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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Parabéns, JP!

E um livro que (quase que) aposto que não tem na sua coleção. Mas se o não tiver, e lhe interessar, terei todo o prazer em lhe oferecer um exemplar físico.


«Em Emblemas em Campo - Heráldica dos Clubes de Futebol em Portugal (Primeira Divisão), os adeptos ficarão a saber tudo sobre as tendências históricas e os motivos mais localizados que contribuíram para a escolha dos emblemas e dos equipamentos de todos os clubes que já disputaram a primeira divisão do futebol em Portugal.» (Da contracapa.)
Boa leitura! 😂😉

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Parabéns, JP!

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Museu_Militar_-_Lisboa_-_Portugal_%2850703206877%29.jpg


 Parabéns, Desejo um dia muito feliz!

Porque hoje estive com o antigo Diretor do Museu Militar de Lisboa, 

envio um desafio ao JP que é um amante de heráldica. Pode explicar-nos?


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Parabéns, JP!


E um livro sobre heráldica, que já deve ter:

Tours: PU François Rabelais, 2019

Tenha um dia feliz!

quarta-feira, 10 de março de 2021

Aut Cæsar aut nihil

 

Gentilmente presenteado a pretexto do desaniversário que hoje festejo, muito gostei de conhecer mais este rosto heráldico quinhentista, na verdade não me recordando de outra manifestação anterior deste timbre de Césares.

Resultando o mesmo do acrescentamento dado pelo Rei D. João III a Vasco Fernandes César, em 1539, a possibilidade de encontrar hoje exemplo mais antigo do que este que JAD nos traz limita-se a pouco mais de quatro décadas.

Estando-se já em trânsito para a “paper heraldry” (enfim, em rigor alargada a talha, pedra, etc.), este timbre náutico, ainda assim, não é dos mais improváveis de algum dia descortinar, no lugar que lhe seria próprio, encimando um elmo.

Para armas femininas, desta nora de Vasco Fernandes César, o ordenamento não é dos mais frequentes, quer por usar o timbre, precisamente, quer pela forma alcançada para reunir as armas dos dois cônjuges, um esquartelado em que o 1.º quartel tem as armas do marido e os demais 3 as da mulher (claramente de famílias mais armigeradas).

Deixo duas representações, posteriores, das armas dos Césares, com o seu timbre. A primeira é retirada de um armorial da Casa de Cadaval (“Armas de Portugal”, hoje na Torre do Tombo.

"Armas de Portugal" - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq (arquivos.pt)

 


A segunda, também na Torre do Tombo, consta do Tesouro de Nobreza, de Francisco Coelho, de 1675.

"Tombo das armas dos reis e titulares e de todas as famílias nobres do reino de Portugal intitulado com o nome de Tesouro de nobreza" - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq (arquivos.pt)



sábado, 11 de julho de 2015

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Of old rolls




Uma vez mais manifestando a minha gratidão pelas mensagens de ontem, respondo, algo tardiamente, ao “desafio” que JAD lançou em http://prosimetron.blogspot.pt/2014/01/um-erro-de-datacao.html

Atribuída a autoria do armorial de onde se retira a imagem acima a William Bruges, Rei de Armas Jarreteira, que morreu em 1450, duvida JAD da datação do manuscrito (e, portanto, da autoria), apontando antes para momento posterior a 1482-85.

Coincidindo este arco temporal com a reforma impulsionada por D. João II das armas portuguesas, não é ousado arriscar que a dúvida em apreço surge da figuração neste fólio, bem distinta, de duas instâncias das armas reais portuguesas posteriores a essa reforma, ou seja, com omissão da cruz de Avis e com os escudetes todos colocados na mesma posição, assim deixando os laterais de se figurar apontados ao centro.

Ora, convém, para superação desta dúvida, convocar o testemunho de Sir Anthony Wagner, longínquo sucessor de William Bruges, a quem muito deve o estudo dos armoriais ingleses e um exemplo de que, se não há pessoas insubstituíveis, há quem não seja substituído.

