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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Uma festa handmade (3)

Com quantas flores se enfeita uma festa com ares campestres?
Bem, considerando que as duas "decoradoras" amam! flor, e também têm a mesma preferência por arranjos singelos, dez buquês direto de uma fonte rica, um produtor agrícola de Morro Reuter, estavam de bom tamanho. Elas já começaram a fazer bonito no porta-malas e as frésias trataram de perfumar o carro com um dos cheiros que mais gosto, carona rápida para jardins do passado e lembranças felizes.

Os caixotes por si só já enchiam os olhos, dava até dó desmontá-los. 
Uma mistura de flores antigas, muitas que dificilmente se encontra: orquídeas, bocas-de-leão, sempre-vivas, gérberas miúdas, narcisos, margaridinhas, palminhas roxas, as cheirosas frésias (aqui chamamos de frísias)... Para quem é da região, fica a dica. As tendinhas à beira da BR 116 abrem aos sábados e domingos e vendem também frutas, legumes, verduras, ovos caipiras, tudo fresquinho e a preços imbatíveis (as flores, para terem uma ideia, custam de 3 a 4 reais o buquê).
Tirei do baú xícaras e taças e montamos os arranjinhos, uma delicadeza que à luz do fim de tarde nos encantou ainda mais.
As xícaras azuis ganharam destaque na mesa de doces.
Com alturas diferentes, flores e luminárias casaram com harmonia nas mesas. Viram o detalhe "meigo" da lista de convidados fixada com fitinhas na beirada do tampo?
As frésias também brilharam no cantinho das fotos.
Para os arranjos maiores da mesa de doces, rosas em dois tons rosados e brancas, em taças gigantes.
Um truque descoberto na hora de montagem foi usar arbusto (roubado de um canteiro... rs) como base para ajeitar as flores.
E na mesa do couvert, uma outra versão com as flores do campo e as rosas.
Brincar de florista foi uma delícia à parte na empreitada festeira.
Que nossos velhos dons floresçam renovados a cada desafio. Amém.
E para fechar a festa, no próximo post, os doces!
Para acompanhar os capítulos, aqui e aqui.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mesas floridas, apimentadas, iluminadas para os namorados


Se há coisa que me empolga é ser desafiada a encontrar soluções menos óbvias para projetos "arteiros". Gosto de todos os passos, até daquela angustiazinha que bate quando dá um branco na criatividade e é preciso reconhecer que o melhor é deixar as ideias de molho para retomar mais tarde. Quase sempre essa estratégia funciona, e dessa vez também não falhou.
Bem, a empreitada da última semana passou por todas as fases, inclusive aquela satisfação sem preço de ver o resultado e dizer "Yes, ficou bacana como sonhei!" (modesta a moça...rsrs).
Na missão de decorar as mesas do restaurante do filho para o jantar do Dia dos Namorados, desde o início me fixei na ideia de usar flores menos badaladas para a ocasião do que as consagradas rosas, e logo visualizei a beleza meio esquecida das camélias, ao meu ver, igualmente exuberantes. Começava  aí a maior tarefa da gincana "decorativa". Há muito lamento o quase desaparecimento de várias flores cultivadas em tantos jardins e quintais no meu tempo de criança. Talvez a pressa que rege nossas rotinas modernas tenha tirado do mercado as espécies que demoram a florescer, como as camélias. Prioriza-se aquela mágica de fazer nascer jardins da noite para o dia, com plantas glamourosas resistentes, que dispensam maiores cuidados e paciência de esperar crescer e  florescer. O certo é que ainda me espanto quando vejo palmeiras "brotarem" em horas, canteiros se colorirem de arbustos vistosos, simetricamente, num piscar de olhos. Definitivamente, prefiro a jardinagem à moda antiga, a torcida para que as mudinhas vinguem, a troca delas com as amigas, a delícia de ser surpreendida por uma novidade que os passarinhos trataram de trazer. 
Mas, voltando às camélias, depois de várias investidas com o olho espichado pelos pátios alheios sem sucesso, resolvi pedir socorro pelo Facebook, do tipo "procuro camélias, quem poderá me salvar?!". (rsrs) Considerem que as floriculturas raramente têm essas belezuras à disposição, por isso a dificuldade maior. Amigas então se mobilizaram, cada uma apontando um caminho, até que o universo resolveu dar também uma mãozinha e numa das indicações, lá estavam elas, lindonas, cor de rosa, a nossa espera. 
Com elas nas mãos, foi barbada compor os arranjos de acordo com o projetinho inicial. Sobre guardanapos de papel rendado, velas baixas em cima do pé de taças de espumante e o mimo confeccionado especialmente para os casais levarem como lembrança: geleia de pimenta preparada pelo filho, embalada em vidrinhos decorados com fitas e pimentinha de murano.
E o ambiente se vestiu de um romantismo suave, com um arzinho retrô, como, acredito, as relações amorosas andam meio carentes, e com um toque apimentado para aquecer o clima dos apaixonados. (Viram que lindo o painel com fotos antigas da cidade impressas em papel de parede?)
Na recepção, um convite para curtir a noite com o coração bem aberto (inspirado na Casa al Mare).
Enamorada do resultado da empreitada, fica a confirmação de que o velho e sábio chavão é a porta para as mais ternas alegrias: "Faz com o coração, e tudo flui, prospera, se ilumina". Amém.
Para conhecer um pouco mais do Vero, clique no link:
http://www.diariodecanoas.com.br/webtv/programas/458012/chef-vicente-sperotto-fala-sobre-o-corte-norte-americano-prime-rib.html

