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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Leituras no Metro - 1095


 «A cultura e o ato cultural representam uma escolha, uma escolha com sacrifício de uma data de outras coisas. Quando se escolhe ler cinco mil livros na vida, são milhares e milhares de horas que não estão ocupadas a ir a shopping center, à discoteca dançar todas as noites até ás quatro da manhã, por aí fora... Portanto essa opção existe, existirá sempre.» (António Mega Ferreira)

«Desde o Romantismo, sempre houve literatura de reflexão, abrindo novos horizontes ao pensamento, e literatura de distração, literatura de fruição sem outra ambição do que ocupar o tempo do leitor. No Romantismo, Mendes Leal era mais 'famoso' do que Alexandre Herculano e Almeida Garrett. No Realismo, Faustino da Fonseca e Pinheiro Chagas mais 'famosos' do que Eça de Queirós, cujos últimos anos de vida foram atormentados pelo 'fracasso' editorial d'Os Maias, que não atingiu a segunda edição. Porém, a História da Literatura (o Tempo), com os seus critérios de rigor, separou o trigo do joio. Assim, no futuro, o Tempo separará os escritores que abrem novos horizontes à Língua e à Literatura daqueles que são meros papagaios da mentalidade dominante.» (Miguel Real)

In Inês Fonseca Santos - Vale a pena?: Conversas com escritores. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2017, p. 25


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Leituras no Metro - 1094

Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2017
Capa de João Fazenda.

Mega Ferreira afirma que «hoje há pessoas que vivem, intelectualmente falando, das intervenções que fazem na televisão.»
«Mário de Carvalho não tem dúvidas em relação a este assunto e recusa ser brendo na sua a+reciação, sublinhando "a desvalorização que se promove hoje, especialmente através da comunicação social, de tudo o que tenha a ver com o saber, com a arte, com a literatura, com a dança, enfim, com tudo aquilo que há de mais elevado na condição humana e na atividade dos homens. Tudo isso é secundarizado. Qualquer chefe cozinheiro ou qualquer modista ou coisa parecida é mais importante do que m professor, e os professores são um dos aspetos da representação social do saber, o professor tem saber, mas é desvalorizado. E não são só os professores a serem desvalorizados; são desvalorizados os escritores, os cientistas, os pintores, os artistas das mais diversas áreas..."» (p. 17-18)
Até concordo com Mário de Carvalho, mas há cada professor... Quanto aos médicos e cientistas hoje são mais ouvidos, fruto das circunstâncias. Veremos até quando.
Este livro voltará aqui.
Postal-marcador.

domingo, 22 de março de 2020

Leituras na quarentena - 3

Quando mudo do quarto para o terraço, mudo de livro (assim faz de conta que fui até à esplanada):


Está quase no fim: o grande defeito são as micro imagens - felizmente que são quase todas conhecidas do mundo académico.
Um livro agradável e por vezes sonhador como interessa no momento!

sábado, 5 de agosto de 2017

Leituras no Metro - 283

Trad. Helena Pitta. Porto: Asa, 2002

Há uns dias li uma entrevista de António Mega Ferreira em que falava da última obra de Javier Cercas, El monarca de las sombras, ainda não traduzida em Portugal. Este livro conta a história do seu tio-avô materno, Manuel Mena, falangista, que morreu em combate com 19 anos. Resolvi então reler, quinze anos depois, este Soldados de Salamina e... gostei imenso. Este livro é igualmente passado na Guerra Civil Espanhola, o grande tema da obra de Javier Cercas.

«É curioso (ou pelo menos parece-me curioso agora): desde que o relato de Ferlosio despertou a minha curiosidade nunca me ocorreu que alguns dos protagonistas da história pudesse ainda estar vivo, como se de facto não tivesse acontecido apenas há sessenta anos, mas fosse tão remoto como a batalha de Salamina.» (p. 37). Este Ferlosio é o escritor Rafael Sánchez Ferlosio, filho de Rafael Sánchez-Mazas. O modo como este se livrou de ser fuzilado em Collell inspirou Javier Cercas a escrever Soldados de Salamina. 

Porto: Livros do Brasil, 2017


David Trueba adaptou o livro ao cinema.

Alguém muito meu próximo, que viveu a Guerra Civil Espanhola deste lado da fronteira, teria gostado de ler Javier Cercas.

sábado, 17 de outubro de 2015

"usura do tempo"

Henri Matisse, A Blusa Romena, Paris,
Centre Pompidou - Musée d'Art Moderne Nacional
Centro de Design Industrial 



Cada caixeiro-viajante de almas tem a seu cargo aquilo a que, na burocracia da organização, se chama uma província. O sucesso é medido qualitativamente; à organização pouco importa que A ou B desapareçam da face do mundo em prazo determinado; nem sequer está estabelecido constitucionalmente que os humanos devam desaparecer fisicamente por efeito da nossa acção. A organização confia na usura do tempo e sabe que nada do que é humano é eterno, pelo que lhe basta criar uma dose de sofrimento, combinado  com o sal da expectativa e a ilusão do sucesso, para que considere atingidos os objectivos da missão.