Adoptando classificação proposta por Sir Anthony e ainda hoje, com poucas alterações, muito usada, o Livro em causa pode ser classificado como um armorial institucional, neste caso recolhendo a identidade heráldica dos membros da agremiação cavaleiresca fundada por Edward III.

Em cada folha, consta o retrato de um dos primeiros companheiros da Jarreteira, identificados pelo listel e especialmente pela heráldica das vestes que envergam. Acompanhando a figura de cada fundador, surgem os escudos dos seus sucessores em cada uma das cadeiras que, longe de mera abstracção, ainda hoje estão disponíveis na Capela de São Jorge, no castelo de Windsor, para acolhimento dos actuais membros da Ordem, nos seus capítulos.

Ora tal lugar, em cada fólio, se inicialmente previsto e preenchido com os cavaleiros que, à data da feitura do Armorial, já se conheciam como tal, foi pensado com visão de futuro e para ulterior completamento paulatino deste rol de cavaleiros da Jarreteira.

No estudo-catálogo que publicou em 1950 sobre armoriais ingleses (A catalogue of english medieval rolls of arms, London: The Society of Antiquaries, 1950), Sir Anthony evidencia as várias mãos que conseguiu identificar e que, pelo menos ao longo de cem anos, foram aditando detalhe a este Livro da Jarreteira. Especificamente falando desta folha, a escrita dos nomes é imputada a John Writhe, Rei de Armas Jarreteira no quarto final do século XV e começo do seguinte, imputando-se os dois escudos finais (precisamente os de Portugal “moderno”) a Sir Thomas Wriothesley, filho e sucessor como Jarreteira de Writhe, possuidores que foram ambos deste manuscrito.

Comparando estes dois escudos de Portugal com os três que os precedem, é evidente a diferente mão que os pintou. Estes últimos, aliás, apresentam ainda as armas usadas pelos Reis de Portugal, desde D. João I até à reforma do seu bisneto e homónimo.

Que estes três escudos de Portugal, da primeira metade da dinastia de Avis, foram pintados quando era esse o ordenamento vigente (e como tal conhecido) da emblemática real lusitana, parece inquestionável, pela ausência de preocupações de rigor histórico.

Esta ausência pode ser exemplificada com a sistemática representação, no esquartelado Plantageneta posterior a Edward III, do quartel francês reduzido a três flores de lis, redução esta que só se inicia no reinado do primeiro Lancaster no trono, Henry IV.

Do mesmo modo, o Duque que está representado como fundador desta cadeira da Jarreteira é Henry of Grosmont, sogro de John of Gaunt e, assim, avô materno da nossa D. Filipa de Lancastre. As armas que lhe são atribuídas correspondem às armas do Plantageneta Rei de França e de Inglaterra, com o esquartelado destes dois reinos, sem a menor diferença. Ora, as armas deste 1.º Duque de Lancastre, bisneto por varonia de Henry III, eram apenas os 3 leopardos deste rei, diferençados por um lambel “de França” (o lambel que vai ser usado, mais tarde, pelo seu bisneto e homónimo Navegador).

Obrigado uma vez mais, especialmente a JAD, também pelo pretexto para lembrar Sir Anthony Wagner, um dos heraldistas que ilumina estes estudos no século findo e de muito prezo possuir alguns livros que, por si anotados, integraram a sua biblioteca.


domingo, 3 de junho de 2012

Pedido de ajuda


Num livro religioso (dado estar incompleto não se sabe se é um breviário se um livro de horas), manuscrito e atribuído ao século XV, aparecem estas armas.
Escudo partido: I de vermelho, três coroas de ouro, bordadura de azul; II de verde, três crescentes de ouro, bordadura espiguilhada de vermelho.
Algum estudioso me pode ajudar.

PS. Obrigado pela ajuda na reformulação da descrição do escudo.

sábado, 17 de março de 2012

Bom dia!

Um Sol numa fachada em Cáceres.


«Che bella cosa e 'na giornata 'e sole [...].»


«[...] Il sole quando sorge piano e poi
la luce si diffonde tutto intorno a noi [...].»

sábado, 1 de outubro de 2011

Frase da semana

Ninguém sai da política de mãos limpas...

