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quarta-feira, outubro 30, 2013

I SPIT ON YOUR GRAVE (1978)

A VINGANÇA DE JENNIFER
Um filme de MEIR ZARCHI


Com Camille Keaton, Eron Tabor, Richard Pace, Anthony Nichols, Gunter Kleemann, etc.

EUA / 101 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia em França a 23/5/1978
(Festival de Cannes)
Estreia nos EUA a 22/11/1978



Johnny: [after being mutilated] «It won't stop bleeding!»

Um filme banido em diversos países na altura da sua estreia, vilipendiado por críticos judiciosos e cinematograficamente correctos, detestado por inúmeras ligas feministas em todo o mundo. O porquê de tanto alarido era, depreende-se, a exploração de uma certa violência gráfica e diversas cenas de nudez. Mas visto hoje, por entre tantos excessos que povoam os écrans das salas de cinema e dos nossos computadores (as séries “Saw” e “Hostel” são apenas dois dos exemplos mais conhecidos), este “I Spit On Your Grave” arrisca-se a ser um cordeirinho entre lobos vorazes. Mas um cordeirinho ainda incómodo, cheio de genica e orgulhoso de ostentar uma coleira onde se pode ler “filme de culto obrigatório”.

Jennifer Hills (a belissima Camille Keaton, neta do cómico Buster Keaton) é uma escritora em início de carreira que aluga uma casa isolada no campo, no estado de Nova Iorque, afim de se poder concentrar no seu primeiro romance durante as férias de Verão. Inevitavelmente, Jennifer acaba por atraír a atenção masculina local, protagonizada por Johnny (Eron Tabor), o dono de uma estação de serviço e dos seus três habituais comparsas, o mais novo dos quais, Matthew (Richard Pace), um atrasado mental que trabalha no supermercado da zona. Os acontecimentos precipitam-se e Jennifer acaba violada e espancada de um modo brutal. Primeiro no bosque que circunda a casa, depois no interior da mesma, onde é deixada agonizante. Matthew é incumbido de voltar atrás para acabar de vez com Jennifer, missão que não consegue cumprir, ocultando esse facto dos outros três homens. Segue-se a recuperação da jovem e o seu plano, metódico e friamente premeditado, para usufruir de uma vingança pessoal sobre todos quantos lhe infligiram as crueis sevícias e humilhações.

“I Spit On Your Grave” é um filme tosco, de baixo orçamento (não tem sequer direito a uma trilha musical), de cariz semi-documental, filmado de um modo simples e linear, quase espartano, e inspirado com toda a probabilidade em  outros dois filmes do mesmo género, “Deliverance”, e “The Last House On The Left”, ambos realizados seis anos antes, em 1972. Aqui não existem efeitos especiais ou movimentos estapafúrdios de câmara (infelizmente tão em voga nos dias que correm), e talvez seja essa a principal razão pela qual uma vez visto, o filme não nos sai tão cedo da memória. “I Spit On Your Grave” é portanto o tipo de produção que jamais seria levada a cabo por um grande estúdio de cinema. E é também essa sua faceta independente que contribuíu para o seu sucesso (que começou logo em 1978, nos Festivais de Cannes e de Stiges), tornando-se com o passar dos anos numa referência fundamental do género. Nele não encontramos nada de sobrenatural, o seu horror deriva da sua alarmante vulgaridade, de ser algo possível de acontecer no dia-a-dia de cada um de nós. Os agressores não são monstros nem sequer psicopatas, apenas pessoas comuns que, de um momento para outro, embarcam numa série de atitudes violentas e repentistas.

