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sexta-feira, agosto 28, 2015

THE LAST HOUSE ON THE LEFT (2009)

À ÚLTIMA CASA À ESQUERDA
Um filme de DENNIS ILIADIS

Com Garret Dillahunt, Michael Bowen, Josh Cox, Riki Lindhome, Aaron Paul, Sara Paxton, Monica Potter, Tony Goldwyn, Martha MacIsaac, etc.

EUA / 114 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA: 13/3/2009
Estreia em PORTUGAL: 2/7/2009


If bad people hurt someone you love,
how far would you go to hurt them back?



Esta nova versão de “The Last House On The Left” (1972) é uma das excepções que confirma a regra. E essa regra é a de que a grande maioria dos remakes é inferior ao produto original. Não é o caso aqui. E também, diga-se de passagem, não seria muito difícil melhorar o filme de Wes Craven (que curiosamente produz este segundo filme), atendendo a que se tratava de algo de qualidade muito rasca, que ainda hoje custa a acreditar que se tenha tornado num filme de culto. Talvez devido a todas as proibições que despoletou um pouco por todo o lado, ou talvez pela novidade do argumento, que transforma predadores em presas: os assassinos das duas raparigas irão sucumbir, sem dó nem piedade, às mãos implacáveis dos pais de uma delas. Mas nem a originalidade da história seria aproveitada da melhor maneira. Na verdade, o filme com que Wes Craven debutou em 1972, e para o qual também escreveu o argumento, é algo a que falta practicamente tudo aquilo que é necessário para que, pelo menos, possa ser visto sem grande enfado e com um mínimo de interesse por parte do público. A realização (montagem incluída, também da responsabilidade de Craven), é feita às três pancadas, denotando uma ignorância atroz das mais básicas técnicas cinematográficas; a direcção de actores é péssima; a interpretação idem, idem; até a música utilizada (algo bizarro, que oscila entre o bluegrass e a música country)  é de péssimo mau-gosto.


Dennis Iliadis, o director grego que assina esta nova versão, nasceu em Atenas, tendo passado a sua adolescência em Paris e no Rio de Janeiro. Frequentou a Brown University, em Rhode Island, mudando-se depois para Londres, para a Royal College of Art. Rapidamente ganhou espaço no mundo do cinema, tendo dirigido a sua primeira longa-metragem na Grécia, (“Hardcore”, 2004), um filme sobre prostitutas, que viria a ganhar o Audience Award no Festival de Oldenburg, na Alemanha. Não conheço, pelo que não me é possível emitir qualquer opinião sobre esse filme-estreia. Mas esta segunda incursão na realização (o seu primeiro filme americano), é uma boa surpresa. Pelo menos, Iliadis consegue algo essencial neste tipo de filmes, que é a criação de uma atmosfera forte e credível, que se encontrava completamente ausente no primeiro filme. Longe de ser um grande filme, este “Last House On The Left” tem vários pontos de interesse, sobretudo para os aficcionados  do slash-horror, que começa logo no aproveitamento eficaz do argumento original, eliminando o supérfluo ou o simplesmente anedótico (a parelha dos polícias que anda completamente perdida no primeiro filme). De igual modo, Iliadis substitui o tipo de música, adicionando ao seu filme temas adequados, onde a inquietação e o suspense estão sempre presentes. A direcção de actores é muito boa e, de um modo geral, é de louvar o ritmo e o estilo conseguidos desde os créditos iniciais. Aquela última cena, de tão absurda e gratuita, é que era perfeitamente escusada. É algo que está a mais, que destoa do resto, mesmo que nesse resto existam algumas sequências de extrema violência.


“The Last House On The Left” afasta-se um pouco dos clichés que a grande maioria dos filmes de terror apresenta actualmente, bem como dos maneirismos técnicos comuns a tantos eles. Os movimentos de câmara são precisos e objectivos - o oposto das tremideiras que se verificam em grande parte de filmes do género (uma moda que se deseja passageira, criada por filmes como "REC", Paranormal Activity" e respectivas sequelas) - denotando já uma competência bastante eficaz de Dennis Iliadis, que consegue extrair o máximo de emoção e energia dos seus actores. Estes têm desempenhos francamente bons (talvez Riki Lindhomme, no papel de Sadie, seja a excepção), sobretudo Monica Potter e Tony Goldwyn (os pais de Mari) que dominam o écran na segunda parte do filme, ao levarem a cabo a vingança sobre os assassinos da filha. Para quem nunca viu o filme de 72, um conselho: não gastem tempo (ou sobretudo dinheiro) com ele, porque com toda a certeza saíriam defraudados da experiência. O melhor mesmo é esquecerem que este novo filme é um remake, pelo simples facto de ele possuir o seu mérito próprio, que seguramente merece ser levado em conta. Para os mais impressionáveis, não resisto a citar a publicidade feita para o primeiro filme:

TO AVOID FAINTING
KEEP REPEATING
IT'S ONLY A MOVIE
... ONLY A MOVIE
... ONLY A MOVIE
... ONLY A MOVIE
... 


CURIOSIDADES:

- Numa entrevista de Março de 2009, Sara Paxton revelou que a sequência da violação levou 17 horas a filmar.

