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terça-feira, 18 de outubro de 2011

É VERO!

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o valor das coisas e não o seu preço." (Max Gehringer)
Depois de mais de um mês aquecendo para apresentar aqui o motivo da nossa grande alegria do ano (e de toda uma vida), à procura do melhor enfoque, como costumamos nos posicionar quando a notícia é intensa, eis que ontem encontrei o caminho e a síntese neste recadinho postado por amigos no facebook. Reconhecer acertos na orientação dos passos e na inspiração das aspirações de nossos rebentos é presente imensurável. E é essa a alegria que multiplico finalmente com vocês, queridos leitores do Amém.

Vero é o sonho do filho aterrado na realidade e na cumplicidade de dois amigos, sócios da mesma busca. Vero é a expressão da vida generosa, fruto da semeadura apaixonada e dedicada desse trio que se alimenta ao alimentar quem chega com o melhor de si.
Na retaguarda, nos bastidores, na torcida, por tabela Vero vem saciando a fome de colheita de todos nós que, de uma maneira ou outra, regamos de esperança essa jornada tão verdadeira.
Vamos então ver o Vero, pelo olhar exibido da mãe do chef?

No bar...

Na vitrine da cozinha...
Na loja de vinhos... Em cada canto do salão realçado pelo vermelho, o cenário acena aos prazeres da boa mesa.
E ela começa a se revelar aos comensais no couvert, enquanto enfrentam o conflito da escolha.
Entre as opções, peixe ou...
ou carnes vermelhas...
ou risotos...
ou massas.../div>
Se julgou estar livre das escolhas ao se definir pelo prato, prepare-se para nova batalha com o cardápio com as sugestões de sobremesas. Só uma provinha! Morangos com sorvete de baunilha, creme de queijo, tuille de pistache e farofinha Gateau al cioccolato


Milie foglie de baunilha bourbon com frutas vermelhas
Obrigada pela visita, amigos de longe!

Aos de perto, o convite para conhecerem ao vivo: Rua Bento Gonçalves, 1577, São Leopoldo, RS (de terças a sábados, à noite).

Que o valor deste publieditorial (rs) seja uma pitada de entusiasmo para nossos sonhos verdadeiros, aqueles que não têm preço e guardam a fé na vida como nossa maior riqueza. Amém!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A lição dos ladrilhos

Há mais de um ano, estive em Bento Gonçalves, RS, em férias de 24 horas deliciosas com a amiga Jane. Percorremos os Caminhos de Pedra, visitamos vinícolas e outras atrações turísticas, mas fiquei com um gostinho de frustração por não ter encontrado o dono da casa que mais me chamou a atenção com sua pequena placa anunciando: "Faço ladrilhos hidráulicos".
Neste final de ano, marido e eu resolvemos mudar o roteiro e nos refugiar do agito dessa data que não é minha praia subindo à região italiana da serra. Enquanto multidões se dirigiam ao litoral, as estradas que levam aos vinhedos eram nossas quase que com exclusividade (de vez em quando é bom andar na contramão das convenções). E voltei então à rota turística dos casarões de pedra, com direito na primeira parada a almoço típico italiano numa construção igualmente típica.

Um cardápio que promete...
e cumpre na entrada, diferente e muito saborosa (recheio de capelletti servido como pastinha para acompanhar os pães)...
passando aos pratos principais, com destaque merecidíssimo aos nhoques leves que derretem na boca...
e chegando ao grand finale com louvor: sagu de vinho, digno de ser servido a Baco, que não tenho dúvida, comeria ajoelhado. (rs)
E seguimos em frente, rastreando as fachadas do Distrito de São Pedro, em busca da plaquinha inesquecível. Não demoramos a encontrá-la, desta vez, viva!, com seu personagem principal descansando na frente da casa. Nos fundos, avista-se logo o casarão antigo, onde tudo acontece.
Recepcionados pelo entusiasmado artesão, entro no seu ateliê com os olhos arregalados pela curiosidade. E não é para menos! Em cada metro quadrado da construção centenária, os ladrilhos brilham em beleza.
Perco o constragimento e desfio peguntas, até que seu Sérgio nos convida a irmos para os fundos, onde cria as peças.