“I Spit On Your Grave” não pretende emitir juízos de valor, não quer julgar ninguém. Nem a atitude dos 4 homens na primeira parte do filme nem muito menos a posição revanchista de Jennifer na segunda (embora dificilmente não tomemos o partido dela, depois de toda a carga de violência a que foi sujeita). Meir Zarchi, o realizador e tambem responsável pelo argumento (e que pouco tempo depois se casou com a actriz), limita-se a contar a história de uma vingança, nua e crua, sem rodriguinhos e sem se afastar do essencial. Um aspecto curioso é o poder de aliciamento de Jennifer, que consegue facilmente seduzir os seus algozes, para depois os aniquilar sem dó nem piedade, qual anjo exterminador ou fêmea insectívora que devora os seus parceiros depois do acto sexual. No caso de “I Spit On Your Grave” os 4 homens não são “devorados”, mas todos eles sucumbem a destinos nada invejáveis: um por enforcamento, outro castrado numa banheira (talvez a cena mais chocante do filme – pelo menos para os homens – apesar de nada ser mostrado, apenas intuído), o terceiro morto à machadada e o último destroçado pela hélice de um barco.

Como já vem sendo hábito, foi feita em 2010 uma nova versão do filme (não vi, nem tenciono ver), que obviamente nunca poderá ocupar o lugar deste original, mas que teve o mérito de originar várias reedições do filme de 1978. Em Inglaterra saíu mesmo uma edição luxuosa – imagine-se! – contendo o DVD, o Blu-ray, um poster e um album de fotografias e ensaios sobre o filme. Infelizmente trata-se de uma versão remontada, onde foram cortados vários minutos das cenas consideradas mais explícitas. Nos Estados Unidos existem duas versões, uma classificada como “R” (que inclui de igual modo diversos cortes) e outra classificada como “Unrated”. É esta última, da editora Anchor Bay, a única versão integral do filme, com os 101 minutos originais, que deverá ser adquirida por todos os coleccionadores.

CURIOSIDADES:

O filme estreou-se com o título “Day of the Woman”. Devido ao pouco sucesso obtido nos EUA, o distribuidor alterou-lhe o nome três anos depois, quando procedeu ao seu relançamento. Nessa altura, a campanha movida por alguns críticos (com Roger Ebert à cabeça, que não se cansava de vociferar contra o filme nos meios de comunicação) veio a originar uma grande publicidade (o fruto proibido é sempre o mais desejado…) e a consequente afluência de espectadores às salas.

No poster original de lançamento do filme podia ler-se: "This woman has just cut, chopped, broken and burned five men beyond recognition". O desenhador gráfico nunca devia ter visto o filme, uma vez que se trata apenas de 4 homens e nenhum deles foi queimado pela protagonista.





A casa do filme pertencia na altura a Yuri Haviv, o director de fotografia.

Camille Keaton não teve qualquer problema em aparecer completamente nua em diversas cenas (que são bastantes ao longo do filme), mas o facto de ter de correr descalça no bosque e ser constantemente atacada por mosquitos chegou a levá-la ao hospital para tratamento.

terça-feira, setembro 06, 2011

PORTFOLIO - "SUPERMAN" (1978)

SUPERMAN (1978)

SUPER-HOMEM




Um filme de RICHARD DONNER


Com Christopher Reeve, Margot Kidder, Marlon Brando, Gene Hackman, Ned Beatty, Jackie Cooper, Susannah York, Glenn Ford, Phyllis Thaxter, Trevor Howard, Valerie Perrine, Maria Schell, Terence Stamp


EUA / 151 min / COR / 16X9 (2.35:1)


Estreia nos EUA a 10/12/1978 
(Washington D.C.)



