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sábado, 19 de agosto de 2023

Favaios / Alijó

O nosso viajante Julio Llamazares, que andamos a acompanhar há uns dias por Trás-os-Montes, quis ir provar o moscatel de Favaios na sua terra.


O viajante pergunta ao barqueiro de Pinhão o caminho para Favaios para ir provar o moscatel. 
«- Moscatel! Isso é para crianças! - exclama o homem, ofendido. - os homens de barba como nós bebem vinho do Pinhão. [...] O moscatel de Favaios é como a água do rio: bebe-se mija-se». Ele ficou sem saber o que era vinho do Pinhão e eu também.
«Ainda assim, o viajante vai a Favaios. [...] o viajante só vê a povoação quando vê à sua frente a tabuleta: Favaios, Capital do Moscatel, lê-se entre dois arabescos. A povoação fica atrás, escondida pelos vinhedos [...].
«Favaios [...] é uma povoação muito antiga. De casas grandes, de pedra, com uma fonte lindíssima e uma igreja impressionante (enorme, também de pedra, com um relógio de granito - de 1912 - e coberta de azulejos), delata desde o princípio a sua antiguidade e riqueza. Sobretudo, tendo em conta que a povoação nem sequer é capital da comarca. Vê-se que o vinho moscatel pelo menos dá dinheiro.
«- Bom, não nos queixamos - confessa o dono do bar onde o viajante entra finalmente depois de ter apreciado a igreja. [...]
«- Dá.me um moscatel?
«- Um copo?
«- Não, um cálice.»
Depois de experimentar o moscatel, Llamazares saiu da taberna, não antes de comprar uns garrafõezinhos de moscatel com 20 anos.



«Alijó já é uma vila grande. Sede do conselho com o mesmo nome e capital da Terra Quente [...]. Uma pousada, uma praça, uns quantos cafés e moradias e um rosário de casarões solarengos falam do seu passado e importância [...]. O viajante, pelo menos, quando percorre as suas ruas, apercebe-se logo da riqueza da povoação.» Mais uma vez, parece que o moscatel e o vinho dão dinheiro. Llamazares não o provou, mas devia tê-lo feito. É menos doce que o Favaios.
Julio Llamazares - Trás-os-Montes. Barcelona: Penguin, D.L. 2016, p. 215-218, 221-222.



E assim terminamos este passeio por Trás-os-Montes, na companhia de Julio Llamazares.


Sirvam-se! 
Saúde!

terça-feira, 25 de abril de 2023

Vamos beber un'ombra ao 25 de Abril?


Em Portugal, como em Itália, há que festejar o 25 de Abril. Sempre!
Fiquei a saber em A outra Veneza que «beber uma sombra» ainda hoje  significa beber «uma pequena taça de vinho branco». Pelo que vi na net também pode ser vinho tinto. 


Dias depois comecei a ler O estranho caso Ford (Lisboa: Planeta, 2009) de Donna Leon, no qual Brunetti encontra o seu amigo Marco que lhe perguntou: 
«- Tens tempo para un'ombra?
«Para  a maior parte dos venezianos, qualquer hora antes das onze era altura para un'ombra, por isso Brunetti nem hesitou antes de assentir.» (p. 22)

Longa vida ao 25 de Abril!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Tramezzini


Já não é a primeira vez que as tramezzini (pequenas sandes triangulares) aparecem aqui no blogue, pela mão de Donna Leon. Só que estas, de atum com ovo, que Guido Brunetti comeu no bar da esquina, não estavam particularmente boas: tinham «demasiada maionese». Acompanhou-as com dois copos de Pinot Grigio, não sei se propriamente este:
Este repasto teve lugar tem lugar em Quem sofre são as crianças, um esquema que envolve bebés, médicos e farmácias. Estou quase no final do livro, mas as receitas de Paola vão aqui aparecer um dia destes.
E se eu hoje comesse uma sandes de atum?!

domingo, 16 de agosto de 2020

Leituras no Metro - 1057

Estou a ler mais um livro de Donna Leon e, como sempre, interessada nas receitas de Paola.

Lisboa: Planeta, 2011

«Paola tinha dito qualquer coisa acerca de borrego, nessa manhã, e Brunetti começou a pensar nas muitas coisas interessantes que se podiam fazer com borrego. Com rosmaninho e azeitonas pretas ou com rosmaninho e pimentões encarnados. E o que era esse prato de que Erizzo gostava tanto: o estufado com vinagre balsâmico e feijão verde? Ou apenas com vinho e rosmaninho; e por que precisava o borrego de rosmaninho mais do que qualquer  outra erva? {…]
«Era mesmo borrego, borrego com vinagre balsâmico e feijão verde. Sem entradas e só com uma salada a acompanhar. [… Brunetti] serviu-se de meio copo de Tignanello e disse:
«- Magnífica refeição - como se fosse o final.»
Mas ainda faltava a sobremesa:
«- Mousse de chocolate… - e olhou de lado apenas a tempo de ver a mulher tirar uma enorme tigela de natas batidas do frigorífico.» (p. 55-57)

Umas costeletas de borrego com vinagre balsâmico.

domingo, 19 de maio de 2019

«Ah Ah! Ah!»


