Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Arménia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arménia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de outubro de 2023

Leituras no Metro - 1163


Alfragide: Dom Quixote, 2014.

O KGB invadiu a casa de Vassili Grossman (1905-1964) lavando o manuscrito bem como todas as notas relacionadas Vida e destino, tendo Suslov informado o escritor que o livro não iria ser editado nos próximos 200 anos (imagine-se!). Todas as cópias do livro desapareceram, exceto uma em microfilme que foi enviada por Sakharov para o estrangeiro e o livro foi publicado pela primeira vez além fronteiras. Após a queda da União Soviética, o manuscrito que estava nos arquivos do KGB foi localizado. É uma obra-prima.
Depois da confisco do livro, Grossman resolveu aceitar o trabalho de rever a tradução para russo de um romance arménio. Só o fez porque isso lhe possibilitou visitar a Arménia e porque parece que o governo soviético também o queria fora de Moscovo. 
Dessa viagem nasceu Bem hajam!, relato dos dois meses que passou naquele país: as conversas com os arménios, muitas vezes em língua gestual, dado que Grossman desconhecia arménio e os habitantes do país não falavam russo. Por vezes, havia um intérprete.
Fala-nos das pessoas, das paisagens, das cidades, dos monumentos, dos costumes. Um relato intimista e comovente.

« Foi surpreendente para mim: entre os arménios, há muitos loiros, de olhos cinzentos, azul-claros, azul-escuros. Vi na aldeia crianças de cabelo clarinho, vi a encantadora Rossana, de quatro anos, de olhos celestes e cabelo dourado. Entre as mulheres e os homens arménios há caras de uma beleza de antiguidade clássica, com feições de rosto ideais, nariz pequeno e regular, olhos azuis amendoados. Vi pessoas com maçãs de rosto salientes, narizes achatados e o rasgo dos olhos um pouco asiático; vi pessoas com narizes arrebitados, vi arménios com caras alongadas, agudas, narizes incrivelmente grandes, aguçados, aduncos. Encontre pessoas de cabelo tão negro que parecia azulado [...].
«Como teriam surgido, contudo, os desvios de feições arménios consideradas típicas?
«Creio que tal variedade reflete a história das milenárias invasões, incursões, quedas em cativeiro, a história dos contactos comerciais e culturais [...].» (p. 33)

«[...] a exaltação nacionalista dos pequenos povos oprimidos surge como um meio de defesa da sua dignidade e liberdade.» (p. 39)


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Genocídio dos arménios


Dia 24 de abril passaram 100 anos sobre o início do genocídio dos arménios, no império otomano.
O genocídio realizou-se em várias fases: a eliminação das elites, dos homens adultos, a deportação das mulheres e crianças entre maio e setembro de 1915, em campos no deserto sírio.
No final da Grande Guerra, cerca de 60000 arménios refugiam-se em França, principalmente em Paris (Belleville e Cadet).
Há pouco li um livro sobre os cafés de Belleville (a que me referirei um dia destes) que dava conta dessa realidade.

Tes printemps fleuriront encore
Tes beaux jours renaîtront encore
Après l´hiver Après l´enfer
Poussera l´arbre de vie
Pour toi Arménie
Tes saisons chanteront encore
Tes enfant bâtiront plus fort
Après l´horreur
Après la peur
Dieu soignera ton sol meurtri
Pour toi Arménie

Le monde s´est levé
Le monde est avec toi
Pour toi peuple oublié
Il a ouvert son cœur
Il a tendu ses bras