Mostrar mensagens com a etiqueta pastagens semeadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pastagens semeadas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ornithopus sativus subsp. sativus vrs. O. perpusillus


Ornithopus sativus subsp. sativus (de flores grandes) e O. perpusillus (de flores pequenas). Tão parecidos que são! Mas o O. sativus é bem mais exigente em solo do que o frugal (e menos produtivo) O. perpusillus.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Trifolium alexandrinum (Fabaceae) I

Qual é a planta mais cultivada no Egipto moderno?
Se a agricultura do Egipto antigo se tivesse mantido, imutável, até aos dias de hoje, o Triticum diccocum povoaria a terras submergidas pelas cheias do Nilo (as cheias decorrem entre Julho e Setembro, sendo o cereais de pragana semeados no Outono; o T. diccocum, o farro dos agrónomos clássicos romanos, é um trigo vestido tetraplóide, hoje extinto  no território continental português, muito cultivado na proto-história e no período romano). Nas terras mais interiores, de cota um pouco mais alta, marginalmente banhadas pelas águas do Nilo, o trigo seria substituído pela cevada (Hordeum vulgare), o cereal mediterrânico mais adaptado à escassez de água.
A combinação de altas temperaturas na Primavera-Verão com água abundante para rega é, obviamente, favorável às plantas C4, como o milho ou o sorgo. Estas espécies são ambas fundamentais na alimentação das populações rurais egípcias actuais.
O cultivo industrial do algodoeiro, sobretudo do algodoeiro-de-fibra-longa (Gossypium barbadense), foi a base da economia egípcia desde a fundação da dinastia Alawiyya, no início do século XIX, até à segunda metade do séc. XX.
Mas não. Pese embora a importância dos cereais de Outono-Inverno (sobretudo do Triticum aestivum «trigo-mole»), do milho, do sorgo, ou da cultura do algodoeiro, a planta mais cultivada do Egipto é um simples trevo anual, o Trifolium alexandrinum, conhecido na comunidade agronómica por bersim.


Trifolium alexandrinum «bersim». É muito fácil distinguir o T. alexandrinum dos seus congéneres. Para além dos capítulos pedunculados de flores branco-amareladas, que emergem de duas folhas opostas, o bersim caracteriza-se por possuir grandes pêlos na margem das estípulas (vd. foto).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Trifolium subterraneum (Fabaceae) II

A biologia da dispersão do T. subterraneum é extraordinária.
Finda a ântese (floração) os pedúnculos inflectem em direcção ao solo, e enterram os frutos encerrados no interior de capítulos frutíferos semelhantes a uma bola. Cada fruto de trevo contem uma única semente. Se quisermos ser cuidadosos com os conceitos e a linguagem, o fruto dos trevos não é uma vagem, como acontece na grande maioria das leguminosas, mas sim um aquénio.

 Aquénios de  T. subterraneum (Fabaceae) encerrados num capítulo frutífero. N.b. flores estéreis brancas de cálice reduzido a uma espécie de estrela de 5 pontas

Os capítulos frutíferos de T. subterraneum apresentam-se revestidos por um grande número de flores estéreis. Esta fantástica "descoberta evolutiva" resolve de uma penada vários problemas que qualquer planta pratense que se preze teve que lidar durante a sua história evolutiva. A flores localizadas no ápice da inflorescência estão reduzidas a pequenos cones com função de facilitar o enterramento dos frutos. Os cálices das restantes flores estéreis funcionam como as farpas de um anzol: ancoram os capítulos frutíferos no solo. Este mesmo carácter permite que os capítulos fiquem retidos entre as unhas ou no pêlo dos ungulados (e.g. ovelhas e vacas), que entretanto se encarregam de os dispersar a longa distância. Os cascos dos ungulados também facilitam o enterramento dos frutos no solo. Os serviços "comprados" pelo trevo-subterrâneo aos ungulados ficam concluídos com uma copiosa fertilização orgânica. Os excrementos animais, sobretudo dos ovinos, melhoram a fertilidade dos microsítios onde germinam as sementes após a chegada das primeiras chuvas outonais.

Capítulos frutíferos de T. subterraneum

O trevo-subterrâneo exige intensidades luminosas elevadas, tem um hábito prostrado e apresenta um pico de acumulação de biomassa  relativamente tardio. Estas três características ajudam a explicar a sensibilidade desta espécie à competição por gramíneas e outras plantas de porte erecto. Intensidades elevadas de pastoreio no final do Inverno (Fevereiro-Março) são essenciais para manter elevados graus de cobertura de trevo-subterrâneo quer em prados semi-naturais, quer em pastagens semeadas. Nos solos muito húmidos as gramíneas anuais, tão abundantes nos pastos mediterrânicos, são substituídas por gramíneas perenes (e.g. Holcus lanatus). Nestas condições o trevo-subterrâneo titubeia e é substituído por trevos perenes (e.g. T. repens «trevo-branco» ou T. pratense «trevo-violeta») ou por congéneres anuais de floração alta (e.g. T. dubium). Solos compactados e pisoteados pelos grandes herbívoros domésticos, secos e duros de Verão, pelo contrário, não o incomodam. Por alguma razão, no NE de Portugal, os melhores prados de trevo-subterrâneo podem ser encontrados nos terrenos baldios situados à entrada das aldeias, onde os animais descansam ao final da tarde, depois de um extenuante e longo dia de pastoreio, antes de regressarem aos seus alojamentos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Trifolium tomentosum (Fabaceae)