Ontem fui ao super e fui direita à secção de vinhos para comprar Catarina, um vinho branco de que gosto. (Há pouco tempo, num restaurante fiquei a saber que agora também há tinto.) O vinho é da Quinta da Bacalhoa. Quando reparei, lembrei-me do «Ah! Ah! Ah!» e voltei a colocar as garrafinhas no sítio porque o Berardo não vai receber nem mais um cêntimo meu, através da compra de produtos da Bacalhoa. E as pessoas o melhor que tinham a fazer era um boicote aos produtos que ele diz que não são dele.
Aquele «Ah! Ah! Ah!» e a postura dele na comissão de inquérito na Assembleia da República foi uma afronta a todos nós. Até o descaramento tem limites.

domingo, 31 de março de 2019

Leituras no Metro - 1017



«- Lembra-se qual o vinho que beberam? – perguntou Brunetti. […]
«O criado pensou um bocado. – Barolo – respondeu finalmente. – Um ótimo vinho tinto, forte. Cai bem com os bistecche. E depois vin santo, com a sobremesa.» 
Donna Leon - Morte e julgamento. Trad. Conceição Pacheco. Lisboa: Presença, 2001, p. 158

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Sugestão para o almoço

Aqui fica uma sugestão para o almoço, um dos vinhos premiados no Concurso Mundial de Bruxelas, 2018, com a medalha de Grande Ouro. Bom apetite!


Imagem daqui : http://comerbeberlazer.blogspot.com/2017/

Saudades para todos!


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Geminação da geminação...

Os dois vinhos da Herdade do Rocim que bebi ontem num jantar de amigos. Ambos bons, mas o Olho de Mocho é super.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Em geminação com o Arpose

Há uns tempos fui jantar a casa de uns amigos e levei este vinho da Casa Ermelinda de Freitas - Vinha da Valentina Premium 2015 - que foi apreciado. Hoje vamos bisar.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

O vinho português que Macron aprecia


Emmanuel Macron é um apreciador de vinho e afirmou numa entrevista que uma refeição sem vinho é uma refeição triste.
«José da Rosa é luso-francês, tem 52 anos, e chegou a França com seis anos. No seu restaurante [Da Rosa] no bairro de Saint-Germain-des-Près serve comida inspirada nos sabores tradicionais do sul da Europa. É amigo e apoiante [... do Presidente eleito da] República Francesa, e gosta de lhe dar a conhecer os sabores portugueses. «De acordo com a Agência Lusa, José da Rosa importa diversos vinhos nacionais, entre eles «o vinho do Pedro Vasconcellos e Souza que tem uma adega das mais bonitas de Portugal, no Freixo, Alentejo», considera. Quando lhe deu a provar o Freixo Family Collection tinto 2014, [... Macron] gostou – e muito – chegando mesmo a dizer que é o "melhor dos melhores".»
Ler mais em: http://www.evasoes.pt/beber/47172/


Já agora, mostremos o Da Rosa, que fica na Rue de Seine, em Paris:

segunda-feira, 13 de março de 2017

Números


9400

euros, foi por quanto foi vendida esta garrafa de romanée-conti de 1971, um dos vinhos mais caros do mundo. Foi em Paris, a 23 de Fevereiro ( Artcurial )

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Um quadro por dia - 332


Uma tela do alemão Johann Peter Hasenclever ( 1810-1853 ) , que está actualmente na Galeria Nacional de Berlim, para brindar à saúde da Ana . PARABÉNS ! 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Librottiglia


Quem disse que era preciso escolher entre um bom livro e um bom vinho? A empresa vinícola Matteo Correggia acaba de criar umas experiências eno-literárias.
Três escritores italianos contribuíram para o projeto Librottiglia (talvez possamos traduzir or Librorrafa) para criar garrafas de vinho com literatura num folheto. O jornalista Danilo Zanelli é o autor de L'Omicido, uma história associada ao vinho Roero Arneis; a cantora e escritora Patrizia Laquidara produziu La Rana nella Pancia, uma fábula que combina com o vinho tinto Anthos; a escritora e produtora cultural Regina Marques Nadae escreveu Ti amo. Dimenticami, para acompanhar o vinho Nebbiolo Roero.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Parabéns, Arpose!

Uns vinhos de Carcavelos para acompanharem as castanhas, ao som de Liszt:


Bom São Martinho e muitos anos de vida. :)