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segunda-feira, 19 de maio de 2025

República: 19 de maio de 1975

Manifestação contra a ocupação do jornal, 19 maio 1975.

O jornal República foi ocupado há 50 anos.
Manuel Alegre anuncia assim, na Assembleia Constituinte, em 11 de julho de 1975, que o PS vai sair do Governo: «O caso do jornal República não é problema laboral mas um problema político, que se insere numa estratégia global de controlo dos órgãos de informação, estratégia essa que é, por sua vez, parte integrante de uma estratégia de controlo e tomada de poder por métodos não democráticos. [...] Os socialistas não se transformarão jamais de perseguidos em perseguidores, nem passarão da situação de prisioneiros à situação de novos carcereiros deste país e deste povo.»
Cit. in Manuel Alegre - Memórias minhas. Alfragide: Dom Quixote, 2024, p. 236-237.

domingo, 13 de abril de 2025

Marcadores de livros - 3360

Ler os jornais no café era um hábito que eu tinha até há poucos anos.

Verso e reverso de um marcador que faz puzzle e uma fotografia-marcador de Mário Cruz.

Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2025.

Este livro pretende (pretende!...) ser o retrato da transformação dos jornais nas últimas duas décadas, através de histórias de vida e testemunhos de jornalistas. A não indicação dos títulos dos jornais a que se referem esses testemunhos não possibilita uma avaliação ou mesmo a contextualização do que é dito.
O estado a que chegou o jornalismo era previsível quando a finança começou a tomar conta da comunicação social, perante um contentamento geral de que a concorrência, o neoliberalismo na imprensa era muito salutar. Está à vista! Tal como nas empresas: salários baixíssimos e pouca qualificação. Jornalistas com carreira feita substituídos por estagiários, pouco investimento no jornalismo de investigação, pouco tempo para conferirem as fontes, falta de especialização, etc., etc.
«Alguns [dos novos patrões da imprensa] já não se dão ao trabalho de [...] esconder [os interesses políticos e económicos desses grupos], como foi evidente numa reunião que alguns dirigentes sindicais mantiveram com os novos representantes de um grupo de comunicação social, para tentar ouvir deles garantias de estabilidade futura. Ao invés, foram surpreendidos com uma sinceridade chocante: "Não é o jornalismo que nos move. Sabemos que vamos perder dinheiro com os jornais, mas o grupo tem outros interesses."» (p. 94)
Helder, um dos entrevistados, afirma que «O grande cancro do jornalismo é a sua propriedade». (p. 94)

No Dia Mundial da Imprensa.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Parabéns, A Bola!

A Bola faz hoje 80 anos. Não sei se ainda o é, mas foi uma grande escola de jornalismo.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Viva o 25 de Abril! Para sempre!


«No decorrer de uma recente entrevista, longa e simpática, em que se falou dos tempos da resistência, houve um aspeto que muito intrigou o jovem operador de câmara. Os encontros. Aqueles tais encontros que tanto trabalho davam a preparar, em sítios previamente escolhidos, no final de percursos calculados ao milímetro, serviam afinal para quê? O que se fazia nesses tais encontros [...]? 
«É reconfortante, para mim, dar nota desta pergunta e assinalar o espanto do moço. Significa que ele vive num mundo para que nós contribuímos - mesmo em modestíssima escala, como foi o meu caso -, no qual práticas normais e inofensivas deixaram de estar proibidas e sancionadas, com risco de prisão.
«Por mais que resmunguemos e protestemos, por desagradáveis e condenáveis que sejam alguns traços do quotidiano de hoje, o facto é que ganhámos.
«Já não temos que nos levantar às seis da madrugada, deslocar-nos de táxi até certo ponto, mudar para um elétrico, depois para um autocarro, andar cem ou duzentos metros desconfiados até á esquina determinada para dar e receber informações, dar ou receber jornais [...].
«Em suma: atividades e práticas em absolutos correntes, abertas e normais, numa sociedade democrática, como aquela em que, felizmente, nos encontramos hoje.
«Sem termos de nos esconder de ninguém e sem que alguém nos peça (pesadas) contas.»
Mário de Carvalho - «Encontros». In: De maneira que é claro. Alfragide: Caminho, 2021, p. 154-155.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

L'Humanité: 120 anos

 

N.º 1

Faz hoje 120 anos que o jornal L'Humanité foi fundado por Jean Jaurès, como da SFIO (Secção Francesa da Internacional Operária), a organização que deu origem ao Partido Socialista Francês, após o Congresso de Tours, realizado em dezembro de 1920. A maioria dos delegados a este congresso (Jaurès tinha siso assassinado na véspera do início da Grande Guerra) decidiu juntar-se á III Internacional tendo criado a Secção Francesa da Internacional Comunista que se tornou no Partido Comunista em 1921. O jornal foi o órgão oficial do Partido Comunista Francês até 1994. A partir desta data, manteve-se muito próximo do partido, embora tenho aberto as suas páginas a outros partidos de esquerda. 
No dia 25 de abril abre em Paris uma exposição sobre este jornal, intitulada 120 ans d'Humanité, journal politique, journal populaire.

