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sexta-feira, janeiro 20, 2017

THE AGE OF INNOCENCE (1993)

A IDADE DA INOCÊNCIA
Um filme de MARTIN SCORSESE



Com Daniel Day-Lewis, Michelle Pfeiffer, Winona Ryder, Alexis Smith, Geraldine Chaplin, Mary Beth Hurt, Alec McCowen, Richard E. Grant, Miriam Margolyes

EUA / 139 min / COR / 
16X9 (2.35:1)


Estreia em Itália, a 31/8/1993 
(Festival do Filme de Veneza)
Estreia nos EUA a 1/10/1993
Estreia em Portugal, a 12/11/1993



Ellen: «You couldn't be happy if it meant being cruel. 
If we act any other way I'll be making you act against what I love in you most. And I can't go back to that way of thinking. 
Don't you see?  I can't love you unless I give you up»

Edith Wharton escreveu "A Idade da Inocência" em 1920. No ano seguinte, o romance recebeu o Prémio Pulitzer, tendo sido Edith a primeira mulher a vencer este prémio. Em 1980, o crítico da Time Magazine Jay Cocks deu um exemplar a Martin Scorsese, dizendo-lhe «quando quiser fazer um filme de época, é este». Scorsese demorou sete anos até finalmente ler o romance. Antes de o acabar, já sabia que tinha de fazer a adaptação ao cinema. Cocks: «É culpa e consciência - Scorsese puro... Penso que o filme todo já estava na cabeça dele quando terminou de ler a última página». Scorsese: «Sempre me senti atraído pela repressão do desejo. O amor não consumado, o amor que se torna uma obsessão. Esse tema está em muitos dos meus filmes. Remonta a “Taxi Driver”».


Como muitos filmes de Scorsese, "A Idade da Inocência" é uma história de violência, mas não no sentido convencional. Os protagonistas eliminam as suas vítimas através de regras de etiqueta, em vez de o fazerem através das balas. Não é o sangue que escorre, mas a alma. Wharton: «Viviam todos numa espécie de mundo hieroglífico. As coisas a sério nunca eram ditas ou feitas, nem sequer pensadas, mas apenas representadas por um conjunto de sinais arbitrários. Esses sinais nem sempre eram subtis, o que os tornava mais significativos. As recusas eram mais do que uma simples censura. Eram uma erradicação». Scorsese: «Eles vestem roupas diferentes, mas o seu comportamento não é assim tão diferente do comportamento do crime organizado. Aliás, considero este filme muito mais violento do que “Taxi Driver” ou “Goodfellas”, por causa do choque entre o estado físico e o estado emocional das pessoas. Quando encenei o jantar de despedida para Ellen, os criados à volta da mesa pareciam-se com sentinelas, forças do crime organizado. Foi como se dissessem - este tipo, Archer, não vai a lado nenhum».


Convidando Cocks para colaborar no argumento, a dupla concluiu a primeira versão em Fevereiro de 1989. Quando a segunda versão foi terminada, em Dezembro de 1991, as decisões em relação ao elenco já estavam quase todas tomadas. Barbara De Fina, produtora (e mulher de Scorsese, de 1985 a 1991): «A escolha dos actores é essencial para o Marty, e ele soube logo quem queria: Daniel Day-Lewis e Michelle Pfeiffer». Demorou mais tempo a escolher a actriz para a personagem de May. Scorsese encontrou-a quando conheceu Winona Ryder numa cerimónia em Los Angeles. De Fina: «Precisávamos de alguém com um grande contraste físico com Michelle, mas também alguém capaz de personificar a natureza ambígua de May. Quando olhamos para o elenco, ele é de primeira qualidade, o que foi perfeito para o nível de sociedade aristocrática que estávamos a criar».


As atenções foram também viradas para a produção do filme. Os autores não pouparam despesas para criar uma exacta reconstituição daquela época. Scorsese contratou a graduada em história da arte, Robin Standefer, como consultora visual. Durante dois anos e meio ela registou todos os detalhes culturais da vida da alta sociedade do final do século XIX, enchendo 25 volumes de referências. De Fina: «Era importante que o espectador se sentisse como a viver naquela época. Isso ajuda a compreender a sua vida emocional. Tudo era bonito e luxuoso, mas ao mesmo tempo muito restritivo... As pessoas falavam e comportavam-se de uma maneira tão diferente naquela altura».


