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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Da terra da uva...

...trouxe pêssegos, graúdos e perfumados, comprados direto da fonte. As uvas, essas namorei de longe, na região de Bento Gonçalves, nos parreirais que cobrem morros e vales em imensos tapetes, em muitos tons de verde, onde vi nascer 2011. Praticamente toda a produção tem destino certo: as incontáveis vinícolas, que produzem os vinhos que tanto orgulham os gaúchos, e também o suco (adoro!) que abastecem grande parte do país.
Trabalhar a quatro mãos é sempre uma experiência rica, e foi assim que iniciei o ano das atividades na cozinha, o que considerei um bom presságio. Ao voltar do passeio, encontrei uma surpresa daquelas na geladeira: uma massa amanteigada de torta prontinha!, à espera de um belo recheio. Presente do filho, que viajara e não tivera tempo de concluir o projeto. Pus a mão (que exibia unhas vermelhas como raramente acontece e quase me roubam a identidade...rs) na massa e cobri o fundo e um pouco das bordas de uma fôrma de aro removível com ela. Levei ao forno em temperatura alta para pré-assar por 10 minutinhos.
Descasquei e fatiei 5 pêssegos polpudos e cobri a massa com eles.
Misturei 1 xícara de creme de leite fesco (nata) com a casca de meia laranja e levei ao fogo até ferver. Deixei paradinho por meia hora e coei. Bati 3 gemas com 3/4 de xícara de açúcar e uma pitada de sal e juntei à primeira mistura.
Derramei sobre os pêssegos.
Com cortadores de biscoito, recortei corações e estrelinhas com a sobra da massa e distribuí na fôrma. Reparem nos minúsculos pontinhos escuros na massa. São sementinhas de baunilha (de verdade...rs), um luxo que, depois que experimentamos, dói na alma voltar à essência de vidrinho.
Voltei ao forno, dessa vez em temperatura média, por cerca de 45 minutos.
E ficou assim...
... uma gostosura, casando o azedinho da fruta com a crocância da massa.
Para quem quiser cometer o mesmo pecado, encontrei a receita da massa num blog de confeitaria que confio muito, o Chocolatria, da doce Simone, neste endereço aqui. Aconselho a fazer a receita dobrada e a também experimentar sua versão, com recheio de maçãs, um clássico que nunca perde espaço para paladares delicados. Ah, e para garantir a autenticidade da nossa torta de pêssegos, vale investir numa fava de baunilha. Acredite, só o aroma já vale o investimento.
Que as parcerias que alimentam a vida com os melhores condimentos continuem presenteando a nós todos com boas surpresas. Amém!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os últimos suspiros

