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terça-feira, 15 de julho de 2025

Leituras no Metro - 2965

Paris: Pocket, 2025.

«Et moi, et moi, et moi saiu em 1966. Foi um grande sucesso de Verão. era ouvido em todo o lado. A rádio e a televisão matraqueavam o tema. Eu estava omnipresente e ubíquo. Eu não estava preparado [...].» (p. 50)


«Et moi, et moi, et moi vendeu 300 000 exemplares; Les Playboys, um pouco mais tarde, 600 000: "Il y a les playboys de profession / Habillés par Cardin et chaussés par Carvil / Qui roulent en Ferrari à la plage comme à la ville / Qui vont chez Cartier comme ils vont chez Fauchon».
«Lanzmann [o autor da letra] teve crédito no Carvil durante dois anos. Eu próprio tive descontos nessas casas: Fauchon ofereceu-me um capão, animal que, na época, custava uma fortuna. Foi a minha mãe que o cozinhou e nunca o comi tão delicioso. Pelo contrário, nada de Ferrari nem de Cartier. A glória tem sempre limites.» (p. 55)


O livro vai certamente aqui voltar.

sábado, 28 de setembro de 2024

Boa noite!

«Talvez Jesus não seja o meu Salvador pessoal, mas O Messias mudou verdadeiramente a minha vida. A primeira vez que o ouvi, provavelmente num concerto de Natal, eu estava no liceu e foi representado ao estilo dos anos 60: com uma orquestra composta por centenas de músicos, pelo menos foi o que me pareceu, e um coro ainda mai imponente. Foi a minha primeira experiência de música barroca vocal e pensei que a terra se tina aberto sob os meus pés, ou que tinha sido projetada para o espaço, porque descobri ali um novo mundo musical.» 
Donna Leon - Une promesse d'aventure. Paris: Calmann-Lévy, 2023, p, 61


O Messias de Händel é a oratória que eu mais tenho ouvido. Quando a vejo num programa e consigo bilhetes vou. Não é fácil conseguir bilhetes porque me parece que é uma das peças mais amadas. E não tem nada a ver com religião, como Donna Leon diz. Aliás, eu que sou agnóstica, gosto bastante de música religiosa. E este Messias é divinal.

Leituras no Metro - 2940

Paris: Calmann-Lévy, 2023

Estou a ler as memórias de Donna Leon, que faz hoje 82 anos. Não posso dizer que até agora sejam muito empolgantes. Fala da infância e juventude, de como a mãe, uma grande leitora, lhe passou o gosto pela leitura; dos quatro anos que passou no Irão (onde assistiu à Revolução), na China e na Arábia Saudita, como professora. Neste país, onde permaneceu nove meses, imaginou um jogo estilo Monopólio, «$audiopoly», a que dedica um capítulo. Um jogo delirante para se entreter com amigos.
Destes países com ditaduras, precisava de 'ar fresco' e rumou a Itália, onde viveu muitos anos. 
Donna Leon descreve a emoção que teve a primeira vez que assistiu a uma ópera, Tosca: «Essas três horas mudaram a minha vida. Eu sei que isto pode parecer melodramático, mas é verdade. Foquei viciada e fui muitas vezes ouvir, nos vinte anos seguintes, os grandes cantores da minha época: Scotto, Pavarotti, Caballé, Domingo, Price, Sills, Olivero (sim, Magda Olivero - v-a nos seus primórdios no Met, com 65 anos. No papel de Tosca.) Sem esquecer Nilsson, Di Stefano, Del Monaco, Corelli, Gobbi, Christoff.
«De certa forma, esses anos provocaram a minha ruiana porque faço agora parte desses velhotes que, quando ouvem os grandes cantores contemporâneos, murmuram coisas polidas como "Sim, sim, claro", mas lembro-me como as pessoas vibravam quando ouviam Nilsson cantar Turandot e como estavam no sétimo céu quando Leontyne Price cantava espirituais.
«Ou quando Zinka Milanov cantava Tosca.» (p. 58-59)


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Leituras no Metro - 2936

Trad. Augusto Abelaira.
Porto: Livros do Brasil, 2019

Estou a reler estas memórias de Romain Gary, que tinha lido há muitos anos. O futuro escritor nasceu em Vilnius. Depois de muitas andanças, chegou a Nice em 1928 com a mãe, uma mulher exótica.