As filmagens começaram em Março de 1992. As cenas de exteriores da cidade de Nova Iorque foram filmadas em Troy, Nova Iorque. Patty Doherty, responsável pelos exteriores: «Visto que os edifícios na rua tinham permanecidos intactos desde o virar do século, quando Troy era um importante centro de negócios, não havia arranha-céus novos no horizonte. Esse era um problema em qualquer outro sítio. E a rua fazia uma curva no fim, o que escondia os semáforos. Não podíamos construir um cenário que fosse melhor». A Fraternity House Pi Kappa Phi de Troy foi redecorada para se tornar a casa de Mrs. Mingott. A Philadelphia Academy of Music fez as vezes da New York Academy of Music e do National Arts Club, a antiga Tiden House, em Gamercy Park, tornou-se a mansão Beaufort. As filmagens terminaram em Paris, no fim de Junho. A montagem do filme demorou quase um ano.


Scorsese: «O único elemento puro e original do cinema - o que o diferencia de qualquer outra forma de arte - é a montagem. Nós quisemos fazer o livro. Condensar e ao mesmo tempo manter o espírito e a verdade do que Edith Wharton escrevera. Este é um filme sobre uma sociedade onde as emoções não são facilmente visíveis ou aparentes. Só há apenas uma ou duas cenas onde as pessoas dizem finalmente o que querem e o que sentem. Dessa forma o prazer de moldar uma cena na mesa de montagem advém da tensão entre o mostrar e o não mostrar a emoção... Deveria fazer com que as pessoas (que estão a ver o filme) se sentissem desconfortáveis, da mesma forma que as personagens na tela estão desconfortáveis».


Escolhido pela Time Magazine como "O Melhor Filme do Ano", “A Idade da Inocência“ reproduz em simultâneo a beleza e a ironia do seu título. Porque, no final de contas, o filme é uma perturbante descrição de um amor impossível, o resultado do qual foi talvez melhor descrito pela própria Edith Wharton: «A vida é a coisa mais triste que há, depois da morte». De qualquer maneira não se deve conotar “A Idade da Inocência” apenas com a crueldade do romance. Scorsese revela um prazer tão grande em filmar, não só os seus actores mas também os objectos e os cenários, que o filme “se esquece” muitas vezes de ser infeliz. “A Idade da Inocência” fez a sua ante-estreia no Festival do Filme de Veneza, a 31 de Agosto de 1993, alguns dias após a morte de Luciano Charles Scorsese, pai de Marty, a quem o filme é dedicado.

CURIOSIDADES:

- Chegando a estar prevista para o Outono de 1992, a estreia foi adiada cerca de um ano devido ao longo trabalho de montagem de Scorsese

- O realizador tem uma curta aparição no filme: é o fotógrafo que tira as fotografias do vestido de casamento de May. Também os pais de Scorsese aparecem no filme, na cena rodada na estação

- Vencedor do Oscar para o melhor Guarda-Roupa, o filme teve ainda mais 4 nomeações da Academia, nas categorias de Argumento-Adaptado, Direcção Artística e Cenários, Música Original e Actriz Secundária (Winona Ryder, que viria a ganhar o Globo de Ouro)


 

quinta-feira, dezembro 29, 2011

BLACK SWAN (2010)

CISNE NEGRO




Um filme de Darren Aronofsky


Com Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder


EUA / 108 min / COR / 16X9 (2.35:1)


Estreia em ITÁLIA a 1/9/2010
(Festival do Filme de Veneza)
Estreia nos EUA a 5/9/2010
(Festival do Filme de Telluride)
Estreia em PORTUGAL a 3/2/2011


Nina: «I just want to be perfect»

Confesso desde já que não sentia a mínima vontade de ver "Black Swan", devido sobretudo a "Requiem For a Dream" que, como já tive ocasião de referir neste blogue, me colocou basicamente de pé atrás no que ao nome deste realizador diz respeito. Mas como tenho cá por casa uma ex-bailarina que nos seus tempos áureos chegou a dançar o duplo papel de Odette/Odile e que insistiu em ver o filme devidamente acompanhada, lá tive de condescender. A verdade é que não dei o tempo por mal empregue e realmente a mão que assina este "Black Swan" não parece pertencer à mesma pessoa que borrou completamente a pintura em "Requiem For a Dream". É certo que Aronofsky continua a ser um realizador hiper-valorizado - sobretudo pela nova geração de cinéfilos - mas neste caso conseguiu dar-nos um filme interessante, do qual se encontra ausente grande parte dos maneirismos insuportáveis de outrora.
Exceptuando-se alguns facilitismos a nível do argumento (os mais óbvios serão os de conotar o sexo com o lado mais obscuro do ser humano), "Black Swan" consegue, à parte certos exageros, trazer à colação os aspectos mais comuns no mundo do bailado: a dureza da profissão (amesquinhada pelas intrigas e pelas invejas), o desejo de afirmação a todo o custo ou a busca permanente pela perfeição são apenas alguns exemplos, mas que se encontram devidamente enquadrados. Acrescente-se a excelente fotografia, de matizes expressionistas, e um punhado de boas interpretações (que deu este ano a Natalie Portman um merecido Óscar, até porque os papeis das suas competidoras eram bem mais fraquinhos) e podemos considerar "Black Swan" uma agradável surpresa, sobretudo se pensarmos na pessoa por detrás da câmara. Entretanto descobri na internet um interessante e pertinente comentário, assinado por Daniel Dalpizzolo, que no essencial espelha aquilo que eu próprio penso, e que por isso transcrevo já de seguida:
Tentativa válida de um cineasta pueril