Lois Lane [thinking while flying with Superman across the skies of New York]: «Can you read my mind? Do you know what it is that you do to me? I don't know who you are. Just a friend from another star. Here I am, like a kid-out of school. Holding hands with a God. I'm a fool. Will you look at me? Quivering. Like a little girl shivering. You can see right through me. Can you read my mind? Can you picture the things I'm thinking of? Wondering why you are..., all the wonderful things you are. You can fly. You belong in the sky. You and I... could belong to each other. If you need a friend..., I'm the one to fly to. If you need to be loved..., here I am. Read my mind»
A figura de “Superman” pertence já ao imaginário das lendas. Personagem da nossa meninice, criada em 1938 por Joe Simon e Jerry Schuster, apareceu ao mundo no primeiro número da revista Action Comics tendo, a partir daí, povoado a imaginação das crianças de todo o planeta. O filão foi aproveitado praticamente por todos os meios de comunicação: imprensa (com as suas tiras semanais em toda a parte), programas de rádio, televisão (chegou a ser criado um show ao vivo) e, claro, o cinema, com os seus filmes, séries e desenhos animados. Com uma técnica sempre muito duvidosa, foram sendo feitas algumas adaptações ao longo dos anos. De todas elas, a que porventura tem ainda algum interesse será a série televisiva do início dos anos 50, em que o personagem foi sempre vivido pelo mesmo actor, George Reeves (que se suicidaria aos 45 anos, em 1959).
Até que, em 1973, Alexander Salkind, da Warner Bros, adquiriu os direitos de “Superman” para uma nova versão no cinema. A produção do filme começou em Roma, nos fins de 1976, com o inglês Guy Hamilton (responsável por diversos filmes de James Bond) na realização. Depois do seu abandono, por questões de saúde, os produtores viraram-se ainda para Steven Spielberg, mas este estava ocupado com “Close Encounters of the Third Kind” e não pôde aceitar a oferta. Finalmente, depois de ter visto o filme “The Omen”, Alex Salkind conseguiu o contributo do director deste filme, o americano Richard Donner, na altura com 47 anos de idade. Donner impôs a condição de o argumento ser todo revisto, atendendo ao existente na altura não passar de uma pequena novela. Conseguido o acordo, o novo script acabaria por ser escrito por uma equipa liderada por Mario Puzo, o aclamado escritor da saga dos Corleone.
Entretanto, a produção mudou-se de armas e bagagens para Inglaterra, passando a utilizar os estúdios Pinewood e Shepperton. Tendo sido decidido que o actor a escolher para o papel de Superman teria de ser alguém desconhecido do público pela simples razão de dificilmente se poder imaginar um actor credenciado a desempenhar aquele específico papel (leia-se a voar...), as premissas para a difícil decisão passaram a ser apenas duas: um bom porte atlético e algum jeito para representar. Depois de alguns testes, apareceu felizmente o intérprete ideal: um jovem estudante da famosa Juilliard (School of Performing Arts) de Nova Iorque, com 25 anos, recém formado pela Universidade de Cornell. Ao longo da sua carreira (trágicamente interrompida em 1995, quando um acidente de cavalo o deixou paralisado do pescoço para baixo) Christopher Reeve não chegou a distinguir-se em grandes interpretações.

Contudo, em “Superman”, foi o actor perfeito, quer como Clark Kent quer na pele do invencível homem de aço. Na verdade, passados mais de vinte anos sobre a estreia do primeiro dos quatro filmes em que Reeve incarnou a célebre personagem, acreditamos piamente que Superman é Christopher Reeve e vice-versa. Aliás, julgo que esta total identificação contribuiu um pouco para o actor não ter tido um reconhecimento mais alargado do que aquele que efectivamente usufruiu.

Para além de Reeve, o aspecto mais memorável do filme continua a ser a música, bela e grandiosa, que John Williams compôs tão brilhantemente. Começando logo pela introdução majestosa, em que o genérico (também ele magnífico) nos introduz de imediato na espectacularidade da obra. Do mesmo modo efectivo é o tema de amor, "Can You Read My Mind?", mesmo que Margot Kidder se limite apenas a dizer as palavras. Por falar em Kidder, assinale-se quanto acertada foi também a sua escolha para o papel de Lois Lane. Por não ser uma mulher fisicamente deslumbrante ela é extremamente convincente, conseguindo tornar o triângulo Clark / Lois / Superman  numa fascinante ligação, que constitui o centro nevrálgico do filme.
“Superman” ficou também conhecido na altura pelo grande orçamento de que dispôs, cerca de 55 milhões de dólares. Mesmo atendendo a que muitas das cenas foram logo rodadas a pensar já num segundo filme, encarado à partida como uma lógica e necessária segunda parte. Daqueles 55 milhões cerca de 4 milhões foram de imediato parar ao bolso de Marlon Brando, actor que os produtores tiveram de assegurar para garantirem à partida riscos menores para o sucesso ambicionado. Mesmo que a participação de Brando se limitasse a alguns dias de filmagens.