«[...] devorava todos os livros que me vinham ter à mão, ou mais ainda, todos aqueles sobre os quais punha discretamente a mão nos livreiros do bairro. Transportava a minha riqueza para o celeiro e ali, sentado por terra, mergulhava no universo fabuloso de Walter Scott, de Karl May, de Mayne Reid e de Arsène Lupin. [...] Walter Scott agradava-me muito e ainda hoje me acontece estender-me na cama e lançar-me em busca de qualquer nobre ideal, proteger as viúvas e salvar os órfãos - as viúvas são sempre notavelmente belas e dadas a testemunhar-me o seu reconhecimento, depois de terem encerrado os órfãos numa sala separada. Outra obra favorita era A Ilha do Tesouro, de R. L. Stevenson, uma leitura, também, de cuja influência nunca mais me libertei. A imagem de um cofre de madeira cheio de dobrões, de rubis, de esmeraldas e de turquesas não sei porquê os diamantes nunca me atraíram - é para mim um tormento contínuo.» (p. 96)
Ainda há dias, num almoço de amigos, falávamos como Walter Scott nos encantava. Não referimos A Ilha do Tesouro, mas obviamente que também nos fascinou a todos. A primeira vez que li esta obra foi numa adaptação da Biblioteca dos Rapazes. Só mutos anos mais tarde, li a obra original.
No dia em que almocei com os meus amigos, fui à Bertrand e atrás de mim estava um rapaz de vinte e tal anos a pedir O Conde de Monte Cristo. Pensei comigo: «Vais passar umas belas horas com esse livro. E aprender muito.» Um dia destes, acho que o vou reler.
Há dias vi a Ilha de If na televisão, aquando das regatas dos Jogos Olímpicos. A Ilha de If, em cujo castelo Edmond Dantès esteve preso e encontrou o Abade Faria.
Quando fui a Marselha não consegui ir a If porque o mar estava muito agitado e não havia viagens. Durante os Jogos Olímpicos, algumas das provas de vela foram anuladas porque havia pouco vento.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

As notícias falsas não são de hoje


Estou a reler as memórias de Léon Blum. A dado passo ele conta que, estando em Clermont-Ferrand em junho de 1940, o Paris-soir anunciava que ele tinha abandonado a França e tinha acabado de desembarcar em Nova Iorque. Apesar dos convites que teve para ir para os EUA e para Inglaterra, o chefe da Frente Popular permaneceu em França, onde foi preso a 15 de setembro desse ano.

sábado, 22 de junho de 2024

Leituras no Metro - 2930

Bolas de Berlim

«Ia de elétrico para o Passos Manuel, saltava em andamento n rua de São Bento, quase em frente da Assembleia, nem me passava pela cabeça que um dia ali entraria como deputado. Às vezes ia a pé e poupava o dinheiro do bilhete para num dos intervalos vir cá fora e comprar uma bola de Berlim. É das melhores lembranças que tenho desse tempo. Nunca encontrei bolas de Berlim tão boas como aquelas que se comiam junto ao Liceu Passos Manuel.»
Manuel Alegre - Memórias minhas. Alfragide: Dom Quixote, p. 36.

Nunca comi bolas de Berlim tão boas como as da praia, no tempo em que se vendiam numa caixa com tabuleiros. Depois veio a ASAE e as bolas passaram a ser embaladas... Nanh...

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Marcadores de livros - 2796

Verso e reverso iguais.

Paris: Grasset, 1996

Há muita coisa com que discordo de BB, mas há algo que aprecio muito nesta criatura: não fez plásticas!


Parabéns a Brigitte Bardot que faz hoje 89 anos.
Com um agradecimento a Mondopunts.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Para ler - 13

Paris: Calmann-Lévy, 2023

Este livro é hoje posto à venda em França. 
Antes de se estabelecer em Veneza, Donna Leon viajou por todo o mundo: da China à Arábia Saudita e ao Irão, animada por uma sede de descoberta. 
Fascinada pela cultura veneziana, pelas suas artes e pela gastronomia (quem não?!), Donna Leon dá vida ao universo do comissário Brunetti. A cidade foi assim uma fonte inesgotável de inspiração para as suas investigações. Com crítica ao turismo desenfreado na cidade que empurrou os venezianos para a periferia.
Veremos o que estas memórias, que vou ler, nos trarão.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Leituras no Metro - 1136

Lisboa: Guerra e Paz, 2020

Li com gosto estas memórias de Domingos Lopes, pelas quais ficamos a saber que Marcelo Rebelo de Sousa, em 1974, não era leninista, «considerava-se apenas marxista».  Que novidades!...
«Fiquei espantado com o desabafo e a rápida conversão de Marcelo ao marxismo,
«Com efeito, bastava estar ao lado do jovem aspirante a fazer carreira como professor e político para se sentir o marxismo de Marcelo a destilar por todos os poros. [...]
«Marcelo, já em 1974, tinha no seu ADN esta faceta de ser o que é preciso em cada momento para surfar sem ir ao fundo, mesmo renegando o que era.» (p. 91-92)

domingo, 28 de agosto de 2022

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Uma historieta


Jean Galtier-Boissière (1891-1966), fundador do jornal satírico Le Crapouillot, encerrado pelos alemães durante a Ocupação, «desenha [em Mon journal pendant l'occupation] um retrato trágicómico do quotidiano dos parisienses. Irresistível, o relato [...] sobre a mulher do quiosque da Boulevard Saint-Germain que, sabendo perfeitamente que um dos seus clientes alemães não fala uma palavra de francês, lhe repete todas as manhãs: "Toma lá o teu jornal, grand con! [grande imbecil]" O alemão em causa informa-se do sentido dessa expressão junto de um francês, que lhe explica que é o diminuitivo de "grande conquistador". No dia seguinte, o alemão responde à mulher: "Não eu, grand con, eu, petit con..." E acrescenta, de braço no ar: "Hitler, esse, grand con!"»
Yseult Williams - O esplendor dos Brunhoff. Lisboa: Quetzal, 2021, p. 236