António Mega Ferreira, A Blusa Romena. Lisboa: Sextante, 2008, p. 17.


O Luís assinalou a publicação deste livro. Sete anos depois, encontrei a 1ª edição na Bertrand. Pode dizer-se que foi sorte.

domingo, 7 de junho de 2015

"Há uma política das plantas"

Na companhia de António Mega Ferreira, a minha última leitura entre leituras de trabalho.

Sandro Botticelli, Detalhe da Primavera, Galeria Uffizi, Florença

Imagem retirada daqui: http://picslist.com/image/88126679381

«Há uma política das plantas como há uma história, uma estética e uma ética.
No ritual dos mortos, são flores o que oferecemos. E são flores que enviamos num aniversário, quando alguém de que gostamos adoece, quando nos casamos, quando agradecemos uma receção mais calorosa, quando namoramos ou pretendemos namorar, quando nasce uma criança e quando se encena um discurso. O que é que faz das plantas um ritual for all seasons? O que é que as torna tão presentes, e, por isso mesmo, tão indiferentemente transparentes às circunstâncias da vida humana? Porque é que às plantas emprestamos as qualidades da urbanidade, da serenidade e do conforto? É porque são silenciosas, pura e simplesmente mudas e inócuas? Ou porque, precisamente pelo seu silêncio, nos murmuram constantemente as letras do seu segredo, essa sua intransponível proximidade com o animal, sedutora distância que alimenta as nossas fantasias? O que me interessa nas plantas não é a sua vida, mas a sua imagem no coração dos homens e as razões por que as tornámos comparsas privilegiados do nosso destino.»

António Mega Ferreira, Hotel Locarno. Lisboa: Sextante, 2015, pp. 122-123.

Aqui fica uma rosa que resume o texto lido. Um bom Domingo!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Hotel Locarno

Comecei a ler o livro de António Mega Ferreira: Hotel Locarno. Seguindo o mote do Luís este era um sítio "onde me apetecia estar".
Passeei muito na Piazza del Popolo, não me importaria de estar neste hotel, embora fique mais longe do Panteão, meu local de eleição em Roma, entre outros.
Ainda só li um conto, que não foi passado no Alentejo. 
Qual das janelas terá sido a portadora de luz que levou à escrita de António Mega Ferreira?
Confesso que tenho curiosidade em ler a história do espaço alentejano, pois vivi no Alentejo um ano muito curioso e de muitas descobertas.
O primeiro conto é denso e triste, surpreendeu-me a nota de solidão e o ambiente tão pouco latino nele descrito.
A capa do livro é de Hopper e retrata um restaurante vulgar na cidade de Nova Iorque. 

Hotel Locarno


A tela é em especial para MR.

Edward Hopper,Tables for Ladies, 1930
Metropolitan Museum of Art

Tables for Ladies places the viewer directly outside the front window of an ordinary restaurant in New York City. The viewer's gaze is directed past the menu cards and the vividly painted foods in the window display and the waitress who leans forward to adjust them, into an interior of polished wood, tiled floors, and wall mirrors where a man and woman eat and a cashier attends to business at her register. Hopper painted this large canvas in the studio, working from sketches that he had made of local restaurants. Yet despite the bright lighting and the warm, even garish, colors, this is not a particularly festive scene. The two diners chat between themselves, but the cashier and the waitress are lost in their separate thoughts and duties. As in many of his works, Hopper indirectly comments on the loneliness and weariness that so many city dwellers experience.

Retirado do site, acima assinalado, onde fui buscar a imagem.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

«O esplendor de Roma no tempo de Bernini»

Guido Reni - Atalanta e Hipomenes (ca 1615-1618), «possivelmente a mais bela peça de toda a exposição», segundo Mega Ferreira 

Sábado comprei o DN por causa de um artigo de Mega Ferreira que tinha chamada na p.1: «O esplendor de Roma no tempo de Bernini». Fiquei então a saber que está em Roma, no Palácio Chipolla, a exposição Barocco a Roma: La meraviglia delle arti. Deve ser uma bela exposição.
Leiam aqui: http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4596945



sábado, 30 de maio de 2015

Para acompanhar o café

algumas sugestões: as mais belas poesias de Olavo Bilac escolhidas por José Régio; Contos de Anne Frank, um livro com ilustrações curiosas (ambos comprados na Livraria Lumière) e Hotel Locarno de António Mega Ferreira, comprado na FNAC. Um livro de contos (13) em que se contam desencontros e incompreensões, * como os quartos fechados, sem portas de comunicação uns com os outros, à sombra do Hotel Locarno. Não sei se este último livro já andou por aqui. 


Capa de Infante do Carmo com ilustração de Miguel Flávio,      Ilustração Guida Santana Fernandes, 10 anos,  da
16 anos, da Escola António Arroio (sd)                               Escola Comercial e Industrial de Loulé (sd)


Pantum

Quando passaste, ao declinar do dia,
Soava na altura indefinido harpejo:
Pálido, o céu do sol se despedia.
Enviando à terra o derradeiro beijo.