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Flores + botão: buquezinhos originais

(foto: Lu Gastal)
Fui convocada a pensar no mimo para presentear as mamães que almoçaram no Vero, restaurante do filho, no seu dia. Na verdade, levantei o dedo bem antes de ser chamada, louca para colocar a minha colher  cor de rosa no ambiente sóbrio do estabelecimento predominantemente masculino. E como não vejo melhor associação do que flores e mulheres, mais ainda mulheres mães, idealizei encontrar uma forma menos padronizada, desde flores mais campestres, até a apresentação que fugisse do tradicional celofane e fita. 
Para montar uma ideia, a velha estratégia sempre funciona: abro as gavetas e caixas e vou revendo os materiais com aquele olhar clínico que as crafters sabem que podem confiar. Derruba o projeto inicial, experimenta outra versão e outra e, de repente, bingo! Bati o olho na lata com botões e visualizei o potencial para usar as pecinhas de um jeito original.
E assim nasceu o protótipo, montado com cravo, margaridinhas, galhinhos de cipreste e lavandas (fresquinhas, colhidas no quintal lindo da amiga Anelise), amarrado com fita mimosa e botão. 
Levei-o para a Lu Gastal, no Bazar de sábado (assunto para outro post), e é dela a foto tão alegre como o encontro, mostrando o pequeninho na mesa das gostosuras.

Mais 30 me esperavam para serem montados no sábado à noite. Na linha de produção, desafio para uma pessoa avessa aos métodos, o jeito foi trabalhar mesmo por etapas. Entrei a madrugada perfumada de lavanda e quando amarrei o último cartãozinho, a casa dormia e dei o grito de guerra só na imaginação, cansada mas feliz por continuar mantendo a parceria com o filho.
Como em tantos outros momentos, sonhei com a invisibilidade para poder ver a reação das mães recebendo a surpresinha, mas desconfio que elas gostaram... (rs)
Fica a sugestão para lembranças de festas e o meu abraço atrasado às amigas do Amém pela data de celebração do amor mais "vero". Que o elo com nossos filhos e mães nos abotoe sempre à busca de cumplicidade e trocas. Amém.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Bombas e palmas para brindar a primavera

