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quinta-feira, 23 de abril de 2009

6. O(s) livro(s) da minha vida

Enquanto matutava na escolha de um livro, fui-me deparando com as hesitações de "bem, sim, mas também há este...", "... e este", "ah pois, claro, este...", pelo que a decisão de transformou em pluralidade.




"A Mitologia", de Edith Hamilton




"O Capitão Richard", de Alexandre Dumas


"As Ligações Perigosas", de Choderlos de Laclos



"O Vampiro Lestat", de Anne Rice

"O Fogo do Céu", de Mary Renault



"The Wheel of Time", de Robert Jordan

"Tales of the City", de Armistead Maupin

"Never Let Me Go", de Kazuo Ishiguro



"Human Traces", de Sebastian Faulks


A única certeza que tenho é que a próxima vez que pensar no tema vou dar-me uma descompostura por me ter esquecido de algum livro completamente crítico...

"O livro da minha vida" 1.

A escolha é obviamente difícil mas decidi apresentar a Montanha Mágica de Thomas Mann. Já li este livro há uns anos e nunca o reli como aconteceu com outros.

Capítulo VI – Transformações

Que é o tempo? Um mistério: é imaterial e – omnipotente. É uma condição do mundo exterior; é um movimento ligado e relacionado com a existência dos corpos no espaço e com a sua marcha. Mas, deixaria de haver tempo, se não houvesse movimento? Não haveria movimento sem o tempo? É inútil perguntar. É o tempo uma função do espaço? Ou vice-versa? Ou são ambos idênticos? Não adianta prosseguir perguntando. O tempo é activo, tem carácter verbal, «traz consigo». Que é que traz consigo? A transfomação. (...)”

Thomas Mann, A Montanha Mágica, Lisboa: Livros do Brasil, sd. p. 362.
Davos, Suíça
Porquê este livro?
Pela leitura do excerto que escolhi é fácil de entender. Thomas Mann, através de Hans Castorp, engenheiro naval, leva-nos a viajar ao interior da mente humana. Coloca questões acerca do “ser”, da morte e da vida, da fragilidade humana constantemente presente no Sanatório de Davos, nos Alpes Suíços, onde passa longos anos. Ali, “longe da multidão”, (expressão magnífica de Filipe Nicolau), esta personagem reflecte sobre política, filsofia, religião, beleza, arte e amor.
O tempo, que passa... lentamente..., é também ele objecto de análise... o tempo que se consome entre vencer a doença e a morte... o tempo que marca as horas e os minutos, que traz o outono, o inverno, a primavera e o verão, o amadurecimento, o movimento que traz com ele a transformação.
Este livro é intemporal, apesar da conjuntura marcada pelo o período anterior à Grande Guerra e início da mesma.
Tempo – movimento – transformação / nascer, - viver - morrer...!

O livro foi transposto para o cinema pelo realizador Hans W. Geissendörfer em 1982.