- D.José da Cruz Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa ( E aqui fica o brasão do 16º Patriarca de Lisboa ), em entrevista ao Diário de Notícias.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vinheta. 14 de Agosto.


As 48 horas de atraso, servindo de atenuante a evidência da escolha, dão-me igualmente ensejo para, por factos supervenientemente conhecidos, dar alguma substância a estas linhas.

Explicando, direi que soube ontem ter-se realizado na véspera, na vila da Batalha, o lançamento de um livro sobre o portal oeste do Real Convento de Santa Maria da Vitória, do Doutor Jean-Marie Guillouët, o qual sintetizará os resultados dos estudos de pós-doutoramento que, sobre este tema, efectuou na Universidade de Coimbra, com orientação do meu caríssimo conterrâneo e amigo (como é de pelo menos mais alguns deste blog, amigo, digo, que conterrâneo devo ser só eu :) Saul António Gomes.


"O portal de Santa Maria da Vitória da Batalha e a arte europeia do seu tempo: Circulação dos artistas e das formas na Europa gótica". A edição (passe a publicidade) é da Textiverso.

Uma "amostra" pode ainda ser encontrada em artigo publicado aqui.

Voltando à imagem de Aljubarrota, referem as crónicas que as bandeiras tomadas aos castelhanos foram enviadas à Sé de Lisboa como justos troféus. Descreve-se igualmente a forma como se arrastaram as mesmas pelas ruas da urbe lisboeta.




O ponto a que queria chegar é este: coexistindo nas bandeiras reais, ao lado dos leões e castelos, as quinas de Portugal, aparentemente ninguém colocou em causa o "abaixamento" a que se submetiam estas últimas. Indica-nos isto que, muito mais (ou até para lá) do significante, era o significado que contava para os nossos antepassados de há 626 anos?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Marteladas




JAD,

Negar que é um martelo? Bom, mas não seria esse um dos chamados pecados contra o Espírito Santo, contradizer a verdade tida como tal? :)

Lamento desiludir, mas não tenho hipótese alternativa à identificação como um simples martelo, daqueles de pregar. Nem se aproxima do francisque.

Não creio que a primeira possibilidade (por equiparação ao martelo papal) seja viável, quer pela configuração do objecto (dificilmente em prata e de grande dimensão para o fim em vista), quer pelo resultado que a Ana anteviu, de funcionar mais como arma “de misericórdia” do que uma confirmação de um pré-existente óbito. Aliás, a parte traseira, de arrancar pregos, nenhuma utilidade teria para este fim cerimonial.

A leitura icónica destes retratos, sendo um mundo fascinante e rico de simbolismo, cai fora da minha “especialidade”. Atrever-me-ia, contudo, a sugerir que, no martelo e no anel, vemos duas faces do poder e da actividade de um príncipe, no exercício do poder e no recreio da paz.

Antes de passar a alguns comentários sobre o reverso do quadro, que tem outro encanto :), alinhavo aqui algumas observações retiradas do conjunto de informação disponibilizada na página do MET.

Oscilando a identificação do retratado entre o dito Francesco, seu pai Lionello, um tio dando pela graça de Meliaduse, ou algum outro familiar dos Este, os significados para o martelo são múltiplos.

Desde um hipotético “recuerdo” de um ano santo (só poderia ser 1450 ou 1475, mas o martelo também é demasiado tosco e impróprio para abrir uma porta, mais ainda Santa) a um improvável retrato de um Este como Santo Elói (o martelo nem sequer é de ourives), é de notar um trabalho de 1960 que sugere serem as actuais mãos e martelo (suponho que o anel vai no embrulho) uma adição posterior. Um estudo recentíssimo, com base em exames de reflectografia de infravermelho parece confirmar esta possibilidade, ao revelar umas mãos iniciais colocadas em oração.

Em termos de originalidade, para além de Filipe, o Bom, menciona-se o pai, João Sem Medo, retratados com martelinhos deste género. Igualmente são mencionados quadros em Ferrara e em Madrid (Thyssen), no primeiro caso com o mesmo conjunto, de martelo e anel, no segundo só com o anel, os dois da autoria de Francesco del Cossa (precisamente de Ferrara e vivendo por esta altura).