Jean Jaurès


quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

The Penny Magazine


The Penny Magazine, o primeiro jornal ilustrado, foi publicado na Grã-Bretanha, a 31 de março de 1832. Foi publicado durante treze anos.
Charles Knight criou-o para a Society for the Diffusion of Useful Knowledge com o objetivo de instruir as classes populares, através da difusão de um saber de caráter enciclopédico, uma cultura geral. 
Também nós tivemos por cá uns jornais congéneres.

sábado, 28 de maio de 2022

Mário Mesquita (1950-2022)

Ontem à hora do almoço vinha no metro a ler o essencial sobre o Diário de Lisboa. Em 1988, Mário Mesquita foi escolhido para diretor do Diário de Lisboa, cargo que só ocupou em dezembro de 1989.

«"O ambiente na redação era muito bom", recorda hoje Dina Soares, sublinhando que os recém-chegados à profissão como ela eram muito acompanhados. "Os estagiários saíam em serviço com os mais velhos. Quando os textos eram revistos - o que acontecia sempre -, chamavam-nos para nos explicarem o que estava mal e porque tinha sido alterado. Além disso, havia outra coisa muito boa para quem estava a começar, marcavam-nos todo o tipo de serviços. Eu, por exemplo, que estava na secção de Política, fui fazer um jogo de futebol." [...] "A família [Ruella Ramos] queria relançar o jornal e o contexto político internacional, com a queda do Muro de Berlim, era entusiasmante", contou Mário Mesquita [...]. A proposta de Mesquita é apostar num olhar reflexivo sobre a atualidade, diferenciando-se dos outros diários, e mantendo-se um jornal independente de esquerda.

«Fundador do PS em 1973 (partido de que se afastaria mais tarde), Mário Mesquita tinha começado no República e dirigira o Diário de Notícias entre 1978 e 1986 (e fora diretor-adjunto entre 1975 e 1978).» (Cláudia Lobo, p. 120-122)

Quando cheguei a casa, telefonaram-me a dizer que o Mário Mesquita tinha falecido. Que choque!

domingo, 22 de maio de 2022

Leituras no Metro - 1111

Lisboa: Imprensa Nacional, 2022

Uma história do DL, muito bem esgalhada por Cláudia Lobo. 
Fico à espera de histórias de outros jornais.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Leituras na quarentena - 21


Estou a ler, em papel graças aos srs carteiros , mais um número do Jornal de Letras, todo ele dedicado à pandemia que vivemos. Várias perspectivas sobre o impacto na sociedade, especialmente sobre as indústrias culturais.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Centenário do jornal A Batalha


O n.º 1 do jornal A Batalha, de orientação anarco-sindicalista, é publicado em 23 de fevereiro de 1919. Viria a ser o órgão da CGT (Confederação Geral do Trabalho), criada em setembro desse ano. 

Cartão de redator e cota do jornal, de Alexandre Vieira, primeiro redator principal do jornal A Batalha. A direção do jornal era colegial.
Lisboa, Fundação Mário Soares

domingo, 4 de agosto de 2019

Quem foi Cândido de Oliveira?

Hoje que se joga a Supertaça Cândido de Oliveira era aconselhável que nos numerosos programas de futebol que inundam a nossa televisão, dedicassem uns minutos a Cândido de Oliveira para que as pessoas soubessem que há mais vida para além do futebol, mesmo para quem o pratica.


Durante a II Guerra Mundial, Cândido de Oliveira trabalhou para os Aliados e em 1942 foi preso pela PIDE e enviado para o campo de concentração do Tarrafal onde esteve entre 1942 e 1944. Deixou relato desta experiência em Tarrafal, o pântano da morte:

Lisboa: República, 1974

Em 1945, funda o jornal A Bola com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo.