Nos prados de sequeiro com trevos-subterrâneos (T. subterraneum), naturais ou semeados, quando os anos são húmidos abundam as plantas de solos temporariamente encharcados, conforme referi neste post. Se os anos forem secos ganham dominância plantas mais xerófilas (melhor adaptadas à secura do solo), entre as quais se conta este trevo anual:

Trifolium tomentosum (Fabaceae)

Este pequeno trevo é uma das espécies do género Trifolium, indígenas de Portugal, de ciclo biológico mais curto, e mais resistentes ao pisoteio e à compactação do solo. Primavera meada não passa desapercebido em prados, margens de caminhos, estradas e passeios, com as suas frutificações esféricas prontas a rebolar pelo solo ao sabor do vento, até se encravarem numa pequena reentrância entre os paralelos de uma estrada rural ou num tufo seco de gramíneas. A anemocoria (dispersão pelo vento) neste trevo, à semelhança do T. resupinatum (vd. aqui), resulta da presença de cálices acrescentes (que crescem) após a fecundação, e colaescem numa infrutescência de grande volume e pouco peso.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Trifolium resupinatum (Fabaceae)

Para recomeçar nada melhor do que um trevo indígena da nossa flora, muito usado em misturas comerciais de plantas pratenses: o Trifolium resupinatum «trevo-da-pérsia».

O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.


Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Os Trifolium repens (Fabaceae) nordestinos

O T. repens «trevo-branco» é muito frequente em prados temperados ou em prados mediterrânicos de solos de baixa, húmidos e meso-eutróficos (com algumas bases e fósforo). A sua identificação é muito fácil: plantas perenes enraizantes nos nós; folhas com três folíolos (como todos os trevos) glabros (sem pêlos); flores brancas, as polinizadas inflectidas em direcção ao solo. A sua presença é sempre bem-vinda porque os trevos incrementam o teor em proteína do pasto e, consequentemente, as taxas de crescimento e a condição corporal dos animais que o consomem.
No NE de Portugal ocorrem dois ecótipos de trevo-branco morfologicamente e ecologicamente muito distintos.
Os ecótipos de terras húmidas e fundas têm folhas grandes, totalmente glabras e flores brancas. Acompanham estas plantas as plantas características dos prados perenes de influência eurossiberiana, i.e. dos lameiros.


Nos prados de solos mais secos e compactados, intensamente pastoreados, em ambientes de montanha com uma estação seca relativamente longa, observam-se plantas, muito semelhantes ao T. repens var. nevadense, de folhas mais pequenas e escuras, com pecíolos peludos, pêlos estes por vezes estendendo-se à base da nervura média dos folíolos, e flores rosadas. Estas plantas geralmente estão acompanhas, entre outras plantas, por Poa bulbosa (Poaceae), T. subterraneum (Fabaceae) e T. micranthum (Fabaceae).


O comportamento dos T. repens das misturas comerciais de sementes nas áreas mediterrânicas é muito irregular, quando não desastrosa. Valia a pena multiplicar estes trevos-brancos adaptados a solos secos e compactados e oferecê-los à lavoura.
Temos literalmente à mão de semear, ecótipos autóctones de trevo-branco de elevado potencial agronómico para seleccionar, multiplicar e introduzir nas misturas comerciais de sementes. Por que razão importá-los da Austrália???

domingo, 14 de junho de 2009

Astragalus pelecinus subsp. pellecinus (Fabaceae)

Num post anterior fiz uma referência a uma planta do género Astragalus (ver aqui).
Trago hoje o A. pelecinus subsp. pelecinus (= Biserrula pelecinus subsp. pelecinus), uma planta anual comum em pastagens permanentes mediterrânicas submetidas a cargas animais elevada, instaladas em solos pobres em bases (sobretudo cálcio), geralmente ácidos e compactados pelo pastoreio. Na terminologia fitossociológica diz-se que é uma planta característica de Poetea bulbosae.
O A. pelecinus subsp. pelecinus distingue-se facilmente no campo, sobretudo se estiver em fruto. Em primeiro lugar tem folhas compostas parifolioladas (com um número par de folíolos) e folíolos com um entalhe triangular na extremidade muito característico.


Depois os frutos são inconfundíveis:


As modernas misturas de sementes de pastagens de sequeiro para altitudes não muito elevadas regra geral incluem esta espécie. Depois de instaladas as pastagens o A. pelecinus subsp. pelecinus embora seja muito persistente geralmente não atinge abundâncias elevadas.
[fotos C. Aguiar]