, “Oliver’s Story”, também com Ryan O’Neal (que contracenava com a actriz Candice Bergen) e Ray Milland, mas como tantas outras insistências de Hollywood o filme passou practicamente despercebido, não deixando qualquer traço para a posteridade.




Disponibiliza-se aqui a banda-sonora original, da autoria de Francis Lai, à qual foram acrescentadas 4 faixas bónus com interpretações vocais do tema principal - "Where Do I Begin" - a cargo de Andy Williams, Shirley Bassey, Perry Como e Patricia Kaas.


A letra da versão vocal foi composta por Carl Sigman:

Where do I begin?
To tell the story of how great a love can be
The sweet love story that is older than the sea
The simple truth about the love she (he) brings to me
Where do I start?

Like a summer rain 
That cools the pavement with a patent leather shine 
She (he) came into my life and made the living fine 
And gave a meaning to this empty world of mine 
She (he) fills my heart

She (he) fills my heart with very special things 
With angels' songs, with wild imaginings 
She (he) fills my soul with so much love 
That anywhere I go, I'm never lonely 
With him along, who could be lonely 
I reach for her (his) hand, it's always there

How long does it last? 
Can love be measured by the hours in a day? 
I have no answers now, but this much I can say 
I'm going to need her (him) till the stars all burn away 
And she (he) 'll be there