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

No meu sofá a ler... - 11

Paris: le cerche midi, 2011

Quanto a mim, François Mitterrand tinha razão ao afirmar: «De Gaulle é um herói semelhante aos jovens generais da Revolução, mas foi também o homem qu confiscou a Resistência.» (p. 48)


Margaret Tatcher falava correntemente francês, mas com um forte acento inglês, o quw fazia sorrir Mitterrand que um dia sussurrou com malícia ao ouvido de Dumas: «Se fecharmos os olhos, pensamos estar a ouvir a Jane Birkin.» (p. 54)

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Biografias e afins


 

Uma vida cheia, e muito para contar apesar de às vezes pensarmos que sabemos tudo sobre. 

Presumo que seja também uma resposta do autor à biografia  ( não autorizada ) de há uns anos, escrita pelo Joaquim Vieira, e está no seu direito. 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

No meu sofá a ler... - 5


Alfragide: Caminho, 2012

Estive a ler esta autobiografia a que João Mattos e Silva já se referiu neste blogue. Ao contrário do João Mattos e Silva, achei a leitura do livro aborrecida por ser demasiadamente concentrado na família, sem contexto histórico. Uma autobiografia que, do meu ponto de vista, só interessa às pessoas da família e outras ali referidas.

sábado, 24 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1083

No avião que levou Amélie Cahen, mãe se Suzanne Blum e de André Blumel, de Lisboa para Nova Iorque, em 1941, ela ficou sentada ao lado de um oficial alemão e contou depois: «Quando ele viu o meu nome, mudou de lugar, o imbecil!» 
Amélie Cahen descendia de uma família estabelecida desde o século XV em Troyes-en-Champagne. Um dia o Marquês de La Tour du Pin resolveu falar-lhe do orgulho que tinha na sua linhagem, ao que ela lhe respondeu: «Eu, senhor, que descendo da Tribu des Prêtres, tenho 7000 anos de nobreza atrás de mim.»
Ref. por Suzanne Blum, in Vivre sans la patrie. Paris: Plon, imp. 1975, p. 126-127

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1082

Paris: Plon, imp. 1975

Suzanne Blum (grande amiga, mas sem qualquer relação de parentesco com Léon Blum) foi uma advogada francesa de negócios. Um dos seus clientes, em 1940, era Jack Warner quando a ocupação de Paris a leva para os EUA. 
Vai de carro até  Burgos (Espanha), onde o carro avaria, tendo de continuar a viagem de comboio até Lisboa, onde, depois de muitas peripécias, apanha um barco para os Estados Unidos. 
Embarca 8 de agosto de 1940 a bordo do Excambion: «Entre os passageiros, os Patino, a condessa de Bourg de Bozas, uma família Dampierre, René Clair e a mulher, Salvador Dalí e Gala, Virgil Thompson, Man Ray: um belo cartaz para uma noite muito parisiense.» (p. 58)
Quando chega a Nova Iorque tem de preencher um questionário:
«Na rubrica 'raça' pensei poder por 'branca'.
«Um erro, rapidamente retificado com um risco de caneta feito pelo responsável: eu era French Hebrew.
«As minhas luzes de etnologia, aliás muito limitadas, vacilaram.» (p. 59)
Nessa viagem, a companheira de camarote de Suzanne Blum era uma portuguesa que montou um altar florido, diante do qual se ajoelhava e rezava longas horas.
O livro começa com o regresso a Paris, na primavera de 1945, ainda a guerra não tinha acabado, a bordo do Liberty Ship, que trazia também Jules Romains e a mulher.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Leituras no Metro - 1063

Lisboa: Colibri, 2018

Memórias da sua vida associativa estudantil, de imigrada em Paris para acompanhar o seu marido  exilado Alfredo Noales, a vida difícil naquela cidade, o convívio com os exilados são parte do objeto deste livro de Helena Pato, nascida em Aveiro em 1939. O seu regresso a Lisboa com o marido que morreria um mês depois (mas mesmo assim foi preso pela PIDE à chegada ao aeroporto durante umas horas), a militância no PCP, a sua prisão, professora liceal e fundadora do MDM, são outras páginas da sua vida narradas neste livro.


«A noite mais longa de todas as noites é, pois, uma obra tecida com o fio do júbilo dos ideais, mas igualmente com os acontecimentos vividos no nosso país, então asfixiado por uma longa, cruel e impiedosa ditadura. Sendo tudo isto elaborado com uma vivacidade e uma argúcia que nos leva a lê-la até chegar ao fim, para logo desejar tornar ao seu começo». (Do pref. de Maria Teresa Horta)


terça-feira, 11 de agosto de 2020

Biografias e afins


O primeiro volume das memórias do ex-presidente francês já está à venda. Gostei muito da entrevista que deu à Paris Match, uma franqueza que só os ex podem ter ...