Parece-me muito pouco provável a possibilidade, já aventada, de se tratar de símbolos devocionais à Paixão de Cristo, isto tomando o anel de rubi por uma gota do Sangue derramado no Gólgota.

Sendo a pista “Del Cossa” relevante, a explicação que mais me atraiu, até pela maior dificuldade na sua decifração, seria a de tudo constituir um rebus. Até o reverso.
Não indo tão longe, é de notar que os dois objectos são sustidos na mesma mão.



Observando agora o reverso, ao contrário do que sugeriu o Luís, nada vejo de “gritante”, em termos de posicionamento social, na rica decoração emblemática.
O dito Francesco d’Este (a ser ele o retratado) não era propriamente um outsider familiar, designadamente por decorrência directa da sua ilegitimidade. Ilegítimo tinha sido também o seu pai e, nem por isso, menos sucessível e verdadeiro herdeiro nos “estados” familiares.

A decoração heráldica de quadros foi um dos mais banais usos da heráldica e com as finalidades em geral próprias, de identificação ou de homenagem. Este caso mostra-nos um ordenamento típico do século XV, rico em motos e empresas.

As armas da casa de Este, sem qualquer referência à citada ilegitimidade e sem qualquer diferença pessoal (pelo menos no escudo), apela mais às glórias da linhagem do que à identidade própria do “Francisque”. Ou, a ser verdadeira a ambição, constituindo armas de pretensão à chefia da casa.

Nas armas, o quartel próprio da família (de azul, águia de prata) combina-se com um dos múltiplos casos de acrescentamento, em que foi fértil o Rei Cristianíssimo, muito especialmente em Itália (o mais famoso será o que beneficiou os Medici, por obra de Luís XI).

Neste caso, foi o Rei Carlos VII que, em 1432, atribuiu ao avô de Francesco, Nicola III d’Este, duque de Ferrara, o direito de usar as flores de lis de França, convenientemente diferençadas por uma bordadura dentelada de ouro e vermelho.

Como suportes e no timbre, temos uns quadrúpedes que, na imagem a preto e branco que junto, retirada do Burlington Magazine de 1911 (também a comemorar o centenário ;), estranhamente se divisam melhor como linces de ouro, salpicados de vermelho.



(bom, na imagem original, ao menos, que podem ver em http://www.archive.org/details/burlingtonmagazi18londuoft, ali pela pg. 205, salvo erro).

No caso do timbre, o lince está sentado e tem os olhos vendados. A literatura citada apresenta, não sei com que exactidão, este lince de visão limitada como a empresa de Lionello d’Este, mencionando uma medalha em que consta a legenda Quae vides ne vide. O que vês não vejas.

Supondo que o lince já seria reconhecido como o paradigma da visão aguçada, a limitação dessa capacidade sensorial (voluntária ou involuntária, mas um lince de patas nos olhos é muito inestético) lembra, de algum modo, o nosso português “tempos de coruja, tempos de falcão”. Ou, maquiavelicamente, as virtudes da dissimulação.
Muitos autores interpretam os caracteres pintados no reverso deste quadro em ligação com aquela legenda, mas agora em francês “Voir Tout”. Sempre notarei que, existindo uma conexão entre ambas as versões, parecem afinal contraditórias.

Outra leitura supõe uma dedicatória, “Votre tout”, o que, com a assinatura Francisque, significaria uma oferta do quadro a um terceiro ou uma marca de devoção ao Grão-Duque do Ocidente. Quanto a esta última, não creio, mais depressa admitiria um galanteio, a pessoa certa ou indeterminada.



A leitura destes caracteres é muitas vezes feita em conjunto com as iniciais que, em conjunto com uns laços, ladeiam o timbre. Parecendo inequívoca a leitura como um m e um e, a hipótese mais óbvia é a de marchio estensis, nalguns recalcitrantes servindo para reafirmar a possibilidade de Meliaduse d’Este.