A matriz, em ferro, recebe camadas de cimento, a primeira com as cores pigmentadas com Pó Xadrez, explica ele. Depois, é prensado.
Um por um, os ladrilhos vão nascendo em diferentes padronagens, tons, em horas de trabalho minucioso...
... alguns conjugando grafismos e arabescos em lindos tapetes.
Ao me despedir do talentoso artesão - que desenvolve sua arte nas horas de folga, já que o sustento maior vem do seu primeiro ofício, o de pedreiro - tinha duas peças embrulhadas embaixo do braço (para testar na construção dos fundos de casa) e a alma atiçada. Um contentamento meio desproporcional, que só mais tarde desvendaria. Era a dosagem extra de endorfina que a persistência nos presenteia quando finalmente conquistamos um sonhozão ou sonhozinho, não importa o tamanho. A grandeza é nós que estabelecemos, ainda que ninguém em volta possa entender, o que também não importa, não é mesmo?
E o ano que logo ali nasceria já mostrava sua cara, insinuando que persistir deve ser verbo bem exercitado em 2011. Que a exemplo do seu Sérgio, não me falte motivação e disciplina para seguir buscando o que traz alegria verdadeira. Amém!
Contatos com seu Sérgio Viecili podem ser feitos pelo e-mail: sergioladrilho@yahoo.com.br

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Abraçando Cecília forever

A filha Helena já tinha me dado a alegria do abraço real, depois de muitas trocas bloguísticas, e de dividir a mesa num jantarzinho inesquecível aqui em casa, junto com minha hóspede Laély, no início de junho. Ontem, no capítulo seguinte da nossa história recheada de sincronias, foi a vez de abraçar Cecília, a mãe. E a tarde emburrada e fria do Sul ganhou ares de festa que o coração reconhece quando não vê o tempo passar e o papo se desenrola macio como novelo de lã nas mãos das tricoteiras. Tal mãe, tal filha, as duas são mestras em quiltar tecidos, linguística e também assuntos para uma conversa colorida e harmoniosa, e assim foi nosso café na Villa D´Assisi, espaço bacana em São Leopoldo que reúne um combo de belas propostas: restaurante, livraria, escola de música, ambiente para exposições e shows de boa música, tudo isso ambientado numa casa de grande bom gosto.
Gosto bom experimentado pelas meninas nos doces e bebidas, como o "Brasileirinho", escolha certeira da carioca Cecília que não se intimidou com a baixa temperatura e optou por um café com sorvete. Não poderia me encolher, como gaúcha e entusiasta do inverno, e acompanhei o pedido da visita em outra versão: waffle quentinho com sorvete de creme
.

Mas antes disso, Edna, cunhada de Cecília, encarregou-se da trilha sonora do encontro no piano à disposição dos clientes. Despretensiosamente, nos presenteou com sua música e fez bonito.
Seguindo o tour pela Villa, na livraria mais uma sincronia aguardava Cecília bem à mão na estante que tem como atração os relógios mostrando as horas em diferentes partes do mundo: Tito Madi, citado por ela no post de chegada ao Rio Grande, que pode ser visto aqui.
Amizades que rapidamente criam intimidade é dádiva preciosa. Em pouco mais de uma hora estávamos tão à vontade que o papo passou também pelo banheiro, um show de estilo na Villa. Sabíamos que as meninas que nos acompanham também gostariam de conhecê-lo e, então, tratamos de clicar.
O amplo toalete da casa, que já foi moradia, manteve seu estilo anos 60 (ou seria 50?) e causa impacto. Um túnel do tempo com os azulejos contrastantes, almofadas, flores, bancada, todos na mesma paleta de cores (e seguindo o preto e rosa, a fotógrafa e sua bengala, com destaque para o colar com mandala: olha ele aí, Helena!), um ambiente totalmente "mulherzinha" que nos faz sentir divas em um camarim.
Menos diva, mas com um outro glamour embalando a aura, o das boas experiências vividas, começo mais um dia gelado com direito a auto-retrato, com a alma e o peito aquecidos pelos pontinhos da Cecília.
Abençoados são os pontos de luz que nos agrupam nesse surpreendente patchwork das vidas que se encontram, forever.

sábado, 10 de julho de 2010

O que as princesas comem?