Pelas mesmas razões foi contratado Gene Hackman (este apenas por 2 milhões) para o papel de vilão. Acrescente-se que é talvez este o ponto mais fraco do filme: um tom mais comedido e menos jocoso para o mau da fita teria contribuído para uma maior eficácia e credibilidade, até porque o papel principal estava já imbuído de uma certa ligeireza e o contraponto teria certamente muito mais impacto. Como aliás veio a suceder na continuição, com um "verdadeiro" trio de malfeitores (os mesmos que logo de início são expulsos do planeta Krypton, ficando em hibernação durante toda a primeira parte).

“Superman” envelheceu muito bem, permanecendo hoje em dia um divertido filme de aventuras, por vezes mesmo belo e excitante. Essa beleza encontra-se intacta no romântico passeio de Lois e Superman pelos céus de Nova Iorque, após um primeiro rendez-vous no terraço do apartamento de Lane (verdadeira cena de antologia, com uns diálogos brilhantes de malícia e sub-entendidos, em que o erotismo está sempre latente) e os momentos de excitação são vários, destacando-se obviamente a cena do helicóptero. Muitos dos efeitos especiais usados foram autênticas inovações para a época (o filme ganhou o Oscar para os melhores efeitos visuais, tendo ainda sido nomeado para os Óscares de montagem, som e banda-sonora), não se tendo de envergonhar quando comparados com os sofisticados meios digitais tão vulgares hoje em dia.

CURIOSIDADES:

- A rodagem do filme envolveu cerca de 1000 pessoas, durante 18 meses. Foram montadas duas versões para televisão com mais de três horas cada. Em 1981, a ABC distribuiu uma versão com cerca de 182 minutos (mais 39 minutos do que a versão original) e em 1994 a KCOP, em Los Angeles, editou uma versão ainda maior, com 188 minutos. Finalmente, para a edição do filme em DVD, Richard Donner criou uma versão definitiva de 151 minutos, para a qual todos os efeitos sonoros foram recriados, devido ao péssimo estado da banda sonora original. Tal não afectou a música nem os diálogos, que foram remasterizados directamente dos originais.

- Gene Hackman pretendia manter o bigode na interpretação de Lex Luthor. Donner, que na altura também usava um bigode, não concordou com a ideia e apostou com Hackman que se ele rapasse o bigode lhe seguiria de imediato o exemplo. Hackman concordou e tirou o bigode. Donner cumpriu o prometido e retirou o dele..., que por acaso até era falso!



- Entre as diversas actrizes que estiveram para desempenhar o papel de Lois Lane contam-se Shirley MacLaine, Stockard Channing e Lesley Ann Warren.

- Christopher Reeve foi apresentado numa conferência de imprensa que teve lugar em Nova Iorque, no Sardi's, em 23 de Fevereiro de 1977, um mês antes de começar a rodagem, que se iniciou a 28 de Março, nos estúdios ingleses de Shepperton.

- As cenas de Super-Homem adolescente, em Smallville, no Kansas, foram na realidade rodadas no Canadá.

- Toneladas de equipamento e material de escritório foram levadas para Inglaterra afim de se filmarem os interiores do Daily Planet.

- A sequência do helicóptero levou seis meses a filmar, tendo envolvido cinco equipas de filmagens em dois países.



- “Superman” foi o último trabalho completo do fotógrafo Geoffrey Unsworth, a quem aliás o filme é dedicado. Veio a falecer em 28 de Outubro, com 64 anos, enquanto trabalhava simultâneamente nos filmes “Superman 2” e “Tess”. Numa carreira recheada de grandes êxitos, destacam-se os filmes “Becket” (1964), “2001:A Space Odyssey” (1968), “Cromwell” (1970) e “Cabaret” (1972).

- Marlon Brando chegou a processar os produtores do filme em Dezembro de 78, por estes ainda lhe deverem dinheiro. Como além disso pretendia uma percentagem nos lucros do filme, todas as cenas por ele rodadas que eram para fazer.

- Estreado a 16 de Dezembro nos EUA e a 23 na Grã-Bretanha, “Superman” permaneceu 11 semanas seguidas no 1º lugar do Box Office. Três meses depois, em Março de 79, encontrava-se ainda em 4º lugar.






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