No canto superior esquerdo, em escrita que uniformemente se reconhece como mais tardia, estão as palavras “Non plus Courcelles”. Coincidência ou não, Francesco poderá ter morrido na batalha que, aí perto, em Grandson, se travou em 1476, sendo essa a explicação mais aventada. Na verdade, encontrei uma Corcelles, a 5 km de Grandson. Mas há muito ses neste particular …

Obrigado JAD, obrigado Ana, e o resto do Mundo desculpe esta extensão.

sábado, 6 de agosto de 2011

Francesco de Este

Só mais esta curiosidade:


Por detrás do retrato de Francesco de Este encontra-se o brasão dos Estensi e o nome do príncipe escrito em francês «Francisque».



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Agora, o JAD! “Armas Grandes de…”




Na verdade, salvo algumas inovações, com Portugal num dos múltiplos quartéis dos nossos rei Habsburgo, estes usaram as armas desta pérola "herdada, conquistada e comprada", não no centro, mas sim no ponto de honra, ou seja, a meio (em termos verticais) da primeira metade (em termos horizontais).

O estilo desta gravura, todavia, nunca apontaria para os Filipes, sendo certo que o escudete de Bourbon (com a bordadura do Duque de Anjou) de todo eliminaria essa hipótese.

Serão as armas do Reino das Duas Sicílias, tendo a "meio" a complicada herança "espanhola", carregada do tal escudete de Bourbon, como se usou desde Filipe V até Juan Carlos I, e "ladeada" da herança de Parma (os Farnese) e da Toscana (os Medici).

As armas de Portugal correspondem à pretensão do Duque de Parma, Rainúncio Farnese, em suceder a seu tio-avô, o Cardeal Rei D. Henrique, como neto que era do Infante D. Duarte, Duque de Guimarães, por sua filha mais velha, D. Maria, Duquesa de Parma (e de cujo livro de cozinha creio que já aqui se falou – ou estou confundido…).

Acima, as armas oitocentistas que surgem na página do actual pretendente ao trono das Duas Sicílias, SAR Carlos de Bourbon, Infante de Espanha.

Resposta à Ana - "Em Mértola"




Pois, em primeiro lugar, há que chamar a atenção para aquele quadrado no cantinho superior esquerdo (que em heráldica, qual país das maravilhas, é direito) com uma “coisa” que pode ser um trifólio. É uma diferença e, com grande probabilidade, diz-nos que o comendatário da pedra se deu ao trabalho de solicitar uma carta de armas.

Se a pedra fosse mais antiga (leia-se, da 1.ª metade do século XVIII ou anterior), podia ser mesmo o único testemunho de tal documento, dado o desaparecimento dos registos no grande terramoto. Não parece ser o caso, pelo estilo da mesma.

Isto dito, a identificação do teor do escudo passa, em primeiro lugar, pela identificação da partição. Uma leitura breve (e errónea) faria supor um partido (divisão vertical), tendo no primeiro (a parte que está à esquerda, ou seja, à dextra :) cortada.

Mas não é assim, já que esta divisão do campo não está, por sua vez, igualmente dividida. Estamos, assim, perante um partido, combinando duas armas.

O que poderia ser, assim, um cortado (divisão horizontal) de, por exemplo, Pereira e Mota ou Guedes, passa a ser, com muita probabilidade, as armas de Rodrigues.

Na descrição de Braamcamp Freire, que há 100 anos estava em plena presidência da Constituinte (clin d’oeil aos nossos JAD e MR), “De [oiro], cinco flores de lis de [vermelho]; chefe do [mesmo] carregado de uma cruz florida e vazia do campo” (Armaria Portuguesa, pg. 436).

Deixei acima a página do Livro do Armeiro-Mor onde surgem as armas destes Rodrigues, conjuntamente com as dos Refoios e dos Moreiras, a que se juntam as mais enigmáticas dos “Barvanças”, que muita especulação têm motivado (mas isso são outras contas).