Quem quiser conhecer a vida deste cidadão português pode ler a biografia que Homero Serpa lhe dedicou:
Lisboa: Caminho, 2000


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Le Parisien

 
Le Parisien  é um jornal diário parisiense, fundado em 22 de agosto de 1944, sob o título de Le Parisien libéré por Émilien Amaury. Foi originalmente lançado como órgão da Resistência francesa, durante a Ocupação da França pela Alemanha. O título do jornal foi alterado para Le Parisien em 1986.
Este jornal tem uns números especiais dedicados à história de Paris. Não conheço nenhum deles, mas os temas são interessantes. Não encontrei o n.º 1 nem sei do que trata. Em setembro sairá o n.º 9 intitulado «Le Paris des Trente Glorieuses».








quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Filme sobre Mark Felt estreia em março



Em março estreia  filme sobre Mark Felt,  o ex-subdiretor do FBI, que foi o Garganta Funda, a fonte informativa dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, no caso Watergate. 
A identidade de Felt era apenas conhecida por Woodward, que tinha prometido não revelar o segredo até à sua morte. No entanto, Mark Felt revelou-o em 2005, num artigo publicado na Vanity Fair.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

The Post

Um filme sobre o relatório Robert McNamara sobre a guerra do Vietname e a liberdade de imprensa. Gostei bastante.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Marcadores de livros - 904

Três versos e reversos.

O n.º 1 do diário portuense O Primeiro de Janeiro saiu 1 de dezembro de 1869. A publicação deve o seu título às manifestações da Janeirinha, que em 1 de janeiro de 1868 iniciaram o processo que levou ao fim da Regeneração. Era o órgão do Centro Eleitoral Portuense.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

domingo, 19 de março de 2017

Leituras no Metro - 273

Se não fosse um amigo meu não teria dado pela saída deste livro. É de agradecer a Pedro Foyos, um dos jornalistas do República e do Jornal do Caso República, ter-se metido nesta empreitada de contar a ocupação do diário da tarde e as peripécias para a execução do Jornal do Caso República. Tudo bem contextualizado no Verão Quente de 75 e com algumas pequenas histórias, umas comoventes e outras grotescas. 
Quem viveu este tempo gostará de ler este livro e quem não o viveu ficará informado de como foi difícil lutar pela liberdade de expressão e pela própria liberdade.

19 de maio de 1975
9h15: «Um grupo integrando tipógrafos e um elemento adstrito à direção comercial entra na redação com o propósito de “comunicar uma coisa” a Raul Rego. No gabinete deste é-lhe apresentado um ultimato no sentido de o forçar à demissão, juntamente com o adjunto Vítor Direito e o chefe [de redação] João Gomes. Perante a enérgica recusa da direção em admitir tal exigência, o grupo pergunta se a direção e a redação estariam dispostos a elaborar o jornal desse dia, mantendo-se contudo, a exigência da demissão. Raul Rego comunica a intenção de dar conhecimento dos factos aos redatores. Os interpelantes retiram-se.» É João Gomes quem no minuto seguinte põe a redação ao corrente da situação. Os jornalistas resolvem expressar por meio de voto a sua posição face às ocorrências e por 22 votos contra dois expressam «total confiança e solidariedade» com a direção. (p. 119)
11h00: «Os jornalistas dão-se conta, entretanto, de que lhes é interdito igualmente o acesso ás instalações sanitárias […]. Para as necessidades mais prementes utilizam-se troféus em forma de taça, alguns dos quais procedentes dos históricos Centros Republicanos, que adornam o topo de uma comprida estante do gabinete do diretor.» (p. 121)

«O diretor do único jornal diário que desafiou o fascismo durante décadas e salvou a dignidade da imprensa portuguesa, esse, teve de mijar na taça ganha num campeonato de 1949, nem à latrina o deixaram ir.»
Álvaro Guerra – Café 25 de Abril (transcrito na p. 121) 

Coleção de todos os números do Jornal do Caso República, alguns dos quais chegaram a tirar 200 000 exemplares. Para o fazerem, os jornalistas arriscaram a vida e tiveram de mudar de tipografia várias vezes.

15 de julho de 1975
«Neste dia são divulgadas declarações de Otelo Saraiva de Carvalho que perduram nas antologias históricas do Verão Quente de 1975: "Eu, às vezes, chego a pensar que a nossa inexperiência revolucionária, enfim, teria sido melhor se, em 25 de Abril de 1974 encostássemos à parede ou mandássemos para o Campo Pequeno [praça de touros] umas centenas ou uns milhares de contrarrevolucionários, eliminando-os à nascença."» (p. 153)

Chegou a circular uma lista com alguns nomes desses «contrarrevolucionários» onde se encontravam jornalistas do República.
Otelo devia ter-se inspirado no que Franco fez a republicanos espanhóis quando os mandou matar na praça de touros de Badajoz, incendiando-os com petróleo ou gasolina. Portugueses da raia diziam que o cheiro a carne queimada era medonho. Ou então, em Pinochet que, em 1973, prendeu os seus opositores num campo de futebol, onde muitos foram mortos. Tudo 'boas práticas', como agora se diz.

20 de julho de 1975:
«Estranha revolução esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou.»
Miguel Torga - Diário XII
(cit. p. 162)

A leitura continua...