- Tony Goldwyn esteve inicialmente relutante em aceitar o papel do pai de Mari, devido à violência descrita no argumento. No entanto, mudou de ideias depois de ver o primeiro filme de Iliadis, “Hardcore” (2004)




Notação do filme de 1972: 

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

GHOST (1990)

GHOST - O ESPÍRITO DO AMOR
Um filme de JERRY ZUCKER


Com Patrick Swayze, Demi Moore, Tony Goldwyn, Whoopi Goldberg, Vincent Schiavelli, etc.

EUA / 127 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 13/7/1990
Estreia em Portugal a 9/11/1990


Molly Jensen: «I love you»
Sam Wheat: "Ditto»

“Ghost” é, na sua essência, um melodrama que consegue ultrapassar o anedótico conceito do Bem e do Mal, e as respectivas retribuições no afterdeath – luz celestial para o primeiro, demónios da escuridão para o segundo. Ressalvando esta redundante dicotomia, o filme até que é agradável de se ver. Muito por causa das expressões de Demi Moore (nunca a actriz esteve assim tão fragilizada, diria mesmo, sedutoramente frágil) e da ideia de que um grande amor sobrevive para além da morte, mas sobretudo por causa da feliz ideia que foi a repescagem da canção de Hy Zaret e Alex North (“Unchained Melody”) de 25 anos antes, quando a versão dos Everly Brothers a celebrizou em todo o mundo (ver post sobre este assunto também aqui neste blogue). A melodia tem tonalidades muito cinemáticas, e não será por acaso que as duas melhores sequências do filme a têm como suporte musical – sobretudo a cena da moldagem do barro, que permanecerá sem dúvida como uma das maiores referências do erotismo no cinema.


Outra das razões do sucesso de “Ghost” será porventura o argumento de Bruce Joel Rubin – premiado com o Oscar da Academia – no qual se destaca um equilíbrio bem oleado entre as ferramentas do romance,  do thriller e do divertimento. Não nos esqueçamos que o realizador, Jerry Zucker, é um especialista em comédias, tendo-nos dado títulos como os hilariantes “Airplane” (1980) e “Top Secret” (1984) ou destacando-se também como produtor na trilogia “Naked Gun” (1988/91/94) e no filme “My Best Friend’s Wedding” (1997); em “Ghost” podemos assistir a uma representação bem humorada de Whoopi Goldberg (actriz aconselhada por Patrick Swayze para o papel de Oda Mae Brown), que lhe valeria também o Oscar, o BAFTA e o Globo de Ouro para a melhor Actriz Secundária.


Vinte anos após a sua estreia, e apesar de todas as suas imperfeições (de referir, em particular, o actor medíocre que Patrick Swayze sempre foi), “Ghost” continua a ser um filme bastante popular, nomeadamente pelas razões acima apontadas. Não o considero merecedor da nomeação que conseguiu para o Oscar de Melhor Filme (sobretudo quando comparado com outros títulos de 1990) que a Academia por uma vez teve razão em não lhe atribuir (o vencedor seria “Dances With Wolves”, de Kevin Costner, e o grande derrotado “Goodfellas”, de Martin Scorsese, já para não falar da terceira parte da saga do “Godfather”), mas é sem dúvida um bom entretenimento, que se aconselha sobretudo a todos os românticos do cinema.


CURIOSIDADES:

- Quando o filme se estreou em Monterrey, no México, todas as salas ofereciam lenços às espectadoras com a indicação “solo para mujeres” (como se um homem não pudesse chorar também)

- Sondra Rubin. a mãe do argumentista Bruce Joel Rubin, é a freira mais velha que cambaleia ao ver a quantia de 4 milhões de dólares escrita no cheque que lhe é dado por Oda Mae Brown. Também a mãe do realizador, Charlotte Zucker, tem uma curta aparição no filme – é a mulher do banco que recebe o pedido de Mae Brown para a abertura de uma nova conta bancária

- O terrível som feito pelos demónios da escuridão (ou do “inferno”) foi conseguido diminuindo drasticamente a velocidade de um registo de choros de bébés


- As actrizes Molly Ringwald e Nicole Kidman chegaram a fazer audições para o papel de Molly, enquanto que Meg Ryan o recusou. Uma das razões que levou depois à contratação de Demi Moore, foi o facto da actriz conseguir chorar facilmente de ambos os olhos

- Tom Hanks, Tom Cruise, Kevin Bacon, Al Pacino, Bruce Willis (na altura casado com Demi Moore), Harrison Ford, Nicolas Cage, Mickey Rourke, Johnny Depp e Alec Baldwin foram alguns dos muitos actores que recusaram o papel de Sam Wheat

- Vincent Schiavelli, o actor que desempenha o papel do fantasma do metropolitano, morreu de cancro do pulmão em 2005. Patrick Swayze morreu quatro anos depois, em 2009, também de cancro, mas do pâncreas. Ambos os actores tinham 57 anos.

- Para além de ter ganho 2 Oscars (Argumento e Actriz Secundária), “Ghost” teve ainda mais três nomeações nas categorias de Filme, Montagem e Música Original (Maurice Jarre)