A imprensa norte-americana sente frequentemente uma necessidade de encontrar novos “gênios” do cinema, artistas que, mesmo com seus filmes ainda em produção, já são assunto das principais revistas e sites especializados, emplacando publicidades gigantescas que assolam nossa visão a todo instante e não nos deixam esquecer esses filmes nem por um dia sequer. O tempo geralmente trata de mostrar se eram realmente bons autores ou meros exemplares de uma tendência, e foi desta forma que muitos diretores tidos como bons durante certo tempo simplesmente sumiram alguns anos depois, revelando filmografias frágeis que, passada a moda na qual embarcaram, não despertavam mais o mesmo interesse.
É neste universo que, acredito, vivem os realizadores mais comentados pela imprensa norte-americana em 2010: Christopher Nolan e Darren Aronofsky. O primeiro, com seu "A Origem" / "Inception", tornou-se símbolo de um suposto cinema de entretenimento “com cérebro” ventilado aos quatro cantos do mundo; o segundo, com este "Cisne Negro", um realizador que estaria trazendo profundidade psicológica ao cinema mainstream. Convenhamos: em 2010, quem negasse a existência destes dois fenômenos estaria naturalmente fadado a parecer desatualizado. Quem falasse mal, por sua vez, era visto como maluco.
Embora filmes diferentes no resultado – e também na qualidade – que vemos em tela, são trabalhos que dividem características em comum em seus processos de concepção, na forma como se relacionam com o público e desenvolvem os seus discursos. Ambos respondem a uma necessidade de buscar-se no cinema mainstream contemporâneo algum respiro criativo, algo que nos conforte numa época em que cada vez mais os filmes comerciais parecem feitos para cachorros, muitas vezes sendo menos interessantes vê-los do que sentar numa cadeira de praia em frente ao forno giratório de assar frango e olhar o troço girar até dourar. É sim uma busca louvável, mas, até então, executada de maneira bastante pueril.
Tanto "A Origem" quanto "Cisne Negro" miram neste público, e acertam em cheio. Filmes que abordam temas pouco usuais ao cinema pop, derivados da psicologia, e que se utilizam do impacto das trucagens narrativas tão caras a estes dois diretores para venderem-se como filmes “originais” e “complexos”. Darren Aronofsky e Christopher Nolan são diretores cujo sucesso se construiu justamente na abertura de espaço para uma nova safra de cineastas, que representam o cinema moderno, cinema do século XXI, cinema do novo milênio; cinema que foge da estrutura classicista de narração e aproveita-se da fragmentação, da pós-produção digital, dos truques modernos para impressionar. Nas mãos de ambos o cinema é um quebra-cabeças, e existem duas preocupações que, nestes filmes, parecem interessar muito mais do que a própria pintura contida nele: em um primeiro momento, bagunçar as peças, desnortear o “jogador”; em seguida, conferir cada uma dessas peças cuidadosamente para ver se todas estão em seus lugares específicos. É assim que a brincadeira acaba. Quem montou, é claro, sai com um sorriso no rosto.
Falando por mim, quando se trata de arte, sou muito mais contemplar a pintura. E é por isso que, diante de um filme como "Cisne Negro", acabo acompanhando tudo com uma distância significativa. Neste caso em especial, e ao contrário de "A Origem", que é tão somente um filme muito ruim, existe algo interessante por debaixo do rocambole mirabolante, e não são poucos os momentos que realmente conseguem impressionar. Algumas sequências, beneficiadas pela atmosfera de paranoia trazida de filmes como "Repulsa ao Sexo" / "Repulsion" (Roman Polansk, 1966) e "Suspiria" (Dario Argento, 1977), fazem de "Cisne Negro" uma emulação juvenil interessante de um cinema psicológico que já não se faz mais; a relação da personagem de Natalie Portman com o trabalho em que tanto busca a perfeição, por sua vez, carrega quês de "A Hora do Lobo" / "Vargtimmen" (Ingmar Bergman, 1968) e "Videodrome – A Síndrome do Vídeo" (David Cronenberg, 1982), outros grandes clássicos desta escola de cinema que se utiliza da diluição entre o real e a alucinação para fazer suspense.
Analisando por esta definição (“diluição entre o real e a alucinação”) se percebe que, por mais interessante que possa ser, ainda existe muito caminho para filmes como "Cisne Negro" percorrerem até alcançar a mesma qualidade do grupo mencionado. E não será Aronofsky o homem a fazer isto, simplesmente porque seu estilo narrativo não permite tal desprendimento. Tudo é muito certinho, calculado, premeditado e principalmente explicitado – quando não radicalmente moralizado e induzido dentro de um discurso prévio, como no caso de "Réquiem Para um Sonho" / "Requiem For a Dream" (2001) e em algumas características deste - para que esta atmosfera se sustente após a sessão. Não há espaço para dúvidas ou abstrações, as imagens surgem para detalhar e reafirmar - depois, é claro, de brincar de confundir - as anteriores num fluxo intenso de narração que, impreterivelmente, parece sempre induzido a contar algo novo minuto a minuto, não sobrando tempo para executar seu princípio básico: observar, fazer da câmera o olhar do espectador.
Por conta disso, "Cisne Negro" carece de sequências atmosféricas e imersivas como destes filmes citados, em que seus diretores (Polanski, Argento, Bergman e Cronenberg – todos nascidos fora dos Estados Unidos, o que não passa de uma curiosidade) realmente compreendiam o peso de se penetrar na mente de uma personagem. Existem sim bons momentos em "Cisne Negro", como quando a personagem inócua e frígida de Portman, depois de ter estas características reforçadas incessantemente durante os 40 repetitivos minutos iniciais, sai com uma garota, bebe uns drinks, toma umas drogas sem saber e trepa com ela numa sequência lésbica extremamente erótica e de tirar o fôlego; ou como quando o professor interpretado por Vincent Cassel, ao tocar o corpo de Portman, deixa a bailarina excitada e solitária na pista de ensaios – para fazê-la sentir, algo que o filme de Aronofsky não faz conosco. Mas, assim como outros, são momentos que passam por este processo tão tedioso de preparação / explicação que, apesar de sua funcionalidade imediata, produzem uma empolgação que logo se esvai.
É neste vai-e-vem, através de uma história tradicional de paranóia obsessiva, que se instala "Cisne Negro", e assim Aronofsky conduz o espectador por sobre um modelo narrativo aparentemente bastante eficiente que vai fechando sua trama em explicações e truques (imagéticos e principalmente de roteiro, o que preserva o fascínio dos cinéfilos amantes de “roteiros intrincados e complexos” do cinema moderninho) cada vez mais ligeiros, até que a história chega ao seu ápice e implode em uma sequência que já nasce planejada para ser épica, antológica, apoteótica e poética para dar a "Cisne Negro" os contornos grandiosos e a definição de clássico do cinema contemporâneo que, a julgar pelos comentários tão empolgados que surgem semanalmente em listas de discussão, blogs e fóruns de internet, realmente ficará junto do filme por algum tempo. Definição que, acredito, não durará mais que uma geração.
CURIOSIDADES:

- Vincent Cassel compara a sua personagem a George Balanchine, fundador do New York City Ballet, por este ter sido um perfeccionista do controle, usando muitas vezes a sensualidade para dirigir os seus bailarinos

- Meryl Streep chegou a ser considerada para interpretar Erica, a mãe de Nina (que na peça original se chamava Alexandria)

- Natalie Portman teve aulas com o New York City Ballet durante um ano (tendo pago do seu próprio bolso a maioria dessas aulas), antes das filmagens se iniciarem. No entanto, a actriz só aparece nos números filmados da cintura para cima. Quando se vê o corpo por inteiro foram usadas duas bailarinas profissionais, Sarah Lane e Kimberly Prosa. A primeira foi quem dançou a maior parte dos ballets, tendo algumas vezes sido usados efeitos digitais para lhe colocar a cabeça de Portman no corpo. Por sua vez, Mila Kunis (que desempenha o papel de Lily), foi dobrada pela bailarina Maria Riccetto

- O toque no telemóvel de Nina é o "Theme of the Black Swan"

- Natalie Portman ganhou uma série de prémios pela sua interpretação, incluindo os três mais importantes: Óscar, Globo de Ouro e BAFTA. O filme foi ainda nomeado para mais 4 Óscares, 3 Globos e 11 BAFTA's. Ver listagem de prémios aqui