Confesso, já ouvindo a vaia ao fundo, que a primavera não é minha estação queridinha. Perde de longe para o outono, que anuncia o inverno, por quem morro de amores, mostrando o quanto sou gaúcha de corpo e alma (rs). Mas gosto muito da troca das estações que vai marcando o andar do tempo e os milagres da natureza. Da primavera, curto essa motivação que ela gera no coletivo, como uma onda que devolve a alegria infantil pela promessa de dias mais intensos em cor, luz, aromas. Tenho a impressão que se propuséssemos aos adultos desenhar a estação mais amada e marqueteada, teríamos uma coleção das clássicas cenas da casinha rodeada de flores, os dois morros no horizonte e o sol nascendo atrás deles. E só por isso ela merece mesmo ser saudada com honras de gala.
Por uma conjunção, talvez astral, a entrada da primavera foi marcada com dois rituais singelos com a cara da estação, registros lá de trás que me trazem sensações muito boas.
Morangos encontra-se atualmente em qualquer época do ano, mas quando era menina, só davam o ar de sua graça lá pelo final de setembro. Que festa quando o verdureiro estacionava sua camionete e avistávamos de longe as caixinhas de papelão recheadas das frutinhas mais esperadas! Miúdos, vermelhinhos por fora e por dentro, doces, colhidos no pátio da figura grandona, folclórica, nos proporcionavam o melhor lanche da tarde. Batidos com leite bem gelado, parecia milk-shake com aquela espuminha cor-de-rosa,  coisa só namorada em revistas. Fico tão entusiasmada quando chega a sua safra, que a sou a primeira a comprar os kits com 3, 4 bandejinhas dos meninos que vendem nas sinaleiras. E me sinto realmente rica com tamanha fartura.
Então, munida dessa riqueza, vem a segunda parte bem boa da história: sair à cata do que fazer com eles. E foi nessa procura por uma receita diferente das sempre certeiras, mas já batidas, que não sei de onde lembrei das bombas, outro ícone da cozinha imaginária da minha infância. Em dias bem raros, tínhamos o deleite de fazer o melhor programa que a cidade oferecia em termos de doces. Nos produzíamos com a roupa mais bonita para lanchar na Confeitaria Central. Ainda sinto lá no fundinho da memória o cheiro delicioso que recepcionava os fregueses já na calçada. Uma mistura de doces assando e salgados fresquinhos, aliás, esse era o maior trunfo do point tradicional: tudo feito no dia, tenro, com ingredientes de primeira e, sem dúvida, mãos de fadas que trabalhavam longe dos olhos da freguesia. Sonhava conhecer aquela cozinha, descobrir seus segredos...
Mais tarde, o programa se repetiu como primeira escolha do filho menino. As segundas-feiras eram sagradas para o passeio com a vó Lili, dia de folga das cabeleireiras, e o destino foi aprendido desde o carrinho de bebê. Muito conflito na hora de fazer o pedido na frente do balcão recheado de tantas gostosuras, mas pra não me arrepender, acabava na "bomba" de chocolate, e o filho seguia o exemplo. Não me arrependo até hoje: as melhores bombas do mundo dividindo o ranking com as melhores mil-folhas! A confeitaria fechou, deixou saudade em muitos, quem sabe contribuiu na escolha profissional daquele menino que adorava suas gostosuras e voltou a ganhar vida nas horas da semana passada em que passamos perseguindo a receita das bombas, mais conhecidas fora daqui por carolinas. Depois da primeira experiência mal-sucedida, o outro menino que hoje me acompanha nos programas gastronômicos me convenceu a arregaçar as mangas e começar tudo de novo. E, dessa vez, deu certo! A receita é esta aqui , super aprovada. Só inventamos no recheio, acrescentando, é claro, morangos.
A massa tem um quezinho mágico: cresce, estufa, forma bolhas por dentro e as bombinhas ficam ocas, perfeitas para receberem o creme e as frutinhas. Bastante recheio é a dica para ficarem bem molhadinhas, seguida à risca pelo sobrinho. E pra finalizar, fios de glacê de chocolate (açúcar de confeiteiro, chocolate em pó e pinguinhos de leite).
Na cozinha, olho para os doces tão bem casados com o prato de vidro, herança da sogra, e as palmas (gladíolos) cor de laranja que há tantos anos não via, compradas aos suspiros na subida da serra. E enquanto tento capturar a atmosfera "anos dourados" desse momento com minha "xereta", vou confirmando um parágrafo do livro da hora: "Feng Shui para a Alma", de Denise Linn.
"Nossa casa também é uma crônica da nossa história pessoal. Nossas experiências formam uma base que confere estrutura e contexto à nossa vida. É pelo passado que nos definimos. Nossa história é trazida para o presente através dos símbolos com os quais nos cercamos." 
Um viva à primavera por acordar um passado tão doce e colorido! Que sua missão seja compreendida por todos nós. Amém.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Minha janela feliz e o graveto roubado


