Em 1940, Oscar Stettiner, um judeu dono de uma galeria de arte, conseguiu abandonar Paris antes da entrada das tropas nazis na capital francesa . Para trás deixou uma fantástica colecção de arte, onde se incluía um quadro de Amedeo Modigliani, " Homem sentado com bengala " . Em 2008, o quadro reapareceu num leilão da Sotheby's em Nova Iorque. O único herdeiro vivo de Oscar Stettiner iniciou uma batalha legal para tentar provar que o quadro pertencia ao seu antepassado e tinha sido roubado pelas tropas nazis . Quando os seus advogados começaram a tentar deslindar o caso esbarraram na Mossack Fonseca . Os novos " donos " do quadro , uma família de herdeiros nova-iorquinos, alegaram que afinal não eram os reais proprietários e que a pintura pertencia a uma empresa sediada no Panamá, a IAC, e , como tal, não podia ser processada nos EUA . O leilão do quadro foi proibido e o caso arrastou-se até hoje nos tribunais americanos . Desde essa altura que " Homem sentado com bengala " está fechado num armazém de 145 mil metros quadrados da IAC na Suiça. Ao lado do Modigliani estão mais cinco mil obras de arte, entre as quais trezentos Picassos . Os Panama Papers são o elemento decisivo para desmascarar negociantes, marchands e advogados que nunca se importaram de usar todo o tipo de esquemas legais para ocultar obras de arte e proprietários (...) - Ricardo Costa, no Expresso do passado Sábado .