(merenguinhos e moringa, presente da : uma dupla vintage)
Minha fiel escudeira de mais de 15 anos anuncia pelo estranho ronco que está com as horas contadas. Na última empreitada, avisou também por sinais de fumaça, mas teimosa e apegada que sou, ainda consegui ressuscitá-la dando-lhe um descanso a cada 2 minutinhos de trabalho.
O apreço é mais do que merecido e o nome, mais do que justo. Só uma Planetária poderia dar conta de todo o movimento dessa cozinha full time que já foi confeitaria, na época dos bolos personalizados, como contei aqui. Só ela para aguentar o "tirão" das experiências do filho chef e ainda de todas as receitas que testei e exigiram a força de uma batida potente.
Enquanto fumegava e girava já com pouca velocidade, não pude deixar de ver a doce ironia do seu destino, despedindo-se enquanto batia suspiros. Cansada mas sempre valente, deu conta da mistura viscosa que, quando termina-se de bater, resulta num creme branquinho e fofo. Devolvia-a ao armário convicta de que moverei céus e terra para encontrar um "médico" que a recupere. Será sintoma de velhice acreditar que já não se faz mais eletroportáteis como antigamente? E o encantamento pelos confeitinhos coloridos, prova de que a menina lá de trás permanece "vivinha da Silva" e logo dá o ar de sua graça quando me envolvo com as lidas açucaradas?
Suspiros, aqui no Sul mais conhecidos por merengues, é daquelas receitas que meu prazer maior está em prepará-la. Depois, gosto de eventualmente roubar um do vidro, deixando-o derreter devagarinho na boca. Talvez porque levei algumas décadas para descobrir o "pulo do gato" para conseguir merenguinhos perfeitos: clarinhos e crocantes.
Quer aprender? A receita e os segredinhos estão aqui, numa combinação com morangos.
No feriadão, casei-os com morango também, mas de outra forma. A tortinha foi nascendo conforme abria geladeira e armários e encontrava ingredientes que poderiam se agregar. Fiz uma massa de biscoitos maria de chocolate, triturando 200g e misturando com cerca de 100g de manteiga sem sal, em temperatura ambiente. Apertei no fundo de uma fôrma com fundo removível. O creme, improvisei com 1 pacote de mistura pronta para pudim de morango (item de um rancho-presente da empresa, que só dessa maneira chegaria à minha despensa... rsrs), onde juntei 1 xícara de cream cheese depois de preparado. Cozinhei 1 caixa de morangos com 2 xícaras de água e 1 de açúcar por mais ou menos 10 minutos. Separei os morangos e reservei a calda. Bati o creme com os morangos cozidos no liquidificador e coloquei sobre a massa de biscoitos. Levei a calda de volta ao fogo baixo, acrescentei 1 colher (sopa) de glucose de milho (ou Karo) e deixei borbulhar até engrossar. (A cor forte e transparente dessa calda rende um ensaio fotográfico!) Dispus os merenguinhos sobre o creme e reguei com a calda (fria). E foi dormir na geladeira.

Acordou no outro dia prontinha para o ataque das "formigas" que passaram por aqui nos dias de folga. E mesmo com um recheio molinho demais (o ideal é fazer com um creme tradicional de cheesecake), arrancou suspiros assim que ganhou espaço à mesa. E o vidro, na primeira foto, logo foi descoberto pelas visitas que não se acanharam, provaram e voltaram à infância, suspirando pelo canal da memória afetiva.

Doces lembranças, que elas não se cansem de nos visitar! Amém.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Torta da Vovó Donalda invertida


Como prometido, a receita da Tarte Tatin, preparada pelo filho, chef Vicente Sperotto (clique no nome para conhecer seu Flickr) para você experimentar o gosto da festa que rolou por aqui na última semana.
Ingredientes da massa: 350g de farinha de trigo, 150g de manteiga sem sal, 50g de açúcar, 100ml de leite, 1 pitada de sal
Modo de preparo:

Peneire a farinha com o sal e o açúcar e acrescente a manteiga fria em pedacinhos.
Com a ponta dos dedos, incorpore a manteiga à farinha.
Acrescente o leite aos poucos até formar a massa e deixe descansar por, no mínimo, 2 horas.


Prepare a cobertura:
Descasque 8 a 10 maçãs verdes ou fuji e corte-as em fatias grossas.
Em uma frigideira grande que possa ir ao forno, faça o caramelo com 1 xícara de açúcar e 3/4 de xícara de água.
Coloque as maçãs e deixe que cozinhem um pouco.

Acrescente 100g de manteiga sem sal em pedacinhos, polvilhe canela em pó e cozinhe mais um pouco.
Abra a massa sobre superfície enfarinhada um pouco maior que o diâmetro da frigideira e cubra as maçãs.
Corte o excesso de massa e leve ao forno preaquecido em temperatura alta, por cerca de 30 a 40 minutos.
Na falta do dourador no forno, usou-se o maçarico para dar cor à massa. Desenforme morna.
Para pecar em dobro, sirva morninha com sorvete de creme ou creme de baunilha. Para comer abençoando... Amém!
Receita adaptada do site de Olivier Anquier