No segundo (o que fica à nossa direita, logo a esquerda heráldica), temos as armas, significativamente mais complexas, de uma família Bravo. Mais uma vez transcrevendo a descrição de Anselmo Braamcamp Freire (pg. 572), “de [azul], castelo de três torres enxaquetado de [oiro] e [vermelho], com portas e frestas de [negro], assentado sobre um mar de [prata] e [azul] em ponta; cada uma das torres laterais sobrepujada de uma águia estendida de [negro]; no remate da porta um escudete de [azul] carregado de três flores de lis de [oiro], e no vão dela, como que remetendo, um leão rampante de [oiro]” (actualizei a ortografia para a versão anterior ao ugh! actual AO e “corrigi” dois vocábulos; os parêntesis rectos indicam as cores que, naturalmente, não estão na pedra, nem na representação convencional, de traços e pontos, chamada de Petra Sancta).

Desconheço as origens destas armas de Bravos (ABF parece aduzir origem no país vizinho), mas um castelo com águias, com as armas de França na porta e atacado por um leão, terá história para contar.

Voltando ao nosso rincão, o mais provável seria o armigerado chamar-se Rodrigues Bravo e só com muita sorte ter parentesco com as famílias destes apelidos que efectivamente começaram a usar tais armas. Contudo, nada sei de concreto a esse respeito.

Para encontrar o dito armigerado, com auxílio da Armaria Portuguesa e do Archivo Heráldico-Genealógico, do Visconde de Sanches de Baena (que diriam os dois se se vissem assim “juntos”!), parece-me que não há que ir mais longe do que a entrada n.º 328 desta última obra.





A pedra de armas, parecendo já do século XIX, não desmente esta grande possibilidade para não dizer certeza, o que se teria mais se o Visconde tivesse tomado nota e publicitado as diferenças concedidas em cada carta de armas).
Falta dizer que o timbre parece realmente o de Rodrigues, que é um leão nascente (de ouro), com uma flor de lis na espádua.

Aqui está e desculpe o arrazoado!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Parabéns JP !



Enquanto não faço chegar outros apontamentos heráldicos, aqui fica o brasão da cidade de Múrcia, capital de antigo reino peninsular e hoje de comunidade.
Cidade e região onde estará daqui a umas horas um terço deste blogue.
E que contes muitos!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Para o nosso J.P., que anda desaparecido, este Anjo Heráldico atribuído a Diogo Pires, o Moço.
Uma bela escultura em calcário, datada do séc.XVI (1518-20) e que está no Machado de Castro, Coimbra.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Hoje em Londres

Um prosimetronista vai estar hoje aqui, no College of Arms de Londres, verdadeira "autoridade reguladora", para usar o jargão contemporâneo, da heráldica britânica.

P.S. - E, como se vê, temos nova vinheta: uma tela que está precisamente na cidade por onde anda o nosso JP e perfeitamente adequada a estes dias. Um dos episódios bíblicos da Ressurreição de Cristo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Duque da Vitória



Sem misturar com outras polémicas e tendo ideia de que o assunto já foi aqui tratado, é notável o apagamento e remissão para a esfera corporativa e local das comemorações de um evento tão marcante como o das invasões francesas.


Por contraste com nuestros vecinos, para além mesmo da própria memória, a gratidão é um sentimento curto. Se pesquisarem a toponímia portuguesa, salvo na região de Torres Vedras, que ruas são dedicadas ao nosso Duque da Vitória? Uma baixela, uma "comenda" e uns títulos, será que chega?


O conjunto de horrores e os efeitos da guerra peninsular condicionaram o século XIX português. Os morticínios praticados pelos invasores, as destruições e perdas patrimoniais, tudo parece esquecido, qual longínqua lenda de princesas mouras.

Na minha cidade natal, houve fuzilamentos em massa, que nunca encontraram o seu Goya que os retratasse. Edifícios arrasados, arquivos queimados (não há livros paroquiais, anteriores aos finais do século XVIII). Uma placa toponímica, aliás razoavelmente omissa (Mártires? de quem ou de onde?), e chega. Quem, especialmente fora de Leiria, conhece ou ouviu falar do Massacre da Portela?



Bussaco, Setembro de 1810, Roque Gameiro. Em Setembro de 2010, como será?





Estas são as armas do Duque de Wellington, com o acrescentamento honroso da Union Jack, já na sua forma actual, em escudete no chamado ponto de honra.