Nas última semanas, as marias-sem-vergonha perderam de vez toda e qualquer inibição e com suas cores vibrantes são o centro das atenções de quem chega aqui. Já à distância, o pessoal é fisgado por sua exuberância e sobe a escada em exclamações, buscando os melhores adjetivos para expressar o maravilhamento com o maciço vermelho-rosa-lilás que emoldura a base da janela. Junto delas, muitos penduricalhos que foram se enturmando na grade feiosa, infelizmente necessária, na tentativa de camuflá-la. As bandeirinhas budistas, confesso que escolhidas mais pelo olho na graça da sua expressão do que pela questão espiritual, ainda assim cumprem seu papel de me lembrar do poder do invisível. "As bandeiras de oração são para os seres como uma medicina suave, um apelo silencioso à maravilha que temos dentro de nós desde sempre e para sempre", esclarece este site dedicado ao tema. E como budismo e natureza andam de mãos dadas, reina uma harmonia bonita nesse espaço compartilhado. Gosto dessas "construções" que vão se criando espontaneamente, sem muitos critérios, e que estão em constante movimento. Obras inacabadas, talvez assim defina melhor a impressão também das casas que me agradam. E a janela principal da minha é assim, o retrato do seu interior (e do meu também). Volta e meia chega uma coisinha nova para mudar o cenário, e mesmo com resistência taurina ao desapego, sai uma outra para dar o lugar. E dessa vez saiu um irmão gêmeo desgastado pelo tempo para entrar outro mais robusto e novinho em cor.

A madeira foi surrupiada do cesto com gravetos para a lareira no nosso último passeio.  Amor instantâneo pelo azul desbotado, super vintage, separei logo do monte e coloquei rapidinho na sacola, na esperança do delito passar desapercebido do marido. Que nada, atrás de mim um par de olhos reprovadores, incrédulos, me observava. Bem mais incrédula fiquei eu com sua reação à minha ação de recolhedora de "lixo" tão conhecida, repetida mil vezes ao longo da vida partilhada. Mas dei a mão à palmatória com sua observação: Tá minado de cupins!! - Sim, mas... ainda assim, vou levar e dar um jeito. Ô teimosia histórica! - li no seu silêncio. Mal sabia ele que o melhor da novela do tal graveto estava por vir, e se pensou já ter visto o máximo das ideias hilárias que acabo por colocar em prática, imaginem o tamanho da sua surpresa quando, dias depois, encontrou o pedaço de madeira, belo e faceiro, dentro do freezer, bem juntinho das fôrmas de gelo!



A "técnica" de descupinização, que ouvi do irmão, acabo de ver numa rápida pesquisa que é mesmo recomendada para peças pequenas. Se quiser saber mais sobre os indesejados bichinhos, clique aqui. Se funcionou, só o tempo dirá, mas como está na rua, vale o risco. Na base do graveto, pendurei vidros (de palmito, garrafinha de azeite de oliva e potinho de remédio) pintados com verniz vitral. O pulo do gato para a cor ficar uniforme é pintar por dentro. Inicialmente, a tinta parecerá escorrida, mas logo que seca o resultado surpreende. 


E é com esse cartão-postal de primavera prematura que dou as boas-vindas à vida que se renova, mesmo que em  pequenas escalas, e aos que dela  participam, ao vivo e online. Amém.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A força das delicadezas


Tive o privilégio esta semana de participar de uma roda de mulheres, uma ciranda movida a troca de vivências onde rolou muita energia boa e relatos de experiências transformadoras. Nesses encontros a dinâmica do que se desenrola naturalmente, como uma dança sincronizada, sempre me encanta. Ouvimos o que precisamos ouvir naquele momento porque falamos sem ensaios o que manda o coração e, assim, acabamos nos tocando mutuamente e, invariavelmente, nos fortalecendo.
Do tanto que me tocou, e que continua repercutindo em reflexões e abençoados insigths, uma pequena história gostaria de compartilhar com vocês. Veio da anfitriã, uma das pessoas mais gentis e inteiras que conheço, e que só agora sei da matriz de tanta delicadeza. Contou ela que quando criança estava acostumada a uma rotina familiar agitada, seus pais trabalhavam bastante e a vida era levada sem tempo para além do essencial. Numa tarde, aquela menina  de  9 anos foi à casa de uma coleguinha para fazerem um trabalho de escola. A coleguinha estava sozinha e depois do dever, ofereceu um pedaço de pão à amiga. Nisso chegou a mãe, uma senhora sempre atenciosa, e reprendeu a filha pelo lanche tão mal servido à visita. Foi à cozinha e logo apareceu com uma bandeja coberta com guardanapo bordado, duas xícaras de porcelana com chá e fatias de bolo. A menina visitante "alcançou o nirvana" com aquela imagem. Saboreou muito, muito mais do que o lanche em si. Saboreou o ritual de tamanha delicadeza com todos os seus sentidos, com tanta intensidade, que mal sabia ela que mesmo depois de mais de 50 anos poderia narrar seu encantamento com todos os detalhes, o mesmo brilho no olhar e sorriso iluminado. Para finalizar aquela tarde verdadeiramente inesquecível, na saída a querida mãe da colega acompanhou-a ao portão e colheu algumas flores, enrolou em papel de seda e ofereceu à Marli. Foi o fechamento perfeito, o êxtase completo.
Ainda "incorporada" da menina que foi, a mulher madura, hoje psicóloga, profunda conhecedora da alma humana, aproveita a oportunidade para nos lembrar o que volta e meia esquecemos:
"Aquele gesto foi fundamental na construção da pessoa que sou e procuro ser. É a prova de que pequenas manifestações de gentileza e delicadeza podem gerar repercussões imensuráveis".
E quando me despedi da sábia amiga e lhe alcancei o mini-buquê de amores-perfeitos, tive a confirmação da linda lição. Sorrindo surpresa, avisou às outras convidadas:

"Isso é Dona Edna entre nós!".
Que a gente não perca de vista o sutil transformador, especialmente com nossas crianças. Amém.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Latonas no jardim

Às vezes o filho lembra dessa mãe sucateira e traz algumas preciosidades do descarte do Vero, sabendo que ouvirá um "que lindo!" logo que mostrar o que poderia se perder no lixo. Assim as  duas latas grandonas de azeite de oliva foram recebidas com olhos brilhando por elas e um sorriso de orelha a orelha para o presenteador, como os mães costumam sorrir derretidas com os agrados de seus rebentos.
Plantei cravinas, flor delicada e cheirosa, dentro delas e escolhi um lugar ensolarado para as gêmeas, junto do baldão arrematado em uma sucata, onde bocas-de-leão começam a florescer.
Pertinho dali, a turminha do povo pequeno acompanha as tentativas  de revitalizar o jardim. Sabem onde eles moram?

Em outra latona, essa usada na horizontal para abrigar a floresta de suculentas e seus guardiãs.
O design do paisagismo caseiro é referendado por nada mais, nada menos, que os irmãos Campana. Jamais esquecerei meu entusiasmo com a declaração de um deles, em um episódio do programa Casas Brasileiras, do GNT: "Adorava as plantas de minha vó em latas de óleo e comer nos pratinhos de lata de goiabada que ela mesmo fazia". Não é uma pérola? 
Que na nossa memória também se guarde a grandeza da simplicidade. Amém.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Maio e seus prazeres