sobre as refeições das princesas as pessoas dizem muitas bobagens. Que uma princesa se alimenta exclusivamente de maçãs, que almoça compota de rosa, que pode se contentar apenas com o olhar de um príncipe apaixonado na hora do jantar.
Na verdade, as princesas comem como todo mundo.
Única diferença: tudo o que comem primeiro é
examinado cuidadosamente
e testado por um degustador
porque nos palácios há sempre brigas, e as disputas entre princesas se resolvem na base do veneno. Por isso elas muitas vezes comem comida fria.
Com a devida permissão de quem entende do assunto, como os autores do livro que vem guiando os posts sobre o episódio palaciano no Restaurante Bouquet Garni, em Gramado, na visita da amiga Laély ao RS, nos entregamos às luxúrias da mesa, nem um pouco comedidas. Se princesas comem de tudo, e nem sempre o menu é leve, na nossa noite de conto de fadas não precisamos nem nos deter muito ao cardápio. A escolha estava predefinida por indicação do filho, chef que fez a função do degustador e garantiu que não corríamos riscos, nem de alguma decepção, se a pedida fosse uma pierrade (variação do fondue, com bifinhos de filé grelhados na pedra aquecida por rechaud pelos próprios comensais). Princesas são curiosas, principalmente quando se trata de desvendar alquimias gastronômicas. Conclusão para justificar nossa entrega quase de olhos fechados à experiência de provar cada um dos molhos, salgados, picantes, agridoces, doces, sem nenhum receio de nos envenenarmos pela mistura dos tantos sabores, marcantes. Impossível não querer eleger o melhor e deflagrar o conflito: como escolher só um, ou só dois, ou só três? Resta um consenso: são todos com muita personalidade, confirmando que também na cozinha, como em outros universos, cada ingrediente tem seu valor. Alguns se casam com harmonia, outros brilham solitários, e saber combiná-los não é só questão de técnica, mas de ousadia, bom senso e sensibilidade de quem prepara e de quem degusta.
Voltemos ao livro: Princesas amam sorvete!
Sorvete leve à base de água,
polpa e frutos proibidos.
É a sobremesa preferida das princesas,
tanto que elas o tomam
até mesmo antes das refeições.
As receitas são deliciosas e variadas:
Sorvete de verão ou sorvete de inverno,
sorvete de bagas, sorvete de flores.
Sorvete de cardamomo,
muito cheiroso, e sorvete das bailarinas,
famoso por sua leveza.
Sorvete da noite, sorvete de uma noite,
Sorvete negro, sorvete marfim.

As companheiras ponderaram duas vezes e se renderam: vamos aos prazeres da sobremesa! Pensaram mais algumas vezes com o delicado cardápio (que reproduz em aquarela a fachada do restaurante à beira do Lago Joaquina Bier) em mãos para decidirem compartilhar o sorvete de uma noite.Enquanto elas atacavam, eu julgava que passar pela tentação doce era coisa de princesa vacinada, por momentos, do pecado da gula, mas mal sabia o que o pedido de um simples cafezinho iria me apresentar.

Um luxo para arregalar os olhos de qualquer princesa, e de súditos também! Para acompanhar o café, tuile, lembrando uma luminária, chocolatinho com a logotipia do Bouquet Garni e... pétalas de rosas caramelizadas. Sim, uma receita digna de constar em qualquer livro que se proponha a desvendar os mistérios "princesísticos", mas que pensando melhor talvez precise mesmo ser resguardada a sete chaves para não roubar-lhe o encanto. Dividimos irmamente a iguaria e saboreamos como um ritual sagrado, igual à criança pequena que se delicia com as novidades do mundo e assim vai (des)cobrindo os sentidos. Sentidos acordados pela beleza de tantos detalhes, do primeiro ao último movimento do serviço...

projetada em cada ângulo do "palácio de cristal"... com seu teto de vidro exibindo a araucária iluminada ... e seus ambientes mesclando também madeira e pedra, numa atmosfera provençal de sonhos.

A noite memorável se encaminhava às 24 badaladas quando as três princesas, alimentadas de muito do que faz a alma brilhar, se despediram do capítulo que por anos recorreremos para reavivar a convicção de que a vida reserva lindas surpresas, mais prováveis quando damos uma "mãozinha" ao destino e um "pezinho" uns aos outros para alcançar estados de graça. E em estado de graça, a tempo da carruagem não virar abóbora e congelarmos na volta a Canela, o registro para o post e a posteridade do nosso jantar estrelado, lembrando a todas as "meninas" a sentença da Princesa Efêmera da China:


Uma vez princesa, sempre princesa!

(Ainda que em certos dias as bruxas nos cerquem para nos convencer de que somos da sua turma, e façam mil convites venenosos para trocarmos o palácio iluminado pelo porão sombrio, nós temos a força da beleza vivida, antídoto para a amargura, elixir para recuperar tempos perdidos e sonhos adormecidos. Amém!)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uma noite de princesas (efêmeras?)