Soava na altura indefinido harpejo...
Cantava perto um pássaro, em segredo;
E, enviando à terra o derradeiro beijo,
Esbatia-se a luz pelo arvoredo.

Cantava perto um pássaro em segredo;
Cortava fitas de ouro e firmamento...
Esbatia-se a luz pelo arvoredo:
Caíra a tarde; sossegara o vento.

(...)

Olavo Bilac, doze primeiros versos do poema Pantum, 

as mais belas poesia de Olavo Bilac escolhidas por José Régio, Artis, 1966, p. 11.
Desta edição fez-se uma tiragem com 120 exemplares, em papel Arte, numerados e assinados por José Régio, sendo os últimos vinte, (I a XX) fora do mercado.

Ilustrações de Manuel Lapa, Maria Keil, Rogério Ribeiro e Sá Nogueira.

*Emenda - 13 contos isolados, o Alentejo está presente num deles. (0:15 h, 2-6-15)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Scarlatti - Sonata in B Minor L.33



Domenico Scarlatti daqui 

7 (...) ouviu-se uma melodia graciosa articulada quase sem esforço, foi tudo muito rápido, ele abraçou-me, disse, que sublime pode ser o efémero, eu queria saber mais sobre Scarlatti, ele afastou-se um pouco de mim, depois continuou, quando a infanta [D. Maria Bárbara] casou com o rei de Espanha seguiu-a para a corte de Castela, onde continuou a ensinar e a compor. Perguntei-lhe, e depois?, ele fechou os olhos, voltou-se para mim, disse, não há depois, nunca houve depois na vida de Scarlatti, apenas ma frase na margem de um manuscrito, vivi felice, percebes? 

António Mega Ferreira, Lisboa Song, Lisboa: Sextante, 2009, p. 18.


domingo, 23 de junho de 2013

Lisboa Song

Quartel do Carmo , Lisboa
3 CONTA-ME UMA HISTÓRIA, pediu-me. Ri-me. Conta-me uma história, disse outra vez. Apertou-me os dedos sobre o peito, pedia-me que lhe contasse uma história, eu cantarolei estava uma princesa debaixo de um laranja, e ela ansiosa, não conta-me antes uma história, era uma vez um palácio, comecei , era um palácio novo, perguntou-me, eu tinha dúvidas que um palácio pudesse ser novo a não ser a nossa memória dele, ela queria uma história, e eu anunciara-lhe a história de um palácio, ela tinha os olhos fixos em mim, quem o mandou construir, foi um rei, sim, sim, diz-me se foi um rei, mesmo que seja mentira diz-me que foi um rei que o mandou construir, eu falava-lhe das mãos que o iam construindo, lanço a lanço, passo a passo, e ela insistia, foi um rei, sim, eu sei, foi um rei que mandou construir o palácio (...)

António Mega Ferreira, Lisboa Song. Lisboa: Sextante, 2009, p.10.

Não consegui ouvir harmonia nos sons de Lisboa. Tenho pena de não ter estado no Terreiro do Paço. Mas ontem ofereceram-me Lisboa Song, desta canção gostei.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Aquisições recentes - 20





Comprados ontem : o número 122 da pequena grande colecção O essencial sobre, em que Proust é explicado por Mega Ferreira, e o número 183 da Colóquio Letras, com enfoque nas Diásporas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Leituras no Metro - 111


Chafariz do Loreto. Litografia de Charles Legrand, ca 1842
Actual Largo do Chiado.
O Neptuno é da autoria de Machado Castro (1771), executado em mármore de Carrara, que se encontra desde 1951 no Largo D. Estefânia.

Rua das Portas de Santa Catarina, actual Rua Garrett
Litografia de Charles Legrand, ca 1850

Finalmente, continuo a leitura do Macedo (Lisboa: Sudoeste, 2011) de Mega Ferreira.

«Lugares de pasto, de jogatina ou de estadia mais demorada defronte de um copo de vinho do pichel havia-os, pelo menos desde em 1560 o prestimoso taberneiro Gaspar Dias abrira a sua loja ao alto da Rua das Portas de Santa Catarina , mais ou menos a actual Rua Garrett. Que o bairro (ou lugar)  do Chiado lhe deve o nome parece hoje solidamente estabelecido, tanto mais que os documentos lhe referem a viúva, Catarina Dias, como "a chiada de alcunha". Tinha a alcunha  que ver com a estridência da voz? Diz-se que sim. E o nome do poeta, um Frei António do Espírito Santo, a quem a partir de certa altura deu para as versalhadas, tem parentesco com Gaspar Dias, por alcunha o Chiado? Não se sabe. Mas que a casa foi célebre, não restam dúvidas.» (p. 82)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Entretanto, no CCB...


... sai Mega Ferreira, que lá esteve 5 anos, e entra Vasco Graça Moura. Apesar do meu apreço por Mega, não me parece que o CCB fique a perder.

Entretanto...


Ficamos à espera de novas Romas, outros Macedos e mais crónicas.