Como tão bem declara minha amiga Anelise Bredow no seu calendário, "certos prazeres só se colhem com inocência. Ou espanto!". Não definiria melhor a impressão que tenho do mês de maio, das sensações suaves mas intensas que me traz a época onde o outono mostra sua beleza por inteiro. Lembro desse estado meio encantado ainda criança e agora, quanto mais coloco os dois pés na meia idade, maior fica minha preferência escancarada pela meia estação.
Maio me devolve uma certa inocência, e só por isso ele já mereceria ser meu "queridinho". Por medo de perdê-la, faço uma festa dentro de  mim quando alguma coisa no ar anuncia que aquela alegria genuína será despertada. Tão difícil descrever como esses pequenos estados de graça se desencadeiam, e a faxina que fazem nas áreas embaçadas por aflições, cansaço, desânimo. Quem cultiva-se inocente tem mais chance de manter a esperança agarradinha ao coração. E, só assim, acredito ser possível, vez que outra, ser tomado por relâmpagos de espanto, uma dádiva que nos devolve por instantes à criança pura e curiosa que fomos. Uma viagem rápida que enche o tanque de um misterioso entusiasmo e garante combustível para mais um bom trecho da estrada.
Capturei imagens de alguns desses momentos significativos, todos aqui  na rotina do meu reduto, onde me empenho (às vezes a reboque) a ser sentinela da vida que pulsa, a  despeito da mesmice que possa ser vista na superfície.
O jardim se renova na mesma intensidade da primavera. E entre os recém-renascidos, a arvorezinha que desconheço o nome exibe sua mágica: as flores desabrochadas bem branquinhas que mudam de cor conforme se fecham. Não sei o que é mais lindo, se a flor alva com seus pistilos amarelos, lembrando hibiscos, ou o botão fechadinho colorido de cor de rosa. Conhece, Fabiano?
Para meus sentidos, o ritual de preparar doce em calda é passaporte certo para pisar no território da ancestralidade. No caso da abóbora, a pergunta que acompanha o passo a passo é a mesma desde menina, quando via a mãe às voltas com a química da coisa: como alguém, algum dia, pensou em colocar cal para a casquinha ficar firme e o miolo macio? Salve o gênio dessa ideia crocante!
E não é que aqueles pezinhos quase esquecidos de crisântemos miúdos resolveram mostrar sua força?
Honrando o mês das noivas, casamento a vista! Vou levar esta mandala no cinto, bem exibida com a solução caseira bordada às pressas.
A ísis também quis se exibir na semana passada. Uma passadinha rápida de apenas um dia, mas de grande esplendor. E eu ali fotografando e dando serviço aos meus botões: e se ela vivesse por meses me causaria o mesmo frenesi? A possibilidade da perda iminente, em todos os reinos, sem dúvida potencializa a admiração, o afeto, a gratidão.
E maio é também mês pra dividir o soprar velinhas com o irmão também taurino, agora também cinquentão. Uma noite feliz por tantos motivos: pelo melhor irmão que a vida poderia ter me presenteado, pela comemoração no restaurante do filho, pela companhia tão desejada da nossa mãe... Uma curtição modelá-lo como um cartum.
E elas, os bandos, sem exagero, que me chamam para fora, que me tiram da toca e  hipnotizam com seus bailados, rasantes, pousos ... É sagrado, em dias ensolarados, que a melhor sobremesa é sentar quietinha no quintal e pegar carona nesses movimentos que tanto me dizem. A  única forma que sei meditar.
Que o cardápio de maio ainda reserve a todos nós outras belas surpresas! Amém.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

E 2011 foi dormir assim...

Atrasadíssima, ainda assim quero honrar o ano velho com imagens da nossa despedida de 2011 e boas-vindas a 2012. Apesar de todas as dificuldades que nele vivenciamos, seria injusto deixar de registrar a luz que, graças ao universo, se fez soberana. Mesmo em dias rodados em preto e branco, fica a gratidão pelas frestinhas de cor que nos salvaram da amargura. Bibi, nosso eterno bebê de quatro patas, é o retrato dessas ternuras que nos nutrem nesses tempos que exigem força e coragem. Amigos de coração iluminado de afeto são outro grande motivo para agradecer. Os que nos acompanharam até os últimos minutinhos do ano trouxeram ainda lichias do seu quintal, saborosas e lindas!
Entre os sustos do ano, teve também belas surpresas. Representando vocês, queridos e pacientes leitores daqui, com quem às vezes estranhamente sonho, como se nos conhecêssemos ao vivo, vesti a mesa da virada com a toalha e acessórios que me trouxeram muito mais que um prêmio, mas mais uma amiga querida para perto. Bela, finalmente teu trabalho tão único estreou, e em noite de gala! (rs) Na noite abençoadamente fresquinha, o fogo do entusiasmo do filho pela boa comida contagiou a todos. Presente sem igual conviver com apaixonados por suas boas causas, não é VERO? Salve a tradição, as superstições! - pensei ao ver o peixe tenro saindo do forno. Se nos ajudará a "nadar pra frente" em 2012, pouco importa, mas que troco de bom grado o peru "que cisca pra trás" do Natal por um pescado preparado no capricho, ah... não penso duas vezes.


Já era outro ano quando aterrisamos na mesa de doces. Frutas em muitas versões na torta de manga, combinadas com massa folhada e pistaches caramelizados, com a qual o chef recepcionou 2012. Uma festa para nossos olhos, um brinde compartilhado à fartura da vida com muitos gemidos a cada colherada.


A mãe do "artista" ousou partilhar do mesmo momento com seu modesto, mas robusto, pudim de sorvete. Para fazer bonito, abusei das amoras, e mesmo bem longe de querer competir, também arranquei aplausos da plateia (rs). Quer experimentar? A receita está aqui.
Que a exemplo da glocínia, primeiro mimo do meu jardim nesse janeiro castigado pela seca, a vida renasça com fé...... pela lente do amor, de olho bem lá no fundinho, onde mora o mais bonito de nós. Amém.