Princesa Efêmera da China
Faz parte de uma dinastia em que se é princesa somente por um dia.
Princesa muito bonita, graciosa como uma libélula, leve como o ar.
A vida de Efêmera dura apenas algumas horas:
de manhã ela acorda em seu casulo, depois cresce bem depressa até voar com as próprias asas. Podemos observá-la no jardim, aspirando o perfume das flores, usando vestidos magníficos. Ela rodopia sob o sol brilhante, ouvindo os gracejos dos príncipes que lhe fazem a corte, vestidos de pesadas armaduras.
Então anoitece, seu reinado se acaba e, com um bater de asas, ela desaparece na noite iluminada de vaga-lumes.
Incorporando a história do deslumbrante livro "Princesas Esquecidas ou Desconhecidas", de Philippe Lechermeier e Rebecca Dautremer, Editora Salamandra, vamos dar seguimento a ela estendendo pela noite a vida da personagem na pele de três princesas de carne, osso e mente fértil de imaginação. Assim nos sentimos, Laély, Jane e eu, no jantar de despedida da serra, em junho, como a amiga visitante mostra no seu post de hoje. Quer entrar no nosso conto de fadas? Vista sua alma de encantamento, vá até lá, na sala da princesa lá, veja os primeiros capítulos, e volte aqui amanhã, para os desdobramentos, combinado? Bons deslumbramentos!

sábado, 12 de junho de 2010

Isso é glamour!


(Imagens da revista Noite Ilustrada, década de 40, acervo da Pousada Aldeia dos Sonhos, em Canela)
Há uma semana embarcávamos, Laély, Jane e eu, para dias de rainha na serra gaúcha. Não sabíamos disso, apenas suspeitávamos e confiávamos que os cenários de inverno no Sul e a boa companhia nos abraçariam em momentos de graça.
Um sábado depois, as cenas pareciam bem outras por aqui, depois de uma semana curta e corrida de trabalho, quando até a secretária da faxina resolveu dar o bolo. A vida é feita de ciclos - pensei logo ao acordar para me conformar em meio ao caos da casa. Começava a arregaçar as mangas para dar um destino às roupas do cesto, quando o script resolveu surpreender. Palmas no portão, lá vem a Anna desembarcando da Itália!
Salve a Anna! Salve a Susi!, devolvendo o glamour a essa rainha destronada que nem o roupão tirou para dar conta da agenda de tarefas domésticas.
A estilosa Anna, assim que caiu nas minhas mãos, ganhou status de Oscar. Um prêmio dessa história que começou aqui, mas que bem antes já prometia uma amizade de cinema: Susi no velho mundo, eu, reforçando com ela o aprendizado da cumplicidade, que atravessa facilmente o grande oceano. Grazie, amico! Ho amato!

E com glamour recuperado, que esperem as roupas no cesto, as louças na pia, a cama desarrumada... porque não é sempre que a vida nos presenteia com momentos como os que vivemos na estada na região das hortênsias, e nem sempre temos com quem dividi-los.

Suspiros de felicidade, com quês hollywoodianos, nos esperavam na primeira parada gastronômica, no entardecer do sábado, no chá da tarde ao melhor estilo europeu do tradicional Hotel Ritta Höppner, em Gramado.
Em um salão clássico, a elegância, resultado do capricho de cada detalhe, leva os turistas a uma atmosfera meio onírica...
com iluminação remetendo a palácios de contos de fadas... castiçais e rosas trazendo o romantismo para muito perto, enquanto lá fora a temperatura caía... e nossos olhos se arregalavam conforme a mesa ia se cobrindo em tons e perfumes suaves... dos waffles tenros, do strudel quentinho, das tarteletes, bolinhos e salgados divinos...
acompanhados de chás cheirosos, café, chocolate quente e um papo manso, que volta e meia buscava adivinhar a receita "secreta" das delícias pelas meninas que gostam de uma cozinha, e não esquecem dela nem em "férias". Nos despedimos da experiência gastronômica com todos os sentidos alimentados, em profundo estado de graça, como tão bem mostra o registro da amiga que veio de longe no belíssimo cenário do Residenz, sob frio congelante e alma aquecida.
E como já era noite, infelizmente não pudemos levá-la ao encantador Mini-Mundo, parque temático com réplicas em miniatura das principais edificações mundiais, que faz parte do complexo do Hotel e Residenz Ritta Hoppner. Então, deixo uma provinha como isca para a Laély e vocês também não deixarem de conhecê-lo pelo site.
E seguimos o roteiro em direção ao nosso pouso, numa aldeia dos sonhos. Garanto que irão se apaixonar, porque nós, ah, se pudéssemos, continuaríamos por lá, não é, gurias?
Bom fim de semana a todos (melhor ainda se com algumas pitadas de glamour)!